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Documento revelado pela agência Reuters indicou que voluntários receberam carta alegando que erro fazia parte do processo

Vacina de Oxford teve uso aprovado no Reino Unido Foto: Reprodução

Aproximadamente 1.500 voluntários de um dos primeiros grupos do teste clínico de estágio avançado da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 receberam a dose errada durante o estudo, mas não foram informados sobre o caso nem mesmo após a descoberta do fato. A constatação aparece em documentos obtidos pela agência Reuters.

Segundo a publicação, o equívoco de dosagem foi apresentado aos participantes do teste, em uma carta de 8 de junho, como uma oportunidade para os pesquisadores da Universidade de Oxford descobrirem o quão bem a vacina funciona em doses diferentes. A carta foi assinada pelo investigador-chefe do teste, o professor Andrew Pollard, e enviada aos participantes.

Os participantes receberam cerca de metade de uma dose devido a um erro de medição dos pesquisadores de Oxford. A carta de Pollard não reconheceu nenhum erro nem revelou que os pesquisadores haviam relatado a questão às agências médicas reguladoras britânicas, que depois instruíram Oxford a acrescentar outro grupo de teste que receberia a dose completa.

Segundo a Reuters, não há sinal de que tenha havido qualquer risco para a saúde dos participantes do teste. A agência compartilhou a carta – que obteve da universidade graças a um pedido de Liberdade de Informação – com três especialistas em ética médica. Todos eles disseram que ela indica que os pesquisadores podem não ter sido transparentes com os participantes do teste.

– Eles não são nada claros a respeito do que deveriam esclarecer: o que estava acontecendo, o que sabiam, o raciocínio para realizar pesquisas adicionais – opinou Arthur L. Caplan, chefe e fundador da Divisão de Ética Médica da Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York.

Em novembro, Oxford relatou resultados temporários que mostraram que a taxa de eficácia para participantes que recebem meia dose por engano e uma dose inteira de reforço subsequente foi de 90% e que a taxa para aqueles que receberam duas doses inteiras foi de 62%. Os dados combinados dos dois regimes de dosagem resultaram em uma eficácia de 70,4%.

Informações Pleno News


Foto: Ascom Câmara

Ficou para esta terça-feira (2) a definição de quais vereadores vão presidir as comissões permanentes da Câmara de Feira de Santana. Nesta segunda (1º) foram anunciados os três integrantes de cada comissão.

De acordo com o presidente da Casa da Cidadania, Fernando Torres (PSD), os seus pares se reuniram após a sessão solene de hoje e decidiram formar, em consenso, os grupos de trabalho, porém deixaram para o dia seguinte a indicação de quem vai comandá-los.

A Comissão de Constituição e Justiça, considerada a mais importante da Casa (passa por ela tudo o que tramita na Câmara), está formada pelos vereadores Edvaldo Lima (PSD), Eremita Mota (PSDB) e Zé Curuca (MDB). Um deles irá presidi-la.

Segue a lista das demais, com seus componentes, restando, igualmente, a escolha do presidente: Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização: Jurandhy Carvalho (PL), Pedro Américo (DEM) e Ron do Povo (MDB); Obras Urbanismo, Infraestrutura, Agricultura e Meio Ambiente: Correia Zezito (Patriota), Fabiano da Van (MDB) e Pastor Valdemir Santos (PV); Educação e Cultura: Professor Jonathas Monteiro (PSOL), Pedro Cícero (DEM), Professor Ivamberg (PT); Saúde, Assistência Social e Desporto: Emerson Minho (DC), Luiz da Feira (PROS), Paulão do Caldeirão (PSC); Reparação, Direitos Humanos, Defesa do Consumidor e Proteção à Mulher: Petrônio (Republicanos), Galeguinho (PSB) e Lulinha (DEM).


Ouça agora, o quadro Ponto a Ponto, com César Oliveira, que foi ao ar na edição desta segunda-feira (25), no Rotativo News!


O decreto foi publicado no Diário Oficial Eletrônico 

Feira de Santana passa a contar com a Secretaria Extraordinária de Políticas para as Mulheres. O órgão da administração municipal foi criado com a finalidade de coordenar o centro de referência de atendimento às mulheres em situação de violência e propor medidas para o combate a todas as formas de discriminação contra a mulher.

Além disso, deverá executar ações para a promoção à saúde integral, ao direito sexual e reprodutivo da mulher; apoiar iniciativas em parceria com a comunidade e o movimento social de mulheres, bem como promover políticas públicas e ações para a melhoria da autoestima da mulher violentada.

O órgão foi implantado pelo prefeito Colbert Filho, por meio de decreto publicado no Diário Oficial Eletrônico, neste domingo, 31, que altera e transforma a Secretaria Municipal Extraordinária de Relações Institucionais em Secretaria Municipal Extraordinária de Políticas para as Mulheres. 

No final da sessão de reabertura dos trabalhos do Legislativo Feirense, na manhã desta segunda-feira, 1, o prefeito anunciou o nome da vereadora Gerusa Sampaio para assumir a pasta. 

Confira o decreto na íntegra: 


Presidente ironizou fim do mandato do desafeto, apostou em vitória de Lira e disse que discutirá situação partidária após eleição no Congresso

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Marcos Corrêa/Presidência/29-01-2021
O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Marcos Corrêa/Presidência/29-01-2021

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou nesta segunda-feira o fim do mandato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara e afirmou que “tudo acaba o dia” e que é preciso estar “preparado” para isso. Bolsonaro ainda afirmou que “se Deus quiser, vai dar tudo certo hoje”, em referência a uma provável vitória de Arthur Lira (PP-AL), favorito para suceder Maia.

O comentário ocorreu no Palácio da Alvorada, quando um apoiador pediu para Bolsonaro mandar um recado a Maia. O presidente respondeu, rindo:

— Seja feliz. Tudo acaba um dia. Meu mandato vai acabar um dia. Devemos nos preparar para esse momento aí.

Maia disse no domingo a deputados que poderia abrir um processo de impeachment contra Bolsonaro, após seu partido, o DEM, deixar o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato apoiado por Maia na sua sucessão na presidência da Câmara.

Ao ouvir de uma apoiadora um elogio por ter apoiado Lira na disputa, o presidente respondeu:

— Obrigado, se Deus quiser, vai dar tudo certo hoje.

Bolsonaro também disse que após as eleições no Congresso vai voltar a discutir sua situação partidária. O presidente está sem partido desde 2019, quando saiu do PSL. 

— Começo a discutir a partir de amanhã. Deixa a eleição da Mesa passar.

O presidente voltou a dizer que será “difícil” formar o Aliança pelo Brasil, partido que ele tenta criar, e disse que precisa pensar em uma “alternativa”. Ele cogita entrar em siglas que já existem, como PP, PL, PTB e Patriota. 

— Olha, vai ser difícil formar o partido, viu? Vai ser difícil formar. Problema burocrático. Então tem que pensar numa outra alternativa aí. Agora estamos tendo tempo pra discutir esse assunto, em 2018 nao deu tempo.

Com o apoio do presidente, Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) chegam com amplo favoritismo para a eleição, hoje, que definirá os novos presidentes de Câmara e Senado. Na noite de ontem, a Executiva Nacional do DEM, partido do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), anunciou a ruptura com o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP) na Casa. Maia é o principal fiador da candidatura do emedebista.

Com a mudança, ampliou-se a dianteira de Lira na composição partidária. Seu bloco reúne 11 siglas e 255 deputados. Já o de Baleia tem 10 legendas, totalizando 209 parlamentares. Os blocos são importantes, porque balizam a divisão dos demais cargos na Mesa Diretora. Mas o voto é secreto, e os deputados não são obrigados a seguir a orientação partidária.

Crítica a Covas por ida a jogo

Bolsonaro ainda ironizou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), por ter assistido à final da Libertadores no Maracanã, no sábado, enquanto a capital paulista enfrenta restrições de circulação para diminuir o contágio do novo coronavírus.

Ao se declarar contra o que chamou de política do “fique em casa”, o presidente também lembrou uma viagem do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a Miami, no fim do ano passado.

— O fique em casa nunca foi e nunca será política minha. Fique em casa é para uns. Outros é Miami ou Maracanã. Aí não dá.

Informações O Globo


Crédito: POOL/AFPIdosos aguardam vacinação contra a covid-19 em um centro de imunização em um centro de convenções em Berlim, 18 de janeiro de 2021 (Crédito: POOL/AFP)

O governo alemão quer deixar de priorizar os maiores de 65 anos na vacinação contra a covid-19 com o imunizante da AstraZeneca, pois os especialistas do país duvidam de sua eficácia nesta faixa etária, anunciou neste sábado (30) o ministro da Saúde.

“Teremos que revisar a ordem de vacinação” por causa das “limitações de idade da vacina da AstraZeneca”, afirmou o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante conversa com trabalhadores sanitários.

Na sexta-feira, a autoridade alemã encarregada de vacinas reiterou sua recomendação, já expressa na véspera, de que não se autorize a vacina da AstraZeneca para pessoas maiores de 65 anos.

Os especialistas consideram que “não há dados suficientes para se pronunciar sobre a eficácia” deste imunizante em pessoas idosas.

No entanto, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou na sexta-feira o uso desta vacina em maiores de 18 anos e sem limite de idade na União Europeia (UE).

Jens Spahn afirmou que quer “aplicar” a decisão dos especialistas alemães.

A vacina do laboratório britânico poderia ser usado prioritariamente em pessoas mais jovens ou no “pessoal sanitário”, acrescentou.

A Alemanha emitirá a autorização oficial no começo da semana que vem, no máximo.

A vacina, desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, é a terceira aprovada pela EMA, depois das da Pfizer/BioNTech, em 21 de dezembro, e da Moderna, em 6 de janeiro.

Apesar dos atrasos registrados nas entregas da vacina da AstraZeneca, Jens Spahn afirmou neste sábado que esperava receber “cinco milhões de doses adicionais antes de 22 de fevereiro”, contando todo o conjunto das vacinas.

Segundo o Instituto de Vigilância Sanitária Robert Koch, até a sexta-feira passada, 2,2% da população alemã (1.855.457 pessoas) haviam recebido pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19.

Informações Istoé


Wuhan
Legenda da foto, Primeiro caso de uma ‘pneumonia por causa desconhecida’ foi registrado em Wuhan no início de dezembro de 2019

BBC NEWS – Pouco mais de um ano atrás, no dia 23 de janeiro de 2020, o governo chinês decretou lockdown na cidade de Wuhan. 

Há semanas as autoridades de saúde chinesas vinham repetindo que o surto causado por uma doença desconhecida estava sob controle — apenas algumas dezenas de casos ligados a um mercado em que eram vendidos animais vivos. Naquele momento, entretanto, o vírus já havia ido além da fronteira da cidade e se espalhado pelo país. 

Esta é a história de cinco dias críticos no início do que se tornaria uma pandemia. 

Em 30 de dezembro de 2019, muitas pessoas já haviam sido recebidas em hospitais na cidade de Wuhan com sintomas parecidos: febre alta e pneumonia. O primeiro caso de que se tem notícia foi de um homem que tinha por volta de 70 anos, que adoeceu no dia 1º de dezembro.

Naquele momento, muitos dos pacientes estavam direta ou indiretamente ligados ao mercado de peixes Huanan — o que levou os médicos a suspeitarem que poderiam estar observando um outro tipo de pneumonia. 

Amostras colhidas do pulmão de pessoas infectadas foram então enviadas a laboratórios de sequenciamento genético para que a causa da doença fosse identificada. Resultados preliminares indicaram, por sua vez, que se tratava de um vírus ainda desconhecido, semelhante ao da Sars. Autoridades de saúde locais e o Centro para Controle de Doenças do país já haviam sido notificados, mas nada havia sido tornado público. 

Hoje acredita-se que já houvesse entre 2,3 mil e 4 mil pessoas infectadas, conforme um modelo matemático desenvolvido pelo MOBS Lab, da Northeastern University, em Boston, nos EUA. 

Também é provável que o surto estivesse dobrando seu alcance a cada poucos dias. Epidemiologistas dizem que, no estágio inicial de uma epidemia, cada dia e até mesmo cada hora são críticos. 

Mercado de peixes de Huanan foi fechado no dia 1º de janeiro
Legenda da foto, Mercado de peixes de Huanan foi fechado no dia 1º de janeiro

30 de dezembro de 2019: um alerta 

Por volta de 16h do dia 30 de dezembro, a chefe da emergência do Hospital Central de Wuhan recebeu os resultados dos testes processados em Pequim pelo laboratório de sequenciamento genético Capital Bio Medicals.

Ela suava frio ao ler o relatório, conforme relatou posteriormente a uma publicação estatal chinesa. 

No topo, duas palavras alarmantes: “Sars Coronavírus”. Ela as circulou em vermelho e enviou a colegas pelo aplicativo de compartilhamento de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp).

Em uma hora e meia, a imagem granulada havia chegado ao médico do departamento de oftalmologia do hospital Li Wenliang. Ele a dividiu, por sua vez, com um grupo de colegas da universidade com um aviso: “Não circulem esta mensagem fora deste grupo. Digam a seus familiares e entes queridos que tomem precauções”.

Pequim tentou acobertar a epidemia de Sars quando ela inicialmente se espalhou no sul da China entre 2002 e 2003, insistindo que a situação estava sob controle. A resposta, na época, foi bastante criticada pela comunidade internacional e chegou a motivar protestos dentro do país. Entre 2002 e 2004, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) infectou mais de 8 mil pessoas e matou quase 800 pelo mundo.

Robert Maguire, da OMS, e médico chinês visitam paciente com Sars em Guangzhou em abril de 2003
Legenda da foto, Robert Maguire, da OMS, e médico chinês visitam paciente com Sars em Guangzhou em abril de 2003: houve críticas em relação à transparência das autoridades chinesas durante a epidemia

Nas horas seguintes, imagens da mensagem de Li acabaram se espalhando pela web e milhões de pessoas já falavam sobre Sars na China.

O laboratório de sequenciamento havia, entretanto, cometido um erro — não se tratava da Sars, mas de um novo coronavírus, bastante semelhante. Notícias sobre um possível surto começaram a circular. 

O Comitê de Saúde de Wuhan já estava ciente de que havia algo acontecendo nos hospitais da cidade. Naquele dia, funcionários da Comissão Nacional de Saúde chegaram de Pequim e novas amostras foram enviadas a pelo menos cinco laboratórios públicos em Wuhan e Pequim para que fossem sequenciados concomitantemente. 

Conjuntos residenciais em Wuhan em abril de 2020
Legenda da foto, Conjuntos residenciais em Wuhan: no momento do lockdown, calcula-se que milhares já estavam infectados

Enquanto mensagens sobre um possível retorno da Sars viralizavam no país, o Comitê de Saúde de Wuhan emitiu ordens aos hospitais instruindo-os a reportar todos os casos diretamente ao órgão e a não darem nenhum tipo de declaração sem autorização prévia. 

Em 12 minutos, as ordens até então sigilosas foram vazadas online. 

O tempo entre a explosão de comentários nas redes sociais chinesas e a disseminação da notícia no resto do mundo talvez tivesse sido maior, não fosse pela experiente epidemiologista Marjorie Pollack.

Editora da ProMed-mail, newsletter que costuma emitir alertas globais sobre surtos de doenças, ela recebeu um e-mail de um contato em Taiwan perguntando se tinha ouvido algo sobre os rumores que circulavam na internet na China. 

Epidemiologista Marjorie Pollack
Legenda da foto, Epidemiologista Marjorie Pollack disparou mensagem para uma lista de 80 mil pessoas pedindo informações sobre a doença

Em fevereiro de 2003, a ProMed havia sido o primeiro veículo a dar a notícia ao mundo sobre o primeiro surto de Sars. Agora, Pollack sentia que estava vivendo uma espécie de déjà-vu. 

“Minha reação foi: ‘Temos um grande problema'”, contou à BBC. 

Três horas depois, ela havia acabado de escrever um post pedindo a quem pudesse que ajudasse com mais informações sobre o surto. A mensagem foi enviada a aproximadamente 80 mil assinantes faltando um minuto para meia-noite. 

31 de Dezembro: cientistas oferecem ajuda

À medida que a notícia começou a se espalhar, o professor George F. Gao, diretor-geral do Centro para Controle de Doenças da China, passou a receber ofertas de ajuda vindas dos quatro cantos do mundo. 

O país reativou a infraestrutura de combate a doenças infecciosas montada depois da epidemia de Sars — em 2019, Gao havia prometido que o amplo sistema de vigilância chinês seria capaz de antever um episódio como aquele. 

Dois dos cientistas que entraram em contato com o professor, entretanto, dizem que o CDC não parecia preocupado. 

“Mandei uma mensagem longa a George Gao, me oferecendo para enviar uma equipe para apoiá-lo em tudo o que precisasse”, disse à BBC Peter Daszak, presidente do grupo de pesquisa EcoHealth Alliance, baseado em Nova York. 

A resposta, contudo, foi breve — apenas para desejar Feliz Ano Novo. 

Diretor do Centro de Controle de Doenças na China, George F Gao
Legenda da foto, O diretor do Centro de Controle de Doenças na China, George F Gao, foi contactado por cientistas de diferentes países

O epidemiologista Ian Lipkin, professor da Universidade de Columbia, em Nova York, também tentou entrar em contato com Gao — que retornou a ligação quando Lipkin estava jantando, já próximo da meia-noite. O relato sobre a conversa dá contorno ao discurso das autoridades chinesas naquele momento crítico.

“Ele disse que tinha identificado o vírus. Era um novo coronavírus. E não era altamente transmissível. Isso não fazia muito sentido para mim porque já tinha ouvido que muitas, muitas pessoas haviam sido infectadas.”

“Não acho que ele estava sendo dúbio, acho que ele estava apenas errado”, afirma o epidemiologista. 

Epidemiologista Ian Lipkin, da Universidade de Columbia
Legenda da foto, 

Para o americano, o colega chinês deveria ter compartilhado naquele momento os sequenciamentos genéticos que já tinha obtido. “Na minha visão, seria preciso divulgar. É algo muito importante para hesitação.”

Gao, que recusou os pedidos de entrevista para esta reportagem, declarou à imprensa chinesa que os sequenciamentos foram divulgados assim que possível, e que ele nunca afirmara publicamente que não havia transmissão de humano para humano.

Naquele dia, o Comitê de Saúde de Wuhan publicou um comunicado em que informava sobre 27 casos de pneumonia viral identificados na região, sem evidência clara, entretanto, de que houvesse transmissão entre seres humanos. 

Emissora CGTN noticia 27 casos de 'pneumonia viral'
Legenda da foto, A emissora CGTN noticia 27 casos de ‘pneumonia viral’: seriam dias até que as autoridades chinesas confirmassem a transmissão entre humanos

Seriam necessários mais 12 dias até que a China compartilhasse o sequenciamento genético do patógeno com a comunidade internacional. 

O governo chinês recusou vários pedidos de entrevista da BBC para comentar o assunto. Em posicionamentos enviados por escrito, afirmou que a China “sempre havia agido de forma aberta, transparente, com responsabilidade e celeridade” no combate à covid-19. 

1º de janeiro de 2020: frustração internacional 

A lei internacional estipula que surtos de doenças infecciosas que possam gerar preocupação global devem ser reportados à Organização Mundial de Saúde (OMS) em até 24 horas. 

No dia 1º de janeiro, entretanto, a OMS ainda não havia sido notificada sobre o que ocorria na China. 

No dia anterior, membros da organização haviam visto a publicação da ProMed, além de algumas informações na internet, e resolveram entrar em contato com a Comissão Nacional de Saúde do país. 

“Era para ter sido reportado”, diz Lawrence Gostin, professor do O’Neill Institute for National and Global Health Law da Universidade de Georgetown, nos EUA, e colaborador da OMS. 

“A falha em reportar (o surto) foi claramente uma violação do Regulamento Sanitário Internacional (International Health Regulations).”

A epidemiologista Maria Van Kerkhove, que se tornaria uma das principais líderes técnicas da OMS no combate à pandemia, participou da primeira de muitas reuniões à distância no meio da noite em 1º de janeiro. 

“Nós tínhamos uma suspeita inicial de que pudesse ser um novo coronavírus. Para nós, não era uma questão de se havia ou não transmissão de humano para humano, mas qual era a extensão naquele momento e onde estava acontecendo.” 

Maria Van Kerkhove, da OMS
Legenda da foto, Maria Van Kerkhove, da OMS: membros do alto escalão da organização estavam frustrados com a falta de informações naquele momento

Dois dias depois, as autoridades chinesas responderam à OMS. O retorno, entretanto, foi vago — de que haviam sido registrados 44 casos de uma pneumonia viral de causa desconhecida.

A China afirma ter se comunicado regularmente com a OMS a partir do dia 3 de janeiro. Mas registros de reuniões internas da organização obtidas pela agência de notícias Associated Press (AP) e compartilhadas com a BBC mostram uma realidade diferente e revelam a frustração de funcionários de alto escalão da OMS na semana seguinte.

“Dizer que ‘não há evidência de transmissão de humano para humano’ não é suficiente. Precisamos ver os dados”, diz, segundo os registros, Mike Ryan, diretor de emergências da OMS. 

A organização era legalmente obrigada a reproduzir as informações fornecidas pela China. Ainda que houvesse suspeita de transmissão entre humanos, a OMS só conseguiria confirmá-la três semanas depois. 

“Essas preocupações nunca foram expressas publicamente. Eles apenas reproduziram as informações dadas pela China”, diz o repórter da AP Dake Kang. 

“No fim do dia, a impressão com que o mundo ficou foi aquela que as autoridades chinesas queriam, de que tudo estava sob controle. E é claro que não estava.” 

2 de janeiro: médicos silenciados

O número de infectados dobrava a cada poucos dias, e cada vez mais pessoas procuravam os hospitais de Wuhan. 

Neste momento, em vez de abrir espaço para que os médicos compartilhassem suas preocupações, a imprensa estatal deu início a uma campanha para silenciar os profissionais de saúde.

No dia 2 de janeiro, a emissora estatal Televisão Central da China (CCTV) veiculou uma reportagem sobre os médicos que haviam falado sobre o surto quatro dias antes, retratando-os como “usuários da internet” que haviam “espalhado rumores”. 

Em seguida, os profissionais foram chamados pela Secretaria de Segurança Pública de Wuhan para prestar depoimento e foram “tratados de acordo com a lei”, segundo as autoridades. 

Um dos médicos era Li Wenliang, o oftalmologista cujo relato havia viralizado, que chegou a assinar uma confissão. Em fevereiro, ele morreu de covid-19. 

Oftalmologista Li Wenliang na cama do hospital
Legenda da foto, Oftalmologista Li Wenliang tentou alertar sobre a gravidade da doença

O governo chinês afirma que isso não chega a ser indicativo de que estava tentando suprimir as notícias sobre o surto, e que pedia apenas a médicos como Li que não espalhassem informações ainda não confirmadas. 

Mas o impacto da postura das autoridades chinesas foi significativo. Enquanto ficava cada vez mais aparente para os médicos que havia, de fato, transmissão entre humanos da doença, eles eram impedidos de se manifestar publicamente.

Um profissional da saúde que trabalhava na mesma unidade que Li, o Hospital Central de Wuhan, disse à reportagem que, nos dias seguintes, “havia muitas pessoas com febre”. 

“Estava fora de controle. Entramos em pânico, mas o hospital nos disse que não tínhamos autorização para falar com ninguém.”

Médico no hospital Jin Yintan, em Wuhan, em 17 de janeiro
Legenda da foto, Médico no hospital Jin Yintan, em Wuhan, em 17 de janeiro: número de casos aumentava exponencialmente

Segundo o governo chinês, “é preciso seguir um rigoroso processo científico para determinar se um vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa”. 

As autoridades seguiriam afirmando que não havia transmissão entre seres humanos por outros 18 dias. 

3 de janeiro: o memorando sigiloso 

Laboratórios em todo país estavam em uma corrida contra o tempo para fazer o sequenciamento completo do genoma do vírus. Entre eles, estava um renomado virologista de Xangai, Zhang Yongzhen, que começou o sequenciamento no dia 3 de janeiro.

Depois de trabalhar por dois dias consecutivos, ele obteve um genoma completo. Os resultados revelavam um vírus semelhante ao da Sars e, portanto, provavelmente transmissível.

Virologista Zhang Yongzhen
Legenda da foto, O virologista Zhang Yongzhen colocaria fim ao impasse sobre o sequenciamento do genoma do vírus

No dia 5 de janeiro, o escritório de Zhang escreveu à Comissão Nacional de Saúde recomendando a tomada de medidas de precaução em espaços públicos. 

“Naquele mesmo dia, ele estava trabalhando para ter os dados prontos assim que possível, para que o resto do mundo pudesse saber do que se tratava e avançássemos no diagnóstico”, afirma Edward Holmes, virologista e biólogo evolutivo da Universidade de Sidney, na Austrália, que trabalha com Zhang.

Mas Zhang não conseguia tornar seus achados públicos. No dia 3 de janeiro, a Comissão Nacional de Saúde havia enviado um memorando sigiloso aos laboratórios proibindo que cientistas sem autorização analisassem o vírus e divulgassem informações. 

“Isso acabou silenciando cientistas e laboratórios, que não puderam investigar o vírus — sob o risco de que suas análises vazassem para o mundo externo e alarmassem as pessoas”, diz o jornalista da AP Dake Kang. 

Nenhum laboratório veio a público anunciar o sequenciamento do genoma do vírus. As autoridades continuaram afirmando que se tratava de uma pneumonia viral sem evidência clara de transmissão entre humanos. 

Apenas seis dias depois, divulgariam que o patógeno era um novo coronavírus e, mesmo naquele momento, não compartilhariam nenhum sequenciamento genético — o que impediu que outros países analisassem os dados e pudessem começar a mapear a disseminação do vírus em seus territórios. 

Professor Edward Holmes
Legenda da foto, 

Três dias depois, em 11 de janeiro, Zhang toma uma decisão que o coloca em risco, mas acaba pondo um fim no impasse. Enquanto embarcava em um voo entre Pequim e Xangai, ele autoriza o colega australiano Edward Holmes a divulgar o sequenciamento que havia feito.

No dia seguinte, o laboratório de Zhang foi fechado para “retificação” — mas, a partir daquele momento, outros cientistas também decidiriam tornar públicos seus achados. 

A comunidade científica internacional entrou em ação, e um kit para teste de diagnóstico estaria pronto no dia 13 de janeiro. 

Apesar das evidências coletadas por médicos e cientistas, a China não confirmaria que havia de fato transmissão entre humanos da doença até o dia 20 de janeiro. 

No começo, todo surto epidêmico é caótico, diz o especialista em saúde Lawrence Gostin. 

“Seria difícil de qualquer forma controlar o vírus, desde o dia 1. Mas, no momento em que fomos informados de que ele era transmissível entre humanos, a vaca já tinha ido para o brejo, o vírus já tinha se espalhado.” 

“Essa foi uma oportunidade que tivemos (de tentar controlar a disseminação) e que perdemos”, acrescenta.

Para o virologista que pesquisa morcegos Wang Linfa, da Escola de Medicina Duke-Nus, em Cingapura, “antes do dia 20, a China poderia ter feito muito mais”. 

“Depois disso, o resto do mundo deveria estar de fato em estado de alerta e ter combatido melhor o vírus.”

Informações BBC News


Fragmentos datam da época dos reis Davi e Salomão

Fragmentos datam da época dos reis Davi e Salomão; vestes púrpuras eram associadas à nobreza e aos sacerdotes Foto: Dafna Gazit/Israel Antiquities Authority

No Vale de Timna, Sul de Israel, foram encontrados tecidos roxos citados na Bíblia. De acordo com informações da Agência France Presse, os fragmentos são um reflexo da riqueza dos habitantes da região durante os reinados de Davi e Salomão.

Em um comunicado emitido com as universidades de Tel Aviv e Bar Ilan, a Autoridade de Antiguidades de Israel (AIA) informou que os fragmentos tingidos de roxo foram encontrados em escavações arqueológicas.

– É a primeira vez que tecidos tingidos de roxo e da Idade do Ferro são descobertos em Israel e no Levante mediterrâneo – informou o comunicado.

Ainda segundo o comunicado, a datação por radiocarbono permitiu apontar que os fragmentos são de cerca de mil anos antes de nossa era (ou seja: cerca de 1.000 a.C.), sendo, portanto, do período do reinado de Davi e Salomão.

– Na Antiguidade, as vestimentas roxas eram associadas à nobreza, aos sacerdotes e, é claro, à realeza. […] Esta é a primeira vez que temos evidências diretas de tecidos tingidos e preservados por 3 mil anos – disse Naama Sukenik, curadora da AIA.

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Presidente do Inep afirmou que índice alto de ausências foi justificado por conta da pandemia

Enem digital foi realizado pela primeira vez no domingo Foto: Secretaria de Educação do DF/Álvaro Henrique

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), organizador do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciou na noite de domingo (31) que a primeira edição da prova digital teve uma abstenção de 68% entre os 96 mil candidatos que estavam inscritos. Um total de 29.703 pessoas fizeram a prova no primeiro dia.

O presidente da autarquia, Alexandre Lopes, afirmou que a prova teve alguns problemas, mas defendeu que “todo processo inédito está sujeito a obstáculos”. De acordo com Lopes, 93 mil máquinas foram usadas no Enem digital. Sobre o alto número de abstenções, o gestor declarou que foi “em função da pandemia”.

Mais cedo, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, comentou as falhas e citou uma sobrecarga no sistema. Segundo o chefe da pasta federal, o movimento é normal de acontecer como em qualquer outra prova. O ministro destacou que os candidatos que enfrentaram essas dificuldades poderão fazer o exame nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Camilo Mussi, diretor de tecnologia do Inep, ressaltou a grande quantidade de informação que o exame digital oferece e afirmou que nenhum problema de segurança foi detectado que pudesse afetar a lisura do processo.

– Você tem o horário exato que cada participante começou ou terminou a prova. O tempo de pausa. Sabe em tempo real quem foi eliminado. São diversas informações – completou Mussi.

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Quadro A Caipirinha, de Tarsila do Amaral, foi arrematado por R$ 57,5 milhões

A Caipirinha, quadro de Tarsila do Amaral Foto: Divulgação/Bolsa de Arte

O colecionador paulista Luis Goshima comprou o quadro A Caipirinha, de Tarsila do Amaral. A obra de arte é a mais cara já vendida no Brasil.

O quadro foi arrematado por R$ 57,5 milhões. Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o valor é dez vezes maior do que o recorde anterior, referente ao quadro Vaso de Flores, pintado por Guignard e leiloado em 2016.

Goshima é discreto e seu nome era mantido em segredo deste de dezembro de 2020, quando a Bolsa de Arte leiloou o quadro de Tarsila. Ele é dono de um acervo valioso que vai além de obras de arte e inclui livros raros, automóveis clássicos e documentos autografados por grandes personalidades históricas.

O colecionador é um ex-perito judicial, que mora em Campos do Jordão (SP). Ele pretende criar uma fundação para cuidar de seu acervo, que tem A Caipirinha como destaque. A tela foi pintada em 1923, em uma das estadias de Tarsila em Paris.

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