A administradora Daniella Marques, coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em temas econômicos, afirmou que o programa Bolsa Família terá um período de transição de dois anos caso o candidato da direita seja eleito presidente da República.
Conforme a economista indicou, o beneficiário seguiria recebendo o Bolsa Família mesmo se conseguisse um emprego formal ou abrir uma empresa e perderia o pagamento após se manter mais de 24 meses nesse cenário. Caso houvesse demissão nesses dois anos, a pessoa poderia retornar ao programa.
“Vai ter regra de transição, como teve na época do presidente [Jair] Bolsonaro, de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada, e um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada”, disse Marques em entrevista à CBN Bahia nesta segunda-feira (19).
Na entrevista, a coordenadora de Flávio disse que um eventual governo do PL não vai cortar os benefícios, mas os privilégios e desperdícios da máquina pública. A economista ainda defendeu que a gestão econômica será voltada para a “prosperidade”.
“Esse é o coração do plano do Flávio. Por isso, ele vai criar o ministério da prosperidade. Esse ministério da prosperidade será focado em colocar o brasileiro para crescer junto com o Brasil. E voltar a construir patrimônio e riqueza para a sua família”, continuou Marques.
Governo adianta datas do Bolsa Família Os repasses do Bolsa Família de outubro começam a ser depositados nas contas dos beneficiários a partir desta segunda-feira (19), seguindo os rejustes realizados pelo governo federal em meados de setembro.
Ao invés de terminar no dia 30 de outubro, os depósitos foram unificados para terminarem já nesta quarta-feira, 21 de outubro, às vésperas do segundo turno das eleições, que acontecem no domingo (25).
No comunicado, o governo diz que se trata de uma medida preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A antecipação valerá também para novembro e dezembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Neste mês, o pagamento do benefício conta com o reajuste anunciado pelo governo. Sendo assim, o valor mínimo é de R$ 691, enquanto o benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Além dos valores, o pagamento também foi antecipado.
Esta é a primeira atualização dos valores pela inflação desde a retomada do atual modelo do Bolsa Família, em 2023, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Confira o calendário de outubro:
NIS final 1: pagamento em 19 de outubro; NIS final 2: pagamento em 20 de outubro; NIS final 3: pagamento em 21 de outubro; NIS final 4: pagamento em 21 de outubro; NIS final 5: pagamento em 21 de outubro; NIS final 6: pagamento em 21 de outubro; NIS final 7: pagamento em 21 de outubro; NIS final 8: pagamento em 21 de outubro; NIS final 9: pagamento em 21 de outubro; NIS final 0: pagamento em 21 de outubro; Têm direito ao benefício aqueles que já estão cadastrados no programa via CadÚnico (Cadastro Único). Os depósitos serão realizados conforme o dígito final do NIS (Número de Identificação Social) de cada titular.
O mesmo repasse acontece em todos os meses do ano, com exceção de dezembro devido às festas de final de ano. No último mês, o pagamento costuma ser antecipado. A última parcela deste ano está prevista para 23 de dezembro de 2026.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, nesta segunda-feira (19), a acusação de abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentada por Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Para o órgão, o relatório usado para acusar Mendonça não tem valor de prova e não justifica a abertura de um processo contra ele.
O documento, assinado por quatro subprocuradores, aponta que o relatório usado para sustentar a acusação não pode ser considerado prova. A PGR ressaltou, porém, que a decisão sobre a abertura de processos contra ministros do Supremo cabe ao plenário do tribunal. A controvérsia começou após Alexandre de Moraes acusar Mendonça de interferir nas investigações do Banco Master. Em agosto, Moraes pediu que o colega fosse incluído no inquérito das fake news, com base em um documento sem assinatura de delegado e sem identificação oficial da Polícia Federal (PF).
O relatório atribuía a Mendonça suspeitas de interferência nas apurações, de condução irregular de negociações de delação premiada e de escolha direcionada de investigados. O próprio material, no entanto, classificava como de “baixa a moderada” a confiança das informações, baseadas em relatos anônimos e sem provas documentais.
Em setembro, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF sobre conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades. O conteúdo revelou diálogos que levantaram questionamentos sobre a relação de Vorcaro com Moraes e com outras figuras públicas. Entre os registros, há informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O documento também aponta que Vorcaro teria pedido orientações sobre sua defesa a Moraes e perguntado, pouco antes de ser preso, se deveria deixar o Brasil.
O relatório ainda expôs mensagens trocadas entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por intermédio do advogado Ciro Soares. Segundo o material, Soares repassou ao banqueiro mensagens nas quais Gonet dizia sentir saudades dele e o chamava de “máquina”, além de atuar para incluí-lo entre as autoridades convidadas para uma degustação de uísque e charutos em Londres.
Moraes afirmou que era alvo de perseguição, assim como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Diante da acusação contra Mendonça, Fachin determinou que o caso deixasse o inquérito das fake news e assumiu sua condução na Presidência do STF. As informações são do Estadão.
O Senado aprovou nesta quinta-feira (15) um projeto que altera as regras para o Microempreendedor Individual (MEI). A proposta aumenta o teto de faturamento para permanência no regime e estabelece o perdão de dívidas de empreendedores inadimplentes.
As duas medidas foram encaminhadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O perdão dos débitos foi anunciado nesta semana pelo petista.
O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14) e agora será encaminhado para sanção presidencial. No Senado, a matéria recebeu 78 votos favoráveis e não teve votos contrários.
Novo teto
Pelas novas regras, o limite anual de faturamento para o MEI passará dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027. A partir de 2028, o teto será elevado novamente, chegando a R$ 140 mil.
O projeto também modifica a quantidade de trabalhadores que podem ser contratados pelos microempreendedores individuais. O limite, atualmente de um funcionário, passará para dois.
Os empregados deverão receber, no máximo, um salário mínimo ou o piso estabelecido para a categoria profissional.
A direção do portal Metrópoles compartilhava reportagens com Daniel Vorcaro antes da publicação e aceitava alterações solicitadas pelo então dono do Banco Master. As conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro também mostram que a empresa sugeria pautas de interesse dele e publicou conteúdos a pedido de Vorcaro, segundo levantamento divulgado pelo UOL.
Ao menos 14 reportagens foram encaminhadas previamente ao banqueiro, das quais 11 passaram por mudanças após suas sugestões. A relação se estreitou em 2024, quando o Master firmou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. A CEO do grupo, Lilian Tahan, mantinha contato direto com Vorcaro e o consultava sobre textos relacionados ao banco e a outros assuntos de seu interesse.
Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre o empresário, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.
Questionada pelo UOL, a executiva afirmou que consultar fontes antes da publicação é uma prática adotada com representantes dos setores empresarial, político e judiciário. Ela também negou que o contrato publicitário tivesse relação com a cobertura jornalística e citou reportagens do próprio portal sobre dificuldades enfrentadas por empresas ligadas a Vorcaro.
Contrato de R$ 20 milhões
O contato entre Vorcaro e a direção do Metrópoles começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, organizou um encontro entre ele e Lilian Tahan. No dia seguinte, Barros comentou que a executiva havia gostado do empresário e sugeriu que ela fizesse a ponte com Luiz Estevão, proprietário do portal.
Um mês após a reunião, o Banco Master pagou R$ 1 milhão ao site. Em julho, foram acertados outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de duas empresas do grupo: a seguradora Kovr e o banco digital Will.
Em novembro daquele ano, Tahan apresentou uma nova proposta comercial. O contrato fechado chegou a R$ 20 milhões, conforme mensagens entre Vorcaro e Ana Matos, diretora de marketing. Ao receber o valor, Matos comentou que o Metrópoles estava caro. O banqueiro respondeu: “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”.
O pagamento foi realizado em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens obtidas pela investigação.
Pedidos de alteração em reportagens
As conversas indicam que Vorcaro interferiu em diferentes conteúdos publicados pelo portal. Em abril de 2025, por exemplo, ele contestou uma reportagem sobre uma suposta proposta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. Tahan respondeu: “Tiramos”.
Naquele período, o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras, e o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a compra de 58% do capital da instituição. A operação dependia de aprovação do Banco Central e era alvo de críticas.
Dias depois, Tahan procurou Vorcaro para apresentar um documento recebido pela equipe do portal. Em outra conversa, sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB e perguntou se o conteúdo poderia ajudar ou prejudicar o banqueiro. Vorcaro pediu para revisar os dados antes da publicação, e a executiva concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após ser enviado a ele.
Em maio, o empresário também solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.
Cobertura sobre diretor do Banco Central
As mensagens mostram ainda a participação de Vorcaro em reportagens sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB e se posicionou contra a operação.
Em agosto de 2025, Tahan enviou ao banqueiro uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Vorcaro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto, reservando informações sobre o diretor para uma reportagem posterior. A orientação foi atendida.
Em seguida, ao receber um perfil sobre Gomes, o banqueiro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do Master e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e possíveis planos profissionais do diretor após o fim do mandato. Tahan aceitou as sugestões e avisou que o texto seria publicado.
A executiva afirmou ao UOL que Gomes havia se tornado um personagem relevante por se opor à aquisição do Master pelo BRB. Segundo ela, o assunto era de interesse do portal por envolver o banco estatal de Brasília.
Pedido para reduzir cobertura de adversário
Em agosto de 2025, Vorcaro também pediu que o Metrópoles diminuísse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal e crítico da compra do Master pelo BRB.
“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. Tahan respondeu: “Deixa comigo”.
Questionada sobre a conversa, a CEO afirmou que Luiz Estevão era um crítico da aquisição do Master pelo BRB e havia fornecido a Cappelli análises sobre problemas nos balanços do banco estatal.
A última troca de mensagens mencionada pelo levantamento ocorreu em 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro. Tahan enviou ao banqueiro reportagens sobre a venda do Master à Fictor antes da publicação e, depois de realizar alterações, avisou: “Publicada hahahaha”.
Nesta quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que enviará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte público gratuito aos fins de semana em cidades brasileiras que contam com serviço coletivo. A iniciativa busca ampliar as opções de lazer dos trabalhadores.
A proposta foi divulgada um dia após o Senado Federal aprovar o fim da escala 6×1. Lula relacionou as duas medidas à possibilidade de os trabalhadores terem mais tempo para descansar e conviver com a família.
– Agora que o senado aprovou o fim da escala 6×1 e o trabalhador brasileiro terá dois dias de descanso para ter lazer […] eu vou mandar uma PEC também para o Congresso Nacional, garantindo passe livre no final de semana para todas as cidades que tiverem transporte coletivo neste país – disse o presidente.
Para custear a medida, Lula afirmou que pretende recorrer a emendas parlamentares. Segundo ele, os recursos destinados pelos congressistas poderão ajudar a financiar a gratuidade do transporte coletivo aos sábados e domingos.
– Onde vamos arrumar dinheiro? Nós vamos compartilhar com as emendas parlamentares para a gente poder garantir que o povo vai passear. O povo vai ficar feliz, os deputados dando utilidade às suas emendas e a gente vai garantir que valeu a pena o fim da escada 6×1 – afirmou.
Pela primeira vez em 38 anos, o país aprova uma redução da jornada máxima semanal de trabalho. A medida, que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de descanso remunerado, é considerada um marco histórico para os direitos trabalhistas brasileiros
Brasil aprovou a maior mudança na jornada de trabalho desde a Constituição Federal de 1988. A decisão do Senado, tomada nesta quarta-feira (14), representa um marco para milhões de trabalhadores brasileiros, que passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, aprovada por 75 votos a favor e apenas um contrário, estabelece a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e encerra a escala 6×1, modelo em que o funcionário trabalha seis dias e descansa apenas um.
A última mudança dessa dimensão ocorreu há 38 anos, quando a Constituição de 1988 reduziu a jornada máxima de 48 para 44 horas semanais. Desde então, apesar de transformações nas relações de trabalho e no mercado brasileiro, esse limite permaneceu inalterado.
A aprovação no Senado concluiu a votação da proposta no Congresso Nacional. Como o texto não sofreu alterações em relação ao aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC segue diretamente para promulgação.
O que mudou para os trabalhadores desde 1988?
A Constituição de 1988 foi responsável por consolidar uma série de direitos trabalhistas, incluindo a limitação da jornada semanal a 44 horas, o pagamento de horas extras com adicional mínimo de 50%, a licença-maternidade de 120 dias e o reconhecimento do descanso semanal remunerado.
Antes da promulgação da Constituição, a jornada máxima era de 48 horas por semana, distribuídas, em muitos casos, ao longo de seis dias de trabalho.
Com a nova alteração, o limite será reduzido para 40 horas semanais, e os trabalhadores passarão a ter, como regra, dois dias de descanso para cada cinco trabalhados.
A mudança ocorrerá em etapas. Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois, chegará às 40 horas.
A nova legislação também determina que não poderá haver redução dos salários em consequência da diminuição da carga horária.
Mais de 26 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais poderá beneficiar aproximadamente 26,8 milhões de brasileiros.
Desse total, cerca de 22 milhões são trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada. Outros 4,8 milhões são trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana, embora a nova regra não lhes garanta automaticamente os mesmos direitos.
Entre os setores que poderão passar por mudanças significativas estão o comércio, os supermercados, os restaurantes, a hotelaria e outros serviços que tradicionalmente utilizam a escala 6×1.
Além da diminuição das horas trabalhadas, a medida pretende ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, estudos e atividades pessoais.
Mudança começou com mobilização nas redes sociais
A aprovação também representa o resultado de uma mobilização que ganhou força nas redes sociais e chegou ao Congresso Nacional.
Um dos principais responsáveis pela popularização do movimento foi Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que começou a questionar publicamente as condições de trabalho impostas pela escala 6×1.
A campanha ganhou repercussão nacional e levou milhares de trabalhadores a compartilhar experiências sobre jornadas prolongadas, cansaço e dificuldades para conciliar a vida profissional com a pessoal.
Em fevereiro de 2025, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma proposta para acabar com a escala. A iniciativa foi posteriormente associada à PEC apresentada em 2019 pelo então deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que já tratava da redução da jornada de trabalho.
O movimento também recebeu apoio de centrais sindicais e organizações de trabalhadores.
Aprovação divide empresários e sindicatos
Apesar da aprovação expressiva no Congresso, a mudança continua provocando divergências entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestaram preocupação com o aumento dos custos de contratação, a necessidade de reorganização das escalas e possíveis impactos sobre os preços de produtos e serviços.
Por outro lado, centrais sindicais defendem que a redução da jornada poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, diminuir o esgotamento profissional e favorecer a produtividade.
A avaliação dos impactos econômicos dependerá da forma como as empresas se adaptarão às novas regras e das características de cada setor.
Uma transformação histórica nas relações de trabalho
A aprovação coloca novamente a duração da jornada no centro das transformações trabalhistas brasileiras.
Se em 1988 a principal conquista foi reduzir o limite semanal de 48 para 44 horas, a mudança aprovada em 2026 combina uma nova redução de quatro horas com a garantia de dois dias de descanso remunerado.
“Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta no Senado.
O novo modelo será implementado gradualmente após a promulgação, encerrando um período de quase quatro décadas sem redução do limite constitucional da jornada semanal de trabalho.
A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, divulgada nesta quarta-feira (14), mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois estão em empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo. Veja os números:
Flávio Bolsonaro (PL): 46% Lula (PT): 44% Indecisos: 1% Branco, nulo ou não vai votar: 9% Para 91% dos entrevistados, a escolha do candidato é definitiva. Outros 9% afirmam que ainda podem mudar de voto.
Rejeição dos candidatos
A pesquisa também mediu a rejeição dos dois candidatos. Flávio Bolsonaro tem 54%, enquanto Lula registra 53%.
Pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem ver antes os nomes dos candidatos, 43% citaram Flávio Bolsonaro, 42% apontaram Lula como candidato, 8% declararam voto em branco, nulo ou que não vão votar e 7% estão indecisos.
Metodologia
A Quaest entrevistou 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.
O Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a jornada de trabalho na escala 6×1. O texto passou nos dois turnos com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único parlamentar a registrar posição contrária. A medida altera o texto constitucional para reduzir a carga de horas trabalhadas por semana de 44 para 40. A nova regra estabelece a obrigatoriedade de conceder dois dias de folga remunerada ao empregado, sem diminuição no salário, sendo um deles preferencialmente aos domingos. O projeto prevê um período de transição. Em dois meses, a jornada semanal cai para 42 horas com os dois dias de repouso. Um ano depois, o limite passa para 40 horas. A regra não afetará profissionais com diploma de ensino superior que recebam acima de R$ 21.188 mensais.
O Partido Liberal (PL) liberou sua bancada para a votação e tentou remover a redução de jornada para quem já trabalha menos de 40 horas, mas retirou a emenda. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) reclamou da falta de dados de impacto econômico e citou medidas em um eventual futuro governo.
— O que a gente pode fazer no futuro, no governo Flávio, que será nosso presidente, é mitigar, trazendo instrumentos que a gente já viveu no governo Bolsonaro — disse o líder do PL. O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), votou de forma remota na sessão e reforçou seu apoio a outro modelo. O texto defendido por ele prevê o pagamento exclusivo pelas horas efetivamente trabalhadas.
O líder do partido na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que a legenda vai insistir na proposta alternativa depois do período das eleições. O modelo não garantiria pagamento-base, horas mínimas, férias remuneradas ou 13º salário. O texto foi estruturado por Rogério Marinho (PL-RN), gestor da campanha.
— A PEC não é CLT, você tem que mudar o chip — declarou o deputado.]
A decisão ocorre a 12 dias do segundo turno das eleições e entra para a extensa lista de medidas do governo Lula na reta final da campanha em busca da reeleição.
Quatro pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais que cortam a Bahia durante o feriado de Nossa Senhora Aparecida. Segundo balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta terça-feira (13), foram registrados 43 sinistros de trânsito entre sexta-feira (9) e segunda-feira (12), com 41 pessoas feridas. Apesar das mortes, os números caíram em relação ao mesmo período de 2025, quando 11 pessoas morreram nas estradas baianas. A redução foi de aproximadamente 64% nos óbitos, enquanto o total de acidentes passou de 49 para 43. Em todo o Brasil, a PRF contabilizou 68 mortes e 969 feridos em 926 ocorrências durante os quatro dias de operação. A fiscalização também registrou 22 mil veículos acima do limite de velocidade e autuou 747 motoristas por embriaguez ao volante ou recusa ao teste do bafômetro.
Nesta terça-feira (13), o presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT) confirmou que pretende participar do debate promovido pela TV Band no próximo domingo (18). O petista também disse que esperar que seu adversário nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL), também compareça ao evento.
Mais cedo, Flávio, que disputa a Presidência pelo PL, afirmou que não deveria participar deste debate e que avaliava se participaria do evento promovido pela TV Globo. De acordo com a TV Band, o debate do próximo domingo está mantido e o púlpito do candidato que não for ficará vazio.
– Domingo eu estarei no debate da Bandeirantes. Eu espero que meu adversário compareça, para que o povo possa ter conhecimento da diferença de programas e da diferença de candidaturas – disse o petista.