A direção do portal Metrópoles compartilhava reportagens com Daniel Vorcaro antes da publicação e aceitava alterações solicitadas pelo então dono do Banco Master. As conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro também mostram que a empresa sugeria pautas de interesse dele e publicou conteúdos a pedido de Vorcaro, segundo levantamento divulgado pelo UOL.
Ao menos 14 reportagens foram encaminhadas previamente ao banqueiro, das quais 11 passaram por mudanças após suas sugestões. A relação se estreitou em 2024, quando o Master firmou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. A CEO do grupo, Lilian Tahan, mantinha contato direto com Vorcaro e o consultava sobre textos relacionados ao banco e a outros assuntos de seu interesse.
Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre o empresário, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.
Questionada pelo UOL, a executiva afirmou que consultar fontes antes da publicação é uma prática adotada com representantes dos setores empresarial, político e judiciário. Ela também negou que o contrato publicitário tivesse relação com a cobertura jornalística e citou reportagens do próprio portal sobre dificuldades enfrentadas por empresas ligadas a Vorcaro.
Contrato de R$ 20 milhões
O contato entre Vorcaro e a direção do Metrópoles começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, organizou um encontro entre ele e Lilian Tahan. No dia seguinte, Barros comentou que a executiva havia gostado do empresário e sugeriu que ela fizesse a ponte com Luiz Estevão, proprietário do portal.
Um mês após a reunião, o Banco Master pagou R$ 1 milhão ao site. Em julho, foram acertados outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de duas empresas do grupo: a seguradora Kovr e o banco digital Will.
Em novembro daquele ano, Tahan apresentou uma nova proposta comercial. O contrato fechado chegou a R$ 20 milhões, conforme mensagens entre Vorcaro e Ana Matos, diretora de marketing. Ao receber o valor, Matos comentou que o Metrópoles estava caro. O banqueiro respondeu: “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”.
O pagamento foi realizado em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens obtidas pela investigação.
Pedidos de alteração em reportagens
As conversas indicam que Vorcaro interferiu em diferentes conteúdos publicados pelo portal. Em abril de 2025, por exemplo, ele contestou uma reportagem sobre uma suposta proposta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. Tahan respondeu: “Tiramos”.
Naquele período, o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras, e o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a compra de 58% do capital da instituição. A operação dependia de aprovação do Banco Central e era alvo de críticas.
Dias depois, Tahan procurou Vorcaro para apresentar um documento recebido pela equipe do portal. Em outra conversa, sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB e perguntou se o conteúdo poderia ajudar ou prejudicar o banqueiro. Vorcaro pediu para revisar os dados antes da publicação, e a executiva concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após ser enviado a ele.
Em maio, o empresário também solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.
Cobertura sobre diretor do Banco Central
As mensagens mostram ainda a participação de Vorcaro em reportagens sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB e se posicionou contra a operação.
Em agosto de 2025, Tahan enviou ao banqueiro uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Vorcaro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto, reservando informações sobre o diretor para uma reportagem posterior. A orientação foi atendida.
Em seguida, ao receber um perfil sobre Gomes, o banqueiro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do Master e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e possíveis planos profissionais do diretor após o fim do mandato. Tahan aceitou as sugestões e avisou que o texto seria publicado.
A executiva afirmou ao UOL que Gomes havia se tornado um personagem relevante por se opor à aquisição do Master pelo BRB. Segundo ela, o assunto era de interesse do portal por envolver o banco estatal de Brasília.
Pedido para reduzir cobertura de adversário
Em agosto de 2025, Vorcaro também pediu que o Metrópoles diminuísse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal e crítico da compra do Master pelo BRB.
“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. Tahan respondeu: “Deixa comigo”.
Questionada sobre a conversa, a CEO afirmou que Luiz Estevão era um crítico da aquisição do Master pelo BRB e havia fornecido a Cappelli análises sobre problemas nos balanços do banco estatal.
A última troca de mensagens mencionada pelo levantamento ocorreu em 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro. Tahan enviou ao banqueiro reportagens sobre a venda do Master à Fictor antes da publicação e, depois de realizar alterações, avisou: “Publicada hahahaha”.
Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou dois acusados pela morte da ialorixá Mãe Bernadete, executada a tiros dentro do próprio terreiro onde morava, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, em agosto de 2023.
Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos receberam a pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão e 29 anos e 9 meses de prisão, respectivamente. Ambos ficarão detidos em regime fechado.
O julgamento dos acusados foi encerrado na noite desta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A sessão entrou na fase de debates entre acusação e defesa, após o primeiro dia de júri reunir depoimentos e apresentar detalhes obtidos durante a apuração do crime.
Ao longo do segundo dia de julgamento, o Tribunal do Júri passou a acompanhar as alegações da defesa, com momentos de réplica e tréplica entre as partes. A sessão, iniciada por volta das 8h, seguiu até às 20h30, aproximadamente. Pouco depois, o resultado e a sentença foram proferidos.
Durante o segundo dia de julgamento, um dos filho da líder quilombola, Jurandir Pacífico, rebateu a tese de que não havia intenção de execução. “Foram para dar um susto na minha mãe e deram 25 tiros. Imagina se fosse para matar?”, afirmou. Ele também criticou a estratégia da defesa e apontou contradições. “Observamos mentiras. Dizem que foram dar um susto, mas foram 12 tiros no rosto e 13 no tórax. Que tipo de susto é esse?”, completou.
A declaração confronta a versão apresentada por Arielson da Conceição Santos, que confessou participação no crime, mas alegou que a intenção do grupo era apenas intimidar a vítima. Durante a sessão, ele voltou a sustentar a versão e atribuiu o excesso de disparos de 25 tiros ao traficante conhecido como “BZ”, que será julgado em outro momento.
Arielson é apontado como executor do crime, enquanto Marílio dos Santos é identificado como mandante e segue foragido, sendo representado por advogado no julgamento. Ambos responderam por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, crueldade e uso de arma de uso restrito. De acordo com o Ministério Público da Bahia, os dois teriam ligação com uma facção criminosa.
Outros três suspeitos também foram denunciados – José Vande Onizio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Idnei Carlos dos Santos de Jesus –, mas ainda não há data definida para seus julgamentos.
Primeiro dia de julgamento
Na segunda-feira (13), primeiro dia do júri, três testemunhas foram ouvidas e o próprio Arielson confirmou envolvimento no assassinato.
Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, com 25 tiros. Mesmo integrando um programa de proteção a defensores de direitos humanos, ela havia denunciado a atuação de grupos criminosos na região. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da violência contra lideranças quilombolas no país.
Além do andamento do júri, a família organiza uma homenagem à líder quilombola. No próximo sábado (19), data em que Mãe Bernadete completaria 75 anos, será realizada uma programação na comunidade Quilombo Pitanga dos Palmares, com missa, encontro com líderes do governo, feira de agricultura familiar e apresentações culturais.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, receberá nesta terça-feira (13), às 17h, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e passará a ter em mãos arquivos com todas as citações a ministros da Corte e a supostas relações deles com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No STF, ao menos dois magistrados ouvidos pela coluna acreditam que Fachin não tomará providências de forma acelerada e que possivelmente remeterá o tema para apreciação da PGR. “Temos que aguardar o teor, mas teria que mandar pra PGR”, afirmou um magistrado sob reserva. Outro ministro afirmou ser difícil prever o que Fachin fará, mas ponderou que matéria criminal “depende da PGR”.
Conforme mostrou a coluna, o objetivo da PF é informar ao presidente do STF sobre o conteúdo encontrado pelos policiais e abrir espaço para que providências sejam adotadas. Ao menos seis dos dez atuais integrantes da Suprema Corte já foram citados, direta ou indiretamente, em conversas, assim como parentes deles. Segundo palavras de investigadores, a PF não pode investigar ministros do STF sem aval da própria Corte, mas também não pode prevaricar, ou seja, deixar de fazer a sua parte e enviar ao tribunal o que encontrou. O movimento da PF atende aos ministros que compõem a ala de Alexandre de Moraes e defendem que não pode haver apuração seletiva e que, portanto, todas as menções precisam ser esmiuçadas. O decano Gilmar Mendes e o ministro Flávio Dino já defenderam investigações amplas.
Uma das críticas dessa ala a André Mendonça é que, ao pedir a produção de um relatório sobre Moraes — medida que desencadeou a crise em meio ao período eleitoral —, o relator do caso Master já tinha ciência havia meses de que outros colegas também apareciam no material, além de Dias Toffoli.
Em ofício enviado ao diretor-geral da PF, que confirmou o encontro desta terça-feira, Fachin deu alguns “recados”. Afirmou que nenhum fato nem ninguém deve ficar de fora da apuração e pediu o envio de “relatório, expediente ou conjunto de informações onde tenham sido apresentados integralmente, sem exceção de pessoa, os fatos correlatos, e que serão dados os encaminhamentos devidos”. Na prática, indicou que pretende analisar o material apresentado pela PF.
Também chamou a atenção o trecho em que Fachin destacou que a Polícia Federal e o Ministério Público são instituições de Estado, e não de governo, e que as investigações devem respeitar o devido processo legal e a autonomia da PF, do Ministério Público e do próprio Supremo.
O terceiro julgamento dos acusados pelo homicídio da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, ocorrerá nesta terça-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O crime aconteceu em 17 de agosto de 2023. Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, é apontado pela acusação como um dos executores do assassinato ocorrido em agosto de 2023, na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
Anteriormente, os réus Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Salvador em sessão realizada nos dias 13 e 14 de abril de 2026. As penas impostas foram de 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão para Arielson, e de 29 anos e 9 meses para Marílio, que faleceu dois dias após o julgamento. Segundo informações, Josevan foi denunciado por homicídio qualificado pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento ocorrerá em Salvador após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar o desaforamento do processo, que inicialmente tramitava na comarca de Simões Filho. A decisão que autorizou a transferência tornou-se definitiva em maio deste ano.
No total, cinco pessoas são acusadas. O julgamento de Sérgio Ferreira de Jesus está agendado para 21 de outubro de 2026, também no Fórum Ruy Barbosa. O processo de Ydney Carlos Santos de Jesus ainda aguarda o trânsito em julgado e não possui data marcada para o julgamento. ASSASSINATO
Mãe Bernadete foi assassinada a tiros aos 72 anos, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, no dia 17 de agosto de 2023. Segundo a acusação, a atuação da líder quilombola em defesa do território e no enfrentamento à expansão do tráfico de drogas na região contrariava os interesses de uma organização criminosa que atuava na localidade.
Revista divulgou gravação e documentos em que ex-banqueiro relata supostos pagamentos ao Instituto Lula e negociação envolvendo fundos de pensão federais
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em um áudio divulgado pela revista Veja nesta sexta-feira (9), que teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo à produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, a gravação também menciona repasses ao Instituto Lula e uma suposta negociação envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
De acordo com a reportagem, Vorcaro relatou que seu então sócio, Augusto Lima, teria negociado os pagamentos com Vaccari para facilitar o acesso do Banco Master a fundos de pensão de servidores públicos federais. O relato menciona recursos ligados a instituições como Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e Correios.
Na gravação, Vorcaro afirma que o dinheiro destinado ao documentário sobre Lula teria sido repassado de maneira irregular. Ele também menciona um pagamento ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
Ainda segundo a Veja, a negociação envolveria uma suposta cobrança de 10% sobre os valores captados junto aos fundos de previdência. Caso a operação tivesse sido concluída nos termos relatados, os pagamentos poderiam alcançar cifras bilionárias.
Lula nega ter recebido vantagens
Em declaração à revista, Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro, além de afirmar que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome.
O caso ganhou repercussão após a divulgação do áudio e dos documentos apresentados pela publicação. As informações relatadas por Vorcaro constituem alegações que precisam ser verificadas pelas autoridades e não representam, por si só, comprovação judicial dos supostos pagamentos ou de irregularidades.
A reportagem também cita o ministro Alexandre Padilha. Segundo a publicação, ele e outros nomes mencionados no relato foram procurados ou tiveram suas posições registradas pela revista.
Nesta quinta-feira (8), por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o pedido de Anthony Garotinho (Republicanos) de desistência do recurso apresentado à Corte e confirmou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que indeferiu seu registro de candidatura ao cargo de governador do estado nas Eleições Gerais de 2026. Já por maioria (5 a 2), o Colegiado determinou a anulação definitiva dos votos atribuídos ao candidato e a retotalização da votação na eleição majoritária para governador.
Ficaram vencidos os ministros Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior, que votaram pela manutenção dos votos obtidos pelo candidato.
Em seu voto, o ministro relator, Floriano de Azevedo Marques, reconheceu que o registro de candidatura de Anthony Garotinho foi indeferido em razão da ausência de condições de elegibilidade atinentes ao pleno exercício dos direitos políticos, decorrente da condenação por ato doloso de improbidade administrativa, e de filiação partidária. Entretanto, afastou a incidência da causa de inelegibilidade prevista no artigo 1º, inciso I, alínea “l”, da Lei Complementar nº 64/1990.
Ao rejeitar o pedido de desistência do recurso ordinário interposto pelo candidato sob a alegação de que a parte pode desistir a qualquer tempo do apelo – independentemente da anuência da parte recorrida –, o relator reiterou que a orientação da Justiça Eleitoral é pela inviabilidade da desistência do recurso quando já transcorrido o pleito, em razão do potencial de interferir no resultado das eleições.
JULGAMENTO Por unanimidade, o Plenário rejeitou a preliminar e não homologou o pedido de desistência do recurso ordinário eleitoral. No mérito, por maioria, o Colegiado deu parcial provimento ao recurso para a aplicação da Lei Complementar nº 219/2025, afastando a causa de inelegibilidade prevista no artigo 1º, inciso I, alínea “l”, da Lei Complementar nº 64/1990.
O Tribunal manteve, contudo, o indeferimento do registro de candidatura ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro nas Eleições 2026 por ausência das condições de elegibilidade relativas à plenitude dos direitos políticos e à filiação partidária, previstas no artigo 14, parágrafo 3º, incisos II e V, da Constituição Federal.
A maioria dos ministros, então, votou no sentido de declarar nulos os votos atribuídos ao recorrente, determinando o “cessar da situação sub judice da candidatura e a imediata comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para as providências cabíveis, inclusive a retotalização dos votos da eleição majoritária para governador, com a exclusão dos votos atribuídos ao candidato Anthony Garotinho na base de cálculo da votação válida”.
Ficaram vencidos os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, que abriu divergência, e Sebastião Reis Júnior, que o acompanhou. Cueva julgou prejudicados o recurso e o pedido de desistência, em virtude da perda superveniente do objeto, devendo, segundo ele, ser preservados os efeitos da totalização do primeiro turno para fins da realização do segundo turno eleitoral, considerando que nenhuma das chapas alcançou a maioria absoluta dos votos.
SEGUNDO TURNO Durante a sessão, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, chamou atenção para a complexidade logística que envolve a preparação do segundo turno das Eleições 2026. O magistrado explicou que a migração dos equipamentos exige precisão cirúrgica de prazos, já que o sistema eletrônico de votação associa de forma integrada todas as eleições do país a um único pleito.
– O sistema eletrônico de votação brasileiro é baseado em marcos e procedimentos necessários à segurança e ao correto fluxo de informações, de modo que todas as urnas eletrônicas do país tenham as informações corretas de candidatos, eleitores, partidos entre outros – frisou.
De acordo com o presidente da Corte, a definição definitiva e irretratável sobre quais estados terão segundo turno para o cargo de governador deve ocorrer impreterivelmente até esta quinta-feira.
– Qualquer dia de atraso afetará a logística dos tribunais regionais eleitorais, interferindo na geração de mídias de segundo turno, na logística de transporte dessas mídias ou urnas aos locais de preparação e, posteriormente, aos locais de votação – salientou.
Kassio Nunes Marques pontuou que eventuais atrasos nessa definição comprometem diretamente a logística dos tribunais regionais eleitorais (TREs), interferindo desde a geração e o transporte das mídias técnicas até a distribuição das quase 500 mil urnas eletrônicas para os locais de votação, o que inclui rotas complexas de transporte fluvial e terrestre.
Por fim, o ministro ressaltou que, uma vez iniciada a preparação técnica das urnas, alterações posteriores nos quadros de candidatos ou na própria realização de novas votações tornam-se inviáveis sob os aspectos temporal e material. Segundo ele, a Justiça Eleitoral conta com um estoque restrito de lacres de segurança planejado apenas para situações pontuais, impossibilitando uma eventual terceira rodada de preparação generalizada dos equipamentos.
*Com informações do TSE Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro mostram a organização de um almoço exclusivo oferecido pelo dono do Banco Master para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de seu “convidado mais importante”. O banquete ocorreu em um hotel em Campos do Jordão (SP) no final de dezembro de 2023.
Embora estivesse ausente no encontro, o ex-banqueiro supervisionou cada etapa do almoço, que contou com iguarias como foie gras, wagyu, vieiras, trufas e caviar beluga, além de rótulos de vinhos raros de sua adega pessoal, como Haut-Brion e La Tâche.
Vorcaro se dedicou pessoalmente à escolha dos vinhos e chegou a reclamar de que não havia garrafas mais antigas em sua adega para fornecer ao magistrado. Ele também demonstrou preocupação com as latas de caviar beluga, que são avaliadas no Brasil entre R$ 830 a R$ 4,5 mil.
– Essas latas de caviar já na mesa não tá deixando muito pomposo, não? Quero almoço espetacular mas sem forçar a barra de aparecer. Não sei. Era melhor levar na hora – disse Vorcaro ao chef, que respondeu prometendo que ajustaria o serviço para garantir a melhor experiência.
Na ocasião, Vorcaro ordenou ainda discrição absoluta à equipe durante o atendimento, instruindo o responsável a “evitar falar nome, até o meu, pra não constranger o convidado principal”.
– Só se ele perguntar algo de mim, aí pode falar normalmente. But [mas], caso contrário, deixa o momento ser algo como se fosse dele perante os demais convidados. Assim, evita constrangê-lo – adicionou Vorcaro.
A recepção durou cerca de quatro horas e meia, e terminou com vinhos de presente e charutos. Um mês depois, o escritório de advocacia da esposa do ministro, Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master.
Nesta terça-feira (29), o vereador de São Paulo, Lucas Pavanato, entrou com uma denúncia no Senado Federal contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o candidato a deputado federal, o magistrado teria cometido crime de responsabilidade por tentar interferir nas eleições.
No documento, Pavanato pede que a Casa apure a atuação do ministro em uma decisão que liberou publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião, Dino derrubou uma determinação do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou as publicações deve uma notícia falsa envolvendo o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O vereador aponta que Dino tomou a decisão “sem distribuição do processo, sem contraditório e sem ouvir o relator do TSE ou os demais envolvidos, além de ter determinado o restabelecimento de outras publicações que haviam sido removidas pelo mesmo fundamento”. Pavanato pede que Dino perca o cargo e fique impedido de exercer função pública por um período de oito anos.
De acordo com o candidato a deputado, Dino teria cometido crimes de responsabilidade previstos nos itens 3 e 5 do artigo 39 da Lei nº 1.079/1950: exercício de atividade político-partidária e procedimento incompatível com a honra, dignidade e decoro das funções.
Neste domingo (27), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou uma ordem de André Mendonça sobre publicações envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Em vídeo, Nikolas afirmou que a decisão mostra o que, segundo ele, poderia ocorrer caso Lula volte à Presidência e indique novos ministros para a Corte.
– Isso daqui é só um gostinho do que vai acontecer se o Lula ganhar e indicar mais quatro ministros do STF. Você sabia que o André Mendonça derrubou todas as postagens que estavam de forma caluniosa e falsa divulgando uma fake news sobre Flávio Bolsonaro tirar Nossa Senhora como padroeira do Brasil? – disse Nikolas.
O deputado afirmou ainda que a informação falsa teria começado nas redes sociais e citou a atuação da GloboNews no episódio. A emissora reconheceu um erro relacionado ao caso e se retratou. Nikolas também criticou a decisão tomada posteriormente por Dino.
– E agora o Flávio Dino derruba a decisão do André Mendonça. Ou seja, ele tá validando uma fake news. Posso falar uma coisa? Se você votar no Lula pra ele poder indicar mais quatro Flávios Dinos, mais quatro Alexandre Moraes, não vai ter Brasil, meu amigo, pra poder lutar não – afirmou.
Dino cassou neste domingo a decisão de Mendonça, que havia determinado a retirada de publicações associando Flávio Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A medida de Mendonça também alcançava conteúdos com a mesma narrativa em textos, imagens, vídeos e memes.
O caso chegou a Dino após um pedido do humorista Antonio Tabet, que teve uma publicação removida por determinação do TSE. O ministro do STF considerou que não era possível concluir, sem análise mais aprofundada, que a expressão usada por Tabet se referia diretamente a Flávio. Por isso, determinou o restabelecimento do conteúdo.
Dino também apontou que a retirada poderia atingir as liberdades de expressão e religiosa. Segundo o ministro, críticas sobre propostas políticas relacionadas à religião fazem parte do debate público e não deveriam ser impedidas por uma decisão judicial nas circunstâncias analisadas.
Nikolas, porém, interpretou a decisão como parte de uma disputa sobre a composição do STF e pediu votos para o candidato que apoia. Ao comentar a eleição, ele também afirmou que pretende ver uma mudança na composição da Corte.
– Ou a gente afunda o 22, ou senão não vai ter mais Brasil pra lutar. E posso falar uma coisa? Isso que o Flávio Dino fez chama-se desespero. Porque o Flávio vai ganhar essas eleições, eles vão perder esse poder que tem no STF. Nós vamos equilibrar o jogo, beleza? – declarou.
No fim do vídeo, Nikolas voltou a falar sobre a composição do Supremo e afirmou que o poder da Corte deve estar ligado à população. Ele também convocou seus apoiadores para o dia da votação.
– Eu te espero, se Deus quiser, dia 4 de outubro, a vitória, pra botar esses petistas pra chorar. E nós vamos ganhar o STF, porque o STF não é de Flávio Dino nem do Moraes, não. O poder emana do povo – completou.
*Pleno.News Fotos: Bruno Spada| Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou, em uma proposta de delação premiada que o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, na Bahia.
O relato consta em um dos anexos da proposta de delação. Segundo o UOL, Vorcaro afirmou que não presenciou diretamente o suposto acordo, mas que tomou conhecimento dele por meio de seu então sócio Augusto Lima. No entanto, a proposta de delação foi recusada pela PF e pela PGR por falta de elementos de corroboração suficientes. De acordo com a publicação, Vorcaro afirmou que os supostos pagamentos eram realizados de diferentes maneiras.
Uma parcela de aproximadamente R$ 2 milhões mensais seria repassada pelo Banco Master à PKL One, empresa ligada à operação do Credcesta, por meio de contratos que o ex-banqueiro afirma serem fictícios. Outros R$ 1 milhão seriam pagos mensalmente em espécie.
Ainda de acordo com o relato, haveria outras formas de repasse, como distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos de prestação de serviços. Vorcaro afirmou que pessoas ligadas ao grupo político de Wagner teriam participação oculta na estrutura societária da empresa.
As acusações, porém, não foram acompanhadas de elementos considerados suficientes para que o acordo de colaboração fosse firmado. Em junho, a PGR rejeitou a proposta depois de a PF também ter recusado a delação pela segunda vez. Segundo a Procuradoria, os relatos apresentados continham informações sem elementos novos ou comprovação suficiente.
As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima negaram as acusações e destacaram a ausência de provas que sustentem o relato. A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmou repudiar a divulgação dos anexos e disse não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.
CREDCESTA E PKL No centro do relato apresentado por Vorcaro está a PKL One, empresa que detém os direitos de exploração do Credcesta. O cartão de crédito consignado era destinado a servidores públicos e se tornou um dos principais negócios relacionados ao grupo Master.
Segundo o ex-banqueiro, o acordo envolvendo o Credcesta teria sido estabelecido em 2018, quando o Banco Master adquiriu participação na empresa responsável pela operação do cartão. Na versão apresentada por Vorcaro, Augusto Lima teria afirmado que precisou recorrer a políticos baianos para viabilizar a aquisição da operação do Credcesta e, por isso, teria cedido participação societária na PKL.
O relato também relaciona a operação à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava o Credcesta. Segundo Vorcaro, Lima teria se unido a políticos baianos para direcionar o processo de venda da empresa e manter o controle sobre a operação do cartão.
A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões. De acordo com o relato de Vorcaro, Augusto Lima seria o proprietário de fato da empresa, embora ela estivesse formalmente registrada em nome do investidor espanhol Ignácio Morales, apontado no documento como uma pessoa interposta.
Na época do leilão, Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o segundo mandato do então governador Rui Costa (PT). Rui Costa é citado no relato de Vorcaro, mas o documento não atribui diretamente a ele nenhum dos supostos pagamentos mensais descritos pelo ex-banqueiro.
Dezesseis dias após o leilão, dois decretos assinados por Rui Costa alteraram as regras de exploração do Credcesta e seu enquadramento no sistema de consignações. Posteriormente, a NGV transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One Participações.
PARTICIPAÇÃO DE GUILHERME SODRÉ Vorcaro aponta o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como um suposto operador ligado a Jaques Wagner. Segundo o documento, ele teria participado das articulações relacionadas à privatização da Ebal.
A estrutura societária da PKL One era formada por uma cadeia de fundos de investimento. Conforme a proposta de delação, entre os beneficiários finais estariam Augusto Lima, Guiga e representantes ligados a outros grupos políticos. Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado indicam que Guilherme Sodré detinha 22,45% do fundo Gardênia até dezembro de 2018. O fundo possuía participação indireta na PKL One.
A partir de maio de 2019, a participação passou a aparecer em um fundo ligado à Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado nas investigações como operador financeiro de Vorcaro. Os documentos confirmam a presença de Sodré na estrutura societária, mas não comprovam que ele detivesse a participação em nome de Jaques Wagner.
PAGAMENTO DE R$ 2 MILHÕES Segundo Vorcaro, o contrato firmado entre a PKL One e o Banco Master previa o pagamento mensal de aproximadamente R$ 2 milhões, classificados como “despesas operacionais”. O ex-banqueiro afirma que os recursos eram utilizados para realizar os supostos pagamentos indevidos a políticos. Segundo ele, o dinheiro chegava aos destinatários por meio de contratos fictícios de consultoria, firmados com pessoas que seriam usadas como intermediárias, e por empresas que disponibilizavam recursos em espécie.
Vorcaro afirmou ainda que, com a expansão do Credcesta para outros estados, ele e Augusto Lima teriam decidido alterar a composição societária da operação. A permanência de Guiga na estrutura, segundo o relato, passou a ser considerada um risco.
A participação teria sido então transferida para a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior. Vorcaro classificou o contrato de compra da participação como fictício e afirmou que, a partir desse momento, teria sido acertado um pagamento mensal de R$ 1 milhão em dinheiro vivo a Guiga. Segundo o ex-banqueiro, os pagamentos teriam continuado até a liquidação do Banco Master.
DINHEIRO EM ESPÉCIES Para obter os valores em espécie, Vorcaro relatou a existência de contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários ligados a Augusto Lima. Entre as empresas citadas está a Blue Pay, que, segundo o relato, devolveria parte dos valores pagos.
O documento também menciona a The Pay, que teria vendido R$ 80 milhões em notas comerciais a fundos da Reag, gestora ligada ao Master. Vorcaro afirma que parte desses recursos teria sido convertida em dinheiro vivo. Ainda segundo o relato, os valores em espécie eram entregues ao motorista de Vorcaro, que, conforme o documento, não saberia a finalidade do dinheiro, mas faria a entrega dos pacotes ao ex-banqueiro ou a Augusto Lima.
Além dos supostos pagamentos mensais, a proposta de delação menciona distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos que Vorcaro afirma terem beneficiado pessoas indicadas por Wagner. Entre os contratos citados está um acordo envolvendo uma filha do senador e uma empresa no exterior ligada a João Carlos Falbo Mansur, empresário relacionado à Reag.
*Bahia Notícias Foto: Reprodução. Carlos Moura/Agência Senado