
A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker após os ativos brasileiros apresentarem forte queda nesta segunda-feira (26), após o presidente Lula (PT) vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), frustrando apostas do mercado na vitória do senador. Dólar e juros também dispararam.
A Bolsa brasileira retomou as negociações por volta das 10h45. Às 15h26 o Ibovespa registrava queda de 14,77%, aos 174.788 pontos, e caminhava para fechar no menor patamar desde junho deste ano. Na mínima, recuou 17,34%.
No mesmo horário, o dólar disparava 8,72%, a R$ 5,413. Na máxima do dia, a alta chegou a 12,37%, levando a moeda americana a R$ 5,604. A cotação da moeda americana retoma patamares registrados em dezembro de 2025.
O estresse também se refletia nos juros futuros e na Bolsa. Às 15h27, a taxa DI para janeiro de 2027 subia para 13,694%, alta de 22 pontos-base, enquanto a taxa DI para janeiro de 2031 avançava 274 pontos-base, para 15,385%.
Em meio à turbulência, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação (IPCA+). Quando os juros futuros sobem, os investidores tendem a exigir uma remuneração maior para comprar títulos novos, o que pode elevar o custo de financiamento da dívida pública.
O risco-Brasil, indicador que mede a percepção dos investidores sobre o risco de investir no país, registrava alta de 17,50% às 15h30. A elevação do índice sinaliza uma maior desconfiança do mercado em relação à capacidade do Brasil de honrar seus compromissos financeiros, o que pode encarecer a captação de recursos no exterior por empresas e pelo governo.
O movimento reverte a valorização dos ativos após o primeiro turno das eleições, quando prevalecia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. No pregão seguinte à primeira rodada da eleição, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, na maior queda diária desde 2018, quando a moeda havia recuado 5,50% em uma única sessão.
Durante o ano, a Bolsa e o real também se beneficiaram pela narrativa predominante de diversificação das carteiras globais.
Nesta segunda-feira (26), entre as poucas ações em alta estão as de empresas exportadoras, que recebem boa parte de suas receitas em dólar e podem se beneficiar da valorização da moeda americana. O maior ganho era da Suzano, cujas ações avançavam 11,45% por volta das 15h32. Já a Vale, uma das empresas de maior peso no Ibovespa, subia 4,93%. Também registravam ganhos as ações da Embraer, WEG, Bradespar e Klabin.
MUDANÇA DE RUMO
Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.
*Bahia Notícias
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