Estudos revelam que alterações na forma como o cérebro processa os estímulos dolorosos podem explicar a persistência da dor crônica; neurocirurgiã esclarece o fenômeno e destaca avanços no tratamento
Uma dor que permanece mesmo depois da cicatrização de uma lesão pode parecer um contrassenso, mas a neurociência tem demonstrado que isso é mais comum do que se imagina. Em muitos casos, o problema deixa de estar no tecido lesionado e passa a envolver o próprio sistema nervoso, que pode continuar interpretando determinados estímulos como dolorosos mesmo quando a causa inicial já desapareceu.
Esse fenômeno está relacionado à chamada neuroplasticidade, capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões ao longo da vida. Embora seja essencial para a aprendizagem, a recuperação de funções e a adaptação do organismo, esse mecanismo também pode favorecer alterações persistentes na forma como a dor é processada. Quando isso ocorre, instala-se um quadro conhecido como sensibilização central, considerado um dos principais mecanismos envolvidos na dor crônica.
Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo convive com dor crônica, condição que vai muito além do sintoma físico e pode comprometer sono, humor, produtividade, relações sociais e qualidade de vida. Revisões científicas recentes reforçam que a dor persistente resulta da interação entre fatores biológicos, neurológicos, psicológicos e sociais, exigindo uma abordagem multidisciplinar.
Pesquisas publicadas em 2025 também destacam que a chamada neuroplasticidade mal adaptativa desempenha papel central na manutenção da dor neuropática. Nesses casos, alterações nas conexões entre neurônios tornam o cérebro mais sensível aos estímulos dolorosos, mesmo sem a presença de uma lesão ativa. Esse entendimento tem impulsionado o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, incluindo técnicas de neuromodulação capazes de atuar diretamente nos circuitos cerebrais envolvidos na percepção da dor.
Para a neurocirurgiã Dra. Camila Moura, compreender esse mecanismo é fundamental para combater um dos maiores desafios enfrentados por pacientes com dor persistente: a sensação de que “ninguém encontra a causa” do sofrimento.
“Muitas pessoas escutam que os exames estão normais e acabam acreditando que a dor é imaginária. Não é. O que acontece é que, em alguns casos, o cérebro passa a interpretar determinados sinais como dor mesmo após a cicatrização da lesão inicial. É uma alteração real no funcionamento do sistema nervoso e que precisa ser compreendida para que o tratamento seja adequado”, explica a especialista.
Segundo a médica, esse mecanismo pode estar presente em diferentes condições clínicas, como dor neuropática, fibromialgia, hérnia de disco com dor persistente, neuralgia, síndrome dolorosa regional complexa e dores que permanecem após cirurgias ou traumas, especialmente quando o sistema nervoso desenvolve um estado de hipersensibilidade.
“Hoje sabemos que tratar apenas a estrutura onde a dor começou nem sempre resolve o problema. Em muitos pacientes, é preciso atuar também sobre a forma como o cérebro está processando essa informação. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de impedir que essa memória da dor se consolide”, afirma Dra. Camila.
Entre os tratamentos disponíveis atualmente estão medicamentos específicos para dor neuropática, fisioterapia especializada, reabilitação funcional, acompanhamento psicológico, terapias cognitivo-comportamentais e procedimentos de neuromodulação, técnica que utiliza estímulos elétricos para modular a atividade dos circuitos nervosos relacionados à dor. Dependendo da indicação, também podem ser empregados bloqueios guiados por imagem e procedimentos minimamente invasivos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também chama atenção para o impacto da dor persistente, especialmente na coluna. A entidade estima que *619 milhões de pessoas vivem atualmente com dor lombar, principal causa de incapacidade no mundo, e alerta que uma parcela dos pacientes continuará apresentando sintomas mesmo após a resolução da lesão inicial, evidenciando que a dor crônica representa um importante problema de saúde pública.
Para Dra. Camila Moura, o avanço da neurociência representa uma mudança importante na forma de compreender e tratar esses pacientes.
“A dor crônica não deve ser encarada como um destino inevitável. Quanto mais entendemos como o cérebro participa desse processo, mais conseguimos oferecer tratamentos personalizados, que reduzem o sofrimento e devolvem qualidade de vida. O mais importante é que o paciente saiba que sentir dor por muito tempo não significa que ele precise conviver com ela para sempre.”
Sobre a Dra. Camila Moura
Dra. Camila Moura é neurocirurgiã, com atuação em doenças da coluna, dor e neurocirurgia funcional. Desenvolve atendimento baseado em evidências científicas, tecnologia e abordagem humanizada, acompanhando os avanços da neurociência para oferecer tratamentos modernos e individualizados aos pacientes.
Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Centro de Combate às Endemias, iniciou nesta quarta-feira (15) uma força-tarefa no bairro Queimadinha para intensificar o enfrentamento ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Mais de 30 agentes de combate às endemias, parte deles remanejada de outras áreas do município, atuam em duas frentes de trabalho que permanecerão no bairro pelos próximos 20 dias. A meta é visitar todos os imóveis, identificar e eliminar criadouros do mosquito e ampliar as ações de prevenção junto aos moradores.
A Queimadinha e o Tomba, onde as equipes concentraram as ações de bloqueio vetorial e visitas domiciliares no último mês, estão entre as localidades que registram maior número de notificações de arboviroses no município.
De acordo com a coordenadora do Centro de Combate às Endemias, Priscila Soares, embora Feira de Santana mantenha monitoramento permanente de todas as arboviroses, o cenário epidemiológico deste ano chama atenção pelo aumento expressivo das notificações de chikungunya.
Até o momento, Feira de Santana contabiliza 313 notificações de chikungunya, das quais 201 já foram confirmadas. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas apenas 24 notificações e 15 confirmações. Ao longo de todo o ano passado, o município encerrou com 35 casos notificados e 23 confirmados.
Em relação à dengue, entre janeiro e 7 de julho deste ano, Feira notificou 1.373 casos suspeitos. Destes, 96 foram confirmados por exame laboratorial, 107 tiveram resultado inconclusivo e os demais permanecem em investigação. No mesmo período de 2025, haviam sido notificados 1.371 casos, com 143 confirmações. Ao longo de todo o ano passado foram registrados 2.398 casos notificados e 204 confirmados.
“A concentração das equipes permite ampliar a cobertura das visitas domiciliares e interromper a cadeia de transmissão do mosquito nas áreas com maior número de notificações. Essa força-tarefa tem como objetivo proteger a população, especialmente neste período de maior ocorrência de chuvas”, destaca Priscila Soares.
O trabalho realizado pelas equipes vai muito além da inspeção dos imóveis. Durante as visitas, os profissionais orientam os moradores sobre medidas preventivas, identificam e eliminam possíveis criadouros, aplicam o larvicida quando necessário e utilizam bomba costal motorizada para o bloqueio químico em situações indicadas.
“O primeiro trabalho é educativo. Os agentes orientam os moradores, verificam cada possível criadouro e, quando necessário, aplicam o larvicida. Também reforçam que qualquer recipiente pode acumular água e servir para a reprodução do mosquito, desde uma tampa de garrafa até o bocal de uma caneta”, explica.
ATENÇÃO REDOBRADA
O agente de endemias Nelson Rodrigues alerta que o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti é bastante rápido. Em condições favoráveis, o mosquito leva de sete a dez dias entre a postura dos ovos e a fase adulta. Além disso, os ovos podem permanecer viáveis por mais de um ano e eclodir assim que entram em contato com a água.
Com a ocorrência de chuvas, a atenção da população deve ser redobrada. “Mesmo precipitações de menor intensidade favorecem o acúmulo de água em recipientes espalhados pelos quintais. Em seguida, com a elevação da temperatura, o ambiente torna-se ainda mais propício para a proliferação do mosquito”, ressalta.
O profissional da Saúde reforça que a participação da população é indispensável para conter o avanço das arboviroses. A orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, manter caixas d’água devidamente vedadas, limpar calhas, descartar corretamente pneus e outros materiais inservíveis e permitir o acesso dos agentes durante as visitas domiciliares.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) notificou, entre janeiro e 7 de julho deste ano, 1.373 casos suspeitos de dengue em Feira de Santana. Desses, 96 foram confirmados por exames laboratoriais, 107 tiveram resultado inconclusivo e os demais seguem em investigação pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA).
Os dados apontam que o município permanece em padrão endêmico e não apresenta situação de alerta epidemiológico para dengue.
A diretora da Rede Própria de Saúde, Verena Leal, explica que os meses com temperaturas mais elevadas e maior incidência de chuvas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika, o que naturalmente reflete no crescimento das notificações.
Em 2025, o município registrou 2.398 notificações de dengue, sendo confirmados ao longo do ano 204 casos. Entre janeiro e junho daquele ano, foram notificados 1.371 casos e confirmados 143.
“Quando comparamos os dados deste ano com os de anos anteriores, observamos que, apesar do aumento de casos, a situação permanece dentro de um padrão endêmico”, afirma, destacando que a Secretaria Municipal de Saúde mantém esforços integrados com outras secretarias e instituições parceiras para reduzir o adoecimento causado pelas arboviroses.
Conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre as localidades que concentram o maior número de casos de dengue estão os bairros Tomba e Queimadinha.
A coordenadora do Centro de Endemias, Priscilla Soares, acrescenta que nessas áreas foram intensificadas ações de monitoramento permanente, bloqueio da transmissão, visitas domiciliares, eliminação de criadouros e mutirões realizados, inclusive aos finais de semana e em horários estratégicos.
“No Tomba, por exemplo, o Centro de Combate às Endemias reforçou o trabalho de campo com ações de controle focal, ampliou o número de agentes com o remanejamento de profissionais de outras áreas do município e realizou bloqueios em todos os quarteirões com casos positivos”, informa.
OUTRAS ARBOVIROSES
Além da dengue, a Vigilância Epidemiológica acompanha o comportamento das demais arboviroses no município, especialmente a chikungunya, que apresentou aumento significativo no número de casos neste ano.
Até o momento, Feira de Santana contabiliza 313 notificações de chikungunya, das quais 201 já foram confirmadas. No mesmo período de 2025 foram registradas 24 notificações e 15 confirmações. Ao longo de todo o ano passado, o município notificou 35 casos, sendo 23 confirmados.
Embora o crescimento dos registros de chikungunya exija reforço nas ações de vigilância e controle, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta que o cenário está sendo monitorado continuamente, permitindo a adoção de medidas oportunas para conter a transmissão da doença.
Em relação à zika, o município notificou, neste ano, quatro casos suspeitos, com um caso confirmado até o momento. No mesmo período de 2025, foram registradas quatro notificações e duas confirmações. Ao longo de todo o ano passado, foram dez notificações e oito casos confirmados.
A diretora da Rede Própria à Saúde reforça que o enfrentamento às arboviroses depende também da participação da população.
“A força-tarefa contra as arboviroses não depende apenas do poder público. Cada morador tem papel fundamental na eliminação dos criadouros do mosquito, mantendo quintais limpos, eliminando recipientes que acumulam água e fazendo o descarte correto do lixo. Só conseguiremos reduzir a circulação dessas doenças diminuindo a infestação do Aedes aegypti”, destaca Verena Leal.
TESTES RÁPIDOS PARA DENGUE
A diretora orienta ainda que qualquer pessoa com sintomas suspeitos de dengue procure imediatamente uma unidade de saúde.
“Hoje existe uma grande variabilidade de sintomas. Além da febre, dor de cabeça e manchas pelo corpo, alguns pacientes podem apresentar diarreia, dores abdominais e outros sinais. No caso da chikungunya, as dores intensas nas articulações também são um sintoma característico. Por isso, é importante buscar atendimento logo no início dos sintomas para receber o diagnóstico e o tratamento adequados”, orienta.
Feira de Santana dispõe de 103 unidades de saúde preparadas para atender pacientes com suspeita de arboviroses. As equipes contam com testes rápidos, permitindo o diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento, fator essencial para evitar complicações.
Também estão disponíveis doses da vacina contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público definido pelo Ministério da Saúde.
Remédio em Casa começa a transformar a rotina de pacientes domiciliados e acamados em Feira de SantanaSentada no sofá da sala, onde passa boa parte do dia, dona Maria Júlia de Jesus, de 84 anos, recebeu nesta sexta-feira (10) uma visita que trouxe mais do que medicamentos. Mãe de 14 filhos, diabética e hipertensa, ela está acamada há 13 anos e teve uma das pernas amputada em decorrência das complicações da diabetes há seis anos. A partir de agora, não será mais preciso que a família se desloque até a unidade de saúde para buscar os remédios de uso contínuo. Eles chegarão à porta de casa.
Dona Júlia é uma das primeiras pacientes atendidas pelo Programa Municipal de Entrega Domiciliar de Medicamentos de Uso Contínuo – Remédio em Casa, iniciativa da Prefeitura de Feira de Santana que começou a funcionar nesta sexta-feira. O distrito de Bonfim de Feira foi o primeiro contemplado pelo serviço, que iniciou beneficiando 12 pacientes, sendo quatro homens e oito mulheres. Outros 32 dos 44 usuários cadastrados aguardam a validação para também receberem os medicamentos em domicílio.
Quem acompanha diariamente a rotina de dona Júlia é a filha, Maria das Graças Santos Pereira, de 62 anos. Para ela, o programa representa mais tranquilidade para toda a família. “É muito bom, ótimo mesmo. Agora não vamos precisar ir até a unidade para buscar os remédios”, revelou contando que a mãe utiliza diversos medicamentos de uso contínuo, entre eles insulina, e que a entrega em casa facilitará significativamente os cuidados diários.
As primeiras entregas foram acompanhadas pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, pelo secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, pela diretora da Rede Própria de Saúde, Verena Leal, e pela chefe da Atenção Primária à Saúde, Verônica Cavalcante.
Outro paciente beneficiado foi Nicolau Santana, 79. Lúcido, ele perdeu os movimentos e a visão em consequência das complicações da diabetes. Também apresenta sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Durante a visita, José Ronaldo cumprimentou o paciente e relembrou que o conhece há cerca de 50 anos, desde a época em que Nicolau trabalhava transportando pacientes para o Hospital Dom Pedro de Alcântara. O prefeito destacou que, com o Remédio em Casa, a esposa dele não precisará mais se deslocar até a unidade de saúde para retirar os medicamentos.
Dona Rita, esposa de Nicolau, comemorou a implantação do programa. “Entregando em casa facilita o nosso dia a dia”, disse.
MAIS CUIDADO
As entregas das medicações pelo programa serão realizadas a cada 60 dias diretamente nas residências dos pacientes. Toda a logística ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Atenção Primária, da Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), entre outros serviços.
Para o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, o programa representa um avanço importante na assistência prestada pelo município. “Estamos garantindo mais acesso, comodidade e segurança para pacientes que enfrentam dificuldades de locomoção. Além de facilitar a vida das famílias, fortalecemos o cuidado contínuo desenvolvido pelas equipes da Atenção Primária”, afirmou.
Criado para ampliar o acesso aos medicamentos de uso contínuo, o Remédio em Casa é destinado prioritariamente a idosos, pessoas acamadas e pacientes com mobilidade reduzida. A implantação ocorrerá de forma gradual.
Após Bonfim de Feira, o programa será expandido para Jaíba e Jaguara, em agosto; Matinha e Governador João Durval Carneiro (Ipuaçu), em setembro; Maria Quitéria, em outubro; Humildes, em novembro; e Tiquaruçu, em dezembro. Somente na zona rural, a expectativa é beneficiar inicialmente cerca de mil pessoas.
A partir de janeiro de 2027, além dos oito distritos, o programa avançará progressivamente para os bairros da sede. O primeiro a receber o serviço será o Novo Horizonte, conforme anunciado nesta sexta-feira pelo prefeito José Ronaldo.
“Esse é um projeto novo, inovador. A meta da Prefeitura é levar o Remédio em Casa para todo o município, ampliando o acesso aos medicamentos e proporcionando mais qualidade de vida a nossa população”, afirmou o chefe do Executivo Municipal.
A assistência materno-infantil em Feira de Santana e em toda região, a saúde continua avançando em 2026. O Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), unidade de porta aberta para urgência e emergência obstétrica 24 horas, alcançou um novo recorde de atendimentos no Acolhimento com Classificação de Risco, reafirmando seu compromisso com uma assistência humanizada, segura e eficiente. O Complexo Materno-Infantil alcança marca histórica de 4.580 partos no primeiro semestre e consolida liderança na assistência obstétrica da Bania.
Entre janeiro e junho deste ano, 29.352 pacientes passaram pelo setor de acolhimento e classificação de risco, número superior aos 29.185 atendimentos registados em 2025, representando um crescimento de 0,57%. Do total de pacientes acolhidas, 21.089 necessitaram de atendimento médico, evidenciando a importância do serviço como porta de entrada para a assistência obstétrica especializada.
De acordo com a diretora-presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, o sistema de classificação de risco garante que as pacientes em situação de maior gravidade sejam atendidas com rapidez, responsabilidade e segurança.
“Todas as pacientes que passam pela triagem recebem uma pulseira eletrônica identificada por cores, que determina a prioridade do atendimento na emergência. Essa organização é essencial para que cada gestante receba assistência conforme a gravidade do seu quadro clínico”, destacou Gilberte Lucas.
Números históricos fortalecem a assistência
Os indicadores assistenciais do primeiro semestre também reforçam o protagonismo do Hospital da Mulher na saúde pública baiana.
Entre janeiro e junho de 2026, a unidade realizou 4.580 partos, dos quais 412 foram prematuros, correspondendo a 8,7% do total. Com esse desempenho, o Hospital da Mulher mantém a posição de maternidade que mais realiza partos na Bahia.
No mesmo período, 826 recém-nascidos receberam atendimento especializado no Bloco Neonatal, demonstrando a capacidade da unidade em oferecer assistência integral desde o nascimento até os cuidados de alta complexidade.
Segundo Gilberte Lucas, o acolhimento com classificação de risco é desenvolvido por uma equipe multiprofissional composta por enfermeiros e médicos obstetras, seguindo protocolos do Ministério da Saúde.
“Nossa equipe acolhe gestantes e familiares com qualidade, compromisso, ética e eficiência. Todo o processo é realizado de forma humanizada, desde a avaliação clínica até a identificação criteriosa dos acompanhantes, garantindo segurança durante toda a assistência”, ressaltou.
Humanização e prioridade no atendimento
A enfermeira Adely Batista de Almeida, que tem vasta experiência no setor de Acolhimento com Classificação de Risco, explica que o serviço representa um dos principais instrumentos de humanização da assistência prestada pelo Hospital da Mulher.
“É neste setor que acolhemos a paciente, coletamos suas informações, realizamos a avaliação clínica e o exame físico para definir a prioridade do atendimento. Após essa análise, identificamos se ela necessita de atendimento imediato ou se pode aguardar com segurança”, explicou.
Após a avaliação, cada gestante recebe orientações individualizadas. Quando necessário, é encaminhada para atendimento médico no hospital ou orientada a dar continuidade ao acompanhamento na Atenção Básica, especialmente no pré-natal.
Como funciona a classificação de risco
O Hospital da Mulher utiliza um sistema de pulseiras coloridas baseado em protocolos internacionais de triagem, como o Protocolo de Manchester e diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Vermelha: emergência – atendimento imediato. Laranja: muito urgente – atendimento em até 10 minutos. Amarela: urgente – atendimento prioritário em até 60 minutos. Verde: pouco urgente – atendimento em até 120 minutos ou encaminhamento para acompanhamento na rede municipal de saúde. Azul: não urgente – atendimento de baixa complexidade, com prioridade em até quatro horas. O sistema permite que os casos mais graves sejam identificados rapidamente, garantindo maior eficiência no fluxo da emergência obstétrica e mais segurança para mães e bebês.
Com os resultados alcançados em 2026, a Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Fundação Hospitalar, reafirma o compromisso de investir continuamente na qualificação da assistência materno-infantil, priorizando o atendimento humanizado, a urgência e a emergência obstétrica e a promoção da saúde das mulheres, dos recém-nascidos e de suas famílias.
No mês dedicado à conscientização e à prevenção das hepatites virais, o Julho Amarelo, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, reforça o alerta sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento dessas doenças que acometem o fígado e, na maioria das vezes, evoluem de forma silenciosa.
Atualmente, o Centro de Referência Municipal IST/HIV e Hepatites Virais, localizado no Centro de Saúde Especializado Dr. Leone Coelho Leda (CSE), acompanha 1.708 pacientes – são moradores de Feira de Santana e municípios pactuados. Desse total, 836 têm diagnóstico de hepatite B e 872 de hepatite C. Somente neste ano, 56 novos pacientes passaram a ser assistidos pelo serviço.
As hepatites virais são caracterizadas pela inflamação do fígado e, quando não diagnosticadas e tratadas precocemente, podem evoluir para complicações graves, como cirrose e câncer hepático. Além da infecção por vírus, as hepatites também podem ter outras causas, como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o uso indiscriminado de medicamentos e chás. Entre as principais formas de transmissão das hepatites virais estão as relações sexuais desprotegidas e o compartilhamento de objetos perfurocortantes, como lâminas de barbear, alicates de unha e seringas.
A coordenadora do Centro de Referência Municipal IST/HIV e Hepatites Virais, Vanessa Sampaio, destaca que os pacientes diagnosticados recebem assistência integral e gratuita durante todo o tratamento.
“Além do acompanhamento clínico, os usuários têm acesso à realização de exames laboratoriais e ao fornecimento gratuito dos medicamentos necessários para o tratamento”, ressalta.
O acesso ao Centro de Referência pode ocorrer por demanda espontânea ou mediante encaminhamento da Atenção Primária à Saúde ou de qualquer outra instituição da rede de saúde.
No serviço, os pacientes são acompanhados por uma equipe multiprofissional formada por hepatologista, infectologista, nutricionista, psicólogo, assistente social, enfermeiros e técnicos de enfermagem, garantindo atendimento integral e humanizado.
Testes rápidos
Como estratégia para ampliar o diagnóstico precoce, a rede municipal mantém a oferta de testes rápidos para hepatites virais. O serviço é disponibilizado tanto nas unidades da rede municipal de Saúde quanto no Centro de Referência Municipal IST/HIV e Hepatites Virais.
Somente neste ano, já foram realizados 4.739 testes rápidos, sendo 2.351 para hepatite B e 2.388 para hepatite C. Em todo 2025, entre janeiro e julho, foram contabilizados 3.525 testes, dos quais 2.008 para hepatite B e 1.517 para hepatite C.
A referência técnica em hepatite, Telma Nandiara, reforça a importância da vacinação da hepatite B e hepatite A, que são ofertadas na rede municipal de Saúde.
“É importante manter o calendário de vacinação atualizado como medida de prevenção, bem como é recomendado o não compartilhamento de material perfurocortante e evitar a relação sexual desprotegida”, salienta.
Dia de conscientização
Como parte da programação do Julho Amarelo, no próximo dia 28, o Centro de Referência Municipal IST/HIV e Hepatites Virais promoverá salas de espera com ações educativas voltadas aos pacientes e usuários do serviço. A iniciativa tem como objetivo reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da adesão ao acompanhamento e ao tratamento das hepatites virais.
A cada quatro meses, a Prefeitura de Feira de Santana deverá investir cerca de R$ 5 milhões nas despesas para manutenção da UPA Agnaldo Machado de Souza (Unidade de Pronto Atendimento) de Humildes, valor equivalente ao gasto na construção e estruturação do próprio equipamento. A projeção foi anunciada pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, na noite de segunda-feira (6), durante solenidade de inauguração da unidade de saúde, que funcionará 24 horas por dia, todos os dias.
Ao descerrar a placa de inauguração ao lado do vice-prefeito Pablo Roberto, do secretário de Saúde, Rodrigo Matos, e de Ana Célia Nascimento Reis, esposa do homenageado que emprestou o nome à UPA, o prefeito José Ronaldo observou a importância da iniciativa, confirmando a prioridade de investimentos pesados na saúde pública durante sua gestão.
Além da inauguração da UPA, que já entrou em funcionamento, o prefeito José Ronaldo determinou ao secretário de Infraestrutura, João Vianey, a execução de obras de pavimentação asfáltica na rua da unidade de saúde ainda nesta semana.
O secretário de Saúde, Rodrigo Matos, observou que a UPA funcionará com duas equipes médicas, atendendo ininterruptamente, em modernas e amplas instalações, inclusive com raio X. Ele assegurou que este é o primeiro investimento de grande porte na saúde pública de Humildes neste ano e que muito mais virá ainda durante a gestão do prefeito José Ronaldo.
Filho do homenageado Agnaldo Machado, o vereador Fabiano da Van, que esteve acompanhado dos irmãos Erivaldo, Ernando, Evaldo, Edinalva, Adriana e Poliana, recordou a luta da comunidade pela implantação da UPA e destacou também a colaboração, por meio de emenda parlamentar, do deputado federal Artur Maia.
Durante a solenidade, também estiveram presentes os secretários de Comunicação, Joilton Freitas; de Cultura, Cristiano Lobo; de Políticas para as Mulheres, Neinha Bastos; o presidente da Câmara, Marcos Lima; e os vereadores Edvaldo Lima, Zé Carneiro, Carlito do Peixe, Marcos Carvalhal e Pastor Valdemir Santos.
Neurocientista afirma que os sonhos desempenham papel fundamental para a memória, o equilíbrio emocional e o funcionamento do cérebro, mas ressalta que a ciência ainda não comprova a existência de sonhos premonitórios
Foto: arquivo pessoal
Quem nunca acordou intrigado após um sonho tão real que parecia ter acontecido de verdade? Ou acreditou que determinado sonho poderia ser um aviso sobre algo que ainda estava por vir? Embora essas dúvidas acompanhem a humanidade há séculos, a neurociência vem avançando na compreensão do que acontece no cérebro durante o sono e qual é a verdadeira função dos sonhos.
Em entrevista ao Rotativo News, o neurocientista e professor da Faculdade Católica de Brasília, Leandro Oliveira, explicou que todas as pessoas sonham, mesmo aquelas que acreditam não ter sonhos.
Segundo ele, o que acontece, na maioria das vezes, é que o cérebro não consegue registrar as lembranças quando o indivíduo desperta em um momento diferente do ciclo do sono.
“O fato de uma pessoa não lembrar do sonho não significa que ela não tenha sonhado. Todos nós sonhamos quando o sono ocorre de maneira adequada”, explica.
Muito além da imaginação
De acordo com o especialista, os sonhos exercem funções essenciais para o cérebro. Entre elas está a consolidação da memória, permitindo que informações importantes sejam armazenadas, além do processo de esquecimento de conteúdos que já não são necessários.
Leandro Oliveira destaca que esquecer também é uma função saudável do cérebro.
“Mais importante do que lembrar de tudo é conseguir esquecer aquilo que não tem utilidade. O sonho participa desse processo.”
Além disso, durante o sono o cérebro realiza uma espécie de simulação de situações da vida real. Emoções, desafios, relações sociais e experiências são reorganizados, funcionando como um treinamento mental para situações futuras.
É justamente por isso que muitos sonhos parecem tão reais.
“Para o cérebro, durante o sonho, a experiência imaginada é processada de forma muito semelhante à experiência vivida”, afirma.
Sonhos são avisos?
Uma das crenças mais populares é a de que os sonhos podem antecipar acontecimentos futuros.
Segundo o neurocientista, até o momento a ciência não possui evidências suficientes para afirmar que sonhos sejam premonições.
Ele explica que, muitas vezes, o cérebro capta informações de forma inconsciente ao longo do dia. Essas informações permanecem armazenadas e podem surgir posteriormente durante o sonho, dando a impressão de que houve uma previsão dos acontecimentos.
Apesar disso, Oliveira ressalta que alguns fenômenos continuam despertando interesse da comunidade científica e ainda carecem de explicações definitivas.
Quando os pesadelos merecem atenção
Ter pesadelos ocasionalmente é considerado normal. No entanto, quando eles se tornam frequentes, podem indicar alterações que merecem investigação médica.
Ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, privação de sono, febre e até problemas metabólicos ou cardiovasculares podem influenciar diretamente a qualidade do sono e favorecer o aparecimento de pesadelos.
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação especializada, que pode incluir exames como a polissonografia para investigar possíveis distúrbios do sono.
Dormir pouco — ou dormir demais — faz mal
Outro alerta feito pelo especialista diz respeito ao tempo de sono.
Segundo Leandro Oliveira, tanto a privação quanto o excesso de sono podem prejudicar o organismo.
O ideal para a maioria dos adultos é dormir entre sete e oito horas por noite, período considerado suficiente para que o cérebro realize processos importantes de recuperação, reorganização das informações e equilíbrio emocional.
Crianças também sonham
Ao contrário do que muitos imaginam, as crianças também sonham desde muito cedo.
Como o cérebro infantil está em intenso desenvolvimento, elas necessitam de um tempo maior de sono, podendo dormir entre 10 e 11 horas por dia.
Nesse período, o cérebro organiza conexões neurais fundamentais para o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo.
O que são os sonhos lúcidos?
Durante a entrevista, Leandro Oliveira também explicou o fenômeno conhecido como sonho lúcido.
Nesse tipo de experiência, a pessoa percebe que está sonhando e, em alguns casos, consegue até interferir no próprio sonho.
Embora essa habilidade seja relativamente rara, pesquisas na área da neurociência demonstram que ela pode ser identificada por meio da atividade cerebral registrada durante o sono REM, fase em que ocorrem movimentos rápidos dos olhos e a maioria dos sonhos mais intensos.
Segundo o especialista, esse estágio do sono desempenha papel importante na regulação das emoções, no processamento de traumas e na chamada “higienização” cerebral, processo essencial para o bom funcionamento do cérebro.
Para o neurocientista, embora muitos mistérios ainda envolvam o universo dos sonhos, a ciência já demonstra que dormir bem é indispensável para a memória, a saúde mental e a qualidade de vida.
Leandro Freitas Oliveira
Doutor em Neurologia e Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), pós doutorado em Neurologia e Neurociências pela mesma Universidade. Graduado em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília (UCB), especialista em Neuropsicologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro titular da International Neuropsychological Society.
Análise da Unicamp, encomendada pela Folha de S.Paulo, encontrou tirzepatida nos medicamentos; especialistas alertam que os produtos seguem proibidos no Brasil
Embora tenha sido encontrado o princípio ativo do Mounjaro, as canetas emagrecedoras do Paraguai não podem ser comercializados no Brasil | Foto: | Foto: Reprodução/X
Uma análise realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou que canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai e comercializadas ilegalmente no Brasil contêm tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro. O estudo foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e avaliou cinco medicamentos vendidos nas redes sociais.
Os pesquisadores confirmaram a presença da substância e descartaram a mistura com semaglutida, princípio ativo do Ozempic. A análise, no entanto, não avaliou aspectos como esterilidade, impurezas, eficácia clínica ou segurança dos produtos, que continuam sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por isso, não podem ser comercializados no país.
Em nota à reportagem, a fabricante do Mounjaro, Eli Lilly, afirmou que a identificação do princípio ativo não significa que os medicamentos sejam equivalentes ao produto original.
“Identificar um componente nada diz sobre como o medicamento foi produzido, sobre sua pureza ou sobre como o organismo reage a ele”, informou a fabricante. “Sem eles, não se pode descartar os riscos reais desses produtos.”
O estudo também apontou que uma das marcas analisadas apresentou concentração de tirzepatida cerca de 60% superior à indicada pelo fabricante. Segundo o coordenador do CIATox da Unicamp, José Luiz da Costa, isso pode aumentar o risco de efeitos adversos.
“Mesmo que o paciente aplique a dose de Gluconex prescrita pelo médico, ele pode receber uma quantidade muito superior à esperada, o que aumenta o risco de eventos adversos, inclusive de hipoglicemia”, alertou o especialista para a Folha de S.Paulo.
A reportagem também identificou que as canetas são anunciadas no TikTok, Instagram e WhatsApp. Procuradas, as plataformas afirmaram que esse tipo de comércio viola suas políticas e informaram que removem conteúdos quando identificam irregularidades.
Análise não atesta segurança dos medicamentos
Embora os pesquisadores tenham confirmado a presença da tirzepatida nas amostras analisadas, o estudo não avaliou aspectos considerados essenciais para a aprovação de um medicamento, como esterilidade, presença de impurezas, eficácia clínica e segurança. Por isso, os produtos seguem proibidos para comercialização no Brasil, já que não possuem registro na Anvisa.
Entre as cinco marcas examinadas, a que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o Gluconex. A análise identificou concentração de tirzepatida cerca de 60% superior à informada pelo fabricante, diferença que pode elevar o risco de efeitos adversos, como episódios de hipoglicemia.
A Anvisa também ressaltou que análises laboratoriais isoladas não substituem o processo regulatório exigido para medicamentos comercializados no país. Segundo a agência, a avaliação da qualidade envolve uma série de critérios relacionados à fabricação, armazenamento, transporte e controle de contaminantes, etapas que não foram contempladas no estudo realizado pela Unicamp.
A Policlínica Yara Steffane Bispo, mais conhecida como Policlínica de Humildes, funcionará até as 23h desta quarta-feira (1º), quando encerrará os atendimentos de urgência e emergência prestados à população do distrito e região. A partir desta data, esses serviços passarão a ser realizados na nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Humildes.
A UPA será inaugurada na próxima segunda-feira (6), às 18h, pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, com a presença do secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, além de autoridades e lideranças locais.
Com a entrada em funcionamento da nova unidade, Feira de Santana passará a contar com três Unidades de Pronto Atendimento municipais — Humildes, Mangabeira e Queimadinha — fortalecendo a rede de urgência e emergência e ampliando a oferta de assistência à população.
Além das UPAs, o município mantém uma ampla rede de atendimento 24 horas por meio das policlínicas dos bairros Tomba, Rua Nova, George Américo, Parque Ipê, São José e Feira X, que também realizam atendimentos de urgência e emergência, contribuindo para a descentralização e maior capacidade de resposta da rede pública de saúde.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, a implantação da UPA de Humildes representa um importante avanço na assistência prestada aos moradores do distrito e localidades vizinhas.
“O município ampliará a capacidade de atendimento da rede de urgência e emergência com a UPA de Humildes, oferecendo mais conforto, agilidade e qualidade na assistência aos pacientes”, destacou.
A transição marca uma nova etapa para a assistência em saúde na região. Em abril deste ano, a Policlínica de Humildes completou 16 anos de relevantes serviços prestados à comunidade, consolidando-se como referência no atendimento à população do distrito e de localidades vizinhas.
Com a inauguração da UPA, esse atendimento passa a ser realizado em uma estrutura mais ampla, moderna e equipada, preparada para oferecer maior resolutividade, conforto e eficiência aos pacientes.