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No domingo 18, aeronautas rejeitaram a proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho 2022/2023
Foto: Márcio Fernandes de Oliveira/Estadão Conteúdo

Pilotos e comissários realizam uma greve na manhã desta segunda-feira, 19, depois de não chegarem a um acordo por reajuste salarial. Voos nos aeroportos de São Paulo, Campinas, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza registram atrasos e filas. As categorias prometem cruzar os braços, diariamente, das 6 horas às 8 horas, até que as reivindicações sejam atendidas.

Na capital paulista, passageiros passam por apuros. Em Congonhas, sete voos foram remarcados; em Guarulhos, três. Por ora, não há cancelamentos.

Em nota, a Latam informou que está em negociação com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) desde o início de setembro para a construção do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A empresa comunicou que aguarda a convocação de assembleia pelo sindicato para votação pelos tripulantes da companhia.

Greve de pilotos e comissários

No domingo 18, aeronautas rejeitaram a proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho 2022/2023. Segundo o SNA, aproximadamente 80% votaram contra a proposta, cerca de de 20% foram favoráveis, e quase 1% se absteve. Participaram da assembleia online 6 mil votantes.

Aeronautas são todos os profissionais que exercem atividade no interior de uma aeronave, como o comandante (piloto), copiloto, comissário de bordo, mecânico de voo, navegador e rádio-operador de voo.

Na iminência da greve de pilotos, o Tribunal Superior do Trabalho determinou a manutenção de 90% dos profissionais em serviço.

Informações Revista Oeste


Decisão estabelece que o Bolsa Família fique fora do limite de gastos

Ministro do STF Gilmar Mendes | Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

No domingo 18, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu à Rede e determinou que os benefícios destinados ao Auxílio Brasil sejam excluídos do teto de gastos. Conforme a decisão, os recursos podem ser obtidos pela abertura de um crédito extraordinário.

A medida do ministro interfere diretamente nas negociações entre o Congresso Nacional e a equipe do presidente eleito, Lula (PT), que apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Gastança, com a finalidade de aumentar as despesas públicas em 2023 em cerca de R$ 200 bilhões.

Parlamentares e partidos vinham exigindo cargos para votar a favor da PEC.

“Reputo juridicamente possível que eventual dispêndio adicional de recursos com o objetivo de custear as despesas referentes à manutenção, no exercício de 2023, do programa Auxílio Brasil (ou eventual programa social que suceda a ele) pode ser viabilizado pela via da abertura de crédito extraordinário, devendo ser ressaltado que tais despesas não se incluem na base de cálculo e nos limites estabelecidos no teto constitucional de gastos”, entendeu Gilmar, na decisão.

Em linhas gerais, o ministro autorizou o relator do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), a incluir no texto a execução do pagamento do programa independentemente de ultrapassar o teto de gastos.

A Rede alegou na ação ao STF que o pagamento do programa de transferência de renda no atual valor estaria circunscrito no “mínimo existencial” da população em situação de vulnerabilidade estabelecido na Constituição Federal.

Em sua conta no Twitter, Randolfe considerou a decisão de Gilmar uma “grande vitória contra a fome e a favor da dignidade de todos os brasileiros”.

O senador Renan Calheiros também comemorou a “grande decisão de Gilmar Mendes”. “A miséria humana não pode ser objeto de chantagem”, disse.

Informações Revista Oeste


Aos 86 anos, pontífice não apresenta nenhum problema de saúde 

Papa Francisco em aparição no Vaticano

O papa Francisco revelou em entrevista divulgada neste domingo, 18, pelo canal espanhol ABC, que já entregou sua carta de renúncia em caso de impossibilidade de exercer suas funções como pontífice.

Interpelado sobre qual seria sua atitude em caso de ser acometido por uma doença que limite sua capacidade de cumprir suas tarefas, Francisco respondeu: “Já assinei minha renúncia. O Secretário de Estado na época era Tarcísio Bertone. Eu assinei e disse: ‘Se eu ficar incapacitado por razões médicas ou qualquer outra coisa, aqui está minha renúncia’”.

A carta foi escrita há muitos anos e foi entregue a Tarcísio Bertone, que renunciou ao cargo em 2013.“Não sei a quem o cardeal Bertone entregou essa carta, mas eu a entreguei a ele quando ele era secretário de Estado”, disse Francisco.

A existência de uma carta com esse conteúdo não havia sido mencionada publicamente. Outros pontífices como Paulo VI e Pio XII também escreveram cartas de renúncia em caso de invalidez permanente.

Aos 86 anos, Francisco, não apresenta nenhum problema de saúde que demande cuidados especiais. Seu joelho direito, no entanto, gera desconfortos crônicos que limitam sua locomoção ou tempo que pode passar em pé.

Em julho deste ano, ele cancelou uma viagem que faria à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul para descansar o joelho que estava inflamado.

A renúncia papal não é comum, antes de Bento XVI, predecessor de Francisco, que abriu mão do cargo, o último Papa que havia renunciado era Gregório XII, em 1415, para findar uma guerra civil dentro da igreja.

Outros procedimentos

Ainda em 2021, o Papa Francisco precisou passar por um procedimento de retirada de uma parte do cólon em decorrência de uma diverticulite. Não houve maiores complicações no procedimento e em sua recuperação.

Informações Revista Oeste


Centro de Lançamento de Alcântara

Foto: Warley de Andrade/TV Brasil

Está previsto o lançamento do foguete HANBIT-TLV, da empresa sul-coreana Innospace, na próxima segunda-feira (19), às 6h da manhã (horário de Brasília), pelo Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Esse será o primeiro lançamento de empresa privada feito pela base brasileira.

A missão visa a testar o funcionamento do foguete sul-coreano e também leva ao espaço o Sistema de Navegação Inercial (SISNAV), desenvolvido por militares brasileiros com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Segundo a pasta, o lançamento depende das condições meteorológicas.

O SISNAV é um experimento nacional para a navegação autônoma de foguetes, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), da Força Aérea Brasileira, dentro do projeto Sistema de Navegação e Controle (SISNAC). A tecnologia fará parte do Veículo Lançador de Microsatélites (VLM).

Com o lançamento, serão obtidos dados de voo que avaliam como o sistema se comportou em condições específicas de temperatura e pressão. Não haverá operação de resgate, pois os dados de voo serão coletados por telemetria. A carga útil pesa 20kg e tem dimensões de 310 × 400 × 280 mm3.

O gerente do projeto SISNAC, major Bruno Távora, afirmou que esta será a primeira oportunidade de avaliar o comportamento da tecnologia em ambiente real de voo. “Um sistema de navegação inercial é um componente crítico para os veículos de acesso ao espaço desenvolvidos pelo IAE, pois não são encontrados na indústria nacional. Por esta razão, o IAE iniciou há alguns anos o desenvolvimento do seu próprio produto, o SISNAV, utilizando sensores inerciais desenvolvidos pelo Instituto de Estudos Avançados e produzidos nacionalmente”, descreve.

Távora também ressalta o apoio do ministério e instituições vinculadas. “Os recursos provenientes do MCTI foram fundamentais para o desenvolvimento do SISNAV, pois os projetos receberam recursos tanto da FINEP, como da AEB”. A FINEP apoiou o desenvolvimento do SISNAV com recursos de quase R$ 40 milhões aportados no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da FAB, em projetos executados entre os anos de 2005 e 2016.

Informações Agência Brasil


Aeroporto Internacional de São Paulo,Guarulhos

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) anunciou que começa nesta segunda-feira (19) a greve da categoria nos principais aeroportos do país. Os pilotos e comissários devem cruzar os braços todos os dias entre as 6h e 8h. Os trabalhadores rejeitaram em votação virtual realizada no fim de semana a proposta apresentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Entre os 5,7 mil votantes, 76,4% rejeitaram o oferecido pela mediação do tribunal.

A proposta apresentada ontem pelo vice-presidente do TST, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, prevê reposição de 100% da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais aumento real de 0,5%. Os percentuais incidem sobre os salários fixos e variáveis. 

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Henrique Hacklaender, orientou aos tripulantes que compareçam amanhã aos aeroportos, mas que não façam decolagens entre as 6h e 8h. A greve está prevista para ocorrer em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza. 

Hacklaender destacou que além do ganho real sobre os salários, a categoria quer melhores condições de descanso. Os trabalhadores reivindicam pontos como a proibição de alteração dos dias de folga e o cumprimento dos limites já fixados do tempo em solo entre etapas de voos. “É óbvio que um tripulante cansado e mal remunerado pode representar um risco à aviação”, ressaltou o presidente do sindicato ao comunicar o resultado da votação da categoria.

Liminar

Na sexta-feira (16), a ministra do TST Maria Cristina Peduzzi determinou que deve ser garantido o mínimo de 90% de pilotos e comissários em serviço durante a greve. A decisão foi motivada por uma ação do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). 

Na decisão, a ministra negou o reconhecimento da abusividade da grave, mas determinou que deve ser mantido percentual mínimo de aeronautas em serviço. 

Informações Agência Brasil


José Múcio Monteiro, indicado por Lula para a Defesa Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O nome escolhido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Ministério da Defesa, José Múcio Monteiro, elogiou o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma entrevista concedida à CNN Brasil na última sexta-feira (16). Ao falar sobre o atual chefe do Executivo, Múcio disse que Bolsonaro é “um democrata” e “um líder”.

– Ele [Jair Bolsonaro] é um democrata. Conheço o presidente desde o período na Câmara dos Deputados. Ele é um líder e tenho certeza de que ele vai colaborar. É importante dizer que ele é um líder de uma parcela significativa da população – destacou.

Múcio e Bolsonaro foram colegas de Congresso entre 1991 e 2007. Os dois ainda conviveram juntos enquanto Múcio foi ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e presidiu a Corte de contas já no governo do atual chefe do Executivo.

O elogio de Múcio a Bolsonaro foi relacionado ao primeiro discurso que o presidente fez a apoiadores após o resultado das eleições, quando o líder afirmou que as Forças Armadas deviam lealdade ao povo e dizer que ele nunca saiu de dentro das quatro linhas da Constituição.

– As Forças Armadas, tenho certeza, estão unidas. Devem, assim como eu, lealdade ao nosso povo, respeito à Constituição e são um dos grandes responsáveis pela nossa liberdade. (…) Nunca saí de dentro das quatro linhas da Constituição e acredito que a vitória será também dessa maneira – disse o presidente na ocasião.

Informações Pleno News


Por Joilton Freitas

Foto: Reprodução

O STF está mandando para casa o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Ele foi condenado em 23 ações, que somadas, chegam a mais de 400 anos de prisão. Para cumprir as penas, ele teria que reencarnar seis vezes e ter vida longa em todas elas.

Mas precisamos fazer justiça a coerência da Suprema Corte: se mandou Lula e o resto da quadrilha, por que só um dos membros ficaria preso? Portanto, nada mais justo do que libertar Cabral. E de justiça o STF entende.

Foi com esse espírito de justiça e respeito a constituição, que a Corte corrigiu as injustiças cometida pela Lava-Jato. Tirou das grades um presidente, políticos, funcionários públicos e empresários, todos condenados pela ação do juiz Sérgio Moro e do Ministério Público Federal, comandado por Deltan Dallagnol.

Mas vocês podem dizer: todos são réus confessos, fizeram delação, acordo de leniência e devolveram mais de 8 bilhões de reais. Sim! E daí? Isso é tudo mentira! Foram as vozes da cabeça deles que fizeram isso. E ainda mandaram eles confessarem crimes que nunca cometeram.

Tanto é verdade, que todos estarão comando o país depois do dia primeiro de janeiro de 2023. Pessoas honestas que foram resgatadas dos cárceres e das mãos da Justiça Federal malvada e insensível.

Esse será, com certeza, o Natal mais feliz deles. Em casa com os seus filhos, parentes e amigos festejando, comendo peru, bebendo um bom vinho e esperando o dia da posse. Vão transformar esse país em um paraíso na terra.

Lula, Cabral e companhia, dormirão o sono dos inocentes e os membros do STF, dormirão com a consciência de dever cumprido. Feliz Natal!


Hermanos voltam a levantar a taça do mundo após 36 anos de espera

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A conquista da última Copa América, no Brasil, encerrando um jejum de 28 anos sem títulos oficiais, devolveu à Argentina o prazer de celebrar. A vitória sobre a Itália na Finalíssima, duelo entre os campeões sul-americano e europeu, mostrou que os hermanos queriam mais. Queriam o mundo. E ele veio, após 36 anos de espera e dois vices dolorosos (1990 e 2014). Neste domingo (18), a equipe albiceleste derrotou a França por 4 a 2 na disputa de pênaltis, após empate de 3 a 3 com a bola rolando, no Estádio de Lusail, na decisão da Copa do Catar, assegurando o tricampeonato mundial.

Campeã em casa, em 1978, e no México, oito anos depois, a Argentina ergueu a taça do mundo pela primeira vez longe do continente americano. Em 22 edições, esta é a terceira vez que o feito acontece. As anteriores foram em 1958 (Suécia) com o Brasil e em 2014 (Brasil) com a Alemanha.

Assim como em 1986, o título argentino tem um protagonista destacado. Se lá atrás, o cara foi Diego Armando Maradona, desta vez, teria de ser Lionel Messi. Quis o destino que o craque, de 35 anos, na última Copa da carreira, pudesse, enfim, levantar a taça mais cobiçada do planeta. Mais que isso, sendo o maestro de uma equipe que jogou, é claro, pelo país, mas também pelo camisa 10. Além de campeão, Messi encerrou a competição como vice-artilheiro (com sete gols) e jogador com mais partidas na história dos Mundiais (26, à frente do alemão Lothar Matthäus).

O título coroa uma campanha que, na primeira rodada, parecia improvável. Apesar de favorita, a Argentina estreou derrotada pela Arábia Saudita, por 2 a 1, de virada. O tropeço deu fim a uma sequência de 36 jogos de invencibilidade. A recuperação teve início com a vitória por 2 a 0 sobre o México. O triunfo para cima da Polônia, pelo mesmo placar, deu aos hermanos a liderança do Grupo C. Nas oitavas e nas quartas de final, classificações sofridas ante Austrália (2 a 1) e Holanda (nos pênaltis, após empate em 2 a 2 no tempo normal). Na semifinal, a grande atuação da equipe, no 3 a 0 aplicado na Croácia.

Os franceses, então atuais campeões, sentiram o gosto amargo do vice pela segunda vez – a primeira foi em 2006. Perderam a chance de repetir o Brasil de Pelé e Garrincha, última seleção a vencer duas Copas seguidas, entre 1958 e 1962. A juventude do elenco dos Bleus, cheio de nomes abaixo dos 30 anos (21 dos 25 convocados), entre eles o craque Kylian Mbappé, mostra, porém, que os europeus permanecerão fortes rumo ao próximo Mundial, em 2026 (Estados Unidos, Canadá e México). O camisa 10, aliás, marcou três gols na final e acabou a competição no Catar como artilheiro, com oito gols, chegando a 12 na história do torneio, mas acabou não sendo suficiente.

Na França, Didier Deschamps mandou a campo uma formação sem surpresas, com as voltas do zagueiro Dayot Upamecano e do volante Adrien Rabiot, recuperados de gripe, em relação ao time que bateu Marrocos por 2 a 0, na semifinal. Do lado argentino, a expectativa era que Lionel Scaloni escalasse um time com três zagueiros, para segurar Mbappé. O treinador, porém, não apenas repetiu a linha de quatro defensores da vitória sobre a Croácia, como trocou o volante Leandro Paredes pelo atacante Ángel Di Maria.

A opção de Scaloni se mostrou acertada. Foi justamente com Di Maria, aberto pela esquerda, infernizando o lateral Jules Koundé, que a Argentina tomou conta do primeiro tempo. Aos sete minutos, o atacante rolou para o volante Rodrigo De Paul soltar a bomba da entrada da área. A bola desviou no zagueiro Raphael Varane e quase surpreendeu o goleiro Hugo Lloris. Aos 16, após retomar a bola no meio e tabelar com Messi pela direita, De Paul chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro para Di Maria chegar batendo, por cima da meta.

A superioridade argentina se consolidou a partir dos 20 minutos, novamente com Di Maria. O camisa 11 invadiu a área pela esquerda e foi derrubado pelo também atacante Ousmana Dembelé. Messi, de pênalti, deslocou Lloris e abriu o marcador. Aos 35, o meia Alexis Mac Allister puxou contra-ataque com Messi, que achou Júlian Álvarez pela direita. O atacante lançou Mac Allister, que entrou na área e rolou na esquerda para Di Maria, na saída do goleiro francês, ampliar a vantagem sul-americana e se emocionar na comemoração.

Passados 40 minutos, a França praticamente não tinha passado do meio-campo, levando Deschamps a mexer duas vezes no time, ainda no primeiro tempo: Ousmane Dembelé e Olivier Giroud deram lugar aos também atacantes Marcus Thuram e Randal Kolo Muani, os mesmos que entraram no jogo contra Marrocos e ajudaram a equipe a sacramentar a classificação à final. Mesmo assim, os Bleus foram para o intervalo sem uma única finalização, nem sequer para fora.

Na volta para o segundo tempo, os argentinos se mantiveram no campo ofensivo, encurralando os franceses. Aos 13 minutos, Álvarez recebeu de Di Maria na área, pela esquerda, mas o chute, sem ângulo, foi salvo por Lloris, no canto direito. No lance seguinte, Di Maria, mais uma vez, passou como quis por Koundé na área e cruzou rasteiro. A bola passou por De Paul, mas não por Messi, que driblou Thuram, mas foi travado por Rabiot na hora certa, já na pequena área.

Somente aos 22 minutos da etapa final é que a França, enfim, conseguiu finalizar, após 74 minutos bola rolando (considerando os acréscimos do primeiro tempo), em cabeçada para fora de Kolo Muani. Aos 25, foi a vez de Mbappé encontrar brecha para dar o primeiro chute na partida, por cima. Ainda pouco, é claro, mas sinal de que os franceses estavam vivos na partida.

Tão vivos que, em dois minutos, buscaram o empate de forma inacreditável. Aos 34, quando a torcida argentina já cantava olé nas arquibancadas, Kolo Muani disparou pela esquerda, entrou na área e sofreu a carga do zagueiro Nicolás Otamendi. Pênalti claro, que Mbappé converteu, soltando a bomba no canto direito do goleiro Emiliano Martínez. Aos 36, o atacante Kingsley Coman desarmou Messi na direita, avançou e cruzou na medida para Mbappé, que acertou um lindo chute de primeira. Tudo igual no Lusail.

Em choque e já sem Di Maria (que deu lugar ao lateral Marcos Acuña) a Argentina sofreu a blitz de uma França acesa, muito graças às entradas de Coman e Eduardo Camavinga. Nos acréscimos, aos 47 minutos, o volante (que substituiu o lateral Théo Hernández) desarmou De Paul na esquerda e lançou Mbappé, que bateu cruzado, de fora da área, com desvio, por cima. Na sequência, após jogada de Thuram em cima de Otamendi pela esquerda e passe de Camavinga para dentro da área, Rabiot chutou rasteiro, livre, para boa defesa de Martínez, em dois tempos. Três minutos depois, enfim, a resposta dos hermanos em finalização de Messi, da meia-lua, que Lloris defendeu de mão trocada.

O duelo foi à prorrogação, com a França mais inteira fisicamente que a Argentina. Não que isso, em algum momento, fosse um empecilho para os hermanos, que conseguiram se reorganizar. Se o primeiro tempo extra foi de poucas emoções, o segundo teve de sobra. Aos três minutos, o meia Enzo Fernández lançou o atacante Lautaro Martínez (que tinha acabado de entrar), que entrou na área pela direita e bateu. Lloris defendeu, mas Messi, na sobra, mandou para as redes.

A celebração sul-americana, porém, durou pouco. Aos dez minutos, Mbappé chutou da entrada da área, pela direita, e a bola explodiu no braço do lateral Gonzalo Montiel (que estava dentro da área). Mais um pênalti a favor dos franceses e mais um gol do camisa 10 dos Bleus, o terceiro dele na final, repetindo o feito do inglês Geoff Hurst, em 1966, último a marcar três gols em uma decisão. A virada só não saiu aos 17 minutos, já nos acréscimos, porque Martínez fez milagre em chute de Kolo Muani.

A decisão da taça, como em 1994 e 2006, seria nos pênaltis. Craques da final, Mbappé e Messi abriram a série convertendo as respectivas cobranças. Na segunda rodada de batidas, Martínez pulou no canto direito para defender o chute de Coman e o atacante Paulo Dybala, que entrou na segunda etapa da prorrogação, colocou os argentinos à frente.

A pressão em cima dos franceses aumentou quando o volante Aurelie Tchouaméni, tentando tirar a bola do alcance de Martínez, exagerou na cobrança e mandou à direita, para fora. Paredes, na sequência, aumentou a vantagem dos hermanos. Na quarta rodada, Kolo Muani soltou a bomba no meio do gol para manter os europeus vivos, mas coube a Montiel (o mesmo que cometera o pênalti na prorrogação) fazer o gol do título.

Argentina tricampeã mundial. Em algum lugar do céu, Maradona sorri.

Informações Agência Brasil


Depois de passar por cerca de 80 países, o troféu da Copa do Mundo de 2014 chegou ontem (21) ao Rio de Janeiro, aonde ficará exposta até o próximo dia 25 no Maracanã (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

França e Argentina disputam, a partir das 12h (horário de Brasília) deste domingo (18) no Estádio de Lusail, o título da Copa do Catar. Tanto para europeus como para sul-americanos a decisão será a oportunidade de alcançarem o terceiro título na competição.

Após a conquista do último Mundial, em 2018 (Rússia), os franceses chegam com certo favoritismo à partida deste domingo. Contando com uma talentosa geração de jogadores, que tem o atacante Kylian Mbappé como expoente, a França pode igualar um feito que apenas o Brasil tem em Copas, alcançar um bicampeonato consecutivo (a seleção brasileira triunfou nos mundiais de 1958 e de 1962).

Para isto, a equipe comandada pelo técnico Didier Deschamps teve que superar uma sequência de lesões que afastou nomes como os dos meios-campistas N’Golo Kanté e Paul Pogba e do atacante Karim Benzema, atual detentor do prêmio de melhor jogador do mundo.

Essas ausências fizeram com que alguns jogadores assumissem novas responsabilidades na equipe (caso do atacante Antoine Griezmann, que tem atuado de forma mais recuada para colaborar no meio-campo) e que outros se tornassem titulares importantes (como o volante Tchouaméni e o lateral Theo Hernández).

Para a decisão o técnico Didier Deschamps deixou claro, em coletiva no último sábado (17), que sabe que terá de lidar com um desafio extra, o apoio dos apaixonados torcedores argentinos presentes no Estádio de Lusail (milhares de torcedores chegaram ao Catar nos últimos dias para acompanharem a decisão): “Estou ciente de que esta seleção argentina tem um apoio popular muito forte. Obviamente, o estádio amanhã será majoritariamente de torcedores argentinos. Espero um clima festivo, os argentinos são um povo apaixonado, totalmente a favor de sua equipe. Dá uma atmosfera festiva, positiva, eles cantam muito, são muito expressivos. É bom ter esse clima para uma partida dessas porque é uma final de Copa do Mundo, mas nossos adversários não estão nas arquibancadas, os únicos que temos estarão em campo”.

Caso saia vencedora, a França chegará ao tricampeonato em mundiais de seleções da Fifa, após as conquistas de 1998, alcançada em sua casa, e de 2018, na Rússia.

A Argentina também chega à decisão tentando levantar pela terceira vez o troféu de uma Copa do Mundo (após vencer em 1978, em sua casa, e em 1986, no México). Porém, ao invés de concentrar suas esperanças em uma jovem estrela, como a França, os hermanos esperam muito do veterano craque Lionel Messi.

Disputando o seu último Mundial pela seleção de seu país, o atacante busca no Catar o título que ainda falta em sua vitoriosa carreira. Proporcionar esta última glória a Messi parece ser um combustível extra para os jogadores da Argentina. “Vejo o Leo [Messi] feliz, como todos os argentinos. Era difícil superar o Messi da Copa América [primeira competição que o camisa 10 conquistou pela seleção principal de seu país], mas agora o vejo ainda melhor”, declarou o goleiro Emiliano Martínez em entrevista coletiva.

Porém, o técnico Lionel Scaloni deixou claro que o confronto deste domingo não se restringe a um embate entre Mbappé e Lionel Messi, mas envolve duas equipes que têm muita história no futebol mundial: “O jogo de amanhã é Argentina contra França, além de Messi e Mbappé”.

O treinador afirma isso porque, no decorrer da campanha da Argentina no Catar, viu surgir uma geração de jovens valores (como o atacante Julián Álvarez e o meio-campista Enzo Fernandez) que podem estar assumindo o protagonismo da equipe nacional argentina justamente com uma conquista memorável.

Informações Agência Brasil


Quanto mais distante se mantém de tudo quanto rescende a maldade, a distorção do imoral em regra, a ódio, primeiro apenas no discurso, mas que logo redunda para a militância e daí para a prática, mais próximo fica o homem de si mesmo — o que definitivamente não é garantia de que vá tornar-se bom. As luzes e sombras, reentrâncias e saliências, subidas e declives, toda a ambivalência que pode haver no espírito de cada um livra-nos da perdição, mas nos infunde situações em que o cerco se fecha a ponto de assaltar-nos a sensação de que vivemos num universo paralelo, lugar mágico e maldito onde crimes nunca acontecem, mas não somos os donos da nossa própria história. Somos então forçados a criar novos jeitos de nos relacionar com o mundo, que por seu turno muda a todo instante, avança e retrocede sem que possamos fazer nada a respeito a não ser tentar uma adaptação qualquer, ou nutrir expectativas menos fantasiosas sobre a vida e seus mistérios, processo que não raro degringola em obsessão, paranoia, frustrações, melancolia, tristeza.

O desajuste fundamental do homem para com o mundo, o existir, os outros homens vêm como um lembrete de que mecanismos de repressão nunca poderão ser dispensados da rotina do cidadão comum, que pensa ser capaz de se livrar dos impedimentos a sua felicidade subvertendo o quanto possível a dureza do real, o que, evidentemente, não consegue. Se o homem comum se dá conta de que não lhe compete se empenhar em mudanças tão profundas, indivíduos psiquicamente descompensados têm certeza de que a vida é o que eles querem, e esse é o limite entre o caos e o inferno. O finlandês Juuso Syrjä oferece novas perspectivas a uma das séries mais inovadoras dos últimos anos, deslindando um pouco mais a atmosfera noir que a envolve, ao passo que redobra a atenção para seu personagem central. “Bordertown: A Eliminação” desvenda alguns dos segredos da trama de Miikko Oikkonen, mas tem o cuidado de guardar o melhor para o final, deixando margem para que se avente a possibilidade de novos enredos conduzidos por um detetive bastante peculiar.

O roteiro de Oikkonen e Antti Pesonen dificulta um pouco mais a vida de Kari Sorjonen, o investigador da série homônima, que se depara com um cenário de indizível horror. Ville Virtanen continua dando a esse homem o ar de um profissionalismo quase cínico, que se confunde mesmo com um desdém pelo resto da humanidade, até que se convence de que se não sair de seu isolamento físico — que, claro, se reflete em sua visão de mundo e, pior, atrapalha a melhor execução de seu ofício — está condenado a nunca superar os erros de um passado recente. Janina, a filha interpretada por Olivia Ainali, virou uma mulher independente e que banca suas próprias vontades, agora dedicada à carreira acadêmica; Lena Jaakkola, de Anu Sinisalo, se lhe parece ainda mais hostil e Katia, a filha de Lena vivida por Lenita Susi, tem de se esconder da mãe depois de uma atitude inconsequente. Sua vida só não é uma total perda de tempo e energia porque se ocupa de um assassino em série que usa o sangue de suas vítimas para pintar muros, e dessa vez Lasse Maasalo, seu arqui-inimigo, papel de Sampo Sarkola, aparentemente não tem nenhuma relação com a carnificina, uma vez que segue preso. Aparentemente.

Syrjä é hábil em fechar e abrir dramáticos ao sabor das necessidades da história, dispondo da maturidade artística de Virtanen, que vai emprestando a seu protagonista a dose precisa de cada uma das diversas emoções que o tornam um personagem tão pouco óbvio. A dobradinha entre o diretor e sua estrela faz de “Bordertown: A Eliminação” um thriller inteligente, mas nada pretensioso, que permite que a audiência também jogue e tire suas próprias conclusões.


Filme: Bordertown: A Eliminação
Direção: Juuso Syrjä
Ano: 2021
Gêneros: Crime/Drama/Mistério
Nota: 8/10

Informações Revista Bula