
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, acelerou para 0,23% em agosto. No mês anterior, o índice havia registrado alta de 0,12%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Energia elétrica foi o produto que mais impactou a inflação de agosto. O principal responsável pelo resultado veio do grupo Habitação, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 4,59% no mês. A alta foi puxada pelo fim da incorporação do bônus de Itaipu às contas de luz, explica André Almeida, do IBGE.
Reajustes nas contas de luz também contribuíram para alta do IPCA. Três das capitais pesquisadas pelo IBGE reajustaram as contas de luz no último mês: Vitória, com alta de 3,2% a partir de 7 de agosto; Belém (9,4% a partir de 15 de agosto); e São Luís (10,43% a partir de 28 de agosto).
Resultado ficou abaixo das expectativas, que chegavam a 0,52%. Analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast apostavam em alta de 0,28%, em média. O intervalo das estimativas ia de 0,23% a 0,52%.
Em 2023, inflação acumula alta de 3,23%. Já nos últimos 12 meses, o IPCA está em 4,61%. A taxa anual ficou acima dos 3,99% observados nos 12 meses imediatamente anteriores, superando o centro da meta para 2023 (3,25%). A expectativa atual do mercado é de que a inflação feche 2023 em 4,93%.
O aumento na energia elétrica foi influenciado principalmente pelo fim do bônus de Itaipu, que foi incorporado nas contas de luz de todos os consumidores do SIN (Sistema Interligado Nacional) em julho e que não está mais presente em agosto.
André Almeida, gerente do IPCA no IBGE
Grupo Alimentação e bebidas emendou terceiro mês de queda. O resultado foi puxado principalmente pelo recuo nos preços da alimentação no domicílio (-1,26%). Entre os produtos que ficaram mais baratos em agosto, estão batata inglesa (-12,92%), feijão carioca (-8,27%), tomate (-7,91%), leite longa vida (-3,35%), frango em pedaços (-2,57%) e carnes (-1,9%).
Preços do arroz (1,14%) e das frutas (0,49%) subiram em agosto. Destaque para o limão e para a banana d’água, que registraram alta de 51,11% e 4,9%, segundo o IBGE.
Temos observado quedas em alguns itens importantes no consumo das famílias, como a carne bovina e o frango. A disponibilidade de carne no mercado interno está mais alta, o que tem contribuído para a queda nos últimos meses.
André Almeida, gerente do IPCA no IBGE
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, seis tiveram alta em agosto:
No lado das quedas, destaque para Alimentação e bebidas (-0,85%). Os grupos Comunicação e Artigos de residência ficaram praticamente estáveis, com recuos de 0,09% e 0,04%, respectivamente.Continua após a publicidade
IPCA mede a inflação para famílias de áreas urbanas com renda de 1 a 40 salários mínimos. Entre as categorias consideradas para mapear a evolução geral dos preços, estão os custos com alimentação, habitação, saúde, transporte e educação, por exemplo. O índice é calculado pelo IBGE desde 1980.
Governo definiu meta de inflação de 3,25% em 2023. Para 2024 e 2025, a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Em 2026, a meta também será de 3%, segundo anunciado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em junho.
Banco Central acompanha a inflação para definir os juros. O IPCA é um dos principais indicadores usados pelo BC para fazer ajustes na Selic, a taxa básica de juros da economia. Quando a inflação está alta, o BC sobe a Selic para tentar conter o consumo e, consequentemente, os preços. Quando a inflação cai, a tendência é que os juros também sejam reduzidos.
Selic está em 13,25% ao ano, após recente corte de 0,5 ponto. No início de agosto, o BC decidiu reduzir os juros para 13,25% ao ano, no primeiro corte desde 2020. A melhora no cenário inflacionário foi um dos fatores citados para justificar o ajuste.
Inflação de agosto reforça apostas de nova queda nos juros. O último resultado do IPCA deve fazer com que o BC mantenha ou até intensifique o ritmo de cortes na Selic. Especialistas ouvidos pelo UOL dizem esperar queda de 0,5 e 0,75 ponto percentual nas próximas duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).
No lado da inflação de serviços, que é acompanhada de perto pelo Banco Central, a abertura foi positiva. A média móvel de três meses passou de 5,38% em julho para 4,06% em agosto. Assim, o IPCA de agosto contribui para a tese de que o BC deve continuar com o corte de 0,5 ponto percentual [nos juros] na semana que vem.
André Meirelles, diretor na InvestSmart XP
O mercado estava preocupado com o impacto do [recente] aumento nos preços dos combustíveis e como isso poderia influenciar as decisões do Copom. Mas os resultados positivos, especialmente no setor de serviços, indicam que a economia está desacelerando, fortalecendo a hipótese de continuidade do ciclo de redução da Selic.
Paulo Silva, analista ALM da Efí
O resultado foi bom, e já podemos ver isso sendo refletido principalmente na curva de juros, que segue caindo. Isso pode reforçar as apostas de um corte na Selic de 0,75 ponto na reunião [do Copom] de dezembro. Já para a próxima reunião, o cenário segue inalterado para um corte de 0,5, na minha visão.
Andre Fernandes, sócio da A7 Capital
Informações UOL

O Hospital Vila Nova Star divulgou boletim médico deJair Bolsonaro, que realizouduas cirurgiasna unidade nesta terça-feira (12/9). De acordo com o boletim, “as cirurgias transcorreram de forma satisfatória, sem intercorrências e o paciente já se encontra em recuperação no quarto”.
Bolsonaro foi submetido a uma endoscopia digestiva alta com fundoplicatura endoscópica. O procedimento serve para tratamento de refluxo gastroesofágico.
O ex-presidente também passou por procedimento de septoplastia, turbinectomia e uvulopalatofaringoplastia. Segundo o boletim médico, Bolsonaro passará por nova avaliação no final da tarde de hoje.
Ele deverápermanecer em São Pauloenquanto se recupera das cirurgias. Segundo o colunista Igor Gadelha, doMetrópoles, ele ficará hospedado no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador Tarcísio de Freitas.
Leia a íntegra do boletim:
“São Paulo, 12 de setembro de 2023.
O ex-Presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um procedimento de endoscopia digestiva alta para tratamento de doença do refluxo gastroesofágico com realização de fundoplicatura endoscópica pela técnica TIF.
Na sequência foi realizada procedimento de septoplastia, turbinectomia e uvulopalatofaringoplastia.
As cirurgias transcorreram de forma satisfatória, sem intercorrências e o paciente já se encontra em recuperação no quarto.
As equipes responsáveis pelos procedimentos reavaliarão o ex-Presidente no final do dia para novas informações.
Equipe Gastroenterologia:
Dr Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo
CRM 20012
Dr Eduardo Guimaraes Hourneaux de Moura
CRM 50927
Equipe de Otorrinolaringologia:
Dr. Sergio Salomão Abdala Carui
CRM 101.580
Diretor Geral
Dr Pedro Henrique Loretti

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O veto do presidente Lula ao artigo que vedava a exclusão de quaisquer despesas primárias da apuração da meta de resultado primário vai fragilizar o novo arcabouço fiscal.
A conclusão é da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, em nota técnica divulgada nesta terça-feira (12).
“O segundo veto, ao contrário, não se mostra compatível com os fundamentos do regime fiscal sustentável. Permitir que as LDOs [Lei de Diretrizes Orçamentárias] possam abater determinadas despesas da apuração da meta fragiliza o espírito da regra fiscal, reduz a transparência da gestão e cria precedente que tende a ser ampliado ao longo dos anos”, destaca o texto.
A consultoria defende que o artigo foi incluído no novo arcabouço fiscal para “assegurar que as metas de resultado primário sejam realistas”. O veto será ainda analisado pelo Congresso.
Ao vetar o dispositivo, Lula argumentou que o artigo contrariava o interesse público, “uma vez que a lei de diretrizes orçamentárias é o diploma competente para estabelecer e gerir as metas de resultado fiscal”.
Informações TBN

A Polícia Federal realiza, na manhã desta terça-feira (12), uma busca e apreensão na cidade de Belmonte, Extremo Sul da Bahia, em cinco endereços ligados a um grupo criminoso especializado em fraudar licitações.
A PF aponta que com o material apreendido seja possível detalhar a extensão dos danos contra o patrimônio público. As investigações da corporação sugerem que a operação dos criminosos contava com esquema que visava confundir a disputa na licitação.
Os envolvidos no esquema podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, assim como fraudes licitatórias. Caso as penas sejam somadas, podem ter mais de 20 anos em reclusão.

Os equipamentos de saúde administrados pela Fundação Hospitalar de Feira de Santana, o Centro Municipal de Prevenção ao Câncer Romilda Maltêz (CMPC) e o Centro Municipal Diagnóstico por Imagem Eugênio Laurine (CMDI), têm desempenhado um papel fundamental no município ao superar metas de atendimento e reduzir o tempo de resposta.
Ao longo de uma década de serviço à comunidade, o CMPC ultrapassou a notável marca de 800 mil atendimentos, incluindo consultas e exames, com destaque para um total de 481.635 exames de Ultrassonografia. No mesmo período, o CMDI registrou mais de 360.000 atendimentos. Os atendimentos são realizados através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2023, o CMPC não apenas alcançou, mas também superou as metas de tempo-resposta no atendimento aos pacientes do município e de outras regiões por meio da regulação, reduzindo significativamente o tempo de espera para assistência médica. De janeiro a agosto deste ano, foram realizados 35.900 atendimentos, incluindo exames e consultas.
A gama de serviços oferecidos inclui biópsias, coleta de material, colonoscopias, eletrocardiogramas, exames citopatológicos cérvico-vaginais, eletrocauterizações, inserção e retirada de DIU, punções da mama, retrossigmoidoscopias, ultrassonografias e consultas com 15 especialidades médicas.
A consulta ginecológica obstétrica foi a mais procurada, com 31.818 consultas realizadas, seguida pelos exames citopatológicos cérvico-vaginais, que totalizaram 60.408 exames, e as ultrassonografias que ultrapassaram a marca dos 100 mil procedimentos.
A comerciária Raimunda Maria de Santana expressou sua satisfação com a agilidade do atendimento. “Pude realizar o preventivo, já saí com o resultado e consegui marcar uma consulta com o ginecologista sem perder um dia de trabalho”.
A diretora-presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, atribui a satisfação dos pacientes aos investimentos em equipamentos de alta tecnologia, à capacitação dos profissionais e à rapidez no atendimento. “Realizamos ações importantes ao longo do ano, como mutirões aos sábados nos dois equipamentos públicos, que visam reduzir a fila de espera e diminuir o tempo de resposta. Essa abordagem não apenas favorece o diagnóstico médico, mas também evita situações que poderiam resultar em intervenções tardias ou desnecessárias”, observa.

O Setembro Amarelo é um período propício para refletir acerca da saúde mental e emocional do homem e, na urologia, a incontinência urinária é apontada como uma das principais causas da depressão em pacientes masculinos. A informação é do urologista cirurgião, Eduardo Cerqueira, que alerta para a necessidade de um olhar médico multidisciplinar sobre esse paciente que chega ao seu consultório com o problema urológico, mas também com problemas emocionais originados da própria incontinência, condição duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.
De acordo com o especialista, é comum as pessoas acreditarem que a principal causa da depressão masculina seja a disfunção erétil, porém, “os quadros de incontinência urinária, apesar de bem menos abordado, é muito mais importante nesse cenário, quando o assunto é a saúde emocional do homem”, ressaltou Dr. Eduardo Cerqueira. O cirurgião explica o fato de o homem como sendo aquele que, muitas vezes, é o provedor da casa, tem a vida motivada pela competitividade, e, “quando não consegue dar o melhor resultado, não consegue exercer seu trabalho, tudo isso acaba afetando muito psicologicamente esse homem”, frisa o cirurgião.
O urologista cita tais condições justamente pelo fato de que, quando o paciente apresenta o quadro de incontinência urinária, a insegurança afeta sua vida pessoal e profissional, pois qualquer trabalho que este homem for realizar, precisando ficar muito tempo sem urinar ou sendo uma atividade que exija um esforço maior, provavelmente a perda de urina acontecerá. “Essa, sem dúvida, é uma das questões que mais afligem os homens que sofrem de incontinência: não conseguir controlar a urina”, frisou o cirurgião. Além disso, ainda existem o medo de que o cheiro do escape seja percebido pelos outros ao redor; o receio de que o uso de fraldas, quando é necessário este uso, seja perceptível, e o próprio incômodo com a troca frequente das fraldas.
As principais causas da incontinência urinária masculina são questões relacionadas a cirurgias e o aumento benigno da próstata. “Quando existe o crescimento da próstata, o paciente sente dificuldade em eliminar toda a urina, ficando parte desta urina retida na bexiga. Isso faz com que o intervalo seja menor e ele urine mais vezes ao longo do dia. A bexiga enche mais rápido, justamente pelo fato de parte dela já está com o líquido. Isso faz com que o paciente tenha o que chamamos de urgência, ou seja, o paciente tenha uma vontade quase que incontrolável de urinar. Em quadros mais graves, nessa urgência, ele tem perdas e pode molhar a roupa”, explicou Dr. Eduardo Cerqueira. Existe ainda a incontinência urinária causada por tratamentos pós cirurgias de câncer de próstata, do reto, radioterapias para tratamento de outros cânceres, que podem comprometer o esfíncter, órgão responsável pelo controle da urina.
Para o especialista Eduardo Cerqueira, o sofrimento e a baixa qualidade de vida de quem convive com a incontinência urinária, principalmente por conta da pressão social e riscos da depressão e isolamento, precisam ser levados em conta. Os avanços nos últimos anos com procedimentos de excelentes resultados são uma realidade. O exemplo é o próprio esfíncter artificial que mantém a uretra fechada e impede o vazamento da urina. ‘O resultado é fantástico. Você pega pacientes com quadros de incontinência total, em que ele não retém nada de urina, você faz esse procedimento e o paciente volta a ter continência ou só pequenas perdas, volta a ter uma vida normal”, explicou.

Morador antigo da comunidade Baixa do Tubo, no bairro de Cosme de Farias, o dono de uma revendedora de gás Gerson Leopoldino Andrade, de 69 anos, era conhecido como uma pessoa tranquila e justa, mas foi assassinado por não pagar R$ 7 mil à facção Comando Vermelho (CV). A execução foi da pior forma: a vítima sofreu disparos no rosto quando estava com a família, em via pública, durante horário de intenso movimento do comércio local, no último dia 28. Um recado aos demais comerciantes, que são obrigados a pagar uma taxa para continuar trabalhando na região. Atualmente, os moradores enfrentam um clima de bastante tensão, porque, segundo eles, em um mês, 15 pessoas foram assassinadas pelo CV na Baixa do Tubo.
Ainda de acordo com eles, há cerca de dois meses os suspeitos instituíram as cobranças, determinadas pelas lideranças do CV na Baixa do Tubo: os traficantes Leandro, o “Lacoste”, e Michel, que têm como local estratégico o Alto do Cruzeiro e a Rua Jaguarari. O ponto de venda de Gerson funcionava no final de linha. “Eles estão fazendo do mesmo jeito que agem lá no Rio de Janeiro. Mandaram um ‘cabeça’ cobrar ‘Gerson do Gás’ três vezes, que negou todas. Na última, o cara disse: ‘Não precisa pagar mais, não’. No outro dia, mataram ele”, contou um amigo da família da vítima.
Dias antes de ter sido assassinado, o comerciante comentava com os mais próximos a sua indignação. “Ele era um morador antigo, nunca teve problema com ninguém, gostava das coisas certas. Quando cobraram na primeira vez, ele disse que não tinha os R$ 7 mil, que nem tirava isso no final do mês, e que mesmo que tivesse, não pagaria”, relatou o vizinho.
Gerson morreu pouco depois das 11h, após um homem a bordo de um carro prata descarregar uma arma contra ele, na Rua Edson Saldanha, a via principal da Baixa do Tubo. Testemunhas relataram que a vítima tinha acabado de buscar a neta, junto com a filha, quando foi baleada na cabeça. Após a execução, donos de farmácias, casas de materiais de construção, padarias, lanchonetes, salões de beleza e outros pontos comerciais, que estavam em atraso, começaram a pagar ao CV.
“Todos estão desesperados. Eles [traficantes] já disseram que mais gente que está devendo vai morrer. Alguns pegando empréstimo para não ter o mesmo fim. Tem comerciante dando R$ 1 mil, R$ 2 mil, outros R$ 5 mil, R$ 7 mil, vai depender da avaliação deles e o valor mensal. Aqueles que não deram o dinheiro estão largando tudo. Teve gente que foi embora no mesmo dia que mataram Gerson do Gás”, contou outro morador. Segundo ele, nem os trabalhadores autônomos escaparam da taxação. “Quem é mototaxista paga R$ 50 por semana para rodar”, disse. O CORREIO esteve no bairro, mas nenhum comerciante e mototaxista aceitou falar sobre o assunto.
Em relação à morte de Gerson, a Polícia Civil disse que a “1ª DH/ Atlântico segue com as investigações”. A reportagem perguntou à PC se a execução está ligada à denúncia de moradores, de que comerciantes são obrigados a pagar taxa para trabalhar. “Foram coletados depoimentos e demais diligências investigativas, que serão complementadas com laudos periciais. Há indicativo de autoria, entretanto, os detalhes não serão divulgados, para não interferir no curso das apurações”, respondeu a PC, em nota.
Capitalização
Antônio Jorge Melo é especialista em segurança pública e explica que a cobrança é um movimento que segue a ordem de capitalizar com tudo que é possível nos locais onde as facções atuam. “É uma prática que vem sendo observada em vários estados da federação e capitais. Essa forma de extorsão, independentemente de impor ou mostrar poder, é uma forma de capitalização”, diz.
“Não tinha ouvido falar em valores tão altos como o de R$ 7 mil em específico para comerciantes, mas já sabia, por exemplo, de outras cobranças que, além dos comerciantes, se estendem até para proprietários de veículos e motos e integrantes da própria facção que dão parte do dinheiro que ganham”, relata Melo, que também é coordenador do curso de Direito da Estácio.
Outro especialista ouvido pela reportagem, que pediu para não se identificar, indica que a cobrança de taxas faz parte de uma estratégia que também visa a imposição da política do medo na relação com quem tem comércio e mora nesses locais. “É para aumentar rentabilidade e se impor pelo medo. [As facções] não diferem das milícias, nesse sentido”, fala.
As milícias, citadas pela fonte, são organizões criminosas formadas por membros das forças de segurança como policiais militares e civis, bombeiros e guardas municipais. É nas milícias que o CV ‘se inspira’ para passar a cobrar taxas para comerciantes.
Agentes da polícia informam, no entanto, que o CV não inaugura a ação de cobrar comerciantes. Segundo eles, o grupo faz uma cobrança ‘mais estruturada’, ampliando a cobrança para além de comerciantes de maior rentabilidade para lucrar com pequenas e micro atividades, como a do revendedor de gás de Cosme de Farias.
Antônio Jorge Melo concorda e indica que as facções justificam a cobrança como um ‘serviço’. “Não é novidade essa cobrança que eles [faccionados] argumentam ser para ‘proteção’, garantindo que os comerciantes não serão vítimas de assaltos ou furtos”, completa.
Outras mortes
Essa não foi a única medida “corretiva” do CV na Baixa do Tubo. Segundo os moradores, entre os meses de julho e agosto, a facção já matou cerca de 15 pessoas na região. “Eles estão oprimindo todo mundo. A Baixa do Tudo toda está apavorada. Ninguém quer falar nada. Ninguém está conseguindo dormir com medo de eles invadirem as casas e pegar as pessoas na covardia, como fizeram com as duas moças”, contou uma mulher, que reside no local há mais de 20 anos, e fez referência a Isabela Nascimento da Silva, 22 anos, e Liliane Silva, 36, ambas executadas na madrugada do último dia 28.
As duas mulheres estavam numa residência quando os criminosos arrombaram o cadeado, subiram até o terceiro andar e atiraram nelas. O local foi revirado. Na hora, além das duas vítimas, uma criança de menos de dois anos de idade, filha de Liliane, também estava no imóvel, que pertencia a Isabela. A criança não foi atingida e tempos depois foi resgatada por parentes. “As duas eram primas. E eles [traficantes] achavam que uma delas era ‘X-9’ (gíria usada para denominar quem fornece informações à polícia)”, contou.
A PC informou que a 1ª DH/ Atlântico investiga as duas mortes. “As demais circunstâncias, autoria e motivação do crime são apuradas pela unidade especializada e os desdobramentos não serão divulgados neste momento, para preservar o andamento do inquérito policial.”
Outro exemplo da crueldade de CV foi o caso de um homem que residia em Pirajá, mas tinha o hábito de beber na Baixa do Tubo, pois tinha amigos na região. “Ele era gente boa, gostava do baba daqui. Não se envolvia com nada. Quando foi 11h de um final de semana, encheram a cara dele de tiro, porque onde ele morava é BDM (Bonde do Maluco, facção arquirrival)”, relatou um morador.
Ainda segundo ele, dias depois, um rapaz foi assassinado após o Waze (aplicativo de navegação via GPS, que traça rotas) levá-lo para o Alto do Cruzeiro, quando deveria direcioná-lo para a entrada principal de Cosme de Farias. “Primeiro, viram que ele não era da área e olharam as tatuagens no braço, pra ver se tinha alguma coisa que indicasse outra facção, mas não encontraram nada. Aí, perguntaram para onde ele ia. O rapaz respondeu, dizendo que estava a caminho da casa de parentes. Só que o início do bairro é BDM e o mataram. O cara não entrava em nada”, relatou.
Sobre essas duas últimas mortes, a PC não comentou que entre os meses de julho e agosto, o DHPP contabilizou oito homicídios na região do bairro de Cosme de Farias. A reportagem procurou a Polícia Militar, para saber sobre a violência na região de Cosme de Farias, em especial na Baixa do Tubo, mas não obteve retorno.
*Correio 24H

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – 12/07/2023
O ex-presidente Jair Bolsonaro realiza duas cirurgias na manhã desta terça-feira (12). Ele foi internado na tarde de ontem (11) no hospital Vila Nova Star, em São Paulo. A operação foi iniciada pouco antes das 5h.
Segundo um comunicado da assessoria de Bolsonaro publicado nas redes sociais, o ex-mandatário “passa pelos procedimentos de correção de hérnia de hiato (causa refluxo, soluços e tosses secas contínuas) bem como desvio de septo para melhorar a condição respiratória (oxigenação)”.
O assessor Fábio Wajngarten afirmou ainda que está “tudo transcorrendo dentro da normalidade” no centro cirúrgico.
Em agosto, o ex-presidente submeteu-se a exames preparatórios para realizar as cirurgias. Desde que levou uma facada na barriga em setembro de 2018 , Bolsonaro já passou por quatro procedimentos no trato digestivo e operações para a retirada de um cálculo na bexiga e uma vasectomia.
Informações TBN
Estudo preliminar do laboratório Eli Lilly com molécula contra obesidade e diabetes mostrou redução de 24% no peso em voluntários. Percentual se aproxima dos 30% obtidos na bariátrica.

Retatrutida: remédio para a obesidade que pode substituir a cirurgia bariátrica
Embora ainda em fase de testes, o estudo de um medicamento para tratamento de obesidade tem se mostrado promissor: chamado retatrutida, ele é capaz de reduzir em um quarto o peso do paciente. Na visão de especialistas ouvidos pelo g1, o remédio tem potencial de ser uma alternativa para a cirurgia bariátrica.
👉 O medicamento é muito parecido com três hormônios do nosso corpo que atuam para inibir o apetite. Aplicado por meio de uma caneta injetável, ele pode vir a se somar a outras que já estão no mercado. (Leia mais abaixo.)
O estudo do laboratório farmacêutico Eli Lilly observou um grupo de mais de 300 pessoas que usaram a substância por um ano. Quem tomou 12 mg, a maior dosagem, perdeu 24% do peso.
💊 Os especialistas apontam que essa é a primeira vez que um medicamento hormonal como esse se aproxima da perda de peso da bariátrica, cirurgia que na qual o paciente chega a perder 30% do peso.
É a molécula que trouxe a maior perda de peso. Na pesquisa, vemos que as pessoas não tinham chegado a um platô, havia chance de perder ainda mais quilos. Com isso, essa substância pode vir a substituir a bariátrica.
— Simone Lee, do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
A pesquisa ainda passará por uma nova fase, com previsão de conclusão em 2026.
A provável chegada de mais um competidor mexe com um mercado bilionário. Nesta última semana de agosto, a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, Saxenda e Ozempic, destronou a francesa LVMH como a companhia listada em bolsa mais valiosa da Europa.
A retatrutida é mais um recurso para tratar a obesidade e a diabetes, semelhante à semaglutida, a molécula mais famosa no tratamento da obesidade.
A semaglutida imita o hormônio GLP-1, que influencia nossa sensação de saciedade.
A retatrutida, no entanto, simula três hormônios:
O GLP-1 é um hormônio secretado, principalmente, pelas células do intestino. Ele age no cérebro estimulando a diminuição do apetite. No entanto, uma enzima produzida pelo nosso organismo (a DPP4) faz com que o efeito desse hormônio passe rápido.
É aí que entra a ação do medicamento: as moléculas que simulam o GLP-1 são resistentes à enzima. Enquanto isso, os hormônios GIP e GCG interferem na insulina.
💡 Foi essa combinação que, segundo os especialistas, fez com que a perda de peso fosse maior que os medicamentos que já estão no mercado, além de controlar a diabetes tipo 2.
O GCG é um hormônio que atua no fluxo contrário da insulina, para aumentar a glicose no sangue. O que a pesquisa mostrou é que, na forma como foi manipulado na molécula, o hormônio fez com que a pessoa aumentasse o gasto de energia e, assim, perdesse mais peso.
— Simone Lee
Abaixo, veja os tratamentos contra obesidade e diabetes tipo 2:
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Retatrutida em comparação com outras canetas — Foto: Arte/g1
A bariátrica é uma das medidas de tratamento contra a obesidade. A cirurgia muda a forma original do estômago e reduz a capacidade de receber alimento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foram feitas mais de 70 mil cirurgias em 2022 nas redes pública e privada.
O que os especialistas dizem é que, se a retatrutida mantiver nos estudos finais a mesma perda de peso, pode ser uma alternativa à cirurgia.
“A gente só tem uma perda tão grande com a bariátrica. Com o tratamento clínico, até hoje a gente não tinha tido esse resultado. Essa substância pode, sim, ser uma opção“, explica Simone Lee, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
A médica endocrinologista e metabolista Isis Toledo, que participou do congresso da American Diabetes Association (ADA) em San Diego, nos Estados Unidos, quando a Eli Lilly apresentou os estudos sobre a retatrutida, também vê essa possibilidade.
A retatrutida tem a capacidade de ser uma alternativa à bariátrica pela perda de peso que proporciona. É um avanço importante para o tratamento.
— Isis Toledo, médica endocrinologista
Apesar disso, os especialistas avaliam que, para que seja uma realidade como a bariátrica, tratamento usado por milhares de pessoas por ano, é preciso analisar os efeitos no longo prazo e o preço.
😵 Efeitos colaterais – Segundo o laboratório, na pesquisa foram identificadas as seguintes reações adversas: náuseas, diarreia, vômito, aumento da frequência cardíaca, arritmia, constipação e sensibilidade na pele.
💰 Custo: Esse tipo de tratamento contra a obesidade precisa ser de uso constante, o que esbarra no custo.
A semaglutida, por exemplo, é vendida a cerca de R$ 1 mil cada caneta, não está disponível no SUS e precisa ser aplicada semanalmente.
No caso da retatrutida, as aplicações também terão que ser semanais.
A molécula precisa ser de uso constante, ela é um tratamento. Em outras moléculas, a gente já percebe que o efeito quando para de tomar é a retomada do ganho de peso. Então, é promissora, mas precisamos entender qual o valor para saber se as pessoas vão conseguir usar, de forma prática, como opção à bariátrica.
— Isis Toledo, médica endocrinologista e metabolista membro da SBEM
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Antonio Carlos Valezi, os resultados são promissores, mas concorda que é preciso observar o efeito a longo prazo.
“Eu diria que ainda é prematuro falar isso [que pode ser um substituto à bariática] porque é um estudo com pacientes por apenas um ano. A bariátrica tem 40 anos e hoje ainda é o método mais seguro e eficaz para manter a perda de peso no longo prazo com pacientes com obesidade”, explica.

O laboratório Eli Lilly disse que não há uma pesquisa comparativa com a bariátrica, mas que o medicamento promoveu uma perda de peso significativa aos pacientes.
“Embora a cirurgia bariátrica continue sendo uma opção de tratamento importante para alguns pacientes com obesidade, a retatrutida pode ajudar a fechar a lacuna de longa data entre os tratamentos farmacológicos e cirúrgicos para a obesidade”, disse em nota.

Canetas para tratar obesidade e diabetes tipo 2: entenda como agem
As opções de tratamento para a obesidade estão crescendo. Atualmente, os dois medicamentos no modelo caneta que simulam hormônios mais conhecidos no mercado são:
Os dois têm alto custo e são produzidos pelo mesmo laboratório, o Novo Nordisk. Em julho deste ano, o laboratório chegou a dizer que estava ajustando sua capacidade de produção por causa da demanda mundial para a semaglutida.
Eli Lilly lidera estudo da retatrutida — Foto: Divulgação
O que a diretora do setor de obesidade da SBEM avalia é que novas moléculas podem melhorar esse cenário no mercado.
Ter mais moléculas disponíveis aumenta a possibilidade de que haja uma oferta de preço mais acessível para esses medicamentos. Além disso, quanto mais terapias tivermos para atender os pacientes, melhor.
— Simone Van de Sande Lee, endocrinologista
Além da retatrutida, o laboratório Eli Lilly também tem estudado outras duas moléculas: Orforglipron e a Tirzepatida.
Informações G1

Foto: Blog do BG
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na noite desta segunda-feira considerar constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletiva, de contribuições assistenciais a serem cobradas de empregados, ainda que não sejam sindicalizados. Entretanto, ficará assegurando o direito de oposição. O julgamento aconteceu por votação eletrônica e foi concluído às vésperas do prazo final, às 23h59.
Dez ministros votaram a favor da constitucionalidade: Cristiano Zanin, mais novo integrante da Corte e indicado por Lula, Luiz Fux e Nunes Marques votaram nesta segunda-feira. Antes deles, já haviam votado a favor da retomada da cobrança o relator, Gilmar Mendes, e os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Rosa Weber.
O voto contrário ficou com o antigo ministro Marco Aurélio Melo, que havia acompanhado entendimento de Gilmar Mendes, contrário à contribuição. Gilmar, no entanto, mudou de entendimento, mas o voto de Marco Aurélio continuou computado. Por isso, André Mendonça não participou desse julgamento. No recurso que foi julgado agora, os ministros muraram entendimento adotado pelo Supremo em 2017, quando considerou inconstitucional a imposição de contribuição assistencial porque já existia o imposto sindical obrigatório. No julgamento do recurso, iniciado em 2020, o relator, ministro Gilmar Mendes, havia sido inicialmente contrário à cobrança, mas mudou seu posicionamento. Ele destacou que há “real perigo de enfraquecimento do sistema sindical como um todo” após a reforma trabalhista. A contribuição assistencial, caso prevaleça o posicionamento da maioria dos ministros, somente poderá ser cobrada dos empregados da categoria não sindicalizados, se pactuada em acordo ou convenção coletiva, e caso os referidos empregados não sindicalizados deixem de exercer o seu direito à oposição. Em nota publicada em abril, o gabinete de Gilmar Mendes explicou que “o entendimento pela constitucionalidade das chamadas contribuições assistenciais, respeitado o direito de oposição, faculta a trabalhadores e sindicatos instrumento capaz de recompor a autonomia financeira do sistema sindical, concretizando o direito à representação sindical sem, ao mesmo tempo, ferir a liberdade sindical de associação”. O Globo, por Mariana Muniz
Informações Diário do Brasil