Debates realizados durante a FINC 2026, em Feira de Santana, destacaram os desafios éticos da automação e o papel da universidade na formação de profissionais preparados para utilizar a tecnologia com responsabilidade

O avanço da inteligência artificial tem transformado a maneira como as pessoas estudam, trabalham e produzem conhecimento. Ao mesmo tempo que ferramentas automatizadas ampliam a produtividade e abrem novas possibilidades para diferentes áreas profissionais, também levantam questionamentos sobre os limites da tecnologia, a confiabilidade das informações e o futuro das relações humanas. Esses desafios estiveram entre os temas debatidos durante a FINC 2026, festival promovido pela UNEF e pela UNIFAN, em Feira de Santana.
Na Arena Science, pesquisadores e professores discutiram como incorporar a inteligência artificial aos processos de aprendizagem e à prática profissional sem abrir mão do pensamento crítico, da responsabilidade ética e da capacidade humana de tomar decisões. Entre os participantes esteve o professor e pesquisador internacional Joaquim Felipe, docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), em Portugal, que comparou a expansão da IA generativa a uma nova revolução industrial.
Após a palestra, o professor também participou do podcast da FINC 2026, onde aprofundou a discussão sobre o tema e compartilhou outras reflexões sobre os impactos da inteligência artificial na sociedade, na educação e no futuro das profissões.
“Eu comparo o surgimento da IA generativa a uma nova revolução industrial. O importante é que não percamos o controle e façamos todos os esforços para que o ser humano continue no centro da decisão”, afirmou o pesquisador. Para ele, a utilização dessas ferramentas exige postura crítica e questionamento constante. “Se nós confiarmos cegamente nas ferramentas, provavelmente elas vão nos substituir. Mas o caminho correto é manter o espírito crítico e questionar o que a IA entrega”, completou.
Pensamento crítico diante das respostas da IA
Um dos principais desafios relacionados ao uso da inteligência artificial é a possibilidade de produzir respostas incorretas ou informações que parecem verdadeiras, mas não têm sustentação factual. Conhecidas como “alucinações”, essas falhas exigem que os usuários verifiquem os dados apresentados pelos sistemas antes de utilizá-los em trabalhos acadêmicos, decisões profissionais ou conteúdos destinados ao público.
Joaquim Felipe alertou para os riscos de aceitar automaticamente as respostas geradas pelas ferramentas, sobretudo quando envolvem fatos históricos, informações científicas ou dados que influenciam a compreensão da realidade.
“As ferramentas não sabem tudo e falham; elas têm o que chamamos de ‘alucinações’. É preciso pôr em causa se a resposta faz sentido ou se aquele fato histórico é verdadeiro. Se não fizermos isso, permitiremos que ferramentas mal utilizadas reescrevam a história”, destacou.
A reflexão também alcança a transparência no uso da tecnologia, para o pesquisador, é necessário deixar claro quando a inteligência artificial participa da produção de determinado conteúdo, além de estabelecer limites éticos para sua utilização. “Se eu utilizo inteligência artificial para produzir um conteúdo, devo assumir isso de forma clara e inequívoca”, afirmou. O pesquisador ressaltou, ainda, a importância da educação para que a sociedade compreenda as possibilidades e as limitações dessas ferramentas e saiba utilizá-las de maneira responsável.
A diferença entre executar tarefas e compreender problemas
No ambiente acadêmico, a discussão sobre inteligência artificial também passa pela formação dos profissionais que utilizarão essas tecnologias no mercado de trabalho. Coordenador do Ensino a Distância (EAD) e docente da área de Tecnologia da Informação da UNEF, o professor Jonas destacou que a capacidade de executar tarefas técnicas não substitui a compreensão dos problemas que precisam ser resolvidos.
Segundo ele, ferramentas de IA já conseguem produzir trechos de códigos de programação e auxiliar em atividades que antes exigiam mais tempo de execução. O diferencial de um profissional com formação superior está na capacidade de analisar demandas, compreender contextos e orientar a tecnologia para alcançar resultados adequados.
“A IA já faz muitos códigos de programação por nós, a diferença do profissional formado na universidade para quem apenas aprendeu tarefas isoladas no YouTube é que na graduação ele aprende a ‘pensar a computação’. Ele aprende a ouvir a necessidade do outro, compreender o problema real e orientar a máquina sobre o que deve ser feito”, explicou.
A perspectiva reforça a importância de uma formação que vá além do domínio de ferramentas e linguagens técnicas. Em diferentes áreas, a utilização eficiente da inteligência artificial depende da capacidade de identificar necessidades, avaliar resultados, reconhecer erros e considerar os impactos das decisões tomadas com o apoio da tecnologia.
Com informações da assessoria de Comunicação.
