Enlutados com o latrocínio (roubo segudo de morte) do entregador Lucas dos Santos Bonfim, de 21 anos, que estava desaparecido desde a noite de sexta-feira (20), trabalhadores da categoria realizaram uma manifestação na tarde de domingo (22) em Feira de Santana. Eles fizeram um buzinaço nas Avenidas Presidente Dutra e Maria Quitéria em protesto contra a falta de segurança, pediram justiça pela morte do colega e melhores condições de trabalho.
Além de Lucas, também foi assassinado durante o trabalho neste ano, José Robson Barbosa Santos, 19 anos. Segundo a polícia, ele foi torturado e morto no Residencial Aeroporto, no bairro Santo Antônio dos Prazeres, em setembro.Os autores deste crime ainda não foram presos, no entanto, três adolescentes suspeitos de matar Lucas foram apreendidos, ontem (22), no bairro Santa Mônica, por policiais militares da 66ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM).
Segundo a ocorrência policial, dois dos três suspeitos são irmãos e confessaram a participação no crime.
O sepultamento de Lucas ocorreu na manhã desta segunda-feira (23) no cemitério Jardim das Flores.
Xuxa Meneghel foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter neste domingo (22), após falas sobre seu romance com Ayrton Senna em entrevista para o Altas Horas. Na ocasião, a apresentadora voltou a reforçar o título de viúva do piloto, apesar de na época ele namorar Adriane Galisteu. Críticas em desaprovação a atitude de Xuxa não faltaram, e a web a classificou como “talarica”, comparando-a ainda ao cantor Vitão.
– Ele estava namorando, mas eu queria me abrir. O máximo que ia acontecer era ele dizer ‘Beleza, você já deu seu recado, não quero nada e acabou’. Mas eu precisava ir atrás dele para falar sobre o meu sentimento. Mesmo a gente separado há um tempão, eu ainda gostava dele e tinha vontade de ficar com ele. Me lembro que no sábado eu ia terminar umas músicas, domingo ele ia correr, e eu falei que na segunda-feira ia atrás dele. Depois vieram me contar que ele também ficou falando de mim, e que ia conversar comigo – disse Xuxa a Serginho Groisman.
A artista alegou ter tido pressentimentos ruins pouco antes do acidente em Ímola, na Itália, e devido a sua conexão com o piloto, sempre sabia quando ele iria ganhar ou se machucar. Afirmou ainda que após a tragédia que tirou a vida de Senna, pessoas próximas a ele contaram que o Senna vinha falando dela, e que queria conversar para “fazer algumas coisas na vida dele”. Para Xuxa, havia a possibilidade de os dois reatarem se não fosse a fatalidade.
“Todo mundo sabe que ele estava namorando. Eu falando isso parece que eu estava querendo separar alguém. Na verdade, eu estava querendo resolver a minha vida. (…) O meu relacionamento com ele foi muito forte, de muitas emoções juntas, muitos sentimentos… E pensei que mais à frente poderia acontecer de a gente se encontrar. Não deu porque não existiu o ‘mais à frente’, porque aconteceu o que aconteceu, ou porque, de repente, ele poderia estar casado com alguém, e eu não faria isso”, garantiu.
Não é a primeira vez que Xuxa revive sua história com o piloto. Adriane Galisteu já se pronunciou sobre o assunto em entrevista.
“Eu achei que ela foi deselegante. E acho que uma mulher que a vida inteira se preocupou com o exemplo, não deu um bom exemplo. Não acho nem um pouco justo com tantos homens por aí. (…) Quando eu comecei a namorar com ele, já estavam separados há mais de 2 anos. Eu não entrei no meio de nada (…) Será que ela fala para a filha dela ‘corra atrás da pessoa que você quer mesmo que ele esteja casado ou namorando?’ Não é um belo exemplo, não é?”, concluiu Galisteu.
Os casos ativos da Covid-19 voltaram a subir nesta segunda-feira (23) após uma pequena redução no domingo (22), segundo boletim publicado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). Nos últimos sete dias, o número saiu de 7.106 pessoas com a doença para 8.386 atualmente contaminados.
Com 1.418 novos casos e 21 mortes por Covid-19 registradas nas últimas 24 horas, a Bahia acumula 386.321 contaminados e 8.123 óbitos desde o primeiro caso da doença, identificado no dia 6 de março em Feira de Santana.
Os 10 municípios com mais casos ativos são Salvador (1.491), Feira de Santana (479), Vitória da Conquista (246), Teixeira de Freitas (213), Ilhéus (196), Lauro de Freitas (188), Irecê (163), Itabuna (152), Santo Antônio de Jesus (141) e a pequena Santa Rita de Cássia (107).
Com cerca de 28 mil habitantes, conforme projeção do IBGE em 2020, Santa Rita de Cássia é o único município com menos de 70 mil moradores entre os 10 com mais casos ativos de Covid-19 na Bahia, o que acende um alerta de preocupação.
Outro caso que preocupa é o de Feira de Santana. O segundo maior município do estado alcançou, no último sábado (21), 90% de ocupação nos leitos de UTI reservados para o tratamento da Covid-19, provocando um alerta do secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje (23) que o país deve perder cerca de 300 mil vagas formais de trabalho neste ano. Apesar da retomada de criação de novos postos de trabalho nos últimos meses, o ministro prevê que haja uma desaceleração na geração de empregos até o fim de 2020.
“Nós vamos possivelmente chegar ao final deste ano perdendo 300 mil empregos, que dizer, 20% do que perdemos nos anos de 2015 e 2016. No ano que enfrentamos a maior crise da nossa história, uma pandemia global, vamos perder entre um quinto e um terço dos empregos perdidos na recessão anterior”, disse Guedes durante o seminário virtual Visão do Saneamento – Brasil e Rio de Janeiro, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Segundo o ministro, houve uma perda média anual de cerca de 1,3 milhão de empregos nos anos de recessão de 2015 e 2016.
“O Brasil criou 500 mil empregos em julho, 250 mil em agosto e 313 mil em setembro. Está para sair a qualquer momento [os dados de] outubro. Eu nem acredito que vá continuar nesse ritmo tão acelerado. É natural que dê uma desacelerada”, disse.
De acordo com o ministro, todas as regiões brasileiras e setores econômicos estão criando empregos. “A economia voltou em V como esperávamos. O FMI [Fundo Monetário Internacional] previa uma queda de 9,5% do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro. Vai ser bem menos que a metade”, disse Guedes.
A Prefeitura de Feira de Santana esclarece que a distribuição de kits de alimentação para famílias de alunos da rede municipal de ensino foi iniciada no dia 14 de setembro. Desde que as aulas foram suspensas, no mês de março deste ano, em virude da pandemia da Covid-19, a Prefeitura iniciou os trâmites para legalizar a distribuição do kit de alimentação para os estudantes.
Inicialmente o Governo Municipal consultou o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), autarquia do Governo Federal, sobre a legalidade de aquisição de alimentos através deste recurso. Houve uma demora no retorno da resposta, mas assim que foi oficializada, o município publicou a licitação.
Após problemas de ordem burocrática envolvendo empresas participantes, o processo licitatório foi finalizado no dia 26 de agosto e somente após a análise de uma comissão – composta por membros da equipe técnica do setor de Alimentação Escolar, assessoria jurídica da Seduc e por representantes do Conselho Municipal de Alimentação Escolar, CAE – realizada no dia 3 de setembro, os alimentos ficaram aptos a serem distribuídos.
Após todos os ajustes de logística, a distruibuição foi iniciada no dia 15 de setembro. Os recursos são oriundos do Programa Nacional de Alimentação Escolar, PNAE, com complementação de recursos do município. Todos os 51.340 alunos – da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos – têm direito ao kit e as entregas foram feitas exclusivamente nas escolas.
Um homem “perdeu” o próprio carro em um congestionamento, nesta segunda-feira (23), em São Gonçalo, na Região Metropolitana do RJ. A lentidão no trecho da BR 101 (Rio-Campos) depois que um uma carreta com tijolos tombou. Às 8h, quando a lentidão ainda se estendia por quatro quilômetros, o homem foi flagrado andando perdido entre os carros que esperavam passar pelas cabines de cobrança do pedágio da Autopista Fluminense.
O motorista havia deixado o veículo em um posto de auxílio da Autopista Fluminense. Uma mulher que o acompanhava assumiu o volante e “seguiu viagem” no trânsito quase parado. Minutos depois, o homem não sabia onde o automóvel estava.
Durante a “busca”, por vezes pedia um celular emprestado a motoristas, a fim de ligar para a mulher e tentar descobrir onde o veículo estava.
Também contornava ônibus e veículos de passeio, na tentativa de achar o carro. A “procura” durou mais de meia hora.
A situação foi flagrada pelo helicóptero de reportagem da Rede Globo.
Homem perde 'carro' em congestionamento e vaga por meia hora até reencontrá-lo; assista https://t.co/g5a2Vav7le
Quem achou que Papai Noel não visitaria a Princesa do Sertão em 2020 se enganou. O Shopping Popular Cidade das Compras vai realizar, no dia 27 de novembro (sexta-feira), a recepção do velhinho mais querido entre as crianças, que descerá em nosso estacionamento de helicóptero.
A diversão está garantida no dia que será de comemoração entre família, e a criançada poderá tirar foto com o Papai Noel, além de desfrutar gratuitamente de pipoca, algodão doce, pula-pula e mais.
Elias Tergilene, presidente do grupo Uai Shopping, que rege a Cidade das Compras, fala sobre a importância do evento para o empreendimento e do cunho social que ele carrega. “O Shopping Popular é espaço para toda gente. Queremos que o povo se sinta acolhido e em casa e queremos também possibilitar experiências inovadoras à população. A Cidade das Compras é lugar não só de compra e venda, mas de vivência e sociabilidade”, explicou.
Localizado no Centro de Abastecimento, na Rua Dr. Olímpio Vital, em frente ao Terminal Central, o Shopping Popular Cidade das Compras conta com 1.800 unidades de venda destinados aos camelôs, 250 bancas para agricultura familiar (frutas e verduras), 100 espaços sociais e 500 lojas âncoras, totalizando 3.650 pequenos empreendedores beneficiados pelo projeto, distribuídos nos mais de 60 mil m² de área e um estacionamento com mais de 600 vagas.
O suplente David Neto, ex-vereador não reeleito em 2016, para a atual legislatura, vai ocupar até o dia 31 de dezembro a vaga da vereadora Eremita Mota (PSDB), que deixou a Câmara nesta segunda-feira, 23, para assumir a Secretaria Municipal de Educação.
Caso o prefeito Colbert Martins seja reeleito, ela deverá continuar no Executivo e, nesse caso, quem assume o novo mandato, em 1º de janeiro de 2021, é o primeiro suplente de vereador pela legenda, Gean Caverna, liderança política do distrito Maria Quitéria.
Em pronunciamento nesta segunda-feira, 23, Eremita, que é professora, garantiu aos colegas de profissão que, na Secretaria, fará um trabalho de “profunda valorização da classe, que clama por real mudança”. Ela diz que os desafios são grandes, mas não lhe faltará coragem para “fazer essa transformação tão importante e necessária”.
A nova secretária de Educação informa que a decisão de deixar a Câmara neste momento foi tomada em comum acordo com a sigla – ela é presidente municipal e presidente Estadual do PSDB Mulher.
“Tenho certeza de que tudo que está acontecendo hoje se deu através das pessoas que integram o partido”. Disse sentir-se feliz que, com sua presença na Seduc, “Gean possa vir a assumir uma cadeira aqui na Câmara (caso Colbert se reeleja), o que permitirá que o distrito de Maria Quitéria tenha seu vereador”.
Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica [foto]. “Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.
Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.
Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.
Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.
“Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.
“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”
Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.
“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.
Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.
capa economia
ECONOMIA Crise na Venezuela: ‘Nunca pensei que passaria fome na velhice’ – o drama de viver com aposentadoria de R$ 7 O colapso econômico no país fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis. Víctor Salmerón – Especial para BBC News Mundo em Caracas 22 NOV 2020 15h50atualizado às 16h02 separator38COMENTÁRIOSseparator
Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica.
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“Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.
Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.
Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.
Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.
Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil “Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.
“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”
Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.
“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.
Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.
“Minha pressão subiu muito, caí no chão e fiquei gravemente doente”, lembra Norma.
Com o tempo, ela recuperou a fala e voltou a andar com a ajuda de uma bengala, mas não pôde voltar a trabalhar. O Estado concedeu-lhe uma aposentadoria por invalidez, que antecipou sua aposentadoria por velhice.
Naquela época, o que Norma recebia era equivalente a R$ 925 por mês, o que lhe permitia cobrir todas as suas necessidades básicas.
“Comprava comida, pagava o telefone, os remédios, e meu marido também trabalhava”, conta.
O ex-presidente Hugo Chávez havia promovido uma reforma da Constituição em 1999 que incluía a obrigação do Estado de pagar um salário mínimo que cobria as necessidades básicas das pessoas, e as aposentadorias seguiam essa mesma regra.
Em 2015, o marido de Norma morreu e a sua aposentadoria passou a ser sua única renda.
Colapso
Formalmente, o sistema previdenciário na Venezuela é uma modalidade em que os trabalhadores ativos contribuem com uma porcentagem de seu salário para pagar as pensões da população em idade de aposentadoria — da mesma forma que no Brasil.
Mas a contribuição hoje é muito pequena, porque muitos trabalhadores, principalmente os mais qualificados, deixaram o país. Além disso, os salários são baixos, o bolívar está desvalorizado e boa parte dos empregos está no setor informal da economia, que não contribui para o sistema.
Portanto, o custo das aposentadorias de 4,5 milhões de venezuelanos recai sobre o Estado. E as contas não batem.
A principal fonte de renda é o petróleo, de onde vem nove em cada dez dólares que entram no país. E a extração caiu drasticamente desde 2017. Essa é uma das causas do Estado estar empobrecido, sem recursos, ao que se soma à maior inflação do mundo
Nesse ambiente, há três anos, o Banco Central da Venezuela vem cortando continuamente a oferta de dólar, ao qual os venezuelanos recorrem para tentar poupar. Isso fez o preço da moeda norte-americana subir muito.
O colapso fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis.
Vivendo com quase nada
Depois da supervalorização do dólar, os bolívares que Norma recebe como aposentadora equivalem a R$ 7 por mês.
Ela também recebe um adicional para aposentadoria e títulos que o governo distribui para tentar amenizar a deterioração. Mas ao somar toda a sua renda, o que ela recebe não chega a R$ 27 por mês, o que dá para comprar um quilo de carne.
Entre suas prioridades, entretanto, não está a carne, mas os remédios que toma diariamente para regular a pressão arterial.
Ela consegue o remédio no sistema governamental de distribuição de medicamentos, mas nem sempre os remédios são entregues no prazo. Portanto, ela guarda dinheiro para essa eventualidade.
“Não consigo comprar uma caixa cheia, mas pelo menos compro meia caixa, que dá 20 comprimidos”.
Ela explica que os médicos alertaram para a importância de ela regular a pressão arterial para minimizar o risco de outro derrame.
“Graças a Deus, estou sem remédio há apenas alguns dias. Às vezes, meu filho faz um esforço e compra para mim. Quando não tomo, não consigo dormir, fico assustada”, conta Norma.
Para chegar à farmácia, ela caminha com sua bengala cerca de um quilômetro e meio até a estação de metrô mais próxima. Ao sair de casa, se depara com uma descida íngreme, na qual é fácil perder o equilíbrio.
Em seguida, ela atravessa calçadas com buracos e declives, ocupadas por vendedores ambulantes e sacos de lixo. Ao retornar, a descida se torna uma subida que a obriga a parar para descansar várias vezes.
No metrô, gratuito para idosos, ela percorre três estações. “Tenho que andar. Se ficar em casa, vou ficar na cama e não quero isso. Às vezes, meu pé dói, porque há um tempo caí e torci o tornozelo, está inchado, mas eu ando”, diz Norma.
Pouca comida
A alimentação de Norma depende exclusivamente das cestas básicas que o Estado distribui para as pessoas de baixa renda.
“A cesta chega a cada mês e meio. A última veio com dois quilos de arroz, dois pacotes de farinha para fazer arepas (um tipo de panqueca), dois quilos de macarrão, alguns pacotes de grão de bico e café. Desta vez, não veio açúcar”, explica Norma.
“Hoje vou comer um pãozinho de farinha no café da manhã, um café e um ovo que me deram. Ao meio-dia, grão-de-bico com um pouco de arroz e à noite de novo grão-de-bico. Faz muito tempo que não como carne, frango, leite. Nunca pensei que passaria fome na minha velhice e não estou sozinha, muitos no bairro são iguais”, acrescenta.
Seu filho não pode ajudá-la agora, diz. “Ele tem 25 anos, é casado e tem dois filhos. Até recentemente trabalhava em um restaurante, onde pagavam um salário mínimo, mas com a pandemia ele teve que sair. Para comer, está vendendo bolos com a esposa.”
Luzes fracas e água amarela
Norma tem uma velha máquina de lavar que ainda funciona, uma geladeira e uma televisão que serve de distração — relíquias da época em que ela podia comprar eletrodomésticos.
Seu medo é que as variações na voltagem da eletricidade e os cortes de energia, que se tornaram recorrentes no país, danifiquem os aparelhos. “Foi assim que meu micro-ondas quebrou, não liga. Agora está impossível comprar outro”, diz preocupada.
E não foi só o serviço de energia elétrica se deteriorou no bairro.
“Quase sempre fico sem água dois dias por semana. Felizmente, quando meu marido era vivo, comprou uma caixa d’água de plástico que tenho no banheiro. Mas a água está ficando muito suja, amarela, por isso tenho que ferver.”
Norma esquiva-se da questão política, evita falar sobre se apoiou ou não o ex-presidente Hugo Chávez em algum momento ou se votará nas eleições parlamentares marcadas para dezembro deste ano.
Ela está resignada, sem expectativas de uma mudança que amenize seu dia a dia. “Não espero mais nada de bom, tudo é sempre pior.”