
O deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) trajou um vestido e usou seios falsos para comemorar o Dia das Mães, no último domingo (12/05), em Candeias, na região metropolitana de Salvador, na Bahia. No vídeo que viralizou nas redes sociais, ele encarna um personagem que se chama de “Mamãe”.
Usa um vestido de renda branco, com detalhes em dourado, um lenço no cabelo, também dourado, e uma bolsa de estampa de onça. O vídeo foi gravado no Espaço Recreativo de Amparo às Mulheres Dona Lindalva. Lindalva é a ex-mulher do pastor. O salão faz parte do complexo da Fundação Doutor Jesus, da qual o deputado Pastor Sargento é dirigente e oferece tratamento para dependentes químicos há 30 anos. Ao final do vídeo, Isidório aparece rodeado de outros celebrantes falando em um megafone. O deputado diz: “Filhos de nascente, desçam para ver mamãe. Vamos!”. Todos gritam em coro “Nossa mamãe chegou! Nossa mamãe chegou!”. Houve distribuição de presentes para as mães, além de comes e bebes.
Manoel Isidório de Santana Junior, 61 anos, é pastor na Igreja Assembleia de Deus, que reúne 367 mil congregações e cerca de 57 milhões de integrantes em 190 países. Apoiador de Jair Bolsonaro (PL), ficou conhecido por chamar o então presidente de “doido” em 2019, dizendo ser conhecido como “doido” na Bahia: “E só um doido para conversar com outro doido”, disse. Na época, a gestão Bolsonaro havia apresentado legislação que flexibilizava o controle de armas no país.
Foi o deputado federal mais votado da Bahia em 2018, com 323 mil votos, e acredita que a pregação da bíblia é suficiente para “curar” homossexuais e dependentes químicos. É autor de um Projeto de Lei que cria o Dia do Hétero e que repousa em uma gaveta da Câmara. Em 2022, perdeu cerca de 246 mil apoiadores, sendo reeleito com apenas 77 mil votos.
Em setembro do ano passado, durante sessão da Comissão de Família da Câmara, disse que “homem tem binga e mulher tem cocota”. No mesmo discurso, chamou a deputada Erika Hilton (PSol-SP) de “meu amigo”. A deputada processou o deputado por conta da fala.
Isidório não tem nenhuma falta na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, da qual é titular, e nem faltas em plenário. Tem 26 propostas legislativas de sua autoria e relata, atualmente, três:
Fez nove discursos em plenário em 2024. Em 8 de maio último, apresentou o projeto de lei 1.699, que prevê a proibição de encenações de sexo em eventos públicos, em resposta ao show de Madonna, em 4 de maio. Segundo a justificativa do projeto, o texto visa proibir cenas de “sexo oral, sexo anal, masturbação ou qualquer outro ato libidinoso em quaisquer espaços públicos ou acessíveis ao público, com a presença ou não de crianças e adolescentes, sejam estes espaços físicos ou ambientes virtuais de acesso público”. Disse que o show teve “todo o tipo de cachorrada”.
Durante 2023, teve R$ 32 milhões em emendas parlamentares pagas, sendo que R$ 16 milhões delas vieram do Fundo Nacional da Saúde e foram gastas com serviços de apoio hospitalar do Estado da Bahia. Deste dinheiro, R$ 5 milhões foram para a prefeitura de Candeias, onde fica a sua fundação. A cidade tem 72 mil habitantes.
Neste ano, o valor reservado para o Pastor é de R$ 18,9 milhões, tudo também do Ministério da Saúde. O montante ainda não foi pago.
Informações Metrópoles

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)decretou nesta terça-feira, 14, a suspensão da venda de passagens com origem ou destino ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, por tempo indeterminado.
A medida ocorre dias depois de a capital do Rio Grande do Sul ser atingida pela maior enchente de sua história. Com os temporais, o único aeroporto da cidade foi fechado devido à inundação.
A suspensão inclui todas as formas de comercialização, inclusive por meio de agências de viagem e outros intermediários.
Segundo a Fraport, concessionária que administra o aeroporto, a avaliação completa dos danos só será possível depois do recuo das águas, que tomaram o 1° pavimento, a pista e o estacionamento. Todos os voos estão suspensos desde o dia 3 de maio.
Como plano de contingência, o governo federal anunciou uma malha aérea emergencial na última sexta-feira, 10.
A primeira fase do plano inclui 116 novos voos semanais, com 88 no Rio Grande do Sul e 28 em Santa Catarina, que abrange aeroportos regionais e o terminal de Florianópolis.
A Base Aérea de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, também recebe aeronaves com mantimentos e equipamentos, em uma operação que exige adaptações logísticas.
A previsão é que a base opere até cinco voos diários. Além disso, Chapecó, em Santa Catarina, tem se adaptado para receber aeronaves de maior porte.
A expansão da malha aérea já começou. No sábado 11, as companhias aéreas Gol, Latam e Azul implementaram novos voos para Passo Fundo, Santo Ângelo e Caxias do Sul.
Na segunda-feira 13, foram adicionadas viagens extras para Passo Fundo, Santo Ângelo, Santa Maria, Uruguaiana e Caxias do Sul.
A primeira fase da expansão inclui voos adicionais semanais para Canoas, Caxias do Sul, Florianópolis, Passo Fundo, Jaguaruna, Pelotas, Uruguaiana, Santo Ângelo e Santa Maria.
Em relação aos voos para Porto Alegre, a Anac afirmou que as companhias aéreas não podem cobrar taxas pela remarcação de voos para datas com diferença de até um ano da original.
“O reembolso ou crédito por cancelamento de voos com destino final alterado será total, sem cobrança de taxas”, destacou a empresa, em comunicado.
A prioridade é para remarcação de passageiros com voos de volta pendentes.
“As empresas aéreas devem se empenhar para, dentro do possível, transportar os passageiros para o aeroporto mais próximo do local de interesse deles”, acrescentou.
A empresa disse ainda que a opção de reembolso do valor da passagem deve ser oferecida ao passageiro pelas empresas também em dinheiro, e não apenas em crédito para utilização futura.
A Defesa Civil informou que, até esta terça-feira, mais de 2,1 milhões de pessoas em 446 municípios foram afetadas pelas enchentes.
Desse total, pelo menos 79,4 mil estão em abrigos e outras 538,2 mil na casa de amigos, parentes e conhecidos.
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Força Aérea Brasileira (FAB) declarou que a interdição do aeroporto de Porto Alegre está vigente oficialmente até 30 de maio, podendo ser estendida se solicitado pela concessionária, o que ainda não ocorreu.
Informações Revista Oeste
Vítima conta que foi violada durante anos, até completar 12 anos. Série do g1 conta a história de agredidas e aborda o problema do abuso sexual infantil no Brasil. Psicólogos e pediatras citam os principais comportamentos das crianças abusadas e como tentar ajudar.
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Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual?
Foi num momento de dor para a família inteira que Fernanda (nome fictício) se viu obrigada a expor para todos uma ferida particular que sentia desde a infância: a de que foi vítima de abuso sexual.
Essa revelação foi feita há 15 anos, no velório do irmão de Fernanda, morto por PMs. Parentes choravam e tentavam se consolar com abraços. Até que um homem se aproximou de Fernanda e fez menção de acolhê-la. Imediatamente vieram as memórias das violações, e ela o repeliu, gritando:
“Sai de perto de mim! Você abusou de mim, sai daqui!”.
Esse homem era um tio, irmão da mãe dela.
Esta é a 3ª reportagem da série Infância Despedaçada, que o g1 publica no Mês Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Veja aqui todos os capítulos do especial.
Fernanda tinha 24 anos na época. Pelo que se lembra, no último abuso feito por ele, ela estava com 12 anos. Mas todo esse tempo não fez a dor passar.
“Quando eu vi que era ele, comecei a gritar. Até ali, eu nunca tinha contado para ninguém, achava que era uma coisa muito vergonhosa”, afirmou ao g1.
O desabafo, porém, trouxe mais dor para Fernanda.
“Ninguém acreditou em mim. Minha mãe falava: ‘Você não vai fazer isso com seu tio não, você é a sobrinha que teu tio mais gosta’”, relembra.
“Meu tio, irmão da minha mãe, era muito agradável. Ele brincava muito, conquistava a gente na brincadeira. Ele costumava dizer que eu era a sobrinha preferida. Naquela época, a gente não tinha telefone, TV, nada, eu fazia dança, brincava como criança raiz na rua”, conta ela.
Ela lembra que a mãe nunca tinha explicado o que era sexo nem dado informações que a deixassem mais segura, como quem pode ter acesso ao corpo dela ou não. Esse conhecimento, Fernanda fez questão de passar para as 3 filhas.
“Meu tio brincava muito com a gente, até que ele começou a me levar para a casa dele. Ele passava a mão, alisava meu peito, tirava minha calcinha”, conta a vítima. Ela ainda lembra detalhes do que o tio fazia, mas confessa que a mente bloqueou parte das memórias mais dolorosas.
“Ele dizia: ‘Não conta para a sua mãe a nossa brincadeirinha’. Para mim, era normal”, relembra.
“Até que eu já tinha de 11 para 12 anos, e ele ainda abusando de mim. Foi aí que eu comecei a entender. Minha mãe falava para eu ir com ele, e eu não queria ir. Ele chegava, e eu me escondia.E minha mãe dizendo que ele gostava tanto de mim, e eu tendo aquele comportamento”, completa. /i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/L/j/3loU4tQbCcpS2QMDgaAQ/artes-abusos-final-vi-numeros-mob.jpg)
Foto: Arte g1
Quando ela contou, no velório, a mãe disse que não acreditava nela. Anos depois, quando uma das netas confrontou a avó pela falta de apoio a Fernanda, a avó disse que se sentia envergonhada por o irmão ter feito aquilo.
“No ano passado, conversando com a minha irmã, ela disse assim: ‘Ah, ele abusou de você, mas depois que ele parou de te abusar, ele abusou de mim’. Minha irmã é 3 anos mais nova do que eu. Ele se aproveitou por ser mais nova, por não ter instrução”, lamenta a vítima.
Na época, elas moravam em um complexo de comunidades do Rio de Janeiro.
“Eu tinha muita vergonha. Eu tinha uma raiva tão grande que a minha vontade era ir aos traficantes e contar tudo que ele fez. Mas, se eu fizesse isso, iam tirar a vida dele. Para que eu ia me envolver naquilo? Viver a vida com o peso da morte de alguém em mim?”, questiona a moça.
Ela acredita que não ficou inerte no trauma e presa somente a isso porque tinha muita vontade de sair da comunidade. Ela entendia que só seria possível através dos estudos e de muito trabalho.
Envolvia-se em projetos comunitários e religiosos, dançava, estudava e aos 14 já trabalhava para ajudar a mãe. Ela afirma que estudar foi a chave central para enfrentar seu trauma.
“As mães têm que perceber mais o comportamento dos filhos, quem está ali no entorno, e ter diálogo com as crianças sobre sexo. Assim, a criança vai saber que se alguém tocar nela, é com maldade, que tem que correr, contar para os adultos”, destaca a vítima.
O g1 procurou especialistas para mapear os principais sintomas que as crianças apresentam e no que ficar de olho no comportamento dos pequenos.
Para a psicóloga Nathália Freitas, do programa Empoderadas, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o principal é se a criança tem um desenvolvimento normal e, de repente, começa a regredir sem motivo aparente.
Uma doença na família poderia ser um fator para a regressão, por exemplo, mas, se não há nada externo que possa afetar a criança, é bom prestar mais atenção.
A professora titular do departamento de Pediatria da Uerj indica que as crianças e adolescentes podem apresentar distúrbios de humor sem motivo aparente e dificuldades na escola.
“Alterações no sono e no apetite e passar a ter comportamentos mais retraídos também são indícios”, explica Stella Regina Taquette.
Veja lista com outros sintomas:
A professora da Uerj Débora de Aguiar Lage explica que vergonha e medo acentuados também são comportamentos típicos das crianças que são vítimas de algum abuso.
Para a doutora Lage, desenhos que indiquem órgãos sexuais ou algum teor do tipo devem acender todos os alertas em pais e responsáveis.
Além dos sintomas físicos, alguns indícios comportamentais, como os que a Fernanda teve, devem ser levados em conta, como:
Os especialistas destacam que diálogo e conhecimento são os pontos chaves para proteger as crianças de uma forma mais eficaz.
“É muito fácil uma criança ter a percepção de quando é uma brincadeira ou não. Quando é brincadeira, todos acham legal. Então, quando existe um constrangimento, mesmo que seja num tom de alegria, de brincadeira, de confiança, é o momento de essa menina entender que tem algo de errado, de muito errado”, explica a especialista em segurança feminina Erica Paes.
Ela é idealizadora do Programa Empoderadas. No programa, mulheres vítimas de violência recebem instruções de desvencilhamento e fuga, além de defesa pessoal.
Crianças também são inscritas nas aulas e aprendem tanto algumas lutas, como educação sexual básica para se defender.
O diálogo precisa ser bem assertivo com os pequenos: é preciso ensinar o que pode e o que é totalmente proibido. Dar nomes claros aos órgãos sexuais também ajuda as crianças a não serem enganadas por possíveis abusadores.
A especialista Erica afirma que os agressores costumam ser queridos e brincalhões com as vítimas, além de fazerem parte do ciclo social.
“É preciso mostrar para essas crianças que elas podem confiar na professora, na diretora, confiar na escola, confiar em pessoas que estão ali fazendo parte da rede da educação para essa menina”, explica a superintendente de Equidade de Gênero do governo do RJ, Erica.
Criança se escondendo — Foto: Reprodução/Adobe Stock
Sem acolhimento, muitas vezes as vítimas duvidam se estão passando por aquilo mesmo ou se é algo da cabeça dela, segundo Paes.
“Eles são brincalhões, supersimpáticos. Eles são queridos pelo ambiente, a ponto de falarem ‘Não, não é possível que ele iria fazer isso’, caso aconteça algo fora do controle, justamente para deslegitimar a palavra da menina”, afirma Paes.
A pediatra Stella explica ainda que as crianças costumam ter dificuldade para verbalizar seus sentimentos – bons e ruins. Por conta disso, as famílias devem manter o diálogo sempre próximo dos pequenos e acompanhar o desenvolvimento deles.
“As famílias devem acompanhar o desenvolvimento de seus filhos dando proteção e autonomia na medida em que vão crescendo e adquirindo habilidades e competências para se cuidarem sem a ajuda dos pais. Falar sempre a verdade, responder aos questionamentos dos filhos e garantir a educação deles já é um grande passo”, indica a médica.
Informações G1

“A gente quer continuar discutindo, a gente não vai fugir deste debate, muito pelo contrário. A gente tem sido provocativo para este debate acontecer. A gente precisa de segurança jurídica”, diz Anna Beatriz Lima, diretora de relações governamentais da Shein, sobre a retomada do imposto de importação para compras até US$ 50 em sites como a própria Shein, além da Shopee e da AliExpress.
Ela critica, porém, que o fim da isenção esteja sendo tratado por meio de um “jabuti” — matéria estranha — incluído no projeto de lei (PL) que cria o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). De iniciativa do Poder Executivo, o texto trata de incentivos a veículos sustentáveis.
O relator do projeto, deputado Átila Lira (PP-PI), propôs revogar a possibilidade de importações via remessa postal que hoje estão isentas, sob a justificativa de “não gerar desequilíbrio com os produtos fabricados no Brasil, que pagam todos os impostos”.
“A gente tem, cada vez mais, reforçado esse nosso papel de diálogo com os agentes públicos. O que acontece é que agora isso foi colocado na forma de um ‘jabuti’ num texto que não guarda qualquer relação”, critica a diretora da Shein, afirmando que há uma tentativa de fazer a discussão “a toque de caixa”.
“A gente sabe que ‘jabutis’ normalmente não trazem soluções para problemas. Na verdade, eles são paliativos, são ‘tapa-buracos’ e da forma como vem acontecendo como você olha o problema como um todo. A ideia de ter uma solução de política pública que seja boa e equilibrada não acontece dentro de um jabuti”, completa Anna Beatriz.
A Shein considerou que a inclusão da tributação de pacotes internacionais no projeto de lei foi tomada “discretamente, sem a necessária profundidade de discussão”, o que afastou a capacidade de diálogo e a construção de uma solução equilibrada, com potencial de impacto, sobretudo, no poder de compra das classes mais pobres.
O universo de consumidores das plataformas internacionais no Brasil é de 50 milhões de pessoas (cerca de 25% da população brasileira), dos quais 90% são classe C, D e E. Anna Beatriz cita, como exemplo, a política voltada aos viajantes internacionais, que podem voltar do exterior com US$ 1.000 em compras mais US$ 500 do duty free isentas.
“Por que as classes menos privilegiadas também não podem gozar de uma espécie de renúncia como a que existe para esse grupo privilegiado?”, questiona a executiva da Shein.
Em meados do ano passado, o Ministério da Fazenda lançou o programa de conformidade Remessa Conforme, para colocar as empresas no radar, com análises de mercado e de impacto regulatório.
As empresas de comércio eletrônico que aderiram ao programa têm isenção do imposto de importação, de caráter federal, nas remessas de pequeno valor — aquelas até US$ 50 (cerca de R$ 256, na cotação de 14 de maio) — destinadas a pessoas físicas. Acima desse valor, é aplicado o imposto de 60%.
Sobre as compras de qualquer valor, segue incidindo a alíquota de 17% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual. Foi estudada uma retomada do imposto federal na faixa de 20%. Essa alíquota elevaria a carga tributária total a quase 50% (pois a ela é somado o ICMS e há a composição por dentro e por fora), o que faria do Brasil o maior país em termos de carga.
A Shein alega que todas as 10 maiores do mundo preveem algum grau de de minimis — termo utilizado no comércio internacional para definir o limite de compras online de plataformas estrangeiras abaixo do qual os impostos de importação não são aplicados —, pois veem isso como ferramenta de acesso das populações mais vulneráveis à economia internacional. No mundo, esse limiar de de minimis varia, sendo o menor US$ 10 e o maior, US$ 800. Nos países onde não há a isenção, a alíquota média é de 30%. Caso o imposto federal brasileiro retome à casa de 60%, no final, a carga ficaria em torno de 92%, dada a natureza do atual sistema tributário brasileiro.
Para Anna Beatriz, os mecanismos hoje existentes já são eficientes para controlar o mercado e a aplicação de uma tributação seria redundante. O Remessa Conforme, na visão dela, já coíbe a entrada em demasia de pacotes e as empresas estão recolhendo tributos da forma devida. É estimado que os governadores recebem atualmente mais de R$ 230 milhões por mês (R$ 2,8 bilhões por ano) em ICMS nessas compras.
Em janeiro deste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) protocolaram uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a isenção do imposto de importação para bens de pequeno valor destinados a pessoas físicas no Brasil.
As entidades alegam que a isenção em vigor é inconstitucional por violar princípios como o da isonomia, da livre concorrência e do desenvolvimento nacional e dizem que hoje o comércio eletrônico tem dimensões que precisam ser consideradas.
Os órgãos técnicos que se manifestaram até o momento no âmbito dessa ação, como Advocacia-Geral da União (AGU) e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), emitiram pareceres no sentido de que o local do debate não é o Supremo.
Está em tramitação na Câmara o PL 2339/2022, que estabelece as regras a serem observadas pelas pessoas físicas ou jurídicas na venda dessas mercadorias estrangeiras no e-commerce. Ainda assim, a competência exclusiva de definição da alíquota do imposto de importação, qualquer que seja ela, é do Executivo federal.
Pelo Remessa Conforme, a Receita Federal vem monitorando as plataformas e hoje tem acesso a 100% dos dados do e-commerce. “A gente acredita que o governo federal vai fazer o que é melhor para o consumidor”, diz a executiva da Shein, citando solução “justa e equilibrada”, que considere que o pagador final desse tributo é uma população mais carente.
De acordo com o último relatório da Receita sobre volumes e movimentações do Remessa Conforme, aproximadamente R$ 1,075 bilhão entram no Brasil por mês. Em 2024, esse mercado pode representar R$ 16 bilhões, com base na projeção de dados do Fisco. Já o varejo nacional é um mercado de R$ 600 bilhões. “A nossa participação é ínfima, a gente está falando de 2%, aproximadamente. Não tem esse tamanho que se fala”, defende a representante da Shein
Ela explica ainda que os pacotes que chegam ao país têm, em média, US$ 17 (cerca de R$ 85). Do total de pacotes, 97% hoje estão abaixo de US$ 50.
A Shein é uma varejista global online fundada em 2012 pelo empresário chinês Chris Xu. A empresa hoje está presente em mais de 150 países, com centros de operação-chaves em Singapura, na China e nos Estados Unidos.
Com escritórios em outros 16 países, a empresa conta com três centros de produção: China, Brasil e Turquia. O primeiro escritório permanente no Brasil foi instalado em abril de 2023, na região da Faria Lima, em São Paulo. O marketplace local da Shein já representa 55% das vendas da empresa no país.
Informações Metrópoles

O Flamengo encara o Bolívar (Bolívia), a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (15) no estádio do Maracanã, pela 5ª rodada do Grupo E da Copa Libertadores da América. Este é um confronto decisivo, pois o time boliviano lidera a chave com 10 pontos, enquanto o Rubro-Negro soma apenas quatro pontos. A Rádio Nacional transmite a partida ao vivo.
Para o jogo desta quarta o técnico Tite deve contar com um importante retorno, do meia uruguaio Arrascaeta, porém o volante Erick Pulgar e o atacante Bruno Henrique estão fora por causa de problemas no tornozelo esquerdo. Já o artilheiro Pedro, que sentiu um incômodo muscular na vitória de 2 a 0 sobre o Corinthians, está confirmado.
Assim, a equipe da Gávea deve entrar em campo com: Rossi; Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Allan, De la Cruz e Lorran; Gerson, Everton Cebolinha e Pedro.
Jogando em casa, no último sábado (11), a equipe vem de atuação convincente e boa vitória sobre o Timão pelo Campeonato Brasileiro. Segundo o atacante Everton Cebolinha, o Rubro-Negro precisa repetir a intensidade e a concentração apresentadas diante da equipe paulista.
“Tratamos esse jogo como uma final. Depois de nossa última vitória, disse que esse é um jogo que temos que pensar em ganhar ou ganhar. Não há outra hipótese. Vamos bem preparados e tenho certeza de que vamos chegar lá e fazer outro excelente jogo”, afirmou o jogador.
Jogando no Estádio Jornalista Mário Filho, o Flamengo apresenta ótimo retrospecto na Copa Libertadores. São 14 vitórias consecutivas e uma invencibilidade de 25 jogos. A última vez na qual o Rubro-Negro perdeu no Maracanã pela competição continental foi em 2019, para o Peñarol (Uruguai), quando ainda era treinado por Abel Braga.
Além do Bolívar, a chave do Flamengo conta ainda com o Palestino (Chile) e o Millonarios (Colômbia). Apenas duas equipes avançam às oitavas de final da competição continental.
Informações Bahia.ba

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), está enfrentando críticas nas redes sociais após afirmar que o “reerguimento do comércio” do estado pode ser prejudicado pelas doações feitas pelos brasileiros para ajudar a população gaúcha afetada pelas enchentes, que já resultaram em 149 mortes.
Em entrevista à Rádio Band News FM, Leite mencionou a necessidade de estruturar ferramentas e canais para que as pessoas interessadas em fazer doações também possam apoiar o comércio local, que foi impactado. Ele expressou preocupação com o grande volume de doações físicas chegando ao estado e como isso pode afetar a recuperação do setor comercial, considerando que muitos desses itens vêm de outras regiões do país.
No X (antigo Twitter), o nome de Eduardo Leite foi mencionado em mais de 60 mil posts, tornando-se um dos tópicos mais discutidos na categoria de Política na rede social nesta quarta-feira.
A declaração do governador gerou debates sobre prioridades e a importância de equilibrar o apoio às vítimas com o impacto econômico local.
Informações TBN

Durante a votação na Câmara nesta quarta-feira (14), dois deputados se posicionaram contra a suspensão da dívida do Rio Grande do Sul. Stélio Dener (Republicanos-RR) e Eros Biondini (PL-MG) divergiram dos 404 votos a favor do texto-base.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Bruno Spada/ Câmara dos Deputadas
A medida, anunciada pelo Palácio do Planalto na segunda-feira (13), visa atenuar os impactos das fortes chuvas e enchentes na região. Centenas de municípios foram devastados, resultando em mais de 140 mortes.
A proposta do governo não se restringe ao Rio Grande do Sul. De acordo com o texto, a União poderá adiar o pagamento de dívidas de um estado, desde que o Congresso Nacional, após iniciativa do Executivo, reconheça a situação de calamidade pública em determinada unidade federativa.
Perfil dos Deputados:
Informações TBN

A partir de amanhã, quarta-feira (15), a tarifa básica das Praças de Pedágio passará de R$ 6,309 para R$ 6,963 (sem arredondamento), valor aplicado todos os dias da semana para automóveis. A resolução Agerba nº 22/2024, será publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), que autoriza o reajuste da Tarifa Básica de Pedágio (TBP) do contrato de Concessão das Rodovias integrantes do Sistema a serem cobradas nos PP-01 – BA 093, PP-02 – BA 093, PP-03 – BA 524, PP-04 – BA 535, PP-05 – BA 526, PP-06 – BA 535 – Concessionária Bahia Norte (CBN)
Calculado a partir da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e dos incrementos e descontos resultantes de um estudo de reequilíbrio econômico-financeiro, o percentual aprovado foi de 10,527%. O reajuste contratual, é anual e tem como data base o mês de abril. Os novos valores a serem aplicados em outras categorias de veículos, a partir de cálculo proporcional, podem ser conferidos na tabela a seguir.
O trecho administrado pela Concessionária Bahia Norte é composto por sete rodovias, corresponde as estradas do Cia/Aeroporto, Via Parafuso, Via Metropolitana Camaçari-Lauro de Freitas e o trecho de Simões Filho até a entrada de Camaçari, que somam 132 km de extensão. A CBN é responsável por administrar e manter a boa trafegabilidade das estradas concedidas, além de oferecer serviços de segurança, resgate, guincho, ambulância, entre outros.
Informações Bahia.ba

São Paulo – A defesa do ex-jogador Robson de Souza, o Robinho, condenado a 9 anos de prisão por estupro coletivo cometido contra uma mulher na Itália, em 2013, pediu nessa segunda-feira (13/5) para alterar a pena cumprida pelo ex-jogador, ídolo do Santos.
Os advogados de Robinho querem que a Justiça considere o crime como “comum” e não como “hediondo”. Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária 2, em Tremembé, no interior de São Paulo.
O objetivo é diminuir a porcentagem do tempo a ser cumprido pelo ex-jogador em regime fechado e facilitar a progressão para o semiaberto. Como ele foi condenado por estupro e é réu primário, será necessário que ele cumpra ao menos 40% da pena para obter a progressão.
Com o recurso da defesa, o cumprimento de pena em regime fechado mudaria para 20%. Na prática, ao invés de cumprir 3 anos e 7 meses de regime fechado antes de progredir, Robinho poderia cumprir 1 ano e 8 meses no regime mais severo.
Segundo a defesa do ex-atleta, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou a sentença italiana, mas que, no cálculo de pena, “o citado delito foi capitulado como ‘hediondo’, todavia o crime ao qual o executado está cumprindo pena não se configura como hediondo no Brasil”.
O advogado do ex-jogador sustenta que a homologação da sentença italiana não é suficiente para conferir a hediondez do crime: “A mera homologação da sentença italiana pelo STJ não é suficiente para conferir ao crime a hediondez, pois tal classificação depende da expressa previsão legal”, explicou Mário Rossi Vale no documento.
O ex-jogador foi detido na madrugada do último dia 22/3, após ter sua condenação por estupro coletivo na Justiça italiana homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Antes de ser introduzido ao convívio com os demais detentos, ele passou 10 dias em uma cela de 8 m², como é praxe na chegada de novos presos.
Agora, Robinho divide cela com um outro detento em Tremembé. Seu colega seria um rapaz de 22 anos, natural de Taubaté, que estaria preso sob a suspeita de crime previsto no artigo 122 do Código Penal, que fala sobre “induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação”.
A prisão do ex-atleta ocorreu um dia após a Corte Especial do STJ validar a pena imposta a ele pela Justiça italiana.
A defesa de Robinho havia entrado com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a prisão imediata do ex-jogador, mas o ministro Luiz Fux negou o pedido.
Com a negativa, a Justiça Federal de Santos expediu o mandado de prisão do ex-atleta.
O crime pelo qual Robinho acabou condenado foi cometido em 2013, em uma boate de Milão, quando o brasileiro defendia o Milan. A vítima é uma mulher albanesa. O ex-jogador sempre alegou inocência, dizendo que teve uma rápida relação consensual com a jovem.
Informações Metrópoles

O presidente Javier Milei enfrenta uma semana de desafios, mas também recebe boas notícias. Além de elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação na Argentina desacelerou pelo quarto mês consecutivo.
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta terça-feira (14) revelam que a inflação mensal de abril ficou em 8,8%. Essa é a primeira vez desde outubro passado que o índice atinge um dígito, cumprindo uma das promessas de Milei.
O presidente ultraliberal assumiu o cargo em um momento de alta inflação: em dezembro passado, o índice mensal chegou a 25,5%. Desde então, houve uma trajetória de queda, com taxas de 20,6% (janeiro), 13,2% (fevereiro) e 11% (março). A meta de alcançar um dígito era amplamente divulgada pelo governo.
No primeiro quadrimestre deste ano, a variação de preços acumulou 65%. Nos últimos 12 meses, a inflação subiu para 289,4% (em abril, estava em preocupantes 287,9%). Os maiores aumentos no último mês ocorreram nas contas básicas de casa, como água e luz, com 35,6%.
O anúncio da inflação em abril coincidiu com o FMI declarando que as negociações da dívida argentina estão progredindo bem. Com base nos resultados melhores do que o esperado, o organismo internacional deve aprovar a liberação de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões) em junho.
Apesar dos elogios aos dados macroeconômicos, o governo de Milei herdou uma Argentina empobrecida e exausta após décadas de crises econômicas. Os últimos números oficiais indicam que 41,7% da população estava abaixo da linha da pobreza no segundo semestre do ano passado.
Projeções mais recentes apontam que esse número já ultrapassou 60%, evidenciando os desafios sociais enfrentados pelo país.
Informações TBN