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Em entrevista exclusiva e reveladora, o médico nefrologista e professor universitário Antônio César de Oliveira, conhecido como César Oliveira, doutor em Medicina e Saúde, e articulista do jornal Tribuna Feirense, compartilha reflexões sobre sua trajetória pessoal e profissional, sua vivência em Feira de Santana e as influências que o motivaram a escrever o livro O Homem das Unhas de Sal.

O lançamento da obra acontece às 19h desta quarta-feira (30/10/2024), no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, em Feira de Santana. Publicado pela Editora InVerso, o livro reúne memórias pessoais do autor e aborda a universalidade dos laços humanos, destacando a importância das experiências familiares e afetivas ao longo da vida.

Na entrevista conduzida por Carlos Augusto, jornalista e cientista social, diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB), César Oliveira explora temas como a afetividade humana, a valorização da família e as raízes identitárias que moldam o ser humano e ser agir sobre o mundo. O diálogo oferece ao leitor lições sobre a importância dos vínculos afetivos e das conexões familiares como elementos centrais da experiência humana.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia — O que o motivou a transformar suas memórias familiares em crônicas literárias?

César Oliveira — Primeiro porque relatar é permanecer e deixar aos seus um retrato de como construímos nossa história para que eles possam compartilhar da mesma emoção, valorizar o feito e ter referências. Em segundo, porque escrever é uma forma de olhar a si próprio e encontrar respostas.

Jornal Grande Bahia — Como foi o processo de reunir seus textos em uma narrativa coesa que resultou no livro?

César Oliveira — Neste livro a busca tornou-se mais direcionada porque  o tomei como ponto de partida de tudo que já escrevi. Então, nossa experiência primordial e definidora é a experiência da família e suas relações. Definido isso, ficou fácil reunir textos referentes aos meus pais e filhos.

JGB — Em que momento você percebeu que suas experiências pessoais poderiam ressoar de forma tão universal?

César Oliveira — Sempre digo que a vivência e a história de cada um são absolutamente individuais, mas as emoções que cada um vive nesse processo familiar são absolutamente coletivas, pois esse é nosso núcleo central, ao redor do qual a maioria ergue suas representações. Eu sou único na forma como sinto, mas sou todos no sentir.

JGB — O livro aborda a relação entre pais e filhos de maneira profunda. Como sua própria experiência como pai influenciou na construção dessa narrativa?

César Oliveira — Nós somos uma trajetória de espelho, de referências, por mais que tentemos nos distanciar dessa filiação. Ao escrever como filho vejo meus pais e seus gestos; ao escrever como pai vejo os gestos deles que lego aos filhos. A sabedoria é evitar aquilo que consideramos inadequado pelo tempo e aprofundarmos aquilo que se tornou valores essenciais do homem que tentamos ser.

JGB — A obra apresenta memórias de sua infância na roça e os laços familiares. Como você equilibrou o pessoal e o universal na narrativa para que outros leitores possam se identificar?

César Oliveira — Em verdade, todos nós tivemos uma infância, dificuldades, ficamos órfãos,  alegrias e aflições. Isso é o mesmo ainda que o leitor esteja na selva, na roça, na casinha de sapê, no cimento urbano. Variam as formas, mas esse conjunto de percepções são universais.

César Oliveira — Sempre digo que a vivência e a história de cada um são absolutamente individuais, mas as emoções que cada um vive nesse processo familiar são absolutamente coletivas, pois esse é nosso núcleo central, ao redor do qual a maioria ergue suas representações. Eu sou único na forma como sinto, mas sou todos no sentir.

JGB — O livro aborda a relação entre pais e filhos de maneira profunda. Como sua própria experiência como pai influenciou na construção dessa narrativa?

César Oliveira — Nós somos uma trajetória de espelho, de referências, por mais que tentemos nos distanciar dessa filiação. Ao escrever como filho vejo meus pais e seus gestos; ao escrever como pai vejo os gestos deles que lego aos filhos. A sabedoria é evitar aquilo que consideramos inadequado pelo tempo e aprofundarmos aquilo que se tornou valores essenciais do homem que tentamos ser.

JGB — A obra apresenta memórias de sua infância na roça e os laços familiares. Como você equilibrou o pessoal e o universal na narrativa para que outros leitores possam se identificar?

César Oliveira — Em verdade, todos nós tivemos uma infância, dificuldades, ficamos órfãos,  alegrias e aflições. Isso é o mesmo ainda que o leitor esteja na selva, na roça, na casinha de sapê, no cimento urbano. Variam as formas, mas esse conjunto de percepções são universais.

JGB — De que maneira você utilizou o humor, presente nas crônicas, para tratar de temas tão sensíveis como as relações familiares?

César Oliveira — O humor sempre é uma forma otimista e sensata de enfrentar o que dói ou incomoda. Ele, às vezes, está presente, mas em outros momentos o lírico predomina. Em alguns textos ele é belo e dolorido, mas esse é o conjunto que nos faz ser o que somos.

JGB — Sendo médico nefrologista e professor universitário, como você conciliou sua carreira com a escrita literária?

César Oliveira — Sempre conciliei estas duas atividades, que de certo modo se alimentam uma da outra,  embora só agora esteja começando a reunir o que fazia de forma esparsa, para dar um sentido de conjunto ao que já escrevi.

JGB — Como a prática da medicina e o contato com diferentes histórias de vida influenciaram seu olhar como escritor?

César Oliveira — A prática médica oferece um potencial imenso de histórias, porque convivemos com a fragilidade do humano e suas emoções expostas, sem freios, com a naturalidade que ela exige e isso rende uma profunda compreensão do humano. De forma real e direta. Então isso tudo acaba ajudando a construir o modo de ver o mundo ao meu redor.

JGB — Quais são suas expectativas em relação ao lançamento do livro em Feira de Santana? Como você enxerga o impacto dessa obra em sua cidade natal?

César Oliveira — Eu estou bastante otimista e os amigos, como você, tem ajudado na divulgação do livro. Evidente que sabemos as dificuldades atuais de leitura impressa,  mas produzir um movimento que leve alguém a ler sempre é muito positivo. Espero que Feira abrace a história que também é dela.

JGB — A Editora InVerso tem uma proposta de estreitar laços entre autor, leitor e editora. Como tem sido sua experiência com a editora nesse processo de publicação e lançamento?

César Oliveira — A editora foi extremamente ágil, dinâmica, respondendo de forma muito correta ao que eu desejava. Fizemos o pré-lançamento na Bienal , em São Paulo, e agora estamos começando o trabalho em Feira

JGB — Em um mundo tão acelerado, qual a importância de resgatar e refletir sobre as memórias familiares?

César Oliveira — Nós somos coletivos, nós somos grupo, nós somos herdeiros do bando. A família tem um papel central no que nos tornamos, nas nossas referências. Ser família de alguém não é algo banal ou simples. Ao contrário, é um trabalho enorme com um profundo impacto no seu destino. O que fazemos ao valorizar a família é sinalizar que aquilo que ela é ecoa por muito tempo em nós.

JGB — Você mencionou que escreve para “lutar com os moinhos de vento”. Pode nos contar mais sobre o significado dessa expressão para você?

César Oliveira — Nós todos, cidadãos e homens, somos cercados permanentemente por “ moinhos de vento”. Os reais – a sociedade e seus costumes, a liberdade, as necessidades básicas de sobrevivência- e os imaginários- aquilo que nos consome. Nossos medos, paixões, pulsões, culpas, enfim aquilo que se não for enfrentado acaba por dobrar nossos joelhos. Escrever é minha forma de ficar centrado no que preciso ser.

JGB — Podemos esperar novas produções literárias no futuro? Há planos para continuar escrevendo ou até explorar outros gêneros?

Sim, já estou trabalhando em um livro de crônicas gerais, sem esse registro familiar de ponto de partida, e selecionado frases curtas das milhares que já fiz, para outro livro.

JGB — Feira de Santana tem um papel importante em sua vida e na sua obra. Como a cidade e suas memórias locais influenciaram sua escrita?

César Oliveira — Sou feirense da feira-livre antiga, dos currais de gado, do Café São Paulo, às segundas-feiras e tudo mais que se tornou uma Feira perdida na memória. Por outro lado, sou da Feira moderna, que serviu de lugar de criação aos meus filhos. Então a antiga e a nova estão sempre presentes comigo.

JGB — Em que medida você acredita que a cultura e os valores do interior baiano estão refletidos em sua obra?

César Oliveira — Quando escrevo a história que vivi, não deixo de fazer um retrato psicológico dos comportamentos que representavam meu tempo, de fazer um retrato social do modo de vida que tive em minha trajetória. Parto do chão, do chão mais batido da roça, até chegar à vida de hoje. E essa cultura e valores acaba sendo uma narrativa que fica nas entrelinhas do texto para ser olhado.

Perfil biográfico

Antônio César de Oliveira, conhecido como César Oliveira, é médico nefrologista e professor universitário com extensa carreira na área de Medicina e Educação Médica. Graduado em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública em 1985, possui Residência Médica em Nefrologia e é doutor em Medicina e Saúde Humana pela mesma instituição (2009). Atua como professor de Nefrologia no Curso de Medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e é nefrologista no Instituto de Urologia e Nefrologia (IUNE). Além disso, é Coordenador da Residência de Clínica Médica da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, no Hospital Geral Clériston Andrade. Com experiência em hipertensão arterial, síndrome metabólica, risco cardiovascular e disfunção endotelial, Oliveira também se destaca em Educação Médica, especialmente no uso de Metodologias Ativas. Entre 2005 e 2010, coordenou o Curso de Medicina da UEFS. Diretor geral e articulista do jornal Tribuna Feirense, mantém uma presença ativa na área de comunicação e reflexão sobre temas médicos e sociais.

Fonte: Jornal Grande Bahia


Assessor especial de Lula confirma que país foi contra adesão de Caracas ao Brics, mas chama reação de Maduro de ‘desproporcional’

Celso Amorim falou sobre Venezuela nesta terça-feira, 29 | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Celso Amorim falou sobre Venezuela nesta terça-feira, 29 | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, disse nesta terça-feira, 29, que o governo vive um “mal-estar” com o regime da Venezuela. A declaração foi dada durante a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados

Segundo Amorim, esse foi o motivo pelo qual o país discordou da adesão da Venezuela ao bloco do Brics. No entanto, ele evitou chamar a decisão de “veto”.

“Há um mal-estar hoje”, disse o assessor de Lula. “Torço para que desapareça, mas vai depender de algumas ações.”

Amorim rebateu as críticas do ditador Nicolás Maduro, que acusou o Brasil de traição depois de prometer não impedir a entrada do país vizinho no bloco.

Maduro disse que, ao se despedir, ainda ouviu uma negativa do chanceler Mauro Vieira. Segundo o ditador, o assessor quase “desmaiou” ao encontrá-lo de relance nos corredores da cúpula.

Para Amorim, a reação do ditador venezuelano foi “totalmente desproporcional”.

“A reação que tem havido à entrada da Venezuela no Brics é uma reação totalmente desproporcional, cheia de acusações ao presidente Lula e à chancelaria”, afirmou o ex-chanceler.

Para Caracas, o veto brasileiro “constitui uma agressão e um gesto hostil que se soma à política criminosa de sanções que foram impostas contra o povo valente e revolucionário da Venezuela”.

Parlamentarem cobraram Amorim por “chacota” de Venezuela

Os parlamentares cobraram Amorim pelo que chamaram de “chacota” de Nicolás Maduro. Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que o ministro Mauro Vieira foi “humilhado” por Maduro na TV venezuelana.

Amorim afirmou que, entre Mauro Vieira e Maduro, sempre vai dizer que o ministro brasileiro tem razão, mas que “formalmente não houve veto”, porque não ocorreu uma votação em Kazan. 

“As decisões são tomadas por consenso, e o Brasil achou que neste momento a Veneuzela não contribui para o melhor funcionamento do Brics”, disse Amorim. Ele destacou que a decisão é momentânea.

O assessor de Lula afirmou que o Brasil não concordou com a expansão desenfreada do Brics e disse que os países convidados devem ser representativos nas suas regiões econômica e politicamente.

“A Venezuela de hoje não preenche essas condições”, afirmou. “Não foi um veto. Porque existe esse mal-estar, que espero que possa se resolver à medida que as coisas se normalizem, os direitos humanos sejam respeitados, as eleições sejam realizadas, as atas apareçam. Não foi ideológico sequer.”

Informações Revista Oeste


Não há informação sobre feridos; fumaça suspendeu linhas do transporte coletivo nas proximidades

Um incêndio de grandes proporções atinge um shopping de compras na Rua Barão de Ladário, na região do Brás, centro comercial da cidade de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 30. Até o momento da publicação desta matéria, não havia informações sobre feridos.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 17 viaturas foram encaminhadas para prestar atendimento no local. A ocorrência foi registrada por volta das 6h45. Além do fogo, há muita fumaça na região.

No último domingo, 27, um prédio comercial também foi atingido por um incêndio de grandes proporções no bairro do Brás.

A São Paulo Transporte (SPTrans) informa que sete linhas de ônibus estão sendo desviadas desde as 6h30 desta quarta-feira em razão de interferência na Rua Barão de Ladário com a Rua Oriente

Linhas afetadas:

  • 174M/10 Vl. Sabrina – Museu do Ipiranga;
  • 2105/10 Jd. Filhos da Terra – Lgo. da Concórdia;
  • 2123/10 Vl. Medeiros – Liberdade;
  • 2127/10 Pq. Edu Chaves – Liberdade;
  • 2161/10 Pq. Edu Chaves – Pça. do Correio;
  • 271F/10 Center Norte – Metrô Belém;
  • 272N/10 Pq. Novo Mundo – Pq. D. Pedro II.

Redação Oestecom informações da Agência Estado


Convocação do Brasil será na próxima sexta-feira (1º)

Foto:Vitor Silva/CBF

Neymar só voltará a vestir a camisa da Seleção Brasileira em 2025. De acordo com o site ge.globo, a decisão foi tomada em consenso entre o jogador e a comissão técnica do Brasil, capitaneada pelo treinador Dorival Júnior. A próxima convocação do time Canarinho para a data Fifa de novembro será na sexta-feira (1º) para as partidas contra Venezuela e Uruguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) monitorou todo o processo de recuperação de Neymar da lesão no joelho. Há cerca de um ano, o jogador foi submetido a uma cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo realizada por Rodrigo Lasmar, chefe do departamento médico da entidade. Apesar do camisa 10 já estar totalmente recuperado, ficou definido que ele entrará em forma jogando apenas pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, onde atua.

Neymar voltou a jogar uma partida oficial no último dia 21, na vitória do Al Hilal sobre o Al Ain por 5 a 4, pela Liga dos Campeões da Ásia. Ele jogou cerca de 27 minutos após ter entrado em campo aos 32 do segundo tempo. Já a Seleção Brasileira, conseguiu aliviar a pressão com as vitórias sobre Chile e Peru pelas eliminatórias e subiu para o quarto lugar na tabela com 16 pontos, cinco a mais do que os venezuelanos, que estão fora da zona de classificação para o próximo Mundial. A programação de recuperação física prevê que o atacante fique apto para jogar todas as competições a partir de janeiro. Ele retornaria ao time Canarinho na data Fifa de março justamente contra os líderes Argentina e Colômbia.

O Brasil volta a jogar no próximo dia 14, uma quinta, às 17h no horário de Brasília, contra a Venezuela, no Monumental de Maturín, pela 11ª rodada. Cinco dias depois, uma terça, às 21h45, o time Canarinho faz o clássico com o Uruguai, na Arena Fonte Nova, pela 12ª jornada.

Informações Bahia.ba


O azeite extravirgem – suco de azeitona – é a única gordura vegetal extraída de uma fruta por inteiro e é um dos alimentos mais falsificados do mundo. Rico em nutrientes, ele pode ser usado em todas as refeições.

Azeite: por que ele faz tão bem para a saúde e quando você pode usar alternativas mais baratas? — Foto: Adobe Stock

Azeite: por que ele faz tão bem para a saúde e quando você pode usar alternativas mais baratas? — Foto: Adobe Stock 

Gordura pode ser saudável? Sim! E o azeite – de verdade – é uma prova disso. 🫒 Livre de aditivos químicos, o produto é o suco de uma fruta (a azeitona) e 100% natural. Para produzir um litro de azeite, são necessários dez quilos de azeitona e, por ter um processo de fabricação complexo e trabalhoso, ele não é barato. Mas uma garrafa pode ser usada em muitas refeições. Isso se for consumido principalmente na finalização de pratos. 🥗 

Especialistas defendem que o azeite é versátil, podendo ser consumido até no café da manhã e no lanche da tarde. 

O azeite extravirgem é a única gordura vegetal extraída de uma fruta por inteiro – somente a polpa e caroço, num processo exclusivamente mecânico. Extremamente rico em nutrientes, ele é um alimento funcional e a base de gordura da dieta mediterrânea, que é referência como uma das mais saudáveis do mundo. 

Mas quando o azeite é usado no preparo de alimentos a mais de 180°C, o tipo extravirgem pode perder algumas propriedades nutricionais. Para frituras e refogados, é comum a recomendação do uso de azeite comum ou outros óleos, como de coco, gergelim e abacate. 

O óleo misto ou composto acaba sendo usado por muitas famílias por questões financeiras, por ser mais barato. Mas ele costuma ter apenas 10% de azeite e é extremamente inferior ao azeite em termos nutricionais. 

O azeite é um dos dez alimentos mais fraudados do mundo. No dia 22 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma nova lista com 12 marcas de azeite de oliva que tiveram lotes reprovados para o consumo (veja quais). Seis marcas tiveram todos os seus lotes desclassificados. As análises do Ministério revelaram a presença de outros óleos vegetais misturados aos azeites, comprometendo a qualidade e a segurança dos produtos. 

Diferente do vinho, quanto mais recente for a garrafa, mais qualidade terá o produto e mais caro ele tende a ser. 

“Azeite não se guarda. Não se faz adega de azeite. Temos que ter no máximo duas garrafas em casa: uma para cozinhar, outra para finalizar. E uma vez aberta, temos que usá-las em 30 dias no máximo, para que não se oxide. Os inimigos do azeite são a luz, o oxigênio, o calor. Ele não vai estragar, mas vai oxidar, perder valor nutricional e mudar suas características sensoriais para características oxidadas e rançosas”, explica o azeitólogo Marcelo Scofano. 

Abaixo, nesta reportagem você vai saber: 

  1. Quais cuidados devem ser tomados ao escolher o azeite
  2. Dicas de como armazenar o azeite 
  3. Como o azeite deve ser usado e as alterativas mais baratas 
  4. Por que o azeite é bom para a saúde e por que outros óleos podem fazer mal? 
  5. Por que o azeite está tão caro? 

⚠️ Cuidados ao escolher o azeite

O azeite é um dos dez alimentos mais fraudados do mundo e a fraude se dá por mistura de outros óleos, inclusive impróprios para o uso culinário. Para fugir das fraudes, atente-se para as dicas: 

  • Desconfie de produtos com valor muito abaixo do mercado;
  • Desconfie dos que têm origem em diferentes locais;
  • Dê preferência aos que são produzidos e envasados no mesmo lugar (o tempo entre a colheita e o envase deve ser o menor possível, para garantir o frescor)
  • Dê preferência aos que têm data de envase mais próxima a data da compra, para que o produto tenha atributos sensoriais e nutricionais preservados;
  • Aroma: o azeite extravirgem de qualidade tem um aroma semelhante ao de frutas frescas, ervas recém-cortadas ou flores do campo. Não pode conter aroma avinagrado. Se o azeite tiver um cheiro estranho, de mofo ou parecido com óleo de cozinha, pode ser falsificado;
  • Acidez: o azeite extravirgem deve ter no máximo 0,8% de acidez, o que é informado no rótulo
  • Provar: um azeite de oliva de qualidade tem sabor suave, com notas herbáceas ou frutadas, além de amargor e picância; 
  • Buscar marcas confiáveis e garantir produtos certificados, com selos de qualidade de órgãos governamentais e de associações*
  • Dar preferência para o tipo extravirgem (de qualidade superior) 
  • Dar preferência aos com embalagens escuras e com boas tampas para vedação 
  • O azeite de oliva extravirgem verdadeiro solidifica no congelador e fica com a cor de manteiga. Se o azeite não congelar e ficar pastoso e embranquecido, pode ser falsificado. Mas especialistas não recomendam congelar o azeite para não precisar aquecê-lo quando for usar;
  • Atente-se a data de validade 

*A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza uma ferramenta de pesquisa onde o consumidor pode consultar se um determinado produto está irregular ou se é falsificado. Ao entrar no site, é preciso inserir no campo “Produto” o nome da marca do azeite. 

“Ao comprar um azeite, o consumidor não deve considerar o valor da compra e sim que aquele produto não acaba de imediato – como outros produtos que são consumidos em um par de horas. O azeite é um alimento rico não somente em aromas e sabores, mas também em compostos nutricionais que fazem bem a nossa saúde”, afirma a azeitóloga Ana Belotto. 

“A gente vai desconfiar se o azeite tem uma embalagem plástica, que não protege dos raios ultravioletas. Todas as vezes que há investigação, percebe se que há muita fraude e às vezes não é nem um produto falsificado. Às vezes é um produto que se diz extravirgem, mas na verdade é um azeite misto”, acrescenta o azeitólogo Marcelo Scofano. 

O extravirgem é extremamente caro para ser produzido e mantido com as características originais até o consumidor final. Os cuidados vão desde o pomar, no manejo da árvore, na colheita até a gôndola. 

Quanto maior o tempo entre a colheita e a extração do azeite, maior tende a ser a acidez do produto. Assim como o índice de peróxido, fruto da oxidação do azeite. A partir do momento que a fruta sai do pé, ela começa a oxidar e gerar peróxidos. 

O índice de peróxidos é tão importante quanto o índice de acidez. No azeite extravirgem, o índice de peróxido tem que ser menor que 20 e a acidez precisa ser menor ou igual a 0,8. 

“A gente tem uma série de cuidados, como também a temperatura ao extrair o azeite, o tempo entre a colheita e a extração, a maneira de envasar o produto e o transporte até o local da venda. Qualquer erro nessa cadeia vai transformar o teu azeite extravirgem num azeite virgem. Além da análise química, precisamos fazer uma análise sensorial para saber realmente se é um azeite extravirgem. Quando ele tem um aspecto de pastoso, indica que tem óleo refinado e houve mistura, passou por um processo industrial, o que indica uma fraude”, explica o azeitólogo Ricardo Abdala. 

Dica de como armazenar 

O azeite possui três inimigos: luz, oxigênio e calor. Por isso, as embalagens devem ser escuras e com boas tampas para vedação. Recomenda-se: armazenar o produto em local escuro e longe de fontes de calor, como fogão e churrasqueira, e da luz solar. 

Como o azeite deve ser usado e as alterativas mais baratas 

azeite extravirgem deve ser usado preferencialmente sem aquecer, para que a pessoa possa se beneficiar das suas propriedades nutricionais, segundo nutricionistas. Mas especialistas também afirmam que se ele for aquecido até 180°C, os nutrientes são preservados. 

azeite comum é mais indicado para refogar e preparar alimentos, pois na sua obtenção de refino já é utilizado o calor. Sendo assim, ele não possui as mesmas características nutricionais do azeite extravirgem, mas confere sabor e aroma às preparações. 

“Eu aconselho sempre ter dois azeites em casa: um com o perfil mais suave e um com perfil mais intenso de sabores e aromas. Porque azeites mais delicados harmonizam e combinar com receitas e pratos que levem menos condimento, que sejam também mais suaves e delicados. E azeites mais intensos pedem receitas com mais especiarias, com mais sabor. Em uma pizza meia marguerita e meia pepperoni, por exemplo, a pepperoni pede um mais intenso. E a margherita pede azeites mais delicados e suaves”, aconselha a azeitóloga Ana Belotto. 

Ana acrescenta ainda que, além de saladas, massas e pizza, o azeite pode ser usado também em sorvetes, mousse de chocolate e no café da manhã com a granola, a salada de fruta e substituindo a manteiga em pães e torradas, por exemplo. 

Para quem não puder investir sempre na aquisição do azeite, por questões financeiras, há opções saudáveis, como os óleos de gergelim, coco, abacate ou algodão. Estes óleos também são mais resistentes ao calor, sendo opções mais saudáveis para frituras. 

“Se o foco é reduzir custo, os óleos de coco, gergelim e abacate são menos prejudiciais à saúde em relação a óleos como o de soja e canola. Seriam alternativas mais baratas em relação ao azeite”, orienta a nutricionista Ramielle Calmon. 

O óleo misto ou composto costuma ter apenas 10% de azeite e é uma mistura de diferentes óleos vegetais, como milho, soja e girassol(normalmente o de soja por ser mais barato). Por isso, ele é extremamente inferior ao azeite de oliva em termos nutricionais. O óleo misto é derivado de um processo industrial, enquanto o azeite é 100% natural. Seu uso não é recomendado na finalização de pratos, mas ele pode ser mais resistente ao aquecimento (com ponto de fumaça mais alto). 

Uma dica para usar o azeite no revogado é não deixá-lo esquentar a ponto de sair fumaça. Quando chega neste ponto, indica que a temperatura passou dos 180°C e iniciou o processo de queima. Nesse momento, começa a haver diminuição dos compostos fenólicos , que têm propriedades antioxidantes. 

“Quando falamos de ponto de fumaça, este termo se relaciona à temperatura e tempo máximo que o óleo ou azeite pode ser aquecido antes de começar a se decompor. Na decomposição térmica, ocorre a liberação de acroleína e outros compostos nocivos à saúde. A acroleína é uma substância que dá ao óleo um sabor defumado e amargo e é irritante da mucosa gástrica”, explica Luana Limoeiro, doutora em Ciência e Tecnologia dos Alimentos pela UFRRJ e diretora do Conselho Regional de Nutrição 4ª Região (CRN-4). 

A temperatura da fritura fica entre 180 e 220°C. Confira o ponto de fumaça dos principais óleos da alimentação: 

  • Azeite de oliva virgem: 200ºC
  • Azeite de oliva extravirgem: 180ºC
  • Óleo de abacate: 271ºC
  • Óleo vegetal refinado: 242ºC
  • Óleo de soja: 232ºC
  • Óleo de cártamo: 232ºC
  • Óleo de girassol: 232ºC
  • Óleo de amendoim: 232ºC
  • Óleo de milho: 226ºC
  • Óleo de canola: 204ºC
  • Óleo de semente de uva: 204ºC
  • Óleo de coco extravirgem: 176ºC
  • Óleo de gergelim: 176ºC
  • Óleo de nozes: 160ºC
  • Óleo de linhaça: 107ºC

👍⚠️ Por que o azeite é bom para a saúde e por que outros óleos podem fazer mal? 

O azeite extravirgem contém: 

  • Ácido graxo monoinsaturado (não há nenhuma outra fonte tão rica em ácido graxo monoinsaturado como o azeite na natureza)
  • Ácido oleico ?
  • Vitamina A
  • Vitamina E
  • Vitamina K 
  • Polifenóis, que são antioxidantes naturais
  • Gorduras poli-insaturadas, como o ômega 3, 6 e 9

✅ O consumo do azeite extravirgem traz benefícios para a saúde, como: 

  • Sua gordura boa é cardioprotetora e ajuda no controle do colesterol: o azeite ajuda a baixar o colesterol “ruim” (LDL) e a aumentar o colesterol “bom” (HDL);
  • Prevenção de doenças crônicas: as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias do azeite podem reduzir o risco de doenças como o câncer e diminuir os níveis de glicose no sangue;
  • Alívio de sintomas inflamatórios: o azeite pode ajudar a aliviar sintomas de doenças como artrite e osteoartrite;
  • Prevenção de doenças cerebrais: o azeite pode ajudar a prevenir doenças cerebrais e degenerativas como o Alzheimer, mal de Parkinson e demência senil
  • É bom para o sistema gastrointestinal

“O tipo extravirgem é obtido através da prensagem à frio apenas uma vez, sem altas temperaturas ou solventes químicos, preservando o teor doa ácidos graxos monoinsaturados. Assim, a recomendação é o seu consumo frio, sem aquecer, por cima das preparações, como salada ou legumes”, destaca Limoeiro. 

O ômega 6 é um ácido graxo poli-insaturado, que desempenha um papel importante no crescimento e desenvolvimento normais, na função cerebral e cardíaca. No entanto, seu consumo excessivo pode ser prejudicial à saúde, porque tende a estimular a produção de cortisol, hormônio relacionado ao enfraquecimento do sistema imunológico, ao diabetes, elevação do colesterol ruim e redução do bom. E a principal fonte alimentar de ômega 6 é o óleo de cozinha, como o de canola, milho, soja ou girassol. 

🚫 O consumo excessivo de ômega 6 pode causar problemas de saúde, como: 

  • Aumento de processos inflamatórios, que podem se manifestar como hipertensão, dor nas articulações e doenças inflamatórias intestinais 
  • Elevação do LDL (colesterol ruim) 
  • Alteração do sistema imunológico 
  • Doenças cardíacas 

A dieta ocidental é rica em ultraprocessados, o que faz com que a maioria das pessoas ultrapasse a recomendação de ingestão de ômega 6. A OMSrecomenda que a proporção de ômega 6 em relação ao ômega 3 não ultrapasse 5:1, mas na dieta ocidental é de 20:1, destaca Limoeiro. 

“Para evitar problemas de saúde, recomenda-se consumir mais frutas, verduras, legumes e peixes e evitar produtos processados e consumo exagerado desses tipos de óleos nas preparações, como fritura, por exemplo”, diz a nutricionista.

Informações G1


Julgamento está previsto para começar às 9h desta quarta-feira (30) e deve durar, pelo menos, 2 dias. MP pretende pedir a pena de 84 anos para a dupla.

Após seis anos e meio da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, os assassinos confessos serão julgados a partir desta quarta-feira (30). 

Entenda abaixo tudo sobre o júri dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

  • Como será o júri?
  • A que crimes respondem os dois?
  • Qual a pena pedida pelo MP?
  • Em que o acordo de delação beneficia os réus?
  • Por que há um julgamento no STF e outro no TJ do Rio?
  • Relembre a execução de Marielle e Anderson
  • A prisão de Élcio Queiroz e Ronnie Lessa
  • O que diz a acusação?
  • Quem é Ronnie Lessa?
  • Quem é Élcio Queiroz?
  • O que os dois disseram em delação?
  • Expectativa de familiares

O julgamento está previsto para começar às 9h no 4º Tribunal do Júri do Rio, no Centro do Rio. 

Estão agendados dois dias (quarta e quinta) para que sejam ouvidas nove testemunhas. Sete delas foram indicadas pelo Ministério Público (MPRJ) – incluindo Fernanda Chaves, assessora de Marielle e sobrevivente do atentado – e duas pela defesa de Lessa. 

A defesa de Élcio Queiroz desistiu de ouvir as testemunhas que tinha solicitado. 

Lessa e Queiroz também serão ouvidos, por videoconferência, dos presídios onde estão: respectivamente na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, e no Centro de Inclusão e Reabilitação, em Brasília. 

Segundo o TJ, algumas testemunhas também podem participar de forma virtual. 

O júri do caso (Conselho de Sentença) será formado por 21 pessoas comuns, das quais sete serão sorteadas na hora. Durante o julgamento, todas ficarão isoladas. Depois, dormirão nas dependências do Tribunal de Justiça do RJ. Eles é que vão dizer se Lessa e Élcio são culpados ou inocentes pelo crime. 

Após essa decisão, a juíza Lúcia Glioche começa a definir o tamanho da pena. Ela determina o número de anos inicial e depois começa a considerar os agravantes (se houve motivo torpe e sem direito a defesa, por exemplo) e os atenuantes (a delação de ambos, por exemplo). 

Assim, se definirá a pena dos réus. 

A que crimes respondem os dois?

  • duplo homicídio triplamente qualificado(motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima) 
  • tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle. 
  • receptação do Cobalt prata, clonado, que foi usado no crime

Qual a pena pedida pelo MP?

O Ministério Público vai pedir ao Conselho de Sentença a pena máxima. De acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/FTMA), os réus podem pegar até 84 anos de prisão para cada um. 

Em que o acordo de delação beneficia os réus?

No cenário de hoje, porém, mesmo se condenados à pena máxima e permanecer valendo o acordo de delação premiada, Élcio Queiroz ficará preso, no máximo, por 12 anos em regime fechado e Lessa, por 18 anos em regime fechado. 

Isso excluindo o tempo que os dois já estão presos: 5 anos e 7 meses. 

Ambos ganharam também o benefício de deixar os presídios federais de segurança máxima – já foram transferidos para penitenciárias estaduais. 

Lessa conseguiu ainda ter de volta a casa da família na Zona Oeste do Rio que estavam entre os bens bloqueados pela Justiça. 

O acordo de cada réu, no entanto, pode ser anulado caso fique comprovada alguma mentira na delação premiada e que não leve à elucidação de casos. 

Por que há um julgamento no STF e outro no TJ-RJ?

O processo contra Lessa e Queiroz corre no TJ do Rio, estado onde ocorreram os crimes. O inquérito que gerou a ação foi aberto logo após o crime. 

Quando a Polícia Federal abriu o inquérito para investigar a morte de Marielle, o processo, inicialmente, foi aberto no Tribunal de Justiça, mas quando Lessa cita, em delação, os nomes dos supostos mandantes – os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão –, a investigação passou para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas logo depois, o ministro Raul Araújo questionou o Supremo Tribunal Federal (STF) quem teria competência para atuar no caso. O STF informou que a competência seria dele porque Chiquinho é deputado federal e tem foro na corte superior. 

Relembre a execução de Marielle e Anderson

Trajeto dos assassinos de Marielle Franco — Foto: Editoria de arte/g1

Trajeto dos assassinos de Marielle Franco — Foto: Editoria de arte/g1 

Em 14 de maro de 2018, a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi morta a tiros dentro de um carro na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, por volta das 21h30. 

Além da vereadora, que levou quatro tiros na cabeça, o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu. 

Fernanda Chaves estava no banco de trás e foi atingida por estilhaços. 

Os bandidos – Lessa e Queiroz – estavam em Cobalt prata e seguiram Marielle desde a Casa das Pretas, na Lapa, onde ela participara de um evento em uma distância de cerca de 4 quilômetros. A dupla emparelhou ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararou, fugindo sem levar nada. 

Marielle foi atingida por quatro tiros, sendo três na cabeça e um no pescoço, enquanto, Anderson levou três tiros nas costas. Fernanda Chaves sobreviveu, sendo atingida apenas por estilhaços. 

A prisão de Élcio Queiroz e Ronnie Lessa

PM reformado e ex-PM são presos no Rio suspeitos de matar Marielle Franco e Anderson Gomes 

A dupla foi presa dois dias antes de o crime completar 1 ano, em 12 de março de 2019. 

Policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público participaram da força-tarefa que levou à Operação Lume. 

Os dois estavam saindo de suas casas quando foram presos. Eles não resistiram à prisão e nada disseram aos policiais. 

Ronnie estava em sua casa no condomínio Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, Barra da Tijuca – o mesmo onde o ex-presidente Jair Bolsonaro tem residência. Élcio morava na Rua Eulina Ribeiro, no Engenho de Dentro. 

O ex-PM Ronnie Lessa é o autor dos 13 disparos que atingiram o carro onde estavam Marielle, Anderson e Fernanda Chaves; ele estava no banco de trás do Cobalt que perseguiu o carro da vereadora. 

Ex-PM Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o Cobalt na noite do crime. 

Ronnie Lessa é um ex-policial militar com atuação no 9º Batalhão (Rocha Miranda). Como PM, destacou-se por seu envolvimento em operações de repressão ao tráfico de drogas e foi conhecido por ser um bom atirador. No início dos anos 2000, Lessa foi cedido à Polícia Civil onde atuou na equipe da extinta Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae). 

Lessa foi afastado da Polícia Militar em 2009, após sofrer um atentado a bomba que lhe causou sérias lesões nas pernas – o que levantou hipóteses sobre disputas internas ou represálias dentro do mundo do crime organizado. 

Segundo a polícia, Lessa se envolveu com atividades ilegais, como extorsão, e com milícias que atuam na Zona Oeste do Rio. 

Mais tarde, segundo a Polícia Federal, foi integrante de um grupo de matadores – fato que ele sempre negou. O único homicídio que Lessa admite ter cometido por dinheiro foi a execução de Marielle Franco. 

Lessa ainda responde a outro processo por homicídio: o assassinato do ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, em junho de 2014, na Gardênia Azul, na Zona Oeste da cidade. 

Élcio Vieira de Queiroz também é um ex-policial militar do Rio, expulso da corporação em 2015 devido ao envolvimento com atividades ilegais, como segurança clandestina em uma casa de jogos. 

Também tinha histórico de participação em milícias e havia sido alvo da Operação Guilhotina, que investigava corrupção e desvio de armas dentro das forças de segurança do estado. 

Sua trajetória na PM incluiu ainda envolvimentos esporádicos em serviços de segurança e uma longa ligação com Ronnie Lessa, seu parceiro no crime que viria a executar Marielle Franco e Anderson Gomes​. 

O que os dois disseram em delação?

Veja alguns pontos ditos por Lessa em delação: 

  • Motivação do crime: Marielle foi morta por ser considerada uma “pedra no caminho” de interessados em consolidar loteamentos irregulares na Zona Oeste do Rio. 
  • Infiltração: O miliciano Laerte Lima, infiltrado no PSOL, informou sobre a oposição de Marielle aos loteamentos, o que levou ao planejamento do crime.
  • Mandantes: Lessa apontou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do assassinato, com o primeiro passando as instruções diretamente aos executores.
  • Recompensa: Em troca da execução, Lessa e outros envolvidos receberiam terrenos em loteamentos, que poderiam ser vendidos para lucar até R$ 25 milhões.
  • Monitoramento: Lessa e seus comparsas monitoraram Marielle por três meses, enfrentando dificuldades para executar o crime devido ao policiamento e à localização dos locais frequentados por ela.
  • Execução: Marielle foi seguida até um bar na Praça da Bandeira antes de ser assassinada em outra área. A execução não ocorreu próximo à Câmara dos Vereadores por instrução do delegado Rivaldo Barbosa.
  • Dificuldades logísticas: O local de residência e os ambientes frequentados por Marielle dificultaram a execução, forçando os criminosos a modificar o plano várias vezes.
  • Pós-crime: Após a execução, Lessa foi a um restaurante assistir a um jogo do Flamengo, tentando manter uma rotina que não levantasse suspeitas.

Pontos ditos por Élcio em delação: 

Um dos réus do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes confessa o crime pela primeira vez 

  • Autor dos disparos: Ronnie Lessa, policial reformado, foi o responsável por atirar.
  • Papel de Élcio: Ele dirigia o carro que seguiu Marielle na noite do crime.
  • Arma utilizada: A arma teria sido desviada do Bope após um incêndio.
  • Intermediário: Edmílson Oliveira da Silva, o Macalé, teria passado a missão a Lessa.
  • Suel: o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, fez campanas para vigiar a vereadora e participaria da emboscada, mas acabou trocado por ele.
  • Placa do carro: Lessa adulterou a placa do veículo usado.
  • O trajeto: após matar Marielle, o Cobalt prata seguiu para Rocha Miranda, onde ficou estacionado
  • Destruição: No dia seguinte ao crime, Lessa, Élcio e Suel foram buscar o carro e deixaram com Edilson Barbosa dos Santos, o Orelha que desmontou o veículo.

Expectativa de familiares

A mãe da Marielle Franco, a advogada Marinete Silva, falou nesta terça-feira, no Encontro Com Patrícia Poeta, sobre a expectativa pelo julgamento dos ex-policiais militares. 

“Não normalizem isso no nosso país, de uma defensora que ficou 10 anos na Comissão de Direitos Humanos ser abatida da maneira que foi a minha filha e o Anderson […] Que eles sejam condenados sim, que sirvam de exemplo para o nosso país e para o Rio de Janeiro que tem sofrido bastante em relação à segurança pública”, disse.

Irmã e Marielle e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco disse que o julgamento será uma espécie de batalha para os familiares. 

“Pessoas contando os detalhes de como foi articular e assassinar uma mulher que tinha sido eleita ali democraticamente. Acho que nunca na nossa cabeça vai caber o entendimento do real motivo de como as pessoas podem ser tão cruéis e frias. São muitos dias de lutas e eu acho que a gente também não vai acabar por aqui ainda”. 

Informações G1


A nova pesquisa mostrou que Trump tem vantagens significativas sobre Harris em várias das questões que os eleitores consideram mais urgentes. Em relação à economia, desemprego e empregos, por exemplo, os eleitores na pesquisa escolheram Trump por 47% a 37%.

Os candidatos à presidência dos EUA Kamala Harris e Donald Trump. — Foto: Nathan Howard, Jeenah Moon/ Reuters

Os candidatos à presidência dos EUA Kamala Harris e Donald Trump. — Foto: Nathan Howard, Jeenah Moon/ Reuters 

A liderança de Kamala Harris sobre Donald Trumpdiminuiu na reta final da disputa presidencial dos EUA, com a democrata à frente por apenas um ponto percentual sobre o republicano, 44% a 43%, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada nesta terça-feira (29). 

Embora Harris tenha liderado Trump em todas as pesquisas Reuters/Ipsos de eleitores registrados desde que entrou na disputa em julho, sua liderança tem diminuído constantemente desde o final de setembro. 

A nova pesquisa, que entrevistou 1.150 adultos norte-americanos em todo o país – 975 eleitores registrados – mostrou que Trump tem vantagens significativas sobre Harris em várias das questões que os eleitores consideram mais urgentes. 

Questionados sobre qual dos dois candidatos tinha uma abordagem melhor para a economia, desemprego e empregos, os eleitores na pesquisa escolheram Trump por 47% a 37%, por exemplo. 

A pesquisa também mostrou que a vantagem de Harris na questão do extremismo político está diminuindo. Cerca de 40% dos eleitores na pesquisa disseram que ela tinha uma abordagem melhor para lidar com o extremismo político e ameaças à democracia, em comparação com 38% que escolheram Trump. A liderança de dois pontos de Harris na questão em comparação com sua liderança de sete pontos sobre Trump no extremismo na pesquisa de 16 a 21 de outubro. 

Empatados na reta final da eleição dos Estados Unidos, Donald Trump e Kamala Harris abocanharam dois eleitorados tradicionais dos partidos rivais, segundo revelou uma análise das pesquisas feitas pela agência de notícias Reuters e do Instituto Ipsos divulgada na sexta-feira (25). 

A análise mostrou que Trump cresceu entre o eleitorado de homens latino-americanos, que sempre votaram em maioria nos democratas, enquanto Kamala ganhou mais votos entre mulheres brancas, parcela que sempre votou mais no Partido Republicano. 

Em ambos os casos, os candidatos seguem atrás de seus rivais nesses eleitorados, mas por uma diferença significativamente menor que a das eleições passadas. 

Entre os homens latinos, o ex-presidente Trump agora está atrás de Kamala por apenas dois pontos percentuais — 44% a 46%. Em 2020, quando concorreu contra Joe Biden, o republicano ficou 19 pontos percentuais atrás do rival nesse eleitorado específico. 

Já Kamala Harris, por outro lado, compensou comaumento de votos entre as mulheres brancas. Segundo a análise das pesquisas, ela fica abaixo de Trump nesse eleitorado por uma diferença de três pontos percentuais — 43% a 46%. Já na disputa de 2020, essa margem foi de 12 pontos percentuais

As mulheres brancas representavam cerca de quatro em cada 10 eleitores em 2020, o dobro da parcela combinada de eleitores negros e latino-americanos

A conclusão foi feita a partir de uma análise de 15.000 respostas às pesquisas Reuters/Ipsos conduzidas até 21 de outubro e durante o mesmo período de 2020. 

Robert Alomia, um eleitor latino-americano que vive na cidade de Elizabeth, em Nova Jersey disse a Reuters que planeja votar em Trump. 

“Precisamos de pessoas que pensem rápido e que estejam dispostas a liderar — ele é um líder”, disse Alomia, de 42 anos e que trabalha em uma empresa de segurança. Ele afirmou também ser simpático às visões linha-dura de Trump sobre imigração. “Basicamente a porta está aberta para essas pessoas.” 

Os eleitores latino-americanos, o segmento de crescimento mais rápido do eleitorado dos EUA, inclinaram-se fortemente para os democratas na maioria das eleições presidenciais desde a década de 1970, mas Trump fez avanços significativos.

Ao longo da gestão de Joe Biden, Donald Trump acusou o atual presidente de deixar a fronteira sul dos EUA aberta para imigrantes. Já Kamala Harris, atual vice de Biden, culpa Trump por pressionar os republicanos no Congresso a rejeitar o projeto de lei bipartidário que foi negociado este ano entre as duas siglas e que reforçaria os controles de fronteira. 

Já a moradora de St. Charles, no Illinois, Donna Berg, uma mulher branca, Illinois, contou que votou em Trump em 2016 e novamente “relutantemente” em 2020, mas abandonou Trump decisivamente após o ataque ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. Ela votará em Kamala este ano. 

“Depois de 6 de janeiro, tudo acabou”, disse Berg, para quem o Partido Republicano se desviou para o extremismo sob a liderança de Trump. 

Entre os eleitores latino-americanos em geral, Kamala tem 51% dos votos, um pouco abaixo dos 54% que votaram em Biden, segundo a análise. Já Trump aparece com 37% dos votos entre esse eleitorado, contra os 30% que conquistou nas eleições passadas. 

Os números estão sujeitos a erro de amostragem e têm níveis de precisão entre 2 e 6 pontos percentuais. 

Mudança entre homens e negros 

Kamala Harris muda estratégia e passa a usar o termo “fascista” para se referir a Donlad Trump 

O republicano também está a caminho de reduzir a diferença para os democratas entre o eleitorado negro. Cerca de 18% dos homens negros disseram que votariam em Trump em pesquisas recentes da Reuters/Ipsos, contra 14% desse eleitorado nas eleições passadas. Entre as mulheres negras, esse percentual foi de 8%, contra 4% no pleito de 2020. 

Pesquisas de boca de urna após a eleição de 2020 mostraram que cerca de 8% dos eleitores negros em geral escolheram Trump em 2020, enquanto a pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostra que esse percepentual cresceu para 12%.

A estrategista de campanha republicana Kristin Davison disse à Reuters que Trump está cortejando os eleitores negros e tentando convencê-los de que o Partido Democrata é muito radical em questões sociais

“É isso que Trump conseguiu fazer com os homens negros e com os latino-americanos nos últimos quatro anos, não apenas nas questões da economia e do trabalho duro, mas com o país e a família”, disse Davison. 

A história de tensão racial e injustiça dos Estados Unidos paira nas mentes dos apoiadores e detratores de Trump. Trump perguntou aos eleitores negros durante sua campanha presidencial de 2016: “O que diabos você tem a perder?”

“Muitas pessoas podem jogar a carta da raça. Podem dizer que ele é racista, podem dizer que está usando os negros. Podem dizer muitas coisas. Mas para mim, pessoalmente, sinto que ele provou que quer ver todo mundo vencer”, disse Kedrick Benford, um eleitor negro em Houston que não votou em 2020, mas disse que acha que votará em Trump desta vez. 

Benford, 30, um varejista autônomo, disse que considerava Trump mais experiente do que Kamala. 

Embora as cotas de apoio dos dois candidatos entre homens brancos permaneçam praticamente inalteradas, o aumento de Kamala entre mulheres brancas significa que Trump está liderando por apenas nove pontos com eleitores brancos em geral, em comparação a quando ele liderava Biden por 14 pontos com eles em 2020. 

A estrategista de campanha Kristin Davison disse ainda que muitas mulheres se voltaram para Harris em parte porque os democratas efetivamente as concentraram no aborto após a decisão da Suprema Corte dos EUA de 2022, encerrando o direito nacional à interrupção voluntária da gravidez. 

As mulheres também estão avaliando “o forte contraste em liderança e caráter entre o vice-presidente e Trump, o que está influenciando suas escolhas”, afirmou a estrategista democrata Meghan Hays, ex-assessora sênior de comunicações do presidente Biden. 

“A vice-presidente deve ampliar sua liderança entre as eleitoras para compensar a vantagem de Trump com homens negros e latinos”, acrescentou Hays. “Esta eleição será vencida pela menor das margens.”

Informações G1


Envolvidos em esquema criminoso usavam sistema da instituição para adulterar dados e desviar recursos

banco do brasil
Edifício sede do Banco do Brasil, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesta terça-feira, 29, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação para desarticular um grupo que teria fraudado clientes do Banco do Brasil, causando prejuízos de R$ 40 milhões. 

Autoridades informaram que foram emitidos seis mandados de busca e apreensão contra funcionários e terceirizados do banco, com ações no Rio de Janeiro e em Mato Grosso.

As investigações apontam que funcionários e terceirizados acessavam o sistema do banco, adulteravam dados de clientes e desviavam recursos. Um gerente do Banco do Brasil está entre os suspeitos. 

A instituição afirmou que as investigações começaram a partir de apuração interna, “que detectou irregularidades, as quais foram comunicadas às autoridades policiais”, e que está colaborando com a investigação das autoridades “com repasse de informações e subsídios”.

Funcionários do Banco do Brasil estão envolvidos em fraude, diz PCRJ

O Banco do Brasil informou que a investigação começou a partir de uma apuração interna | Foto: Reprodução/Agência Brasil
Quadrilha contava com colaboração de um gerente no Mato Grosso e funcionários terceirizados | Foto: Reprodução/Agência Brasil

Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), a quadrilha contava com a colaboração de um gerente no Mato Grosso, além de funcionários da área de tecnologia da informação e terceirizados. Esses colaboradores facilitavam a inserção de scripts maliciosos nos sistemas.

Com esse acesso, os envolvidos realizavam transações bancárias fraudulentas em nome dos clientes, cadastravam equipamentos, alteravam dados cadastrais e modificavam dados biométricos

O delegado Jeferson Ferreira do Nascimento, da DRF, informou que as denúncias começaram no ano passado. 

“Essa organização atua em organizações financeiras e nós estamos atuando contra o núcleo operacional”, disse Nascimento. “Vamos agora em busca do núcleo superior desse grupo criminoso e também dos beneficiários desses recursos desviados de forma fraudulenta.”

O Banco do Brasil afirmou que tem colaborado ativamente com as investigações desde a descoberta das irregularidades, fornecendo informações que possam auxiliar na resolução do caso.

Informações Revista Oeste


O ex-presidente da República Michel Temer, 84 anos, afirmou em entrevista  que o governo Lula 3 não tem projeto para o país e que passou um sinal negativo ao mudar as metas do próprio arcabouço fiscal que criou no ano passado.

Mandatário entre setembro de 2016 e dezembro de 2018, Temer instituiu em sua gestão o chamado teto de gastos (que corrigia o gasto do ano corrente pela inflação do anterior) e aprovou a reforma trabalhista, além de ter iniciado as discussões da previdenciária, finalmente aprovada em 2019, no governo Jair Bolsonaro (PL).

“A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população”, diz Temer.

O ex-presidente acredita que a fase de radicalização política no Brasil está ficando para trás e que o desempenho positivo de seu partido, o MDB, no último pleito seria prova disso. Temer participou nesta terça-feira (29) do Lide Brazil Conference, em Londres, promovido pela Folha, UOL e Lide.

Muitos qualificam seu governo como reformista e tendo sido capaz de estabilizar minimamente a economia com o teto de gastos. Hoje, temos juros e dólar em alta, com a inflação pressionada. Como avalia o quadro?

Assim que eu cheguei no governo, percebi que a economia não se resolve num passe de mágica. Você não reduz os juros nem a inflação com uma única medida. É preciso uma série delas. Por isso, optamos pelas reformas, começando pelo teto de gastos.

Há o fundamento de que ninguém pode gastar mais do que aquilo que arrecada. Isso já começou a dar uma credibilidade extraordinária, porque o problema da economia está muito na segurança, naquilo que as pessoas alardeiam como sendo segurança jurídica, que nada mais é do que o cumprimento rigoroso do sistema normativo.

E disso decorre também a segurança, a credibilidade social, que permite investimentos. No nosso período, fizemos isso. Especialmente eu relembro a reforma trabalhista, o teto de gastos, o encaminhamento da [reforma da] Previdência, a Lei das Estatais, que recuperou a Petrobras e outras empresas.

Isso deu credibilidade. E, para isso, é preciso uma relação muito próspera entre o Executivo e o Legislativo. Porque, diferentemente do que todos pensam, o presidente manda pouco. Ele só manda se tiver apoio do Legislativo. E disputas entre Executivo e Legislativo prejudicam a credibilidade.

Você precisa ter muita unidade no governo, que é uma coisa fundamental. Você não pode ter disputa entre ministérios como, vez ou outra, eu verifico.

O atual governo criou o chamado arcabouço fiscal e já fez modificações, alterando metas para 2025 e sinalizando que o superávit de 1% do PIB será alcançado só em 2028. Como vê o cenário fiscal neste governo?

Em primeiro lugar, quero dizer o seguinte: a ideia do teto não feneceu. O que era o teto no meu governo? Era aplicar a inflação do ano anterior no novo orçamento. O que é o teto hoje? É a inflação do ano anterior, mais 0,5% a 2,5% [de crescimento real]. Se numericamente isso vai dar certo ou não, eu não saberia dizer. Mas ainda existe a figura do teto.

Agora, é preciso que haja aplicação rigorosa desse teto. Se houver titubeio, mesmo com esse teto modificado, teremos instabilidade. Mudar a meta não é útil.

Uma certa estabilidade legislativa também é importante. Porque também a credibilidade fiscal, econômica e social deriva da não existência permanente de modificações legais. Você acabou de dizer uma coisa que preocupa, essa modificação [no arcabouço].

O governo Lula 3 está terminando o seu segundo ano. Como o sr. o avalia até aqui?


Não vejo ideia de reformas pela frente. Temos a reformatação administrativa, mas está demorando. Eu não pude realizá-la porque eu tive pouco tempo de governo. Embora tivesse feito uma reforma administrativa silenciosa, quando eliminei muitos cargos de comissão, ao reduzirmos as agências do Banco do Brasil com programas de demissão voluntária.

Eu não vejo, digamos assim, um projeto, uma meta do governo. Por que que eu tive uma meta? Porque, em um dado momento [2015], na Fundação Ulysses Guimarães, nós resolvemos realizar um documento, que foi chamado “Uma Ponte para o Futuro”. Quando eu cheguei ao governo, eu tinha um projeto.

Essas coisas todas que falamos das reformas fundamentais, que resultaram na queda da inflação e da taxa Selic, estavam programadas. Com aquele projeto, fomos fazendo as coisas e isso deu credibilidade. Agora, acho que falta o anúncio de um projeto maior.

Como o Juscelino Kubitschek [presidente de 1956 a 1961], que tinha um plano de metas. As pessoas sabiam para onde o governo estava indo. A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população.

O sr. não teria nada para citar como projeto deste governo?


Por enquanto, não. Não saberia dizer. Evidentemente que há um esforço grande para reduzir a inflação, mas ainda é improdutivo. Você veja que a própria diminuição do desemprego —vários editoriais e jornais disseram— é um produto da reforma trabalhista. Ela produziu mudanças na lei, que levou alguns anos para ter o seu efeito.

Eu confesso que não vejo. Vejo boa vontade, mas não vejo execução e vejo muita divergência. Por exemplo, vejo as dificuldades que o ministro [Fernando] Haddad [Fazenda] tem muitas vezes para levar adiante certos projetos. Isso cria insegurança, o que não é útil para a governabilidade.

Aumentar a arrecadação não é ruim, mas aumentar os gastos é. Por isso que o teto de gastos não permitia a elevação dos gastos públicos. Então, dois pontos: você aumenta a arrecadação; muito bem, sinal que a produção vai indo bem. Mas não pode aumentar os gastos, senão uma coisa elimina a outra. E isso parece que está acontecendo.

O seu partido se saiu bem nas eleições. Teve o segundo melhor resultado em população a ser governada, 36,6 milhões [atrás do PSD, com 37 milhões] e ganhou em São Paulo, o que não ocorria desde 2012. Como avalia o fato de o centrão, do qual o MDB faz parte, ter sido o grande vencedor?

O MDB é o grande partido de centro do país. Sempre foi assim. Desde o momento da Constituinte [1988], quando trouxe o país para o centro. E acho que hoje, mais do que nunca, revelou-se que o centro, caminhando para a direita, prevaleceu.

Segundo ponto, o MDB saiu-se muito bem. Você acabou de dizer que pegou São Paulo, mas mais quatro capitais: Porto Alegre, Belém, Macapá e Boa Vista.

Acho que o MDB estabeleceu uma marca estupenda, que é o fato de o seu eleitor votar com uma despreocupação, sem radicalismo.

O sr. vê o Brasil saindo um pouco desse quadro de acirramento na política? O clima está melhorando?

Acho que essa eleição municipal é demonstrativa disso. Prevaleceu mais a moderação, a tranquilidade, o equilíbrio. O Ricardo Nunes [prefeito reeleito de São Paulo] é um exemplo disso. Embora esteja fora da vida pública, nas conversas que tenho com várias pessoas, vejo que todos estão cansados dessa radicalização. Não daquilo que eu chamo de polarização, que eu reservo para ideias.

Na democracia, você ter uma polarização de ideias, divergências, é fundamental. Porque senão você tem um governo absolutista. Tanto que a oposição é fundamental na democracia, porque ela ajuda, fiscaliza, contraria, contradita.

Mas acho que o quadro de radicalização foi derrotado agora e não é improvável que venha a ser derrotado em 2026.

O sr. fala em centro e fim da radicalização. Tem algum palpite para as candidaturas em 2026? Alguma no seu partido? O que acha do nome do Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo, do Republicanos]?

Não gostaria de nominar. Mas o Tarcísio é uma grande figura, sem dúvida. Seria um bom candidato, moderado. O conheço bem e tive a oportunidade de tê-lo no meu governo [como secretário para programas de parcerias e investimentos]. Faz um bom governo em São Paulo e teve uma vitória, como vimos agora, na eleição do Ricardo Nunes.

Tivemos um aumento vertiginoso do poder de alguns congressistas com as emendas, que somam cerca de R$ 50 bilhões por ano. Vimos que 98% dos 116 prefeitos mais beneficiados com emendas foram reeleitos, com uma média de 72% dos votos, grande parte do centrão. Isso não é ruim para a democracia, esse direcionamento financeiro?

Acho que está havendo um protagonismo muito grande do Congresso Nacional. No tocante ao orçamento, ele não só aprova, mas tem emendas impositivas, de bancada, de comissão. Enfim, as mais variadas, que são direcionadas a esses municípios. Então, volto a dizer, há um protagonismo muito grande do Congresso Nacional.

Isso pode conduzir um dia a uma reforma política radical. E o que chamo de reforma política radical é a mudança do sistema de governo, que é a ideia de um semipresidencialismo ou semiparlamentarismo.

Já que uma parte grande do orçamento está sendo direcionado ao Congresso, que ele seja responsável também pelos atos de governo. Porque hoje ele manda essas emendas, mas não tem responsabilidade nenhuma pela governabilidade executiva. Tem só pela governabilidade legislativa.

Mas e a transparência dessas emendas, do poder que esses parlamentares têm? Pois hoje têm nas mãos um instrumento para se perpetuarem no poder.

Há que ter transparência, até porque a Constituição determina a publicidade de todos os atos públicos, significando, portanto, a atuação dos parlamentares no tocante ao orçamento. Aliás, já caiu essa coisa do chamado orçamento secreto. Caiu porque era uma violência extraordinária contra a Constituição.

Então, é preciso cumprir rigorosamente a Constituição. Nesse particular da publicidade, da transparência, a Constituição determina isso em várias passagens.

Informações Poder 360


A moeda norte-americana teve alta de 0,92%, cotada a R$ 5,7610. Já o principal índice de ações da bolsa de valores encerrou em queda de 0,37%, aos 130.730 pontos.

Cédulas de dólar — Foto: Pexels

Cédulas de dólar — Foto: Pexels 

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (29) e bateu os R$ 5,76, no maior patamar desde 30 março de 2021, quando fechou em R$ 5,7613. Apesar do dia contar com a divulgação de novos dados econômicos, investidores seguiram à espera de um novo anúncio de corte de gastos por parte do governo. 

Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que tem uma série de reuniões com o presidente Lula nesta semana, mas disse que não há previsão para divulgação do novo pacote fiscal com corte de despesas públicas. 

Nas últimas semanas, Haddad havia sinalizado que a equipe econômica poderia lançar novas medidas estruturais para reduzir os gastos públicos após as eleições municipais. Com isso, o mercado passou a esperar um pacote fiscal com corte de até R$ 60 bilhões — o que ajudaria o governo a passar uma maior “credibilidade”. (Entenda mais abaixo)

Na agenda de indicadores, os investimentos diretos no Brasil foram menores que o projetado em setembro, alcançando US$ 5,23 bilhões, segundo o Banco Central do Brasil (BC), contra uma expectativa de US$ 5,60 bilhões. 

Além disso, as transações correntes do país — soma das balanças comercial e de serviços e de transferências unilaterais entre os países — tiveram um déficit de US$ 6,53 bilhões, pior do que as estimativas, que esperavam um déficit menor, de US$ 5,0 bilhões. 

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em queda. 

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Ao final da sessão, o dólar avançou 0,92%, cotado a R$ 5,7610, atingindo o maior patamar desde 30 março de 2021, quando fechou a R$ 5,7613. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7666. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,99% na semana;
  • avanço de 5,77% no mês;
  • ganho de 18,72% no ano.

No dia anterior, a moeda subiu 0,06%, cotada a R$ 5,7082. 

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,37%, aos 130.730 pontos. 

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,64% na semana;
  • perdas de 0,82% no mês; 
  • recuo de 2,58% no ano.

Na véspera, o índice encerrou em alta de 1,02%, aos 131.213 pontos. 

O que está mexendo com os mercados?

Mesmo com algumas divulgações na agenda econômica, o foco dos investidores continuava voltado para a promessa de um corte de gastos feita pelo governo. 

Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que a equipe econômica poderia lançar novas medidas estruturais para reduzir os gastos públicos após as eleições municipais. 

Agora, encerradas as eleições, o mercado espera por mais informações de quando e como esses cortes devem acontecer. Segundo o blog do Valdo Cruz, agentes financeiros disseram que, para ter credibilidade, esse pacote precisaria indicar cortes entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões nos gastos públicos. 

A ideia é que o tamanho do ajuste fiscal fique em torno de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Nesta terça-feira (29), o ministro da Fazenda chegou a afirmar que tem uma série de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo desta semana, mas reiterou que ainda não há previsão para a divulgação das medidas.

“Não tem uma data, ele [Lula] que vai definir. Mas a gente está avançando a conversa, estamos falando muito com o [Ministério do] Planejamento também”, afirmou Haddad em conversa com jornalistas.

A equipe econômica vem sendo pressionada a adotar iniciativas pelo lado das despesas. O tema também tem sido abordado frequentemente pelo Banco Central do Brasil (BC) como fator de influência na política monetária. 

Na segunda-feira, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar que se o Brasil quiser ter juros estruturalmente mais baixos, precisará apresentar medidas que sejam interpretadas como um choque fiscal positivo. As falas aconteceram em uma reunião com investidores realizada pelo Deutsche Bank, em Londres. 

Na agenda de indicadores, o destaque ficou com os dados da balança comercial brasileira, que frustrou as expectativas do mercado. 

Os números do BC mostram que com o resultado de setembro, em 12 meses, o déficit em transações correntes do país acumula um valor equivalente a 2,07% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo mês de 2023, houve superávit de 268 milhões de dólares. 

Em setembro, a balança comercial teve superávit de US$ 4,81, uma queda em relação aos US$ 8,48 bilhões registrados no mesmo mês de 2023. 

Já o rombo na conta de serviços ficou em US$ 4,98 bilhões, contra US$ 3,45 bilhões em setembro do ano anterior. 

*Com informações da agência de notícias Reuters