Dona do WhatsApp corta 10% da força de trabalho mundial e transfere outros 7 mil empregados para novos projetos tecnológicos

A Meta vai demitir cerca de 8 mil funcionários nesta quarta-feira, 20. O corte atinge 10% de toda a força de trabalho da gigante da tecnologia, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp. O anúncio dos cortes ocorreu por meio de um comunicado interno enviado aos trabalhadores pela chefe de recursos humanos da companhia, Janelle Gale.
A onda de demissões coincide com uma reformulação profunda no modelo de negócios da corporação. O CEO Mark Zuckerberg decidiu que o futuro da empresa depende exclusivamente do avanço da inteligência artificial. A Meta planeja gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões este ano para erguer centros de dados e enfrentar concorrentes de peso como o Google e a OpenAI.
Madrugada de cortes e transferência para IA
A direção da empresa ordenou que todos os funcionários trabalhem em regime de home office no dia das demissões. Os avisos de dispensa chegarão por e-mail a partir das 4 horas da manhã, no horário local de cada região. Os demitidos nos Estados Unidos terão direito a 16 semanas de pagamento base, além de duas semanas extras de salário para cada ano de serviço prestado na firma.
Ao mesmo tempo em que enxuga o quadro de pessoal, a Meta vai transferir 7 mil empregados sobreviventes para novas funções operacionais. O grupo vai integrar quatro novas divisões internas focadas na criação de aplicativos nativos de IA. Essa mudança esvazia de vez o metaverso, aposta anterior de Zuckerberg que naufragou e gerou demissões em massa no ano passado.
Protestos internos e o ‘elefante na sala’
As decisões da diretoria acenderam uma crise interna com os trabalhadores nos escritórios. Empregados espalharam panfletos de protesto e tomaram a rede interna Workplace com críticas pesadas à liderança. Os funcionários acusam a cúpula da Meta de esconder os planos de demissão por mais de um mês e reagiram postando imagens de elefantes nas mensagens dos chefes, em alusão ao problema ocultado.
Mais de mil colaboradores assinaram uma petição contra os novos métodos de vigilância da Meta. A empresa adotou softwares que rastreiam o movimento do mouse dos funcionários para treinar sistemas de inteligência artificial a imitarem o comportamento humano. A Meta também cancelou 6 mil vagas de emprego que estavam abertas e incluiu o uso de IA na avaliação de desempenho do pessoal.
Tendência esvazia o setor de tecnologia
O movimento da Meta acompanha uma faxina corporativa que assombra o Vale do Silício. As grandes marcas do setor de tecnologia justificam os cortes de pessoal como uma necessidade para aumentar a eficiência na era dos algoritmos. Na semana passada, a Cisco demitiu 4 mil trabalhadores para injetar mais dinheiro em IA, caminho já trilhado por Microsoft, Block e Coinbase.
Informações Revista Oeste
