
No Três anos depois da eclosão do surto da covid-19, a OMS (Organização Mundial da Saúde) anuncia que a crise continua sendo uma emergência global e que não está no momento de declarar o fim da pandemia.
Eliminar o vírus passou a ser “altamente improvável”, diz a entidade, embora a crise esteja em um momento de “transição”.
Na última sexta-feira (27), alguns dos principais especialistas do mundo se reuniram para avaliar se a crise poderia ser declarada como encerrada. Em três anos, o FMI estima que a emergência gerou perdas de US$ 13 trilhões.
Nesta segunda-feira, depois de avaliar a resposta dos especialistas, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyeus, indicou que “concorda com o conselho oferecido pelo Comitê de Emergência a respeito da pandemia em curso e determina que o evento continua a constituir uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”.
Para os especialistas, a covid-19 está “provavelmente em um ponto de transição”. Mas essa situação exigirá que governos “naveguem cuidadosamente para mitigar as potenciais consequências negativas”.
Em seu discurso diante do comitê, Tedros indicou que a semana marca o terceiro aniversário da determinação da covid-19 como uma emergência.
Enquanto o mundo está em melhor posição do que estava durante o pico da transmissão da ômicron um ano atrás, mais de 170 mil mortes relacionadas à covid-19 foram relatadas globalmente nas últimas oito semanas.”
Tedros Ghebreyeus, diretor-geral da OMS
Além disso, a vigilância e o sequenciamento genético diminuíram globalmente, tornando mais difícil rastrear variantes conhecidas e detectar novas variantes.
“Os sistemas de saúde estão atualmente lutando contra a covid-19 e cuidando de pacientes com influenza e vírus respiratório, escassez de mão de obra de saúde e trabalhadores da saúde fatigados”, insistiu.
A resposta ao vírus continua sendo, na sua opinião, minada em muitos países que são “incapazes de fornecer ferramentas para as populações mais necessitadas, pessoas idosas e trabalhadores da saúde”.
Na avaliação da OMS, a pandemia continua sendo caracterizada como uma emergência de “risco global elevado”, sobrecarregando alguns sistemas de saúde já em dificuldade.
“A secretaria da OMS expressou preocupação com a contínua evolução do vírus no contexto da circulação descontrolada do SRA-CoV-2 e a diminuição substancial dos relatórios dos Estados-Membros sobre dados relacionados à morbidade, mortalidade, hospitalização e sequenciamento da covid-19”, diz.
Diante da situação, a OMS pede aos países para:
A lista de recomendações ainda inclui:
1. Manter a dinâmica para que a vacinação da covid-19 alcance 100% de cobertura de grupos de alta prioridade.
2. Os governos devem planejar a integração da vacinação da covid-19 em parte dos programas de imunização do ciclo de vida.
3. Coletar de forma regular dados e os relatórios sobre a cobertura vacinal.
4. Melhorar a comunicação dos dados de vigilância do SARS-CoV-2 à OMS.
5. Recomenda-se aos governo vigilância de doenças infecciosas respiratórias
6, Os governos devem melhorar o acesso às vacinas, diagnósticos e terapêuticas da covid-19
7. Os governos devem considerar como fortalecer a prontidão do país para responder a surtos, incluindo atenção à capacidade da força de trabalho de saúde, prevenção e controle de infecções e financiamento para a preparação e resposta a patógenos respiratórios e não respiratórios.
8. Combater a desinformação e implementar efetivamente medidas sociais.
9. Continuar a ajustar quaisquer medidas remanescentes relacionadas a viagens internacionais, com base na avaliação de risco, e não exigir prova de vacinação contra a covid-19 como um pré-requisito para viagens internacionais.
10. Continuar a apoiar a pesquisa para melhorar as vacinas que reduzem a transmissão
O comitê foi informado de que, globalmente, 13,1 bilhões de doses de vacinas covid-19 foram administradas, com 89% dos trabalhadores da saúde e 81% dos adultos mais velhos (mais de 60 anos) tendo completado a série primária.
Na avaliação dos especialistas, outra preocupação vem da constatação de que com o número de mortes continua elevado em comparação com outras doenças infecciosas respiratórias. A isso se soma a “insuficiente adoção de vacinas em países de baixa e média renda, bem como nos grupos de maior risco em todo o mundo”.
Há um reconhecimento entre os especialistas de que, depois de três anos, há uma “fadiga pandêmica” e a redução da percepção pública de risco levaram a uma redução drástica do uso de medidas sociais e de saúde pública, tais como máscaras e distanciamento social.
“A hesitação na vacinação e a contínua disseminação de desinformação continuam a ser obstáculos extras para a implementação de intervenções cruciais de saúde pública”, alerta a OMS.
Ponto de transição
Na avaliação da agência, a covid-19 “continua sendo uma doença infecciosa perigosa com a capacidade de causar danos substanciais à saúde e aos sistemas de saúde”. Mas a percepção é de que ela pode “estar se aproximando de um ponto de inflexão”.
“Atingir níveis mais altos de imunidade da população globalmente, seja através de infecção e/ou vacinação, pode limitar o impacto do SRA-CoV-2 na morbidade e mortalidade, mas há poucas dúvidas de que este vírus permanecerá um patógeno permanentemente estabelecido em humanos e animais por um futuro previsível”, disse.
Para a OMS, uma ação de saúde pública a longo prazo é “criticamente necessária”.
“Embora a eliminação deste vírus de reservatórios humanos e animais seja altamente improvável, a mitigação de seu impacto devastador sobre a morbidade e mortalidade é alcançável e deve continuar a ser uma meta prioritária”, insistiu.
Informações UOL

Foto: Reprodução/Twitter.
Deputado na Assembleia Nacional da Venezuela, Romel Guzamana afirmou em postagem em uma rede social que indígenas da etnia yanomami com sinais de desnutrição no Brasil são refugiados da fome no país vizinho que cruzaram a fronteira.
A versão, pendente de confirmação, vem sendo difundida por opositores do regime do ditador Nicolás Maduro.
“Denuncio a grave desnutrição de nossos irmãos indígenas yanomamis do estado Bolivar. Cruzaram ao Brasil em busca de comida, outra violação aos direitos humanos indígenas por culpa do regime de Maduro”, escreveu ele, que é do partido Vontade Popular, o mesmo do líder oposicionista Juan Guaidó. Na postagem, ele incluiu a foto de uma idosa yanomami que morreu por desnutrição no último domingo (22).
Indígena da etnia baniva, Guzamana é um dos representantes da região amazônica na Assembleia e também integra o Parlamento Amazônico.
Ao Painel, ele disse que os yanomamis venezuelanos têm relações de parentesco com indígenas brasileiros.
“Os índios não têm fronteiras. Na Venezuela não têm sustento, alimentos, remédios. Muitos vieram ao Brasil em busca da sobrevivência”, diz ele, que afirma ter obtido relatos de indígenas na região amazônica para difundir esta versão.
Créditos: Folha de S. Paulo.

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles.
O Palácio do Planalto nomeou um antigo funcionário do Instituto Lula citado na Operação Lava Jato como diretor de Gestão Interna do gabinete pessoal do presidente Lula.
Paulo Cangussu André foi nomeado para o cargo na terça-feira (24/1), em portaria assinada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. No posto, o servidor receberá salário bruto mensal de R$ 13,6 mil.
Paulo André foi alvo de busca e apreensão durante a 24ª fase da Lava Jato, em 2016, mesma etapa em que Lula foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A busca e apreensão foi realizada pela Polícia Federal nos endereços em que Paulo André trabalhava para o Instituto Lula. Ele era investigado por ter trocado e-mails com Dante Fernandes, um diretor da OAS, em janeiro de 2014.
No e-mail, o funcionário tratava do pagamento de uma palestra de Lula antes mesmo da formalização do contrato da empreiteira com a empresa responsável por gerir os eventos do petista.
A suspeita da Lava Jato era de que as palestras pagas ao então ex-presidente a partir de 2011 via essa empresa e os valores doados ao Instituto Lula pudessem ter ocultado propina desviada da Petrobras.
Embora tenha sido citado e alvo de busca e apreensão pela Lava Jato, Paulo André não chegou a ser condenado pela Justiça no âmbito da operação.
Créditos: Metrópoles.
Ferramenta de inteligência artificial pode facilitar plágios e cópias sem reflexão. Por outro lado, é capaz de poupar tempo, resumir assuntos estudados e revisar o que foi aprendido em aula.
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Uso do ChatGPT na educação tem vantagens e desvantagens; saiba quais — Foto: g1
O ChatGPT, novo sistema de inteligência artificial, está sendo tratado como “vilão” por escolas no exterior: nos Estados Unidos e na Europa, colégios bloquearam o acesso ao robô, temendo que os alunos trapaceiem nas provas e passem a apenas copiar e colar os textos escritos automaticamente pela ferramenta.
Mas, afinal, vale a pena comprar essa briga nas salas de aula? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, lutar contra o robozinho é perda de tempo.
“Não vai adiantar proibir, é o cenário para o futuro. Primeiro, precisamos conhecer o ChatGPT e entender que ele não é um oráculo: tem limitações e pontos positivos. A partir disso, vamos adaptar a forma de ensinar e de avaliar [as turmas]”, explica Diogo Cortiz, professor de tecnologia da PUC-SP.
Para quem ainda não sabe como funciona o ChatGPT, aqui vai uma explicação simplificada: a partir de um vasto material disponível na internet, o site (por enquanto, gratuito) responde a qualquer pergunta que o usuário digitar (desde “o que é Revolução Gloriosa?” até “Deus existe?”). Mas, atenção: o próprio sistema admite que tem limitações e que pode fornecer dados imprecisos, incompletos e desatualizados.
Abaixo, conheça as vantagens e desvantagens de usar essa ferramenta na educação:
Se, ao fazer um trabalho da faculdade, o estudante copiar e colar um trecho da Wikipedia, softwares antiplágio identificarão exatamente o parágrafo transcrito.
Mas esse “flagra” não acontece com o ChatGPT, porque o robozinho é mais esperto. Ele usa uma infinidade de textos disponíveis na internet para redigir uma resposta “com as próprias palavras”, sem, em geral, citar as fontes. Ou seja: o risco de trabalhos acadêmicos serem plagiados aumenta.
Na FGV Direito Rio, por exemplo, o professor Luca Ili deixará de testar os conhecimentos dos alunos por meio de redações.
“O ChatGPT faria o texto em 5 minutos. Vou passar a pedir que [as turmas] respondam as perguntas oralmente ou façam apresentações em sala de aula”, conta.
Não é só uma questão de nota. Se a maioria dos alunos só tirar notas boas “artificialmente”, por meio do robô, os professores não conseguirão detectar as dificuldades que precisam ser sanadas ao longo do semestre.
💡 Possível solução: repensar a forma de avaliar os estudantes (trocar as provas no computador por formulação de projetos ou apresentações orais).
Se o estudante fizer ao ChatGPT qualquer questão que envolva opiniões, receberá uma resposta rasa. Sim, o robô é bem “ensaboado”.
“A tecnologia ainda não conseguiu replicar a inteligência humana. Em conteúdos que vão além do factual e que exijam a própria versão de algo, [a ferramenta] vai até responder, mas de forma básica e pouco convincente”, explica o professor Ili.
⬇ Veja abaixo um exemplo do que ele escreveria sobre aborto. Se o aluno apenas copiar a resposta, perderá a oportunidade de desenvolver o pensamento crítico.
Exemplo de dúvida sobre aborto no ChatGPT — Foto: Reprodução
💡 Possível solução: estimular os alunos a usarem o ChatGPT apenas como um ponto de partida para a discussão, em vez de limitarem-se às respostas rasas dele.
Martin Oyanguren, vice-presidente do Educacional (ecossistema de tecnologia e inovação), afirma que o ChatGPT “pode fornecer respostas incompletas ou incorretas, especialmente se as perguntas forem mal formuladas ou se as informações na base de conhecimento estiverem desatualizadas”.
O próprio robô tem “consciência” de suas limitações: no painel principal, há um aviso de que os dados podem estar errados ou ultrapassados (especialmente se o assunto for recente, de 2021 até agora).
“Será importantíssimo por parte do professor e do aluno garantir a curadoria do conteúdo”, diz Oyanguren.
Olhe só um exemplo de resposta incompleta: o ChatGPT não menciona o nome de Santos Dumont na discussão (polêmica) de quem inventou o avião. Ele é categórico ao afirmar que foram os irmãos Wright. ⬇
Resposta do ChatGPT sobre a invenção do avião não menciona Santos Dumont — Foto: Reprodução
💡 Possível solução: Propor debates em grupo e “correções” a partir de respostas dadas pelo ChatGPT.
Se o aluno parar de se esforçar para solucionar problemas e deixar de pesquisar novas fontes de informação, não exercitará sua criatividade.
Carlos Neves, professor do curso de sistemas de informações da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), conta que fez uma brincadeira: pediu para o ChatGPT criar um roteiro de propaganda de cerveja.
“O sistema criou algo genérico, que tiraria um 3 ou 4 na nota. Mas dá para o aluno usar aquilo como ponto de partida, se não souber por onde começar”, diz.
💡 Possível solução: Professores explicarem que a ferramenta é útil para dar ideias iniciais, mas não para criar um material inédito.
O ChatGPT pode ser interessante para que o aluno e os professores interajam de forma diferente com o conteúdo ensinado.
“Serve como um suporte. Por exemplo: para testar os próprios conhecimentos, você consegue pedir para a ferramenta gerar perguntas sobre um assunto. É um treino personalizado muito bacana”, diz Neves, da ESPM.
Exemplo de perguntas geradas pelo ChatGPT — Foto: Reprodução
Oyanguren dá outro exemplo: o sistema é útil para “gerar tutoriais interativos que permitem aos alunos aprenderem de forma mais independente”.
Henrique Braga, coordenador do ensino médio do Sistema Anglo, explica que o ChatGPT pode ser uma oportunidade para os estudantes exercitarem a capacidade de raciocínio analítico.
“Se o aluno estiver diante de uma questão proposta pelo professor ou extraída de um vestibular/concurso público, pode ser interessante elaborar [primeiramente] sua própria resposta e, depois, comparar com a oferecida pelo robô”, diz.
“Qual ficou mais adequada? É possível melhorar? Esse tipo de reflexão na construção de conhecimento estimula o desenvolvimento de habilidades complexas, como análise e avaliação.”
O ChatGPT pode ajudar alunos e professores a pouparem o tempo que gastariam com tarefas repetitivas e mecânicas, para que se dediquem a trabalhos mais criativos, explica Luca Ili, da FGV.
O mecanismo de conversação do robozinho também é um bom apoio para treinar idiomas estrangeiros:
ChatGPT escreve em idiomas estrangeiros — Foto: Reprodução
O aluno pode usar o ChatGPT de forma desonesta ou pouco crítica? Sim, há esses riscos. Mas não será a primeira vez que uma nova tecnologia terá um “lado ruim”.
“A existência de um robô que traz prontas todas as respostas gera ótimas oportunidades para exercitar uma relação ética com as tecnologias digitais na escola”, afirma Henrique Braga.
A competência 5 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — documento com o que deve ser ensinado nas escolas — diz que, ao terminar a educação básica, o estudante precisa saber “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais”.
Informações G1
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Fachada do Congresso Nacional — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A Câmara dos Deputados e o Senado retomam oficialmente os trabalhos a partir da próxima quarta-feira (1º) com 27 medidas provisórias (MPs) editadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pendentes de votação.
Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas no “Diário Oficial da União”, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar leis em definitivo. Se não forem votadas no prazo, perdem validade automaticamente.
Entre as MPs que devem ser analisadas pelo Congresso, estão:

Congresso retoma trabalhos com 27 MPs aguardando votação
Desde que uma emenda constitucional mudou as regras de tramitação de MPs, em 2001, foram editadas 1.160 medidas provisórias.
Em 2008, quando exercia o segundo mandato de presidente da República, Lula disse ser “humanamente impossível” governar sem MP.
Na época, Lula argumentou que, embora as discussões políticas no Congresso Nacional sejam necessárias, “o tempo e a agilidade que as coisas costumam acontecer muitas vezes é mais rápido do que o tempo das discussões”.
Desde que assumiu o terceiro mandato como presidente, em 1º de janeiro deste ano, Lula já editou sete medidas provisórias – as outras 20 pendentes foram editadas por Bolsonaro.
Veja algumas das medidas provisórias pendentes de análise do Congresso
| Número da MP | Conteúdo | Presidente que editou |
| MP 1.155 | Garante os R$ 600 do Bolsa Família | Lula |
| MP 1.156 | Extingue a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) | Lula |
| MP 1.157 | Reduz Pis-Cofins sobre diesel, biodiesel, gás liquefeito, álcool, querosene de aviação, gás natural veicular e gasolina | Lula |
| MP 1.158 | Devolve o Coaf ao Ministério da Fazenda | Lula |
| MP 1.142 | Autoriza o Ministério da Saúde a prorrogar 3.478 contratos de trabalho temporário em hospitais federais no Rio de Janeiro | Bolsonaro |
| MP 1.143 | Define em R$ 1.302 o valor do salário mínimo em 2023 | Bolsonaro |
| MP 1.144 | Abre crédito extra de R$ 7,5 bilhões para benefícios previdenciários e compensações previdenciárias | Bolsonaro |
| MP 1.147 | Zera a incidência de PIS-Cofins sobre receitas de empresas que fazem transporte aéreo regular de passageiros | Bolsonaro |
No jargão político, uma MP “caduca” quando perde validade por não ter sido votada pelo Congresso.
A expectativa é que, das 27 MPs pendentes de análise, duas devem “caducar”: a MP 1.136 (altera as regras do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a MP 1.141 (contratação de pessoal para o Censo Demográfico).
Durante a posse do novo presidente do CNPq, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, disse ter negociado com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para que a MP não seja votada.
Assim, a MP, que deveria ser votada até o próximo domingo (5), pode não deve ser discutida e acabar caducando.
Já a medida provisória sobre a contratação de pessoal para o Censo Demográfico não deve ser votada porque o levantamento do IBGE estará próximo do fim quando a MP estiver prestes a perder validade.
Na última quarta-feira (25), o IBGE informou que os resultados devem ser divulgados em abril, e a MP tem prazo justamente até 30 de abril.
Informações G1
Cem adultos que se identificam como transgêneros também são acompanhados pelo Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas. Pessoas trans podem passar por intervenções médicas como bloqueio da puberdade, hormonização e cirurgia de redesignação sexual.
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Jovens trans falam sobre transição de gênero — Foto: Reprodução/Divulgação/Juan Silva/g1 Design
Atualmente, 380 pessoas de todo o Brasil identificadas como trans fazem transição de gênero gratuitamente no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Desse total, são 100 crianças de 4 a 12 anos de idade, 180 são adolescentes de 13 a 17 anos e 100 são adultos a partir dos 18 anos.
Para lembrar o Dia da Visibilidade Trans, que ocorre neste domingo (29), o g1 conversou com transgêneros que estão em busca ou conseguiram passar por processos como o bloqueio da puberdade, a hormonização cruzada e a cirurgia de redesignação sexual. Médicos especializados no assunto também foram ouvidos.
Jovens trans contam como estão sendo suas transições — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/Juan Silva/g1 Design

‘Percebi que o Gustavo era uma criança trans quando ele tinha 2 anos’, diz mãe
“Eu me sentia muito inseguro. Eu sentia que não tinha pessoas confiáveis, mas eu tinha minha mãe, minha família”, disse ao g1 Gustavo Queiroga, de 8 anos.
Ele faz acompanhamento no Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (Amtigos) do HC da USP. “Um dia, eu ia conseguir o que eu queria. E eu consegui.”
O menino trans, que biologicamente nasceu com características físicas femininas, mora com a mãe e a família na capital paulista.
“Eu percebi que o Gustavo era uma criança trans quando ele tinha 2 anos de idade. Ele sempre rejeitava tudo que era feminino”, falou Jaciana Batista Leandro de Lima, chefe de cozinha e assistente de cabeleireiro de 35 anos.
A procura pelo atendimento na rede pública de saúde é tão grande que o Amtigos foi obrigado a suspender as triagens em novembro de 2022, por não conseguir atender a demanda.
Existe a possibilidade de que elas voltem a ser realizadas a partir de fevereiro deste ano. Enquanto isso, 160 famílias que têm crianças e adolescentes que se identificam como transgêneros estão na fila de espera da triagem, que é feita por uma equipe multidisciplinar de especialistas.
Além dos filhos, a família também é acompanhada durante o processo de transição.
O Amtigos foi criado em 2010 para atender gratuitamente adultos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde também disponibiliza gratuitamente para pessoas trans o Processo Transexualizador em 12 locais habilitados pela pasta do governo federal. Veja abaixo onde ficam.
O Amtigos deixou de atender adultos em 2015, quando notou que eles tinham outros equipamentos públicos e até particulares de saúde para recorrer. E também por notar uma busca maior de responsáveis por crianças e adolescentes trans pelo serviço em São Paulo.
Os maiores de idade que ainda são atendidos no Amtigos são remanescentes das primeiras turmas ou eram menores quando entraram no programa de transição.

131 pessoas trans foram mortas no Brasil em 2022
Pela lei brasileira, a operação para adequação sexual só pode ser realizada em adultos acima dos 18 anos. Esta é a última etapa do processo de transição ou acompanhamento.
Em homens trans, além da retirada dos seios e útero, a genitália feminina pode ser modificada para se aproximar a um órgão sexual masculino. Nas mulheres trans, existe a possibilidade de se retirar o pênis e transformá-lo numa espécie de vagina.
Antes da cirurgia, no entanto, há a hormonização, que consiste na utilização de hormônio do sexo oposto no paciente. Injeções são aplicadas regularmente em adolescentes a partir dos 16 anos, seguindo recomendação do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Por exemplo, pessoas que nasceram com o sexo biológico masculino, mas depois se identificam como garotas trans, recebem o estrogênio. Este hormônio feminino irá causar mudanças corporais desejadas, entre elas o aumento das mamas.
Em uma situação inversa: quem nasceu com a genitália feminina, mas se vê como um garoto trans, receberá a testosterona. O hormônio masculino levará ao aparecimento de barba, por exemplo.
As crianças e os adolescentes atendidos na USP podem receber um bloqueador hormonal para não entrarem na puberdade e desenvolverem características físicas com as quais não se identificam. Nos garotos trans, o bloqueio impedirá a menstruação e o crescimento das mamas. Nas meninas trans, os pelos do rosto deixarão de crescer, e a voz não engrossará.
A aplicação do bloqueio varia entre cada paciente, mas pode acontecer entre 9 a 13 anos em crianças com características biológicas femininas e de 10 a 14 anos naquelas que têm o fenótipo masculino.
“Atualmente temos disponível no Brasil uma injeção para fazer o bloqueio hormonal assim que a criança for entrar na puberdade”, disse ao g1 a endocrinologista pediátrica Leandra Steinmetz, do Instituto da Criança e do Adolescente do HC da USP.
Instituto de Psiquiatria da USP onde 380 pessoas trans são acompanhadas no processo de transição de gênero — Foto: Divulgação/HCFMUSP

‘Eu não me encaixava na caixinha que era posta sobre mim’, diz Stefan Vicenzo, homem trans
O promotor de vendas Stefan Vicenzo Barreto Soares da Cruz tem 25 anos e é um homem trans. Ele contou ao g1 que fez toda a sua transição no Hospital das Clínicas da USP, mas pela rede particular de saúde.
“Eu tive que fazer pelo particular porque na rede pública demorava muito, tinha muita burocracia”, falou Stefan, que passou pela cirurgia de mastectomia, para retirada das mamas. Ele ainda tem vontade de retirar o útero. Mas não decidiu se fará a redesignação sexual.
Segundo especialistas, não é preciso se submeter ao processo de transição para ser considerada uma pessoa transgênera. Isso vale tanto para homens quanto mulheres trans.

Sofia Albuquerck, mulher trans, conta como foi o seu processo de redesignação sexual
As irmãs gêmeas Sofia Albuquerck e Mayla Phoebepagaram para ter o corpo adequado ao gênero com o qual se identificam: o feminino. Elas tinham nascido biologicamente com o sexo masculino.
Dois anos antes, quando tinham 19 anos, elas saíram de Minas Gerais para serem operadas numa clínica particular em Blumenau, Santa Catarina. As duas passaram por cirurgia de redesignação sexual. Antes, já haviam colocado implantes de silicone nos seios.
“A partir dos meus 8 anos para cima, até os 14, eu começava a não entender mais o meu órgão genital. Isso deu uma disforia tão grande, tão grande, nessa época, que eu não entendia ao certo. Então até [fui] pesquisar e entender mais e começar minha transição”, disse Sofia ao g1.
Atualmente ela namora um rapaz e estuda engenharia civil em Franca, interior paulista.

“Quando era adolescente, eu já tinha repúdio com meu órgão genital”, diz mulher trans
“Quando eu era adolescente eu já tinha repúdio, eu tinha disforia tão grande com meu órgão genital, porque eu tinha dificuldade para tomar banho, porque eu sentia pavor em ver”, falou Mayla, que mora na Argentina, onde estuda medicina.
“A gente [ela e a irmã] sempre esteve junta. O maior presente que Deus deu em ‘mi vida’ foi alma de ser gêmea.”
A respeito da cirurgia de readequação, o médico José Carlos Martins Júnior, da Transgender Center Brazil e que operou as gêmeas, explicou que nem sempre ela é necessária.
“A mulher trans, ela não tem indicação de cirurgia. Ela é uma mulher trans pelo simples fato de se entender como tal. Quando a cirurgia entra? Quando há o diagnóstico da chamada ‘disforia de gênero’. A disforia de gênero não é uma doença, mas ela é um mal-estar.”

Cirurgião explica quando há indicação para cirurgia em mulheres trans
“O termo transgênero é um termo guarda-chuva e se refere a qualquer variedade de gênero, sejam transexuais, travestis, gênero não binário, agênero, gênero fluído”, disse ao g1 o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Amtigos.
Segundo o especialista, no caso dos transgêneros, existe uma hipótese científica de que essa identidade de gênero se manifeste no cérebro na formação do bebê, ainda na fase intrauterina, depois do desenvolvimento dos órgãos sexuais.
Em outras palavras, de acordo com Saadeh, isso quer dizer que alguém que nasce com a genitália feminina não necessariamente terá um cérebro feminino. E vice-versa.
“Aliás, é importante falar que a questão trans, a transexualidade ou qualquer variabilidade de gênero não é considerada uma doença”, disse o psiquiatra.

Dia da Visibilidade Trans: Alexandre Saadeh fala sobre o AMTIGOS
Em 2018, a Organização Mundial de Saúde (OMS)retirou a transexualidade da lista de transtornos mentais da Classificação Internacional de Doenças (CID) e passou a ser considerada uma “condição”. Apesar disso ela continua no CID, mas numa categoria chamada de “saúde sexual”.
Oficialmente, a transexualidade é citada com o termo “incongruência de gênero” na CID-11, e descrita como “uma incongruência marcada e persistente entre o gênero que um indivíduo experimenta e o sexo ao qual ele foi designado”.
Essa inadequação vivenciada por transgêneros pode provocar o que especialistas chamam de “disforia de gênero“, que é quando uma pessoa não se sente confortável com as características masculinas ou femininas de seu corpo.
“É importante o diagnóstico no sentido de viabilizar e legalizar uma intervenção médica que se faça necessária. Desde hormonização até cirurgia”, falou Saadeh.

Garoto trans fala sobre apoio da mãe e mudança após se assumir: ‘sou muito orgulhoso’
Callebe Ferreira Marques, de 14 anos, não fez nenhum bloqueio hormonal, mas espera começar a tomar hormônios masculinos a partir dos 16 anos. O estudante também pretende fazer a cirurgia para a retirada dos seios depois dos 18 anos.
“Parece que eu saí de uma prisão, um casulo”, disse o menino, que mora com a mãe na Zona Sul de São Paulo, ao falar sobre o que mudou desde que assumiu sua transexualidade.
Informações G1

Foto: Isac Nobrega/PR.
Nos últimos dias, a esquerda vem atacando o ex-presidente Jair Bolsonaro com acusações graves e pesadas sobre os indígenas Yanomami. Alguns ataques citam até um suposto “genocídio” com responsabilidade de Bolsonaro.
Até o momento o ex-presidente se manteve em silêncio. Porém, agora há pouco, em suas redes sociais, Bolsonaro decidiu que era a hora de finalmente se manifestar. Bolsonaro escreveu: “A verdade Yanomami: nunca um Governo dispensou tanta atenção e meios aos indígenas como Jair Bolsonaro.”
Junto com a frase, ele anexou uma imagem forte de um relatório de uma CPI destinada a investigar as
causas, as consequências e os responsáveis pela morte de crianças indígenas por subnutrição que ocorreu entre 2005 e 2007.
Para sacramentar a resposta, Bolsonaro expôs todo o relatório da CPI, como mais 200 páginas.
Para acessar, é só clicar no link abaixo:
https://www.flaviobolsonaro.net/relatorioindigenas



Créditos: A Trombeta.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a lista de convidados para o coquetel no Palácio do Itamaraty, em 1º de janeiro, em sigilo por 5 anos. Cerca de 3.500 pessoas foram convidadas para a festa na noite da posse presidencial.
O argumento do Ministério de Relações Exteriores é que as informações têm “caráter reservado”. A justificativa foi dada em resposta a um pedido de acesso à informação da revista Veja.
Na resposta, a pasta cita artigo da LAI (Lei de Acesso à Informação) que determina a classificação de informações que possam “prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais” do país.
O ministério também menciona trecho do decreto nº 7.724 de 2012, que regulamentou a lei, segundo o qual informações pessoais “relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem” devem ter acesso restrito.
Os gastos da festa, por outro lado, são dados públicos. Em resposta a um pedido de acesso à informação do jornal O Globo, a Secretaria-Geral da Presidência informou que a posse custou R$ 627,9 mil. O montante não distingue o coquetel de toda a cerimônia, mas exclui os gastos com o “Festival do Futuro”.
O Poder360 questionou a Secom (Secretaria de Comunicação Social) sobre o sigilo de 5 anos à lista de convidados, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Eis a íntegra da resposta do Itamaraty à Veja:
“Em diversos países do mundo, as cerimônias de Posse Presidencial são, tradicionalmente, ocasiões em que as nações amigas prestam homenagem ao país anfitrião, mediante envio de representantes oficiais. Às autoridades estrangeiras, juntam-se as mais altas autoridades nacionais e personalidades da vida pública local, para participar dos atos oficiais e das festividades correlatas.
“No Brasil, a Posse Presidencial é regulamentada pelo decreto nº 70.274, de 9 de março de 1972. Trata-se do maior evento regular de natureza protocolar e diplomática no país. O mencionado decreto prevê, inclusive, que ‘o Presidente da República recepcionará, no Palácio do Itamaraty, as Missões Especiais estrangeiras e altas autoridades da República.’
“Conforme amplamente veiculado, no evento deste ano verificou-se a visita do maior número de delegações estrangeiras desde os Jogos Olímpicos de 2016. Foram ao todo 73 comitivas estrangeiras, além de quase 80 representantes do Corpo Diplomático em Brasília.
“Os gastos com a recepção oferecida pelo Senhor Presidente da República em 1º de janeiro de 2023, no Palácio Itamaraty, para a qual cerca de 3.500 pessoas foram convidadas, podem ser encontrados nas seguintes páginas: https://portaldatransparencia.gov.br/contratos/ ; http://comprasnet.gov.br/ ; e https://www.gov.br/compras/pt-br/agente-publico
“A lista de convidados para o evento em apreço tem caráter reservado, sob amparo da lei 12.527 (inciso II, art. 23 e parágrafo 2º, art. 24) e do decreto 7.724 (art. 55), que regulamenta a aludida lei. Ademais, nos termos do art. 13 do mesmo decreto 7.724, não serão atendidos pedidos de informação que sejam desarrazoados, isto é, que se caracterizem pela desconformidade com os interesses públicos do Estado em prol da sociedade.”
Créditos: Poder 360.

O anúncio da possível criação de uma moeda comum entre Argentina e Brasil despertou uma série de questões em relação a como o projeto funcionaria e se ele substituiria o real e o peso. Questionados sobre o assunto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o líder argentino, Alberto Fernández, que se encontraram nesta semana para participar da 7ª cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), realizada na Argentina, declararam que não têm muitas informações sobre o assunto.
“Não sabemos como funcionaria a moeda comum entre a Argentina e o Brasil, mas sabemos o que acontece com as economias nacionais tendo a necessidade de funcionar com moedas estrangeiras, e sabemos como isso é nocivo”, disse Fernández.
Lula, por sua vez, chegou a dizer que se soubesse sobre o projeto, seria ministro da Fazenda e não presidente, porém, também ressaltou a necessidade de acabar com a dependência do dólar.
A moeda comum gerou controvérsias sobre a necessidade de sua criação, inclusive dentro da própria equipe econômica do governo brasileiro, que não chegou a um consenso sobre a viabilidade da medida. Em entrevista ao site Poder 360, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a intensão da moeda é “driblar a dificuldade” dos argentinos com importações de produtos brasileiros, mas ressaltou que ela não irá substituir nem o peso nem o real.
Em entrevista ao Portal Jovem Pan, a internacionalista pós-graduada em direito internacional Bárbara Paz enfatizou um ponto importante que tem sido confundido: a diferença entre moeda comum e moeda única. “Moeda única é a oficial no território dos países, caso isso acontecesse, acabariam as moedas de cada país, assim como acontece com o euro. A comum é uma unidade monetária para fazer negócios e negociações e não é utilizada nos territórios”, explica. “No caso de Brasil e Argentina seria moeda comum, mas ainda existiria o real e o peso”, acrescenta.
Alberto Pfeifer, coordenador geral do DIS, grupo de análise de estratégia internacional da USP, falou sobre a complexidade do assunto. “A ideia de uma moeda única é ter uma moeda comum para todo tipo de transação, é como o euro na Europa. O que se fala para fazer aqui no Mercosul é algo inconcebível no presente momento, porque para ter uma moeda única comum entre vários estados soberanos, a gente tem que abrir mão da soberania”, explica o especialista, ressaltando que uma moeda é um atributo da soberania.
“Nunca houve sucesso por falta de garantia dos bancos centrais, que preferem trabalhar com o dólar como moeda de referência”.
Bárbara fala que o que muda dos dias de hoje para 15 anos atrás é que hoje a ideia está sendo trabalhada com mais ‘pé no chão’. “Em 2008 já se falava em moeda única, mas era mais utópica, agora está com ideia de moeda comum, específica para transações comerciais”.
Para o especialista em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) Amâncio Jorge de Oliveira, não tem muita diferença. “Esse projeto vem sendo falado desde Fernando Henrique Cardoso, mas com mais dificuldade hoje, porque a disparidade macroeconômica é maior agora. Só pegar o processo europeu para entender a dificuldade de convergência”, diz. “Se não for feito com o devido preparo, diria que nessas condições não tem nada de vantajosos e é ilusionário”, conclui.
Os especialistas não veem com bons olhos a criação de uma moeda comum, pelo menos não agora. “Não traria benefícios para o Brasil, mas sim para Argentina. Para nós, seria mais um risco. Caso seja adotada essa moeda, o real seria o lacro da moeda e teríamos que absorver riscos atrelados a ela”, diz Bárbara, que considera esse projeto desnecessário porque já existe o dólar, além de não ser possível pensar em um projeto igual ao da União Europeia porque o cenário brasileiro é diferente, marcado por uma instabilidade política grande com muitos impeachments, golpes e histórico de ditadura.
Créditos: Portal Grande Ponto/Com informações da Jovem Pan News.

O padeiro Eddy Mariel, 50, dono de uma pequena padaria familiar no nono distrito de Paris, passou a chegar ao trabalho mais cedo, às 3h da manhã, para dar tempo de preparar seus pães e croissants no horário em que a tarifa de eletricidade é mais barata. Assim como os cerca de 33 mil padeiros na França, Mariel vem sofrendo o impacto duplo da explosão dos preços dos ingredientes (manteiga, farinha e ovos) e da energia, que aumentou consideravelmente após o início da guerra na Ucrânia.
A baguete francesa se tornou patrimônio imaterial da Unesco, em novembro, mas a alegria com a notícia durou pouco para os padeiros do país. Alguns tiveram de encerrar suas atividades nas últimas semanas. A crise chegou a tal proporção que muitos desses profissionais decidiram ir às ruas na segunda-feira (23) para protestar contra a alta dos preços.
Recentemente, o governo francês anunciou algumas ajudas ao setor — propôs o adiamento do pagamento de impostos e de contribuições sociais das padarias, e uma tarifa máxima acertada com os fornecedores de eletricidade, nesse caso válida apenas para pequenas padarias com até 10 funcionários e com faturamento anual inferior a 2 milhões de euros.
A padaria de Mariel se encaixa nesse perfil e poderá se beneficiar dessa tarifa máxima permitida, de até 280 euros o kWh em 2023. Com a redução, ele conta que irá economizar 800 euros por ano. Mesmo assim, sua conta de energia totalizará 4.200 euros em 2023, o triplo do que costumava pagar anualmente até outubro do ano passado. Entre matéria-prima e energia, seus custos subiram 65%, afirma.
“Todo nosso dinheiro disponível em caixa virou fumaça. Não temos mais nada guardado para uma eventualidade”, diz. Na padaria fundada em 1979 por seu pai, já falecido, trabalham também sua mãe e sua irmã. Mariel começa a trabalhar de madrugada e passa o dia todo no local, ajudando também nas vendas, que não vão tão bem. As dificuldades, diz ele, já começaram na pandemia de covid-19.
A fim de reduzir o impacto de seus custos maiores, Mariel precisou aumentar os preços — em geral, dez centavos de euro. A baguete “tradição”, feita com uma farinha especial, subiu quase 10%, passando para 1,30 euro. Mesmo com as ajudas do governo, ele sente que pesa uma ameaça sobre o seu negócio. “Não estamos serenos.”

Brahim Ayeb, proprietário de uma pequena padaria que leva seu sobrenome na movimentada rua do Faubourg Saint-Denis, no décimo distrito de Paris, também anda com menos clientes. “As pessoas compram apenas o necessário”, ressalta. Ele também teve de aumentar os preços: o croissant subiu 10 centavos e, os doces, de 20 a 30 centavos. “Não conseguimos fazer de outra forma. Os preços da manteiga e do leite dobraram. Os dos ovos triplicaram. Nossa profissão está ameaçada.”
O contrato de eletricidade negociado por Ayeb no início de 2021 é válido até o final de 2023. “Resta saber qual será a tarifa cobrada quando o contrato for renovado. É uma preocupação”, afirma.
A manifestação de padeiros organizada pelo Coletivo para a Sobrevivência das Padarias e das Profissões Artesanais visa estender a tarifa máxima de eletricidade garantida pelo governo a todas as empresas do setor, independentemente do tamanho.
“Apesar das ajudas do governo para pagar as contas de energia e outros benefícios anunciados, isso não impedirá que nossas faturas dobrem, tripliquem ou até quintupliquem. Algumas empresas já fecharam e não podemos aceitar isso”, declarou à imprensa francesa o padeiro Frédéric Roy, da cidade de Nice, que criou a associação que organiza a passeata.

Entretanto, a profissão está dividida. O presidente da Confederação Nacional das Padarias Francesas, Dominique Anract, não participará da manifestação e não acha o protesto necessário. Ele acredita que, por enquanto, o setor tem sido ouvido pelo Estado.
Alguns têm mais meios para enfrentar a alta dos preços. É o caso do renomado padeiro francês Éric Kayser, que possui 300 pontos de venda, incluindo alguns no exterior. Ele utiliza a inteligência artificial para fazer cálculos para otimizar o consumo de energia. “Paramos o forno quando o cozimento termina e acendemos depois. É como um carro que ligamos só quando vamos usar”, diz ao TAB.
“Também temos mais cuidado com a utilização da farinha para evitar desperdícios e calculamos melhor a produção para evitar sobras de pães”, acrescenta. Por enquanto, seus contratos de energia também foram firmados antes da explosão das tarifas. “Veremos o que vai ocorrer quando formos renegociá-los.”
Os preços de seus produtos subiram pouco mais de 10%. A baguete “tradição” passou de 1,15 para 1,30 euro, e o croissant, de 1,20 para 1,35 euro. Ele também espera que o setor receba ajudas. “O governo não pode deixar as padarias falirem.”
Na França, a profissão de padeiro é considerada simbólica. Em muitos vilarejos, uma padaria que fecha representa uma perda considerável para os habitantes. Para muitos, é como um serviço público, como uma agência dos correios ou uma estação de trem, que deixa de existir na localidade. Na atual crise das padarias, se não tiver pão, que dirá brioche.
Informações TAB UOL