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Ruínas do Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande (RJ)
Ruínas do Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande (RJ) Imagem: Marcelo César Augusto Romeo/Memórias da Ditadura e Instituto Vladimir Herzog

A série “O Jogo que Mudou a História”, na Globoplay, retrata o surgimento das facções criminosas no Rio e os primeiros embates entre elas, na década de 1970. O enredo se desenvolve nas favelas fictícias de Padre Nosso, Parada Geral e Morro da Promessa, além do presídio de Ilha Grande.

‘Caldeirão do inferno’

O complexo penitenciário Cândido Mendes, em Ilha Grande, realmente existiu, ao contrário das favelas fictícias da série. Foi lá que nasceu, em 1979, o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país e que domina diversas áreas do Rio.

O local a mais de 100 quilômetros da capital do Rio de Janeiro foi construído em 1884. A prisão ganhou o apelido de “Caldeirão do inferno” ou “Caldeirão do diabo” por causa de cenas de violência que aconteceram no local. 

Criação do presídio

Inicialmente, a ilha era usada, na época do império, para isolar pessoas com doenças contagiosas, como hanseníase. Ao longo do tempo, foram criados espaços na ilha para presos. Um deles foi o escritor Graciliano Ramos, que foi preso na penitenciária da ilha em 1936, por seu envolvimento político com a Intentona Comunista de 1935. Foi lá, aliás, que o romancista e cronista alagoano começou a rascunhar “Memórias do Cárcere” (1953).

Em 1963, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, criou a Penitenciária Cândido Mendes que depois passou a se chamar Instituto Penal Cândido Mendes. Na ditadura militar, o local recebeu presos políticos, como membros da ALN (Aliança Libertadora Nacional). A ideia era isolar os presos e dificultar as visitas.

Nascimento do CV

Presos comuns e presos políticos se juntaram, inicialmente, para cobrar melhorias no presídio de Ilha Grande. Depois, presos comuns iniciaram movimentos com greves de fome e denúncias de espancamento e maus-tratos. Também passaram a usar a experiência ilícita para mirar o mercado de drogas.

Essa organização dos detentos levou ao que foi chamado de Falange da LSN (referência à Lei de Segurança Nacional, pela qual os presos eram condenados). Depois, foi rebatizada de Falange Vermelha e, em seguida, Comando Vermelho. O nome da organização aparece pela primeira vez em um relatório policial em 1979.

No ano seguinte, em 1980, três presos fogem da ilha de barco. Entre eles, José Jorge Saldanha, o Zé Bigode. Ele consegue chegar ao continente e se esconder na Ilha do Governador. Lá, protagoniza uma troca de tiros contra 400 policiais por mais de 12 horas de confronto. O episódio foi retratado no filme “400 contra 1” (2010), que mostra o início da facção fora da ilha.

O CV passou a dominar os morros do Rio ao longo das décadas. O cenário começou a mudar a partir do avanço das milícias na primeira década dos anos 2000. A facção atualmente não é mais soberana, como mostram os dados do Geni-UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense). De acordo com os dados, a facção domina 24,2% dos bairros do Rio, ficando atrás do poder das milícias, que controlam 25,5% dos bairros cariocas.

O presídio da Ilha Grande foi desativado e implodido em 1994, há 30 anos. O acervo do Cândido Mendes integra o Museu do Cárcere, administrado pela Uerj.

Informações UOL


Foto: Sérgio Lima

O governo no Palácio do Planalto está encarando com pessimismo as próximas pesquisas de popularidade e aprovação do presidente Lula, que serão publicadas na primeira metade de julho. Estão agendadas para serem divulgadas pesquisas realizadas pela Quaest, Ipec e Datafolha.

Segundo informações da coluna de Lauro Jardim/O Globo, nas últimas semanas, o governo não apresentou nenhum evento significativo que pudesse ser percebido positivamente pela população e, consequentemente, impulsionar sua popularidade. Além disso, uma única notícia favorável não seria capaz de alterar significativamente os resultados das pesquisas. O mesmo vale para uma série de ações ou resultados que possam ter impacto direto no orçamento dos cidadãos.

Desde o final do ano passado, as pesquisas têm mostrado resultados desfavoráveis ao governo. O ponto mais alto de aprovação do terceiro mandato de Lula foi registrado em meados de 2023, seguido apenas por um declínio.

Diz um ministro com assento na Esplanada:

— Se não cair, já está bom.

Informações TBN


Tarcísio, Bolsonaro, Nunes e Mello Araújo após almoço sobre cotado para vice, na sexta (14)
Tarcísio, Bolsonaro, Nunes e Mello Araújo após almoço sobre cotado para vice, na sexta (14) Imagem: Saulo Pereira Guimarães/UOL

O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) deve anunciar nesta semana o nome do vice em sua chapa nas eleições de 2024. O anúncio envolve interesses de Jair Bolsonaro (PL) e outros aliados. Na sexta (14), o ex-presidente disse que há um “noivado” entre Nunes e Ricardo Mello, o preferido de Bolsonaro para a vaga.

O que aconteceu

Mello e Nunes vivem “noivado” com casamento marcado para outubro. Para Bolsonaro, as vereadoras Sonaira Fernandes (PL), Rute Costa (PSDB) e outros nomes parecem “bons”, mas sua expectativa é que Mello seja escolhido. “Estamos começando bem esse diálogo para, quando bater o martelo, não ter gente que nos deixe”, disse ele.

Nunes quer “conversar com todos os partidos” que o apoiam sobre seu vice. “Não vamos fazer nenhuma imposição para nenhum”, disse ele. O discurso é uma alfinetada em seu adversário Guilherme Boulos (PSOL), pela escolha de Marta Suplicy (PT) para vice, fruto direto de uma articulação do presidente Lula (PT) nos bastidores.

Prefeito reconhece “peso” dos apoios de Mello. Para Nunes, o fato de Bolsonaro (que ele chamou de “a maior liderança do nosso país”), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o PL apoiarem Mello o coloca em uma posição “muito forte” na disputa pela vaga — embora a decisão ainda não tenha sido tomada.

Mello é coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo. Uma fonte próxima ao ex-presidente disse em janeiro que Bolsonaro tem “grande apreço” pelo militar. Mello já defendeu o fim da “saidinha” de Natal para presos e que a PM realize abordagem diferenciada em áreas nobres — entre outras medidas polêmicas.

Tarcísio defendeu “continuidade” do trabalho de Nunes. O governador elogiou a gestão do prefeito, de quem se aproximou por causa da privatização da Sabesp. O aval de Nunes foi decisivo para dar viabilidade econômica ao negócio. Segundo Tarcísio, conversas ao longo desta semana devem selar a escolha do vice.

Bolsonaro sobre Marçal: ‘partido tem que andar unido’

“Continuo fechado com Nunes”, disse Bolsonaro. A declaração ocorreu após uma conversa de uma hora com Pablo Marçal (PRTB), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, no último dia 3. Na mesma fala, ele disse que não vai impedir ninguém de conversar com Marçal, por não considerar isso democrático — mas seu apoio é de Nunes.

“Nós vamos estar juntos em todos os municípios”, afirmou ex-presidente sobre Tarcísio. Em Santos, porém, Bolsonaro e o governador apoiam pré-candidatos diferentes. Em Guarulhos, a discordância é com o PL. O ex-presidente e Valdemar Costa Neto, presidente do partido, não apoiam os mesmos nomes na disputa pela prefeitura.

Última semana teve entrada de José Luiz Datena na disputa. O apresentador de TV lançou pré-candidatura pelo PSDB no último dia 13. Após quatro desistências, ele disse que, desta vez, irá até o final da eleição. Visto com ceticismo por alguns, o movimento é tido por outros como forma de resgatar a força do partido.

Entrada de Marçal embolou o voto da direita. O empresário tem apoio de bolsonaristas que estão desconfortáveis com a aposta do ex-presidente em Nunes. Pelo Datafolha, Marçal tem 7% das intenções de voto. É menos do que Boulos (24%) e Nunes (23%), mas tecnicamente o mesmo que Datena e Tabata (ambos com 8%).

O que dizem os envolvidos?

O coronel Mello é um dos nomes do PL, tem apoio do presidente Bolsonaro, do governador Tarcísio. Isso tem peso nessa escolha, sem nenhum demérito a todos os outros postulantes, a todas as outras indicações dos partidos
Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo

Essas conversas [sobre a escolha do vice de Nunes] acontecem ao telefone, pessoalmente. Você encontra aqui, toma um café ali. Essa construção está sendo bem adiantada, tem muita gente que está analisando os cenários, e a gente vai chegar no melhor para esse projeto
Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo

Nós vamos estar juntos em todos os municípios. Onde porventura tiver uma rusga, a gente vai para um canto, conversa e decide como vai apoiar esse ou aquele candidato. Nós não vamos ter divergência aqui. Afinal de contas, o Tarcísio é uma costela minha, com todo respeito
Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente

Hoje estou aqui para agradecer pela oportunidade que o presidente me deu para ficar à frente da Ceagesp e agora uma nova oportunidade. Agradecer ao presidente, ao governador Tarcísio, por estar indicando a gente também e, ao prefeito, com certeza, por essa possibilidade
Ricardo Mello Araújo (PL), ex-presidente da Ceagesp e coronel da reserva

Informações UOL


(Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desfez o gabinete de guerra, que tinha seis membros, conforme informado por uma autoridade israelense nesta segunda-feira (17). A dissolução era uma ação prevista após a saída do ex-general centrista Benny Gantz do governo.

Netanyahu deve agora realizar consultas sobre a guerra em Gaza com um grupo reduzido de ministros. Este grupo inclui Yoav Gallant, ministro da Defesa, e Ron Dermer, ministro dos Assuntos Estratégicos, que também faziam parte do gabinete de guerra.

O Primeiro-Ministro tem enfrentado pressão dos membros nacionalistas-religiosos de sua coalizão para inclusão no gabinete de guerra. Entre eles estão Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, e Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional. A inclusão deles poderia aumentar as tensões com aliados internacionais, como os Estados Unidos.

O gabinete foi estabelecido quando Gantz se aliou a Netanyahu em um governo de unidade nacional no começo da guerra, em outubro. O grupo também contava com Gadi Eisenkot, parceiro de Gantz, e Aryeh Deri, líder do partido religioso Shas, como observadores.

Gantz e Eisenkot abandonaram o governo na semana passada, citando a incapacidade de Netanyahu em desenvolver uma estratégia eficaz para a guerra em Gaza.

Informações TBN


(Foto: Agência Brasil/Wikimedia Commons)

Neste domingo (16.jun.2024), o Brasil optou por não endossar o comunicado final da Cúpula para a Paz na Ucrânia, que apela ao engajamento de todas as partes envolvidas no conflito para alcançar a paz e reitera o apoio à integridade territorial da Ucrânia.

No dia anterior, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou à líder suíça Viola Amherd que o Brasil só entraria nas discussões de paz se Ucrânia e Rússia estivessem ambas presentes na mesa de negociações, argumentando que não se pode resolver um conflito bilateral com apenas uma das partes.

Lula mencionou que, em colaboração com a China, o Brasil propôs uma negociação concreta para resolver a situação, apesar da resistência dos presidentes Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. Ele enfatizou a necessidade de trazer ambos os líderes à mesa para discutir uma solução pacífica.

A cúpula, que ocorreu na Suíça, não contou com consenso entre as 101 delegações presentes. O documento foi assinado por 84 países, mas não pelos membros do Brics, exceto pela Rússia e China que nem enviaram representantes. Outros países como Armênia e México também não assinaram.

O comunicado final ressaltou princípios de soberania e integridade territorial e estabeleceu diretrizes para a segurança nuclear, incluindo a operação segura das instalações nucleares ucranianas.

Por fim, foi relatado que Putin ofereceu um cessar-fogo imediato na Ucrânia se o país concordasse em retirar suas tropas das regiões anexadas por Moscou em 2022 e desistisse de seus planos de adesão à Otan.

Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, a Ucrânia tem lutado para preservar sua soberania e exige a retirada completa das forças russas de seu território. A capital ucraniana, Kiev, continua firme em seu desejo de se juntar à aliança militar da Otan.

As propostas de paz apresentadas pelo líder russo foram prontamente rejeitadas pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pela Otan, marcando mais de dois anos de conflito desde a incursão russa na Ucrânia.

Informações TBN


Enquanto isso, Corte investiga aliados de Bolsonaro há 3 anos

Alexandre de Moraes já chamou publicamente a Advocacia-Geral da União (AGU) de "braço jurídico" do seu centro de enfrentamento às fake news eleitorais (CIEDDE) | Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
O ministro Alexandre de Moraes durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral | Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE 

(J. R. Guzzopublicado no jornal O Estado de S. Paulo em 15 de junho de 2024)

Está rolando desde julho de 2021, sob a direção do ministro Alexandre de Moraes, o inquérito policial das “Milícias Digitais” — tido pelo alto Judiciário nacional como essencial para o “enfrentamento” das articulações que, na sua opinião, querem destruir a democracia no Brasil. Deveria ter acabado em 90 dias, pelo que estabelecem as leis penais em vigor no país; continua aberto depois de três anos inteiros e acaba de ser prorrogado pela décima-primeira vez pelo ministro. Não se sabe da existência de nada parecido no mundo civilizado; aparentemente é coisa do Direito de Cuba, ou algo do mesmo bioma, onde a ditadura abriu um inquérito contra os “inimigos do Estado” 63 anos atrás, em 1959, e não fechou mais até hoje.

A investigação sobre as “milícias digitais” faz parte do “novo normal” criado pelo STF no sistema de justiça do Brasil — é o inquérito eterno, primo-irmão do flagrante perpétuo, da prisão preventiva por tempo indeterminado e outras novidades da doutrina jurídica do ministro Moraes. Também não chama mais a atenção o fato de que, após três anos de caçada implacável pelo STF, Polícia Federal e o resto da máquina estatal, não se conseguiu condenar legalmente ninguém — é natural, levando-se em conta que não existe na lei brasileira o crime de “milícia digital”. O interessante é que, para esse tipo de delito, foi abolido o princípio universal de que a lei é igual para todos, e todos são iguais perante a lei. É o nosso “avanço civilizatório”.

“O plano de trabalho é exatamente o mesmo das ‘milícias digitais’ que o STF, a PGR e a PF perseguem há anos”J. R. Guzzo

Os fatos são claros. Os repórteres Vinicius Valfré e Tácio Lorran, em reportagens publicadas no Estado de S. Paulo, revelaram com nomes, datas, lugares, números e tudo o mais que se requer de um trabalho jornalístico, o funcionamento de uma milícia digital completa dentro do Palácio do Planalto. As operações são executadas por uma espécie de “coletivo” que envolve a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o PT, o Instituto Lula, empresas que vendem serviços de imagem na internet e “influenciadores” que falam bem do governo e mal dos inimigos nas redes sociais. O plano de trabalho é exatamente o mesmo das “milícias digitais” que o STF, a PGR e a PF perseguem há anos: tráfico de fake news, de “desinformação”, de mentiras e do “discurso do ódio”, para ficar no grosso. Dizem, por exemplo, que Bolsonaro morreu, que Michelle se separou dele etc.; é esse o nível.

O interesse despertado por tudo isso em Moraes, Ministério Público e polícia esteve até agora entre o zero e o duplo zero — se é do governo Lula, não é milícia. A Secom, do seu lado, está perfeitamente tranquila. Decidiu gastar mais R$ 200 milhões nas redes sociais em 2024.

Informações Revista Oeste


Extrema-direita voltou a crescer na Europa
Extrema-direita voltou a crescer na Europa Imagem: AFP/Frederick Florin, AFP/Julien de Rosa, REUTERS/Guglielmo Mangiapane, Reprodução/Chega, AFP/Thomas Coex

O resultado parcial das eleições para o Parlamento Europeu, embora indiquem uma vitória da centro-direita, mostraram um importante avanço da extrema direita no continente. A ascensão do movimento não é novidade, mas alguns de seus representantes sim — e, tal como os políticos mais tradicionais, eles também investem em pautas conservadoras, anti-imigração e anti-União Europeia, por vezes recorrendo a discursos racistas, homofóbicos e xenofóbicos.

Alemanha

Maximilian Krah, voz potente da extrema-direita alemã
Maximilian Krah, voz potente da extrema-direita alemã Imagem: Frederick Florin/AFP

Maximilian Krah (AfD), 47 anos

Polêmico, cabeça de chapa da AfD é popular no TikTok. Membro do Parlamento europeu desde 2019, o advogado faz sucesso entre o público jovem com suas mensagens simples e diretas, como “confie em você” e “seja autêntico”, que vincula a posições políticas: “Não vote verde” e “não acredite que você precisa ser gentil e suave: homens de verdade estão na extrema direita”.

Não se considera ‘conservador’ e rejeita a União Europeia. Embora se descreva apenas como “de direita”, Krah deu várias palestras no Instituto de Política Estatal (IfS) consideradas “certamente de extrema direita” pelo Escritório Federal para a Proteção da Constituição. Ele também diz rejeitar a UE, mesmo sendo membro do Parlamento Europeu, e define o bloco como “vassalo” dos Estados Unidos.

É visto como um político simpático a China e Rússia. Um de seus assessores do Parlamento Europeu foi preso no final de abril por suspeita de espionagem para Pequim. Mais recentemente, em maio, investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios de um segundo funcionário de Krah no Parlamento Europeu. A investigação apura suspeitas de que políticos da UE teriam recebido propina da Rússia.

Foi afastado do partido por declarações sobre o nazismo. Em maio, Krah disse que “nem todos os membros da SS” — uma força paramilitar nazista e uma das organizações responsáveis pelo Holocausto — “eram criminosos”. Ele foi proibido pelo próprio partido de fazer aparições na campanha, apesar de ser o cabeça de chapa. Como foi reeleito para o Parlamento Europeu, Krah poderá ocupar o cargo normalmente, mas não como representante da AfD, segundo explicou um porta-voz do partido à AFP.

França

Jordan Bardella, figura proeminente da ultradireita francesa
Jordan Bardella, figura proeminente da ultradireita francesa Imagem: Julien de Rosa/AFP

Jordan Bardella (RN), 28 anos

Veio de família italiana, mas se posiciona contra a imigração. Assim como Krah, da Alemanha, Bardella também rejeita o funcionamento da UE hoje, embora negue que seja contrário à existência do bloco em si. “Eu não sou contra a Europa. Sou contra a maneira como a Europa funciona agora”, disse o francês durante debate com o primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, antes das eleições ao Parlamento Europeu.

Rompeu a imagem tradicional do partido de Marine Le Pen. O jovem de 28 anos é presidente do Rassemblement National (Reunião Nacional, em tradução livre) desde 2022. Seus críticos o veem como mais liberal do que Le Pen e o acusam de dedicar muito tempo a aperfeiçoar sua imagem pública e pouco a estudar as questões políticas importantes. Sua figura bem cuidada e sua habilidade de comunicação lhe rendem sucesso nas ruas e nas redes sociais: no TikTok, Bardella conta com mais de 1 milhão de seguidores, em sua grande maioria jovens.

Já disse se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo assim, aceitou que, para a maioria dos franceses, “o casamento para todos agora é uma realidade” e afirmou que o debate sobre o assunto está encerrado, sugerindo haver questões mais importantes a serem discutidas no país. Bardella ainda defende cortar os serviços sociais para imigrantes ilegais e legalizar a cannabis para fins medicinais.

Foi acusado de publicar comentários racistas e homofóbicos. Em janeiro, uma reportagem da emissora France 2 revelou a existência de uma conta falsa no X (ex-Twitter) supostamente administrada por Bardella. Sob o pseudônimo “RepNat du Gaito”, o perfil também exaltava Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen, conhecido por seus comentários racistas e antissemitas. A última postagem, feita em fevereiro de 2017, é uma imagem obscena zombando de Théo Luhaka, um jovem negro que sofreu graves agressões da polícia naquele ano. Bardella nega ser dono da conta.

Itália

Giorgia Meloni, líder de extrema direita na Itália
Giorgia Meloni, líder de extrema direita na Itália Imagem: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Giorgia Meloni (FdI), 47 anos

Eleita em 2022, premiê é a 1ª mulher a ocupar o cargo. Meloni é jornalista por formação e preside o Fratelli d’Italia (FdI) desde 2014. O FdI tem suas raízes políticas no MSI (Movimento Social Italiano), que surgiu do fascismo de Benito Mussolini. A primeira-ministra italiana, porém, hoje rejeita o rótulo fascista com veemência — embora tenha dito no passado que Mussolini foi “um bom político”. “Obviamente tenho uma opinião diferente agora”, disse Meloni em entrevista à Reuters, em 2022.

É contra a eutanásia e a adoção de crianças por casais gays. Meloni, que não acredita ser de extrema direita, se define como “cristã, católica e conservadora” e tem como lema “Deus, Pátria e Família” – o mesmo slogan de origem fascista usado por Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. “‘Sim’ à família natural, ‘não’ aos lobistas LGBT! ‘Sim’ à identidade sexual, ‘não’ à ideologia de gênero!”, defendeu a premiê em discurso feito em 2022, na Espanha.

Já foi acusada de islamofobia e adotou políticas anti-imigração. Em setembro do ano passado, seu governo aumentou de três para 18 meses o período de detenção de imigrantes ilegais. “Teremos todo o tempo necessário não apenas para realizar as checagens, mas também para fazer o repatriamento daqueles sem direito à proteção internacional”, explicou Meloni à época, acrescentando que a batalha contra a imigração é “uma batalha épica para a Itália e a Europa”.

Seu partido saiu vitorioso nas eleições ao Parlamento Europeu. Meloni foi a única primeira-ministra europeia em exercício a alcançar o feito. “A Itália se apresenta no G7 e na Europa com o governo mais forte de todos”, disse ela, que acompanhou o fechamento das urnas da casa de sua irmã Arianna. “Esta é uma votação mais bonita que a de 2022”.

Portugal

Deputado português André Ventura
Deputado português André Ventura Imagem: Reprodução/Chega

André Ventura (Chega), 41 anos

É deputado e líder do Chega, a 3ª maior força do país. Fundado em 2019 por Ventura, o partido anti-imigração e populista quadruplicou sua representação parlamentar nas eleições gerais de março deste ano. Ao longo da campanha, o deputado tentou deslegitimar o sistema eleitoral, questionando também as pesquisas de intenção de voto. “Temos que estar de olho aberto, ninguém pode nos enganar”, afirmou.

Defende a castração química de pedófilos e a pena de morte. Ventura, que se define como “liberal a nível econômico, nacionalista e conservador”, também já fez discursos discriminatórios contra ciganos e imigrantes muçulmanos.

Apoiou publicamente a reeleição de Bolsonaro no Brasil. Recentemente, em meados de maio, Ventura havia convidado o ex-presidente brasileiro, o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, e outros nomes importantes da direita para uma cúpula mundial organizada pelo Chega em Lisboa. Com a ausência de Bolsonaro, cujo passaporte segue apreendido pela Polícia Federal, o evento foi cancelado.

Espanha

Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita VOX
Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita VOX Imagem: Thomas Coex/AFP

Santiago Abascal (Vox), 48 anos

Fundou o Vox em 2013, após anos de militância no Partido Popular. Abascal chegou a se referir ao PP como “direita covarde” e acusou seu antigo partido de ser “muito brando”. Desde 2019, o Vox é a terceira força política no Parlamento espanhol e se apresenta de “mão estendida” ao PP com o objetivo de tirar do governo o socialista Pedro Sánchez, que está no poder desde 2018.

Critica os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco. Agora, após reorganizar a extrema direita na Espanha, o líder do Vox frequentemente acusa a esquerda de querer “dividir os espanhóis”, resgatando a memória das vítimas da ditadura de Francisco Franco, e de ter “profanado” o túmulo do general, exumado em 2019 pelo governo Sánchez. Abascal costuma contar que seu pai, que foi vereador do PP, escapou de três tentativas de assassinato pelo grupo separatista ETA.

Fez elogios a Milei, que criou crise diplomática com a Espanha. Em maio, durante a convenção anual do Vox, Abascal chamou o presidente argentino de “nossa estrela brilhante”. Neste mesmo evento, do qual também participaram Le Pen e Meloni, Milei fez críticas a Pedro Sánchez e chamou sua esposa, a primeira-dama Begoña Gómez, de corrupta. Em resposta, a Espanha retirou sua embaixadora na Argentina de forma definitiva.

‘Sinal de alerta’

Nova extrema direita é ‘digital’ e investe nos mais jovens. Esses líderes rejeitam a imprensa tradicional e costumam usar as redes sociais como principal meio de comunicação, aproveitando-se de discursos enfáticos para gerar engajamento e atrair seguidores novos — e mais jovens —, segundo explica ao UOL Filipe Savelli Pereira, pesquisador do Laboratório de História das Interações Políticas e Institucionais da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).

Políticos se inspiram em nomes tradicionais, mas pregam renovação. Além disso, segundo Pereira, os representantes da nova extrema direita enxergam os líderes mais antigos, como o premiê húngaro Viktor Orbán e o presidente turco Recep Tayyip Erdo?an, como fracos. “Para eles, a ‘velha’ extrema direita demonstrou fraqueza ao se abrir para o diálogo [com outros partidos]”, diz o pesquisador.

Eleição na França pode dar sinalizações sobre o futuro da Europa. Embora as eleições europeias tenham feito o mundo ligar um sinal de alerta, são as eleições legislativas na França, marcadas para 30 de junho e 7 de julho, que devem mostrar se o avanço da extrema direita é uma tendência ou um movimento pontual. “O Bardella é uma potência midiática. Talvez nunca o partido da Le Pen tenha tido um candidato tão palatável”, analisa Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Esses candidatos [da extrema direita] aparecem muito na internet. No contexto europeu, assim como no Brasil, a esquerda também está velha, desgastada, ineficiente e, acima de tudo, com uma linguagem inadequada, muito acadêmica. A esquerda não tem lugar na rede social muito por conta de sua linguagem.
Filipe Savelli Pereira, da Ufes

O que vai vir daqui para frente depende dessa eleição de agora [na França]. Se o partido de Le Pen consegue eleger um primeiro-ministro, tudo muda. É difícil saber. Mas fato é que, se Marine Le Pen chega ao poder – e imagino que eles vão tentar fazer um bom governo para usar de propaganda -, isso estimula outros países. Você anima um pouco esse grupo [da extrema direita].
Leonardo Paz, da FGV

Informações UOL


Pedido foi feito pelo Subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, pediu que o tribunal atue para evitar que parlamentares usem verba pública para viajar aos Jogos Olímpicos de Paris, que acontecerão entre os meses de julho e agosto. A informação é da coluna Radar, da revista Veja.

“Qualquer ato administrativo deve ser motivado, revelando os pressupostos de fato ou de direito que autorizaram a atuação dos agentes públicos, bem como sua finalidade. Desta maneira, a viagem de parlamentares para a cidade de Paris durante as Olimpíadas de 2024, como qualquer ato administrativo, deve possuir como motivador principal o interesse público, não apenas atender desejos particulares de congressistas dispostos a desfrutar de uma viagem turística a Paris e assistir às Olimpíadas de 2024 com tudo pago por recursos públicos”, diz Furtado na representação.

Informações Bahia.ba


Lula diz que presidentes da Ucrânia e Rússia deveriam se sentar à mesa

Foto: Ricardo Stuckert/ PR

O Brasil foi um dos países que não assinaram, neste domingo (16), o comunicado final da Cúpula para a Paz na Ucrânia, documento que pede o envolvimento de todas as partes nas negociações para alcançar a paz e “reafirma a integridade territorial” ucraniana.

Ontem (15), em entrevista coletiva na Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou que disse à presidente da Confederação Suíça, Viola Amherd, que tomou a decisão de não ir ao encontro internacional deste domingo porque o Brasil só participaria da discussão sobre a paz quando os dois lados em conflito, Ucrânia e Rússia, estiverem sentados à mesa. “Porque não é possível você ter uma briga entre dois e achar que se reunindo só com um, resolve o problema.”

Diante do impasse dos dois chefes de Estado, Lula afirmou que o Brasil já propôs, em parceria com a China, uma negociação efetiva para a solução do conflito. “Como ainda há muita resistência, tanto do Zelensky (Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia), quanto do Putin (Vladimir Putin, presidente da Rússia), de conversar sobre paz, cada um tem a paz na sua cabeça, do jeito que quer, e nós estamos, depois de um documento assinado com a China, pelo Celso Amorim [assessor-Chefe da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil] e pelo representante do Xi Jinping [presidente da República Popular da China] , estamos propondo que haja uma negociação efetiva.”

“Que a gente coloque, definitivamente, a Rússia na mesa, o Zelensky na mesa, e vamos ver se é possível convencê-los de que a paz vai trazer melhor resultado do que a guerra. Na paz, ninguém precisa morrer, não precisa destruir nada. Não precisa vitimar soldados inocentes, sobretudo jovens, e pode haver um acordo. Quando os dois tiverem disposição, estamos prontos para discutir”, acrescentou o presidente.

Ao encontro internacional deste domingo, o Brasil enviou a embaixadora do Brasil na Suíça, a diplomata Claudia Fonseca Buzzi. O presidente ucraniano também esteve na cúpula para obter apoio internacional para o seu plano de acabar com a guerra desencadeada pela invasão russa.

Sem unanimidade

Ao fim da Cúpula para a Paz na Ucrânia, na Suíça, não houve unanimidade entre as 101 delegações participantes. O documento, que pede que “todas as partes” do conflito armado estejam envolvidas para alcançar a paz, foi assinado por 84 países, incluindo lideranças da União Europeia, dos Estados Unido, do Japão, da Argentina e os africanos Somália e Quênia.

De acordo com o comunicado final, os países signatários assumem que os princípios de soberania, independência e integridade territorial de todos os Estados devem ser salvaguardados.

Quanto à segurança nuclear, os países que ratificaram a declaração final estabeleceram que o uso de energia e instalações nucleares deve ser seguro, protegido e ambientalmente correto. As instalações nucleares ucranianas, incluindo Zaporizhia, devem operar com segurança, sob total controle do país. O documento reforça que qualquer ameaça ou uso de armas nucleares no contexto da guerra em curso contra a Ucrânia é inadmissível.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, entre os países que não assinaram o comunicado estão os membros do BRICS – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, sendo que Rússia e China sequer enviaram representantes.  Também não assinaram o documento Arménia, Bahrein, Indonésia, Líbia, Arábia Saudita, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e México.

Cessar-fogo não aceito

Na sexta-feira (14), o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu estabelecer imediatamente um cessar-fogo na Ucrânia e iniciar negociações se o país começasse a retirar as tropas das quatro regiões anexadas por Moscou, em 2022: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia. Putin ainda exigiu que a Ucrânia renunciasse aos planos de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Desde fevereiro de 2022, a Ucrânia resiste à invasão russa com o objetivo de manter sua integridade territorial e exige a saída de todas as tropas russas do território. Kiev (capital da Ucrânia) mantém a pretensão de aderir à aliança militar do Atlântico Norte.

As condições impostas pelo mandatário russo para um possível acordo de paz foram rejeitadas de imediato pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pela Otan, após dois anos e quatro meses do início do conflito, com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Informações Bahia.ba


AFP/Divulgação

Às vésperas do primeiro jogo da França na Eurocopa contra a Áustria, marcado para esta segunda (17), às 16h (horário de Brasília), o destaque francês Kylian Mbappé fez um apelo aos cidadãos, em especial aos jovens, para que rejeitem os políticos de direita nas próximas eleições. Em coletiva de imprensa realizada neste domingo (16), conforme informações do jornal O Tempo e Estadão, o atacante expressou sua inquietação com o crescimento da direita na França e convocou os eleitores a se fazerem presentes nos dias de votação, 30 de junho e 7 de julho.

“Os extremos estão batendo à porta do poder. Temos o poder de transformar essa realidade”, declarou o capitão da seleção. “Estamos diante de um marco decisivo na história do nosso país. Somos, antes de tudo, cidadãos e não podemos nos alienar dos acontecimentos mundiais.”

O clima político na França está tenso desde que o presidente Emmanuel Macron dissolveu o Parlamento e adiantou as eleições legislativas após o sucesso da direita nas eleições europeias.

Embora a Federação Francesa de Futebol tenha solicitado que os jogadores mantivessem uma postura neutra, Mbappé ignorou tal pedido. “Espero que minha mensagem alcance o maior número possível de pessoas. Devemos nos alinhar aos valores de tolerância, respeito e diversidade. Cada voto é significativo”, disse o novo jogador do Real Madrid, ecoando as palavras do companheiro de equipe Marcus Thuram, que já havia se manifestado contra o partido de Marine Le Pen no sábado (15).

“A situação é preocupante e séria. Devemos incentivar todos a votar e combater diariamente para prevenir um triunfo do RN”, falou Thuram, jogador da Inter de Milão, referindo-se ao partido Reagrupamento Nacional, conhecido por sua postura radical contra a imigração e presença muçulmana na França.

“Espero que tomemos a decisão correta e sintamos orgulho ao vestir a camisa nacional em 7 de julho. Compartilhamos os mesmos princípios que Marcus Thuram. Vivemos em um país com liberdade de expressão. Ele expressou sua visão e eu apoio completamente”, concluiu Mbappé.

Informações TBN