Desenvolvimento de habilidades como empatia, respeito e diálogo amplia a discussão sobre o papel das escolas para além do ensino acadêmico; Colégio Nobre destaca a importância da formação integral dos estudantes

Feira de Santana (BA) — A formação de crianças e adolescentes vai além das notas no boletim e do aprendizado das disciplinas escolares, aprender a respeitar as diferenças, lidar com frustrações, dialogar diante de conflitos e desenvolver empatia são habilidades que também fazem parte do processo educativo e têm ganhado espaço nas discussões sobre o papel da escola na sociedade.
A educação socioemocional está relacionada ao desenvolvimento dessas competências e à maneira como os estudantes aprendem a reconhecer suas emoções, assumir responsabilidades e construir relações respeitosas. O tema também chama a atenção das famílias que buscam compreender como as instituições de ensino podem contribuir para a formação dos filhos dentro e fora da sala de aula.
Em Feira de Santana, a discussão reforça a importância de uma educação que considere não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento humano e a convivência escolar. O Colégio Nobre destaca a relevância da formação dos estudantes, que envolve o aprendizado dos conteúdos curriculares e o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida em sociedade.
O ambiente escolar é um dos principais espaços de convivência de crianças e adolescentes, durante as aulas, atividades coletivas e projetos pedagógicos, os estudantes têm oportunidades de aprender a trabalhar em equipe, respeitar opiniões diferentes, compartilhar responsabilidades e lidar com situações que exigem diálogo e cooperação.
Essas experiências podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da capacidade de comunicação e da resolução de conflitos. Para isso, é importante que as habilidades socioemocionais sejam trabalhadas de maneira contínua, com orientação dos educadores e participação das famílias.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) contempla competências relacionadas ao autoconhecimento, à empatia, à cooperação, à responsabilidade e à cidadania. A proposta é que a educação contribua para o desenvolvimento de estudantes capazes de compreender o mundo, tomar decisões e participar da sociedade de forma consciente e responsável.
A convivência entre estudantes exige atenção e acompanhamento, divergências e desentendimentos podem surgir no cotidiano, mas a forma como essas situações são conduzidas pode representar uma oportunidade de aprendizado sobre respeito, limites e responsabilidade.
A escola tem um papel importante na orientação dos alunos, na construção de relações respeitosas e na identificação de situações que precisam de intervenção. A prevenção ao bullying, por exemplo, exige ações educativas permanentes, canais de comunicação e participação de toda a comunidade escolar.
A educação socioemocional pode contribuir para esse trabalho ao estimular a empatia, a escuta e o diálogo, essas habilidades precisam estar associadas a procedimentos claros de acolhimento e enfrentamento de situações de violência, além da parceria entre educadores e responsáveis.

Para as famílias, conhecer como a instituição de ensino trabalha a convivência e acompanha o desenvolvimento dos estudantes é um aspecto importante na escolha de uma escola.
Além das atividades desenvolvidas em sala de aula, projetos que incentivam a pesquisa, a produção de conteúdo e a participação dos estudantes podem ampliar as experiências de aprendizagem e fortalecer competências como criatividade, comunicação, colaboração e responsabilidade.
No Colégio Nobre, em Feira de Santana, iniciativas como a Feira em Foco envolve estudantes em atividades de pesquisa e produção de conteúdo relacionadas à história, à cultura e às transformações do município. A proposta aproxima o aprendizado da realidade local e cria oportunidades para que os alunos desenvolvam conhecimentos e compartilhem suas descobertas.
Outra experiência é a participação de estudantes do Ensino Médio na Feira do Livro de Feira de Santana (FLIFS), com a produção de revistas autorais sobre temas ligados à cidade, incluindo esporte, cultura, música, história e trajetórias de mulheres da comunidade escolar.
Atividades dessa natureza permitem trabalhar conteúdos acadêmicos de maneira prática e estimular habilidades que acompanham os estudantes em diferentes etapas da vida. Ao pesquisar, produzir e apresentar trabalhos, eles têm oportunidades de exercitar a escrita, a organização de ideias, a cooperação e o protagonismo.
Com informações da assessoria de comunicação.

Projeto prevê o aproveitamento do rio para impulsionar o turismo e ampliar as opções de lazer na cidade
O vereador Jurandy Carvalho participou, na tarde desta quinta-feira (15), de uma reunião no prédio da Secretaria de Planejamento de Feira de Santana para discutir a implantação do Parque Náutico do Rio Jacuípe.
Estiveram presentes representantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelos estudos do projeto, além da secretária municipal de Meio Ambiente, Jaciara Moreira; da secretária de Administração, Sandra Peggy; e do secretário de Planejamento, Carlos Brito.
A FGV, escolhida pela Prefeitura, iniciou os trabalhos para avaliar a viabilidade do projeto. Hoje também foi realizado o mapeamento da área escolhida e uma reunião para discutir o diagnóstico.
Durante o encontro, Jurandy explicou que a proposta é aproveitar o potencial do rio Jacuípe e do Lago de Pedra do Cavalo para incentivar o turismo, as atividades náuticas e o lazer. Ele destacou ainda que a iniciativa busca valorizar os recursos naturais do município e abrir novas possibilidades de desenvolvimento para a cidade.
“Feira tem um grande potencial que precisa ser aproveitado. O Parque Náutico pode trazer novas oportunidades, fortalecer o turismo e oferecer mais opções de lazer para a população. É um projeto importante para o futuro da nossa cidade”, afirmou o vereador.

O Senado aprovou nesta quinta-feira (15) um projeto que altera as regras para o Microempreendedor Individual (MEI). A proposta aumenta o teto de faturamento para permanência no regime e estabelece o perdão de dívidas de empreendedores inadimplentes.
As duas medidas foram encaminhadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O perdão dos débitos foi anunciado nesta semana pelo petista.
O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14) e agora será encaminhado para sanção presidencial. No Senado, a matéria recebeu 78 votos favoráveis e não teve votos contrários.
Novo teto
Pelas novas regras, o limite anual de faturamento para o MEI passará dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027. A partir de 2028, o teto será elevado novamente, chegando a R$ 140 mil.
O projeto também modifica a quantidade de trabalhadores que podem ser contratados pelos microempreendedores individuais. O limite, atualmente de um funcionário, passará para dois.
Os empregados deverão receber, no máximo, um salário mínimo ou o piso estabelecido para a categoria profissional.
*Metro1
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Um óbito fetal registrado no dia 13 de outubro de 2026, no Hospital Inácia Pinto dos Santos, o Hospital da Mulher, em Feira de Santana, está sendo apurado pela Fundação Hospitalar de Feira de Santana (FHFS).
Em nota, a Fundação informou que está adotando as medidas necessárias para esclarecer as circunstâncias do caso. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o que teria ocorrido.
A instituição também informou que está à disposição da mãe e dos familiares para oferecer acolhimento e prestar esclarecimentos sobre o episódio.
O caso ocorre em meio à expectativa de que as circunstâncias sejam esclarecidas com rigor técnico. A apuração deverá contribuir para a compreensão do ocorrido e para a avaliação dos procedimentos assistenciais envolvidos.
Até a divulgação de novas informações, não há detalhes públicos sobre as circunstâncias do óbito fetal.

A direção do portal Metrópoles compartilhava reportagens com Daniel Vorcaro antes da publicação e aceitava alterações solicitadas pelo então dono do Banco Master. As conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro também mostram que a empresa sugeria pautas de interesse dele e publicou conteúdos a pedido de Vorcaro, segundo levantamento divulgado pelo UOL.
Ao menos 14 reportagens foram encaminhadas previamente ao banqueiro, das quais 11 passaram por mudanças após suas sugestões. A relação se estreitou em 2024, quando o Master firmou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. A CEO do grupo, Lilian Tahan, mantinha contato direto com Vorcaro e o consultava sobre textos relacionados ao banco e a outros assuntos de seu interesse.
Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre o empresário, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.
Questionada pelo UOL, a executiva afirmou que consultar fontes antes da publicação é uma prática adotada com representantes dos setores empresarial, político e judiciário. Ela também negou que o contrato publicitário tivesse relação com a cobertura jornalística e citou reportagens do próprio portal sobre dificuldades enfrentadas por empresas ligadas a Vorcaro.
Contrato de R$ 20 milhões
O contato entre Vorcaro e a direção do Metrópoles começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, organizou um encontro entre ele e Lilian Tahan. No dia seguinte, Barros comentou que a executiva havia gostado do empresário e sugeriu que ela fizesse a ponte com Luiz Estevão, proprietário do portal.
Um mês após a reunião, o Banco Master pagou R$ 1 milhão ao site. Em julho, foram acertados outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de duas empresas do grupo: a seguradora Kovr e o banco digital Will.
Em novembro daquele ano, Tahan apresentou uma nova proposta comercial. O contrato fechado chegou a R$ 20 milhões, conforme mensagens entre Vorcaro e Ana Matos, diretora de marketing. Ao receber o valor, Matos comentou que o Metrópoles estava caro. O banqueiro respondeu: “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”.
O pagamento foi realizado em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens obtidas pela investigação.
Pedidos de alteração em reportagens
As conversas indicam que Vorcaro interferiu em diferentes conteúdos publicados pelo portal. Em abril de 2025, por exemplo, ele contestou uma reportagem sobre uma suposta proposta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. Tahan respondeu: “Tiramos”.
Naquele período, o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras, e o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a compra de 58% do capital da instituição. A operação dependia de aprovação do Banco Central e era alvo de críticas.
Dias depois, Tahan procurou Vorcaro para apresentar um documento recebido pela equipe do portal. Em outra conversa, sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB e perguntou se o conteúdo poderia ajudar ou prejudicar o banqueiro. Vorcaro pediu para revisar os dados antes da publicação, e a executiva concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após ser enviado a ele.
Em maio, o empresário também solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.
Cobertura sobre diretor do Banco Central
As mensagens mostram ainda a participação de Vorcaro em reportagens sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB e se posicionou contra a operação.
Em agosto de 2025, Tahan enviou ao banqueiro uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Vorcaro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto, reservando informações sobre o diretor para uma reportagem posterior. A orientação foi atendida.
Em seguida, ao receber um perfil sobre Gomes, o banqueiro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do Master e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e possíveis planos profissionais do diretor após o fim do mandato. Tahan aceitou as sugestões e avisou que o texto seria publicado.
A executiva afirmou ao UOL que Gomes havia se tornado um personagem relevante por se opor à aquisição do Master pelo BRB. Segundo ela, o assunto era de interesse do portal por envolver o banco estatal de Brasília.
Pedido para reduzir cobertura de adversário
Em agosto de 2025, Vorcaro também pediu que o Metrópoles diminuísse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal e crítico da compra do Master pelo BRB.
“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. Tahan respondeu: “Deixa comigo”.
Questionada sobre a conversa, a CEO afirmou que Luiz Estevão era um crítico da aquisição do Master pelo BRB e havia fornecido a Cappelli análises sobre problemas nos balanços do banco estatal.
A última troca de mensagens mencionada pelo levantamento ocorreu em 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro. Tahan enviou ao banqueiro reportagens sobre a venda do Master à Fictor antes da publicação e, depois de realizar alterações, avisou: “Publicada hahahaha”.
*Metro1
Foto: Divulgação/PF

As obras de duplicação da Avenida Artêmia Pires seguem em ritmo acelerado, combinando frentes de trabalho em campo e um intenso planejamento operacional para minimizar os impactos na mobilidade urbana.
Além da movimentação prática de máquinas e operários, a Prefeitura, por meio da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), juntamente com os demais órgãos e empresas envolvidos, têm mantido reuniões periódicas para discutir o andamento das intervenções e o fluxo viário da região.
Um desses encontros aconteceu esta semana, no canteiro de obras, localizado na própria avenida, e reuniu representantes das empresas e frentes de trabalho responsáveis pela obra.
Representando o Superintendente de Trânsito, Ricardo Cunha, o coordenador do Setor de Engenharia da SMT, Jeanderson avaliou que essas reuniões de alinhamento estratégico são de singular importância. “Nosso objetivo principal é garantir a segurança dos condutores e pedestres, além de otimizar os desvios e sinalizações necessárias enquanto as máquinas trabalham na pista”, destacou ele.
Transformação e infraestrutura
O projeto, já em execução, abrange a duplicação de 7 quilômetros de extensão da via, no trecho compreendido entre o Anel de Contorno e o Condomínio Damha.
Muito além da ampliação do pavimento, a intervenção, de acordo com o governo municipal, abrange uma requalificação urbana completa como execução de sistema de drenagem de águas pluviais e expansão das redes de esgotamento sanitário.
Também envolve implantação de novos passeios para pedestres, iluminação pública moderna em LED e um projeto inédito de sinalização viária (horizontal e vertical).
Mas não para por aí. Há também um projeto paisagístico e de requalificação urbana em toda a extensão da avenida.
Impactos positivos no tráfego
A Avenida Artêmia Pires é um dos principais vetores de crescimento e adensamento populacional de Feira de Santana. Com a conclusão dos trabalhos, a expectativa da SMT é que a nova geometria viária amplie significativamente a capacidade de tráfego, eliminando gargalos históricos e reduzindo o tempo de deslocamento diário dos moradores e frequentadores do bairro SIM e do entorno.
A SMT orienta aos motoristas que trafegam pelo local que fiquem atentos à sinalização provisória de obras e reduzam a velocidade nos trechos em intervenção.
*Secom

Nesta quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que enviará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte público gratuito aos fins de semana em cidades brasileiras que contam com serviço coletivo. A iniciativa busca ampliar as opções de lazer dos trabalhadores.
A proposta foi divulgada um dia após o Senado Federal aprovar o fim da escala 6×1. Lula relacionou as duas medidas à possibilidade de os trabalhadores terem mais tempo para descansar e conviver com a família.
– Agora que o senado aprovou o fim da escala 6×1 e o trabalhador brasileiro terá dois dias de descanso para ter lazer […] eu vou mandar uma PEC também para o Congresso Nacional, garantindo passe livre no final de semana para todas as cidades que tiverem transporte coletivo neste país – disse o presidente.
Para custear a medida, Lula afirmou que pretende recorrer a emendas parlamentares. Segundo ele, os recursos destinados pelos congressistas poderão ajudar a financiar a gratuidade do transporte coletivo aos sábados e domingos.
– Onde vamos arrumar dinheiro? Nós vamos compartilhar com as emendas parlamentares para a gente poder garantir que o povo vai passear. O povo vai ficar feliz, os deputados dando utilidade às suas emendas e a gente vai garantir que valeu a pena o fim da escada 6×1 – afirmou.
*Pleno.News
Foto: Ricardo Stuckert

Senador tem 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (15).
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 51% das intenções de votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na disputa pelo segundo turno da Presidência da República. O resultado indica empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Nos votos totais, Flávio aparece com 47%, enquanto Lula registra 45%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar em nenhum dos candidatos somam 6%. Outros 2% estão indecisos.
Na pesquisa anterior, divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios, entre os dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026.

com Frei Jorge Rocha
tema: Expressões Indígenas – ep. 02 – capim

© Lula Marques – Agência Senado
Pela primeira vez em 38 anos, o país aprova uma redução da jornada máxima semanal de trabalho. A medida, que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de descanso remunerado, é considerada um marco histórico para os direitos trabalhistas brasileiros
Brasil aprovou a maior mudança na jornada de trabalho desde a Constituição Federal de 1988. A decisão do Senado, tomada nesta quarta-feira (14), representa um marco para milhões de trabalhadores brasileiros, que passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, aprovada por 75 votos a favor e apenas um contrário, estabelece a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e encerra a escala 6×1, modelo em que o funcionário trabalha seis dias e descansa apenas um.
A última mudança dessa dimensão ocorreu há 38 anos, quando a Constituição de 1988 reduziu a jornada máxima de 48 para 44 horas semanais. Desde então, apesar de transformações nas relações de trabalho e no mercado brasileiro, esse limite permaneceu inalterado.
A aprovação no Senado concluiu a votação da proposta no Congresso Nacional. Como o texto não sofreu alterações em relação ao aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC segue diretamente para promulgação.
O que mudou para os trabalhadores desde 1988?
A Constituição de 1988 foi responsável por consolidar uma série de direitos trabalhistas, incluindo a limitação da jornada semanal a 44 horas, o pagamento de horas extras com adicional mínimo de 50%, a licença-maternidade de 120 dias e o reconhecimento do descanso semanal remunerado.
Antes da promulgação da Constituição, a jornada máxima era de 48 horas por semana, distribuídas, em muitos casos, ao longo de seis dias de trabalho.
Com a nova alteração, o limite será reduzido para 40 horas semanais, e os trabalhadores passarão a ter, como regra, dois dias de descanso para cada cinco trabalhados.
A mudança ocorrerá em etapas. Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois, chegará às 40 horas.
A nova legislação também determina que não poderá haver redução dos salários em consequência da diminuição da carga horária.
Mais de 26 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais poderá beneficiar aproximadamente 26,8 milhões de brasileiros.
Desse total, cerca de 22 milhões são trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada. Outros 4,8 milhões são trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana, embora a nova regra não lhes garanta automaticamente os mesmos direitos.
Entre os setores que poderão passar por mudanças significativas estão o comércio, os supermercados, os restaurantes, a hotelaria e outros serviços que tradicionalmente utilizam a escala 6×1.
Além da diminuição das horas trabalhadas, a medida pretende ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, estudos e atividades pessoais.
Mudança começou com mobilização nas redes sociais
A aprovação também representa o resultado de uma mobilização que ganhou força nas redes sociais e chegou ao Congresso Nacional.
Um dos principais responsáveis pela popularização do movimento foi Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que começou a questionar publicamente as condições de trabalho impostas pela escala 6×1.
A campanha ganhou repercussão nacional e levou milhares de trabalhadores a compartilhar experiências sobre jornadas prolongadas, cansaço e dificuldades para conciliar a vida profissional com a pessoal.
Em fevereiro de 2025, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma proposta para acabar com a escala. A iniciativa foi posteriormente associada à PEC apresentada em 2019 pelo então deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que já tratava da redução da jornada de trabalho.
O movimento também recebeu apoio de centrais sindicais e organizações de trabalhadores.
Aprovação divide empresários e sindicatos
Apesar da aprovação expressiva no Congresso, a mudança continua provocando divergências entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestaram preocupação com o aumento dos custos de contratação, a necessidade de reorganização das escalas e possíveis impactos sobre os preços de produtos e serviços.
Por outro lado, centrais sindicais defendem que a redução da jornada poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, diminuir o esgotamento profissional e favorecer a produtividade.
A avaliação dos impactos econômicos dependerá da forma como as empresas se adaptarão às novas regras e das características de cada setor.
Uma transformação histórica nas relações de trabalho
A aprovação coloca novamente a duração da jornada no centro das transformações trabalhistas brasileiras.
Se em 1988 a principal conquista foi reduzir o limite semanal de 48 para 44 horas, a mudança aprovada em 2026 combina uma nova redução de quatro horas com a garantia de dois dias de descanso remunerado.
“Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta no Senado.
O novo modelo será implementado gradualmente após a promulgação, encerrando um período de quase quatro décadas sem redução do limite constitucional da jornada semanal de trabalho.
Fonte: Notícias ao Minuto