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Deliberar sobre temas do dia a dia da advocacia e discutir demandas que fortalecem a advocacia de cada região do estado. Estes foram alguns dos temas discutidos durante o Colégio de Presidentes de Subseções da OAB da Bahia realizado em Ilhéus, Bahia, na última quinta (17) e na sexta (18).

De acordo com a presidente da OAB Seccional Bahia, Daniela Andrade Borges, o evento foi uma grande oportunidade para que a seccional e os presidentes de subseções construíssem juntos as ações e políticas em prol da classe.

O presidente da OAB Subseção Feira de Santana, Raphael Pitombo, participou do evento e evidenciou a importância de encontros como esse para traçar medidas a serem adotadas pela instituição ao longo da gestão.

“Muito importante reunir todos os presidentes de subseções para alinhar ações e compartilhar os impasses de cada subseção, a fim de que todas elas atuem de forma coesa e alinhada. Eventos dessa magnitude rendem vários frutos”, afirma.


PT quer controle de principal comissão da Câmara para apoiar Lira

Os conchavos e as trocas para comandar o país já começaram. Para não colocar um concorrente próprio na eleição à Presidência da Casa, os deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), marcaram uma reunião com Arthur Lira (PP) para discutir o controle da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

A reunião acontecerá na próxima terça-feira (22/11) e, em troca, apoiam Lira para a recondução da presidência da Câmara dos Deputados. 

Sem um candidato apoiado pelo PT, o caminho fica livre para a reeleição dele. 

De acordo com o Estadão, a ideia é formar um bloco para discutir a distribuição das chefias de comissões e espaço na mesa diretora até com partidos de oposição a Lula, sem a necessidade de alinhamento após o início do governo.

Informações TBN


Foto: Reprodução/Twitter.

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi esbofeteado na última sexta-feira 18, depois de um evento público. Ao se aproximar de um grupo de mulheres, com meia dúzia de seguranças ao seu lado, Macron leva um tapa no rosto, de uma das mulheres.

Imediatamente os seguranças partem para cima da agressora, contendo-a, no chão, de acordo com um vídeo publicado neste fim de semana nas redes sociais.

Em junho de 2021, Macron tinha sido esbofeteado por um homem em uma fila de recepção depois de uma visita a um colégio em Valence, no sudeste da França.

Nessa ocasião, Macron foi imediatamente afastado por um segurança. O agressor foi condenado a quatro meses de prisão.

Eleito em 2017, o presidente francês, que se reelegeu com pouca margem de vantagem em abril deste ano, já foi hostilizado outras vezes, além dos dois tapas.

Antes de se tornar presidente, em junho de 2016, quando era ministro da Economia, foi atingido com ovos em Montreuil. Enfrentou o mesmo tipo de ataque, em Paris, em março de 2017, quando era candidato ao governo francês, e em setembro de 2021, foi novamente atingido com ovos, em Lyon.

Em abril de 2022, num subúrbio de Paris, o presidente da França foi alvo de tomates, que não o atingiram.

Créditos: Revista Oeste


Neste domingo (20/11), vídeos circularam nas redes sociais insinuando que a retirada das urnas teria relação com suposta fraude nas eleições

urnas recolhidas em são paulo

Vídeos que mostram a retirada de urnas urnas eletrônicas em um prédio no Centro de São Paulomovimentaram as redes sociais de bolsonaristas neste domingo (20/11). As imagens exibem os equipamentos, em caixas, sendo colocados dentro de caminhões. Em uma gravação, o autor diz “estranhar” a movimentação.

Ao Metrópoles, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou o transporte e esclareceu se tratar de 24 mil urnas eletrônicas modelo 2009 que obtiveram uma “antecipação de baixa patrimonial”, uma vez que o TRE-SP recebeu, no início do ano, 44.880 novas máquinas modelo 2020 para utilização. A informação também foi confirmada ao portal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Portanto, as urnas transportadas neste domingo não foram usadas em nenhum dos turnos das eleições de 2022. Neste domingo, foram retiradas cerca de 10 mil máquinas deste lote já inutilizado. O restante será recolhido no próximo dia 27/11.

As urnas, modelo 2009, estavam armazenadas pelo tribunal, de forma temporária, no prédio que aparece nas imagens, localizado na rua Líbero Badaró. Em 7 de novembro, via ofício, o TRE definiu que o transporte ocorreria em três domingos do mês de novembro (13, 20 e 27), “em razão das restrições de circulação de caminhões no centro da cidade”.

“Essas urnas 2009, que, repise-se, por ocasião das eleições já estavam armazenadas para baixa, foram objeto das filmagens deste domingo”, destaca a nota do TRE-SP (leia a íntegra abaixo).

Veja o documento que comprova a determinação de recolhimento e as datas determinadas:

Contas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro(PL) tentaram, ao longo do dia, criar uma correlação entre o episódio e a fala de Valdemar Costa Neto de sábado (19/11), em que o presidente do partido afirma que apresentará ao TSE uma denúncia que comprovaria “problemas em urnas eletrônicas” fabricadas antes de 2020. No entanto, o pedido do TRE-SP para remoção das urnas de 2009 foi feito no dia 7/11, portanto, antes da fala de Valdemar.

Veja as imagens:

https://www.youtube.com/watch?v=TmlOez1KT5k
https://youtube.com/watch?v=JMxdEpYYmPY
https://www.youtube.com/watch?v=QHltNCCsXYQ

Leia a íntegra da nota do TRE-SP:

“Em razão do recebimento, por parte deste TRE/SP, de 44.880 urnas modelo 2020 para as eleições deste ano, a Secretaria de Tecnologia da Informação viu por bem recolher 24.445 urnas eletrônicas modelo 2009, para baixa patrimonial. Estas urnas modelo 2009 foram armazenadas temporariamente no prédio de propriedade deste Tribunal, na Rua Líbero Badaró.

Com vistas a liberação, ainda que parcial, do espaço do prédio da Libero Badaró, este Tribunal obteve a antecipação da retirada de 10.000 urnas por parte do TSE, por meio de sua transportadora Rodoviária, o que se convencionou ocorrer nos domingos 13, 20 e 27 em razão das restrições de circulação de caminhões no Centro da Cidade. Tal fato foi comunicado à CET. E tratado no processo SEI 0042560-15.2022.6.26.8000.

Essas urnas 2009, que, repise-se, por ocasião das eleições já estavam armazenadas para baixa, foram objeto das filmagens deste domingo”.

Processo de descarte das urnas

De acordo com o TSE, a vida útil das urnas eletrônicas é de cerca de 10 anos e seis eleições. O descarte é feito de forma “ecologicamente correta”, por meio de licitação.

O processo é auditado no local por servidores da corte. “A vencedora do certame assume o compromisso de seguir um rigoroso protocolo de segurança. Ao fim do processo, deverá apresentar um relatório final ao TSE”, esclarece o tribunal.

Veja a explicação do TSE sobre o descarte das máquinas:

“As urnas eletrônicas são recolhidas, desmontadas e têm os materiais descaracterizados, ou seja, moídos ou quebrados em pequenas partes. Os suprimentos são separados por tipo: metal, plástico, placas leves (com mais probabilidade de ter metais nobres), placas pesadas (com menor valor de mercado), borracha e outros. Quase todo o equipamento é reciclado. Algumas empresas contratam cooperativas de reciclagem que geram diversos produtos.

Por questões ambientais e em prol da segurança do processo eleitoral, a empresa ganhadora da licitação deve comprovar que tais materiais foram efetivamente usados para reciclagem.”

Informações Metrópoles


As seleções de Catar e Equador se enfrentaram no estádio Al Bayt na primeira partida da Copa do Mundo do Catar de 2022, neste domingo (20). Com gols de Valencia, capitão da equipe, os equatorianos venceram a primeira disputa da competição por 2 a 0 e são os líderes do Grupo A.

A vitória do Equador quebrou a invencibilidade dos países-sede nas estreias de Mundiais. Nunca uma seleção do país-sede havia perdido no primeiro jogo da competição, desde a primeira Copa do Mundo de 1930, no Uruguai.

Nos 15 minutos do primeiro tempo, Valencia arrancou com a bola em direção à área e sofreu uma falta do goleiro do Catar, Saad Al Sheeb. O juíz marcou o pênalti, que foi cobrado pelo próprio atacante, e inaugurou o placar para o Equador.

Ainda na primeira metade da partida, Preciado fez um cruzamento para o meio da área, e Valencia deu uma cabeçada na bola, marcando o segundo gol para a seleção do Equador.

No segundo tempo, o Equador continuou a apresentar a superioridade técnica e atacou mais vezes. No entanto, as finalizações não se transformaram em gols e o jogo terminou em 2 a 0 para os equatorianos.

A seleção catari volta a entrar em campo na sexta-feira (25), contra o Senegal, às 10h (de Brasília), no estádio Al Thumama. O Equador enfrenta a Holanda na sexta-feira, pelo Grupo A, às 13h, no estádio Internacional Khalifa.

*R7
FOTO: REUTERS/DYLAN MARTINEZ


O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PSDB) foi cercado e xingado neste domingo (20) por alguns hóspedes bolsonaristas que estavam no mesmo hotel em que ele hospedado na Bahia.

Maia foi abordado em enquanto estava com a esposa e foi chamado de ladrão em coro pelo grupo durante o café da manhã. Em resposta, fez o sinal de L com a mão, sim bolizando Lula (PT), candidato que ele apoiou contra Jair Bolsonaro (PL) nas eleições.

“Infelizmente eles já não sabem o que é fato e o que é fake. Criaram uma narrativa contra aqueles que divergem do bolsonarismo. A bolha e a desqualificação da imprensa criaram isso”, afirma.

Ele diz ainda que “o desrespeito à divergência de opinião é um absurdo, mas que tem certeza de que vai passar”. Ele continua hospedado no mesmo local.

*Bahia.ba
Foto: Maryanna Oliveira/Agência Câmara


Reprodução do Vídeo

O deputado federal pelo Rio de Janeiro e ex-presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (PSDB), foi hostilizado no Tivoli Ecoresort, localizado na Praia do Forte, litoral norte da Bahia. Acompanhado pela esposa, o parlamentar tentava iniciar o café da manhã, quando foi atacado com xingamentos pelos demais hóspedes.

BNews recebeu vídeos da ação e nas imagens é possível ouvir os xingamentos de “ladrão” e “filho da p*uta”. Em certo momento, uma mulher se aproxima do casal e inicia os questionamentos. “É gostoso tudo que você roubou do país?”, pergunta e em seguida se direciona para a esposa de Maia. “É gostoso ser casada com bandido?”.

Ao perceber a proporção do tumulto, Maia desistiu do café da manhã e saiu do local, fazendo o “L”, em referência ao presidente eleito, Lula (PT). 

BNews tentou contato com a assessoria do Tivoli, que através de nota, lamentou o ocorrido nas dependências do resort. “O Tivoli Ecoresort Praia do Forte lamenta o episódio ocorrido dentro do hotel, na manhã de hoje, dia 20 de novembro, pois prezamos pela privacidade e tranquilidade na estada de nossos hóspedes. O hotel reforça ainda que está à disposição de todos, com objetivo de que tenham a melhor estada possível”.

Informações B News


Foto: Paula Fróes/ Correio

Só há seis anos, Edvaldo Mendes Araújo, 69 anos, consegue responder a uma pergunta que o atormentava desde os 10, quando imaginava suas origens no continente África. Tudo muda depois da revelação de quem se é. “Não sou filho de escravo. Sou filho de africano”, diz o arquiteto ao menino Zulu, apelido dado a ele pelos amigos na infância, na comunidade do Solar do Unhão.

No dia 20 de dezembro de 2015, Zulu Araújo, como ficou conhecido, desembarcou em Bankim, na República dos Camarões. Era o primeiro a refazer a rota entre Salvador e aquele ponto de partida das suas raízes familiares, manchadas pelo afastamento imposto pela escravidão. Zulu já tinha ido a sete países africanos, mas a viagem seria diferente.

Zulu foi a Bankim, nos Camarões, em 2015 (Foto: Ana Lúcia Albuquerque/CORREIO)

Recepcionado por 2,5 mil pessoas em uma cidade com, à época, 10 mil habitantes, o arquiteto e presidente da Fundação Pedro Calmon recebeu as honras do rei da etnia Tikar.

“Indo para lá eu reencontrei com meu passado, com meus ancestrais. Isso foi algo extremamente importante para a minha vida. Voltei mais tranquilo do ponto de vista antropológico, do ponto de vista da minha origem, do meu entendimento de mim mesmo. Eu voltei absolutamente tranquilo de que verdadeiramente eu não sou filho de escravo. Eu sou filho de africano. A tranquilidade que isso me deu foi fantástico”, conta. 

Em 300 anos de tráfico de africanos, capitaneado pela Coroa portuguesa entre os séculos 16 e 19, ao menos 4,9 milhões de pessoas embarcaram rumo ao terror no Brasil. Delas, 1,5 milhão desceram na Bahia, majoritariamente retiradas de países como Guiné Bissau, Togo, Benim, Nigéria, Congo, Angola e Moçambique. 

Das mais de 11,4 mil viagens, 9,2 mil delas terminaram no Brasil – 175 navios negreiros saíram de Camarões, onde Zulu redescobria sua identidade. Nenhum outro país do mundo recebeu quantidade tão expressiva de escravizados.

A escravidão foi revestida de tentativas de apagar de identidades, contra as quais resistiram os escravizados. É em busca dessa origem ofuscada que, hoje, negros brasileiros descendentes da diáspora africana partem em viagens ao continente africano. 

O reencontro: do apagamento à busca

Antes de serem embarcados em tumbeiros, homens, mulheres e crianças eram submetidos a um ritual chamado “árvore da lembrança”: todos contornavam árvores na saída dos portos em sinal de abandono do passado e da incorporação da fé católica. 

Nesta terra inventada como Brasil, africanos eram despidos de direitos, entre eles, nome e sobrenome, substituídos por novos, escolhidos por quem que se dizia dono de gente. De Kehindes passavam a Luísas. 

“O sobrenome é o que dá o nosso ‘de onde viemos’, que é perpassado pela família. Eu costumo dizer que os donos do poder da história do Brasil sabem muito disso e, por isso, disputam essa narrativa histórica muito forte, e a população talvez não tenha ainda se alertado de quanto é importante”, explica Clíssio Santana, doutorando em História Social

Não à toa estão aos montes no Brasil os da Silva, de Souza, e correlatos – a Associação dos Registradores Civis (Arpen) não estima quantos. A partícula ‘de’ remete à posse. Esse era um dos maiores incômodos de Zulu.

“Eu não conseguia entender porque todo mundo tinha seus sobrenomes alemães, ingleses, franceses e nós não sabíamos qual era a nossa origem. Meu sobrenome, por exemplo, Mendes Araújo, eu vim saber, já na minha adolescência, que era o sobrenome daqueles que escravizaram meu ancestrais. Eram sempre nomes que não tinham a ver com nossa origem, e o argumento era que não se sabia de onde tinham vindo os escravizados para o Brasil”, relembra Zulu.

Mas sabiam. Em 2013, ele descobriu, depois de ser convidado para integrar o projeto Brasil: DNA África, que submeteu 150 pessoas a exames de DNA – em Salvador, eles custam R$ 799. O filme homônimo, lançado em 2016, é resultado dessa pesquisa. O primeiro a rumar ao continente africano seria Zulu, dois anos depois, como descendente dos Tikar.  

Zulu, à esquerda, em Bankim (Foto: Acervo Pessoal/Zulu Araújo) 

Durante duas semanas, Zulu conversou com os moradores locais e fez perguntas ao rei Gain Brain. Uma delas, no primeiro café da manhã da estadia, chocou: “Que razões tinham levado a realeza de Bankim a vender os seus filhos ao continente americano?”.

A questão de Zulu ainda divide pesquisadores e o movimento negro. Há evidências da existência, no passado colonial, do comércio de pessoas por alguns africanos, mas em bem menor escala que o tráfico protagonizado por portugueses. A resposta esperada por ele veio no desjejum seguinte. 

“Me explicaram que era comum naquele reinado, que aqueles que eram derrotados na guerra, que cometiam crimes, que desobedeciam às regras serem punidos com a escravização, no próprio reino ou vendidos. Mas que o rei reconhecia que tinha sido um erro e que, portanto, a única forma que tinha de fazer a reparação era me acolher enquanto filho daquela realeza”, conta Zulu.

Reconhecido como filho, recebeu o direito de se casar no local e um terreno de dois hectares. Como não pretende residir em Camarões, o “terreno ficará para os descendentes”, brinca Zulu. Sobre a própria herança da viagem, ele fala em “duas certezas”: “a grande luta que a sociedade de forma coletiva precisa travar é antirracista e o aprofundamento do desenvolvimento humano é fundamental em qualquer civilização”.  

Escravidão: o ‘trauma cultural’ e a viagem de retorno

Em 1986, João Jorge, 66, visitou pela primeira vez um país africano – o Benin. Embarcou como diretor da Fundação Gregório de Matos. Depois iria ao Senegal, Costa do Marfim, Ilha da União, Gana e Egito. Em cada um deles, investigava os rostos, reparava nos gestos, buscava preencher um vazio pessoal – “a herança da falta de identificação deixada aos negros brasileiros”.

Nessa ausência, reside o que o sociólogo Ron Eyerman chama de “trauma cultural”, capaz de provocar sofrimento psíquico em comunidades sobre as quais pairam eventos traumáticos como a escravidão.

Três anos depois, João ainda se sente transformado por viagem a Gana (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

O apagamento da memória coletiva é um dos motivos potenciais de aflição, aliviada em João apenas três décadas depois daquela ida ao Benim. Acompanhado do filho e da delegação do Olodum, do qual é presidente, viajou tendo em mãos um exame genético feito em 2013, no âmbito do Brasil: DNA África. Era descendente do povo Akan, de Gana. 

Em oito dias de viagem, visitou duas cidades. Não sentiu tristeza.

“Essa viagem, para mim, foi um retorno, um reencontro em que chorei, sorri, vibrei. Senti alegria por ter vencido a escravidão, o fato de eu estar vivo é uma vitória”, conta ele, que voltou ao Brasil tendo, no peito, uma nova sensação. Se pudesse traduzir, resumiria como “um cordão umbilical ligado de novo”.

A visita a Gana completou três anos em outubro. Por lá, o governo providencia um passaporte binacional para João, que seria reconhecido também como cidadão local, e aqui João guarda uma cópia do trono dourado e a cronologia do povo do qual descende. Mas há ainda uma falta: o sobrenome africano sequestrado e transformado em Rodrigues pelos portugueses.

Uma das irmãs de João, Rita, já tinha resgatados alguns pedaços destroçados da família. Guiada pela memória oral, ela quem descobriu o desembarque da bisavó, adolescente, no Brasil. Em 2006, Rita faleceu, antes de ver a expansão das suas descobertas.

João e o filho, em Gana (Foto: Acervo Pessoa/João Jorge)

A ida ou retorno de afro-brasileiros e africanos para as regiões de onde partiam navios negreiros aparece, na literatura ocidental, desde os anos 50. Em “Fluxo e Refluxo”, apresentada como tese de doutorado em 1966 por Pierre Verger na Universidade de Sorbonne, já há menção à “comunidade dos retornados”.

Os “retornados”, mencionados ainda em futuras pesquisas, tinham diferentes perfis: eram, em geral, deportados depois da Revolta dos Malês, em 1835, regressos pós-abolição do tráfico negreiro e aqueles que compravam a alforria. Em África, passavam a ser reconhecidos como “agudás”. 

“Depois, você ainda tem fluxos variados, como quem volta para ficar pouco tempo no continente africano, para absorver conhecimentos, como líderes do Candomblé em busca de conhecimentos rituais a aplicarem aqui”, adiciona o historiador Carlos Silva, professor de História das universidades Estadual de Feira de Santana e Federal da Bahia.

Os anos 2000 renovaram, conta ele, o interesse pelo tema: possibilidades de pesquisa mais modernas surgiram, com chances de cruzamento de dados online e histórias orais. Como costuma acontecer, o movimento acadêmico refletia também a vida aqui fora: os retornados, então, eram brasileiros ávidos em se reconhecer no continente africano. 

Destino: Continente ‘África’

Em 2015, Carina Santos passou três meses entre sete países europeus, onde se incomodou pela “falta de pessoas pretas viajando”. Três anos depois, por um “anseio de reconexão”, viajou à África do Sul. Na volta, agrupou as experiências nos dois continentes e propôs, a partir do turismo, reconexões históricas com territórios negros.

À época, a turismóloga coordenava o projeto Black Travelist, criado em 2016, e o Destino Afro, de 2019, reestruturados neste ano como a Afrotrip, sediada em Salvador. O propósito é levar pessoas a Moçambique, África do Sul e Egito e trazer africanos ao Brasil.

As únicas opções de rota entre Brasil e África partem de São Paulo a Addis Abeba, capital da Etiópia, ou Luanda, capital de Angola. Ida e volta custam até R$ 8 mil. O único trecho que partia de Salvador para Cabo Verde foi interrompido durante a pandemia da covid-19. Os voos diários para Portugal permaneceram.

“Partimos de um anseio de ir para o continente africano no sentido do pertencimento. De um modo geral, entendemos nossa origem, como pessoas pretas, a partir de África. Eu não fiz exame de DNA, me sinto pertencente aos 54 países do continente”.

O reflexo da busca pelas próprias origens africanas ainda é visto timidamente nas agências de viagem. De cinco delas ouvidas pela reportagem, três disseram que a maior busca ainda é a de curiosos por conhecerem savanas da Tanzânia, e duas perceberam aumento de interessados em pacotes que os conectem com suas ancestralidades.

Keity em Moçambique (Foto: Acervo pessoal/Keity Souza)

Em abril deste ano, Keity Souza, 35, desembarcou em Salvador vinda de um mês em Moçambique, inserida no tráfico de escravizados para o Brasil no século 18. Viajou a trabalho e retornou com pedaços de Mpingo, tipo de madeira preta, imãs, tecidos coloridos e uma sensação de pertencimento nunca sentida.

“Voltei com algo que acalmou meu coração: ver Moçambique, uma imagem de África, como ela era, sem ver só pobreza”.

A cada dia que passava por Maputo, via nos bairros a imagem de Salvador. “Foi uma grande sensação de se localizar no mundo”, continua. 

Keity não partiu com um exame de DNA em mãos, nem quis conhecer pontos antes utilizados para o tráfico de pessoas. “É doloroso”, ela diz, “estar em um lugar em que pessoas da minha origem foram sequestradas”. Entre a família, a única lembrança da trajetória entre África e Brasil é a existência da tataravó, trazida à força para o Brasil.

A ideia dela é criar sua própria história com o continente africano, uma narrativa de reconstrução e descobertas. Este será o legado dela para os sobrinhos: a nova memória de uma geração que pretende refundar o sentido de autorreconhecimento. Em dezembro de 2023, ela parte para o Egito, na companhia de 19 pessoas – seis delas, mulheres negras e baianas.

Crédito: Correio


O prefeito do município de Anguera, Mauro Vieira, publicou um vídeo neste domingo (20) celebrando os 61 anos de emancipação política da cidade.

No vídeo, o prefeito agradece por ter a oportunidade de comandar e trabalhar pelo povo de Anguera.

Veja o vídeo:


Muito menos racional do que aquele que orienta sua vida pelos tantos expedientes que só podem degringolar em insânia e maldade é quem espera algum resquício de sensatez em gente que entende a vida como um jogo sem regras, no qual tudo pode ser feito para chegar ao topo. Nascemos todos inexoravelmente mergulhados em questões muito nossas, cujo sentido revela-se apenas para nós mesmos — e não sem antes nos torturar pelo tempo necessário para que nos presenteie a vida com o estalo quase mágico do discernimento, atalho que, de quando em quando, o espírito toma à cata da razão —, mantidas como um raro tesouro a distância dos olhares morbidamente curiosos de quem nos odeia e da perplexidade muda e inconformada das pessoas que nos querem bem. Incertezas, dúvidas, questionamentos, dilemas, as encruzilhadas morais de todas as noites insones, eis os fantasmas mais aterrorizadores, porque mais perseverantes, a amaldiçoar a caminhada da humanidade, obsessa desde o princípio dos tempos pelos impasses que jamais a vão abandonar, por mais que se oponha.

A vida em sociedade se nos apresenta como um desafio a ser vencido todos os dias, porque, além de todo dia ter seus próprios obstáculos e as alegrias raras que valem por toda a angústia de existir, socorre-nos esse poder, o poder de simplesmente passar por cima de quem preferiria que não estivéssemos aqui. Depois de uma longa carreira diante das câmeras em filmes não exatamente densos, Jordan Peele se resolveu a dar vida às histórias que merecem ser contadas, e já não era sem tempo. Confrontando um dos temas mais urgentes do nosso tempo, “Corra!” (2017) tem o condão de arrastar o espectador para o centro de uma narrativa perturbadoramente sedutora, mas também exigente, que demanda dele atenção e sensibilidade em igual medida. Peele sabe muito bem do que está falando: o recrudescimento do pensamento racialista após uma brevíssima trégua, abordada em seu roteiro algumas vezes, vem a lume sob a forma mais delirantemente agressiva, momento em que o diretor-roteirista aproveita para ir mais fundo na discussão que torna seu trabalho tão relevante.

Centro das atenções no Festival de Cinema de Sundance de 2017 — onde estreou numa sessão exclusiva para convidados —, “Corra!” desde o princípio deixa muito claro que Peele não tem a intenção de aliviar nada. O possível romantismo de um casal que faz sua primeira viagem depois de cinco meses de namoro, a casa dos pais da garota, transforma-se logo numa fonte inesgotável de aborrecimento e paranoia, e o motivo está na cara. Pouco antes, ao longo da primeiríssima sequência, o personagem encarnado por Keith Stanfield anda tranquilo por uma rua de casas portentosas, até perceber que é seguido de muito perto por alguém num carro. Se havia uma hesitação quiçá justificada quando ao que o diretor quer dizer, essa bruma inicial de mistério se dissipa quando a ação corta para Chris e Rose, os protagonistas muito bem assumidos por Daniel Kaluuya e Allisson Williams, fazendo as malas para o tal passeio. Depois de uma conversa breve, fundada num possível estranhamento dos pais de Rose quanto ao fato de Chris ser negro, eles pegam a estrada.

O receio meio psicótico de Chris, como o de um animal indefeso que sente o cheiro do próprio sangue, se intensifica, numa escalada gradual e constante de diálogos que explicitam a animosidade entre os convivas, também ressaltada, colateralmente, pela fotografia de Toby Oliver em tons pesados como azul petróleo e verde musgo. O que acontece no terceiro ato, com referências a hipnose, lobotomia e transplante de cérebro — além de uma menção a Jeffrey Dahmer, o assassino em série que se notabilizou por seduzir, matar e canibalizar rapazes pretos, na boca de Rod, com o ótimo respiro cômico de LilRel Howery —, faz questão de lembrar que “Corra!” é um filme sério. E que Jordan Peele continua avesso a brincadeiras.


Filme: Corra!
Direção: Jordan Peele
Ano: 2017
Gêneros: Terror/Thriller
Nota: 9/10