
Foto: Alan Santos
O portal de notícias Conexão Política afirmou que conversou, sob a condição de anonimato, com fontes ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para saber se há uma movimentação interna no Partido Liberal em torno das próximas eleições no país.
A resposta é sim, e envolve, principalmente, Bolsonaro.
No último domingo, 16, um veículo de grande circulação no país disse, entre outras coisas, que o direitista cogita a possibilidade de ser candidato ao Senado Federal em 2026.
De modo reservado, aliados políticos e pessoas próximas confirmaram a informação a este jornal digital. Bolsonaro externou que pretende se candidatar à Casa Alta do Congresso.
Inicialmente, a possibilidade foi ventilada pelo cacique Valdemar Costa Neto, que não esperava uma resposta tão positiva. No entanto, desde que chegou dos Estados Unidos, o ex-presidente tem visto a ideia com muito bons olhos.
A reação do militar da reserva surpreendeu, é claro.
Para 2026, o entendimento que tem sido explorado é a tentativa de repetir o feito de 2022 no Legislativo. O foco, então, seria conquistar um número ainda mais expressivo de deputados federais e, especialmente, senadores, na próxima eleição.
Conexão Política

O Vitória estreou, neste domingo (16), na Série B com goleada em cima da Ponte Preta. O rubro-negro venceu a “Macaca” por 3 a 0 no Barradão.
Os gols foram marcados por Zeca, Rodrigo Andrade e Osvaldo. O primeiro gol saiu ainda no primeiro tempo. Em cobrança de falta, Zeca mandou uma bomba rasteira que passou por baixo da perna do arqueiro da Ponte Preta. Aos 43 min, o rubro-negro baiano marcou o segundo em uma jogada individual de Osvaldo.
O último gol foi marcado no segundo tempo. Rodrigo Andrade não perdoou. Ele completou cruzamento da direita. O goleiro da Ponte Preta, Caíque França, chegou a tocar na bola, mas não foi suficiente para impedir o terceiro gol do Leão. O Vitória encerra a primeira rodada em segundo lugar na zona da classificação para a Série A.
No domingo que vem, o Vitória vai a Natal para enfrentar o ABC no Frasqueirão.
*METRO1

Criminosos tentaram arrombar uma porta lateral da policlínica do Conjunto Feira X, em Feira de Santana, durante a madrugada desta segunda-feira (17).
Um vigilante informou ao Acorda Cidade, que o homem chegou sozinho, por volta das 4h, e quando percebeu a tentativa gritou com ele e o mesmo fugiu.
O arrombador forçou a fechadura da porta lateral e na fuga deixou os pedaços de madeira usados no crime.

A gerência não foi autorizada a falar sobre o ocorrido, porém confirmou que o bandido não conseguiu entrar na unidade.
A policlínica abriu normalmente, mas por falta de pagamento aos profissionais de saúde, não estão sendo realizados exames de endoscopia e outros procedimentos.
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

Foi assassinado a tiros na noite de domingo (17), Rafael Silva de Jesus, de 25 anos. Ele foi alvejado com cinco tiros por volta das 18h30, na Fazenda Marcação, na Estrada da Ponte do Rio Branco, no bairro Campo do Gado Novo, em Feira de Santana.
O corpo foi encontrado em um matagal por familiares da vítima. Eles ligaram para polícia e relataram que homens em um automóvel praticaram o crime.
Com esse homicídio já sobe para 12 o número de homicídios no mês de abril. Este foi o único homicídio registrado em Feira de Santana no fim de semana.
A autoria e o motivo do crime serão investigados pela Delegacia de Homicídios.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

O Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) convocou os médicos que trabalham nas unidades de saúde de Feira de Santana geridas pelas empresas Imaps e IGI para uma assembleia que será realizada na noite desta segunda-feira (17), de forma online, pela plataforma Meet.
A assembleia discutirá a situação dos médicos e deliberará sobre as estratégias a serem adotadas pela entidade.
O Sindimed informou que seus representantes participaram de duas audiências, nos dias 12 e 14 deste mês, junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), em busca de uma solução para pagamento dos honorários médicos em atraso.
Nas duas oportunidades, o Sindimet apresentou como proposta, o pagamento direto aos médicos, por meio da cessão de crédito. Embora a proposta tenha sido recepcionada pela Procuradora do Trabalho que conduz as negociações, os institutos (IMAPS e IGI), segundo o sindicato, não concordaram.
Uma nova audiência de mediação foi remarcada pelo MPT para o dia 26 de abril.
*Acorda Cidade

Após três anos sem ser realizada, a Micareta de Feira está de volta e os foliões já estão se preparando para a festa que se estende de 20 a 23 de abril. No entanto, é importante lembrar que, no meio à diversão, é preciso ter cuidado com a alimentação e o consumo de bebidas alcoólicas para evitar intoxicação alimentar e alcoólica.
Segundo o médico endoscopista Victor Galvão, a intoxicação alimentar é uma das principais preocupações em eventos como este. “As infecções gastrointestinais podem ocorrer devido ao consumo de alimentos mal higienizados ou preparados em condições precárias de tratamento e manipulação”, alerta o médico.
Para evitar esse problema, o médico recomenda que os foliões se certifiquem de que os alimentos que estão consumindo estão bem cozidos e frescos. “Além disso, é importante verificar se os estabelecimentos que estão vendendo alimentos possuem as condições adequadas de higiene, como utensílios limpos e alimentos armazenados corretamente”, acrescenta Victor Galvão.
Outra preocupação é com o consumo de bebidas alcoólicas, que pode levar a uma intoxicação alcoólica. “A ingestão excessiva de álcool pode levar a sintomas como náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura e desidratação”, explica.
Para evitar esse problema, o médico recomenda que os foliões bebam com moderação e se hidratem bem. “É importante intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água ou sucos naturais para manter o corpo hidratado”, orienta Galvão.
Além disso, o médico alerta para o risco de misturar diferentes tipos de bebidas alcoólicas. “Isso pode dificultar a absorção do álcool pelo organismo e aumentar a chance de intoxicação”, afirma.
Em caso de sintomas de intoxicação alimentar ou alcoólica, Galvão recomenda procurar um médico imediatamente. “Os sintomas variam de uma simples náusea a outros mais graves e, em alguns casos, podem ser procedimentos específicos, como a reidratação intravenosa”, conclui o médico.
*Fonte: Assessoria de Imprensa*

Foto: Montagem/Reprodução.
O Papa Francisco classificou neste domingo (16) como ofensivas e infundadas aquilo que chamou de insinuações por parte do irmão de uma estudante do Vaticano que desapareceu há 40 anos, em um caso supostamente envolvendo o ex-papa João Paulo II.
Emanuela Orlandi, filha de um porteiro do Vaticano, não voltou para casa em 22 de junho de 1983 após uma aula de música em Roma.
Ela tinha 15 anos na época e morava com a família dentro do Vaticano. Seu desaparecimento é um dos mistérios mais antigos da Itália.
O caso teve um novo capítulo na última terça-feira (11), quando o irmão dela, Pietro, se encontrou com o promotor-chefe do Vaticano, Alessandro Diddi, a quem Francisco deu liberdade para investigar o caso.
Depois de falar com Diddi por mais de oito horas, Pietro Orlandi apareceu em um programa de televisão no qual reproduziu parte de uma gravação em áudio com a voz de um homem que, segundo Orlandi, fazia parte de uma facção do crime organizado que a mídia italiana há décadas especula que pode ter estado envolvida no desaparecimento de sua irmã.
A voz do suposto gângster dizia que mais de 40 anos atrás meninas foram trazidas ao Vaticano para serem molestadas e que o Papa João Paulo sabia disso.
Orlandi então disse: “Dizem-me que Wojtyla (sobrenome do papa João Paulo II) costumava sair à noite com dois monsenhores poloneses e certamente não era para abençoar casas”.
Os comentários causaram um grande mal-estar e foram condenados por autoridades do Vaticano nos últimos dias. Neste domingo, o próprio papa falou sobre o tema em seu discurso diante de cerca de 20 mil pessoas na Praça de São Pedro.
“Certo de interpretar os sentimentos dos fiéis de todo o mundo, dirijo um pensamento de gratidão à memória de São João Paulo II, nestes dias objeto de insinuações ofensivas e infundadas”, disse Francisco.
A multidão, em sua maioria italiana, irrompeu em aplausos.
No sábado, o promotor-chefe do Vaticano convocou a advogada de Pietro Orlandi, Laura Sgro. O Vaticano disse que ela invocou sigilo advogado-cliente. Sgro disse à Reuters neste domingo que João Paulo não foi mencionado em sua conversa com Diddi, acrescentando em uma mensagem de texto: “Eu nunca questionei a santidade de João Paulo II”.
Orlandi disse à Reuters neste domingo por telefone que era “correto que Francisco defendesse João Paulo II”. Orlandi ainda acrescentou que durante a aparição na televisão ele “repetiu o que os outros haviam dito. Certamente não vi sozinho”.
O diretor editorial do Vaticano, Andrea Tornielli, condenou os comentários de Orlandi e os chamou de difamação “desprezível” contra a honra do pontífice, que liderou a Igreja Católica de 1978 a 2005 e foi declarado santo em 2014.
Créditos: G1

A direção de jornalismo da GloboNews informou que seus repórteres passarão a ser seus próprios operadores de câmera, utilizando o celular para filmar eles mesmos durante as passagens ao vivo.
Para isso, eles serão treinados a utilizar o chamado “Kit Mojo”, que já foi adotado em algumas ocasiões pela CNN Brasil e a Jovem Pan.
No comunicado, a GloboNews afirmou que a prática será cada vez mais comum, mas que haverá a contratação de cinegrafistas “quando necessário”.
– Toda a Globo usa o chamado Kit Mojo, uma tecnologia móvel que usa celulares. Recentemente, muitos repórteres chegaram a Brasília para trabalhar em pontos de vivo fixos. Houve reunião para apresentar a tecnologia a eles, que será acrescentada aos pontos de vivo fixos já existentes – diz a nota da empresa, segundo informações do colunista Paulo Cappelli.
REPERCUSSÃO
A decisão rendeu o que falar na internet após o advogado Dayvson Moura fotografar uma jornalista usando o kit e defender que o novo método não pode ser normalizado.
– Gente, isso não pode ser normalizado no jornalismo. A jornalista agora tem que ser operadora de câmera e repórter ao mesmo tempo? – questionou.
Para muitos internautas, a nova medida afetará a qualidade da reportagem, além de prejudicar o trabalho do repórter. Há, por outro lado, aqueles que defenderam a medida.
– Precarização da profissão – avaliou um usuário do Twitter.
– Existem tantas outras profissões que ganham menos e fazem muito mais coisas ao mesmo tempo. Não vejo qual o problema dela segurar um celular e um microfone ao mesmo tempo – defendeu outro.
– Jornalista nunca foi só jornalista. Quem trabalha com isso sabe o que estou falando. A mídia é muito ingrata – opinou mais um.
Informações Pleno News
Ex-presidente também criticou presença de líder do MST na comitiva de Lula na China

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou seu Twitter, neste domingo (16), para condenar as ações de Lula (PT) no campo da política externa e classificá-las como “vexame”. O ex-mandatário se refere, principalmente, ao fato do petista ter feito acusação de que os Estados Unidos incentivam a guerra na Ucrânia.
– Da China o cara acusa os EUA de incentivar a guerra. Diz também que o conflito, no momento só está interessando a Putin e a Zelensky – disse.
Bolsonaro também criticou a presença de João Pedro Stédile na comitiva de Lula à China, por se tratar de um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, incentivador de invasões de terras no Brasil.
– Lula, Dilma e Stedile, juntos, mais um vexame para a política externa brasileira – concluiu.
Os principais jornais norte-americanos, Washington Post, Wall Street Journal e The New York Times, criticaram as colocações de Lula após encontro com Xi Jinping.
Na quinta-feira (13), o Washington Post publicou um artigo advertindo que a viagem de Lula à China ocorre “em um momento em que as relações entre Washington e Pequim se tornam cada vez mais tensas”, e lamentou dizendo que o ocidente esperava que Lula fosse um parceiro, mas deixa claro que possui seus próprios interesses.
Informações Pleno News

Foto: Getty Images via BBC.
Em um porão isolado da Universidade do Sul da Dinamarca, uma das maiores do país, há fileiras e mais fileiras de prateleiras com milhares de baldes brancos numerados. Em cada um deles, preservado em formol, existe um cérebro humano. São 9.479 no total.
Os cérebros foram retirados durante autópsias de pacientes que morreram em institutos psiquiátricos de todo o país ao longo de quatro décadas, até a década de 1980. Estima-se que seja a maior coleção desse tipo no mundo.
No entanto, os cérebros foram preservados sem o consentimento prévio dos pacientes ou de seus parentes próximos, gerando um longo debate nacional sobre o que fazer com tamanha quantidade de órgãos humanos.
Na década de 1990, o Conselho de Ética dinamarquês determinou que os tecidos poderiam ser usados para pesquisas científicas, e é nesse sentido que funciona o banco de cérebros da universidade da cidade de Odense.
Alguns especialistas dizem que, ao longo dos anos, a coleção facilitou o estudo de muitas doenças, incluindo demência e depressão. Mas sua existência também trouxe à tona o debate sobre o estigma da doença mental e a falta de direitos dos pacientes em épocas passadas.
A coleção começou em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, com cérebros removidos de pacientes com transtornos mentais que morreram em instituições psiquiátricas em diferentes partes da Dinamarca.
Originalmente, os órgãos eram mantidos no Hospital Psiquiátrico Risskov em Aarhaus, onde funcionava o Instituto de Patologia Cerebral.
Após as autópsias, os médicos removiam o órgão antes de enterrar o cadáver em cemitérios próximos. Eles examinavam o cérebro e faziam anotações detalhadas.
“Todos esses cérebros estão muito bem documentados”, disse Martin Wirenfeldt Nielsen, patologista e atual diretor da coleção de cérebros da Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
“Sabemos quem eram os pacientes, onde nasceram e quando morreram. Também temos seus diagnósticos e relatórios de exames neuropatológicos (post mortem)”, explica Nielsen.
Muitos dos pacientes estiveram em hospitais psiquiátricos durante grande parte de suas vidas. Assim, além dos relatórios detalhados do patologista, os cientistas têm também o histórico médico de quase metade dos pacientes.
“Temos muitos metadados. Podemos documentar muito do trabalho que os médicos fizeram no paciente naquela época, além de termos o cérebro agora”, diz Nielsen.
O arquivamento de cérebros parou em 1982, quando a Universidade de Aarhaus se mudou para um novo prédio e não havia orçamento para abrigar a coleção. Em estado de abandono, chegou-se a cogitar a destruição de todo o material biológico. Mas em uma “operação de resgate”, a Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense, concordou em abrigar o acervo.
Por cinco anos, Nielsen foi diretor da coleção. Embora tivesse uma noção vaga, ele desconhecia a magnitude completa do arquivo. “Quando eu vi pela primeira vez, fiquei realmente surpreso.”
Embora sua existência nunca tenha sido um segredo e tenha sido objeto de rumores ocasionais, a coleção incomum não fazia parte da consciência coletiva dinamarquesa, até que o plano de mudança para a universidade em Odense a expôs completamente.
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Knud Kristensen era presidente da Associação Nacional de Saúde Mental da Dinamarca na época da polêmica sobre a coleção de cérebros — Foto: CORTESIA: KNUD KRISTENSEN.
Um grande debate público — com a participação de grupos políticos, religiosos e científicos — foi feito sobre ética e a forma como se conserva restos humanos, e também sobre os direitos dos pacientes. O povo dinamarquês deparou-se com algo que mantinha à margem: os transtornos mentais.
“Havia um estigma tão grande em torno dos transtornos mentais que ninguém que tinha um irmão, irmã, pai ou mãe em uma ala psiquiátrica sequer os mencionava”, diz Knud Kristensen, ex-presidente da Associação Nacional de Saúde Psiquiátrica.
“Naquela época, os pacientes ficavam internados a vida toda. Não havia tratamento, então eles ficavam lá, talvez trabalhando no jardim, na cozinha ou outras coisas. Eles morriam ali e eram enterrados no cemitério do hospital”, disse ele à BBC News Mundo.
Os pacientes psiquiátricos tinham poucos direitos. Eles poderiam receber tratamento para um caso específico sem qualquer tipo de aprovação.
Kristensen comentou que era muito provável que os parentes dos pacientes nem soubessem que seus cérebros estavam sendo preservados e disse que muitos dos cérebros da coleção apresentam sinais de lobotomia.
“Um tratamento ruim, com base no que sabemos hoje, mas bastante normal naquela época.”
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Nas décadas de 1930 e 1940, a lobotomia era um procedimento que podia ser realizado sem o consentimento dos pacientes ou de seus familiares. Hoje é considerado brutal e desumano — Foto: Getty images via BBC.
Quando Kristensen era presidente da associação, ele estava envolvido na decisão do que fazer com os cérebros — uma polêmica que passou por vários estágios de discussão.
A principal suposição era de que os órgãos haviam sido coletados sem o consentimento dos pacientes e de seus familiares e, portanto, do ponto de vista ético, não era aconselhável manter a coleção.
Então eles discutiram destruir os materiais ou mesmo enterrá-los ao lado dos pacientes a quem correspondiam. Mas não havia como identificar os túmulos de todos e até foi proposto fazer um enterro em massa de todos os cérebros em um só lugar.
Depois de vários anos, o Conselho de Ética da Dinamarca decidiu que era eticamente aceitável que eles fossem usados para pesquisa científica sem o consentimento das famílias. A associação concordou.
“Foi dito: ‘Fizemos uma coisa muito imoral ao coletar os cérebros, mas como os temos, também seria imoral destruir a coleção e não usá-la para fins de pesquisa’”, diz Kristensen.
A coleção de cérebros e toda a sua documentação estão disponíveis, com certas restrições, para qualquer pesquisador que apresente um projeto relevante. Isso inclui cientistas internacionais, embora eles tenham que submeter seus projetos a um comitê de avaliação e trabalhar em conjunto com cientistas dinamarqueses.
“Minha principal preocupação é que, sempre que uma pesquisa científica é aprovada, haja garantias de que o projeto seja executado de maneira ética”, diz Kristensen.
Cada cérebro é preservado em um balde de formol. O tecido adicional retirado durante a autópsia é envolto em blocos de parafina. Os cientistas conservaram muitas das placas de microscopia originais que foram feitas na época.
Nielsen não apenas gerencia a coleção, mas orienta os pesquisadores sobre o melhor uso do material, aplicando novas técnicas de biologia molecular para examinar mudanças no DNA do cérebro.
“Este é um excelente recurso científico e muito útil se você quiser saber mais sobre transtornos mentais”, diz Nielsen.
Para o diretor do acervo, o fato de os cientistas terem decidido ficar com os cérebros dos pacientes tantos anos atrás foi uma decisão “genial” para as futuras gerações de pesquisadores. “Talvez daqui a muito tempo, talvez 50 anos ou mais, alguém apareça e saiba mais sobre o cérebro do que nós.”
Knud Kristensen concorda que a coleção tem potencial para novas descobertas sobre transtornos mentais.
“Uma das grandes vantagens é que existem cérebros tão antigos que foram removidos de pacientes que não receberam drogas antipsicóticas (porque elas não existiam)”, disse Kristensen. “Isso significa que você pode fazer uma comparação desses cérebros antigos com cérebros novos para ver que mudanças essas drogas causam (no órgão).”
No entanto, ele diz que a coleção não está sendo muito utilizada. “A pesquisa custa muito dinheiro e a maioria dos estudos psiquiátricos é financiada pela indústria farmacêutica, cujo principal interesse é o desenvolvimento de novas drogas, e não a descoberta das razões que causam os transtornos mentais.”
Nielsen afirma que vários projetos para estudar doenças como demência e depressão estão em andamento. Até agora, entretanto, eles ainda não produziram resultados que possam ser considerados “revolucionários”.
“Mas eles já estão começando a surgir. Esses projetos exigem um compromisso de longo prazo, e isso significa vários anos até que haja resultados”, completa.
“O grande valor desta coleção é o seu tamanho”, diz Nielsen. “É único, porque, se quisermos investigar, por exemplo, uma doença tão complicada como a esquizofrenia, não precisamos nos limitar a poucos cérebros. Podemos contar com cem, 500, até mil cérebros para o mesmo projeto — o que nos permite ver as variações e o tipo de dano ao cérebro que, de outra forma, passariam despercebidos.”
Créditos: G1/BBC.