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O Setembro Amarelo é um período propício para refletir acerca da saúde mental e emocional do homem e, na urologia, a incontinência urinária é apontada como uma das principais causas da depressão em pacientes masculinos. A informação é do urologista cirurgião, Eduardo Cerqueira, que alerta para a necessidade de um olhar médico multidisciplinar sobre esse paciente que chega ao seu consultório com o problema urológico, mas também com problemas emocionais originados da própria incontinência, condição duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.

De acordo com o especialista, é comum as pessoas acreditarem que a principal causa da depressão masculina seja a disfunção erétil, porém, “os quadros de incontinência urinária, apesar de bem menos abordado, é muito mais importante nesse cenário, quando o assunto é a saúde emocional do homem”, ressaltou Dr. Eduardo Cerqueira. O cirurgião explica o fato de o homem como sendo aquele que, muitas vezes, é o provedor da casa, tem a vida motivada pela competitividade, e, “quando não consegue dar o melhor resultado, não consegue exercer seu trabalho, tudo isso acaba afetando muito psicologicamente esse homem”, frisa o cirurgião.

O urologista cita tais condições justamente pelo fato de que, quando o paciente apresenta o quadro de incontinência urinária, a insegurança afeta sua vida pessoal e profissional, pois qualquer trabalho que este homem for realizar, precisando ficar muito tempo sem urinar ou sendo uma atividade que exija um esforço maior, provavelmente a perda de urina acontecerá. “Essa, sem dúvida, é uma das questões que mais afligem os homens que sofrem de incontinência: não conseguir controlar a urina”, frisou o cirurgião. Além disso, ainda existem o medo de que o cheiro do escape seja percebido pelos outros ao redor; o receio de que o uso de fraldas, quando é necessário este uso, seja perceptível, e o próprio incômodo com a troca frequente das fraldas.

As principais causas da incontinência urinária masculina são questões relacionadas a cirurgias e o aumento benigno da próstata. “Quando existe o crescimento da próstata, o paciente sente dificuldade em eliminar toda a urina, ficando parte desta urina retida na bexiga. Isso faz com que o intervalo seja menor e ele urine mais vezes ao longo do dia. A bexiga enche mais rápido, justamente pelo fato de parte dela já está com o líquido. Isso faz com que o paciente tenha o que chamamos de urgência, ou seja, o paciente tenha uma vontade quase que incontrolável de urinar. Em quadros mais graves, nessa urgência, ele tem perdas e pode molhar a roupa”, explicou Dr. Eduardo Cerqueira. Existe ainda a incontinência urinária causada por tratamentos pós cirurgias de câncer de próstata, do reto, radioterapias para tratamento de outros cânceres, que podem comprometer o esfíncter, órgão responsável pelo controle da urina.

Para o especialista Eduardo Cerqueira, o sofrimento e a baixa qualidade de vida de quem convive com a incontinência urinária, principalmente por conta da pressão social e riscos da depressão e isolamento, precisam ser levados em conta. Os avanços nos últimos anos com procedimentos de excelentes resultados são uma realidade. O exemplo é o próprio esfíncter artificial que mantém a uretra fechada e impede o vazamento da urina. ‘O resultado é fantástico. Você pega pacientes com quadros de incontinência total, em que ele não retém nada de urina, você faz esse procedimento e o paciente volta a ter continência ou só pequenas perdas, volta a ter uma vida normal”, explicou.


Crédito: Marina Silva

Morador antigo da comunidade Baixa do Tubo, no bairro de Cosme de Farias, o dono de uma revendedora de gás Gerson Leopoldino Andrade, de 69 anos, era conhecido como uma pessoa tranquila e justa, mas foi assassinado por não pagar R$ 7 mil à facção Comando Vermelho (CV). A execução foi da pior forma: a vítima sofreu disparos no rosto quando estava com a família, em via pública, durante horário de intenso movimento do comércio local, no último dia 28. Um recado aos demais comerciantes, que são obrigados a pagar uma taxa para continuar trabalhando na região. Atualmente, os moradores enfrentam um clima de bastante tensão, porque, segundo eles, em um mês, 15 pessoas foram assassinadas pelo CV na Baixa do Tubo.

Ainda de acordo com eles, há cerca de dois meses os suspeitos instituíram as cobranças, determinadas pelas lideranças do CV na Baixa do Tubo: os traficantes Leandro, o “Lacoste”, e Michel, que têm como local estratégico o Alto do Cruzeiro e a Rua Jaguarari. O ponto de venda de Gerson funcionava no final de linha. “Eles estão fazendo do mesmo jeito que agem lá no Rio de Janeiro. Mandaram um ‘cabeça’ cobrar ‘Gerson do Gás’ três vezes, que negou todas. Na última, o cara disse: ‘Não precisa pagar mais, não’. No outro dia, mataram ele”, contou um amigo da família da vítima.

Dias antes de ter sido assassinado, o comerciante comentava com os mais próximos a sua indignação. “Ele era um morador antigo, nunca teve problema com ninguém, gostava das coisas certas. Quando cobraram na primeira vez, ele disse que não tinha os R$ 7 mil, que nem tirava isso no final do mês, e que mesmo que tivesse, não pagaria”, relatou o vizinho.

Gerson morreu pouco depois das 11h, após um homem a bordo de um carro prata descarregar uma arma contra ele, na Rua Edson Saldanha, a via principal da Baixa do Tubo. Testemunhas relataram que a vítima tinha acabado de buscar a neta, junto com a filha, quando foi baleada na cabeça. Após a execução, donos de farmácias, casas de materiais de construção, padarias, lanchonetes, salões de beleza e outros pontos comerciais, que estavam em atraso, começaram a pagar ao CV.

“Todos estão desesperados. Eles [traficantes] já disseram que mais gente que está devendo vai morrer. Alguns pegando empréstimo para não ter o mesmo fim. Tem comerciante dando R$ 1 mil, R$ 2 mil, outros R$ 5 mil, R$ 7 mil, vai depender da avaliação deles e o valor mensal. Aqueles que não deram o dinheiro estão largando tudo. Teve gente que foi embora no mesmo dia que mataram Gerson do Gás”, contou outro morador. Segundo ele, nem os trabalhadores autônomos escaparam da taxação. “Quem é mototaxista paga R$ 50 por semana para rodar”, disse. O CORREIO esteve no bairro, mas nenhum comerciante e mototaxista aceitou falar sobre o assunto.

Em relação à morte de Gerson, a Polícia Civil disse que a “1ª DH/ Atlântico segue com as investigações”. A reportagem perguntou à PC se a execução está ligada à denúncia de moradores, de que comerciantes são obrigados a pagar taxa para trabalhar. “Foram coletados depoimentos e demais diligências investigativas, que serão complementadas com laudos periciais. Há indicativo de autoria, entretanto, os detalhes não serão divulgados, para não interferir no curso das apurações”, respondeu a PC, em nota.

Capitalização

Antônio Jorge Melo é especialista em segurança pública e explica que a cobrança é um movimento que segue a ordem de capitalizar com tudo que é possível nos locais onde as facções atuam. “É uma prática que vem sendo observada em vários estados da federação e capitais. Essa forma de extorsão, independentemente de impor ou mostrar poder, é uma forma de capitalização”, diz.

“Não tinha ouvido falar em valores tão altos como o de R$ 7 mil em específico para comerciantes, mas já sabia, por exemplo, de outras cobranças que, além dos comerciantes, se estendem até para proprietários de veículos e motos e integrantes da própria facção que dão parte do dinheiro que ganham”, relata Melo, que também é coordenador do curso de Direito da Estácio.

Outro especialista ouvido pela reportagem, que pediu para não se identificar, indica que a cobrança de taxas faz parte de uma estratégia que também visa a imposição da política do medo na relação com quem tem comércio e mora nesses locais. “É para aumentar rentabilidade e se impor pelo medo. [As facções] não diferem das milícias, nesse sentido”, fala.

As milícias, citadas pela fonte, são organizões criminosas formadas por membros das forças de segurança como policiais militares e civis, bombeiros e guardas municipais. É nas milícias que o CV ‘se inspira’ para passar a cobrar taxas para comerciantes.

Agentes da polícia informam, no entanto, que o CV não inaugura a ação de cobrar comerciantes. Segundo eles, o grupo faz uma cobrança ‘mais estruturada’, ampliando a cobrança para além de comerciantes de maior rentabilidade para lucrar com pequenas e micro atividades, como a do revendedor de gás de Cosme de Farias.

Antônio Jorge Melo concorda e indica que as facções justificam a cobrança como um ‘serviço’. “Não é novidade essa cobrança que eles [faccionados] argumentam ser para ‘proteção’, garantindo que os comerciantes não serão vítimas de assaltos ou furtos”, completa.

Outras mortes 

Essa não foi a única medida “corretiva” do CV na Baixa do Tubo. Segundo os moradores, entre os meses de julho e agosto, a facção já matou cerca de 15 pessoas na região. “Eles estão oprimindo todo mundo. A Baixa do Tudo toda está apavorada. Ninguém quer falar nada. Ninguém está conseguindo dormir com medo de eles invadirem as casas e pegar as pessoas na covardia, como fizeram com as duas moças”, contou uma mulher, que reside no local há mais de 20 anos, e fez referência a Isabela Nascimento da Silva, 22 anos, e Liliane Silva, 36, ambas executadas na madrugada do último dia 28.

As duas mulheres estavam numa residência quando os criminosos arrombaram o cadeado, subiram até o terceiro andar e atiraram nelas. O local foi revirado. Na hora, além das duas vítimas, uma criança de menos de dois anos de idade, filha de Liliane, também estava no imóvel, que pertencia a Isabela. A criança não foi atingida e tempos depois foi resgatada por parentes. “As duas eram primas. E eles [traficantes] achavam que uma delas era ‘X-9’ (gíria usada para denominar quem fornece informações à polícia)”, contou.

A PC informou que a 1ª DH/ Atlântico investiga as duas mortes. “As demais circunstâncias, autoria e motivação do crime são apuradas pela unidade especializada e os desdobramentos não serão divulgados neste momento, para preservar o andamento do inquérito policial.”

Outro exemplo da crueldade de CV foi o caso de um homem que residia em Pirajá, mas tinha o hábito de beber na Baixa do Tubo, pois tinha amigos na região. “Ele era gente boa, gostava do baba daqui. Não se envolvia com nada. Quando foi 11h de um final de semana, encheram a cara dele de tiro, porque onde ele morava é BDM (Bonde do Maluco, facção arquirrival)”, relatou um morador.

Ainda segundo ele, dias depois, um rapaz foi assassinado após o Waze (aplicativo de navegação via GPS, que traça rotas) levá-lo para o Alto do Cruzeiro, quando deveria direcioná-lo para a entrada principal de Cosme de Farias. “Primeiro, viram que ele não era da área e olharam as tatuagens no braço, pra ver se tinha alguma coisa que indicasse outra facção, mas não encontraram nada. Aí, perguntaram para onde ele ia. O rapaz respondeu, dizendo que estava a caminho da casa de parentes. Só que o início do bairro é BDM e o mataram. O cara não entrava em nada”, relatou.

Sobre essas duas últimas mortes, a PC não comentou que entre os meses de julho e agosto, o DHPP contabilizou oito homicídios na região do bairro de Cosme de Farias. A reportagem procurou a Polícia Militar, para saber sobre a violência na região de Cosme de Farias, em especial na Baixa do Tubo, mas não obteve retorno. 

*Correio 24H


Jair Bolsonaro realiza duas cirurgias na manhã desta terça-feira

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – 12/07/2023

O ex-presidente Jair Bolsonaro realiza duas cirurgias na manhã desta terça-feira (12). Ele foi internado na tarde de ontem (11) no hospital Vila Nova Star, em São Paulo. A operação foi iniciada pouco antes das 5h. 

Segundo um comunicado da assessoria de Bolsonaro publicado nas redes sociais, o ex-mandatário “passa pelos procedimentos de correção de hérnia de hiato (causa refluxo, soluços e tosses secas contínuas) bem como desvio de septo para melhorar a condição respiratória (oxigenação)”.

O assessor Fábio Wajngarten afirmou ainda que está “tudo transcorrendo dentro da normalidade” no centro cirúrgico. 

Em agosto, o ex-presidente submeteu-se a exames preparatórios para realizar as cirurgias. Desde que levou uma facada na barriga em setembro de 2018 , Bolsonaro já passou por quatro procedimentos no trato digestivo e operações para a retirada de um cálculo na bexiga e uma vasectomia. 

Informações TBN


Estudo preliminar do laboratório Eli Lilly com molécula contra obesidade e diabetes mostrou redução de 24% no peso em voluntários. Percentual se aproxima dos 30% obtidos na bariátrica.

Retatrutida: remédio para a obesidade que pode substituir a cirurgia bariátrica

Retatrutida: remédio para a obesidade que pode substituir a cirurgia bariátrica 

Embora ainda em fase de testes, o estudo de um medicamento para tratamento de obesidade tem se mostrado promissor: chamado retatrutida, ele é capaz de reduzir em um quarto o peso do paciente. Na visão de especialistas ouvidos pelo g1, o remédio tem potencial de ser uma alternativa para a cirurgia bariátrica

👉 O medicamento é muito parecido com três hormônios do nosso corpo que atuam para inibir o apetite. Aplicado por meio de uma caneta injetável, ele pode vir a se somar a outras que já estão no mercado. (Leia mais abaixo.)

O estudo do laboratório farmacêutico Eli Lilly observou um grupo de mais de 300 pessoas que usaram a substância por um ano. Quem tomou 12 mg, a maior dosagem, perdeu 24% do peso

💊 Os especialistas apontam que essa é a primeira vez que um medicamento hormonal como esse se aproxima da perda de peso da bariátrica, cirurgia que na qual o paciente chega a perder 30% do peso. 

É a molécula que trouxe a maior perda de peso. Na pesquisa, vemos que as pessoas não tinham chegado a um platô, havia chance de perder ainda mais quilos. Com isso, essa substância pode vir a substituir a bariátrica. 

— Simone Lee, do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia 

A pesquisa ainda passará por uma nova fase, com previsão de conclusão em 2026

A provável chegada de mais um competidor mexe com um mercado bilionário. Nesta última semana de agosto, a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, Saxenda e Ozempic, destronou a francesa LVMH como a companhia listada em bolsa mais valiosa da Europa. 

Como funciona a retatrutida? 

A retatrutida é mais um recurso para tratar a obesidade e a diabetes, semelhante à semaglutida, a molécula mais famosa no tratamento da obesidade. 

A semaglutida imita o hormônio GLP-1, que influencia nossa sensação de saciedade

A retatrutida, no entanto, simula três hormônios: 

  • GLP-1: responsável pela sensação de saciedade;
  • GIP: que melhora a secreção de insulina após uma refeição;
  • GCG: que aumenta o nível de glicose no sangue.

Como a retatrutida age no organismo? 

GLP-1 é um hormônio secretado, principalmente, pelas células do intestino. Ele age no cérebro estimulando a diminuição do apetite. No entanto, uma enzima produzida pelo nosso organismo (a DPP4) faz com que o efeito desse hormônio passe rápido. 

É aí que entra a ação do medicamento: as moléculas que simulam o GLP-1 são resistentes à enzima. Enquanto isso, os hormônios GIP e GCG interferem na insulina. 

💡 Foi essa combinação que, segundo os especialistas, fez com que a perda de peso fosse maior que os medicamentos que já estão no mercado, além de controlar a diabetes tipo 2. 

O GCG é um hormônio que atua no fluxo contrário da insulina, para aumentar a glicose no sangue. O que a pesquisa mostrou é que, na forma como foi manipulado na molécula, o hormônio fez com que a pessoa aumentasse o gasto de energia e, assim, perdesse mais peso. 

— Simone Lee 

Abaixo, veja os tratamentos contra obesidade e diabetes tipo 2: 

Retatrutida em comparação com outras canetas — Foto: Arte/g1

Retatrutida em comparação com outras canetas — Foto: Arte/g1 

Retatrutida pode mesmo substituir a bariátrica?

A bariátrica é uma das medidas de tratamento contra a obesidade. A cirurgia muda a forma original do estômago e reduz a capacidade de receber alimento. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foram feitas mais de 70 mil cirurgias em 2022 nas redes pública e privada. 

O que os especialistas dizem é que, se a retatrutida mantiver nos estudos finais a mesma perda de peso, pode ser uma alternativa à cirurgia. 

“A gente só tem uma perda tão grande com a bariátrica. Com o tratamento clínico, até hoje a gente não tinha tido esse resultado. Essa substância pode, sim, ser uma opção“, explica Simone Lee, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). 

A médica endocrinologista e metabolista Isis Toledo, que participou do congresso da American Diabetes Association (ADA) em San Diego, nos Estados Unidos, quando a Eli Lilly apresentou os estudos sobre a retatrutida, também vê essa possibilidade. 

A retatrutida tem a capacidade de ser uma alternativa à bariátrica pela perda de peso que proporciona. É um avanço importante para o tratamento. 

— Isis Toledo, médica endocrinologista 

Apesar disso, os especialistas avaliam que, para que seja uma realidade como a bariátrica, tratamento usado por milhares de pessoas por ano, é preciso analisar os efeitos no longo prazo e o preço

😵 Efeitos colaterais – Segundo o laboratório, na pesquisa foram identificadas as seguintes reações adversas: náuseas, diarreia, vômito, aumento da frequência cardíaca, arritmia, constipação e sensibilidade na pele. 

💰 Custo: Esse tipo de tratamento contra a obesidade precisa ser de uso constante, o que esbarra no custo. 

A semaglutida, por exemplo, é vendida a cerca de R$ 1 mil cada caneta, não está disponível no SUS e precisa ser aplicada semanalmente. 

No caso da retatrutida, as aplicações também terão que ser semanais. 

A molécula precisa ser de uso constante, ela é um tratamento. Em outras moléculas, a gente já percebe que o efeito quando para de tomar é a retomada do ganho de peso. Então, é promissora, mas precisamos entender qual o valor para saber se as pessoas vão conseguir usar, de forma prática, como opção à bariátrica. 

— Isis Toledo, médica endocrinologista e metabolista membro da SBEM 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Antonio Carlos Valezi, os resultados são promissores, mas concorda que é preciso observar o efeito a longo prazo. 

“Eu diria que ainda é prematuro falar isso [que pode ser um substituto à bariática] porque é um estudo com pacientes por apenas um ano. A bariátrica tem 40 anos e hoje ainda é o método mais seguro e eficaz para manter a perda de peso no longo prazo com pacientes com obesidade”, explica. 

Semaglutida é remédio, não é cosmético; quando as canetas para obesidade e diabetes são indicadas

O laboratório Eli Lilly disse que não há uma pesquisa comparativa com a bariátrica, mas que o medicamento promoveu uma perda de peso significativa aos pacientes. 

“Embora a cirurgia bariátrica continue sendo uma opção de tratamento importante para alguns pacientes com obesidade, a retatrutida pode ajudar a fechar a lacuna de longa data entre os tratamentos farmacológicos e cirúrgicos para a obesidade”, disse em nota.

Canetas para tratar obesidade e diabetes tipo 2: entenda como agem

Canetas para tratar obesidade e diabetes tipo 2: entenda como agem 

Perspectivas de mercado

As opções de tratamento para a obesidade estão crescendo. Atualmente, os dois medicamentos no modelo caneta que simulam hormônios mais conhecidos no mercado são: 

  • Liraglutida: é vendida como Victoza e como Saxenda. Nos dois casos, é de uso diário. A diferença é que a Victoza é focada em adultos e crianças com diabetes tipo 2 e a Saxenda para adultos com obesidade, sobrepeso ou comorbidade associada.
  • Semaglutida: Aplicação semanal e indicação para adultos com diabete tipo 2. É vendida como Ozempic, disponível no Brasil, e Wegovy, ainda não disponível no Brasil. 

Os dois têm alto custo e são produzidos pelo mesmo laboratório, o Novo Nordisk. Em julho deste ano, o laboratório chegou a dizer que estava ajustando sua capacidade de produção por causa da demanda mundial para a semaglutida. 

Eli Lilly lidera estudo da retatrutida — Foto: Divulgação 

O que a diretora do setor de obesidade da SBEM avalia é que novas moléculas podem melhorar esse cenário no mercado. 

Ter mais moléculas disponíveis aumenta a possibilidade de que haja uma oferta de preço mais acessível para esses medicamentos. Além disso, quanto mais terapias tivermos para atender os pacientes, melhor. 

— Simone Van de Sande Lee, endocrinologista 

Além da retatrutida, o laboratório Eli Lilly também tem estudado outras duas moléculas: Orforglipron e a Tirzepatida

  • Tirzepatida – atua nos receptores de dois hormônios, o GIP e o GLP-1. Os estudos mostraram que a dupla ação reduziu os níveis de açúcar no sangue e o peso. A molécula foi submetida para aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2.
  • Orforglipron – também simula o GLP-1, mas é de uso oral. O estudo também é preliminar, mas mostrou perda de 15% do peso em nove meses. A molécula ainda depende de uma nova fase de estudo para pleitear a liberação junto aos órgãos reguladores. Ainda não há previsão de quando deve chegar ao mercado.

Informações G1


Foto: Blog do BG

Foto: Blog do BG 

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na noite desta segunda-feira considerar constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletiva, de contribuições assistenciais a serem cobradas de empregados, ainda que não sejam sindicalizados. Entretanto, ficará assegurando o direito de oposição. O julgamento aconteceu por votação eletrônica e foi concluído às vésperas do prazo final, às 23h59.

Dez ministros votaram a favor da constitucionalidade: Cristiano Zanin, mais novo integrante da Corte e indicado por Lula, Luiz Fux e Nunes Marques votaram nesta segunda-feira. Antes deles, já haviam votado a favor da retomada da cobrança o relator, Gilmar Mendes, e os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Rosa Weber. 

O voto contrário ficou com o antigo ministro Marco Aurélio Melo, que havia acompanhado entendimento de Gilmar Mendes, contrário à contribuição. Gilmar, no entanto, mudou de entendimento, mas o voto de Marco Aurélio continuou computado. Por isso, André Mendonça não participou desse julgamento. No recurso que foi julgado agora, os ministros muraram entendimento adotado pelo Supremo em 2017, quando considerou inconstitucional a imposição de contribuição assistencial porque já existia o imposto sindical obrigatório. No julgamento do recurso, iniciado em 2020, o relator, ministro Gilmar Mendes, havia sido inicialmente contrário à cobrança, mas mudou seu posicionamento. Ele destacou que há “real perigo de enfraquecimento do sistema sindical como um todo” após a reforma trabalhista. A contribuição assistencial, caso prevaleça o posicionamento da maioria dos ministros, somente poderá ser cobrada dos empregados da categoria não sindicalizados, se pactuada em acordo ou convenção coletiva, e caso os referidos empregados não sindicalizados deixem de exercer o seu direito à oposição. Em nota publicada em abril, o gabinete de Gilmar Mendes explicou que “o entendimento pela constitucionalidade das chamadas contribuições assistenciais, respeitado o direito de oposição, faculta a trabalhadores e sindicatos instrumento capaz de recompor a autonomia financeira do sistema sindical, concretizando o direito à representação sindical sem, ao mesmo tempo, ferir a liberdade sindical de associação”. O Globo, por Mariana Muniz 

Informações Diário do Brasil


Proposta, debatida em grupo de trabalho no Congresso, prevê flexibilizar períodos de inelegibilidade de um político e amenizar punições e prestações de contas. Relator espera votar propostas até esta quarta (13).

Minirreforma eleitoral: entenda o que pode mudar com o projeto em discussão na Câmara

Minirreforma eleitoral: entenda o que pode mudar com o projeto em discussão na Câmara 

A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana uma minirreforma eleitoral. A proposta, construída a partir de debates de um grupo de trabalho no Congresso, flexibiliza regras de inelegibilidade de um político, altera normas das campanhas eleitorais e de prestação de contas, além de outras modificações (veja mais abaixo). 

As propostas devem ser divulgadas nesta terça-feira (12) pelo grupo de trabalho criado para discutir o tema. 

O cronograma previsto pelo relator, deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA), prevê que os textos sejam votados em plenário na quarta (13). Até lá, podem ser feitas mudanças para ampliar o apoio junto aos líderes partidários. 

Entre os pontos que minirreforma deve alterar estão; 

  • Duração de inelegibilidade
  • Datas do calendário eleitoral
  • Regras para candidaturas coletivas
  • Possibilidade de campanha na internet no dia da eleição
  • Regras de punição em caso de irregularidades

Para especialistas, o conjunto de textos que formam a proposta, apresentado com pouco menos de um mês de trabalho do grupo, tem o efeito de flexibilizar regras para uso de recursos públicos e dificultar punições a partidos e candidatos. 

A pressa em discutir os projetos tem um motivo: para ser válida já nas eleições de 2024, a minirreforma precisa ser aprovada até 6 de outubro, ou seja, um ano antes do pleito. 

Entre 2013 e 2022, o Congresso realizou 19 modificações em legislações relacionadas às eleições e a partidos. O número representa uma modificação a cada seis meses nesses últimos 10 anos. 

Uma reforma mais ampla já está em discussão no Congresso desde 2021, quando a Câmara aprovou o texto que cria um novo Código Eleitoral. O projeto está travado no Senado. 

O relator do novo Código Eleitoral, senador Marcelo Castro (MDB-PI), tem trabalhado para votar o texto até o começo de outubro. 

Do outro lado, na Câmara, Pereira Jr tem dialogado para que o senador incorpore dispositivos dos seus textos no Senado. 

Confira a seguir as mudanças nas regras eleitorais propostas por Rubens Pereira Jr: 

A proposta prevê mudar a contagem do prazo de inelegibilidade de políticos que perdem o mandato. 

Por exemplo: um político que hoje é cassado na Câmara fica inelegível pelo resto do mandato e por mais oito anos seguidos. 

Pela minirreforma, esse período de inelegibilidade seria de apenas oito anos a partir da perda da mandato. Ou seja, é um período menor. 

Há ainda alteração semelhante para situações em que políticos forem condenados por crimes comuns — como por exemplo lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. 

Hoje, eles ficam inelegíveis durante o cumprimento da pena e por mais oito anos seguintes. Com o novo texto, ficariam inelegíveis nos oito anos após a condenação. 

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A proposta da minirreforma também muda datas do calendário eleitoral 

  • registro de candidatura: partidos deverão apresentar os pedidos de candidatura até as 19h de 26 de julho do ano eleitoral – atualmente vai até as 19h de 15 de agosto 
  • prazo de julgamento dos registros de candidatura: até a antevéspera da eleição– atualmente, a Justiça Eleitoral tem que julgar os registros em até 20 dias antes do pleito
  • convenções eleitorais: a etapa de escolha de candidatos deverá ocorrer entre 5 e 20 de julho do ano eleitoral – atualmente vai de 20 de julho a 5 de agosto do ano eleitoral

A candidatura coletiva consiste na união de pessoas, eleita sob um único número de urna, para tomar decisões conjuntas no mandato. A modalidade, apesar de já ser uma realidade e ter aparecido muito nas últimas eleições, ainda precisa de regulamentação. 

O texto do relatório pretende disciplinar a candidatura coletiva e permitir o registro nas eleições proporcionais (deputados e vereadores). 

O projeto estabelece que essa modalidade de candidatura deve ser regulada pelo estatuto do partido político ou resolução do diretório nacional do partido, além de ser “autorizada expressamente em convenção”. 

Além disso, a candidatura coletiva será considerada matéria “interna corporis” – ou seja, o partido tem autonomia para a definição de seus requisitos. 

O texto mantém a forma como as candidaturas coletivas são registradas atualmente. Ou seja, ainda serão representadas formalmente por um único candidato e, caso ele deixe o cargo, assumirá o suplente do respectivo partido. 

Campanha na internet no dia da eleição

A proposta de Rubens Pereira Jr. estabelece mudanças em regras da propaganda eleitoral. A principal alteração diz respeito à possibilidade derealizar campanha na internet no dia da eleição. 

Segundo o texto, a propaganda online poderá ser realizada via internet, desde que não haja impulsionamento – quando um candidato ou empresa paga para entregar o conteúdo a mais usuários da rede. 

Embora tenha recebido apelos para propor novas regras para propaganda eleitoral, o relator evitou avançar no tema. O deputado afirma que, para ampliar o apoio ao projeto, não serão incluídos dispositivos de combate à disseminação de informações falsas. 

O texto também introduz a possibilidade de realizar campanha conjunta entre candidatos de partidos diferentes – independentemente de estarem coligados ou integrarem a mesma federação. 

O dispositivo autoriza a confecção de materiais de propaganda eleitoral e o uso conjunto de sedes, mas impede repasse de recursos financeiros entre os candidatos. 

Em seu parecer, Pereira Jr propõe também inclui entendimento já fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a reserva de tempo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV para candidaturas femininas. 

De acordo com o texto, a distribuição em eleições proporcionais (vereadores e deputados) deverá observar o percentual de candidaturas de mulheres registradas na cidade ou estado, respeitando o mínimo de 30%. 

Em relação aos recursos utilizados pelos candidatos, o texto permite que o candidato utilize verbas próprias em sua campanha durante o período eleitoral até o limite de 10% do total previsto para o respectivo cargo. Isso porque cada cargo tem um teto. A regra também vale para o vice e para o suplente. 

O relatório pretende incluir uma norma que permite aos candidatos, em caso de comprovadas ameaças, contratar serviços de segurança e de cuidados “indispensáveis prestados a seus dependentes legais”, com o dinheiro do Fundo Partidário durante o período das convenções até o pleito. 

O texto também permite o uso do Fundo Especial de Financiamento das Campanhas (FEFC) com essa mesma finalidade. 

A proposta cria regras para distribuição de recursos dos fundos partidário e eleitoral em campanhas femininas. Na prática, abre brecha para que as verbas sejam usadas para candidatos homens. 

Apesar de determinar que o recurso destinado ao custeio das campanhas femininas seja aplicado exclusivamente nessas candidaturas, a proposta permite que o dinheiro seja destinado a despesas comuns com candidatos do sexo masculino, “desde que haja benefício para campanhas femininas e de pessoas negras”. O texto, contudo, não define quais seriam esses benefícios. 

A proposta de Pereira Jr. prevê mudanças nos critérios, alcance e punições aplicadas a irregularidades partidárias. 

▶️ Federações partidárias:

Segundo o texto, eventuais sanções a uma sigla integrante de federação partidária não poderão ser aplicadas a todos os outros membros da federação. 

▶️ Prestação de contas:

O projeto determina que uma sigla ficará sem repasses do Fundo Partidário (fundo público utilizado para manutenção das legendas) apenas durante o período em que durar sua eventual falta de prestação de contas. 

Na avaliação de especialistas, isso impossibilita o ressarcimento de recursos públicos não sem contas prestadas. 

▶️ Uso indevido de gastos:

O parecer prevê que a Justiça Eleitoral poderá aplicar multa de até R$ 150 mil, como alternativa à cassação de candidaturas, ao uso e arrecadação ilícita de recursos. A punição deverá levar em conta a “gravidade das circunstâncias”. 

Esse ponto é visto como uma flexibilização, por colocar alternativas à cassação da candidatura. 

O projeto cria a possibilidade de a Justiça Eleitoral aplicar multas como alternativa à cassação da candidatura de acusados por compra de votos. A aplicação da punição deverá levar em conta a “gravidade das circunstâncias”. 

A cobrança poderá ser de R$ 10 mil a R$ 150 mil. Atualmente, a cassação do mandato é aplicada junto de uma multa de até R$ 50 mil. 

Especialistas avaliam que a mudança poderá impedir a cassação de mandatos e possibilitar que a Justiça Eleitoral tenha um entendimento subjetivo sobre a gravidade do ato. 

▶️ Cota para mulheres:

De acordo com o relatório, a cota mínima de 30% de candidatas mulheres pode ser preenchida por uma federação, e não por cada partido individualmente. 

Por exemplo, se três siglas estiverem federadas, uma delas não precisa ter 30% de candidatas, desde que outra legenda compense este percentual. Na prática, segundo especialistas, a regra abre brecha para que um partido não atenda à cota de gênero. 

Hoje, a lei das eleições exige que cada sigla, federada ou não, cumpra o percentual mínimo de candidatas.

Informações G1


Foto: Blog do BG

Foto: Anushree Fadnavis/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (11) que não sabia da existência do Tribunal Penal Internacional (TPI). A declaração foi dada em uma entrevista coletiva após a cúpula do G20, em Nova Déli, na Índia.

“Eu nem sabia da existência desse tribunal”, disse o petista, acrescentando que pretendia investigar a razão pela qual o Brasil era signatário do Estatuto de Roma, tratado fundador da corte, enquanto grandes potências como Estados Unidos e China não eram. “Me parece que os países do Conselho de Segurança da ONU não são signatários, só os ‘bagrinhos’”, completou.

Na verdade, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, EUA, Rússia e China não aderiram ao TPI. França e Reino Unido, porém, são signatários do Estatuto de Roma e membros da corte. No total, a instituição reúne 123 países.

Folha de S. Paulo


Moradores relatam que 15 pessoas foram executadas em 1 mês só na Baixa do Tubo; polícia registrou 8 mortes

Tensão em Cosme de Farias

Tensão em Cosme de Farias. Crédito: Marina Silva

Morador antigo da comunidade Baixa do Tubo, no bairro de Cosme de Farias, o dono de uma revendedora de gás Gerson Leopoldino Andrade, de 69 anos, era conhecido como uma pessoa tranquila e justa, mas foi assassinado por não pagar R$ 7 mil à facção Comando Vermelho (CV). A execução foi da pior forma: a vítima sofreu disparos no rosto quando estava com a família, em via pública, durante horário de intenso movimento do comércio local, no último dia 28. Um recado aos demais comerciantes, que são obrigados a pagar uma taxa para continuar trabalhando na região. Atualmente, os moradores enfrentam um clima de bastante tensão, porque, segundo eles, em um mês, 15 pessoas foram assassinadas pelo CV na Baixa do Tubo. 

Ainda de acordo com eles, há cerca de dois meses os suspeitos instituíram as cobranças, determinadas pelas lideranças do CV na Baixa do Tubo: os traficantes Leandro, o “Lacoste”, e Michel, que têm como local estratégico o Alto do Cruzeiro e a Rua Jaguarari. O ponto de venda de Gerson funcionava no final de linha. “Eles estão fazendo do mesmo jeito que agem lá no Rio de Janeiro. Mandaram um ‘cabeça’ cobrar ‘Gerson do Gás’ três vezes, que negou todas. Na última, o cara disse: ‘Não precisa pagar mais, não’. No outro dia, mataram ele”, contou um amigo da família da vítima. 

Dias antes de ter sido assassinado, o comerciante comentava com os mais próximos a sua indignação. “Ele era um morador antigo, nunca teve problema com ninguém, gostava das coisas certas. Quando cobraram na primeira vez, ele disse que não tinha os R$ 7 mil, que nem tirava isso no final do mês, e que mesmo que tivesse, não pagaria”, relatou o vizinho. 

Gerson morreu pouco depois das 11h, após um homem a bordo de um carro prata descarregar uma arma contra ele, na Rua Edson Saldanha, a via principal da Baixa do Tubo. Testemunhas relataram que a vítima tinha acabado de buscar a neta, junto com a filha, quando foi baleada na cabeça. Após a execução, donos de farmácias, casas de materiais de construção, padarias, lanchonetes, salões de beleza e outros pontos comerciais, que estavam em atraso, começaram a pagar ao CV. 

“Todos estão desesperados. Eles [traficantes] já disseram que mais gente que está devendo vai morrer. Alguns pegando empréstimo para não ter o mesmo fim. Tem comerciante dando R$ 1 mil, R$ 2 mil, outros R$ 5 mil, R$ 7 mil, vai depender da avaliação deles e o valor mensal. Aqueles que não deram o dinheiro estão largando tudo. Teve gente que foi embora no mesmo dia que mataram Gerson do Gás”, contou outro morador. Segundo ele, nem os trabalhadores autônomos escaparam da taxação. “Quem é mototaxista paga R$ 50 por semana para rodar”, disse. O CORREIO esteve no bairro, mas nenhum comerciante e mototaxista aceitou falar sobre o assunto. 

Comerciante é assassinado por não pagar taxa ao Comando Vermelho

Comerciante é assassinado por não pagar taxa ao Comando Vermelho. Crédito: Divulgação

Em relação à morte de Gerson, a Polícia Civil disse que a “1ª DH/ Atlântico segue com as investigações”. A reportagem perguntou à PC se a execução está ligada à denúncia de moradores, de que comerciantes são obrigados a pagar taxa para trabalhar. “Foram coletados depoimentos e demais diligências investigativas, que serão complementadas com laudos periciais. Há indicativo de autoria, entretanto, os detalhes não serão divulgados, para não interferir no curso das apurações”, respondeu a PC, em nota.

Antônio Jorge Melo é especialista em segurança pública e explica que a cobrança é um movimento que segue a ordem de capitalizar com tudo que é possível nos locais onde as facções atuam. “É uma prática que vem sendo observada em vários estados da federação e capitais. Essa forma de extorsão, independentemente de impor ou mostrar poder, é uma forma de capitalização”, diz.

“Não tinha ouvido falar em valores tão altos como o de R$ 7 mil em específico para comerciantes, mas já sabia, por exemplo, de outras cobranças que, além dos comerciantes, se estendem até para proprietários de veículos e motos e integrantes da própria facção que dão parte do dinheiro que ganham”, relata Melo, que também é coordenador do curso de Direito da Estácio. 

Outro especialista ouvido pela reportagem, que pediu para não se identificar, indica que a cobrança de taxas faz parte de uma estratégia que também visa a imposição da política do medo na relação com quem tem comércio e mora nesses locais. “É para aumentar rentabilidade e se impor pelo medo. [As facções] não diferem das milícias, nesse sentido”, fala.

As milícias, citadas pela fonte, são organizões criminosas formadas por membros das forças de segurança como policiais militares e civis, bombeiros e guardas municipais. É nas milícias que o CV ‘se inspira’ para passar a cobrar taxas para comerciantes.

Agentes da polícia informam, no entanto, que o CV não inaugura a ação de cobrar comerciantes. Segundo eles, o grupo faz uma cobrança ‘mais estruturada’, ampliando a cobrança para além de comerciantes de maior rentabilidade para lucrar com pequenas e micro atividades, como a do revendedor de gás de Cosme de Farias.

Antônio Jorge Melo concorda e indica que as facções justificam a cobrança como um ‘serviço’. “Não é novidade essa cobrança que eles [faccionados] argumentam ser para ‘proteção’, garantindo que os comerciantes não serão vítimas de assaltos ou furtos”, completa. 

Policiamento em Cosme de Farias

Policiamento em Cosme de Farias. Crédito: Marina Silva Correio

Essa não foi a única medida “corretiva” do CV na Baixa do Tubo. Segundo os moradores, entre os meses de julho e agosto, a facção já matou cerca de 15 pessoas na região. “Eles estão oprimindo todo mundo. A Baixa do Tudo toda está apavorada. Ninguém quer falar nada. Ninguém está conseguindo dormir com medo de eles invadirem as casas e pegar as pessoas na covardia, como fizeram com as duas moças”, contou uma mulher, que reside no local há mais de 20 anos, e fez referência a Isabela Nascimento da Silva, 22 anos, e Liliane Silva, 36, ambas executadas na madrugada do último dia 28. 

As duas mulheres estavam numa residência quando os criminosos arrombaram o cadeado, subiram até o terceiro andar e atiraram nelas. O local foi revirado. Na hora, além das duas vítimas, uma criança de menos de dois anos de idade, filha de Liliane, também estava no imóvel, que pertencia a Isabela. A criança não foi atingida e tempos depois foi resgatada por parentes. “As duas eram primas. E eles [traficantes] achavam que uma delas era ‘X-9’ (gíria usada para denominar quem fornece informações à polícia)”, contou. 

A PC informou que a 1ª DH/ Atlântico investiga as duas mortes. “As demais circunstâncias, autoria e motivação do crime são apuradas pela unidade especializada e os desdobramentos não serão divulgados neste momento, para preservar o andamento do inquérito policial.”

Outro exemplo da crueldade de CV foi o caso de um homem que residia em Pirajá, mas tinha o hábito de beber na Baixa do Tubo, pois tinha amigos na região. “Ele era gente boa, gostava do baba daqui. Não se envolvia com nada. Quando foi 11h de um final de semana, encheram a cara dele de tiro, porque onde ele morava é BDM (Bonde do Maluco, facção arquirrival)”, relatou um morador.

Ainda segundo ele, dias depois, um rapaz foi assassinado após o Waze (aplicativo de navegação via GPS, que traça rotas) levá-lo para o Alto do Cruzeiro, quando deveria direcioná-lo para a entrada principal de Cosme de Farias. “Primeiro, viram que ele não era da área e olharam as tatuagens no braço, pra ver se tinha alguma coisa que indicasse outra facção, mas não encontraram nada. Aí, perguntaram para onde ele ia. O rapaz respondeu, dizendo que estava a caminho da casa de parentes. Só que o início do bairro é BDM e o mataram. O cara não entrava em nada”, relatou. 

Sobre essas duas últimas mortes, a PC não comentou que entre os meses de julho e agosto, o DHPP contabilizou oito homicídios na região do bairro de Cosme de Farias. A reportagem procurou a Polícia Militar, para saber sobre a violência na região de Cosme de Farias, em especial na Baixa do Tubo, mas não obteve retorno. 

Facções espalham medo na Bahia 

Mas não foi só em Cosme de Farias que o medo eclodiu nos últimos meses por causas de ações recentes das organizações criminais na capital e interior. O mês de setembro começou com terror para moradores e comerciantes do Alta das Pombas e Calabar. Em mensagem enviada por traficantes, que posteriormente foram compartilhadas em redes sociais na manhã do dia 4, era clara: ninguém deveria sair de casa depois das 15 horas. A presença ostensiva de agentes da força de segurança que tentaram conter a violência não foi suficiente para que comerciantes ignorassem o toque de recolher, determinado pelo poder paralelo. Quase nenhum comércio abriu durante o dia, mais de 1,1 mil alunos ficaram sem aulas e serviços essenciais sofreram os reflexos do confronto armado.

Policiamento está reforçado no Alto das Pombas

Policiamento está reforçado no Alto das Pombas. Crédito: Marina Silva/CORREIO

Depois de uma madrugada de tiroteios e confrontos entre traficantes e policiais, no entanto, foram poucos os que tiveram coragem de funcionar. Não havia sinal de movimento nos salões de beleza, padarias, lanchonetes, lojas e restaurantes da região. Além do Cemitério Campo Santo, duas funerárias da rua eram uns dos únicos estabelecimentos que se mantinham abertos. No Calabar, a situação era a mesma durante a tarde. A escalada de violência que culminou no cenário de abandono na segunda-feira (4) é resultado do conflito armado entre traficantes do CV e o BDM, que atualmente comanda o tráfico na região.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP/BA), até o dia 05 deste mês, foram apreendidos fuzis, pistolas, granadas. Pelo menos 10 pessoas morreram em confronto com a polícia e oito vítimas feitas reféns por traficantes em fuga. 

Em abril deste ano, os bairros de Tancredo Neves, Pau da Lima, Sussuarana e região receberam reforço das ações ostensivas da Polícia Militar. A operação ocorreu ações em área consideradas violentas, resultantes da disputa de facções sobre o comando da região. Na ocasião, moradores dos bairros Tancredo Neves e Arenoso viveram momentos de terror. As ações criminosas incluíram tiroteios e até uso de granada. Dois homens, um deles líder do tráfico local, foram mortos. Em Sussuarana, dois ônibus foram queimados.

Sequestro em Tancredo Neves

Sequestro em Tancredo Neves. Crédito: SSP-BA

Já em na cidade de Santo Amaro da Purificação, há cerca de quatro meses moradores do bairro do Bonfim acordaram apavorados com as paredes de suas casas, muros e estabelecimentos comerciais pichados com a sigla do Bonde do Maluco (BDM) sobre as iniciais do Terceiro Comando Puro (TCP), a segunda maior facção do Rio de Janeiro, e, por isso, arquirrival do Comando Vermelho (CV), que já está pulverizado em terras baianas. Ou seja, as duas facções atuam juntamente na região do recôncavo e adjacências para parar a expansão do CV no interior do estado, elevando os confrontos e a sensação de insegurança. 

Depois de Santo Amaro da Purificação, a fragilidade da segurança pública permitiu a chegada da parceria TCP/BDM ao município de Jacobina. No último dia 28, a cidade foi invadida por homens fortemente armados. Os moradores acordaram apavorados com os vídeos que os próprios criminosos postaram nas redes sociais. Os faccionados decretaram que as localidades de Jacobina III e IV, Vila Feliz, Bananeira, Grotinha e Caixa d’Água agora pertencem ao grupo. 

TCP chega em Santo Amaro faz parceira com o BDM

TCP chega em Santo Amaro faz parceira com o BDM. Crédito: Reprodução

A reportagem entrou em contato com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que representa o setor no município para saber se o órgão está ciente do problema enfrentado pelos comerciantes na Baixa do Tubo, mas não havia porta-voz disponível na sexta-feira (08). Foi solicitado um posicionamento por escrito como alternativa, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. 

O Observatório de Segurança Pública também foi procurado para comentar sobre o impacto das ações criminosas na localidade, mas de acordo com a equipe, não há especialistas estudando a criminalidade em Salvador no momento. O instituto Fogo Cruzado foi procurado para informar o número de tiroteios registrados na Baixa do Tubo entre julho e agosto, mas a organização informou que não possui registros da localidade em sua base de dados.


Foto: Felipe Oliveira/ Divulgação /EC Bahia

O novo técnico do Bahia, Rogério Ceni, foi apresentado na tarde desta segunda-feira (11) na Arena Fonte Nova. Com uma sala de imprensa cheia, o comandante do Tricolor falou sobre detalhes da negociação com o clube e destacou o tamanho da parceria com o clube com o Grupo City, gestor da SAF.

“Primeiro, quero dizer que é um prazer estar aqui com vocês. Uma oportunidade especial na minha vida. O Bahia, por si só, pela sua grandeza, história, títulos, em conjunto com o Grupo City, talvez seja a melhor oportunidade de trabalho no país. Então, eu venho aqui pela tradição do clube, pela história e pela oportunidade da junção dessas duas marcas. Quarta-feira à noite começou as conversas com o Bahia, antes disso eu nunca tive contato. Aliás, fui conhecer o Cadu (Santoro) aqui, no domingo. E falei pela primeira vez no telefone com ele, na quarta à noite. Eu estava no Mato Grosso, na fazenda, recebi a ligação e de sexta para sábado nós já tínhamos tudo certo. O domingo era folga pros jogadores e começamos o trabalho no dia de hoje”, disse.

Dias se passaram entre a informação do acerto e o anúncio oficial, o que gerou dúvidas por parte da torcida e gerou especulações. Questionado sobre possíveis exigências para fechar com o Esquadrão, o ex-goleiro explicou detalhes e disse que não busca autonomia na gestão do futebol.

“Eu assinei o contrato de sexta para sábado, à 1h da manhã, então eu não posso ter feito exigência depois de ter assinado um contrato trinta e poucas horas antes de chegar aqui,. Eu venho para ser o treinador do Bahia, para tentar desenvolver atletas, que já estão aqui, pra tentar fazer o meu melhor. Essa parte administrativa, o grupo que administra o clube já mostra todo seu profissionalismo e autonomia. É claro que haverá consulta de determinado jogador no futuro. Para esse ano é um elenco fechado. Hoje eu trabalhei pela primeira vez com o clube e gostei de todos. Eu venho aqui pra trabalhar na minha função, que é de treinador de futebol. Não fiz nenhuma exigência, fui super bem recebido. Primeiro, eu estou na Bahia. Segundo, eu estou em Salvador. Terceiro, eu tenho a oportunidade de vestir a camisa do Bahia. E quarto, num grupo do tamanho do Grupo City, que talvez seja o local mais profissional que eu possa trabalhar. Então, isso já são motivos suficientes para estar aqui”, indicou.

Com vínculo até o fim de 2025, Ceni deixou claro que a missão é “fazer o simples” para evitar o rebaixamento do Esquadrão de Aço.

“Nunca é mais um clube. Na minha vida, nenhum clube foi mais um clube. Todos que eu passei eu tentei o meu melhor. São 25 anos como atleta do São Paulo. Dois anos como treinador do São Paulo, três anos como treinador do Fortaleza, quase um ano no Flamengo. A única passagem curtíssima foi no Cruzeiro. Eu trato isso aqui como a oportunidade da minha vida, da minha carreira e vou tratar o Bahia como o São Paulo, que é o lugar que fiquei vinte e poucos anos na minha carreira. Eu sei do momento de dificuldade, do objetivo principal que é fazer com que o time se mantenha na Série A. Segundo objetivo, conquistar uma vaga e dar um calendário completo pro Bahia no ano que vem, jogando uma Copa Sul Americana. ‘Ah, é difícil’. Claro que é difícil, mas nós temos que aprender a superar todas as adversidades”, apontou.

Bahia Notícias


Foto:ACM

Equipes da Polícia Civil da Bahia estão nas ruas de Feira de Santana, Camaçari e Juazeiro desde a manhã desta segunda-feira (11), para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. Trata-se do ‘Dia D’ do primeiro ciclo da Operação Paz, iniciada no dia 1º de setembro em 12 estados brasileiros. Já foram realizadas nove prisões em cumprimentos de mandados e outras três em flagrante. A ação é liderada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e conta com as forças policiais das unidades da federação envolvidas. O objetivo da operação é combater as Mortes Violentas Intencionais, agindo sobre os fatores que mais fomentam tais crimes, como o tráfico de drogas e a formação de organizações criminosas.

Aqui em Feira de Santana, até o momento, duas pessoas foram presas e 25 mandados de prisão foram expedidos. Em entrevista ao De Olho na Cidade, a delegada da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior (1ª Coorpin), Klaudine Passos, informou que as mortes violentas que ocorreram na cidade nos últimos dias, motivaram a ação.

O foco principal são as mortes violentas, de modo que hoje foi deflagrada a operação com a finalidade de cumprimento da prisão já deferida aqui na unidade, e bem como a formalização de algumas cauteladas das fases. Tivemos duas prisões de cunho civil, uma prisão por não ter pago pensão alimentícia, uma outra relacionada a um homicídio e a terceira foi apreensão de um adolescente. Nós temos uma série de mandados já expedidos. Hoje nós tivemos uma média de 20 mandados cumpridos”.

Ainda segundo a delegada, a operação também visa combater o tráfico de drogas em alguns bairros da cidade.

“Nós elegemos alguns dos principais bairros onde acontece muitos homicídios: Mangabeira, Confeição, Santo Antônio dos Prazeres, Asa Branca, Pedra do Descanso, Tomba e Fraternidade”, afirmou.

Na Bahia, o trabalho da Polícia Civil é orientado pela Coordenação de Operações de Polícia Judiciária (COPJ).

Os mandados a serem cumpridos nesta segunda são resultado de investigações em curso e de informações de inteligência coletadas ao longo dos primeiros dias deste fase inicial. Além da Bahia, a Operação Paz conta com ações no Amapá, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins.

*De Olho Na Cidade