Serão apenas 6,6 mil vagas em disputa. Edital deverá sair até 22/12 deste ano, e prova será aplicada em todo o país no fim de março de 2024

O governo trabalha com a expectativa de 5 milhões de candidatos concorrendo ao Concurso Nacional Unificado (CNU), que deverá ser realizado no fim de março de 2024. A informação foi adiantada ao Metrópoles pela secretária-adjunta de Gestão de Pessoas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Regina Camargos.
O chamado “Enem dos Concursos” aproveita experiências do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), considerado um case de sucesso pelo alcance e tempo de aplicação no país.
“Cinco milhões é o que a gente está prevendo, o (número) máximo de candidatos. A gente está fazendo uma extrapolação com base no Enem”, detalhou a secretária.
No total, 21 órgãos e entidades aderiram ao CNU, com o total de 6.640 vagas. Confira a distribuição:
Ensino médio
Agente de atividades agropecuárias: 100 vagas
Agente de Inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal: 100 vagas
Técnico de Laboratório: 40 vagas
Agente em Indigenismo: 152 vagas
Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas: 300 vagas
Ensino superior
Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental: 150 vagas
Analista de Infraestrutura: 300 vagas
Analista Técnico de Políticas Sociais: 360 vagas
Analista em Tecnologia da Informação: 300 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 190 vagas
Economista: 27 vagas
Psicólogo: 2 vagas
Estatístico: 12 vagas
Técnico em Comunicação Social: 10 vagas
Técnico em Assuntos Educacionais: 2 vagas
Arquivista: 16 vagas
Arquiteto: 14 vagas
Engenheiro: 68 vagas
Bibliotecário: 4 vagas
Contador: 5 vagas
Médico: 20 vagas
Analista de Comércio Exterior: 50 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 50 vagas
Economista: 10 vagas
Especialista em Regulação de Serviços de Transportes Aquaviários: 30 vagas
Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia: 40 vagas
Auditor-fiscal federal agropecuário: 200 vagas
Analista em Ciência e Tecnologia: 40 vagas
Tecnologista: 40 vagas
Analista Administrativo: 137 vagas
Analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário: 446 vagas
Engenheiro Agrônomo: 159 vagas
Analista em Ciência e Tecnologia: 296 vagas
Analista Técnico de Políticas Sociais: 40 vagas
Analista Técnico de Políticas Sociais: 70 vagas
Indigenista Especializado: 152 vagas
Administrador: 26 vagas
Antropólogo: 19 vagas
Arquiteto: 1 vaga
Arquivista: 1 vaga
Assistente Social: 21 vagas
Bibliotecário: 6 vagas
Contador: 12 vagas
Economista: 24 vagas
Engenheiro: 20 vagas
Engenheiro Agrônomo: 31 vagas
Engenheiro Florestal: 2 vagas
Estatístico: 1 vaga
Geógrafo: 4 vagas
Psicólogo: 6 vagas
Sociólogo: 12 vagas
Técnico em Assuntos Educacionais: 2 vagas
Técnico em Comunicação Social: 10 vagas
Tecnologista: 220 vagas
Analista Técnico Administrativo: 100 vagas
Analista Técnico de Políticas Sociais: 30 vagas
Auditor-Fiscal do Trabalho: 900 vagas
Analista Administrativo: 15 vagas
Especialista em Previdência Complementar: 25 vagas
Especialista em Regulação de Saúde Suplementar: 35 vagas
Analista de Planejamento, Gestão e Infraestrutura em Informações Geográficas e Estatísticas: 275 vagas
Tecnologista em Informações Geográficas e Estatísticas: 312 vagas
Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas: 8 vagas
Administrador: 154 vagas
Arquiteto: 5 vagas
Arquivista: 2 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 90 vagas
Contador: 47 vagas
Economista: 35 vagas
Engenheiro: 18 vagas
Estatístico: 7 vagas
Médico: 3 vagas
Psicólogo: 10 vagas
Técnico em Assuntos Educacionais: 20 vagas
Técnico em Comunicação Social: 9 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 30 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 45 vagas
Economista: 15 vagas
Analista Técnico-Administrativo: 50 vagas
Pesquisador-Tecnologista em Informações e Avaliações Educacionais: 50 vagas
O exame para ingresso em cursos de ensino superior já teve um total de 8 milhões de candidatos. Durante a pandemia, o número caiu para 3 milhões. Na edição deste ano do Enem, foram mais de 3,9 milhões de inscritos. “Então, a gente está trabalhando nessa faixa aí de 5 milhões de candidatos”, completou Camargos.
No termo de referência, documento usado para definir a banca organizadora, o universo de candidatos estimado é menor, de, no mínimo, 1,5 milhão de pessoas. Mas há a ressalva: “podendo sofrer acréscimo ou redução durante o período de inscrição”.
A prova será realizada apenas em março, porque é exigido um período mínimo de três meses entre a publicação do edital e a aplicação, para garantir aos candidatos tempo hábil de preparo.
Em 5 de novembro, data da aplicação da primeira fase do Enem, imagens da prova foram divulgadas durante o horário do teste. O ministro da Educação, Camilo Santana, minimizou o episódio, afirmando tratarem-se de “ocorrências pontuais”.
Questionada sobre como antevê esse tipo de problema no Concurso Unificado, a secretária Regina Camargos explicou que o governo trabalha com o apoio da Polícia Federal (PF), que vai acompanhar todo o processo de segurança do concurso. Nos estados, terá o apoio das polícias militares e civis, que vão atuar no combate a eventuais problemas relacionados a vazamentos. Os órgãos policiais também deverão auxiliar no transporte das provas.
“Vai ter toda uma operação, inclusive, de inteligência para que, a cada etapa do concurso, a gente trabalhe com o maior nível de segurança possível de modo a evitar esse tipo de problema que surgiu recentemente no Enem”, destacou.
Em outra frente, o governo lançou recentemente o site oficial do CNU, cujo objetivo é evitar que as pessoas caiam em eventuais golpes ou disseminem informações falsas sobre o Concurso Nacional. No fim de outubro, o ministério publicou, em seus canais oficiais, um alerta para a tentativa de golpe envolvendo o certame.
Tratava-se de um link enviado aos cidadãos para a realização de inscrição falsa. De acordo com o MGI, o link levava o internauta a uma página de cadastro e pagamento de Pix no valor de R$ 107,82. Vale lembrar que o prazo para as inscrições ainda não foi iniciado, e tampouco há informação sobre o valor da taxa de inscrição.
Informações detalhadas estarão disponíveis apenas no edital, que deverá ser publicado no Diário Oficial da União (DOU) no fim de dezembro.
A pasta divulgou na semana passada a escolha da banca examinadora: a Fundação Cesgranrio, que foi a responsável pelo maior Enem da história, com 8 milhões de inscritos. Ela tem feito vários concursos nacionais, como as da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e do IBGE.
O edital com requisitos, vagas, salários, conteúdo programático, formas de inscrição, critérios de seleção, data e local das provas deverá ser divulgado até 22 de dezembro.
“Estamos trabalhando com 22 de dezembro no limite, sendo que, a depender do andamento da definição do conteúdo programático, pode ser que tenha alguma alteração. Isso vai depender muito dessas articulações entre o MGI, os órgãos e a própria Fundação Cesgranrio”, adiantou Regina Camargos.
Os resultados gerais da primeira fase deverão ser divulgados até o fim de abril de 2024. O resultado final do certame deverá ser divulgado no fim do mês seguinte, maio. O início dos cursos de formação, o processo de ambientação e a alocação inicial dos servidores estão previstos para o período entre junho e julho.
Os novos servidores públicos deverão começar a trabalhar efetivamente em agosto do próximo ano, quando deverá ocorrer a posse.
O concurso será realizado, de forma simultânea, em 180 cidades, distribuídas pelas cinco regiões do país. Todas as capitais estarão abarcadas, a elas se somando municípios selecionados por critério do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Veja lista de cidades onde será aplicado o Concurso Nacional Unificado
Serão 7 blocos temáticos de nível superior e 1 bloco de nível intermediário:
As provas serão realizadas em um único dia, dividida em dois turnos:
Informações Metrópoles

O desembargador Nelson Jorge Júnior, da 13ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), autorizou a penhora de bens de dois integrantes do alto escalão do grupo Southrock, controlador rede de cafeterias Starbucks e do Eataly no Brasil.
Vão ser penhorados R$ 5,3 milhões do CEO do grupo, Kenneth Pope, e do chefe financeiro, Fábio Rohr. A decisão atendeu a um pedido do Banco Pine, para quem o grupo deve R$ 14 milhões.
De acordo com o pedido, Eataly e Southrock foram citados no início de novembro para que indicassem bens que servissem à execução da dívida com o banco. Como a indicação não ocorreu, a instituição financeira pediu a concessão da penhora on-line.
Segundo o advogado Gabriel de Britto Silva, especializado em Direito Empresarial, sem o pagamento da dívida e sem a indicação de bens, a penhora passa a ser adequada.
O controlador do Eataly apresentou pedido de recuperação judicial no fim de outubro. No entanto, o juiz Leonardo Fernandes dos Santos ainda não decidiu sobre o mérito do pedido.
Na última quinta-feira, 30, o magistrado determinou a inclusão da rede de lanchonetes Subway na relação de negócios sujeitos à recuperação judicial.

As empresas sob gestão da Southrock no Brasil devem a 2.357 credores. Com ex-funcionários, a dívida da empresa que controla o Starbucks é de R$ 10,4 milhões. Cerca de 885 pessoas estão esperando o pagamento da dívida.
Informações Revista Oeste

Cuscuz é o prato originário da região norte da África, que ganhou popularidade no Brasil, ou seja, está presente na culinária brasileira desde a época do período colonial. Essa iguaria é feita com a mistura de farinha de milho e com muitos ingredientes, alguns exemplos: ovo, carne seca, tomate, azeitona, coco, banana e manteiga.
Há acompanhamentos que soam como “perigo” no cuscuz, ou seja, alguns componentes trazem dúvidas principalmente para quem quer estar fininho. Aí é que surge a dúvida: cuscuz é aceito na dieta para emagrecer?
“O cuscuz pode fazer parte de uma dieta para emagrecer, porém com quantidade controlada. Por ser feito de milho, não contém glúten, sendo assim uma boa alternativa para substituir pães e bolos. Por outro lado, o milho contém alta quantidade de carboidrato pela base ser amido e de alto índice glicêmico, ou seja, um carboidrato de rápida digestão. Deve ser usado na alimentação de forma estratégica como fonte de energia”, responde em entrevista exclusiva para o Sport Life a nutricionista do Instituto Nutrindo Ideais, Leticia Carbinatti.
Paralelamente, Leticia pontua que o cuscuz não trará à alimentação o aporte de vitaminas, minerais e proteínas, isto é, o ideal é ser preparado de uma fonte protieca, como ovos, peixes, frango, carne, hummus e tofu.
“Se o objetivo é emagrecer e considerar uma dieta de 1500 kcal, o recomendado é consumir até duas vezes na semana. Uma porção de 30g (hidratado) acompanhado de uma fonte proteica, por exemplo: dois ovos e alguma semente para lentificar o processo de digestão, como chia e semente de girassol”, indica Carbinatti.
Outro acréscimo citado por essa profissional é sobre a forma como o cuscuz é pesado ou medido. Aí é que se deve levar em consideração as informações nutricionais.
“Em 50g de cuscuz desidratado, há 38g de carboidrato, 4g proteína, 2g fibra, 0,5g de gordura e 170 kcal. Já ele hidratado, o seu peso sobe para 150g, porque adiciona água, o que diminui a quantidade de carboidrato por porção. É preciso conferir no que a tabela nutricional se refere”, orienta a nutricionista.
Tudo varia de acordo com a rotina, horário de treino e demais afazeres de um sujeito, detalhes que não evitam uma indicação com base no equilíbrio, que permite adicionamentos leves e saciedade.
“Considerando o emagrecimento como foco, o café da manhã é a primeira refeição depois de um período em jejum. Portanto, não é recomendado comer o cuscuz nessa hora por ser de alto índice glicêmico, causando um pico de insulina e conversão rápida de açúcar no sangue. Por consequência, nessa situação acontece com mais facilidade o ganho de peso. Recomendaria nessa situação consumir o cuscuz como acompanhamento do almoço, substituindo o arroz, macarrão ou no lanche da tarde acompanhado de um frango desfiado”, indica.
Usa-se uma farinha flocada mais fina. Normalmente, acompanhada de uma proteína e no preparo apenas água e sal ou uma colher de chá de manteiga.
Flocos de milho grandes e grossos normalmente no preparo são acrescentados muitos outros ingredientes.
Feito com sêmola de trigo, contém glúten e é considerado mais inflamatório.
“Se formos comparar em ordem, listei os tipos de cuscuz e saudabilidade e sem considerar calorias em uma mesma porção”, pondera.
“O cuscuz é fonte de carboidrato de rápida absorção. Ou seja, se você está pensando em um pré-treino em um período curto, 40 minutos ou menos, antes do treino, o cuscuz terá um efeito benéfico como fonte de energia”, termina a nutricionista Leticia Carbinatti.
Créditos: SprotLife.

Foto: Reprodução/Marcos Oliveira/Agência Senado.
O fim da reeleição no Executivo e a transformação dos cargos de ministros do Supremo Tribunal Federal em mandatos temporários estarão na pauta do Poder Legislativo em 2024. O presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco, já mencionou que pautará as propostas para votação no ano que vem. As mudanças são apoiadas por vários senadores. Os senadores Plínio Valério (PSDB-AM), Flávio Arns (PSB-PR) e Angelo Coronel (PSD-BA) têm propostas semelhantes que estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda não tiveram a relatoria indicada.
— Essa proposta de emenda à Constituição ainda está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Nós vamos dar a cadência devida na CCJ, mas este ano ainda não vai ser possível. Mas eu quero crer que, no começo do ano que vem, a gente possa evoluir nessa proposta de emenda à Constituição, assim como na proposta de emenda à Constituição do fim da reeleição no Brasil. São dois temas muito apropriados para o início do ano que vem — afirmou Rodrigo Pacheco em entrevista à repórter Paula Groba, enviada especial para a COP 28 em Dubai.
Em entrevistas à Agência Senado, os três autores apoiaram a decisão do presidente.
— Senador Pacheco demonstra as mesmas preocupações que diversos membros do Congresso. É preciso enfrentar essa discussão e o Congresso Nacional decidir essas eventuais adequações. O importante é vermos que essa discussão é muito necessária neste momento, a fim de evitarmos termos cortes jurídicas com atuação ou tendências políticas que rivalizem com os representantes eleitos pelo povo — disse Angelo Coronel.
Ele é autor da PEC 77/2019, que limita o mandato de ministros do STF a oito anos, permitida uma recondução, e aumenta para 55 anos a idade mínima para compor a Suprema Corte.
— A principal motivação é assegurar o equilíbrio entre os Poderes. É preciso preservar o Poder Judiciário e evitar todo tipo de perpetuação de poder. Determinar mandatos para alta cúpula do Judiciário é uma forma de evitar que um Poder da República fique refém dos mandatos de seus membros. Assim como no Legislativo e no Executivo, é preciso que o Judiciário tenha essa renovação nos cargos principais — defende.
A proposta altera a escolha dos ministros, que passariam a ser indicados também pela Câmara e pelo Senado. O objetivo principal é descentralizar as indicações, segundo o autor. Dos 11 ministros, 3 seriam eleitos pelo Senado e 3 pela Câmara; os demais continuariam sendo indicados pelo presidente da República. Todos os indicados teriam que ser escolhidos dentre os “ministros de tribunais superiores, desembargadores ou juízes de tribunais”. Senado e Câmara também elegeriam parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Superior Tribunal Militar (STM). Caso aprovada, a escolha dos próximos seis ministros do Supremo será feita primeiro pela Câmara e pelo Senado, alternadamente. Depois disso, as demais indicações serão feitas pelo órgão (Câmara, Senado ou Presidência da República) que indicou o ministro cujo cargo ficou vago.
Já Plínio Valério é autor da PEC 16/2019, que estabelece mandato fixo de oito anos para ministros do Supremo e aumenta a idade mínima para nomeação de 35 para 45 anos. O senador sublinha que as novas regras só valeriam para futuras indicações feitas após a publicação da emenda constitucional.
— Hoje alguns pensam que o prédio do Supremo é o Olimpo, mas não é. Alguém tem que ter poder para colocar um freio nisso e esse poder chama-se Senado Federal. Nós fazemos as leis, o Congresso. Quem pode aprimorar, quem pode trabalhar, modificar ou fazer nova lei, somos nós. Não são eles. Nós temos que assumir o nosso papel e o Rodrigo acertou muito bem, está tendo o apoio total nosso aqui, pra gente continuar fazendo coisas dentro da lei, pela lei. Eu acho que essa PEC vai tramitar legal — afirmou Plínio Valério.
A PEC 16/2019 também fixa prazos para o presidente fazer suas indicações para o STF e para o Senado analisá-las. O presidente da República teria de indicar ao Senado o nome de um novo membro do STF em até um mês do surgimento da vaga no tribunal. O Senado teria, então, até 120 dias para analisar a indicação.
Se o nome for aprovado pelo Senado (por maioria absoluta), o presidente da República terá dez dias para proceder à nomeação do novo ministro. Caso nada faça, será considerado que o presidente deu anuência tácita à nomeação. Esses prazos não existem hoje.
— O Senado representa o Brasil. E eles foram empoderados como juiz de um Supremo Tribunal Federal e alguns deles se julgam semideuses. Por causa dessa longevidade. Ele entra aos 40, 45, 50 e só sai com 75, quando então já tem casa em Nova York, casa em Portugal e não vão mais dar satisfação porque vão morar fora. Com oito anos [de mandato], ele vai ser bom, ser justo, não vai sucumbir aos encantos do poder — acrescentou Plínio Valério.
Ele antecipou que a relatoria das mudanças no STF deve ficar com a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Na avaliação de Plínio Valério, o texto final deve acabar propondo um mandato fixo de 10 ou 12 anos e uma idade mínima de 45 anos. Plínio Valério disse que as PECs deverão ser apensadas e tramitarão em conjunto, cabendo ao futuro relator condensar as propostas e as emendas apresentadas em um texto substitutivo.
Na segunda-feira (27), Rodrigo Pacheco afirmou que a criação de um mandato temporário fixo para ministros do STF e a elevação da idade mínima para ingresso podem “ser uma sistemática muito positiva para o Brasil”. Ele disse que o Supremo não pode se tornar a última instância da discussão política no Congresso Nacional.
Por sua vez, a PEC 51/2023, de Flávio Arns, estabelece mandato de 15 anos para o cargo de ministro do STF e fixa em 50 anos a idade mínima para a nomeação. A proposta estabelece também uma quarentena para impedir que sejam nomeados para o STF quem houver exercido nos três anos anteriores, por qualquer período, um dos seguintes cargos: procurador-geral da República, defensor público-geral Federal, ministro de Estado ou titular de órgão diretamente subordinado à Presidência da República, ou, ainda, dirigente de entidade da administração pública federal indireta. Aguarda indicação de relator na CCJ.
— Uma questão estatal fundamental jamais foi objeto de reforma constitucional: as regras de seleção dos ministros do STF e a duração de seus cargos. Essa questão é crucial porque, além de determinar o grau de legitimidade, independência e imparcialidade que os membros da cúpula do Judiciário ostentarão, ela também diz respeito ao tipo de jurisdição constitucional que desejamos ter em relação à nossa própria identidade nacional — argumenta Arns.
— As nossas leis e regras jurídicas mudam de modo cada vez mais acelerado, para acompanhar o ritmo crescente da globalização, inovação tecnológica e diversificação cultural. Nada mais coerente e razoável que a forma de escolha dos nossos guardiões da Constituição, bem como a frequência com que a Corte se renova, sejam adequadas à realidade sociopolítica brasileira, bem como adaptáveis às suas constantes mudanças — acrescenta.
Arns afirma também que o debate sobre a forma de mandato e de escolha dos membros do STF vem sendo feito pelos congressistas há mais de uma década.
— Todas as instituições estatais estão sujeitas a atualizações e aprimoramentos normativos, inclusive o Congresso Nacional, que já sofreu tantas mudanças desde a primeira Constituição republicana do Brasil — diz.
O STF completou 215 anos em 2023, pois teve como embrião a Casa da Suplicação do Brasil, que tinha 23 membros, primeiro órgão judiciário independente do país, criado em 10 de maio de 1808, para exercer o ofício de instância final de apelação nos processos iniciados no território da então colônia — ou seja, os processos podiam ser encerrados no Brasil, sem mais a necessidade de manifestação da Casa de Suplicação de Lisboa.
Após a Proclamação da Independência (7 de setembro de 1822), a Constituição de 1824 transforma o órgão em Supremo Tribunal de Justiça, integrado por 17 juízes, que só foi instalado em 1829 e durou até 1891.
Passou a se chamar Supremo Tribunal Federal entre 1890/91. Na Constituição de 1891, o STF era composto por 15 juízes, nomeados pelo presidente da República com posterior aprovação do Senado. Em 1931 o número de ministros foi reduzido para 11. Do início da República (15 de novembro de 1889) até 1933, o cargo era vitalício. A Constituição de 1934 estabeleceu aposentadoria compulsória aos 75 anos para todos os servidores públicos, limite que foi diminuído para 68 anos na Constituição de 1937.
Com a Constituição de 1946, a aposentadoria compulsória é estabelecida em 70 anos, limite que vigorou até 2015, com a aprovação da chamada PEC da Bengala, transformada na Emenda Constitucional 88, que aumentou para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória.
A aposentadoria compulsória permaneceu em 70 anos de idade durante toda a ditadura militar iniciada em 1964, mas o Ato Institucional 2/1965, aumentou o número de ministros para 16 e o Ato Institucional 6/1969, restabeleceu o número de 11 ministros.
Com a retomada democrática, a composição com 11 magistrados foi mantida e a Constituição de 1988 reforçou a competência do Supremo como guardião da Constituição.
Outra proposta que voltará à tona em 2024 é a extinção da reeleição para presidente, governador e prefeito. A medida já foi tema de dezenas de PECs desde o começo do século, mas nenhuma prosperou. Atualmente há a PEC 12/2022, do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que também está na CCJ aguardando relatoria. O texto ainda aumenta de quatro para cinco anos o tempo de mandato para quem ocupar esses cargos a partir de 2026.
O instituto da reeleição já dura desde 1997 (Emenda Constitucional 16). Entre 1891 e 1996 não havia essa possibilidade. A PEC foi proposta no segundo mês do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que se beneficiaria da mudança para obter um segundo mandato a partir de 1998. Os dois presidentes seguintes, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, também conseguiram se reeleger; Jair Bolsonaro não. Vice-presidente de Dilma, Michel Temer nunca se candidatou à Presidência, cumpriu parte do mandato de Dilma após o impeachment, mas não tentou manter-se no cargo.
Na Câmara dos Deputados, também há dezenas de propostas que tratam de reeleição, do STF e assuntos correlatos, como a PEC 262/2008, que tem outras 27 PECs apensadas à ela. A proposta muda as regras de preenchimento de vagas nos tribunais superiores, mas há matérias apensadas que propõem o fim da reeleição para o Executivo e o mandato de sete, oito ou dez anos para ministros do Supremo, entre outros.
A PEC 376/2009, outra em tramitação naquela Casa, unifica as datas de eleição de todos os mandatos eletivos e acaba com a reeleição no Executivo. Ela tem mais dez PECs apensadas, como a que reduz de oito para quatro anos a duração do mandato de senadores; a que limita reeleições no Poder Legislativo; e a que extingue a figura dos suplentes de senadores. Ambas aguardam votação na CCJC da Câmara.
Créditos: Senado notícias.

Um incêndio atingiu um galpão ao lado de uma empresa de ônibus do transporte público de Salvador, na Avenida San Martin, nesta sexta-feira (1º). As chamas se espalharam e chegaram a garagem. Ao menos três ônibus foram atingidos, mas ninguém ficou ferido.
Ainda não há detalhes das causas do incêndio. A Associação das Concecionárias do Serviço de Transporte Público de Passageiros por Ônibus de Salvador, conhecida popularmente como Integra, confirmou o incêndio por volta das 16h27. As chamas foram debeladas às 17h40.
Através de imagens registradas por pessoas que passavam pelo local, é possível ver que uma fumaça densa e preta pelo céu.
Não foram detalhadas as linhas dos ônibus atingidos, nem se a situação vai impactar de alguma forma as regiões atendidas por esses veículos em Salvador. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) confirmou que o incêndio atingiu a oficina localizada na garagem G2 da concessionária OTTrans.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou cinco viaturas ao local para apagar as chamas. Após o fim do incêndio, os militares permaneceram no imóvel para resfriamento do espaço, como forma de evitar a retomada do fogo.
G1 Bahia

Nesta sexta-feira (1º), é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Aids. A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre uma das doenças que mais mata no mundo.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids também tem a função de auxiliar no combate contra o preconceito que os portadores de HIV (vírus humano de imunodeficiência), sofrem na sociedade por causa da doença.
O município de Feira de Santana registrou de 1º de janeiro a 30 de novembro deste ano, 285 casos de HIV, sendo que no mesmo período de 2022, foram 188.
A reportagem do Acorda Cidade conversou com Vanessa Sampaio, coordenadora do Centro Municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis do município.
Segundo ela, estes dados mostram que a população está cada vez mais buscando os serviços de saúde.

“A gente observa que houve um aumento de casos, e dentro deste aumento, a gente pode fazer uma análise que foram 97 casos a mais neste ano, mas também observamos que as pessoas procuraram os serviços de saúde. A gente já vem de uma história da pandemia, as coisas começaram a funcionar de uma maneira melhor no ano passado, mas também de fato, as coisas começaram a voltar a acontecer neste ano. Percebemos este aumento significativo na quantidade de testes realizados, e consequentemente, um número maior de casos também”, relatou.
A campanha Dezembro Vermelho tem o intuito de alertar e conscientizar sobre as formas de contágio e tratamento da Aids e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). De acordo com Vanessa Sampaio, esta é a melhor forma de chamar a atenção do público para mostrar que o município possui serviços para identificar a doença.
“A grande importância é chamar a atenção da população em relação à prevenção, a assistência, à proteção dos direitos das pessoas que vivem como vírus do HIV/Aids, então realmente quando a gente fala do Dia Mundial de alusão, é para que a gente movimente o tema, para que a gente fale mais, para que a gente aumente cada vez mais o acesso para que a população entenda que no município, existe um serviço que faz todo este acolhimento de diagnóstico de acompanhamento de prevenção, então o grande objetivo é este”, declarou.
O Centro de Saúde Especializado (CSE) está localizado na Rua Geminiano Costa, próximo ao antigo Feira Tênis Clube (FTC).
“A pessoa não precisa de requisição para fazer o exame, basta chegar aqui e informar que deseja fazer o teste de HIV, que esta pessoa será encaminhada para um serviço que funciona aqui mesmo no Centro de Referência Municipal de IST, HIV/Aids e Hepatites virais. Esta pessoa é admitida por uma equipe de enfermagem, tem acompanhamento psicológico, acompanhamento de assistência social, odontologia, nutrição, médico infectologista, tem pediatria, obstetra, ginecologia, então é um serviço completo, justamente para que a gente consiga fazer com que esta pessoa se sinta acolhida”, afirmou Vanessa Sampaio.
Ao Acorda Cidade, a coordenadora informou que existem métodos para prevenir a doença, assim como existem tratamentos, caso seja confirmada a doença.
“A gente bate muito na tecla sobre o uso do preservativo, pois é a garantia para todas as ISTs, mas existem alguns meios de prevenção para o HIV/Aids, como é o caso da PEP, Profilaxia Pós-Exposição ou a PREP, Profilaxia Pré-Exposição. Então a PEP é para uma violência sexual, acidente ocupacional ou a relação sexual consentida. O paciente se direciona aqui para o nosso serviço em até 72 horas após o ocorrido, como por exemplo ‘a camisinha estourou’, então solicita este serviço que é disponibilizado aqui, é um esquema profilático de 28 dias, para que possa evitar contrair o vírus do HIV. Já o PREP, é como forma de prevenção antes do ato, ou seja, para profissionais do sexo, pessoas que convivem com alguém que tenha HIV,
travestis, transexuais, são pessoas que se colocam em uma posição de vulnerabilidade, mas antes de tudo isso, é necessário que tudo seja analisado pela equipe de saúde, identificar que tipo de situação esta pessoa está”, concluiu.
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

Policiais da 66ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), em Feira de Santana, resgataram um recém-nascido que foi abandonado ainda com o cordão umbilical. Segundo a polícia, o bebê ainda estava sujo de sangue e dentro de uma sacola plástica, no bairro Papagaio.
De acordo com o comandante da companhia, Major Lessa, o resgate foi feito nesta sexta-feira (1º). A informação chegou aos PMs através de uma denúncia por meio do Centro Integrado de Comunicação (Cicom/190). Ao chegarem ao local indicado, os policiais confirmaram a informação.
De imediato, a guarnição socorreu o bebê para o Hospital Estadual da Criança (HEC) onde recebeu os cuidados necessários da equipe de saúde. Simultaneamente, a ocorrência foi registrada na delegacia, com a presença da solicitante.
Fonte: Acorda Cidade

Foto: Beto Chagas / Agência O Globo
A União, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e demais autarquias federais voltarão a pagar as dívidas decorrentes de decisões judiciais. Segundo o CJF (Conselho da Justiça Federal), os valores de precatórios atrasados serão depositados no fim de dezembro, e a previsão é que estarão disponíveis para saque em janeiro de 2024 nas agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
A expectativa é que sejam pagos R$ 97 bilhões. O CJF estabeleceu um cronograma de trabalho com a Secretaria do Tesouro Nacional e a Secretaria de Orçamento Federal para viabilizar o pagamento.
A medida ocorre após o STF (Supremo Tribunal Federal), em julgamento concluído na quinta-feira (30), acolher parte do pedido do governo federal contra as emendas constitucionais (ECs) n° 113 e n° 114/2021, que estabeleceram uma moratória do pagamento de precatórios em razão da pandemia de Covid-19.
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“Você vai se ajoelhar na frente do pai do seu filho e vai pedir perdão por tudo o que você fez.” Essa frase teria sido dita por um mediador a Pamela (nome fictício) durante uma sessão de constelação familiar, um método pseudocientífico que é largamente usado no Brasil como prática terapêutica, até mesmo com aprovação do Ministério da Saúde.
Em 2016, Pamela denunciou o ex-marido depois de flagrá-lo abusando do filho do casal, de apenas 2 anos. A denúncia gerou uma investigação criminal contra o homem, que foi impedido de visitar o menino. Por isso, ele procurou a Vara da Família de São Paulo para pedir a guarda da criança e acusou a ex-mulher de alienação parental.
E meio ao impasse judicial sobre quem ficaria com o filho, Pamela foi notificada, no andamento do processo, a participar de uma sessão de constelação familiar. “Eu não sabia o que era aquilo, foi uma determinação judicial, ninguém me disse que eu podia não ir. O cara que conduzia disse que achava um desafio trabalhar com constelação de mães que acusam pais de abuso, que elas deveriam ser presas por deixar as crianças vulneráveis.”
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Os defensores do método dizem que a constelação familiar é uma prática terapêutica que consiste na resolução de um problema ou trauma por meio da representação do sistema familiar.
Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a técnica tem sido utilizada no Brasil desde 2012 para a mediação de conflitos envolvendo divórcio, guarda, alienação parental e pensão alimentícia.
Sociólogos e psicólogos alertam, porém, que se trata de um método pseudocientífico que não só ignora as ciências sociais e a psicologia como viola os direitos humanos, reforça estereótipos sobre os papéis sociais do homem e da mulher e “pode desencadear ou agravar estados emocionais de sofrimento ou de desorganização psíquica”.
Mesmo assim, em 2018, o Ministério da Saúde aprovou a inclusão da constelação familiar no rol de Práticas Integrativas Complementares ofertadas nos postos de saúde. A portaria nº 702 de 2018 descreve que “a constelação familiar é indicada para todas as idades, classes sociais, e sem qualquer vínculo ou abordagem religiosa, podendo ser indicada para qualquer pessoa doente”.
Em resposta a um pedido feito pela Lei de Acesso à Informação, o ministério comunicou que em 2022 foram feitas mais de 11 mil sessões de constelação familiar pelo SUS em todo o Brasil e que a pasta não oferece cursos de formação na prática aos profissionais de saúde.
O uso dessa técnica que não se baseia na ciência no serviço público é contestado por conselhos de classe e acadêmicos, que alertam para os riscos de sofrimento psíquico dos participantes e pedem que seja banida.
Para tratar os conflitos apresentados pelos “constelados”, a abordagem usa outras pessoas ou bonecos, que representam os pacientes como numa espécie de teatro. A maneira como eles se comportam e se posicionam na sessão diante do problema que é recriado seria uma representação das emoções dos “constelados”.
O mediador interpreta essa representação para chegar à solução do conflito. “Não temos instrumentos para explicar isso de forma científica, mas não quer dizer que não seja real”, explica o mediador, ou “constelador”, Mateus Santos.
Na sessão da qual Pamela participou, ela e o filho seriam representados por duas outras pessoas. O ex-marido faria o próprio papel. “Tinha uma mulher gritando e rolando no chão. O constelador disse que eu era assim como ela: louca”, relata. Ela diz que se recusou a se ajoelhar e pedir perdão ao homem depois da ordem do constelador. “Fui considerada rebelde, doente mental, um perigo para o meu filho.”
Santos diz que essa não é a conduta correta para consteladores. “Isso não é ético”, afirma. Ele defende que a técnica é eficaz, mas que, no serviço público de saúde, a aplicação deve ser supervisionada para evitar os riscos. “Entrar na intimidade do ser humano no nível anímico exige a máxima postura de respeito. É um cuidado que se deve ter com as vítimas.”
Na sentença do caso de Pamela, a juíza a mandou afastar-se do filho, com tratamento psiquiátrico. “Não o vejo há 8 anos”, diz a mãe. A juíza não afirma categoricamente que se baseou apenas na dinâmica da constelação familiar para tomar a decisão, mas menciona que não houve conciliação, além de levar em conta um laudo psiquiátrico e o relato do pai de que não se entendia com Pamela, que seria alienadora.
O método da constelação familiar foi proposto pelo missionário católico alemão Bert Hellinger em 1978. Ao propor a abordagem, ele reuniu referências de psicologia com a sua experiência de 16 anos de trabalho na África do Sul com zulus e leituras taoístas. Ele considera que a origem dos conflitos nas relações está ligada à ancestralidade e que esses problemas podem se manifestar em várias gerações.
Com isso, Hellinger estabeleceu as três ordens do amor que seriam a base da estrutura familiar: o direito ao pertencimento à família, a hierarquia e o equilíbrio entre dar e receber.
Entre os mais polêmicos ensinamentos do “psicoguru”, como é frequentemente chamado pela imprensa alemã, está a de que as crianças vítimas de incesto pelo pai tenham compreensão para com o agressor e até mesmo aceitem o contato sexual: “A solução para a criança é que a criança diga para a mãe: ‘Mamãe, por ti, eu o faço com prazer’, e para o pai: ‘Papai, pela mamãe, eu o faço com prazer'”, “ensina” Hellinger.
As duas maiores associações de terapia sistêmica na Alemanha, a DGSF e a SG, externaram críticas aos métodos de Hellinger.“Também a prática real da constelação familiar deve ser vista de forma crítica, como eticamente inaceitável e perigosa para as pessoas afetadas”, afirmou a DGSF em posicionamento oficial, em 2003, ao se distanciar da prática.
Na Alemanha, Hellinger é extremamente polêmico e já foi acusado de relativizar o nazismo. Ele é frequentemente lembrado como o autor de um controverso poema dedicado a Adolf Hitler, no qual pede ao leitor para que se identifique com o líder nazista, e até mesmo morou de aluguel, por algum tempo, no lugar onde ficava o segundo escritório de Hitler, em Berchtesgaden, no sul da Alemanha.

O sociólogo Mateus França, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que estuda a implementação da constelação familiar no serviço público, alerta que o uso do método leva a uma violação de direitos humanos, na medida em que molda decisões judiciais e tratamentos alternativos sob uma perspectiva conservadora que reforça papéis de gênero e vai de encontro a avanços no direito de família.
“Ignora as ciências sociais e reproduz violência de gênero ao partir do pressuposto de que pessoas violentas não podem ser excluídas do sistema familiar. Outro exemplo é que se cria um estereótipo de família: se acontece uma adoção por casais homoafetivos, um tem que assumir o papel masculino, e o outro, o feminino. É um retrocesso no direito de família”, afirma.
Coloca a culpa do conflito na mulher. São afirmações muito perigosas, de por exemplo não excluir da família o homem que a agrediu, ou então que um feto abortado falta na hierarquia da família por ter sido excluído. ”Mateus França, sociólogo
Outro conceito aproveitado por Hellinger é o de campo morfogenético. Elaborado pelo biólogo Rupert Sheldrake, esse campo diz respeito a uma memória coletiva que seria captada pelos indivíduos de uma espécie. Seria assim que representantes teriam acesso às sensações dos constelados.
O professor de física Marcelo Takeshi, da Universidade Estadual de São Paulo, diz que a argumentação é uma estratégia para justificar as interpretações oferecidas na constelação e os conflitos entre as partes, mas que campos morfogenéticos nunca foram provados.
“Isso se fantasia de ciência e não tem respaldo nenhum na física, nem respaldo em experimentos científicos, é algo inventado, nunca teve nenhum indício de comprovação dessa hipótese.”
O físico diz que a constelação familiar atende aos requisitos para ser considerada pseudociência: ter um autor que elaborou o tema para justificar a prática, evitar evidências conflitantes e resistir a testes, por exemplo.
França diz ainda que “depender de crenças não é interessante para uma política pública, principalmente envolvendo questões sobrenaturais”. Ele lembra que políticas públicas eficientes precisam ser alvo de pesquisas que atestem sua eficácia e garantam a segurança do método e a compreensão dos riscos envolvidos na sua aplicação.
A resolução nº 125 do CNJ permitiu que os tribunais aplicassem a constelação familiar como prática alternativa para agilizar a solução dos conflitos judiciais antes que chegassem ao litígio.
Atualmente, pelo menos 16 tribunais se valem do método nas audiências e processos. Em outubro, o CNJ deu início a um julgamento para restringir o uso de alternativas terapêuticas no judiciário, como a constelação.
“É persuasivo para quem trabalha no direito a ideia de celeridade, chegar a um acordo, baixar a pilha de processos, é um objetivo defensável, mas não deve ser um vale-tudo, precisa buscar formas seguras para quem acessa o sistema de justiça”, afirma França.
Por isso, o sociólogo propôs uma sugestão legislativa para banir a prática no serviço público. Agora, o texto aguarda que o relator, senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que é simpático à constelação, apresente um parecer sobre o assunto.
Esse cenário de disseminação da constelação familiar no serviço público motivou uma nota conjunta do Conselho Federal de Psicologia e acadêmicos. No documento enviado ao Ministério dos Direitos Humanos, o grupo afirma que a prática “pode desencadear ou agravar estados emocionais de sofrimento ou de desorganização psíquica, exigindo assim um acompanhamento profissional psicológico que não é oferecido durante as sessões”.
O ministério pediu ao Conselho Nacional de Direitos Humanos que avalie o uso da prática. O colegiado ainda analisa o caso.

Foto: Agência Brasil
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) concordou com um pedido da TV Gazeta, de Alagoas,para que a Globo seja obrigada a renovar o contrato de afiliação com a emissora, que termina no dia 31 de dezembro. O canal afirmou à Justiça que a rede carioca “abusa da boa-fé” ao decidir não renovar o acordo de parceria depois de 48 anos.
A Globo havia decidido não renovar o contrato por causa de escândalos e do uso da afiliada em esquemas de corrupção. Em maio,o ex-presidente Fernando Collor, acionista majoritário do grupo de mídia Organização Arnon de Mello (OAM), que controla a empresa de comunicação, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir pena de oito anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele recorre em liberdade.

No começo deste mês, a TV Gazeta pediu à Justiça uma tutela de urgência para que a Globo seja obrigada a renovar o contrato por mais cinco anos. Segundo o canal local, o contrato é essencial para a manutenção da OAM e representa cerca de 72% do faturamento do grupo. A TV Gazeta alegou que a OAM deve ir à falência se o documento não for renovado.
Caso a parceria com a Globo seja encerrada no dia 31 de dezembro, isso resultaria em demissão em massa de colaboradores e calotes de mais de R$ 100 milhões. São R$ 77 milhões em débitos renegociados com a Fazenda Nacional e cerca de R$ 27 milhões com os credores inscritos na recuperação judicial da empresa.
Informações TBN