A esperada quarta parte da saga, que chega aos cinemas em dezembro, enfrenta uma contradição entre sua origem e a sua recepção: o filme foi mal interpretado e agora é uma bandeira conspiracionista
Cena do filme ‘Matrix’.CORDON PRESS
Em 22 de dezembro, a quarta parte de Matrixchegará aos cinemas (e ao HBO Max). Pouco se sabe sobre o filme dirigido por Lana Wachowski. Sem trailer e ainda sem imagens promocionais, o que emerge de um vazamento da fita, que já foi rodada, é que poderá ter como título Matrix resurrections. E que seu elenco, liderado por veteranos da sagau —Keanu Reeves (Neo), Carrie Ann-Moss (Trinity), Jada Pinkett-Smith (Níobe), Daniel Bernhardt (agente Johnson) e Lambert Wilson (Merovíngio)—, foi acrescido de nomes como Christina Ricci, Yahya Abdul Mateen II, Jessica Henwick, Neil Patrick Harris, Priyanka Chopra e Jonathan Groff.
Vinte e um anos após sua estreia, e depois de arrecadar 463,5 milhões de dólares (cerca de 2,38 bilhões de reais) e reformar esteticamente o cyberpunk com micro-óculos de sol e muito couro preto, Matrix enfrenta um curioso paradoxo em seu quarto filme: assumir que uma saga formulada como uma metáfora transacabou sendo engolida e mal interpretada pela machosfera e pelas comunidades conspiranoicas da internet, onde as comunidades da “pílula vermelha” recorrem aos símbolos do filme para pregar a necessidade de “sociedades despertas” —despertas, é claro, sempre que se apoie na misoginia mais furiosa, pregue contra a comunidade LGBTQ, exalte o essencialismo de gênero e as paranoias conspiracionistas mais selvagem. Como chegamos a isto?
Por que ‘Matrix’ é uma metáfora trans
Uma das criadoras de Matrix, Lilly Wachowski, confirmou que o filme é uma metáfora trans. Falou isso em um vídeo para o Netflix Film Club em 2020, onde esclareceu que, tal como vinha sendo debatido em vários fóruns, ensaios acadêmicos e até mesmo em ensaios de relevância viral, como o publicado pela jornalista Emily VanDerWerff, o filme é, de fato, sobre a experiência de ser transgênero. “Essa era a intenção original, mas o mundo não estava totalmente preparado”, revelou.
Lana Wachowski se declarou uma mulher trans em 2010 (embora os rumores sobre sua identidade de gênero, especialmente dolorosos e cruéis na imprensa da época, fossem galopantes desde o lançamento de Matrix Reloaded em 2003). Lilly Wachowski também tornou público que era trans em 2016, o que implica que, quando lançaram a primeira parte da saga, ainda não haviam oficializado sua identidade de gênero. Na época em que a confirmaram, durante anos a internet não hesitara em buscar referências ou símbolos escondidos na fita. Em 2020, uma das irmãs criadoras quis confirmar tudo.
Lançado em 1999, Matrix esboçava em linhas gerais que no futuro, após uma dura guerra mundial, quase todos os seres humanos estariam sendo escravizados por máquinas e inteligências artificiais. Em uma curiosa reviravolta profética, foi o primeiro filme de grande sucesso a retratar a internet como uma utopia capitalista envenenada que mantém a sociedade alienada de sua realidade. Esses escravos estão conectados à rede Matrix, suspensos no imaginário funcional do século XX tal como o concebíamos. Os libertos ou não escravizados vivem em uma cidade, Sion, uma paisagem desértica sem opulências, mas na qual se pode desfrutar do verdadeiro eu.
A jornalista Laura Hale, em um ensaio sobre por que Matrix é uma metáfora trans, escreveu: “A primeira linha do texto que aparece na tela contém a palavra ‘trans’: ‘Call trans opt’ (chamar trans opt). É literalmente a segunda palavra do filme. Talvez seja uma coincidência, mas a mesma linha de texto também aparece bem no final da fita. “O tempo lhe daria razão. A codiretora e coroteirista Lilly Wachowski explica, no clipe esclarecedor sobre o significado da trilogia: “Tudo em Matrix tem a ver com o desejo de transformação, mas tudo vinha de um ponto de vista que estava trancado”. Aquele desejo que as irmãs Wachowski tinham na cabeça se transformou plenamente no personagem Switch, um homem no mundo real e uma mulher em Matrix, no roteiro original, e que representava, segundo a diretora, “onde estavam nossos espaços mentais”.
O personagem Switch em ‘Matrix’ só aparece na primeira parte da saga.Warner Bros
Na abordagem do filme de Wachowski, Switch seria interpretado por dois atores de gêneros distintos com perfil andrógino, intercambiando-se dentro e fora da Matrix. O objetivo era provar que o corpo físico de uma pessoa e a maneira como ela vê a si mesma em um mundo em que pode controlar sua aparência podem nem sempre coincidir. Essa possibilidade foi eliminada do filme pelo estúdio, e a atriz Belinda McClory —que se apresentara para fazer metade do papel— acabou interpretando as duas versões da personagem.
Em sintonia com a libertação virtual das cadeias de gênero que Donna Haraway defendia em seu manifesto ciborgue e que agora o Feminismo Glitch defende, em Matrix as personagens de Sion rejeitam nomes binários e abraçam a possibilidade de transcender o gênero como o entendiam: Neo (Keanu Reeves), ao entrar em Sion, rejeita seu nome, Thomas Anderson; quando conhece Trinity (Carrie-Ann Moss), deixa escapar que entendia que era um homem, ao que ela responde: “Muitos caras pensam assim”. Seu uniforme também é uma extensão dessa liberação: veste-se de preto e de forma assexuada. Emily VanDerWerff escreveu em sua análise de Matrix: “O filme inteiro gira em torno da transcendência das formas de experiência física para explorar as possibilidades de nossa mente. Os corpos são, na melhor das hipóteses, uma sugestão. Seu cérebro é o que realmente importa”.
Mas foi o mítico discurso de Morpheus quando conheceu Neo que mudaria tudo, para o bem e para o mal:
“Deixe-me dizer por que você está aqui. Está aqui porque sabe de algo. Você não pode explicar, mas sente. Você sentiu isso durante toda a sua vida. Há algo que anda mal no mundo. Você não sabe o que é, mas está aí, como uma lasca em sua mente, deixando você louco. É essa sensação que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando?”
Essas palavras, e especialmente a pílula vermelha que logo em seguida se fazia presente para despertar sua mente e ficar consciente da Matrix, ironicamente se afastaram das crenças de Wachowski sobre a transcendência do gênero e suas infinitas possibilidades, e se instalaram e foram replicadas em fóruns que defendem as teorias da conspiração ou reforçam a cultura misógina mais selvagem da internet. Por quê?
Da machosfera ao QAnon
Tomar a pílula vermelha é uma referência que funciona como uma apropriação-senha de Matrix por parte da extrema direita, por causa daquilo de tomar a pílula certa, como Neo, para descobrir a realidade que os outros não querem ver. O fenômeno, que cresceu principalmente na última década, é formado em sua maioria por homens —embora também existammulheres antifeministas da comunidade Red Pill. Esses homens se definem como “Homens que seguem seu próprio caminho” (MGTOW, na sigla em inglês) na chamada manosfera ou machosfera. Seu reverso feminino são as trad wives(esposas tradicionais) ou mulheres da pílula vermelha. Mulheres que renegam o feminismo, essencialistas que vivem ancoradas nos valores tradicionais e que defendem a submissão feminina.
“Na nossa realidade, a ideia de tomar a pílula vermelha reforçou o que há de pior na internet”, lamenta Emily VanDerWerff sobre como esse termo se padronizou no imaginário da extrema direita. Até uns dois anos atrás, se alguém adicionasse “pílula vermelha” ao seu nome de usuário ou à comunidade de seu fórum, provavelmente era para criticar as políticas progressistas, negar as desigualdades na justiça social, especialmente em questões relacionadas ao feminismo ou ao LGBTQ. Desde a crise do coronavírus, a narrativa de acordar tomando a pílula vermelha penetrou em novas comunidades, tornando-se um símbolo de grupos negacionistas do vírus ou paranoicos conspiratórios. É assim que se dissemina no Telegram de modo bem normal. Em QAnon Espanha ou espanhóis despertos, composto por mais de 3.000 pessoas, escrevem: “Não existe nenhum vírus. São resfriados e agora chamam isso de covid-19. Esse suposto vírus —o coronavírus— nem sequer foi fotografado, isolado ou purificado. Vamos ser um pouco mais sérios, vamos tomar a pílula vermelha, por favor”.
A jornalista Julia Ebner, que se infiltrou em fóruns antifeministas e conhece bem essas comunidades, fez uma lista de todos os símbolos culturais de que esses grupos se apropriaram, exaltando filmes e livros que abrem as portas para fazer parte de seus chats privados. “1984 é muito banal, pois é a metáfora de conhecimento geral normalmente usada pela extrema direita para se referir à censura e vigilância atuais. Clube da luta e Matrix também são filmes padrão da alt-right [abreviação de ‘direita alternativa’, a direita extremista e supremacista branca que está em ascensão nos EUA]”, escreveu ela em Going Dark – The Secret Social Lives of Extremists. Na verdade, segundo Ebner, Matrix está perdendo sua força na machosfera para outro discurso mítico, o de “somos os filhos esquecidos da história. Sem metas nem lar”, que Tyler Durden entoa no romance de Chuck Pahlaniuk, Clube da luta, para reforçar o ego ferido e a dissociação, 20 anos depois, de jovens brancos alienados.
Para entender toda essa virada irônica do destino, basta visualizar uma série de tuítes entre Elon Musk, Ivanka Trump e Lilly Wachowski. Quando o fundador da Tesla tuitou “Tome a pílula vermelha”, a filha do então presidente dos Estados Unidos respondeu “Tomei!”. A resposta da criadora de Matrix? “Fodam-se vocês dois.”
Nas últimas 24h, Feira de Santana registrou mais 26 pacientes recuperados da Covid-19 e atingiu a marca de 35.684 curados da doença, índice que representa 83% dos casos confirmados. Enquanto isso, 78 exames foram negativos e 83 positivos. Os resultados positivos de hoje são em relação a liberação dos exames acumulados que haviam realizado coleta entre os dias 30 de maio e 04 de junho que estavam aguardando resultado do laboratório. O boletim epidemiológico contabiliza ainda 131 pacientes internados no município e 6.467 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. O informativo também confirma mais duas mortes – os óbitos mencionados não são referentes a data de hoje e sim de dias anteriores. A informação é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde neste domingo (13).
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana NÚMEROS DESTE DOMINGO 13 de junho de 2021
Casos confirmados no dia: 83 Pacientes recuperados no dia: 26 Resultados negativos no dia: 78 Total de pacientes hospitalizados no município: 131 Óbitos comunicados no dia: 2 Datas dos óbitos: 05/06 e 11/06
A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por Covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.
NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 6.467 Total de casos confirmados no município: 42.934 (Período de 06 de março de 2020 a 13 de junho de 2021) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 6.336 Total de recuperados no município: 35.684 Total de exames negativos: 56.634 (Período de 06 de março de 2020 a 13 de junho de 2021) Aguardando resultado do exame: 1.705 Total de óbitos: 778
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 24.918 (Período de 06 de março de 2020 a 13 de junho de 2021) Resultado positivo: 4.792 (Período de 06 de março de 2020 a 13 de junho de 2021) Em isolamento domiciliar: 10 Resultado negativo: 20.126 (Período de 06 de março de 2020 a 13 de junho de 2021)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para Covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).
Os líderes do G7, grupo de países que reúne sete das maiores economias do planeta, oficializaram neste domingo (13) a promessa de doar um total de 2 bilhões de doses de vacina contra a covid-19 para países pobres e em desenvolvimento, sendo 1 bilhão distribuídas até o final de 2022.
O compromisso consta na declaração final do encontro de cúpula, ocorrido na Baía de Carbis, na Cornualha, sudoeste do Reino Unido. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A reunião do G7 começou na última sexta-feira (11) e terminou hoje.
“Tenho o prazer de anunciar que os líderes do G7 prometeram mais de 1 bilhão de doses para os países mais pobres do mundo – outro grande passo para vacinar o mundo”, afirmou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anfitrião do encontro, em postagem nas redes sociais.
A Bahia registrou, nas últimas 24 horas, 2.005 casos de coronavírus e 88 mortes em decorrência da Covid-19, segundo boletim divulgado neste domingo (13) pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Ao todo, a Bahia tem 1.064.747 casos confirmados e 22.513 óbitos desde o início da pandemia.
A faixa etária mais acometida pelo vírus foi a de 30 a 39 anos, representando 23,59% do total. Por outro lado, os dados indicam que as pessoas entre 40 e 49 anos têm mais risco de adoecer, de acord com o alto coeficiente de incidência (11.708,98/100 mil habitantes).
No estado, dos 1.588 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto disponíveis do Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivos para coronavírus, 1.325 possuem pacientes internados, o que representa uma taxa de ocupação de 83%. Vale lembrar que o número de leitos é flutuante, representando o quantitativo exato de vagas disponíveis no dia.
A Embasa informa que será preciso suspender o abastecimento de água no próximo dia 15, a partir da 7h, em algumas bairros de Feira de Santana, para o entroncamento de novas rede distribuidoras.
Os serviços, que ocorrerão em duas regiões diferentes da cidade, tem como objetivos promover melhorias no abastecimento na região norte e ampliar o fornecimento de água no Setor Tomba, dentro das obras de ampliação do Sistema Integrado de Abastecimento de Feira de Santana.
Bairros onde ocorrerá a suspensão no abastecimento: Mangabeira, Conceição, Caseb, Conjunto Feira V, Conjunto ACM e a localidade de Lagoa das Pedras, Muchila, Feira X, Jussara, Vila Olimpia, Expansão Feira IX, Feira IX e Nova Esperança.
Os serviços deverão ser concluídos no início da noite da própria quinta-feira, quando o abastecimento será retomado gradativamente, com completa normalização em até 24h.
Em suas redes sociais, presidente voltou a falar sobre a imunização contra a Covid-19
Novo lote de insumos para produção de vacinas chegou ao Brasil neste sábado Foto: Freepik
O presidente Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais, neste domingo (13), para celebrar a chegada ao Brasil de insumos para a produção de vacinas contra a Covid-19. Em uma publicação nas redes sociais, ele também falou sobre a chegada de outros imunizantes e lembrou que o Brasil é o quarto país que mas vacina no mundo.
O novo lote de Insumos Farmacêuticos Ativo (IFA) desembarcou neste sábado (12) no Rio de Janeiro e será utilizado para a fabricação de 6 milhões de doses de vacina.
Leia o que disse o presidente:
1.1- Desembarcou na noite de ontem (12), no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, um novo lote de Insumos Farmacêuticos Ativo (IFA) para a produção de novas vacinas contra o covid da AstraZeneca/Fiocruz
1.2- O mencionado será suficiente para produzir, aproximadamente, 6 milhões de doses do imunizante. A nova remessa garante ainda o cumprimento do cronograma de entregas ao Ministério da Saúde, pela Fiocruz, até 10 de julho.
2.1- Para acelerar a vacinação do covid no Brasil, o Ministério da Saúde conseguiu antecipar mais de 3 milhões de doses do imunizante da Janssen, que devem chegar na próxima semana.
.2- Além disso, o valor do contrato reduziu em 25%, resultando em uma economia para o País de mais de R$ 480 milhões. Só serão pagas apenas as doses efetivamente aplicadas. São mais de 600 milhões de doses contratadas até então.
2.3- Mais de 109 milhões de doses distribuídas a todos os estados do Brasil. O país é o quarto que mais vacina no mundo. . Assinado contrato de transferência de tecnologia para produção nacional da AstraZeneca pela FioCruz.
Expectativa é que cheguem cerca de 11 mil estrangeiros ao Japão para o evento
Com aumento de mortes, Olimpíada com pandemia assusta cidadãos de Tóquio Foto: Divulgação
A Olimpíada de Tóquio se aproxima e os moradores da capital japonesa estão assustados. A nova onda de contaminação pela Covid-19, com o aumento do número de mortes comparado à lentidão das campanhas de vacinação, é o motivo. Ainda mais com a iminente chegada de 11 mil estrangeiros ao país.
A reportagem do Estadão andou pelos bairros e ruas de Tóquio, nas proximidades das arenas esportivas dos Jogos e centros comerciais da cidade para flagrar o comportamento dos japoneses comuns com a aproximação do grande evento. Constatou a enorme preocupação com a ‘invasão’ de atletas e membros de delegações de outros países.
Há um sentimento forte de que os Jogos Olímpicos deveriam ser cancelados. As ruas não estão como antes. Nem as empresas, os restaurantes e os parques da cidade. Estão mais vazias e tristes O transporte público reduz o número de ônibus, metrôs e trens nos fins de semana para forçar o cidadão da capital a ficar em casa. Tudo por causa da pandemia. Há muito medo no ar.
Um recorrente aumento da epidemia está colocando a opinião pública contra a realização dos Jogos. A capital e outras nove províncias estão em estado de emergência. Os governos do Japão e de Tóquio, no entanto, aceitam o desafio de realizar o evento para, segundo o Comitê Organizador, “iniciar a vitória sobre o vírus a partir da conformidade e do respeito ao próximo”, valores presentes na cultura japonesa.
Na teoria, isso é lindo. Na prática, o cidadão comum, que depende do sistema de saúde público, vê a aproximação dos Jogos com reticência. Por causa das novas variantes do vírus, a epidemia que parecia estar controlada no fim do inverno (fevereiro), volta a crescer. A média diária de casos é de cinco mil novos contaminados em todo o país, sendo 700 na capital japonesa, que já está enfeitada para a competição, cuja abertura está marcada para 23 de julho.
O clima é de muita desconfiança.
Pesquisas de opinião mostram que posições contrárias à competição agora são de 60% a 65%, no momento em que mobilizações contra sua realização ganham força nas mídias sociais e em locais movimentados como Shibuya e Shinjuku. Manifestações e abaixo-assinados são cada vez mais frequentes pedindo o cancelamento da Olimpíada. Jornais locais, como Japan Times e Asahi Shimbun, têm revelado pesquisas em diversos segmentos da sociedade.
Os empresários japoneses defendem que os Jogos devem ser adiados (32%) ou cancelados (37%). O clamor dos populares segue na mesma linha. Cerca de 43% das pessoas pedem o cancelamento da Olimpíada e 40%, o seu adiamento. No geral, 65% das pessoas não aprovam a disputa. O COI e o Comitê Olímpico Local não admitem nem uma coisa nem outra.
O adiamento dos Jogos elevou seu custo de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 66,4 bilhões) para US$ 15,4 bilhões (aproximadamente R$ 80,6 bilhões). O valor é US$ 2,8 bilhões (R$ 14,5 bilhões) superior, sendo que a ausência de turistas não trará dividendos ao Japão. Os Jogos do Rio-2016 custaram US$ 13,2 bilhões (cerca de R$ 43,3 bilhões).
DIVISÃO Daiki Kino, de 42 anos, estava ensinando sua filha a engatinhar no gramado próximo à praça dos monumentos olímpicos, que inclui a pira olímpica de Tóquio-1964. Ele concorda com a decisão de executar o plano inicial.
– Gostaria que a Olimpíada fosse realizada. Não é necessário cancelar se fizerem com menos espectadores. Grandes estruturas foram construídas e renovadas e seria um desperdício ter de cancelar tudo – comentou.
Na ensolarada tarde de um domingo de maio, Naoki Sakuma, de 58 anos, acompanhado de sua mulher, testava sua câmera ‘mirrorless’ Ele se declara contrário à realização da Olimpíada. Citando o recente recrutamento de enfermeiras para trabalho voluntário nos Jogos, comenta ser impossível realizar um evento deste tamanho devido à atual situação.
– Médicos e enfermeiras são, de verdade, muito importantes para os cidadãos do país. A sociedade não pode ser deixada em segundo plano em detrimento de um evento esportivo mundial – disse.
Ele demonstra apreensão com a atual decisão do governo e do Comitê Olímpico Internacional (COI).
– Seria bom que o evento fosse bem-sucedido, mas no caso de insucesso, a esperança de vencer a pandemia vai diminuir – previu Naoki.
Kyosuke Chikayama, de 38 anos, argumentou que os casos da doença estão aumentando de novo, depois de breve redução no fim de abril.
– Agora eu sou contra – disse.
Amigo de Kyosuke, o australiano Thomas Griffits, de 29 anos, é neutro.
– Para mim, tanto faz. Eu gosto de natação, mas não tenho muito interesse na Olimpíada. E se por causa disso a epidemia aumentar em Tóquio? Será que vale a pena correr o risco? – questionou.
Porém, não faltam razões para que a Olimpíada tenha a simpatia das pessoas. No centro de Shinjuku, Midori Ishii, de 19 anos, pensa no sentimento dos atletas paralímpicos.
– Se eles perderem esta oportunidade, suas condições podem ser agravadas por depressão e talvez eles não tenham nova oportunidade – preocupa-se a jovem.
As pessoas que saem às ruas não desperdiçam a chance de fazer selfies e fotos ao lado dos monumentos olímpicos. Ao pensar em Tóquio, a imagem de uma multidão atravessando o cruzamento agilmente, apressada, logo vem à cabeça. Mas, devido ao estado de emergência, caminhar nas ruas da capital japonesa já não é a experiência efusiva de antes. Bares e restaurantes fecham às oito da noite e não abrem nos fins de semana. Lojas de departamentos tiveram os horários limitados das 10 da manhã às 6 da tarde.
Lugares como o distrito de Ginza, que estariam repletos de gente num domingo de sol, foram flagrados com poucas pessoas e muito espaço entre elas. É até mesmo possível descobrir novos detalhes dos belos passeios públicos dos arredores da estação de Tóquio.
Existem estabelecimentos comerciais noturnos, como os populares bares de hostess (acompanhantes) que não respeitam o estado de emergência, manifestações de grupos que negam a existência da doença e não usam máscaras porque “não há motivos para isso”. Pela constituição japonesa, não há o que proibir nesses casos. A polícia não trata esses grupos ou estabelecimentos como “foras da lei”.
Compromisso consta em documento final da reunião de líderes do grupo
Foto: Raquel Portugal/FioCruz
Os líderes do G7, grupo de países que reúne sete das maiores economias do planeta, oficializaram neste domingo (13) a promessa de doar um total de 2 bilhões de doses de vacina contra a covid-19 para países pobres e em desenvolvimento, sendo 1 bilhão distribuídas até o final de 2022.
O compromisso consta na declaração finaldo encontro de cúpula, ocorrido na Baía de Carbis, na Cornualha, sudoeste do Reino Unido. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A reunião do G7 começou na última sexta-feira (11) e terminou hoje.
“Tenho o prazer de anunciar que os líderes do G7 prometeram mais de 1 bilhão de doses para os países mais pobres do mundo – outro grande passo para vacinar o mundo”, afirmou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anfitrião do encontro, em postagem nas redes sociais.
“Os compromissos totais do G7 desde o início da pandemia preveem um total de mais de 2 bilhões de doses de vacina, com os compromissos desde nosso último encontro em fevereiro de 2021, incluindo aqui na Baía de Carbis, prevendo 1 bilhão de doses no decorrer do próximo ano”, diz o documento oficial da reunião. Ainda não há detalhes sobre quais países serão beneficiados pela doação das vacinas.
Além do esforço da doação de vacinas, o documento final do G7 aponta metas para fortalecer ações coletivas de defesa global na área da saúde, incluindo aumento da capacidade de fabricação de vacinas em todos os continentes, melhora dos sistemas de alerta precoce e suporte à ciência na tarefa de encurtar para até 100 dias o ciclo de desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes, tratamentos e testes.
Meio ambiente
Tema central do encontro, ao lado da pandemia, a questão ambiental também foi abordada no documento final do G7. Pelo texto, os países falam em apoiar uma “revolução verde que crie empregos, reduza as emissões com vistas a limitar o aumento das temperaturas globais em 1,5 graus [Celsius]”.
Entre os compromissos, está o de zerar as emissões até 2050, reduzindo pela metade as emissões coletivas até 2030. O documento menciona a necessidade de melhorar o financiamento do clima até 2025 para conservar e proteger pelos menos 30% das terras e oceanos até o final da década.
Comércio
Em relação à economia, o G7 aponta a necessidade de uma reforma do sistema global de comércio, que torne a economia “mais resiliente”, incluindo um novo sistema tributário mundial. Essa proposta, encabeçada principalmente pelos Estados Unidos, tem o objetivo de criar uma alíquota global mínima que as maiores multinacionais, com atuação global, deverão pagar. O objetivo é romper com a lógica de concessões tributárias que essas empresas gozam ao longo de décadas para atuar em determinados países.
Durante a segunda do movimento “Pela Bahia”, o presidente nacional do Democratas, ACM Neto, endossou neste sábado (12) o coro pelo asfaltamento da BR-030, no trecho que liga as regiões Oeste e Sudoeste do estado. Ele passou no trecho da rodovia em Carinhanha, no Oeste baiano, e afirmou que esta é uma reivindicação antiga da região ao governo federal.
“Eu fiz questão de visitar exatamente esse ponto. Aqui nós temos uma estrada de chão, mas podem crer: é uma BR, a BR-030. Se seguir direto aqui a gente vai dar lá em Feira da Mata e em Cocos. Os asfaltamento dessa br é um sonho antigo dessa região”, afirmou.
ACM Neto frisou que o asfaltamento da região vai beneficiar a produção. “Um projeto super importante para a Bahia, porque facilita a integração do Sudoeste com o Oeste do estado, portanto tendo resultados econômicos para potêncializar a produção, melhorar o escoamento. Nesse momento quero me associar a todos aqueles que reivindicam que governo federal possa, o quanto antes, garantir o asfaltamento da BR-030”, disse.
Neste final de semana, ACM Neto foi ao Sudoeste da Bahia, passando, entre outros pontos, por Guanambi e Caetité. Na primeira edição do “Pela Bahia” ele foi à Chapada Diamantina.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou neste domingo (13) um pedido liminar em mandado de segurança ajuizado pela coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fontana Fantinato, contra a quebra de sigilos telefônico e telemático aprovada pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado que investiga a pandemia.
Em seu pedido, Francieli alegou que o pedido de quebra de sigilo teria sido baseado em “ilações” e informações desprovidas de comprovação. Além disso, sustentou a servidora pública, ela sequer foi convocada como testemunha pela CPI para esclarecer fatos relativos às suas funções no ministério.
Apesar dos argumentos, Moraes considerou que a quebra de sigilo está entre as atribuições legais da CPI e o requerimento teria sido formulado de maneira fundamentada, tendo sido aprovado seguindo os ritos legislativos estabelecidos.
O despacho do ministro Alexandre de Moraes segue a mesma linha de uma outra decisão, tomanda ontem (12) pelo STF, que também manteve as quebras de sigilos dos ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello, e das Relações Exteriores Ernesto Araújo; bem como da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro. Eles também haviam ingressado com uma ação no STF para invalidar a devassa em suas comunicações pessoais.
Os requerimentos de quebra de sigilos foram aprovados em sessão da CPI ao longo da última semana.