Ginecologista alerta que promover o aleitamento materno também passa por acolhimento, informação baseada em evidências e apoio à saúde mental das mulheres

O Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, reforça anualmente os benefícios da amamentação para a saúde do bebê e da mãe. No entanto, especialistas defendem que a discussão precisa avançar para além da informação sobre vantagens nutricionais e imunológicas e incluir um tema cada vez mais presente na realidade das famílias: a culpa materna.

Embora a amamentação seja recomendada de forma exclusiva nos primeiros seis meses de vida e complementada até os dois anos ou mais, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas mulheres enfrentam dificuldades físicas, emocionais e sociais ao longo desse processo. Entre os principais desafios estão dor, fissuras mamilares, dificuldades na pega, privação de sono, exaustão, retorno ao trabalho e falta de rede de apoio.

Para a ginecologista e obstetra Dra. Karoline Prado, é fundamental que a promoção do aleitamento seja acompanhada de acolhimento e suporte às mulheres.

“A amamentação oferece benefícios importantes para a saúde do bebê e da mãe, mas precisamos falar também sobre as dificuldades reais que muitas mulheres enfrentam. Incentivar o aleitamento não pode significar responsabilizar ou culpabilizar mães que encontram obstáculos nesse processo.”

Segundo a especialista, a maternidade ainda é cercada por expectativas irreais que podem gerar sofrimento emocional.

“Muitas mulheres chegam ao pós-parto acreditando que amamentar será algo instintivo e simples. Quando surgem dificuldades, elas se sentem frustradas, incapazes ou culpadas. Isso pode impactar diretamente sua autoestima e até sua saúde mental.”

Quando a amamentação deixa de ser apenas uma questão física

O período pós-parto é marcado por intensas transformações hormonais, emocionais e sociais. Nesse contexto, dificuldades relacionadas à amamentação podem potencializar quadros de ansiedade e sofrimento psíquico.

“A mulher está se recuperando de uma gestação e de um parto, aprendendo a cuidar de um recém-nascido e lidando com privação de sono. Quando existe pressão excessiva para que tudo aconteça perfeitamente, a experiência pode se tornar ainda mais desgastante”, explica a médica.

De acordo com a Dra. Karoline, o acolhimento precoce e a orientação adequada fazem diferença tanto para a continuidade da amamentação quanto para o bem-estar materno.

“O objetivo deve ser oferecer suporte para que a mulher consiga amamentar da melhor forma possível, mas sem julgamentos. Cada história é única e precisa ser compreendida dentro da realidade daquela família.”

Rede de apoio faz diferença

Outro fator decisivo para o sucesso da amamentação é a presença de uma rede de apoio efetiva. Parceiros, familiares, amigos e profissionais de saúde desempenham papel importante na redução da sobrecarga materna.

“Muitas vezes, a mulher é vista como a única responsável pelos cuidados com o bebê. Mas amamentar demanda tempo, energia e dedicação. Quando outras pessoas compartilham tarefas da rotina, ela consegue se recuperar melhor e dedicar-se ao processo de forma mais tranquila.”

A especialista ressalta que o apoio também envolve respeito às escolhas e às necessidades da mãe.

“Nem sempre o incentivo acontece por meio de conselhos. Muitas vezes, apoiar significa ouvir, acolher, ajudar nas tarefas diárias e compreender os limites físicos e emocionais daquela mulher.”

Informação baseada em evidências ajuda a combater mitos

A circulação de informações incorretas continua sendo um dos desafios para as mães que amamentam. Entre os mitos mais comuns estão a existência de “leite fraco”, a ideia de que mamas pequenas produzem menos leite e a crença de que dificuldades iniciais significam incapacidade para amamentar.

“A grande maioria das dificuldades pode ser identificada e manejada com orientação adequada. Por isso, é tão importante que as mulheres tenham acesso a profissionais capacitados desde a gestação e durante todo o puerpério.”

Segundo a médica, preparar as gestantes ainda no pré-natal contribui para reduzir expectativas irreais e aumentar a confiança no período pós-parto.

“Quando a mulher recebe informações de qualidade antes do nascimento do bebê, ela se sente mais segura para enfrentar os desafios que podem surgir.”

Amamentação e acolhimento devem caminhar juntos

Neste Agosto Dourado, especialistas reforçam que defender o aleitamento materno não significa ignorar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Pelo contrário: promover a amamentação passa por garantir informação, suporte profissional, saúde mental e uma rede de apoio capaz de acolher as mães em suas diferentes realidades.

“Precisamos substituir o julgamento pelo acolhimento. A amamentação é um processo que envolve mãe e bebê, mas também depende das condições oferecidas à mulher. Quanto mais apoio ela recebe, maiores são as chances de viver essa experiência de forma positiva e saudável”, conclui a Dra. Karoline Prado.

Serviço

Sinais de que a mãe pode precisar de apoio profissional durante a amamentação

  • Dor intensa e persistente ao amamentar;
  • Fissuras ou lesões mamilares frequentes;
  • Dificuldades na pega do bebê;
  • Sensação constante de exaustão ou sobrecarga;
  • Ansiedade excessiva relacionada à amamentação;
  • Sentimentos persistentes de culpa, incapacidade ou tristeza;
  • Dúvidas frequentes sobre produção de leite ou ganho de peso do bebê.

Caso tenha interesse na pauta, estou à disposição para fazer a ponte de entrevista com a ginecologista.

Karoline Prado

Médica ginecologista e obstetra, com atuação voltada à saúde íntima feminina em todas as fases da vida. Pós-graduada em procedimentos íntimos, incluindo laser e cirurgia íntima, trabalha com foco em bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida da mulher. Defende uma abordagem humanizada, baseada em evidências, com ênfase no acolhimento, autonomia e educação em saúde.

Com informações da assessoria de comunicação.

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