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Reprodução assistida amplia possibilidades

Foto: divulgação

A gestação tardia deixou de ser exceção e passou a integrar o cenário reprodutivo brasileiro. Cada vez mais mulheres optam por engravidar após os 35 anos, movimento diretamente ligado a mudanças sociais, profissionais e culturais — e que tem na reprodução assistida uma importante aliada.

Dados do IBGE mostram que, nas últimas décadas, houve crescimento consistente no número de mulheres que têm o primeiro filho após os 30 anos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a fertilidade feminina sofre redução progressiva com a idade, especialmente após os 35, o que impacta o tamanho da família desejada.

Mudança de prioridades – Para a especialista em reprodução humana, Wendy Delmondes, coordenadora da unidade de Reprodução Humana do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), esse fenômeno está diretamente ligado às transformações no papel da mulher na sociedade.

“As mulheres entraram no mercado de trabalho, conquistaram educação, autonomia e passaram a priorizar outras realizações, inclusive materiais. Em muitos casos, há uma mudança de propósito de vida, que afasta a procriação e aproxima da autorrealização”, afirma.

A médica acrescenta que também houve redução da pressão social por famílias numerosas, o que contribuiu para o adiamento da maternidade.

Limite biológico – O adiamento, porém, traz consequências. A fertilidade feminina é limitada biologicamente e não acompanha o ritmo das transformações sociais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a chance de gravidez natural cai de forma mais acentuada após os 35 anos, enquanto aumentam os riscos obstétricos.

“O que vemos com frequência são mulheres com mais idade que se arrependem de não terem tido filhos ou de não terem formado a família do tamanho que desejavam, justamente por causa do limite imposto pela idade biológica”, explica a Drª Wendy.

Reprodução assistida em alta – Nesse contexto, a reprodução assistida ganha protagonismo. Técnicas como fertilização in vitro (FIV) e congelamento de óvulos têm ampliado as possibilidades reprodutivas, inclusive como estratégia preventiva.

“Antes dos 35 anos, congelar óvulos quando eles ainda são bons pode ampliar muito as opções reprodutivas para o futuro”, destaca a especialista.

A tendência é global. Em países como a Dinamarca, referência em políticas de saúde reprodutiva, cerca de 12% dos nascimentos já eram decorrentes da medicina reprodutiva em 2020, segundo dados oficiais europeus.

Nova dinâmica familiar – A médica observa que esse cenário pode estar associado a uma nova etapa da revolução de gênero, com maior participação masculina no cuidado do lar e dos filhos.

“Os homens começam a contribuir mais com o trabalho dentro de casa, fortalecendo as famílias e promovendo maior igualdade nos papéis familiares. Essa redefinição pode influenciar positivamente a decisão de ter filhos”, avalia.

Legado e escolhas – Apesar do avanço tecnológico, os especialistas reforçam que a reprodução assistida não elimina completamente os efeitos do tempo sobre a fertilidade. Por isso, informação e planejamento são considerados fundamentais.

Além dos aspectos biológicos, Wendy Delmondes chama atenção para a dimensão afetiva e social da maternidade. “Precisamos fortalecer os valores familiares e reconhecer as alegrias proporcionadas pelos filhos. Eles têm um papel importante na transmissão do nosso legado moral”, conclui.

Com informações da assessoria de Comunicação,


Março Azul alerta para diagnóstico precoce e papel da cirurgia robótica

Foto: divulgação

Tradicionalmente associado a pessoas acima dos 50 anos, o câncer colorretal tem apresentado crescimento preocupante entre adultos jovens, acendendo um alerta na comunidade médica durante o Março Azul, mês dedicado à conscientização sobre a doença. Mudanças no estilo de vida, alimentação inadequada, sedentarismo e atraso no diagnóstico estão entre os fatores que ajudam a explicar esse novo perfil epidemiológico.

Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o câncer colorretal é o terceiro tipo mais incidente no país, com estimativa de cerca de 45 mil novos casos por ano no Brasil. Estudos recentes do próprio INCA mostram aumento progressivo da incidência em pessoas com menos de 50 anos, faixa etária que, até pouco tempo, não fazia parte do rastreamento de rotina.

Mudança de perfil preocupa especialistas

Para o coloproctologista Ramon Mendes, coordenador do Núcleo de Coloproctologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), o cenário exige atenção redobrada. “Estamos diagnosticando câncer colorretal em pacientes cada vez mais jovens, muitas vezes em estágios avançados, porque os sintomas iniciais são confundidos com problemas benignos, como hemorroidas ou alterações intestinais funcionais”, explica.

Especialista em cirurgias colorretais minimamente invasivas e robóticas, Ramon Mendes destaca que sinais como sangramento nas fezes, dor abdominal persistente, perda de peso inexplicada e alteração do hábito intestinal não devem ser ignorados, independentemente da idade. “A ideia de que jovem não tem câncer precisa ser definitivamente abandonada”, reforça.

Robótica ganha espaço no tratamento

Com o avanço tecnológico, a cirurgia robótica tem se tornado uma aliada importante no tratamento do câncer colorretal, inclusive em pacientes jovens, que tendem a exigir abordagens menos invasivas e com recuperação mais rápida. “A robótica oferece visão tridimensional ampliada, maior precisão nos movimentos e melhor preservação de nervos e estruturas anatômicas, o que impacta diretamente na qualidade de vida do paciente no pós-operatório”, afirma o especialista.

Pioneiro da cirurgia robótica na Bahia e fundador do Instituto Ramon Mendes, o médico ressalta que a técnica é especialmente vantajosa em tumores localizados em regiões complexas, como o reto. “Conseguimos remover o câncer com segurança oncológica e, ao mesmo tempo, reduzir complicações como disfunções urinárias, sexuais e intestinais”, pontua.

Tecnologia em expansão no Brasil

Segundo dados da Strattner, empresa responsável pela difusão da cirurgia robótica no país, o Brasil já ultrapassou a marca de 100 sistemas robóticos instalados, com crescimento contínuo dos procedimentos em coloproctologia. A plataforma robótica tem ampliado o acesso a cirurgias mais precisas, com menor sangramento, menos dor e menor tempo de internação hospitalar.

Esse avanço acompanha uma tendência internacional de adoção da robótica como padrão em centros especializados no tratamento do câncer colorretal, especialmente em casos que exigem alta complexidade técnica.

Diagnóstico precoce ainda é decisivo

Apesar dos benefícios da tecnologia, Ramon Mendes — que foi eleito presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia para o biênio 2029/2030 — reforça que o principal desafio continua sendo o diagnóstico precoce. “A cirurgia robótica é uma grande aliada, mas ela não substitui o rastreamento adequado. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura, independentemente da técnica utilizada”, ressalta.

No contexto do Março Azul, a recomendação dos especialistas é clara: pessoas com histórico familiar da doença, sintomas persistentes ou fatores de risco devem procurar avaliação médica, mesmo antes dos 50 anos. “Informação salva vidas. E hoje, além de diagnosticar mais cedo, temos tecnologia para tratar melhor”, conclui o coloproctologista.

Com informações da assessoria de Comunicação.


Nesta terça-feira (24), integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado afirmaram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, poderá comparecer ao Senado com o apoio da Polícia Federal (PF). De acordo com os senadores do colegiado, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), disponibilizou a estrutura da corporação para o transporte do banqueiro.

– A absoluta transparência nesse caso é o grande antídoto que a sociedade brasileira quer e é nesse sentido que nós saímos da conversa com o ministro André Mendonça muito confiantes, porque sentimos uma decisão por parte do ministro de estabelecer toda a transparência possível, que não prejudique o andamento das investigações – afirmou o senador Eduardo Braga.

O depoimento de Vorcado estava marcado para esta terça, mas acabou sendo adiado. Ele pode ser ouvido pela comissão na próxima semana.

– O Ministro André Mendonça colocou à disposição toda a infraestrutura, com absoluta discussão e com todo o respeito, inclusive com o uso da estrutura até para o transporte do advogado de defesa para que a comissão pudesse fazer a audiência com o senhor Vorcaro – explicou Renan Calheiros ao deixar o STF.

*Pleno.News
Foto: YouTube/CNN Brasil Economia


O extremo sul da Bahia está sob alerta vermelho para chuvas intensas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. O aviso foi publicado na manhã desta terça-feira (24) e segue válido até sexta-feira (27).

De acordo com o órgão, o nível vermelho representa “grande perigo”, com risco de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.

As cidades citadas no alerta máximo são Caravelas, Ibirapuã, Lajedão, Mucuri e Nova Viçosa. Em caso de chuvas intensas, o Inmet orienta que moradores desliguem aparelhos elétricos, fiquem atentos a alterações em encostas e acionem a Defesa Civil em situações de risco.

Além da Bahia, o instituto também incluiu municípios nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. O alerta é direcionado a cidades que registraram volumes significativos de chuva nos últimos dias.

Bahia sob alerta

Além do aviso vermelho no extremo-sul, o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta de chuvas intensas com grau de severidade classificado como “perigo” na cor laranja para quase todo o território baiano, incluindo Salvador.

O aviso começou às 9h30 desta terça-feira (24) e é válido até as 23h59 de quinta-feira (27).

Entre as cidades incluídas no alerta estão Feira de Santana, Vitória da Conquista, Lauro de Freitas, Camaçari, Ilhéus, Itabuna, Barreiras, Juazeiro e Porto Seguro, além de municípios do interior e da Região Metropolitana.

*Metro1
Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS


Estudante autor da melhor redação da fase nacional recebe prêmio de R$ 7,5 mil​

Escolas públicas e privadas de todo o Brasil podem realizar as inscrições para o 55º Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado no Brasil pelos Correios e voltado para estudantes de até 15 anos.​

O tema deste ano é: “Escreva uma carta a um amigo explicando a importância das relações humanas num mundo digital”. As inscrições, que vão até o dia 27 de março, devem ser realizadas pelas escolas que selecionam, entre as redações de seus estudantes, até duas cartas para representá-las.​

O Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens é promovido anualmente pela União Postal Universal (UPU), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) que coordena políticas e serviços postais entre as nações e o sistema postal internacional. O certame tem o objetivo de fomentar a escrita e a alfabetização, incentivando a expressão da criatividade e o desenvolvimento dos conhecimentos linguísticos de crianças e adolescentes.

​No Brasil, a realização do concurso fica a cargo dos Correios e é desenvolvido em três fases: escolar, estadual e nacional. A primeira melhor redação de cada estado segue para a fase nacional, onde serão selecionadas as três melhores cartas. A primeira colocada irá representar o Brasil na fase internacional, que fica a cargo da UPU.​

Premiação – O estudante autor da melhor redação na fase nacional recebe prêmio de R$ 7.500 em dinheiro e sua escola, R$ 7.875. O segundo e o terceiro colocados da etapa nacional também recebem premiação, de R$ 6 mil e R$ 4.500, respectivamente – e suas escolas recebem R$ 6.375 e R$ 4.875.​Na fase regional, o prêmio é de R$ 1.725 para o autor da melhor redação e de R$ 1.875 para sua escola.​

Histórico – O Brasil é o segundo país mais bem colocado, com 3 medalhas de ouro (1972, 1988 e 2006), 2 de prata (1978 e 1980), 2 medalhas de bronze (1992 e 2015) e 7 menções honrosas (2009, 2012, 2016, 2017, 2018, 2023 e 2025). O país só fica atrás da China, que possui 5 medalhas de ouro.​Na última edição, em 2025, foram 3.241 cartas encaminhadas, sendo 2.158 escolas participantes. Destas, 739 eram de particulares e 1419, públicas. O Brasil ganhou menção honrosa com a carta de Beatriz Kfouri Azevedo, aluna da escola Canadense Bilíngue – Maple Bear de Aracajú, em Sergipe.

A carta vencedora da etapa internacional foi de um estudante da Turquia.Por meio do Concurso Internacional de Redação de Cartas, os Correios fortalecem sua atuação como agentes públicos do governo federal, por meio de ações voltadas para a educação de jovens, e reforçando o importante papel de responsabilidade social que a estatal vem desenvolvendo junto à sociedade.​Mais informações estão disponíveis na página do concurso, no site dos Correios.

Correios – Os Correios, líderes no segmento logístico e de entrega de encomendas no Brasil e responsáveis pela atividade postal nacional, são uma empresa pública moderna, com a missão de promover a integração nacional, contribuindo com o governo no desenvolvimento socioeconômico, conectando pessoas, instituições e negócios.

Com mais de 360 anos de história e presente em 100% dos municípios do País, a estatal possui a maior infraestrutura logística da América Latina: uma rede de atendimento de mais de 10 mil agências, mais de 8 mil unidades operacionais, 23 mil veículos e mais de 80 mil empregadas e empregados diretos. Para mais informações, acesse: www.correios.com.br.

Com informações da assessoria de Comunicação.

O Índice de Movimentação Econômica de Salvador (IMEC-SSA), calculado mensalmente pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), ficou relativamente estável em dezembro de 2025, registrando retração de 0,1%, na comparação com o mês imediatamente anterior (série com ajuste sazonal). 

Duas das seis variáveis que compõem o indicador puxaram o índice para baixo, com destaque para Carga portuária (-12,0%), que apontou a variação negativa mais expressiva, seguida por Passageiros de ônibus urbanos (-0,2%). Por outro lado, Passageiros de ônibus intermunicipais (16,3%), Combustíveis (3,8%), Consumo de energia elétrica (1,7%) e Passageiros no Aeroporto Internacional de Salvador (0,5%) foram as influências positivas no mês. 

O indicador avançou 0,6% em relação a dezembro de 2024, e caiu 0,8% no acumulado do ano de 2025, quando comparado com o mesmo período do ano anterior.


Foto: Fernando Vivas/GOVBA

Podcast Super Sincera
24 de Fevereiro de 2026

Por Manu Pilger

94 anos do voto feminino no Brasil
Algumas datas não chegam com alarde. Não têm fogos, não viram feriado, não estampam capas. Mas carregam pequenas revoluções que mudam o curso da história. 24 de fevereiro de 1932 é uma delas.


Foi nesse dia que o Brasil instituiu, por meio do Código Eleitoral, o direito ao voto feminino. Não foi um gesto generoso do Estado. Foi resultado de mobilização, de articulação, de mulheres que se recusaram a aceitar que política fosse território exclusivo dos homens.


Até então, o país decidia seus rumos sem ouvir metade da população. O voto feminino não foi apenas um direito jurídico. Foi o reconhecimento de que mulheres pensam, opinam, escolhem. Até então, o poder público era legalmente um feudo masculino. Foi a primeira fresta aberta numa estrutura que insistia em nos manter como espectadoras.


Mas é preciso dizer: o direito veio com limites. O voto era facultativo e restrito às mulheres alfabetizadas. A igualdade não nasceu pronta. Ela começou como possibilidade. Imagino aquelas primeiras eleitoras. O gesto de depositar a cédula na urna talvez parecesse simples. Mas era um ato carregado de simbolismo. Era o início de uma presença política que havia sido negada por séculos.


Noventa e quatro anos depois, muito avançamos. Elegemos vereadoras, deputadas, governadoras, senadoras, uma presidenta. As mulheres ocupam espaços que antes lhes eram proibidos. Mas ainda somos minoria nas assembleias legislativas, ainda temos participação reduzida na Câmara dos Deputados e no Senado. Em um país onde somos maioria da população, seguimos sub-representadas nos centros de decisão.


Edital prevê 25 vagas para defensor público e formação de cadastro de reserva

Foto: Divulgação

A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) publicou no Diário Oficial o edital de abertura do IX Concurso Público para defensoras e defensores públicos, dando início a mais uma etapa do processo de fortalecimento e expansão institucional. O certame prevê o provimento de vagas na classe inicial da carreira, além da formação de cadastro de reserva.

Das 25 vagas oferecidas inicialmente, 14 são destinadas à ampla concorrência, oito reservadas para pessoas pretas e pardas, uma para pessoa com deficiência, uma para integrantes de povos indígenas e uma para pertencentes à população quilombola. O salário inicial é de R$ 29.421,12.

De acordo com o edital, o concurso será composto por provas objetiva, discursivas e orais, além de avaliação de títulos, seguindo as normas previstas na legislação estadual e nas resoluções do Conselho Superior da instituição. Podem concorrer bacharéis em Direito com, no mínimo, três anos de atividade jurídica comprovada até a data da posse.

A abertura do novo certame ocorre em um momento estratégico para a Defensoria baiana, que tem ampliado sua atuação no interior do estado, buscando garantir atendimento jurídico integral e gratuito às populações em situação de vulnerabilidade em todas as regiões da Bahia.

“A abertura do IX Concurso para defensoras e defensores públicos da Bahia representa um passo estratégico para o fortalecimento institucional, alinhado à expansão dos serviços e à interiorização da Defensoria Pública. Ao investir na recomposição e no crescimento da carreira, reafirmamos o compromisso com a garantia de direitos, especialmente das pessoas em situação de vulnerabilidade, ampliando a presença institucional em todo o estado”, destacou a defensora pública-geral Camila Canário.

O edital também detalha as etapas do certame, os critérios de pontuação, as regras de inscrição e o cronograma preliminar, garantindo transparência e ampla concorrência. A expectativa é que o concurso contribua para a recomposição do quadro de membros e para a ampliação da presença da Defensoria nas comarcas do interior, fortalecendo o acesso à justiça em todo o território baiano.

Com a iniciativa, a DPE/BA reforça sua política de valorização da carreira e de investimento contínuo na estrutura institucional, consolidando-se como instrumento essencial de promoção de direitos e cidadania em toda a Bahia.

Informações Bahia.ba


Subprocurador-geral Lucas Furtado pede investigação sobre conflito de interesses

Margareth Menezes é a ministra da Cultura. A pasta é responsável pela Lei Rouanet | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Margareth Menezes é a ministra da Cultura. A pasta é responsável pela Lei Rouanet | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O subprocurador-geral Lucas Furtado solicitou nesta segunda-feira, 23, que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue um suposto conflito de interesses que envolve a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Segundo o portal Metrópoles, o representante do Ministério Público (MP)classificou como um “escândalo de proporções significativas” o pagamento de um cachê de R$ 290 mil à ministra por uma empresa que obteve autorização para captar recursos via Lei Rouanet.

A cantora comandou o bloco Os Mascarados, da Pau Viola Cultura e Entretenimento, no circuito Barra–Ondina, em Salvador, no dia 12 de fevereiro. Segundo o site, o valor recebido incluiu custos com músicos, produção e figurino. Furtado sustenta que a relação compromete a transparência da pasta, uma vez que a empresa contratante possui interesses diretos no Ministério da Cultura.

Suspeita de favorecimento

A representação enviada ao TCU destaca que, durante a gestão de Margareth Menezes, o Ministério da Cultura aprovou oito projetos da Pau Viola para financiamento via Lei Rouanet, contra apenas dois registrados anteriormente. O subprocurador requer a análise dos contratos e dos trâmites de autorização para verificar se houve tratamento privilegiado, com base na Lei de Conflito de Interesses.

Furtado argumenta que permitir pagamentos de empresas com interesses em decisões de agentes públicos torna a legislação “letra morta”. Caso o tribunal encontre irregularidades, o Ministério Público pede a responsabilização dos envolvidos. Das oito propostas autorizadas na atual gestão, uma recebeu aporte de R$ 1 milhão em abril de 2024 para a realização do Festival de Lençóis, na Chapada Diamantina.

Margareth Menezes nega irregularidades

Ao Metrópoles, a empresa Pau Viola Cultura e Entretenimento negou qualquer ilegalidade e esclareceu que a aprovação na Lei Rouanet representa apenas uma autorização para buscar patrocínio privado, sem repasse direto de verba pública. A nota afirma que o aumento no número de projetos autorizados decorre da normalização do fluxo de análise técnica, que teria sofrido redução significativa no governo anterior.

O Ministério da Cultura e a equipe artística de Margareth Menezes também se manifestaram, ao afirmar que não existem impedimentos para a realização dos shows. Segundo a pasta, o fluxo de análise técnica das propostas de captação foi apenas regularizado em comparação à gestão passada. O TCU agora deve avaliar a representação para decidir se abre um processo formal de auditoria sobre os pagamentos e as autorizações concedidas.

Informações Revista Oeste


Conforme a pesquisadora Tatiana Sampaio, utilização do medicamento experimental sem aval regulatório cria obstáculos à análise científica

Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina | Foto: Artur Moês/UFRJ
Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina | Foto: Artur Moês/UFRJ

A liberação do uso compassivo da polilaminina por meio de decisões judiciais tem prejudicado o avanço das pesquisas, conforme afirmou a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo desenvolvimento da molécula, Tatiana Sampaio. 

O composto, que busca restaurar conexões nervosas em pacientes com lesões graves na medula, ainda não tem registro e nem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira, 23, Tatiana destacou que a judicialização antecipa a utilização do medicamento experimental sem o aval regulatório. Assim, cria obstáculos para o acompanhamento científico. 

Segundo ela, a Anvisa tem emitido pareceres rapidamente, ainda que o prazo oficial seja de 45 dias. Contudo, o crescimento dos pedidos judiciais dificulta o controle dos casos tratados.

Uso compassivo da polilaminina e desafios no acompanhamento

Frasco de polilaminina, fabricada pelo laboratório Cristália | Foto: Divulgação/Cristália
Frasco de polilaminina, fabricada pelo laboratório Cristália | Foto: Divulgação/Cristália

A cientista explicou que o uso compassivo, permitido em situações específicas quando um médico solicita o acesso a medicamentos experimentais, não acelera o processo regulatório, mas amplia a quantidade de solicitações. 

“Não é nada confortável você participar de toda essa organização”, afirmou Tatiana Sampaio ao Roda Viva. “Porque o que está acontecendo não é exatamente uma aceleração da resposta mesmo antes da Anvisa responder, mas um aumento de pedidos de uso compassivo, que é quando um médico pode demandar pedidos para usar uma medicação de uso experimental em um caso específico.”

Ela ressaltou que as aplicações da polilaminina são invasivas e exigem profissionais treinados. Mencionou, ainda, que pacientes que recebem o tratamento por via judicial não têm obrigação de informar à equipe de pesquisa sobre possíveis efeitos adversos ou eventuais melhoras. Isso, segundo ela, cria um acompanhamento precário e dificulta a obtenção de dados essenciais.

“Imagina se houver um efeito adverso e a pessoa não relatar…”, ponderou a pesquisadora. “Se houver uma melhora inesperada ou alguma coisa que a gente nunca imaginou… Também nunca vamos saber. Ficam fora da pesquisa.” 

Ela relatou que, dos 55 pedidos judiciais ocorridos até o momento, 30 receberam aval para uso da substância. Apesar disso, conforme Tatiana, o acompanhamento dos pacientes é limitado e chega a depender de informações da imprensa.

Informações Revista Oeste