Ativista movia na Justiça uma ação contra um livro didático
O secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping | Foto: Divulgação/Creative Commons
O livro Mental Health Education for College Students ensina que a homossexualidade é um distúrbio psicológico. Assim também pensa o tribunal chinês do distrito de Suyu, no leste do país, informou o jornal South China Morning Post. Tudo começou depois que Xixi, uma mulher de 24 anos, moveu na Justiça um processo criticando o conteúdo da obra. No entanto, segundo a corte, não há nada de errado com as informações da bibliografia, hoje utilizada em universidades do país. Argumentaram os juízes que não os escritos tratam de “erro factual” mas sim de “uma visão acadêmica acerca do tema”. Xixi chamou a decisão de “aleatória e sem base” e afirmou que continuará a trabalhar pela causa LGBT fora do Judiciário.
Imunizante terá potencialmente um alcance ainda maior na luta global contra o coronavírus
A maioria das vacinas precisa ser administrada em dose dupla (Foto: Getty Images via BBC)
Os reguladores dos Estados Unidos aprovaram formalmente neste domingo (28/2) a vacina de injeção única da Johnson & Johnson contra o coronavírus, a terceira a ser autorizada no país.
Essa vacina terá potencialmente um alcance ainda maior na luta global contra o coronavírus pois por funcionar com dose única. Mais de 800 milhões de doses foram encomendadas pelo mundo.saiba mais
A vacina foi criada para ser uma alternativa econômica às vacinas Pfizer e Moderna e pode ser armazenada em uma geladeira em vez de um freezer.
Os testes descobriram que ele evitou doenças graves, mas foi 66% eficaz no geral quando casos moderados foram incluídos.
A vacina é fabricada pela empresa belga Janssen, controlada pela Johnson & Johnson. A empresa concordou em fornecer aos EUA 100 milhões de doses até o final de junho. As primeiras doses podem estar disponíveis para o público dos EUA já na próxima semana.
O Reino Unido, a União Europeia e o Canadá também solicitaram o imunizante, e 500 milhões de doses também foram encomendadas por meio do esquema Covax para abastecer as nações mais pobres.
O Brasil não possui acordos para compra da vacina da Johnson & Johnson.
O presidente Joe Biden saudou a aprovação como “uma notícia empolgante para todos os americanos e um desenvolvimento encorajador”, mas advertiu que “a luta está longe do fim”.
“Apesar de celebrarmos as notícias de hoje, peço a todos os americanos – continuem lavando as mãos, permaneçam socialmente distantes e continuem usando máscaras”, disse ele em um comunicado.
“Como já disse muitas vezes, as coisas ainda devem piorar novamente à medida que novas variantes se espalham e a melhoria atual pode ser revertida.”
A autorização da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA veio depois que um comitê externo de especialistas apoiou por unanimidade a vacina na sexta-feira.saiba mais
Os resultados de testes conduzidos nos EUA, África do Sul e Brasil mostraram que ela é mais de 85% eficaz na prevenção de doenças graves e 66% eficaz em geral quando casos moderados foram incluídos.
Notavelmente, não houve mortes entre os participantes que receberam a vacina e nenhuma internação hospitalar após 28 dias após a vacina.
A proteção geral foi menor na África do Sul e no Brasil, onde as variantes do vírus se tornaram dominantes, mas a defesa contra doenças graves ou críticas era “similarmente alta”.
Foram encomendadas:
– União Europeia – 200 milhões de doses – EUA – 100 milhões de doses – Canadá – 38 milhões de doses – Reino Unido – 30 milhões de doses – Nações Covax – 500 milhões de doses
No Brasil, o Plano Nacional de Operacionalização de Vacinação contra a Covid-19, elaborado em dezembro pelo governo federal, citava a expectativa de obter 38 milhões de doses dessa vacina a partir do segundo trimestre, mas por enquanto isso está estipulado apenas por um memorando de entendimento – nenhuma compra foi de fato efetivada.saiba mais
Dose única O fato de funcionar em dose única e poder ser guardada em uma geladeira comum, enquanto outras precisam de armazenamento superfrio, significa que a vacina da empresa pode ter um papel significativo em todo o mundo.
“Uma vacina em dose única é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a melhor opção em cenários de pandemia”, disse Paul Stoffels, diretor científico da Johnson & Johnson.
Ele acrescentou que a vacina pode “proteger potencialmente centenas de milhões de pessoas dos resultados graves e fatais da covid-19”.
A meta da empresa é fabricar 1 bilhão de doses neste ano.saiba mais
Produção A vacina da Johnson & Johnson usa um vírus do resfriado comum que foi desenvolvido para ser inofensivo.
Em seguida, ela carrega parte do código genético do coronavírus para o corpo, mas de maneira segura. Isso é suficiente para o corpo reconhecer a ameaça e, então, aprender a combater o coronavírus.
O mecanismo treina o sistema imunológico do corpo para lutar contra o coronavírus quando encontra o vírus de verdade.
O processo é semelhante à abordagem usada na vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela empresa AstraZeneca.
“Um regime de dose única com início rápido de proteção e facilidade de entrega e armazenamento oferece uma solução potencial para alcançar o maior número de pessoas possível. A capacidade de evitar hospitalizações e mortes mudaria o jogo no combate à pandemia”, afirmou Mathai Mammen, da empresa belga Janssen.
Os resultados são baseados em quase 44 mil pessoas que participaram dos testes, inclusive no Brasil.
Enquanto os suicídios masculinos caíram ligeiramente, as taxas entre as mulheres subiram quase 15%
O Japão registra suicídios com mais rapidez e precisão do que qualquer outro país do mundo. Ao contrário da maioria dos países, os números são coletados no final de cada mês.
Durante a pandemia de covid-19, eles contam uma história perturbadora.
Em 2020, as taxas de suicídio no Japão aumentaram pela primeira vez em 11 anos. O mais surpreendente é que, enquanto os suicídios masculinos caíram ligeiramente, as taxas entre as mulheres subiram quase 15%.
Só em outubro, a taxa de suicídio feminino do país aumentou mais de 70%, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Por que a pandemia parece estar afetando as mulheres com tanta força no país? Algumas das respostas a essa pergunta refletem realidades comuns também no Brasil.
Atenção: alguns leitores talvez achem incômodos os relatos a seguir. Para apoio emocional preventivo ao suicídio, ligue 188 ou acesse o site do Centro de Valorização da Vida
‘Desisti de tentar morrer’
Ficar cara a cara com uma jovem que tentou o suicídio repetidamente é uma experiência perturbadora. Isso despertou em mim um novo respeito por aqueles que trabalham na prevenção do suicídio.
Estou sentado em um abrigo no distrito da luz vermelha de Yokohama, administrado por uma instituição de caridade dedicada à prevenção do suicídio chamada Project Bond.
Do outro lado da mesa está uma mulher de 19 anos com o cabelo preso. Está sentada. Muito quieta.
Em silêncio, sem demonstrar emoção, ela começa a me contar sua história.
Ela diz que tudo começou quando tinha 15 anos. Seu irmão mais velho começou a abusar dela violentamente. Ela fugiu de casa, mas isso não acabou com a dor e a solidão.
Colocar fim à sua vida parecia a única saída.
“Desde essa época, no ano passado, tenho entrado e saído do hospital muitas vezes”, ela me conta.
“Tentei muitas vezes me matar, mas não consegui, então agora acho que desisti de tentar morrer.”
O que a impediu foi a intervenção do Project Bond. Eles encontraram para ela um lugar seguro para morar e começaram um aconselhamento intensivo.
Jun Tachibana é o fundador do Project Bond. Ela é uma mulher forte, de 40 anos, com um otimismo invejável.
Tachibana, do Bond Project, diz que covid-19 parece estar levando aqueles já vulneráveis ao limite
“Quando as meninas têm problemas reais e sofrem, elas realmente não sabem o que fazer”, diz ela.
“Estamos aqui, prontos para ouvi-los, para lhes dizer: estamos com vocês”.
Tachibana diz que a pandemia parece estar levando aqueles já vulneráveis ao limite.
Ele descreve algumas das ligações dolorosas que sua equipe recebeu nos últimos meses.
“Ouvimos muitas frases como ‘Quero morrer’ ou ‘Não tenho para onde ir'”, conta. “Eles dizem: ‘É tão doloroso, me sinto tão só que quero desaparecer’.”
Para aqueles que sofrem abuso físico ou sexual, a pandemia piorou muito a situação.
“Uma menina com quem conversei outro dia me confessou que seu pai a assedia sexualmente”, disse Tachibana. “Mas por causa da pandemia, o pai dela não trabalha muito e fica mais em casa, então ela não pode fugir dele.”
Um padrão “muito incomum”
Em períodos anteriores de crise no Japão, como a crise bancária de 2008 ou o crash do mercado de ações e a bolha imobiliária no início da década de 1990, o impacto foi sentido principalmente por homens de meia-idade.
Naquelas ocasiões, grandes picos foram observados nas taxas de suicídio masculino.
Mas a pandemia de covid-19 é diferente: está afetando os jovens e, em particular, as mulheres. As razões são complexas.
O Japão costumava ter a maior taxa de suicídio do mundo desenvolvido. Na última década, teve grande sucesso em reduzi-las – elas caíram cerca de um terço.
A professora Michiko Ueda é uma das maiores especialistas japonesas em suicídio. Ele me conta como foi chocante testemunhar o retrocesso nos últimos meses.
“Esse padrão de suicídio feminino é muito, muito incomum”, assinala.
“Nunca vi um aumento tão grande na minha carreira de pesquisadora desse tema. O que acontece com a pandemia do coronavírus é que os setores mais afetados são aqueles com alto porcentual de mulheres, como turismo e varejo”.
O Japão viu o número de mulheres solteiras que vivem sozinhas – muitas das quais optam por viver assim em vez de se casar – aumentar consideravelmente, desafiando os papéis tradicionais de gênero que ainda persistem no país.
A professora Ueda afirma que as mulheres jovens também têm muito mais probabilidade de ocupar empregos precários.
Foto: Getty Images Em outubro do ano passado, 879 mulheres se suicidaram. Isso representa um aumento de mais de 70% em relação ao mesmo mês de 2019
“Muitas mulheres não são mais casadas”, diz Ueda.
“Eles têm que sustentar suas próprias vidas e não têm empregos fixos. Então, quando algo acontece, é claro, elas são duramente atingidas. O número de demissões entre quem não tem um trabalho fixo foi enorme nos últimos oito meses.”
Um mês se destacou, no entanto. Em outubro do ano passado, 879 mulheres se suicidaram. Isso representa um aumento de mais de 70% em relação ao mesmo mês de 2019.
As manchetes dos jornais soaram o alarme.
A imprensa japonesa comparou o número total de suicídios de homens e mulheres em outubro (2.199) com o número total de mortes no Japão por coronavírus até agora (2.087).
Algo particularmente estranho estava acontecendo.
Em 27 de setembro do ano passado, uma atriz muito famosa e popular chamada Yuko Takeuchi foi encontrada morta em sua casa. Mais tarde, soube-se que ela havia tirado a própria vida.
Foto: Getty Images Atriz japonesa Yuko Takeuchi foi encontrada morta em sua casa e os especialistas perceberam um efeito de imitação
“A partir do dia em que se torna público que uma pessoa famosa tirou a própria vida, o número de suicídios aumenta e permanece assim por cerca de 10 dias”, explica Yasuyuki Shimizu, ex-jornalista que agora dirige uma instituição de caridade dedicada a combater o problema do suicídio no Japão.
“Pelos dados, pudemos ver que o suicídio da atriz em 27 de setembro causou 207 suicídios femininos nos 10 dias seguintes.”
Levando-se em conta os dados sobre suicídios de mulheres da mesma idade que Yuko Takeuchi, as estatísticas são ainda mais reveladoras.
“Mulheres de 40 anos foram as mais influenciadas de todas as faixas etárias”, diz Shimizu. “Para esse grupo, (a taxa de suicídio) mais que dobrou.”
Outros especialistas concordam que há uma conexão muito forte entre os suicídios de celebridades e um aumento imediato nos suicídios nos dias seguintes.
Comportamento de imitação
Esse fenômeno não é exclusivo do Japão, e essa é uma das razões pelas quais é tão difícil informar a população sobre casos de suicídio.
Quanto mais se fala no suicídio de uma celebridade na mídia e nas redes sociais, maior o impacto sobre outras pessoas vulneráveis.
Mai Suganuma estuda o tema. Ela própria experimentou de pertos os impactos de um suicídio. Quando era adolescente, seu pai se suicidou.
Agora, Suganuma ajuda famílias de outras pessoas que cometeram suicídio.
E assim como o coronavírus está deixando as famílias sem poder chorar seus entes queridos, também está tornando a vida mais difícil para parentes de pessoas que tiraram a própria vida.
“Quando converso com os familiares, é muito forte o sentimento de não ter podido salvar o ente querido, o que muitas vezes os leva a se culparem”, explica Suganuma.
Foto: Getty Images Ruas do Japão foram esvaziadas pela terceira onda da pandemia
“Também me culpei por não ter sido capaz de salvar meu pai. Agora as autoridades dizem que todos devem ficar em casa. Tenho medo de que a culpa fique mais forte. Para começar, os japoneses não falam sobre morte. Não temos uma cultura de falar sobre suicídios.”
O Japão está agora na terceira onda de infecções por covid-19, e o governo decretou um segundo estado de emergência.
Para Ueda, há outra questão persistente. Se esse fenômeno acontece no Japão, que não teve lockdowns rígidos e registrou relativamente poucas mortes pelo vírus, é de se imaginar a situação emocional das pessoas em países onde a pandemia tem sido muito mais devastadora.
Imunizante da AstraZeneca é recomendado pela OMS e tem eficácia comprovada em evitar casos graves de covid-19. Mas desconfiança infundada de alemães está deixando centros de vacinação às moscas.A ampla e completamente vazia rua que leva ao desativado aeroporto de Berlim-Tegel é vigiada por apenas seis guardas. Seus coletes amarelos brilham ao sol. Eles policiam a entrada do centro de vacinação contra o coronavírus, no antigo terminal C. E não há muito o que fazer. Por hora, diz um deles, não chegam mais que três ou cinco pessoas para se vacinar.
No posto, somente a vacina da farmacêutica AstraZeneca, também conhecida como “vacina de Oxford”, está sendo aplicada. Devido à falta de estudos em pessoas idosas, a vacina só é aprovada na Alemanha para pessoas com menos de 65 anos. Nesta faixa etária, pessoas com uma doença anterior relevante, mas especialmente grupos ocupacionais com risco elevado de infecção estão sendo atualmente vacinadas.
Mas muitos alemães, especialmente médicos, enfermeiras e cuidadores, frequentemente rejeitam a vacina da AstraZeneca sob o argumento de ela é menos eficaz que osimunizantes da Biontech/Pfizere da Moderna.
De acordo com o Instituto Robert Koch, responsável pelo controle e prevenção de doenças na Alemanha, em todo o país, apenas 211.886 das mais de 1,4 milhão de doses da vacina já entregues haviam sido aplicadas até o início desta semana. Na segunda-feira, de acordo com cálculos da revista Spiegel, apenas 24.866 doses de AstraZeneca foram aplicadas.
Nesse ritmo, levaria cerca de sete semanas para usar o estoque restante de mais de 1,2 milhão de doses não utilizadas. Até o domingo, a Alemanha já está esperando outro lote da AstraZeneca, de 650 mil doses.
Há preconceito e desconfiança com a vacina da AstraZeneca na Alemanha. Em grande parte devido à ignorância das pessoas sobre o tema. O imunizante tem aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) e eficácia comprovada em evitar casos graves de covid-19, inclusive já após a aplicação da primeira dose.
Os primeiros resultados em países que estão largamente aplicando a vacina, além disso, sugerem uma alta eficácia. Na Escócia, análises de universidades e da autoridade sanitária mostram que mesmo a primeira de duas doses da AstraZeneca reduz o risco de hospitalização para a covid-19 em até 94% após quatro semanas. A taxa para a vacina da Pfizer, por exemplo, foi de 85%.
O imunizante da AstraZeneca-Oxford é parte fundamental da iniciativa internacional Covax Facility, correspondendo a quase todas as 337,2 milhões de doses que o programa pretende enviar a cerca de 145 países no primeiro semestre deste ano, incluindo o Brasil.
Vacina da AstraZeneca é melhor que sua reputação
Um som de motor quebra o silêncio em frente ao centro de vacinação. Um ônibus está se aproximando. Três jovens desembarcam. Eles são assistentes em um consultório médico de Berlim.
“Eu também estava cética quanto a ser vacinada com a AstraZeneca”, diz uma das mulheres, que tem que mostrar aos seguranças a confirmação de horário marcado.
Ela diz que seu chefe lhe forneceu informações abrangentes e também mostrou a ela a opinião do virologista Christian Drosten, baseado em Berlim. “Isso me convenceu”, conta, antes de embarcar na van que a levará para o centro de vacinação.
Basicamente, Drosten, um virologista, disse em seu podcast Coronavirus Update na rádio Norddeutscher Rundfunk que a vacina da AstraZeneca é muito melhor do que sua reputação. “Há muitos mal-entendidos e problemas de comunicação”, afirmou ele.
Políticos como a especialista em saúde Kordula Schulz-Asche, do Partido Verde, têm visão semelhante. O ceticismo entre a população se deve à “comunicação realmente falha”, disse Schulz-Asche ao jornal Die Welt. Muito pouco é explicado, segundo ela, e “histórias de medo” acabam se espalhando sobre a eficácia da vacina.
“Dizer que a vacina AstraZeneca é de segunda categoria é completamente descabido, tanto cientificamente quanto em termos de impacto público”, diz por sua vez Carsten Watzl, da Sociedade Alemã de Imunologia (DgfI), em uma entrevista ao jornal Augsburger Allgemeine Zeitung.
Para melhorar a aceitação, ele sugere que a vacina tenha a garantia de uma vacina de reforço com um ingrediente ativo diferente. “Você pode aumentar a imunidade gerada pela vacina da AstraZeneca mais tarde com uma outra vacina mRNA sem nenhum problema”.
Em Berlim não se escolhe vacina
Klaus Reinhardt, presidente da Associação Médica Alemã, insiste que a vacina da AstraZeneca previne infecções severas ou fatais “com uma alta eficácia semelhante” à da Biontech ou da Moderna. Para médicos e enfermeiros com menos de 65 anos, seria “inapropriado” insistir em outras vacinas. Estas, afirma ele, têm que ser reservadas para idosos, dada à escassez de doses.
Berlim era o único estado da Alemanha onde você podia escolher a vacina até agora. Mas isso mudou. “Não há liberdade de escolha”, disse na quarta-feira o secretário de saúde de Berlim, Dilek Kalayci. Vacinas diferentes ainda estarão disponíveis nos centros de vacinação. Mas cidadãos com menos de 65 anos, reforçou Kalayci, não poderão escolher com que dose se imunizar.
No início do mês, especialistas da OMS recomendaram o uso da vacina da AstraZeneca-Oxford, afirmando que ela pode ser administrada inclusive em pessoas com mais de 65 anos, apesar das dúvidas que surgiram sobre sua eficácia nessa faixa etária.
A recomendação foi feita pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (Sage), que emite recomendações sobre o uso de vacinas à OMS.
O Sage reconheceu que os testes clínicos com a vacina da AstraZeneca-Oxford tiveram uma participação pequena de pessoas com mais de 65 anos, mas disse ter concluído que “os resultados nesse grupo não são diferentes dos mais jovens”.
Ceticismo infundado
A decisão de Berlim segue uma recomendação da Comissão Permanente de Vacinação do RKI, a autoridade alemã para assuntos epidemiológicos. De acordo com essa avaliação, as vacinas recomendadas apenas para pessoas entre 18 e 65 anos devem ser usadas “principalmente” para estes grupos.
Entretanto, esta recomendação por si só dificilmente dissipará o ceticismo em relação à vacina da AstraZeneca e poderá levar a que os mais jovens não sejam vacinados .
Especialmente porque há relatos de reações em muitas partes do país após as vacinações com doses da AstraZeneca. Em uma clínica em Braunschweig, 37 dos 88 funcionários vacinados não retornaram ao trabalho no dia seguinte por causa das reações da vacinação. A clínica suspendeu então as vacinações para não colocar em risco a continuidade de seu funcionamento.
Para a Fundação para Proteção do Paciente na Alemanha (DSP), os efeitos colaterais das vacinas não são novos. Já em janeiro, funcionários de hospitais e lares de idosos haviam relatado reações às vacinas da Biontech/Pfizer e da Moderna. No entanto, isso foi pouco notado pelo público.
Os médicos também explicam que reações como dores de cabeça, dores nos membros e até febre não são incomuns após uma vacinação. Nas pessoas mais jovens, os efeitos colaterais ocorreriam com mais frequência porque o sistema imunológico ainda é mais ativo e reage mais violentamente a uma vacinação do que nas pessoas mais velhas.
Cronograma de vacinação em xeque
O Instituto Central de Seguro de Saúde da Alemanha (ZI) está preocupado que a desconfiança com a vacina AstraZeneca possa atrasar consideravelmente o cronograma de vacinação na Alemanha.
Atualmente, o governo federal espera que todos que quiserem possam receber uma oferta de vacinação até o final de setembro. O ZI calcula que este cronograma poderia ser adiado em até dois meses se a vacina da AstraZeneca não for aplicada de forma mais ampla.
Enquanto isso, fora do centro de vacinação de Berlim, em Tegel, a van que levou os três assistentes médicos para a vacinação partiu. Uma segunda van aparece do outro lado da estrada, trazendo de volta duas pessoas vacinadas. O motorista sai, fica de pé ao sol e acende um cigarro. Ele tem tempo. Os novos passageiros com horários marcados par vacinação devem demorar a chegar.
A investidores, UBS apontou reação “exagerada” do mercado ao “fluxo de notícias” sobre a troca do presidente da empresa
Banco suíço recomenda compra de ações da Petrobras Foto: Agência Petrobras/Stéferson Faria
Após o presidente Jair Bolsonaro indicar um novo nome para a presidência da Petrobras, setores da imprensa brasileira e do mercado financeiro entraram “em alvoroço”. Apesar das variações nas ações da empresa, o banco suíço UBS realizou uma análise, nesta segunda-feira (22), e recomendou, em comunicado a investidores, a compra dos papéis da petrolífera brasileira. A informação foi dada pelo site Poder 360.
Em sua análise, que pode ser vista aqui, o banco apontou uma reação “exagerada” do mercado devido ao “fluxo de notícias”. Apesar da queda de 21% no valor das ações da Petrobras nesta segunda, os papéis da empresa recuperaram parte das perdas nesta terça-feira (23).
O UBS disse achar que o desempenho dos papéis “é descomedido e uma reação exagerada ao fluxo de notícias recentes”. Para o banco, a Petrobras está “muito próxima da paridade na importação de combustível” e “mais protegida de uma perspectiva de governança do que antes”.
A instituição também disse considerar que “assombrações do passado”, em referência à gestão da empresa nos governos do PT, estariam “afetando as percepções dos investidores”. Apesar disso, o banco lembrou que “a estrutura regulatória atual da Petrobras é muito diferente em comparação com há 5 a 10 anos”. Por fim, a instituição também falou sobre a reação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a medida.
A troca no comando da empresa ocorreu após a Petrobras decidir por um novo reajuste nos combustíveis. Em transmissão ao vivo pelas redes sociais na quinta-feira (18), Bolsonaro chegou a criticar o aumento e prometeu mudanças na empresa. Na sexta-feira (19), ele indicou o general Joaquim Silva e Luna para o lugar de Roberto Castello Branco.
A troca do presidente da Petrobras deve ser confirmada nesta terça, após decisão do conselho de administração da empresa.
Jake Sullivan acredita que a única forma de haver uma investigação com base científica é tendo acesso a todos os dados
Pompeo anuncia que embaixador americano na China deixará cargo Foto: Reprodução
O assessor de segurança do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, Jake Sullivan, garantiu neste domingo (21) que a China não forneceu dados suficientes sobre a origem e a posterior propagação do novo coronavírus.
– Estão a ponto de publicar um informe sobre as origens da pandemia em Wuhan, sobre o qual temos perguntas, porque não acreditamos que a China tenha colocado à disposição suficientes dados originais sobre como começou a se propagar essa pandemia tanto na China como em todo o mundo – afirmou o assessor, em entrevista à emissora americana CBS News.
Em 9 de fevereiro, a missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que fez investigação no país asiático descartou a possibilidade de que o SARS-CoV-2 tenha sido criado em laboratório, ao mesmo tempo que considerou possível que o patógeno tenha chegado à China, vindo de outros países, por meio da cadeia de alimentos congelados.
O diretor de Emergências da OMS, Mike Ryan, chegou a afirmar nesta semana que o objetivo da missão não era “investigar a China, mas sim obter lições para o futuro”, podendo, assim, evitar outras pandemias.
Sullivan, no entanto, afirmou hoje que a única forma de acontecer uma investigação com base científica é tendo acesso a todos os dados, embora admita que não tenha respostas sobre o desenrolar da crise, evitando, assim, fazer qualquer tipo de acusação.
– Não estou em condições de dizer como chegou a Covid-19 a este mundo. Tudo o que tenho condições [de fazer] é pedir à OMS que faça seu trabalho da melhor maneira possível – disse o assessor.
Sullivan ainda deixou claro que toda a busca de informações deve ficar a cargo de cientistas e especialistas, “sem nenhuma interferência por parte de qualquer governo”.
O assessor de segurança ainda deu detalhes sobre a conversa de cerca de duas horas que Biden teve com o presidente da China, Xi Jingping, no último dia 10.
– O presidente Biden levantou a questão da Covid-19 e da necessidade de todos os países assumirem a responsabilidade de ajudar a proteger o mundo, inclusive a China – revelou Sullivan.
Com 5 mil anos, local de produção de bebida ficava em cidade que abrigou vastos cemitérios e templos no Egito; cerveja era usada em rituais
Durante escavações recentes na antiga necrópole de Abidos, no Egito, conhecida por seus vastos cemitérios e templos, uma equipe de arqueólogos descobriu umacervejaria de 5 mil anos, considerada a mais antiga do mundo. Segundo Mostafa Waziry, secretário geral do Ministério de Antiguidades do Egito, a produção de cerveja acontecia em grande escala no local.
Foram encontradas oito grandes áreas de produção de bebida, cada uma com 20 metros de comprimento por 2,5 metros de largura. As 40 bacias de cerâmicas descobertas enfileiradas tinham capacidade para armazenar 22.400 litros de cerveja.
Os arqueológos acreditam que a bebida foi criada não muito longe dali, na antiga Mesopotâmia (atual Iraque), e rapidamente adotada pelos egípcios. As primeiras cervejas provavelmente eram feitas com pão de cevada.
“A cervejaria possivelmete foi construída em Abidos com o propósito de fornecer a bebida para rituais dos faraós que aconteciam durante os serviços funerários”, disse o arqueólogo americano Matthew Adams, da Universidade de Nova York, que participou das escavações.
Abidos, que fica em uma região desértica a 540 quilômetros do Cairo, foi um dos centros religiosos e de uma das necrópoles mais importantes do antigo Egito, onde foi realizado o sepultamento de dezenas de múmias. O local guarda os templos dos faraós Seti I e Ramessés II, e o de Osíris, um dos deuses mais venerados da Antiguidade. De acordo com os arqueológos, a bebida provavelmente era utilizada em rituais e sacríficios às divindades.
O Egito tem investido mais fortemente em escavações arqueológicas desde o início da pandemia do coronavírus, com o objetivo de atrair visitantes. O turismo respondia por 12% do PIB do país antes da crise da Covid-19. A atividade costumava gerar em média 30 bilhões de dólares por ano e empregava cerca de 10% da força de trabalho. A expectativa é que as descobertas arqueológicas possam voltar a atrair turistas com o avanço da vacinação do mundo e a volta das viagens.
Perseverance buscará sinais de vida microbiana passada e coletará amostras de rochas e sedimentos
Robô Perseverance, da Nasa, pousa com sucesso na superfície de Marte Foto: Reprodução/ NASA’s Perseverance Mars Rover
O robô explorador Perseverance pousou em Marte, nesta quinta-feira (18), após superar com sucesso os “sete minutos de terror” que envolviam atravessar a fina atmosfera do planeta vermelho e descer na superfície rochosa da cratera Jezero. As informações foram divulgadas pela Nasa.
O ‘rover’ tocou o solo marciano às 17h56 (de Brasília), de acordo com a agência espacial americana. Ele se tornou o quinto desses veículos a explorar o planeta vizinho, neste caso com o objetivo de descobrir sinais de vida no passado.
Cinco minutos após o pouso em Marte, o Perseverance já estava pronto para iniciar sua exploração depois de enviar a primeira imagem da superfície marciana. A foto foi publicada na conta oficial do veículo no Twitter junto com a mensagem: “Olá Mundo. Meu primeiro vislumbre do que será meu lar para sempre”.
O veículo de seis rodas, com cerca de 3 metros de comprimento e 1.025 quilos de peso, buscará em Marte sinais de vida microbiana passada e coletará amostras selecionadas de rochas e sedimentos para embarque futuro para a Terra.
O robô explorador pousou depois de reduzir a velocidade para 20 mil quilômetros por hora em sete minutos e com a ajuda de um “trem de pouso” que lhe permitiu descer suavemente, uma operação que os cientistas da Nasa haviam descrito como perigosa.
– Que equipe incrível para trabalhar através de todas as adversidades e desafios que vêm com o desembarque de um ‘rover’ em Marte, mais os desafios da Covid – declarou o administrador interino da agência espacial americana, Steve Jurczyk, logo após o pouso.
O Perseverance carrega dois microfones, que pela primeira vez captarão o som de Marte, e um helicóptero de quatro patas pesando menos de 2 quilos, o Ingenuity Mars, que tentará o primeiro voo controlado e motorizado em outro planeta. Ela também abrirá o caminho para a futura exploração humana além da Lua.
Joe Ligon foi condenado à pena perpétua aos 15 anos e, em quase sete décadas na prisão, recusou a liberdade condicional em ao menos duas oportunidades
Após quase sete décadas atrás grades, Joe Ligon foi libertado de uma prisão da Pensilvânia, aos 83 anos. Ele é considerado o condenado juvenil à prisão perpétua que passou mais tempo encarcerado nos EUA.
Ligon foi encarcerado em fevereiro de 1953 aos 15 anos de idade, recebendo uma sentença de prisão perpétua após se declarar culpado de acusações decorrentes de uma onda de roubos e esfaqueamentos na Filadélfia, ao lado de quatro outros meninos adolescentes.
Os crimes deixaram seis feridos e duas pessoas – identificadas pelo Philadelphia Inquirer como Charles Pitts e Jackson Hamm – mortas.
Apesar de uma audiência ter considerado Ligon culpado de duas acusações de assassinato de primeiro grau, e o próprio admitir ter esfaqueado pelo menos uma das oito pessoas atacadas à faca pela gangue em um dia, seu advogado Bradley Bridge disse à CNN que seu cliente afirma que não matou nenhum deles.
“A criança que cometeu esses crimes em 1953 não existe mais. A pessoa que saiu da prisão em 2021 tem 83 anos, cresceu, mudou e não é mais uma ameaça”, disse Bridge. “Ele retribuiu amplamente à sociedade pelos danos e prejuízos que causou. E agora, é apropriado que ele passe os últimos anos de sua vida em liberdade.”
“Sou um adulto agora”, disse Ligon à CNN. “Não sou mais uma criança. Não sou apenas um homem adulto, sou um homem velho e envelheço a cada dia.”
Ao longo dos sete décadas, Ligon teve diversas oportunidades de deixar a prisão.
Na década de 1970, ele e seus comparsas receberam a opção de clemência do governador da Pensilvânia. Enquanto dois dos homens optaram por aceitar a oferta – que significava estar em liberdade condicional – Ligon a rejeitou.
Rejeitando liberdade condicional
Ele recusou outra oferta de liberdade condicional em 2017, depois que uma decisão da Suprema Corte dos EUA o tornou elegível.
Um ano antes, em 2016, o tribunal decidiu que deveria ser aplicada retroativamente a jurisprudência do caso “Miller vs. Alabama”, de 2012, segundo o qual sentenças de prisão perpétua juvenis obrigatórias sem a perspectiva de liberdade condicional eram consideradas ilegais.
A decisão tornou Ligon elegível para liberdade condicional, após mais de 60 anos na prisão àquela altura.
Mas o prisioneiro rejeitou a oferta novamente, afirmando que a liberdade condicional não lhe daria a liberdade que ele desejava após décadas na cadeia.
“O conselho estadual de liberdade condicional presumivelmente o teria libertado, mas com a condição de que ele ficasse sob sua supervisão pelo resto de sua vida”, disse Bridge. “Ele optou por não buscar liberdade condicional sob esses termos.”
Bridge, que representa Ligon há 15 anos, acabou argumentando que uma sentença de prisão perpétua por um crime que Ligon cometeu quando jovem era inconstitucional. Depois de uma audiência fracassada no tribunal intermediário de apelação da Pensilvânia, o advogado conseguiu levar o caso ao tribunal federal e venceu a questão em novembro de 2020, que finalmente concedeu a Ligon a liberdade sob seus próprios termos em 2021.
Agora que Ligon saiu da prisão, seu trabalho de reentrada na sociedade começou.
John Pace, um ex-presidiário e atual coordenador de reentrada do Projeto de Sentenciamento e Reentrada Juvenil (YSRP) da Filadélfia, disse que está trabalhando com Ligon para ajudá-lo a se levantar.
Pace tinha apenas 17 anos quando ele próprio foi preso por assalto e agressão a um homem. Ele passou os 31 anos seguintes preso. Depois de ser liberado, Pace afirmou ter sentido uma espécie de enjoo depois de ser repentinamente exposto à sua nova realidade.
Entrando em um novo mundo
“Você está em um ambiente de prisão onde não há muitos estímulos. Você não tem permissão para ter contato com as pessoas. Suas interações são muito limitadas. E, portanto, não há muitos estímulos”, disse Pace. “Então, agora você sai da prisão e imagine tudo isso, você pode fazer o que quiser agora. E o que você faz com isso?”
Bridge, Pace e vários outros têm trabalhado com Ligon para resistir ao choque de entrar em um novo mundo.
Isso incluiu encontrar um alojamento para que o idoso tenha cuidados domiciliares, onde viverá com uma família da Filadélfia que desempenhou um papel importante no processo de retorno à sociedade.
“Sempre haverá pessoas que pensam que Joe deveria ficar na prisão pelo resto de sua vida”, disse Pace. “Joe tem controle sobre como demonstra quem ele é hoje, e ele espera que isso seja o suficiente para ajudar outras pessoas a perceberem como ele está tentando ajudar outras pessoas a usar o bom senso.”
Ligon disse que queria que outros aprendessem com sua experiência.
“Estou realmente ansioso para agradar as pessoas e ajudá-las da maneira como estão me ajudando”, disse Ligon, acrescentando, “conhecendo alguns da geração mais jovem, alguns da geração mais velha e alguns dos repórteres para compartilhar um pouco da minha história. “
Questionado sobre como é estar de volta ao mundo um dia e meio após sua libertação, Ligon disse o seguinte:
Embora a China queira que os jovens optem por ser soldados, essa não é a ambição de todos
O governo chinês acredita que os jovens do país se tornaram muito “femininos”.
É o que sugere uma mensagem recente do Ministério da Educação, que gerou bastante polêmica nas redes sociais.
A declaração, publicada no site do ministério, foi considerada sexista por muita gente, e há quem diga que as celebridades chinesas do sexo masculino são parcialmente culpadas.
A “Proposta de Prevenção da Feminização de Homens e Adolescentes” faz um apelo para que as escolas reformulem totalmente as aulas de educação física e invistam na contratação de professores.
O texto recomenda recrutar ex-atletas e pessoas com experiência esportiva, além do “desenvolvimento vigoroso” de determinados esportes, como futebol, com o objetivo de “cultivar a masculinidade dos alunos”.
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A medida é promovida em um país onde a imprensa costuma mostrar estrelas imaculadas e “socialmente responsáveis”.
‘Fracos, tímidos e autodestrutivos’
Havia alguns sinais de que um movimento deste tipo estava prestes a eclodir na China.
Em maio do ano passado, um delegado do principal órgão consultivo do governo disse que muitos dos jovens da China tinham se tornado “fracos, tímidos e autodestrutivos”.
Os TF Boys (foto) são extremamente populares, mas alguns membros do governo questionam se são bons exemplos a serem seguidos
Si Zefu afirmou que havia uma tendência à “feminização” entre os jovens chineses do sexo masculino, que “inevitavelmente colocaria em risco a sobrevivência e o desenvolvimento da nação chinesa”, a menos que fosse “administrada com eficácia”.
Segundo ele, o ambiente doméstico era em parte culpado, já que a maioria das crianças chinesas é criada por suas mães ou avós.
E o crescente apelo de certas celebridades masculinas significava, na visão dele, que muitos meninos “não queriam mais ser ‘heróis do Exército’.
Ele sugeriu então que as escolas deveriam desempenhar um papel mais central para garantir que os jovens chineses recebessem uma educação equilibrada.
‘Do que os homens têm medo?’
A reação das pessoas à declaração do governo foi avassaladora — e a maioria repudiou o conteúdo.
Milhares de chineses expressaram sua indignação nas redes sociais e muitos chamaram a mensagem de sexista.
“A feminização agora é um termo depreciativo?”, questionou um usuário na rede social Sina Weibo, recebendo mais de 200 mil “curtidas”.
Outro acrescentou: “As crianças também são humanas… sendo emotivas, tímidas ou gentis, essas são características humanas”.
“Do que os homens têm medo? De ser iguais às mulheres?”, perguntou um terceiro.
“Há 70 milhões de homens a mais do que mulheres neste país”, emendou outro.
“Nenhum país no mundo tem uma proporção entre os sexos tão distorcida. Isso não é masculino o suficiente?”
O presidente Xi Jinping, apaixonado por futebol, visitou o estádio do Manchester City em sua visita ao Reino Unido em 2015
“Nenhuma dessas propostas partiu de mulheres”, observou mais um usuário.
Muito já foi escrito sobre como a liderança da China é significativamente dominada por homens.
No entanto, em alguns meios de comunicação do país, a grande maioria sob controle estatal, a medida foi bem recebida. O jornal governista Global Times observou que “havia ganhado certo apoio”.
Na Sina Weibo, os comentários a favor sugeriam que as celebridades masculinas chinesas eram as culpadas, especialmente aquelas conhecidas como “pequenas carnes frescas” (小 鲜肉).
Esta é uma expressão da moda que se refere a jovens chineses vistos como impecáveis, bem tratados e com traços delicados.
A banda TF Boys e o cantor chinês Lu Han se enquadram nessa categoria, assim como muitas estrelas do K-pop.
Embora figuras como o jogador de basquete Yao Ming tenham ganhado fama internacionalmente, é notável que o futebol esteja incluído especificamente na proposta.
Mas não é uma surpresa. O presidente Xi Jinping já falou anteriormente sobre sua esperança de que o país se torne uma “superpotência mundial do futebol” em 2050.
Lu Han e os TF Boys são conhecidos como as ‘pequenas carnes frescas’ da China
Mas as repetidas tentativas de melhorar o nível dos jogadores de futebol da China fracassaram e até foram ridicularizadas.
Há dois anos, Marcello Lippi, que levou a Itália a ganhar a Copa do Mundo da FIFA de 2006, renunciou ao cargo de técnico da seleção chinesa de futebol.
Enquanto isso, o governo tem se esforçado nos últimos meses para introduzir e promover novos exemplos a serem seguidos pelos jovens chineses.
No que diz respeito às mulheres, a pandemia de covid-19 tem sido uma boa oportunidade para demonstrar o papel importante que elas desempenham como profissionais na linha de frente.
E as conquistas da China no espaço no ano passado promoveram figuras como Zhou Chengyu, que aos 24 anos é a comandante do programa de exploração Chang’e-5 — e se tornou um verdadeiro fenômeno viral nas redes sociais.
Mas, como sugeriu Si Zefu no ano passado, o apelo para os jovens chineses se tornarem bravos soldados, policiais ou bombeiros está diminuindo.
Zhou foi descrita na imprensa estatal como uma ‘irmã mais velha’ que os jovens chineses podem admirar
O fenômeno da “pequena carne fresca” continua sendo um sucesso comprovado, mas as jovens celebridades masculinas estão sob crescente escrutínio, o que torna difícil ser outra coisa senão um modelo de perfeição.
Nos últimos anos, os veículos de comunicação têm enfrentado problemas para permitir que jovens estrelas do sexo masculino apareçam com tatuagens ou brincos na televisão.
E uma das principais estrelas pop da China foi duramente criticada online em 2019, quando foi fotografada fumando.