Entidade comunicou que pesquisa passará pelos “ajustes necessários”
Estudo coordenada pelo órgão sugere que pornografia infantil nem sempre é prejudicial Foto: Divulgação
O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) decidiu retirar do ar um estudo controverso envolvendo crianças e pornografia coordenado pela entidade. O artigo, que sugere que não há evidências de que crianças expostas à pornografia sejam prejudicadas, ganhou repercussão negativa nos últimos dias.
A entidade se manifestou por meio de nota nesta segunda-feira (7) dizendo ser contrária à exposição de crianças a conteúdos pornográficos, e que o relatório está gerando “interpretações equivocadas”. Embora o órgão tenha classificado as notícias sobre o assunto como “fake news”, ele decidiu retirar o conteúdo do ar para realizar nova revisão e fazer os “ajustes necessários”.
– A posição do UNICEF é inequívoca: nenhuma criança deve ser exposta a conteúdo pornográfico nem a qualquer outro conteúdo nocivo online e offline. Em notícias nas redes sociais, um artigo coordenado pelo UNICEF está gerando interpretações equivocadas. O texto discute como melhorar a proteção das crianças na internet e apresenta os numerosos riscos e danos associados ao acesso das crianças à pornografia e a outros conteúdos nocivos online. Após a publicação, alguns trechos levaram a interpretações incorretas e diferentes do que o UNICEF defende. A intenção do documento é oferecer soluções e abordagens para reduzir a exposição das crianças a conteúdo nocivo. O texto foi tirado do ar para que fossem realizados os ajustes necessários, e está em revisão – manifestou-se a entidade em seu site e nas redes sociais.
O UNICEF disse ainda estar “alarmado com a enorme quantidade de conteúdo pornográfico disponível online e facilmente acessível às crianças”, e afirmou que conteúdos pornográficos podem levar a “problemas de saúde mental, sexismo e objetificação, agressão sexual e outros resultados negativos”.
No espaço para comentários na publicação nas redes sociais, os internautas questionaram o motivo de a entidade retirar o conteúdo do ar, se rotularam a repercussão como “fake news”.
– Só o fato de reconhecer que tirou pra fazer alterações, fica evidente o erro – disse um usuário do Instagram.
– Apenas noticiar que o documento está sendo reformulado já era suficiente. Agora negar o que todos leram e pior colocar como fake, lamentável – acrescentou outro.
– Publicado. Lido. Polemizado. Apagado. Não tem nenhuma fake news aí. Absurdo quererem sexualizar as crianças. Que mundo estamos vivendo – completou outro internauta.
ENTENDA A pesquisa coordenada pelo UNICEF foi feita em 19 países da União Europeia e concluiu que 39% das crianças expostas à pornografia ficaram “felizes”, enquanto muitas outras ficaram indiferentes. O relatório declara que qualquer esforço para impedir que crianças acessem pornografia online pode violar seus direitos humanos.
O objetivo do estudo, segundo seus organizadores, era compreender a aplicação de políticas públicas na proteção de crianças a conteúdos nocivos. O conteúdo havia sido publicado no site da Center For Family and Human Rights.
Documento tem como base estudo feito ainda durante o governo Trump
Laboratório em Wuhan onde coronavírus pode ter sido criado Foto: Reprodução
Um relatório sobre as origens da Covid-19 realizado por um laboratório nacional do governo dos Estados Unidos concluiu que a hipótese de que o vírus vazou de um laboratório chinês em Wuhan é plausível e merece uma investigação mais aprofundada, de acordo com pessoas familiarizadas com o documento confidencial.
O estudo foi preparado em maio de 2020 pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, e foi usado pelo Departamento de Estado quando conduziu uma investigação sobre as origens da pandemia nos meses finais do governo do ex-presidente Donald Trump. Uma porta-voz do Lawrence Livermore se recusou a comentar o relatório, que permanece em sigilo.
Uma pessoa que leu o documento, datado de 27 de maio de 2020, disse que ele era um forte argumento para uma investigação mais aprofundada sobre a possibilidade de o vírus ter vazado de laboratório. O estudo também teve grande influência na investigação do Departamento de Estado sobre as origens da Covid-19. Funcionários receberam a pesquisa no final de outubro de 2020 e pediram mais informações, de acordo com um cronograma do escritório de controle e verificação de armas da agência, que foi revisado pelo The Wall Street Journal.
Funcionários da ferrovia afirmam que por volta de 1.100 passageiros estavam a bordo
Acidente envolvendo trem no Paquistão deixou mais de 30 mortos Foto: EFE/EPA/Waqar Hussein
Uma colisão entre dois trens expressos no sul do Paquistão, na manhã desta segunda-feira (7), matou ao menos 35 passageiros. A informação foi confirmada por Azam Swati, ministro de Ferrovias do país, para a agência de notícias Associated Press.
Swati disse que está a caminho do distrito de Ghotki, na província de Sindh, onde aconteceu o acidente, e que neste momento ainda não se sabe o que causou a colisão, mas que todos os cenários estão sendo analisados.
De acordo com Umar Tufail, chefe da polícia do distrito de Ghotki, as autoridades estão trabalhando para conseguir máquinas para ajudar no resgate das pessoas presas nos vagões. Funcionários da ferrovia afirmam que por volta de 1.100 passageiros estavam a bordo.
– No momento, o desafio para nós é resgatar rapidamente os passageiros que ainda estão nos destroços – diz Tufail.
O primeiro-ministro do Paquistão, Imram Khan, declarou estar “chocado” com a “terrível tragédia” em Ghotki, e afirmou ainda que ordenou a ida do ministro de Ferrovias ao local para garantir a assistência aos feridos e que vai solicitar uma investigação.
Governo quer todos os idosos imunizados até o fim de julho
Foto: Reprodução BBC
O governo central do Japão está pedindo aos governos locais que criem suas próprias medidas para acelerar as campanhas de vacinação contra a Covid-19.
O Japão espera que mais governos locais aprendam com aqueles que já implementaram suas próprias medidas adicionais. O objetivo do governo central é que todos os idosos do país estejam imunizados até o fim de julho.
O site oficial do Gabinete do primeiro-ministro lista projetos que estão sendo realizados em todo o país para garantir os profissionais da saúde necessários para fazer as imunizações.
Na província de Nara, equipes com cerca de cinco médicos em treinamento são enviadas aos locais de vacinação para atuar sob a orientação de médicos supervisores.
Na cidade de Yamato, na província de Kanagawa, equipes de vacinação são enviadas às comunidades localizadas a grandes distâncias de estações de trem e que têm poucas instituições médicas.
O site também divulga métodos para acelerar os programas de vacinação.
Na cidade de Soma, na província de Fukushima, autoridades locais designaram dias e horários diferentes a cada distrito para a reserva da imunização. Também estão transportando de ônibus, até os centros de vacinação, os moradores elegíveis para receber a dose.
Em um centro de vacinação na cidade de Chofu, em Tóquio, os médicos acomodam os idosos em uma fila de cadeiras e passam entre eles aplicando as doses.
Concentração de riqueza, injustiças sociais e destruição ambiental fazem crescer os questionamentos ao modelo capitalista atual; em artigo de opinião, pesquisador avalia que é hora de repensar o contrato social com o capitalismo e numera quais são as saídas possíveis.
‘Abolir o capitalismo’, pede manifestante em um protesto em 1º de maio de 2021 em Berlim — Foto: Getty Images
Quase 250 anos atrás, o economista e filósofo Adam Smith escreveu o livro A Riqueza das Nações, em que descreveu o nascimento de uma nova forma de atividade humana: o capitalismo industrial.
Porém, ele e seus contemporâneos não imaginavam o quanto o novo sistema criaria um acúmulo de riqueza em poucas mãos.
O capitalismo alimentou as revoluções industrial e tecnológica, remodelou o mundo e transformou o papel do Estado em relação à sociedade.
Ele tirou inúmeras pessoas da pobreza nos últimos dois séculos, aumentou significativamente os padrões de vida e levou ao desenvolvimento de inovações que melhoraram radicalmente o bem-estar humano, além de tornar possível a ida à Lua e a leitura deste artigo de opinião.
No entanto, a história do capitalismo não é totalmente positiva.
Nos últimos anos, as deficiências do sistema se tornaram cada vez mais evidentes.
Priorizar ganhos de curto prazo para as pessoas às vezes fez com que o bem-estar de longo prazo da sociedade e do meio ambiente fosse jogado fora, especialmente porque o mundo está lutando ao mesmo tempo contra uma pandemia de coronavírus e as mudanças climáticas.
E como a agitação política e a polarização em todo o mundo demonstraram, há sinais crescentes de descontentamento com o status quo capitalista.
Uma pesquisa de 2020, produzida pela empresa de marketing e relações públicas Edelman, apontou que 57% das pessoas entrevistadas em todo o mundo disseram que “o capitalismo como existe hoje faz mais mal do que bem ao planeta”.
“O desempenho do capitalismo ocidental nas últimas décadas tem sido profundamente problemático em relação à desigualdade e aos danos ambientais”, escreveram os economistas Michael Jacobs e Mariana Mazzucato em Rethinking Capitalism (‘Repensando o capitalismo’, sem versão em português).
Mercados — Foto: Getty Images
No entanto, isso não significa que não haja soluções. “O capitalismo ocidental não está desesperadamente fadado ao fracasso, mas precisa ser repensado”, argumentam Jacobs e Mazzucato.
Então, o capitalismo como o conhecemos continuará em sua forma atual ou poderia ter outro futuro pela frente?
O capitalismo gerou milhares de livros e milhões de palavras, então seria impossível explorar todas as suas facetas.
Dito isso, podemos começar a entender para onde o capitalismo irá no futuro, explorando onde ele começou. Isso nos mostra que o capitalismo nem sempre funcionou como hoje, especialmente no Ocidente.
Entre os séculos 9 e 15, monarquias autocráticas e hierarquias eclesiásticas dominaram a sociedade ocidental.
Esses sistemas começaram a desmoronar à medida que as pessoas afirmavam cada vez mais seu direito à liberdade individual.
Essa busca por um foco maior no indivíduo favoreceu o capitalismo como sistema econômico por causa da flexibilidade que deu aos direitos de propriedade privada, escolha pessoal, empreendedorismo e inovação.
Ele também favoreceu a democracia como um sistema de governo por causa de seu foco na liberdade política individual.
A mudança em direção a uma maior liberdade individual mudou o contrato social.
Anteriormente, os que estavam no poder forneciam muitos recursos (terra, comida e proteção) em troca de contribuições significativas dos cidadãos (por exemplo, de trabalho escravo a trabalho duro com pouca remuneração, altos impostos e lealdade incondicional).
Em 1851, Londres sediou a ‘Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações’ — Foto: Getty Images
Com o capitalismo, as pessoas esperavam menos das autoridades governantes, em troca de maiores liberdades civis, incluindo liberdade individual, política e econômica.
Mas o capitalismo evoluiu de maneira significativa durante os séculos seguintes e especialmente durante a segunda metade do século 20.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Mont Pelerin Society, um grupo de especialistas em política econômica, foi fundada com o objetivo de enfrentar os desafios que o Ocidente tinha à vista.
Seu foco específico era a defesa dos valores políticos de uma sociedade aberta, o estado de direito, a liberdade de expressão e as políticas econômicas de livre mercado, aspectos centrais do liberalismo clássico.
Com o tempo, essas ideias deram origem à escola macroeconômica de “economia de abastecimento”.
Ela se baseava na crença de que impostos mais baixos e regulamentação mínima do livre mercado levariam a um maior crescimento econômico e, portanto, melhores condições de vida para todos.
Na década de 1980, junto com a ascensão do neoliberalismo político, a economia da oferta se tornou uma prioridade para os Estados Unidos e muitos governos europeus.
Essa nova tendência do capitalismo levou a um maior crescimento econômico em todo o mundo, ao mesmo tempo que tirou um número substancial de pessoas da pobreza absoluta.
Mas, ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que os princípios de redução de impostos e desregulamentação empresarial pouco fizeram para apoiar o investimento político em serviços públicos, enfrentar o colapso da infraestrutura pública, melhorar a educação e mitigar riscos.
Em muitos países, o capitalismo do final do século 20 contribuiu para criar uma lacuna significativa entre a riqueza dos mais ricos e dos mais pobres, medida pelo Índice de Gini.
Protesto no Chile; criação de privilégios é um dos fatores que fizeram crescer os questionamentos ao capitalismo atual — Foto: Getty Images
Em alguns países, essa lacuna está aumentando. Os Estados Unidos são um exemplo: os americanos mais pobres não veem crescimento real da sua renda desde 1980, enquanto a renda dos ultra-ricos cresceu cerca de 6% ao ano.
Quase todos os bilionários mais ricos do mundo residem nos Estados Unidos e acumularam fortunas impressionantes, enquanto, ao mesmo tempo, a renda familiar média no país aumentou modestamente desde o início deste século.
A diferença de desigualdade pode ser mais importante do que alguns políticos e líderes corporativos gostariam de acreditar.
O capitalismo pode ter tirado milhões de pessoas em todo o mundo da pobreza extrema, mas a desigualdade pode ser corrosiva dentro de uma sociedade, diz Denise Stanley, professora de economia da Universidade do Estado da Califórnia.
“A pobreza absoluta é basicamente a situação em que uma pessoa vive com menos de US$ 4 (cerca de R$ 20) por dia (sob os critérios em vigor nos EUA))”, explica Stanley. Ela alerta que a pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo.
Mesmo que a economia esteja crescendo, a desigualdade de renda e a estagnação dos salários podem fazer com que as pessoas se sintam menos seguras à medida que sua posição relativa na economia diminui.
“Economistas comportamentais mostraram que nosso status em comparação com outras pessoas, nossa felicidade, deriva mais de medidas relativas e de distribuição do que de medidas absolutas. Se isso for verdade, então o capitalismo tem um problema”, diz Stanley.
Como resultado do aumento da desigualdade, “as pessoas confiam menos nas instituições e experimentam um sentimento de injustiça”, segundo o relatório Edelman.
Mas o impacto na vida das pessoas pode ser mais profundo. “O capitalismo em sua forma atual está destruindo a vida de muitas pessoas da classe trabalhadora”, argumentam os economistas Anne Case e Angus Deaton em seu livro Deaths of Despair and the Future of Capitalism.
“Durante as últimas duas décadas, as mortes de desespero por suicídio, overdose de drogas e alcoolismo aumentaram dramaticamente e agora centenas de milhares de vidas de americanos são perdidas a cada ano”, escrevem eles.
A crise financeira de 2007 e 2008 exacerbou esses problemas. A crise foi provocada pela desregulamentação excessiva e atingiu principalmente a classe trabalhadora de países desenvolvidos.
Pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo — Foto: Getty Images
Depois, os resgates dos grandes bancos feitos pelos governos após a crise financeira de 2008 geraram ressentimento e “ajudaram a alimentar o surgimento da política polarizada que vimos na última década”, de acordo com Richard Cordray, primeiro diretor do US Consumer Financial Protection Bureau (agência de proteção ao consumidor dos EUA) e autor de Watchdog: Como a proteção dos consumidores pode salvar nossas famílias, nossa economia e nossa democracia.
Protestos anticapitalistas
As democracias liberais podem agora estar em um ponto de inflexão, no qual os cidadãos questionam as normas capitalistas de hoje com maior intensidade política em todo o mundo.
J. Patrice McSherry, professor de ciência política na Long Island University, em Nova York, observou essa mudança no Chile, por exemplo.
“A mobilização social dos chilenos começou com um aumento nas tarifas do metrô em outubro de 2019, gerando protestos de base ampla que atraiu mais de um milhão de pessoas às manifestações”, diz ele.
“O movimento social expôs as profundas fontes de descontentamento no Chile: desigualdade arraigada e crescente, o custo de vida sempre crescente e a privatização extrema em um dos Estados mais neoliberais do mundo.”
Essas queixas remontam ao final do século 20, quando a ditadura militar do Chile introduziu reformas que institucionalizaram a dominação econômica e consagraram uma estrutura neoliberal que apagou o papel do Estado nas áreas sociais e econômicas. A participação política deu ao direito (político) poder desproporcional e instalou um papel tutelar para as Forças Armadas”, escreveu McSherry em um artigo para o Congresso Norte-Americano na América Latina, uma organização sem fins lucrativos que acompanha as tendências na região.
Da mesma forma, o movimento de coletes amarelos que começou na França em 2018 inicialmente se concentrou no aumento dos custos do combustível, mas rapidamente se expandiu para incluir reclamações semelhantes às do Chile: o custo de vida, o aumento da desigualdade e uma demanda para que o governo pare de ignorar as necessidades dos cidadãos.
E nos Estados Unidos, o movimento político que gerou o trumpismo é possivelmente impulsionado tanto pela desigualdade econômica quanto pela ideologia de direita.
O governo Trump obteve amplo apoio político por suas abordagens mais fechadas ao comércio mundial, incluindo a retirada do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica e tarifas retaliatórias sobre bens e serviços chineses, indianos, brasileiros e argentinos importados para os Estados Unidos.
Até mesmo os aliados históricos dos Estados Unidos foram o alvo dessa agenda, incluindo Europa, Canadá e México.
Embora uma resposta às desvantagens do capitalismo em sua forma atual seja que as nações adotem uma postura defensiva, buscando se proteger minimizando os laços externos, o protecionismo “é míope, especialmente quando se trata de comércio”, de acordo com Anahita Thoms, chefe da Baker McKenzie’s International Trade Practice, na Alemanha, e do Young Global Leaders, do Fórum Econômico Mundial.
“Embora possa trazer alguns benefícios temporários, no longo prazo (o protecionismo) coloca em risco a economia global como um todo e ameaça desfazer décadas de progresso econômico. Manter os mercados abertos para investimentos é crucial”, disse Thoms.
Um desafio central para os governos no século 21 será encontrar uma maneira de equilibrar esses benefícios de longo prazo do comércio mundial com os danos de curto prazo que a globalização pode trazer às comunidades locais afetadas por baixos salários e pelo desemprego.
As economias não podem ser completamente divorciadas das demandas das maiorias democráticas em busca de empregos, moradia acessível, educação, saúde e um meio ambiente saudável.
Como mostram os movimentos chileno, os coletes amarelos e os trumpismo, muitas pessoas estão pedindo uma mudança no sistema existente para dar conta dessas necessidades, em vez de apenas enriquecer os interesses privados.
Em suma, pode ser hora de repensar o contrato social para o capitalismo, de modo que ele se torne mais inclusivo de um conjunto mais amplo de interesses além dos direitos e liberdades individuais.
Isso não é impossível. O capitalismo já evoluiu antes e, se for para continuar no futuro de longo prazo, pode evoluir novamente.
Os coletes amarelos tomaram as ruas de Paris em protesto contra o governo — Foto: Getty Images
O futuro do capitalismo
Nos últimos anos, várias ideias e propostas surgiram com o objetivo de reescrever o contrato social do capitalismo.
O que elas têm em comum é a ideia de que as empresas precisam de medidas mais variadas de sucesso do que apenas lucro e crescimento.
Nos negócios, existe o “capitalismo consciente”, inspirado nas práticas das chamadas marcas “éticas”.
Na política, existe um “capitalismo inclusivo”, defendido tanto pelo Banco da Inglaterra quanto pelo Vaticano, que advoga pelo aproveitamento do “capitalismo para o bem comum”.
E na sustentabilidade, existe a ideia da “economia donut”, teoria da economista Kate Raworth, que sugere ser possível prosperar economicamente como sociedade sem deixar de lado as demandas sociais e planetárias.
Depois, há o modelo dos “cinco capitais”, articulado por Jonathan Porritt, autor de Capitalism As If The World Matters.
Porritt pede a integração de cinco pilares do capital humano: natural, humano, social, manufaturado e financeiro, nos modelos econômicos existentes.
Um exemplo tangível de onde as empresas estão começando a abraçar “os cinco capitais” é o movimento B-Corporation. As companhias certificadas cumprem a obrigação legal de considerar “o impacto de suas decisões sobre seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente”.
Suas fileiras agora incluem grandes corporações como Danone, Patagonia e Ben & Jerry’s (que é propriedade da Unilever).
Essa abordagem se tornou cada vez mais comum, refletida em uma declaração de 2019 divulgada por mais de 180 CEOs corporativos, redefinindo “o propósito de uma corporação”.
Protesto no Chile fez crescer discussões sobre justiça social em um dos países mais neoliberais do mundo, diz autor — Foto: Getty Images
Pela primeira vez, os CEOs que representam o Wal-Mart, Apple, JP Morgan Chase, Pepsi e outros reconheceram que devem redefinir o papel dos negócios em relação à sociedade e ao meio ambiente.
Sua declaração propõe que as empresas devem fazer mais do que oferecer benefícios aos seus acionistas.
Além disso, devem investir em seus funcionários e contribuir para a valorização dos elementos humanos, naturais e sociais do capital a que Porritt se refere em seu modelo, ao invés de focar apenas no capital financeiro.
Em uma entrevista recente ao Yahoo Finance sobre o futuro do capitalismo, o CEO da Best Buy, Hubert Joly, disse que “o que aconteceu é que por 30 anos, da década de 1980 a 10 anos atrás, tivemos essa abordagem única sobre os lucros excessivos. Isso causou muitos desses problemas. Precisamos afrouxar esse modelo. Se tivermos uma refundação de negócios, também pode ser uma refundação do capitalismo… Eu acho que isso pode ser feito, tem que ser feito.”
Mais de três décadas atrás, a Comissão Brundtland das Nações Unidas escreveu no documento “Nosso Futuro Comum” que havia ampla evidência de que os impactos sociais e ambientais são relevantes e devem ser incorporados aos modelos de desenvolvimento.
Ora, é óbvio que essas questões também devem ser consideradas dentro do contrato social que sustenta o capitalismo, para que ele seja mais inclusivo, holístico e integrado aos valores humanos básicos.
Em última análise, vale a pena lembrar que os cidadãos em uma democracia liberal capitalista têm poder.
Coletivamente, eles podem apoiar empresas alinhadas com suas crenças e exigir continuamente novas leis e políticas que transformem o cenário competitivo das empresas para que possam aprimorar suas práticas.
Quando Adam Smith observava o nascente capitalismo industrial, em 1776, ele não podia prever o quanto ele transformaria nossas sociedades hoje. Portanto, era aceitável sermos tão cegos quanto ao que o capitalismo se transformaria nos dois séculos seguintes.
No entanto, isso não significa que não devamos nos perguntar como ele pode evoluir para algo melhor no curto prazo. O futuro do capitalismo e de nosso planeta depende disso.
*Matthew Wilburn King é um consultor internacional e conservacionista baseado no Colorado, Estados Unidos, e presidente e diretor da Common Foundation.
Navio do Irã pega fogo no Golfo de Omã Foto: EFE / EPA / IRAN STATE TV IRIB
O maior navio da Marinha do Irã afundou após pegar fogo no Golfo de Omã, em circunstâncias pouco claras, segundo informaram agências de notícias iranianas.
O incêndio ocorreu na madrugada desta quarta-feira (2) e levou a embarcação a naufragar perto do porto de Jask, cerca de 1.270 quilômetros a sudeste de Teerã. Não há relatos de vítimas.
Equipes de bombeiros foram enviadas ao local para conter as chamas, mas não conseguiram salvar o navio de apoio Kharg, que leva o nome da ilha que serve como principal terminal de petróleo para o país do Oriente Médio. Imagens que circulam nas redes sociais mostram uma enorme nuvem de fumaça saindo da embarcação.
Autoridades iranianas não forneceram detalhes sobre as causas do incêndio. Segundo a Marinha, a embarcação havia partido para águas internacionais há alguns dias, para uma missão de treinamento.
Nos últimos meses, vários navios iranianos sofreram danos em incidentes suspeitos que as autoridades denunciaram como sabotagem por parte de Israel – embora neste caso, por enquanto, não haja acusações desse tipo.
Em abril passado, o cargueiro Saviz, que tinha como missão prestar apoio técnico e de abastecimento aos comandos iranianos no Mar Vermelho, foi alvo de uma explosão que, segundo alguns meios de comunicação semioficiais, foi provocada por uma mina naval.
Kharg é o maior navio da Marinha iraniana Foto: EFE / EPA / HO
Um mês antes, o navio porta-contêineres Shahre Kord também foi danificado por um objeto explosivo em águas internacionais do Mar Mediterrâneo, um incidente que Teerã classificou como “ato de sabotagem”.
Em 2020, durante um exercício de treinamento militar iraniano, um míssil atingiu por engano um navio da Marinha perto do porto de Jask, matando 19 marinheiros e ferindo 15. Já em 2018, um destroier da Marinha iraniana naufragou no Mar Cáspio.
O Kharg é um dos poucos navios da Marinha iraniana capazes de reabastecer outras embarcações, além de transportar carga pesada e servir como porta-helicópteros. O navio de guerra, construído na Grã-Bretanha e lançado em 1977, passou a ser usado pelo Irã em 1984, após longas negociações que se seguiram à Revolução Islâmica de 1979.
Lula bobtail é foco de estudo sobre como micróbios se relacionam com seres maiores no espaço Imagem: Nick Hobgood/Wikimedia Commons
Pela primeira vez, a Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) receberá uma lula. Não só uma, mas 128 filhotes de lulas bobtail (um tipo de molusco que brilha no escuro), acompanhadas ainda de 5.000 tardígrados, os animais microscópicos mais resistentes do mundo.
Na próxima quinta-feira (3), a SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, fará sua 22ª missão de reabastecimento da ISS, levando suprimentos para os astronautas e, de quebra, lulas e tardígrados para que sejam estudados em microgravidade.
Os cientistas a bordo da ISS vão estudar o comportamento das lulas no espaço para descobrir se a microgravidade afeta sua relação com micróbios benéficos. Já os tardígrados terão sua fama de “indestrutíveis” colocada à prova no ambiente extremo do espaço.
Os novos passageiros da ISS serão lançados em um foguete Falcon 9 a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 14h29 (horário de Brasília) de quinta-feira (3). O lançamento será transmitido ao vivo pelo canal da SpaceX no YouTube.
Lulas e seus micróbios
As pequenas lulas que irão ao espaço fazem parte de um experimento chamado de “Umami” (sigla para “Compreendendo a Microgravidade nas Interações entre Animais e Micróbios”, em inglês), liderado por Jamie Foster, professora do departamento de microbiologia e ciência celular da Universidade da Flórida, nos EUA. O objetivo é estudar como esses animais se relacionam com seus micróbios naturais no espaço.
“Animais, incluindo humanos, dependem de micróbios para manter um sistema digestivo e imunológico saudável”, disse Foster em entrevista à CNN. “Não entendemos totalmente como o espaço muda essas interações benéficas. O experimento Umani usa uma lula bobtail que brilha no escuro para investigar dessas questões importantes na saúde animal.”
Segundo a cientista, filhotes de lulas bobtail, que medem apenas três milímetros, são ideais para um estudo como este porque são fáceis de levar até o espaço e têm um sistema imunológico semelhante ao dos humanos. O corpo desses animais brilha no escuro quando ele é “colonizado” por um tipo de bactéria bioluminescente encontrada na água da Terra.
Na ISS, as lulas serão expostas a essa bactéria e os astronautas observarão se elas continuam brilhando no escuro em microgravidade e como a relação entre elas e os micróbios mudam nesse ambiente diferente.
“À medida que os astronautas exploram o espaço, eles levam consigo uma bagagem de diferentes espécies microbianas”, disse Foster. “É importante entender como esses micróbios, chamados coletivamente de microbioma, mudam no ambiente espacial e como essas relações são estabelecidas.”
Não é a primeira vez que lulas irão ao espaço. A própria Foster já estudou a relação entre esses animais e suas bactérias brilhantes na microgravidade em 2011, quando o ônibus espacial Endeavour, da Nasa, as levou para uma voltinha na órbita da Terra.
Tardígrados astronautas
Já os “ursos d’água”, como são conhecidos os tardígrados, têm uma missão mais simples: sobreviver. Estes animaizinhos microscópicos já são famosos por resistirem à aridez de um deserto, ao frio literalmente congelante e a níveis de calor que fazem água virar vapor. Mas será que eles sobrevivem ao espaço?
Ilustração de tardígradosImagem: Getty Images
Porém, também não é a primeira vez que tardígrados são enviados ao espaço. É possível até que alguns deles tenham “colonizado” a Lua depois que uma nave carregando milhares deles caiu no satélite natural da Terra em abril de 2019.
Thomas Boothby, professor de biologia molecular na Universidade de Wyoming, nos EUA, é o líder desse novo experimento. O objetivo desta vez, segundo ele, não é saber se os tardígrados sobrevivem, mas sim observar o que exatamente eles fazem para se adaptar ao ambiente de microgravidade do espaço.
A ideia é entender quais genes são acionados para permitir que estes seres vivos se adaptem ao espaço. “Entender como proteger os astronautas e outros organismos contra o estresse [da microgravidade] será essencial para garantir uma presença espacial segura e produtiva de longo prazo”, disse Boothby à CNN.
Reação surge após Biden anunciar reforço nas investigações sobre surgimento do vírus
Presidente da China, Xi Jinping Foto: EFE/Mark Schiefelbein
Após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciar que o serviço de inteligência americana produziria um relatório com informações sobre a possível origem da Covid-19, o governo chinês acusou os órgãos de inteligência dos EUA de terem “uma história sombria”.
A tentativa de descreditar o governo norte-americano surge no momento em que a potência ocidental irá dizer ao mundo se o novo coronavírus se espalhou após um acidente em um laboratório em Wuhan – teoria que a China considera ofensiva -, ou se foi fruto do contato entre humanos e algum animal infectado.
Nesta quinta-feira (27), o governo de Pequim acusou os EUA de venderem “conspirações” para o mundo, reabrindo mais uma ferida diplomática entre os dois países.
– Os motivos e propósitos do governo Biden são claros. […] O mundo conhece há muito tempo a história sombria dos serviços de inteligência americanos – disse Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.
Lijian também afirmou que investigar a origem do vírus como resultado de um vazamento de um laboratório “é uma falta de respeito à ciência […] e também um obstáculo na luta mundial contra a pandemia”.
Foto: China News Service/ Global Times/ Reprodução
A Organização Mundial da Saúde conduziu uma investigação sobre as origens da pandemia e concluiu em um relatório que o risco de um acidente era “extremamente baixo”. O relatório disse que não houve “nenhum relato de doença respiratória compatível com Covid-19 durante as semanas / meses anteriores a dezembro de 2019, e nenhuma evidência sorológica de infecção em trabalhadores por meio de triagem de sorologia específica para SARS-CoV-2”.
O ecologista de doenças Peter Daszak, que trabalhou na equipe da OMS, disse ao correspondente médico-chefe da CNN, Dr. Sanjay Gupta, em fevereiro, que “ainda não há evidências de que isso tenha vindo de um laboratório”. Ele observou que os pesquisadores foram testados e não foram encontradas evidências de anticorpos de Covid-19, e disse que o laboratório estava “muito bem administrado”.
“Não é um descarte completo dessa hipótese”, disse Daszak. “É uma conclusão extremamente improvável e existem hipóteses muito mais prováveis por aí.”
Mas a investigação da OMS foi amplamente criticada pelos EUA, Reino Unido e outros governos por seu acesso limitado a “dados e amostras originais e completos”.
Membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, que há muito tempo investigam as origens da pandemia, receberam um dossiê confidencial sobre o assunto na semana passada, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
A fonte se recusou a dizer se o relatório de inteligência mencionando os pesquisadores hospitalizados foi discutido.
Funcionários da inteligência atuais e antigos dizem que a ideia de que o vírus foi acidentalmente liberado do laboratório de Wuhan é razoável, embora alertem que não há uma avaliação confiável sobre essa possibilidade.
Nos últimos dias do governo Trump, o ex-secretário de Estado Mike Pompeo se inclinou para a possibilidade de o vírus vazar do Instituto de Virologia de Wuhan, ou WIV. Apesar de a inteligência ser inconclusiva, Pompeo divulgou um informativo que dizia que os EUA tinham evidências de que os pesquisadores da WIV adoeceram no outono de 2019 com sintomas semelhantes aos da Covid-19 e que o laboratório, onde o coronavírus foi estudado em morcegos, tinha uma história da pesquisa militar.
Um dos desafios para concluir qualquer estudo é o acesso ao próprio laboratório. A China atrasou o acesso a investigadores internacionais por meses após o surto inicial, garantindo que o laboratório tivesse sido profundamente limpo antes que qualquer análise forense pudesse ser feita.
Os investigadores também não foram autorizados a visualizar registros de dados originais, que os cientistas dizem que seriam essenciais para a compreensão das origens do vírus.
Um caminho para encontrar uma resposta seria executar o sequenciamento genético nas amostras originais nas quais a equipe do laboratório de Wuhan estava trabalhando. Mas “os chineses nunca permitirão isso”, disse uma fonte próxima da equipe de inteligência.
“Minha convicção pessoal é que nunca saberemos a resposta para isso”, disse a fonte. “E a resposta não será descoberta pela CIA, porque isso sugeriria que os chineses também estão investigando”, mas não estão, segundo a fonte.
“Se a resposta existe, ela não será encontrada pelo serviço de inteligência tradicional”, acrescentou.
Bilionário da Amazon tinha sido desbancado pelo dono da Louis Vuitton
Jeff Bezos volta a ser o homem mais rico do mundo Foto: Reprodução
Desbancado na manhã desta segunda-feira (24) do posto de pessoa mais rica do mundo pelo bilionário francês Bernard Arnault, dono da Louis Vuitton, Jeff Bezos, fundador da Amazon, voltou para o primeiro lugar ainda hoje, após as ações da empresa subirem na Bolsa de Nova Iorque. Ele acumula agora uma fortuna de US$ 188,4 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão), um pouco acima dos US$ 187,3 bilhões (cerca de R$ 996 bilhões) do magnata francês, segundo informações da revista Forbes.
Os dois bilionários brigavam pelo primeiro lugar desde o final de semana, chegando a ficar empatados. No entanto, logo pela manhã de hoje, o impasse foi resolvido quando as ações da LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), que também inclui as marcas Fendi, Christian Dior e Givenchy subirem quase 1% na Bolsa de Paris, ampliando a fortuna de Arnault em US$ 1,7 bilhão.
Essa foi a primeira vez que um europeu ficou no topo da lista da Forbes desde outubro de 2015, quando o espanhol Amancio Ortega, cujo grupo Inditex é mais conhecido por sua rede Zara, ultrapassou Bill Gates, ficando no primeiro lugar do ranking.
O acontecimento, porém, durou pouco tempo. A alta de 1,31% das ações da Amazon no índice americano Nasdaq, principalmente após o jornal The Wall Street Journal informar que a empresa deverá adquirir o estúdio MGM por cerca de US$ 9 bilhões, voltou a colocar Bezos no topo da lista de mais rico.
Apesar disso, Arnault ainda está na frente de Elon Musk, que até pouco tempo atrás, duelava com Bezos pelo título de pessoa mais rica do mundo. Atualmente, a fortuna do dono da Tesla está avaliada em US$ 150,8 bilhões (R$ 800 bilhões). Em janeiro, Musk também chegou a ultrapassar o dono da Amazon nos dias 8, 12 e 14, mas ele retomou o posto de maior fortuna do mundo já no dia 15 do mesmo mês.
O magnata francês também já ocupou o posto de pessoa mais rica do mundo em outras ocasiões. Na última sexta-feira (21), ele chegou a ficar US$ 100 milhões (R$ 532 milhões) acima de Bezos, mas também perdeu a posição. Em 2019 ele assumiu o posto pela primeira vez, mas foi derrubado pelo ganho dos papéis da Amazon.
Ainda segundo a revista, o patrimônio de Arnault passou de US$ 76 bilhões (R$ 404 bilhões) em março de 2020 para US$ 186,2 bilhões (990 bilhões), um aumento de mais de US$ 110 bilhões (R$ 585 bilhões) em pouco mais de um ano. O mesmo ocorreu com Bezos, cuja fortuna também cresceu US$ 75 bilhões (R$ 399) no período. Em agosto do ano passado e no final de abril deste ano, a fortuna do fundador da Amazon bateu nos US$ 200 bilhões (R$ 1,064 trilhão). Ele foi a primeira pessoa a conseguir o feito.