A Receita Federal realizará em São Paulo, no dia 28 de outubro, um leilão com mais de 300 lotes que incluem iPhones, notebooks, brinquedos e veículos. Os lances poderão ser enviados online entre os dias 23 e 27, e as visitas presenciais vão até o dia 24
A Receita Federal fará um novo leilão em São Paulo, no dia 28 de outubro, com mais de 300 lotes de produtos que vão de smartphones e notebooks a brinquedos e automóveis. Os lances poderão ser apresentados das 8h do dia 23 até as 21h do dia 27, exclusivamente pelo sistema online da Receita.
Os interessados devem acessar o site oficial do órgão, em “Consultar leilões da Receita Federal”, dentro da área de “Serviços”, e selecionar o edital mais recente de São Paulo. Também é possível agendar visitas presenciais aos lotes dos dias 13 a 24 de outubro, exceto aos sábados e domingos, conforme endereços e horários indicados no documento.
Os smartphones aparecem em grande quantidade no leilão. O mais barato encontrado foi o Xiaomi Redmi 9A, nos lotes 341 e 342, a R$ 150.
Os iPhones dominam a lista. O lote 3 traz um iPhone 14 com capa e carregador por R$ 1.500, enquanto os lotes 21 a 45 reúnem dois iPhones 14 Plus por R$ 3.100 e os 71 a 73 oferecem dois iPhones 14 por R$ 2.800. Já nos lotes 74, 81 e 140, há conjuntos com iPhones 13 e 14 por valores entre R$ 2.600 e R$ 3.500.
Os modelos da linha 13 também aparecem em vários lotes, com preços entre R$ 900 e R$ 4.000. Entre os modelos mais antigos, há um iPhone 11 por R$ 300 no lote 6 e outro acompanhado de três smartwatches por R$ 1.000 no lote 331. Os lotes 127 e 128 reúnem dois iPhones por R$ 1.200 e R$ 1.600, e os 334, 337 e 338 trazem iPhones 8 e 11 com lances de R$ 800 a R$ 900.
Os lotes 291 a 307 trazem Xiaomis por R$ 250, e os 322 a 342 incluem Redmi Note com preços iniciais de R$ 150 a R$ 1.600 -alguns acompanhados de smartwatches. O lote 188 oferece dois smartphones BlackShark por R$ 4.500.
Também há brinquedos e jogos. No lote 106, há um skate elétrico com acessório por R$ 200, e o lote 114 tem um skate Evolve acompanhado de uma camiseta do Real Madrid com o nome de Cristiano Ronaldo por R$ 800.
O lote 104 reúne cartuchos Illusionless Strife, o jogo Settlement e um kit de helicóptero por R$ 2.400. Já o lote 136 traz videogames antigos por R$ 1.000. Na parte de notebooks, o lote 112 tem dois MacBooks com acessórios e um smartwatch por R$ 1.800, enquanto o lote 137 oferece dois MacBooks com acessório por R$ 1.500. Um MacBook Air é leiloado a R$ 700 no lote 152, e um notebook Apple aparece por R$ 2.000 no 340.
No lote 209, uma cadeira de massagem é encontrada por R$ 300.
Na seção de veículos, um Ford Fiesta Sedan 2009 é leiloado por R$ 2.500 no lote 327.
De acordo com o edital, alguns produtos são oferecidos sem garantia e com proibição de revenda comercial -ou seja, só podem ser adquiridos para uso pessoal. É possível que alguns itens apresentem danos, estejam incompletos ou precisem de manutenção. O pagamento deve ser feito à vista, conforme as condições especificadas no edital. * CALENDÁRIO DO LEILÃO
Período de apresentação das propostas – de 8h de 23 de outubro até 21h de 27 de outubro
Período de visitação – de 13 e 24 de outubro
Sessão pública para classificar e ordenar propostas – 9h do dia 28 de outubro
Apresentação dos lances – 10h do dia 28 de outubro
Retirada de lotes arrematados – Em até 30 dias após leilão
QUEM PODE PARTICIPAR?
As pessoas físicas que desejarem participar precisam ter mais de 18 anos -ou serem emancipadas-, CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) e selo de confiabilidade prata ou ouro no portal Gov.br. As empresas interessadas devem ter o cadastro regular no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e também ter selo de confiabilidade prata ou ouro.
COMO PARTICIPAR?
O cidadão deve acessar o portal da Receita Federal e clicar em “Participar de leilão eletrônico”. Na tela seguinte, será preciso fornecer senha do portal Gov.br. Em seguida, acessar “Sistema de Leilão Eletrônico”, do lado esquerdo da tela, e selecionar o lote 0800100/000007/2025 – Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal.
Dentro do sistema, é possível escolher o lote que deseja dar lance e clicar em “Incluir proposta”, aceitar os termos e as condições expressas pela Receita, digitar o valor da oferta e salvar.
Indicador reflete desaceleração do setor de transformação e perda de competitividade diante de juros altos e aumento das importações.
A indústria de transformação registrou queda de 5,3% no faturamento real em agosto, em comparação com julho, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (07/10/2025). O resultado marca o quarto desempenho negativo do ano, refletindo a desaceleração da atividade industrial no país.
Desempenho acumulado e impacto dos setores produtivos
Em julho, o setor havia apresentado leve alta de 0,4%, mas a retração de agosto reduziu o crescimento acumulado de 5,1% para 2,9% no comparativo entre janeiro e agosto de 2025 e o mesmo período de 2024.
De acordo com a CNI, 16 dos 22 segmentos da indústria de transformação registraram queda, com destaque para biocombustíveis e alimentos, que têm grande peso no cálculo do indicador.
Juros elevados e importações pressionam resultados
A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, atribui a retração ao alto custo do crédito, decorrente do patamar elevado dos juros, e ao aumento das importações de bens de consumo.
Segundo ela, “a entrada significativa de produtos importados tem reduzido a demanda pelos bens nacionais e pressionado o faturamento das indústrias brasileiras”.
Cenário global e política comercial influenciam desempenho
Nocko também destacou que a valorização do real e a incerteza internacional têm contribuído para a perda de competitividade.
“Com o real valorizado, os produtos brasileiros ficam mais caros no exterior, e as indústrias exportadoras perdem espaço. Além disso, o ambiente global de incertezas afeta negativamente as expectativas de crescimento”, afirmou.
Importância do setor industrial para o crescimento econômico
O professor Victor Gomes, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), reforçou o papel estratégico da indústria. “O setor industrial tem efeito multiplicador na economia, gerando valor adicionado, empregos e lucros ao longo da cadeia produtiva.”
Ele também ressaltou que parcerias estratégicas com os Estados Unidos podem favorecer a recuperação do setor, ampliando a participação do Brasil nas cadeias globais de produção.
Atividade industrial e emprego mantêm estabilidade
O número de horas trabalhadas recuou 0,3% em agosto, mas ainda registra alta de 1,6% no acumulado do ano.
O emprego industrial permaneceu estável pelo quarto mês consecutivo, após 18 meses de crescimento encerrados em abril. Entre janeiro e agosto, o setor empregava 2,2% mais trabalhadores do que no mesmo período de 2024.
Rendimentos em queda e leve melhora na capacidade instalada
A massa salarial caiu 0,5% em agosto e acumula retração de 2% no ano. O rendimento médio do trabalhador recuou 0,6% em relação a julho e 4,1% frente a 2024. Por outro lado, a utilização da capacidade instalada (UCI) teve leve recuperação de 0,2 ponto percentual, atingindo 78,7%, após queda no mês anterior. Ainda assim, a média de 2025 segue 0,7 ponto abaixo da registrada no mesmo período do ano passado.
Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), afirmou nesta sexta-feira (10/10/2025), em Brasília, que o Brasil enfrenta “forte estrangulamento fiscal” e precisa de um ajuste estrutural para recuperar a capacidade de investimento.
O economista Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, alertou nesta sexta-feira (10/10/2025) que o Brasil enfrenta um grave estrangulamento fiscal e necessita de um “ajuste profundo” para recompor sua capacidade de investimento e garantir a sustentabilidade das políticas públicas. A avaliação consta na nota técnica “Endividamento público e tributação: federação e financiamento das políticas públicas”, divulgada nesta sexta-feira pela IFI.
Sistema fiscal em esgotamento
O estudo aponta que o país esgotou suas principais fontes de financiamento, baseadas em tributação e endividamento, o que compromete o horizonte de crescimento econômico.
“A restrição fiscal aguda inibe as alavancas que poderiam aumentar a produtividade da economia brasileira”, destacou Pestana.
Segundo o diretor da IFI, o Brasil trocou gasto presente por dívida futura, desconsiderando os efeitos intergeracionais dessa política.
“No cenário fiscal e orçamentário do setor público, o céu não é o limite. Há graves restrições e consequências importantes que mais cedo ou mais tarde se apresentarão, se a rota não for alterada”, afirmou o economista, acrescentando que a estratégia atual compromete os interesses vitais das futuras gerações.
União perde protagonismo nos investimentos
O documento também ressalta a deterioração da capacidade da União de liderar investimentos públicos, em contraste com a situação fiscal de estados e municípios, que, na média, se encontram em posição mais favorável. Pestana chama a atenção para um “desafio federativo crônico”, caracterizado pela dependência recorrente de governos estaduais e municipais em relação à União.
“Consolidou-se a tradição de o governo central socorrer permanentemente os entes federados regionais e locais”, explica o texto.
Para o economista, essa prática tornou-se insustentável, pois a União, em delicada situação fiscal, já não dispõe de condições para continuar sendo provedora de soluções fiscais para estados e municípios.
Impactos sobre o crescimento e o investimento público
A análise da IFI evidencia que o estrangulamento fiscal limita severamente os investimentos em infraestrutura, inovação e políticas sociais, elementos essenciais para a expansão sustentável do PIB. A redução da capacidade de investimento público, somada à rigidez orçamentária e ao crescimento das despesas obrigatórias, diminui a margem de manobra do governo e afeta a credibilidade da política fiscal.
De acordo com Pestana, o Brasil precisa de um redesenho estrutural do sistema tributário e de um novo pacto federativo, que distribua melhor as responsabilidades fiscais e promova maior eficiência no gasto público.
“Não há alternativa viável que não passe por ajuste profundo e responsabilidade intergeracional”, concluiu.
Ponto de saturação
O alerta da IFI reforça um consenso crescente entre economistas e analistas de contas públicas: o modelo de financiamento estatal brasileiro atingiu um ponto de saturação. O quadro combina alta carga tributária, baixo retorno social e dívida pública crescente, sem contrapartida em investimentos produtivos. O diagnóstico de Pestana ecoa críticas históricas sobre a ausência de disciplina fiscal e a politização das transferências intergovernamentais, que distorcem incentivos e fragilizam o equilíbrio federativo.
O desafio, portanto, vai além da contabilidade: envolve reconstruir a confiança na gestão fiscal, com transparência, previsibilidade e respeito às regras de responsabilidade. Sem isso, o país tende a permanecer aprisionado num ciclo de endividamento e baixo crescimento, onde cada geração herda menos capacidade de investimento e mais obrigações financeiras.
1. Diagnóstico Fiscal
O Brasil enfrenta “forte estrangulamento fiscal”, segundo Marcus Pestana (IFI).
O país esgotou as duas principais fontes de financiamento:
Tributação (alta carga e baixo retorno social).
Endividamento público (crescimento sem contrapartida produtiva).
A restrição fiscal aguda compromete o crescimento econômico e inibe a produtividade.
Há um desequilíbrio intergeracional, pois o governo troca gasto presente por dívida futura.
2. Papel da União e dos Entes Federados
A União perdeu o protagonismo nos investimentos públicos, por fragilidade fiscal.
Estados e municípios estão, em média, em situação fiscal mais favorável que o governo federal.
Persistem transferências recorrentes e socorros financeiros da União aos entes regionais.
Pestana identifica um “desafio federativo”: dependência crônica de estados e municípios do governo central.
3. Efeitos Econômicos e Estruturais
A queda da capacidade de investimento público limita infraestrutura, inovação e políticas sociais.
A rigidez orçamentária e o crescimento das despesas obrigatórias reduzem a margem fiscal.
O quadro fiscal atual afeta a credibilidade da política econômica e a confiança de investidores.
4. Recomendações da IFI
Necessidade de ajuste profundo nas contas públicas.
Implementar redesenho estrutural do sistema tributário.
Firmar novo pacto federativo com redistribuição equilibrada de responsabilidades fiscais.
Adotar regras de responsabilidade intergeracional, assegurando sustentabilidade no longo prazo.
5. Contexto Institucional
O modelo atual combina alta carga tributária e baixo retorno social.
Falta disciplina fiscal e transparência nas transferências intergovernamentais.
A ausência de previsibilidade e o uso político de recursos agravam desequilíbrios.
A IFI defende reconstruir a confiança e credibilidade da gestão fiscal brasileira.
Alessandro Stefanutto foi exonerado logo após início da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antonio Stefanutto, prestará depoimento à CPMI do INSS nesta segunda-feira (13). O ex-diretor de benefícios do órgão, André Paulo Félix Fidelis, também será ouvido na sessão, agendada para 16h.
Alessandro Stefanutto foi exonerado do cargo em abril deste ano, logo após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), revelar as fraudes contra aposentados e pensionistas.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), “indícios de omissão grave” permitiram “falhas sistêmicas e vulnerabilidades exploradas para fraudar beneficiários”.
“Durante sua gestão, foi autorizado o uso de sistema paralelo de biometria, sem homologação adequada e sem garantias de segurança, permitindo a ocorrência de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Tal medida afronta a legislação de proteção de dados pessoais, os princípios da administração pública e as normas de controle interno da autarquia”, disse Viana.
A convocação de Fidelis foi justificada por informações da Polícia Federal de que o filho dele, o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, teria recebido, em nome do pai, propinas pagas por operadores do esquema.
A prefeitura do Rio de Janeiro lançou neste domingo (12), Dia das Crianças, o cartão Primeira Infância Carioca, na Vila Olímpica da Maré, zona norte da capital. O programa de transferência de renda alimentar é voltado para famílias em situação de extrema vulnerabilidade social.
O benefício funcionará como um cartão-alimentação no valor de R$ 200 mensais, entregue diretamente a famílias com crianças de até 4 anos de idade. A iniciativa vai alcançar 30 mil famílias, com investimento anual de mais de R$ 70 milhões.
O cartão é parte do programa Pequenos Cariocas, uma rede de proteção multidisciplinar para cuidar do desenvolvimento integral das crianças em vulnerabilidade social na cidade do Rio de Janeiro. O programa reúne ações e serviços nas áreas de saúde, educação, assistência social, cultura e proteção contra a violência, que permitem às crianças acesso a cuidados básicos desde os primeiros anos de vida.
O prefeito Eduardo Paes destacou a importância das políticas públicas voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade na primeira infância. “Os estudiosos dizem que essa fase da pré-escola é a mais importante na vida das nossas crianças. É nesse momento que vão se formando as condições para que a criança lá na frente possa ter um futuro com mais oportunidades”, destacou o prefeito.
Paes explicou que a prefeitura observou as famílias que estão na base oficial de dados do governo federal. “As famílias cariocas que não estão no Bolsa Família, com crianças de 0 a 4 anos, recebem esse benefício”.
As famílias selecionadas para receber o Cartão da Primeira Infância Carioca precisam atender aos seguintes critérios: estar inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), não receber o Bolsa Família, ter renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa e crianças de 0 a 4 anos. Não será necessário realizar inscrição para receber o benefício. A seleção foi feita pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) a partir dos dados do CadÚnico, o que garante agilidade e precisão na identificação do público-alvo.
As famílias serão informadas por mensagem de WhatsApp sobre data, local e horário para retirada do cartão-alimentação, que poderá ser utilizado em mais de 1,5 mil estabelecimentos credenciados na cidade. Após o recebimento, será necessário realizar o desbloqueio do cartão no aplicativo da empresa responsável. A recarga do valor será feita mensalmente.
Por meio do site Carioca Digital, as famílias também podem consultar se estão entre as beneficiadas, informando apenas o número do CPF.
Os dados constam na pesquisa Percepções sobre violência e vulnerabilidade de meninas no Brasil.
Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil
Agência Brasil – De cada dez brasileiros nove (87%) destacam a violência sexual como o tipo de violação que mais vitima meninas. E é também considerada a mais comum no país por 43% da população.
Os dados constam da pesquisa Percepções sobre violência e vulnerabilidade de meninas no Brasil, consolidada pelo Instituto QualiBest, a pedido da Plan Brasil. Os resultados foram divulgados por ocasião do Dia Internacional da Menina, celebrado neste sábado (11).
Também foram bastante citadas no questionário aplicado, além da violência sexual, a física; a psicológica/emocional; e a online, que envolve os casos de cyberbullying, assédio e exposição de imagens na internet. Gravidez na adolescência, que pode, inclusive, ser resultante de um estupro, foi outro destaque (56%).
A pesquisa coletou, por meio de formulário online, avaliações de 824 pessoas de todas as classes sociais e regiões do Brasil, das quais 433 eram mulheres e 381 homens. A proporção de pessoas que percebem a adultização de meninas como uma forma de violência também foi expressiva no levantamento, de 90% (61% acham que caracteriza totalmente uma violência e 29% que consiste apenas em parte).
Ana Nery Lima, especialista em gênero e inclusão, da Plan Brasil, alerta para as poucas menções de falta de acesso à educação (36%), casamento infantil (43%), trabalho infantil (46%) e negligência (48%).
“Quando a gente fala de violência baseada em gênero, qual a primeira coisa que vem à cabeça? Agressão física. Mas a gente tem uma gama de outras violências, que, inclusive, leva à violência física e ao feminicídio como consequência”, argumenta, pontuando que o reconhecimento, por parte das vítimas, de qual tipo de violência sofreram é fundamental para poderem denunciar adequadamente. Assim como é importante entender como ocorre o ciclo de violência, caracterizado pelo aumento da tensão entre agressor e vítima, o cometimento e o período de lua-de-mel, que é quando o agressor promete mudar e pede desculpas, recomeçando tudo novamente, caso a vítima não rompa o vínculo.
Mais da metade (60%) das pessoas entrevistadas julgam que, na atualidade, as meninas estão “muito mais vulneráveis” do que há uma década. Tal sensação é mais intensa entre pais e mães (69%).
Ambiente digital
É quase unânime, entre os mais de 800 respondentes, a opinião de que a internet e as redes sociais aumentam a vulnerabilidade de meninas (92%), e mais da metade (51%) dos participantes respondeu que seus filhos e filhas menores de 18 anos de idade mantêm perfis nas redes sociais, sendo o Instagram (80%), o WhatsApp (75%), o TikTok (57%) e o YouTube (49%) predominantes. Por mais de duas décadas no ar, o Facebook, que chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 2000, hoje registra 47% da presença de crianças e adolescentes. Kwai e X (antigo Twitter) aparecem por último na lista, com 27% e 13%, respectivamente.
De 359 entrevistados, 74% afirmaram publicar fotos de seus filhos ou filhas com menos de 18 anos de idade nas redes sociais. Pouco mais de um quarto (27%) as veicula com frequência, em perfis fechados, ou seja, vistos por amigos e familiares. Um terço (33%) diz colocar as fotos “raramente e de forma controlada”, enquanto 6% publicam em perfil aberto, tomando medidas que acreditam preservar suas filhas e filhos, como restringir comentários de seguidores.
Um total de 8% sobem as fotos sem nenhuma restrição especial. Além disso, 92% do total de participantes do levantamento são a favor da responsabilização de adultos que tirem proveito financeiro da exposição de meninas na internet ou que as coloquem em risco no ambiente online.
Ameaças dentro de casa
Um aspecto constatado pela pesquisa, a partir da amostragem, é o de que a maioria da população (83%) indica a internet como o ambiente mais perigoso para as meninas. Muito mais do que suas próprias casas (33%), porcentagem que varia pouco quando se observam as respostas das participantes mulheres (37%).
A constatação, segundo os pesquisadores, representa uma questão discutível, já que estatísticas sempre apontam que a maior parte das violências de gênero, seja contra meninas, seja contra mulheres adultas, acontece em suas residências e é praticada por conhecidos das vítimas, incluindo parentes e companheiros e ex-companheiros românticos.
A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, esclarece a controvérsia que faz com que muitas pessoas não vejam as residências como o principal local onde violências de gênero, que vão da sexual ao feminicídio, são consumadas.
“Trata-se de algo arraigado cultural e, portanto, profundamente na sociedade brasileira e que explica por que os lares são considerados menos ameaçadores do que ruas e bairros (53%) e o transporte público (47%)”, explica.
“A gente ainda tem uma percepção de risco muito vinda do nosso imaginário de que o risco é esse adulto estranho. E a gente acaba não olhando para uma fonte de risco que é muito mais frequente, não só nos dados, mas nos relatos das vítimas também, que é alguém da mesma idade, ou seja, não necessariamente é um adulto, mas um par, às vezes, um adolescente, colega da escola, e, quanto à violência sexual, que vem de dentro de casa ou de pessoas de confiança”, diz Ana Nery Lima, especialista da Plan Brasil, cuja esperança está centrada em ações combinadas entre diversas esferas, para que instrumentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA) funcione.
Essa crença faz com que os próprios pais e mães tornem seus filhos e filhas suscetíveis, pois permitir o acesso a fotos de suas redes sociais não significa proteção efetiva, considerando que amigos e mesmo familiares podem ser abusadores e agressores, alerta Ana Nery.
Mário Gomes convocou seguidores para o ato e defende a anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023; o vídeo foi feito pela deputada Bia Kicis (PL-DF)
O ator Mário Gomes voltou a chamar atenção ao aparecer em um vídeo da deputada Bia Kicis (PL-DF) durante a caminhada pela anistia, realizada na quarta-feira (7) em Brasília. Na gravação, ele convoca seguidores para o ato e defende a anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a sede dos Três Poderes.
Kicis afirma que Gomes viajou do Rio de Janeiro apenas para participar da manifestação e o apresenta como um “ativista político da direita”. Durante a gravação, o ator faz duras críticas às investigações sobre os ataques que depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF.
“É muito angustiante a gente acompanhar todo esse processo brutal contra pessoas inocentes. A gente sabe, todo mundo sabe, que quem quebrou tudo lá foi a esquerda. Não é possível, é tão escancarado”, declarou.
Mário Gomes foi um dos galãs mais populares da TV brasileira entre as décadas de 1970 e 1980. Ator de novelas como “Dancin’ Days”, “Guerra dos Sexos” e “Vereda Tropical”, ele ficou conhecido pelo grande número de papéis de destaque na Globo.
A data reforça a importância da prevenção, combate ao estigma e acesso ao tratamento multidisciplinar
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, 31% dos adultos brasileiros vivem com obesidade e 68% apresentam excesso de peso. Um estudo apresentado no Congresso Internacional sobre Obesidade (ICO) 2024 apontou que até 2044, quase metade da população adulta (48%) viverá com obesidade e outros 27% com sobrepeso, o que significa que três quartos dos adultos brasileiros terão obesidade ou sobrepeso nas próximas décadas. Esses números reforçam a importância do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, que busca promover conscientização, combater o preconceito e estimular políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento adequado da doença.
Segundo a psicóloga Andrea Levy, cofundadora da ONG Obesidade Brasil, ainda há muito desconhecimento sobre o tema. Ela explica que a obesidade é uma doença complexa, multifatorial e que não pode ser reduzida à força de vontade. Para Andrea, o sofrimento psicológico, a pressão estética e a culpa imposta às pessoas com obesidade são parte de um contexto de exclusão que agrava ainda mais a condição clínica e emocional desses pacientes. “A saúde mental tem papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento, já que muitos pacientes buscam ajuda apenas quando o sofrimento se torna insustentável, e é nesse momento que o acolhimento psicológico é determinante” diz ela.
Foto: divulgação
A nutróloga Dra. Andrea Pereira, também cofundadora da ONG, ressalta que a prevenção deve ir muito além de dietas restritivas. “Não se trata apenas de comer menos ou se exercitar mais, mas de mudar o ambiente alimentar e oferecer acesso a alimentos saudáveis e educação nutricional desde a infância. Além disso, fatores como sono inadequado, estresse, uso de medicamentos, aspectos genéticos e hormonais também influenciam diretamente no ganho de peso”, explica a médica. Para Andrea Pereira, a obesidade é e deve ser encarada como uma doença que requer acompanhamento médico, nutricional e psicológico contínuo.
O cirurgião bariátrico Dr. Carlos Schiavon, presidente do Instituto Obesidade Brasil, reforça que a obesidade deve ser tratada com a mesma seriedade que outras doenças crônicas. Ele lembra que a cirurgia bariátrica é um recurso seguro e eficaz para casos graves, mas precisa estar inserida em um contexto de acompanhamento multidisciplinar. “Não é uma solução estética, e sim uma ferramenta médica que pode salvar vidas”, explica. O médico destaca ainda que o Brasil precisa avançar no acesso ao tratamento, pois apesar dos números alarmantes, ainda há poucos centros públicos especializados e uma carência enorme de políticas que garantam tratamento digno e contínuo aos pacientes.
Ainda segundo o estudo apresentado no Congresso Internacional sobre Obesidade (ICO) 2024, diante do cenário de tendência atual, a obesidade e o sobrepeso poderão ser responsáveis por 1,2 milhão de mortes e 10,9 milhões de novos casos de doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e doença renal crônica. Além disso, o impacto econômico também é expressivo: pesquisas estimam que o custo global anual para tratar complicações relacionadas à obesidade pode superar US$ 4 trilhões em 2035.
Cirurgião Bariátrico Carlos Schiavon
Presidente e cofundador da ONG Obesidade Brasil;
Médico Especialista em Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
Formado em 1987 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;
Doutor Cirurgião pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – São Paulo, SP;
Especialista em Cirurgia Bariátrica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
Coordenador de Ensino e Pesquisa do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo;
Investigador principal do Trial GATEWAY – Gastric Bypass to Treat Obese Patients With Steady Hypertension.
SOBRE O INSTITUTO OBESIDADE BRASIL
O Instituto Obesidade Brasil é a primeira organização sem fins lucrativos do mundo direcionada a pessoas com obesidade e surge com o objetivo de conscientizar e trazer informações claras e objetivas, sempre com mentoria científica, com linguagem acessível sobre obesidade, prevenção, diagnóstico, tratamento, novas tecnologias e direcionamento aos centros públicos e gratuitos de atendimento, ajudando da melhor forma possível.
Ele foi fundado em fevereiro de 2020 para conscientizar pessoas de que a obesidade é uma doença multifatorial e crônica e conta com um Conselho Científico composto por especialistas colaboradores de todo o território brasileiro, de perfil multidisciplinar, que adota o conceito de saúde universal e trabalha para que todos tenham acesso à ajuda médica especializada.
De acordo com o levantamento divulgado nesta sexta-feira (10), cerca de dois milhões de pessoas superaram a insegurança alimentar no último ano
[Edicase]Bife acebolado com arroz, feijão, salada e farofa (Imagem: Luciano Ohya | Shutterstock) Crédito: Imagem: Luciano Ohya | Shutterstock
O número de brasileiros que vivem em domicílios com insegurança alimentar grave – situação em que a falta de alimentos é uma experiência diária para toda a família – caiu 23,5% em 2024, passando de 8,47 milhões em 2023 para 6,48 milhões. Segundo o levantamento divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE, essa redução representa cerca de dois milhões de brasileiros que superaram a fome no último ano.
Apesar do recuo, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, um número que representa uma redução de 2,2 milhões de lares em relação a 2023. A parcela de domicílios em insegurança alimentar caiu de 27,6% para 24,2%, enquanto a proporção de domicílios em segurança alimentar aumentou de 72,4% para 75,8%. A insegurança alimentar moderada – caracterizada pela falta de qualidade e redução na quantidade de alimentos apenas entre adultos – atingiu 9,795 milhões de pessoas em 2024, ante 11,662 milhões no ano anterior.
Por regiões, a situação é mais grave no Norte e Nordeste, onde 37,7% e 34,8% dos lares estão em insegurança alimentar, sendo que o nível grave chega a 6,3% e 4,8%, respectivamente. No Sul, o índice é de 13,5%, enquanto Sudeste, Centro-Oeste e demais regiões apresentam taxas intermediárias.
Em números absolutos, o Nordeste concentra 7,2 milhões de domicílios afetados, seguido pelo Sudeste (6,6 milhões), Norte (2,2 milhões), Sul (1,6 milhão) e Centro-Oeste (1,3 milhão). Entre 2023 e 2024, a maioria dos estados apresentou melhora na insegurança alimentar, com exceção de Roraima, Distrito Federal, Amapá e Tocantins, que registraram aumento. Nove estados tiveram menos de 20% dos domicílios nessa condição.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) firmaram uma cooperação para expandir o atual Centro Nacional de Vacinas (CN Vacinas), sediado no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).
Criado em 2016, o CN Vacinas é parte de uma estratégia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) que transformou o antigo Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG em um local de pesquisas em biotecnologia e inovação em imunobiológicos.
O acordo com a Fiocruz visa potencializar o atendimento às demandas de autonomia e soberania nacional em tecnologia, testagem e produção de vacinas, além do desenvolvimento de kits de diagnósticos e fármacos, contribuindo para o Sistema Único de Saúde (SUS) e o desenvolvimento socioeconômico brasileiro.
O presidente da Fiocruz, Mário Moreira, explicou que esse não é um plano só da Fiocruz ou da UFMG, mas “um projeto de autonomia e de soberania no tempo em que se discute a redução da vulnerabilidade com relação a tecnologias e produtos desenvolvidos no exterior”.
“A covid-19 mostrou que precisamos ter mais altivez na discussão e elaboração de políticas públicas”, disse.
A reitora da UFMG, Sandra Goulart de Almeida, ressaltou que a cooperação com a Fiocruz é extremamente relevante para a instituição e para pesquisa na área de saúde.
“Esse é um projeto de Estado. A ideia é atender o país em uma área extremamente necessária, que a pandemia comprovou”, avaliou.