Presidente disse ainda que o aumento nos preços é uma forma de ataque ao seu governo
Presidente Jair Bolsonaro chamou de “covardia” os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis Foto: PR/Marcos Corrêa
O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse neste sábado (20) que a decisão de afastar Roberto Castello Branco do comando da Petrobras se deu porque a magnitude dos reajustes dos preços dos combustíveis este ano foi uma “covardia”. Para ele, a estratégia de aumentar os valores foi para “atacar” o seu governo.
Durante conversa com apoiadores, o presidente também prometeu agir no mercado de energia elétrica.
– Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também – afirmou.
Bolsonaro falou com apoiadores no dia seguinte à indicação do general Joaquim Silva e Luna para o comando da estatal do petróleo.
O nome do general terá de ser aprovado pelo conselho da companhia, que há 36 anos não era presidida por um militar.
– Parecia exorcismo quando eu falei que não ia prorrogar por mais dois anos o mandado do cara (Castello Branco). Compromisso zero com o Brasil, zero. Nunca ajudaram em nada… – descreveu o presidente.
Mais cedo, numa live dentro de um carro, Bolsonaro também criticou o fato de Castello Branco estar trabalhando em home office desde março. Agora, sua insatisfação foi com a elevação dos preços nas bombas, que seria injustificada.
– Não é aumentando o preço de acordo com o petróleo lá fora e o dólar aqui dentro, é mais do que isso: a preocupação é ganhar dinheiro em cima do povo. Não justifica 32% de reajuste do diesel no corrente ano. Ninguém esperava essa covardia desse reajuste agora – afirmou.
A Petrobras é uma companhia mista e tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores no Brasil e também no exterior, por meio de ADRs. A decisão da sexta à noite de tirar Castello Branco da estatal fez os preços da companhia despencarem no mercado financeiro aqui e nos Estados Unidos pelo temor de uma interferência do Planalto sobre a empresa.
– Ninguém quer interferir ou está interferindo na Petrobras, mas eles estão abusando. Assim como eu dizia que queriam me derrubar na pandemia pela economia, fechando tudo, agora resolveram atacar na energia – justificou.
Agência Brasil- O Ministério da Saúde dispensou o uso de licitação para compra das vacinas Covaxin, da Índia, e Sputnik V, da Rússia. O objetivo é dar mais agilidade ao processo de aquisição desses imunizantes.
A compra ainda depende da aprovação para uso emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No total, serão disponibilizadas para a população 10 milhões de doses da Sputnik V e 20 milhões da Covaxin.
As entregas devem começar em março e deverão seguir o seguinte cronograma:
Sputtnik V
Março: 400 mil
Abril: 2 milhões
Maio: 7,6 milhões
Total: 10 milhões de doses
Covaxin
Março: 8 milhões
Abril: 8 milhões
Maio: 4 milhões
Total: 20 milhões de doses.
O investimento previsto é de R$ 639,6 milhões na vacina russa e R$ 1,614 bilhão na vacina da Índia.
Karol Conká está confinanda e não faz ideia dos problemas que vai enfrentar quando sair do BBB. E não deve demorar muito, afinal ela é uma das mais rejeitadas pelo público nas redes sociais e enquetes realizadas na internet.
A revista piauí divulgou que o escritório da artista está tomando medidas para amenizar os prejuízos que a participação no Big Brother vai provocar na carreira dela. Uma das primeiras providências foi demitir um funcionário para diminuir as despesas. É que, segundo a equipe da cantora, uma escolta deverá ser contratada para lhe dar segurança quando sair do programa. Assim, outros custos precisam ser eliminados.
Tem mais. Segundo a publicação, Karol Conká havia contratado músicos e gravado um single para ser lançado durante sua permanência no reality. A música não será mais lançada, e sua equipe suspendeu toda ação de marketing.
Recentemente, a agência Brunch estimou que a cantora pode deixar de faturar cerca de R$ 5 milhões referentes a publicidade, shows e aparição em programas de TV. Segundo a Brunch, que fez o levantamento para a revista Forbes, a artista vai precisar de ao menos seis meses para recuperar sua imagem.
A reportagem da piauí revela também que Lumena e Thaís, ambas do grupo Pipoca, são as grandes decepções da produção do BBB 21. A baiana se mostrava uma pessoa engraçada e animada nas seletivas, e falava com leveza sobre seu ativismo. Confinada, ela se revelou outra pessoa, como o público tem acompanhado.
Feira de Santana não registrou nenhuma morte por Covid-19, nas últimas 24h. Até agora são exatamente 23.265 pacientes recuperados, índice que representa 94% dos casos confirmados. Enquanto isso, 42 exames foram negativos e 88 positivos.
O boletim epidemiológico contabiliza ainda 69 pacientes internados no município e 1.013 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. A informação é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde neste sábado (20).
Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana NÚMEROS DESTE SÁBADO 20 de fevereiro de 2021
Casos confirmados no dia: 88 Pacientes recuperados no dia: 50 Resultados negativos no dia: 42 Total de pacientes hospitalizados no município: 69 Óbito comunicado no dia: 0
A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por Covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.
NÚMEROS TOTAIS
Total de pacientes ativos: 1.013 Total de casos confirmados no município: 24.731 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de fevereiro de 2021) Total de pacientes em isolamento domiciliar: 944 Total de recuperados no município: 23.265 Total de exames negativos: 35.694 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de fevereiro de 2021) Aguardando resultado do exame: 396 Total de óbitos: 453
INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS
Total de testes rápidos realizados: 21.544 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de fevereiro de 2021) Resultado positivo: 3.852 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de fevereiro de 2021) Em isolamento domiciliar: 19 Resultado negativo: 17.692 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de fevereiro de 2021)
O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).
Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana
Primeira aeronave de nova companhia pousou hoje em Natal Imagem: Divulgação
Em meio a uma das maiores crises do setor turístico e dos transportes aéreos, o Brasil ganha mais uma companhia aérea. A primeira aeronave da Itapemirim Transportes Aéreos chegou hoje em Natal (RN).
A partir de março, a companhia passa a voar em destinos nacionais com a promessa de democratizar o transporte aéreo brasileiro, e oferecer maior espaço entre as poltronas e serviço de bordo diferenciado.
A primeira aeronave decolou de Madri, na Espanha, e sua chegada ocorreu por volta das 12h30 deste sábado (20) — o evento pôde ser acompanhado pelas redes sociais.
Após os trâmites de importação na capital potiguar, a aeronave Airbus A320 seguirá para São José dos Campos, no interior paulista, para pintura e customizações com os tons amarelos do logotipo dessa empresa conhecida pelos serviços de transporte rodoviário.
Embora o site da companhia ainda não esteja comercializando passagens, a ITA deve operar em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Fortaleza, entre outros destinos. Conforme já havia anunciado o UOL no final do ano passado, o voo inaugural deverá ser com convidados entre Vitória (ES) e Brasília (DF).
Os aeroportos de Guarulhos (SP), Confins (MG) e Brasília deverão ser os hubs (centro de operações e conexões) da nova companhia aérea brasileira e os aviões terão capacidade para até 160 passageiros.
“Estamos radiantes com a oportunidade de riscar céu brasileiro com as cores da Itapemirim e oferecer novas possibilidades de viagem”, comemora Sidnei Piva, presidente do Grupo Itapemirim.
De acordo com Piva, o cronograma de trâmites para obtenção das certificações junto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) está sendo cumprido dentro do previsto.
O transporte público urbano em Feira de Santana segue sem alterações nos horários de atendimento à população durante o período de restrições à circulação noturna de pessoas.
Até o dia 25, de segunda a sábado, a Prefeitura garantirá 60% da frota circulando normalmente das 5h até 21h30, e aos domingos e feriados até 21h.
Fiscais da SMTT (Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito) estarão orientando os usuários em pontos de integração e nos terminais Central, Norte e Sul, principalmente na busca por horários alternativos a fim de evitar aglomerações.
A obrigatoriedade do uso de máscara, a completa higienização e desinfecção, tanto nos ônibus quanto em terminais de transbordo, continuam como medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública.
Parlamentar teve prisão mantida pelo plenário da Câmara
Veja como cada deputado votou na sessão sobre a prisão de Daniel Silveira Arte: Pleno.News
A Câmara dos Deputados decidiu manter, por 364 votos a 130, a prisão do deputado Daniel Silveira. Silveira foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal após divulgar um vídeo com ataques à Corte e seus ministros. Com ampla vantagem, os parlamentares optaram por manter a decisão do STF e ainda discursaram em repreensão à atitude de Silveira.
Total das aquisições deve custar quase R$ 2 bilhões
Ministro da Saúde autorizou compra de doses da Sputnik V e da Covaxin Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo
O Ministério da Saúde publicou neste sábado (20), em edição extra do Diário Oficial da União, a dispensa de licitação para a compra das vacinas contra Covid-19 Sputnik V e Covaxin. Os textos informam que as aquisições terão o custo de R$ 693,6 milhões para o imunizante da Rússia e de R$ 1,614 bilhão para a vacina indiana.
Na prática, isso autoriza a compra das vacinas, mas, de acordo com fontes do governo, o ministério colocou a condição de só realizar o pagamento se houver autorização de uso emergencial ou registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A dispensa de licitação foi autorizada pela Medida Provisória 1.026, que trouxe medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas, insumos, bens e serviços de logística destinados à vacinação contra o novo coronavírus. As publicações no DOU não especificam o volume de doses contratadas. Pelo cronograma do ministério, serão entregues a partir de março 20 milhões de doses da Covaxin e 10 milhões da Sputnik V.
Ambas as vacinas, porém, nem sequer estão sob análise de uso emergencial na Anvisa. A agência ainda aguarda dados de segurança e eficácia para começar esta avaliação. A agência chegou a devolver um pedido de uso emergencial da Sputnik V pela falta de informações básicas.
O laboratório União Química também pretende fabricar as doses da Sputnik V no Brasil, mas ainda não tem as certificações exigidas para isso. De acordo com fontes do governo federal, a preparação da fábrica para produzir este imunizante pode levar até seis meses.
A eficácia da Sputnik V é de 91,6%, segundo dados publicados na The Lancet. A Anvisa, porém, tem feito cobranças reiteradas à União Química para que o detalhamento destas informações, além daquelas que tratam de segurança do produto, sejam entregues.
A vacina da Índia está em uso emergencial no seu país de origem, mas tem dados de eficácia ainda desconhecidos. A Covaxin é fabricada pela Bharat Biotech, representada no Brasil pela Precisa Medicamentos.
Amigo e deputado Carlos Jordy citou a Corte Interamericana de Direitos Humanos
Aliados não descartam recorrer a tribunal internacional para soltar Daniel Silveira Foto: Câmara dos Deputados/Michel Jesus
A defesa do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) não descarta a possibilidade de levar o caso do parlamentar à Corte Interamericana de Direitos Humanos para tentar libertá-lo. A ideia foi ventilada pelo amigo e deputado federal Carlos Jordy, também do PSL do Rio de Janeiro.
– É óbvio que o Supremo não vai mudar de posição com relação a ele, esperamos que outras medidas possam reverter isso, até mesmo recorrer a cortes internacionais, Tribunal de Haia, Corte Interamericana de Direitos Humanos, porque foi uma violação da Constituição [Federal], o artigo 53 foi rasgado na íntegra. Tanto na questão da imunidade parlamentar quanto na impossibilidade na prisão de um deputado salvo em flagrante de crime inafiançável, o que não houve – disse Jordy à CNN Brasil.
Jordy também voltou a falar de uma estratégia que a própria defesa havia cogitado antes da decisão da Câmara dos Deputados, que seria entrar com um recurso no próprio STF, que determinou a prisão de Silveira por unanimidade.
– A ideia agora é aguardar a defesa fazer todos os recursos disponíveis. Em que pese isso caia no próprio STF, é impossível ele ficar preso todo esse tempo aqui, porque isso é uma prisão ilegal – afirmou.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos é um órgão judicial autônomo composto por sete juízes que representam 20 países, incluindo o Brasil. Sua finalidade é aplicar e interpretar a Convenção Americana de Direitos Humanos e outros tratados de Direitos Humanos.
Apesar de ser incômodo, o swab nasal continua a ser o principal método para fazer o diagnóstico de covid-19 Imagem: ZORANM/GETTY IMAGES
Uma notícia inusitada vinda da China chamou a atenção nos últimos dias: autoridades locais anunciaram que iriam começar a usar o swab anal para diagnosticar a covid-19.
Em resumo, o método consiste em introduzir no ânus uma haste flexível para colher amostras de material orgânico, que depois serão analisados em laboratório para detectar (ou não) a presença do coronavírus.
Atualmente, o padrão é fazer o swab nasal, em que a haste é colocada no nariz e na boca para coletar amostras lá do fundo da garganta.
De acordo com especialistas chineses, o novo exame teria uma precisão maior, traria resultados mais confiáveis e seria particularmente útil em algumas situações especiais.
Mas o que a ciência diz sobre o assunto? E como os testes que diagnosticam a covid-19 evoluíram nos últimos meses?
Via alternativa
A ideia de fazer testes laboratoriais pelo ânus não é particularmente nova.
Exames de fezes e colonoscopia, por exemplo, são métodos valiosíssimos para o diagnóstico de uma série de doenças — de infecções gastrointestinais ao câncer colorretal.
Até mesmo no contexto da covid-19 o assunto não é uma novidade absoluta.
“Já sabemos há algum tempo que o intestino poderia funcionar como um santuário do coronavírus, como acontece com outras doenças virais. Ele poderia escapar do nariz e dos pulmões, ficaria em algumas regiões do sistema digestivo e seria eliminado pelas fezes”, raciocina o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury.
Ainda nos primeiros meses de pandemia, os médicos notaram que a doença não se limitava aos sintomas respiratórios e muitos pacientes apresentavam incômodos gastrointestinais, como cólicas e diarreia.
Portanto, do ponto de vista das características da enfermidade, pensar num swab anal não é tão estranho assim — apesar de não existir nenhuma evidência contundente até o momento mostrando que ele seria superior ou traria resultados melhores do que a análise feita pelo nariz e pela garganta.
Barreiras naturais
Se os testes pelo ânus são aprovados na análise técnica, eles emperram em questões como comodidade, praticidade e conveniência.
“Há uma série de restrições de natureza cultural, de foro íntimo. Um exame desses envolve expor a própria genitália e a região anal, que são bastante sensíveis”, aponta o infecologista e epidemiologista Fernando Bellissimo Rodrigues, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).
Na própria China, o swab anal será usado por enquanto em situações muito específicas.
Segundo uma reportagem da Forbes, testes desse tipo estão sendo aplicados em passageiros que desembarcam no aeroporto de Pequim e em alguns centros de quarentena.
Há notícias de que um grupo de mil crianças e professores também precisaram fazer o exame depois que foram expostos ao coronavírus.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que o método também poderia ser válido em pacientes com diarreia como sintoma principal ou em pessoas que apresentam alguma dificuldade para a coleta pelo nariz e pela garganta.
Mas essa não é a única novidade no mundo do diagnóstico da covid-19: nos últimos meses, o conhecimento e a tecnologia avançaram bastante e hoje trazem uma série de opções diferentes que facilitam a vida de pacientes e profissionais da saúde.
Escrito nas moléculas
De forma geral, os exames para covid-19 são divididos em dois grandes grupos: os testes virais e os de anticorpos.
O primeiro detecta o agente infeccioso (ou pedacinhos dele) e permite saber se a pessoa está com a doença “ativa” em seu organismo.
Já os testes de anticorpos medem a resposta do sistema imunológico e indicam se o indivíduo já teve a doença no passado — falaremos sobre eles em detalhes mais adiante.
De acordo com as principais diretrizes nacionais e internacionais, o método principal para diagnóstico do coronavírus continua a ser aquele conhecido pela sigla RT-PCR.
A coleta acontece por meio do swab nasal, em que a haste flexível raspa o fundo da garganta para colher o material que será analisado no laboratório.
“Sabemos que essa região costuma ter a maior concentração de vírus em infecções respiratórias e é relativamente fácil de acessar pelo nariz e pela boca”, explica o virologista José Eduardo Levi, da rede de laboratórios Dasa.
O RT-PCR é o exame que possui atualmente a melhor sensibilidade entre as opções disponíveis.
Isso significa que ele é capaz de identificar, entre as pessoas com suspeita de estarem infectadas, aquelas que realmente estão doentes.
Na prática, o método deixa “escapar” poucos casos de covid-19, o que dá uma grande confiança em seus resultados.
Mas, apesar da alta confiabilidade, essa opção apresenta algumas desvantagens.
A primeira delas é a demora para obter os resultados.
O RT-PCR também requer equipamentos, reagentes e profissionais especializados, o que torna todo o processo mais custoso.
Por fim, não dá pra ignorar o fato de a coleta ser incômoda — quem já precisou fazer sabe que o swab nasal não é nada agradável.
Avanços da ciência permitiram a criação de testes mais rápidos e baratos para detectar o coronavírus. Mas eles ainda não são superiores ao RT-PCRImagem: ANDREW MILLIGAN/GETTY IMAGES
Evoluções científicas
Foi pra resolver alguns desses pontos fracos do RT-PCR que outros três tipos de exames surgiram e já estão disponíveis em alguns laboratórios.
Eles também avaliam a presença do vírus no organismo e podem ajudar a fazer o diagnóstico da covid-19.
Uma opção relativamente recente é o exame de saliva. Em vez de cutucar o fundo do nariz com uma haste flexível, a premissa aqui é cuspir num recipiente e esse material é analisado.
“Isso representa um avanço, particularmente para aquelas pessoas que necessitam repetir os testes com regularidade”, destaca Granato, que também é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Depois de colhida, a saliva também passa pelo laboratório onde acontece aquele processo de busca por pedacinhos genéticos do coronavírus pela mesma tecnologia do RT-PCR.
Outra inovação dos últimos meses é o teste LAMP, disponível em locais como farmácias, estações móveis e centros de diagnóstico.
Ele também é feito por swab nasal e vasculha a presença de pistas genéticas do vírus.
A diferença está no custo: como exige equipamentos menos rebuscados e possui menos etapas, essa metodologia é mais barata.
Por fim, a última novidade é o teste de antígeno, que também carece da coleta de material no fundo da garganta.
“Em vez de detectar o material genético, essa tecnologia vai procurar outros pedacinhos da estrutura do vírus”, diz Levi, que também é pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da USP.
Mais uma vez, o ganho aqui está no preço mais baixo e na rapidez em obter um laudo positivo ou negativo.
Apesar de todas as facilidades, esse trio de exames não supera o RT-PCR naquilo que é mais essencial: a sensibilidade.
Em outras palavras, os testes de saliva, de antígeno e o LAMP são validados cientificamente e podem sim ser úteis numa série de situações.
Mas eles deixam escapar com mais frequência alguns resultados positivos de covid-19, o que pode fazer indivíduos infectados acharem que estão livres da doença.
Quando fazer o teste de covid-19?
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) destaca quatro situações em que é necessário passar por um exame desses:
Pessoas com sintomas de covid-19 (febre, tosse, cansaço, dor, diarreia, perda de olfato e paladar…);
Indivíduos que tiveram contato próximo (menos de 1,5 metro por mais de 15 minutos) com pessoas com covid-19 confirmada;
Quem esteve envolvido em atividades que aumentam o risco de uma infecção pelo coronavírus e não podem fazer isolamento preventivo (como em situações de viagens, aglomerações ou longos períodos em ambientes fechados com outras pessoas);
Quem é selecionado para estudos ou programas de testagem realizados por seguros de saúde, governos e institutos de pesquisa.
Uma recomendação que existia até uns tempos atrás era a de esperar pelo menos três dias de sintomas antes de fazer a coleta do material para análise — mas isso caiu por terra recentemente.
“Quando a pessoa procura um serviço de saúde com sinais sugestivos, ela deve ser submetida ao exame imediatamente. Não faz sentido algum pedir para que ela volte dali a alguns dias”, indica Rodrigues.
“Um retorno posterior só significaria dupla carga de trabalho das unidades assistenciais e um maior risco de contágio para o próprio paciente, se ele não estiver com covid-19, ou para todo mundo ao redor, se ele está realmente infectado”, completa o especialista.
Se ficar em dúvida de quando fazer o teste e qual dos tipos é o melhor para você, o ideal é buscar a orientação de um profissional de saúde, que poderá fazer uma avaliação e analisar os prós e contras antes de dar uma recomendação personalizada.
Quando NÃO fazer o teste de covid-19?
Os exames utilizados atualmente para o diagnóstico da doença não foram desenvolvidos para grandes rastreamentos populacionais, em que milhares de pessoas são testadas — mesmo aquelas que não se encaixam nos quatro critérios descritos acima.
O grande risco dessa estratégia é sofrer com uma alta taxa de resultados falso negativos, em que as pessoas estão infectadas com o vírus, mas ele não é detectado na análise laboratorial.
Hoje em dia, sabe-se que entre 40 e 50% das pessoas que pegam covid-19 não apresentam sintoma algum.
Se elas não tomarem os cuidados básicos (uso de máscaras, lavagem de mãos, distanciamento físico…), podem transmitir o vírus para outros e criar novas cadeias de transmissão.
Portanto, um resultado falso negativo pode reforçar uma falsa sensação de segurança, quando todo mundo deve seguir as recomendações para evitar uma proliferação ainda maior da pandemia.
Os especialistas também contra-indicam a realização dos testes como um salvo-conduto para se aglomerar em festas e outros eventos sociais.
“O resultado do exame é sempre um retrato até aquele momento. Nada garante que você se infecte alguns minutos ou dias depois”, reforça Levi.
O passado te condena?
Como comentamos no início da reportagem, os testes sorológicos (ou de anticorpos) são um segundo tipo disponível desde o primeiro semestre de 2020, quando a pandemia se alastrou para todos os continentes.
Realizados por meio de uma coleta de sangue, eles quantificam a produção de anticorpos conhecidos como IgA, IgG e IgM contra uma infecção pelo coronavírus.
Os anticorpos são substâncias produzidas pelo nosso sistema imunológico, que ajudam a neutralizar uma segunda invasão viral.
O problema é que essa reação de defesa do organismo demora um pouquinho para acontecer. Portanto, os testes sorológicos só dão um resultado válido dez dias ou mais após o início dos sintomas.
Eles não servem, então, para diagnosticar a doença ativa e tomar as medidas contra a covid-19, como uma quarentena ou um tratamento para os casos mais graves.
“Por essas razões, a utilidade desses testes é um pouco mais restrita. Eles podem ser valiosos, por exemplo, em inquéritos populacionais e estudos epidemiológicos que vão medir a porcentagem da população que já foi exposta ao vírus”, conta Rodrigues.
Os testes sorológicos permitem saber se você já teve a infecção no passado, mas não servem para realizar o diagnóstico de covid-19Imagem: CAVAN IMAGES/GETTY IMAGES
Deturpação do uso
Apesar de indicarem quem já teve covid-19, um resultado positivo no exame sorológico não é passaporte para voltar à “vida normal”.
Em primeiro lugar, a ciência ainda não sabe quanto tempo dura a imunidade após um primeiro episódio da doença.
Apesar de todos os avanços, a metodologia dos anticorpos também não é 100% à prova de falhas e pode dar resultados “errados”.
Por fim, a detecção de novas variantes no Reino Unido, na África do Sul e em Manaus abre uma possibilidade de quadros de reinfecção que não podem ser ignorada.
As recomendações de distanciamento físico, uso de máscaras, lavagem de mãos e preferência por locais arejados e ventilados continuam essenciais para todo mundo.
Avanços e descobertas
Os exames de anticorpos também evoluíram bastante de uns tempos para cá.
“Uma coisa importante que aprendemos com a experiência é que não basta fazer um teste só, porque nenhum deles é capaz de identificar toda a gama de respostas imunológicas que o ser humano apresenta. É importante que as amostras passem por dois métodos diferentes para um resultado melhor”, informa Granato.
Um passo relevante nessa área é a chegada de métodos que avaliam os anticorpos neutralizantes.
“Eles nos certificam que o indivíduo tem anticorpos e que eles são realmente capazes de proteger contra o vírus”, explica Levi.
As opções disponíveis até então avaliam substâncias com o IgA, o IgG e o IgM, mas elas dão menos certeza sobre a efetividade da resposta imune diante de uma nova infecção quando comparadas aos tais anticorpos neutralizantes.
Outra novidade que deve chegar nos próximos meses são os testes que avaliam a reação das células do sistema imunológico após um quadro de covid-19.
“Essa tecnologia analisa os glóbulos brancos, que em laboratório são estimulados com pedaços do coronavírus. Se essas células reagem, significa que há uma resposta imunológica mais completa”, projeta Levi.
Acesso no Brasil
Os especialistas entrevistados para essa reportagem sinalizam que a disponibilidade dos testes de covid-19 no país melhorou significativamente.
“No início, havia uma grande limitação, porque os insumos necessários nem chegavam até aqui”, lembra Granato.
Mas ainda há problemas na compra de substâncias essenciais para a realização do RT-PCR, por exemplo.
“Nós perdemos a oportunidade lá atrás de criar uma política de usar os testes para rastrear os primeiros casos positivos e isolá-los. Isso nunca foi feito de forma organizada no país”, lamenta Levi.
No início da pandemia, programas desse tipo foram implementados com enorme sucesso em países como Nova Zelândia e Coreia do Sul.