
A movimentação no Centro de Abastecimento começou a aquecer com a aproximação da Quaresma – inicia com a Quarta-feira de Cinzas (22). Durante esse período, os católicos se abstém da carne vermelha e aves, o que impulsiona as vendas e o consumo de peixes e frutos do mar.
Com expectativas otimistas para vendas, os feirantes do entreposto comercial já estão reabastecendo o estoque para atender a demanda da clientela. Na Peixaria Trindade, a corvina e a tilápia são os peixes mais procurados pelos consumidores – ambos estão custando R$ 18, o quilo. Já o peixe vermelho pode ser encontrado por R$ 55, o quilo.
Essencial para o preparo do caruru e vatapá, os preços do camarão variam entre R$ 30 até R$ 55. No box do Beto do Camarão, o quilo de camarão miúdo está custando R$ 30, e o camarão defumado está por R$ 48, o quilo. Os preços das castanhas variam, enquanto as quebradas estão por R$ 45 o quilo, as inteiras estão por R$ 60, o quilo.
“A procura já começou a aumentar. Alguns clientes gostam de se preparar antecipadamente. As expectativas estão otimistas para este ano e começamos a estocar alguns produtos para atender todos os clientes”, diz o proprietário do box, Walbert Palmeira.Outros ingredientes também podem ser encontrados no Centro de Abastecimento, como quiabo, gengibre, castanha, amendoim, azeite de dendê e o leite de coco.
Na barraca da feirante Gilmara Barbosa, o quilo do amendoim está saindo por R$ 20; o azeite de dendê varia entre R$ 13 e R$ 16, a garrafa; e o leite de coco que está custando entre R$ 4 e R$ 8. A unidade do gengibre, a depender da escolha do cliente, pode ser encontrada a partir de R$ 2. O cento do quiabo está por R$ 15.
Durante os quarenta dias que antecedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos relembram os quarenta dias que Jesus Cristo passou no deserto. É um momento voltado para reflexões, orações, caridade e abstinência.

Quatro homens invadiram o posto de combustível Portal do Sertão, localizado na BR-324, no bairro Subaé, em Feira de Santana, e explodiram o cofre particular da empresa. O caso ocorreu por volta das 3h desta segunda-feira (20).
Os bandidos chegaram ao local a bordo de um veículo de dados ignorados, e antes de praticarem o ato atentado, renderam o vigilante do posto. O barulho da explosão foi ouvido por moradores de toda a região onde fica o estabelecimento, até no bairro Tomba.
De acordo com o proprietário do posto, Carlos Neto, esta foi a segunda vez que criminosos explodem o cofre da empresa. O primeiro episódio ocorreu em 2021.
Ainda conforme o proprietário, os bandidos fugiram sem levar nada, pois todos os dias uma empresa de valores esvazia o cofre para fazer o depósito do dinheiro.
Policiais militares da 65ª Companhia Independente (CIPM) se dirigiram ao local e isolaram a área até a chegada da Polícia Técnica.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.

O motorista de um caminhão, identificado como Luiz Carlos Freitas, de 56 anos, foi encontrado morto dentro do veículo, na madrugada desta segunda-feira (20).O caso foi registrado em um posto de combustíveis na BR-324, na região do distrito de Humildes, em Feira de Santana.De acordo com informações da polícia, o levantamento cadavérico da vítima foi realizado por volta de 01h14 pelo delegado Fabrício Linard.
O motorista foi achado morto na boleia, com a narina esquerda sangrando.
O motorista morava na cidade de Campos Novos, em Santa Catarina. As causas da morte serão investigadas pela Polícia Civil.
O corpo do motorista foi encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) do município, onde serão realizados os exames de necropsia.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.

Uma advogada foi presa em flagrante, no início da manhã deste sábado (18), no circuito Barra-Ondina, durante terceiro dia de folia, após proferir injúrias raciais contra uma oficial da Polícia Militar em serviço na folia.
A policial orientava a mulher, que tentava deixar um copo em um dos muros do posto policial. Insatisfeita com a orientação, a mulher começou a violência contra PM com ofensas racistas.
A mulher foi presa em flagrante e conduzida à Central de Flagrantes, na avenida Centenário, na Barra. Na unidade, ela continuou às ofensas contra os policiais.A agressora foi autuada por injúria racial, crime equiparado ao Racismo, e desacato a autoridade. Ela foi encaminhada para a Dercca e, após, para o Departamento de Polícia Técnica, onde passou por exames de corpo se delito. A presa passará por Audiência de Custódia.
*Metro1

Um homem morreu após ser atingido por um carro desgovernado, na manhã deste domingo (19), próximo à entrada do bambuzal que dá acesso ao aeroporto de Salvador.Depois de atropelar a vítima, o condutor do veículo ainda bateu em vários carros de motoristas de aplicativos que estavam estacionados e ficaram parcialmente danificados.
Segundo informações publicadas pelo Bnews, o veículo estava em alta velocidade. O motorista do carro desgovernado sofreu ferimentos leves.
Policiais militares e viaturas da Superintendência de Trânsito do Salvador (Transalvador) foram acionados por populares para atender à ocorrência.
*Acorda Cidade

Neste sábado (18), de ordem do coronel PM Adalberto Piton, comandante do Comando de Policiamento da Região Leste (CPRL), uma comitiva foi enviada a Salvador para acompanhar de perto a operação Carnaval 2023, realizando visitas técnicas para analisar as questões logísticas e observar as boas práticas do evento. Visitas foram realizadas nos postos de comando, bases de alojamento, pontos de observação e abordagens, e no camarote da PM.A comitiva foi formada pelo Coordenador de Planejamento Operacional da Unidade (CPOD), o tenente-coronel PM Gilson Paixão, e pelo respectivo auxiliar, o capitão PM Reis; o chefe do Núcleo de Gestão Administrativa e Financeira (Nugaf), o major PM Sávio; e o capitão PM Franclin Martins, chefe da assessoria de comunicação da Unidade.
“A visita foi bastante produtiva e vai nos ajudar na execução da operação do Micareta de Feira de Santana” já em fase de planejamento por este CPRL – disse o tenente-coronel PM Gilson Paixão.
Através dos dados colhidos e das observações feitas, o CPRL subsidiará suas ações na operação Micareta de Feira de Santana 2023, que ocorrerá no mês de abril.

Foto: Reprodução/Instagram @allansantosbr.
Considerado foragido pela Justiça do Brasil, o jornalista Allan dos Santos usou o Instagram para debochar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo impedido por decisão da Corte de ter contas nas redes sociais, Allan abriu seu 31º perfil e postou foto segurando um suposto visto de trabalho nos Estados Unidos com a legenda: “Chora, Xandão. Foragido é seu forevis”.
Allan dos Santos teve a prisão determinada pelo STF, em outubro de 2021, e é investigado em dois inquéritos no órgão: um sobre a propagação de fake news e outro sobre participação em milícias digitais. Sua extradição depende da atuação do Ministério da Justiça brasileiro.
Na decisão que determinou a prisão do jornalista, Moraes ressaltou que existe “uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhantes àqueles identificados no Inquérito 4.781, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.
Ainda segundo Moraes, medidas decretadas anteriormente foram inúteis, pois “o investigado continua a incorrer nas mesmas condutas investigadas, ou seja, permanece a divulgar conteúdo criminoso, por meio de redes sociais, com objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização; gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira, promovendo o descrédito dos poderes da república, além de outros crimes, e com a finalidade principal de arrecadar valores”.
Em 31 de janeiro, Allan dos Santos participou de encontro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a comunidade brasileira em Orlando, nos Estados Unidos. O evento foi promovido por uma organização conservadora de brasileiros que moram na Flórida.
Durante o encontro, organizado pela Yes Brazil USA, Bolsonaro citou Allan dos Santos, que estava na plateia. Em seu discurso, o ex-mandatário disse: “Eu tenho encontrado com quem, Allan dos Santos? Vários brasileiros que querem voltar para o Brasil, mas estão temerosos com a sua liberdade lá em nosso país”.
O jornalista ainda apareceu em alguns dos vídeos postados pelos organizadores. Em um deles, é visto comendo com os convidados, além de ter sido marcado em fotos que os participantes publicaram no Instagram. Allan dos Santos mora nos EUA desde 2020.
Créditos: Metrópoles.

O debate sobre a taxa básica de juros da economia brasileira é assunto do RAF (Relatório de Acompanhamento Fiscal) do mês de fevereiro, divulgado na 4ª feira (15.jan.2023) pela IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado).
Segundo o órgão, o que mantém a taxa Selic no nível atual, de 13,75% ao ano, são as incertezas sobre a trajetória da inflação e sobre o novo marco fiscal do governo.
A taxa está patamar mais alto desde o fim de 2016. O índice foi estabelecido em agosto do ano passado, após 18 meses de alta, e se manteve inalterado nas últimas 4 reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. A base do governo federal no Congresso Nacional tem criticado a decisão do Copom, argumentando que há espaço para redução da Selic.
Para a IFI, esse não é o caso. A Selic é a principal ferramenta usada pelo Banco Central para conter a inflação, e a instituição do Senado explica que a alta dos preços está em trajetória ascendente. Isso se deve, principalmente, ao preço dos combustíveis. As projeções do Banco Central para a inflação vêm subindo desde o fim do ano passado.
“A projeção para o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] de 2023 foi elevada de 5,3% para 5,6%. Apesar da expectativa de desaceleração dos preços livres, dada a tendência de queda dos preços das commodities em reais, os preços administrados serão impactados pelo reajuste para as distribuidoras promovido pela Petrobras no final de janeiro. Para 2024, a inflação projetada subiu marginalmente de 3,7% para 3,8%”, diz o relatório.
A meta de inflação atual, estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), é de 3,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — o chamado “teto da meta”.
Além da pressão inflacionária, outro fator que impede a queda dos juros neste momento, segundo a IFI, é a política fiscal “em compasso de espera”. O governo deve apresentar no primeiro semestre a proposta para o novo marco de controle das contas públicas, que substituirá o teto de gastos. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda apresentou um pacote de ajuste fiscal, mas a IFI observa que sua efetividade é limitada.
“Embora haja um plano de ajuste já anunciado pelo Ministério da Fazenda, o que ameniza as dúvidas sobre como financiar a expansão de gastos, o futuro das contas públicas continua indefinido. O regime fiscal atual cumpre aviso prévio e o próximo deverá pavimentar um caminho crível para as contas”, afirma a IFI.
“A sinalização de momento é de que a sustentabilidade das contas dependerá em maior medida do desempenho da arrecadação, onde concentra-se o plano do Ministério da Fazenda. Mas as circunstâncias atuais não devem favorecer. O impulso conjunto de inflação, atividade e commodities sobre as receitas, observado em 2021 e 2022, não se repetirá”, completa.
Assim como em RAFs anteriores, a IFI voltou a alertar sobre o impacto das receitas não recorrentes. Elas foram responsáveis por mais de R$ 145 bilhões da arrecadação federal nos últimos dois anos. As receitas não recorrentes são resultado de eventos únicos, como, por exemplo, a venda de grandes ativos.
O RAF destaca, ainda, que a alta de juros é uma tendência mundial, verificada também nos Estados Unidos e na União Europeia.
Créditos: Poder360.

Desde o começo do ano, Paris tem sido palco de casos de violência, alguns envolvendo turistas, que aumentam a sensação de insegurança de moradores e visitantes. Mas será que a Cidade Luz está ficando realmente mais perigosa?
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Paris, em seu último balanço semestral, publicado em 16 de janeiro, as agressões diminuíram na região metropolitana nos últimos meses de 2022.
Um comunicado do órgão aponta que o número de assaltos com violência, mas sem arma, diminuíram 20%, e os assaltos com arma, 13,2%. Os furtos, principais crimes cometidos contra os turistas em Paris, diminuíram apenas 2,1%. O documento não traz informações sobre violências sexuais.
Para os entrevistados no estudo, o metrô é o lugar mais perigoso. As estações mais angustiantes para os parisienses, de acordo com a pesquisa, são Franklin D. Roosevelt, na Avenida Champs-Élysées, Anvers, um dos acessos ao bairro de Montmartre, e La Fourche, no 17° distrito. As três estações se encontram em regiões frequentadas por turistas e com grande número de hotéis e restaurantes.
Uma das estações (La Fourche) conta com uma delegacia de polícia a apenas 500 metros de distância. No entanto, isso não parece diminuir a sensação de insegurança dos usuários.
As linhas mais temidas, ainda segundo o estudo, são 13, 6, 1, 8 e 12 nesta ordem.
Sem surpresa, os pontos turísticos de Paris são potenciais locais para ocorrências de roubo e delinquência. Moradores dos bairros próximos à Torre Eiffel têm denunciado o aumento da violência em torno do monumento. Vendedores ambulantes, atividades comerciais proibidas, ofertas de transportes ilegais e roubos são constantes, de acordo com a Associação dos Amigos do Campo de Marte.
De acordo com um ranking evolutivo do jornal britânico The Economist, que leva em conta outras variáveis reais, como policiamento, segurança ambiental e bem-estar, Paris ocupa um lugar semelhante ao de Madri, Londres e Roma em matéria de segurança.
A França tem uma taxa de homicídios baixa entre os países do mundo, de 1,4 mortes por cada 100 mil habitantes (no Brasil esta taxa foi de 22,3 em 2021). Este número só diminuiu nos últimos 20 anos.
Em 5 de fevereiro, uma turista brasileira, acompanhada da irmã, foi vítima de um estupro aos pés de um dos monumentos mais célebres do mundo, a torre Eiffel. O caso é investigado atualmente pela polícia francesa.
No começo desta semana, partes do corpo de uma mulher foram encontrados no parque Buttes-Chaumont, um dos locais mais frequentados por parisienses e turistas na cidade.
A descoberta macabra aconteceu na mesma região da cidade onde, em outubro do ano passado, o corpo de Lola, uma menina de 12 anos, que foi torturada e assassinada, foi encontrado dentro de um baú.
Informações UOL

Duas das músicas que não sairão da sua boca nos próximos dias nasceram da imaginação do Luciano Gomes.
Entre tantas outras, são dele “Swing da Cor” e “Faraó (Divindade do Egito)”. A primeira ganhou o país na voz de Daniela Mercury, a segunda ficou conhecida com Margareth Menezes, hoje Ministra de Estado da Cultura. Uma, o Brasil inteiro conhece pelas batidas do tambor bem no comecinho. A outra, por ser a aula de história que muitas de nós não teve.
“Nunca na minha vida imaginei que o Egito fosse um país africano”, revela Luciano, hoje com 56 anos. Quando fez a letra não passava dos 20. “Porque eu não tive esse conhecimento na escola, nunca explicaram. Lá eu aprendi três coisas: Lei Áurea, Princesa Isabel e sobre navios negreiros. Só. Tudo que eu sei sobre ser um homem negro aprendi nos blocos afro”. Foi ali e na pesquisa para escrever Faraó que as peças foram se encaixando, ele explica.
“Não só para mim, viu? Muita gente ainda não sabe dessa informação hoje em dia, descobre com a música”. Por isso, diz, respeita tanto os blocos quanto o trabalho que fazem. São verdadeiras aulas no meio da rua.
Funciona assim: todo Carnaval, os blocos afro se decidem por um tema, no de 1987 o Olodum escolheu falar do Egito. Quem cuida da composição recebe uma apostila com informações sobre aquele assunto, foi o caso de Luciano, que já fazia parte da ala de compositores. É a partir desse material que, geralmente, nascem as músicas. Geralmente, porque não foi bem assim nesse caso.
“Quando me entregaram a pesquisa, eu senti falta de saber mais. Fui para a biblioteca e achei um livro velho, bem velho mesmo, que era até preto e branco. Apareceu do nada no meio das coisas. Ali estava a história dos faraós. Daí comecei a criar em cima disso”, detalhou. A letra nasceu em uma semana e estourou no Carnaval. “Eu não fiz aquela letra, ela quem me escolheu”.
Nascido no Bonfim, Luciano tinha 10 anos quando rumou para o centro histórico de Salvador com Dona Dalva, sua mãe. Foi morar no coração dos blocos afro, do agito cultural da época. O destino quando tem que acontecer, acontece mesmo. Quando assistiu a um desses blocos com o olhar curioso que só as crianças têm, nunca mais esqueceu. Aquela mistura de sons, de cores. Aquele jeito de as pessoas cantarem e estarem pelas ruas entrou com tudo em seus sentidos. Daí não teve como, ele precisou começar a batucar no que encontrasse pela frente.
“A gente nem instrumento tinha, era tudo na lata de manteiga mesmo. Pedia na padaria, os caras davam. Aí usava um pedaço de cabo de vassoura para bater”, relembra. Foi num desses shows distraídos aos 10 anos que Luciano foi percebido por um diretor do bloco “Barroquinha Zero Hora. Foi assim que ele virou cantor. Cantor?
“Esse diretor pediu para a minha mãe para eu ir a um ensaio, disse que eu tocava direitinho e ela só aceitou, mas foi junto. Primeira vez com instrumento de verdade, dei o meu recado, né. Aí ele quis que eu cantasse, me viu nas rodas do Pelourinho fazendo isso. Eu sempre fui muito gaiato”, disse dando uma gargalhada. Na época Luciano até cantou, mas não o que pediram.
“Eu voltei para casa dizendo para mim mesmo: eu não vou cantar aquela música lá não, eu vou cantar uma minha. Ai eu escrevi uma letra e levei. O pessoal gostou, rapaz. Depois esse diretor veio falar comigo: eu vou ver como é que faz para negociar com juizado de menores para você sair com a gente”. Outra boa risada dessa lembrança.
Pronto, essa é uma das maneiras de contar como a vida musical de Luciano começou: sendo percebido por alguém, com alguém que acreditasse nele. A partir daí se ligou a vários blocos, construiu uma carreira de compositor e cantor. Até ser escolhido por “Faraó” para trazê-la ao mundo. Dói em Luciano, ele reforça a todo momento, que tudo tenha ficado tão mais difícil para pessoas que se parecem com ele.
“Falta oportunidade para a garotada da periferia mostrar o seu talento, como aconteceu comigo lá atrás. A coisa está tão elaborada para o lado do profissionalismo, que quem vem da favela não tem como apresentar uma letra para alguém não”, se indigna.
“Hoje você tem que levar a música pronta num pen drive, tem gente pedindo até partitura. Como é que o jovem da favela, que na maioria das vezes nem um celular tem, como é que ele vai conseguir mostrar o seu talento assim?”.
Há 38 anos Luciano mantém o Samba Nativo, que hoje acontece em Cajazeiras. Uma banda sim, mas mais que isso: um lugar para que talentos possam ter uma chance no mundo da música, no mundo da arte. Carlinhos Brown e Timbalada tem músicos saídos do grupo, para dar um exemplo.
Ele que sempre foi um devoto da rua, que contou várias vezes durante a conversa que não gosta desse negócio de ensaio fechado. Que acha que a arte que faz sentir, e sentido, é aquela que abraça o povo, contou que anda feliz e desconfiado com o futuro. Feliz em como “Faraó” lhe deu uma chance de não morrer. E desconfiado dos seus 65 anos, acha que alguma coisa vai acontecer. Não sabe de onde vem, sempre achou isso.
“Quando eu chegar mais ou menos nessa faixa aí”, começou Luciano, “se eu não estiver mais aqui, quero simplesmente fechar os olhos pensando: ‘meu nome ficou eternizado’. Só isso, só o nome. Mesmo que o Carnaval não exista mais, eu espero que as pessoas ainda estejam cantando Faraó pelas ruas”.
Informações UOL