
Quando se deu conta de que três importantes medidas provisórias caducariam nesta sexta-feira (2), e sem resistência de deputados que o apoiam, inclusive petistas, o presidente Lula (PT) deixou cair a ficha. Passou a dar ouvidos a velhos companheiros que recomendam freio de arrumação. Começando pela retirada Alexandre Padilha, da articulação que virou desarticulação, substituindo-o por alguém mais experiente e que, leal a Lula, tenha a simpatia dos presidentes da Câmara e Senado.
O problema não é Padilha nem de qualquer outro ministro, como observam políticos experientes, e sim o próprio Lula, cansado de guerra.
Como Lula tem dificuldade de demitir quem ele gosta, a torcida petista é para Padilha pedir o boné e poupar o presidente de constrangimento.
Se for consumado seu afastamento, o mais provável é que Alexandre Padilha fique no governo como titular ministro da Secretaria-Geral.
Queixam-se os deputados também da falta de orientação para que os ministros comuniquem previamente as visitas que fazem a seus estados.
Créditos: Diário do Poder.

A Polícia Militar (PM) apreendeu mais de 1200 espadas e aproximadamente 200 quilos de pólvora na zona rural de Cruz das Almas, no recôncavo baiano. A ação ocorreu na tarde de sábado (3) e ninguém foi preso.
Equipes da 27ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) receberam denúncias de que havia dois pontos de fabricação clandestina de fogos de artifício na localidade do Tuá. Os homens que estavam nos locais fugiram após a chegada dos agentes e não foram encontrados nas rondas.
Ao todo, durante a ação foram apreendidas 1254 espadas, pólvora e outros itens utilizados na confecção de fogos, além de duas motocicletas.
A pólvora precisou ser queimada imediatamente, no mesmo local onde foi encontrada, em uma área descampada, por causa do perigo de explosão e do risco à vida dos policiais durante o transporte do material. Todo o restante foi levado para a delegacia territorial de Cruz das Almas, que vai investigar o caso.
*G1 Bahia

Já se encontra disponível a relação oficial dos candidatos selecionados no Programa Universidade Para Todos (UPT), oferecido pela Secretaria da Educação da Bahia (SEC), para o fortalecimento da aprendizagem e a preparação dos estudantes do último ano e também os egressos do Ensino Médio, focado nos processos seletivos, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O período da matrícula será entre os dias 5 e 9 de junho, na modalidade presencial, no local e turno que o estudante optou para cursar. A lista dos selecionados pode ser conferida no Portal do Governo da Bahia
(https://www.bahia.ba.gov.br/universidade-para-todos-2023/).
“Vamos aproveitar o período de matrícula para orientar os estudantes sobre o programa, esclarecendo os pontos que serão apresentados até o mês de dezembro, nessa pegada pedagógica de preparação para o Enem e o vestibular”, avisa a coordenadora do programa pela SEC, Patrícia Machado. Ela lembra, também, que as equipes pedagógicas vão aproveitar a oportunidade para explicar como funciona o processo de inscrição para o Enem cujo período será realizado, praticamente, no mesmo intervalo, entre os dias 5 e 16 de junho.
O Programa Universidade para Todos está oferecendo, neste ano, 18.966 vagas nos 27 Territórios de identidade, totalizando 310 polos de funcionamento, em 195 municípios, em parceria com as quatro universidades estaduais, Uneb, Uesc, Uefs e Uesb e a UFRB. Isso representa 3.966 oportunidades a mais do que em 2022, quando foram disponibilizadas 15 mil vagas. Em Salvador, serão 34 polos com a oferta de 2.375 vagas.
No UPT são abordados os conteúdos de todos os componentes curriculares. As atividades vão acontecer de segunda a sexta-feira, no polo de conhecimento e horário em que o estudante se inscreveu – no contraturno das aulas eletivas e do horário oposto ao do trabalho para os alunos egressos.
Aos finais de semana, os estudantes poderão participar de projetos complementares, como aulões e revisão para o Enem, e receber orientação profissional para saber o que é projeto de vida, quais são os cursos que cada universidade pública oferece e qual o perfil de profissional, entre outros assuntos.

Um homem ficou ferido, na manhã deste domingo (4), após perder o controle do veículo que dirigia, em Feira de Santana, e bater em um poste de energia, derrubando o equipamento. O fato ocorreu na Rua Newton Vieira Rique, no bairro São João, rua da antiga Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), próximo ao Boulevard Shopping.
De acordo com o sobrinho da vítima, em entrevista ao Acorda Cidade, o tio sofreu ferimentos na cabeça e na região do tórax. O veículo, modelo Fox vermelho, que ficou praticamente todo destruído, girou na via, subindo na calçada, provocando uma forte pancada do lado do motorista.

“Ele estava vindo do trabalho, perdeu o controle, infelizmente acabou batendo em um poste e ficou preso entre as ferragens”, contou o sobrinho à reportagem.
Ainda conforme o entrevistado, o tio, que trabalha como separador em uma fábrica, estava sozinho na hora do acidente e pode ter cochilado ao volante, devido ao turno de trabalho.
“O acidente foi por volta das 7h. Um vizinho da gente estava vindo atrás dele e disse que ele estava devagar e do nada, acho que o sono deve ter pegado ele, se chocou com o poste”, relatou.
O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi acionado e prestou socorro à vítima, encaminhando-a para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA). “Ele está no Clériston e recebi a informação de que está bem”, disse o sobrinho.
Cerca de meia hora após o acidente, prepostos da Neonergia Coelba estiveram no local e tiveram que interromper temporariamente o fornecimento de energia na região, para realizarem a remoção do poste.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.
Há uma década, um movimento iniciado por um grupo de jovens insatisfeitos com o aumento da passagem de ônibus fez o Brasil explodir em protestos. A insatisfação deixou cicatrizes e ainda causa consequências na política nacional.
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Foto: arte g1

Junho de 2013: veja as imagens que marcaram os protestos
Começou com um protesto de jovens em São Paulo contra o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus, que entrou em vigor em 2 de junho de 2013. O movimento cresceu, ganhou adesão e repressão, repercutiu no estado e no Brasil. Pressionados, governadores e prefeitos reduziram as tarifas, mas elas já não eram a única pauta: a insatisfação se virou para os gastos com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, as denúncias de corrupção na política e o governo de Dilma Rousseff (PT).
CRONOLOGIA – Veja os principais acontecimentos de junho de 2013:
O mês de junho de 2013 — e o que aconteceu a partir de então — mudou o país para sempre: vieram, ano após ano, um descontentamento generalizado com a classe política, a Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma, a projeção nacional de Jair Bolsonaro (e do bolsonarismo como movimento político), a polarização e o fortalecimento da extrema direita no Brasil, entre outros aspectos.
O g1 ouviu especialistas, colunistas políticos — além de protagonistas daquele período — para analisar as consequências de junho de 2013 para o Brasil de 2023. O resultado você pode acompanhar em uma série de reportagens que serão publicadas a partir deste domingo (4). Entre elas:
“Junho de 2013 despertou uma inquietação social que ainda não acalmou, que ainda não se assentou”, diz Pablo Ortellado, coordenador do monitor do debate político digital, professor da Universidade de São Paulo (USP) e colunista do jornal “O Globo”.
“É um terremoto político, mas despertou uma inquietação tão grande que foi se repetindo, a gente teve mobilizações muito grandes a partir de junho que não conseguimos imaginar possíveis antes”.
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Primeira página do g1 em 6 de junho de 2013 — Foto: Reprodução

Andréia Sadi: ‘2013 mostrou que política é da conta de todo mundo’
“Foi o começo de uma série de inquietações que de fato não eram só pelos 20 centavos, era em relação à saúde, educação, à corrupção. Acabou desaguando em outras indignações e cobranças que a gente viu depois nas eleições, de movimentos contra o sistema de política, contra ‘tudo isso que estava aí’.”
“E o candidato que melhor soube aproveitar aquele momento surfou naquela onda que foi Bolsonaro, acho que acabou desaguando em Bolsonaro, que era um político com 30 anos de Câmara [dos Deputados].”

Julia Duailibi: ‘2013 contribuiu para o que foi 8 de janeiro’
“2013 é marcado pela volta das pessoas às ruas. As pessoas passam a fazer manifestações, algo que não se via desde talvez as Diretas Já. Tinha um elemento único, que era um elemento de insatisfação, que unia tudo: insatisfação com a política, com a economia, com o Estado —inclusive internacional, não só no Brasil.”
“É claro que 2013 foi um elemento fundamental também para a queda de Dilma, para o impeachment. Ela representava o governo de ocasião, então grande parte das críticas se volta a ela. O governo passava por uma crise política, uma crise econômica, tinha Lava Jato ainda como um elemento importante.”
“Então as ruas, as manifestações contribuem para a queda de Dilma. E mais, 2013 contribui para o que foi 8 de janeiro. Talvez se não tivesse acontecido junho de 2013, não tivesse acontecido a tentativa.”
Natuza Nery: ‘Política brasileira se tornou imprevisível a partir de 2013’
“A partir das manifestações de junho de 2013 a política brasileira daria cambalhotas – tantas – que passaria a se tornar algo muito imprevisível. A análise política, no Brasil, era de uma forma antes das manifestações de junho de 2013 e ela virou uma outra coisa. Ali havia ventos de mudança muito contundentes.”
“Uma parte da política conseguiu ler aqueles ventos de mudanças, a esquerda não tinha mais a primazia das ruas, a direita tomava conta dessas ruas, criava-se ali um ambiente muito, muito contrário à política tradicional.”
“A Lava Jato transformaria a cara da política eleitoral brasileira. Uma presidente da República sofreria um processo de impeachment, como aconteceu com Dilma Rousseff. Uma ascensão da extrema-direita com o bolsonarismo, que acaba se beneficiado de um sopro lavajatista na sociedade brasileira. Então, junho de 2013 foi um marco na história do Brasil e um marco na política brasileira.”
Informações G1

Foi assassinado com vários tiros, por volta das 15h25 deste sábado (3), Mateus Pereira Santos, 27 anos. O crime aconteceu na Alameda 21, no Conjunto Cordeirópolis, no bairro Mangabeira, em Feira de Santana.
Os tiros atingiram cabeça, tórax e braço da vítima, que caminhava pela rua, quando três homens chegaram de bicicleta e um deles atirou.
De acordo com o delegado Alisson Carvalho, que presidiu o levantamento cadavérico, já foram identificadas algumas testemunhas na cena do crime.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.

O Sistema de Reconhecimento de Placas Veiculares da SSP flagrou na noite de sexta-feira (2), um assaltante pilotando uma motocicleta roubada. Equipes do Centro Integrado de Comunicações (Cicom) acionaram PMs que capturaram o criminoso.
O veículo passou por um dos pontos monitorados por câmeras da SSP, quando o sistema gerou um alerta na tela do Cicom. Rapidamente guarnições da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Pirajá) foram acionadas e interceptaram a motocicleta modelo XRE.
O criminoso foi apresentado na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV). “São 650 milhões de reais investidos nos sistemas de Reconhecimento Facial e de Placas. Nosso objetivo é utilizar a tecnologia no combate da criminalidade”, destacou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.

Foto: Reprodução/UOL.
Numa lanchonete no centro de São Paulo, a repórter conversa com um homem de meia-idade enquanto ele pede uma coxinha ao balconista. É hora do almoço. A câmera mostra o prato, depois abre para a estufa cheia de salgados, e então foca o entrevistado. Ele ouve atentamente a pergunta. Está difícil comer arroz e feijão no almoço? Ele consente com a cabeça e diz que até o PF, o famoso prato-feito, está pesando no bolso. “Só tenho dinheiro para a coxinha; é o melhor custo-benefício”, ele justifica.
A situação não é diferente para uma parte significativa dos moradores e moradoras de São Paulo. Falta dinheiro para colocar itens básicos no prato, e falta também para as despesas com moradia, para comprar remédio, roupas, para a passagem do ônibus. Na realidade indigesta da cidade mais populosa do país, para muita gente não há espaço nem para o lazer. O orçamento não dá margem para diversão.
A última pesquisa Viver em SP: Pobreza e Renda, lançada recentemente pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ipec, ajuda a entender melhor esse contexto.
O levantamento mostra que mais pessoas dizem que a própria renda se manteve estável no último ano. Seria uma boa notícia, se o percentual de quem percebe uma redução dos rendimentos não atingisse uma parcela expressiva da população total (31%), número que sobe para 45% se considerarmos apenas a classe DE.
Não por acaso, 4 em cada 10 moradores da cidade tiveram de recorrer a atividades extras para complementar a renda. É muita gente. Em números equivalentes, isso quer dizer que mais de 4,3 milhões de pessoas precisaram fazer “bicos” para pagar as contas no fim do mês. Serviços gerais como faxina, reformas, manutenção e jardinagem são os mais citados, mas a lista é bem mais ampla. Alguns vendem roupas ou artigos usados, outros fazem bijuterias e artesanato, trabalham como cuidadores de crianças ou idosos, atuam como segurança e tem ainda quem hospede animais de estimação para fazer um extra.
Para quem precisa contar trocados para tentar garantir o básico, substituir o arroz com feijão pela coxinha pode fazer muita diferença. A alimentação é o item que mais impacta o orçamento doméstico, segundo a pesquisa da Nossa São Paulo –cerca de 86% dos entrevistados mencionam esse tipo de gasto entre os que mais consomem a renda mensal.
Isso significa, entre outras coisas, que a população percebe o quanto uma compra de mercado pesa no bolso. E não é pouco. Basta observar os itens que deixaram de ser consumidos ou tiveram o consumo reduzido no último ano. Olha só: 54% dos entrevistados dizem que o consumo de carne diminuiu (incluindo os cortes de porco, frango, aves etc.) e outros 9% deixaram de comprar esses insumos. Somados, os números representam quase dois terços da população.
Há outros alimentos que também sumiram da mesa das pessoas. Metade dos paulistanos cortou ou diminuiu o consumo de leite, queijo e iogurte. Na classe DE, 1 em cada 5 entrevistados cortou até o arroz e o feijão. Nesse contexto, comer coxinha parece um luxo.
Nas prateleiras esvaziadas da população, até o que poderia ser uma boa notícia esconde um problema com sérias consequências nutricionais. O consumo de ovos aumentou para 22% das pessoas e se manteve estável para 62% dos respondentes –dentre os insumos analisados na pesquisa, esse é o tipo de alimento que teve o maior aumento no consumo.
Olhando para os outros dados, no entanto, é fácil concluir que a população substituiu sua fonte de proteína para aliviar as contas e deixou de colocar no prato itens importantes para uma alimentação adequada no dia a dia. E, assim, até o arroz com feijão, tão presente e tão ligado à cultura do brasileiro, virou moeda de troca para as pessoas de baixa renda.
Mesmo quem consegue manter a geladeira minimamente abastecida percebe a situação de fome e pobreza na cidade. A pesquisa da Nossa São Paulo mostra que 80% acham que aumentou o número de pessoas em situação de rua no último ano. O desemprego é apontado pela maioria dos entrevistados (84% do total de menções) como um dos principais motivos para o crescimento dessa população, seguido pelo alto custo de vida na cidade (66%) e pela elevação do preço dos aluguéis (56%).
Como todo problema causado por múltiplos fatores (econômicos, sociais, históricos, culturais, estruturais), a solução para essas questões é bastante complexa. Não será no curto prazo nem em um único mandato que deixaremos de ver a pobreza e a miséria tão expostas nas ruas da cidade. Uma única ação não irá resolver o problema. Mas é preciso enfrentá-lo.
O primeiro passo é dar a devida prioridade ao tema e estabelecer um conjunto de iniciativas e políticas que, de forma integrada, em diversas áreas, encaminhem as soluções. Elas existem, e a população também sabe disso. Políticas de moradia, por exemplo, aparecem entre as primeiras menções sobre o que pode ser feito para tirar as pessoas das ruas. Geração de emprego, garantia de uma renda mínima e capacitação profissional estão entre as principais medidas a serem adotadas para melhorar o rendimento mensal, na opinião dos entrevistados.
Uma questão tão sensível para os próprios moradores da cidade, como também evidenciou a pesquisa, não pode ser colocada em segundo plano pelo poder público. As pessoas percebem a pobreza ao redor, embora com frequência isso apareça na forma de preconceito. E aqui cabe o entendimento de que ter comida no prato e um teto para morar não é básico, é pouco. É preciso muito mais para resolver o maior problema de uma cidade tão desigual como São Paulo. Assistência social é fundamental, mas a solução também passa por outras áreas de atuação da administração pública. Priorizar o enfrentamento da pobreza na hora de definir os investimentos e o orçamento municipal já seria um bom começo. Mas só o começo.
Créditos: Folha de S. Paulo.
Concebido em meio à Guerra Fria, o Tupolev Tu-144 voou antes mesmo do famoso Concorde. Mas uma carreira de mistérios, problemas operacionais e até suspeitas de espionagem levaram o modelo, apelidado de ‘Concorski’, ao esquecimento.
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Tupolev Tu-144, apelidado de ‘Concordski’, com as bandeiras da Rússia e dos EUA pintadas na cauda, é exibido em aeroporto em Moscou, em 17 de março de 1996 — Foto: AP/Arquivo
No dia 31 de dezembro de 1968, em um aeroporto nos arredores de Moscou, um grupo de engenheiros soviéticos estava em êxtase: pela primeira vez, um avião de passageiros mais rápido que a velocidade do som havia saído do chão. Eles haviam largado à frente no que imaginavam ser a próxima fronteira da aviação.
Essa aeronave era o que de mais moderno havia em seu tempo. Alguns de seus feitos jamais foram superados – e, no entanto, o Tupolev Tu-144 fez pouco mais de 100 voos oficiais antes de ser aposentado, caindo no esquecimento em seguida.
Por que uma das máquinas mais pioneiras da história é tão desconhecida? E por que ela provou ser um fracasso retumbante?
A história do Tu-144 se mistura com a da Guerra Fria e envolve suspeitas de espionagem, propaganda e mistérios até hoje não esclarecidos.
“A gente pode afirmar que o Tu-144 foi usado como uma tremenda de uma ferramenta de propaganda”, define o consultor em aviação Gianfranco Beting.
Nos anos 1960, havia uma disputa entre a União Soviética e as potências ocidentais pela supremacia tecnológica. Enquanto EUA e Moscou tomavam a frente na corrida espacial em direção à conquista da Lua, engenheiros também desenvolviam aviões de passageiros maiores e mais velozes.
“Havia duas correntes de pensamento”, afirma Beting. “Uma que apontava para o incremento da velocidade, enquanto outra dizia que o futuro estava no incremento de tamanho [dos aviões].”
Os EUA tentaram, mas fracassaram em criar um avião de passageiros mais rápido que o som. Na Europa, as empresas British Aircraft Corporation e a francesa Sud Aviation uniram esforços para desenvolver o que seria o Concorde.
No bloco soviético, os engenheiros da Tupolev tomaram as rédeas do projeto – e, para a surpresa dos ocidentais, conseguiram fazer um protótipo levantar voo cerca de dois meses antes dos europeus. A semelhança motivou o apelido jocoso do modelo: ‘Concordski’.
O sucesso até hoje motiva debates sobre o possível roubo de informações do projeto do Concorde por espiões russos – algo que Beting, autor de diversos livros sobre aviação, contesta.
“Até por uma questão de guerra mesmo, de propaganda entre nações, foi muito conveniente dizer que o Tupolev 144 era uma cópia do Concorde”, ele diz.
“Mas quando a gente analisa os projetos de perto, a gente vê que não é bem assim. O 144 era mais rápido, maior, tinha uma série de soluções de engenharia muito diferentes”, explica Beting, apontando para pontos cruciais, como a posição dos motores na asa.
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Tupolev Tu-144 é exibido nas cores da Aeroflot à frente de Concorde, da Air France, em museu na Alemanha — Foto: Daniel Maurer/AP/Arquivo
Em 1970, ainda em fase de testes, o Tu-144 se tornou o primeiro avião de passageiros a superar Mach 2 – ou seja, duas vezes a velocidade do som (para fins de comparação, isso seria o equivalente a quase 2.500 km/h a nível do mar). Atualmente, um avião em velocidade de cruzeiro raramente ultrapassa os 1.000 km/h.
Os avanços no projeto do Tupolev, porém, escondiam uma série de problemas que iriam se tornar fatais mais adiante.
Para Beting, as inovações de um avião supersônico estavam muito à frente das capacidades tecnológicas e industriais da União Soviética na época. A vontade política de mostrar pioneirismo fez com que o Tupolev levantasse voo com um desenho menos refinado e motores mais “beberrões” que o Concorde. Até a qualidade da borracha soviética impedia que um trem de pouso mais leve fosse instalado, por exemplo.
Para a opinião pública, a defasagem do Tupolev foi atestada com uma tragédia durante um voo de exibição em frente aos olhos do Ocidente.
Durante o Paris Air Show de 1973, no aeroporto francês de Le Bourget, Concorde e Tupolev ficaram lado a lado. Nenhum deles havia entrado em operação regular, mas a expectativa era grande no setor.
No dia 3 de junho – há exatos 50 anos -, pouco após a demonstração do Concorde, o Tupolev Tu-144 decolou, fez um rasante sobre a pista e, em seguida, entrou em uma série manobras bruscas, que fizeram a aeronave se desintegrar em pleno ar.
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Vilarejo de Goussainville, na França, em meio a escombros após a queda do Tupolev Tu-144, em 1973 — Foto: Michel Lipchitz/gk/AP/Arquivo
Todos os seis ocupantes morreram, além de outras oito pessoas em solo, no vilarejo de Goussainville.
Nem as autoridades francesas, nem as soviéticas foram completamente transparentes quanto à fatalidade. Especula-se que a França tenha posicionado um caça Mirage para voar perto do Tupolev – possivelmente para coletar informações do projeto, resultando em manobras evasivas do piloto russo.
“Isso é uma questão muito difundida. O fato é que foram excedidos os limites estruturais do avião, levando à ruptura da asa. Isso está filmado, muita gente viu, muita gente testemunhou o acidente”, conta Gianfranco Beting.
Uma vez em operação, também antes do Concorde, os pontos fracos do Tu-144 ficaram claros até para as autoridades soviéticas e os operadores da aeronave.
O risco era tal que, antes de levar passageiros, o primeiro avião comercial supersônico do mundo passou anos levando somente carga e correspondência entre Moscou e a cidade de Almaty, que fica no atual Cazaquistão. A rota, inclusive, foi a única em que o modelo operou em toda a sua vida útil.
Para Beting, “o 144 foi sendo produzido e testado num ritmo alucinante em relação ao desenvolvimento tecnológico. Muita coisa ficou pelo caminho e, quando o avião ficou pronto pra voar, ele começou a mostrar uma série de problemas”.
Segundo o pesquisador, foram feitos somente 55 voos com passageiros entre 1977 e 78. Contando os voos de carga, foram 103 no total: “Um projeto completamente fracassado, sob vários aspectos”.
“Isso é uma coisa incrível”, completa. “Foram 181 horas voadas e, dentro delas, foram registradas 226 falhas – oitenta delas em voo. Isso é o que está, pelo menos, guardado nos livros. Esse número pode ser ainda maior.”
Isso é o suficiente, segundo Beting, para colocar o Tu-144 no topo da lista de aviões de passageiros mais perigosos para se voar.
O voo supersônico não era nem ao menos agradável: a fricção do ar com a fuselagem criava um barulho ensurdecedor dentro da cabine. Passageiros relataram que não era possível sequer conversar com quem estava na poltrona do lado.
Depois de outros dois acidentes com mortos, o Tu-144 jamais voltou a ser usado na aviação civil. Ele conseguiu uma sobrevida como aeronave de teste no programa espacial soviético, nos anos 80 – e, por ironia, os americanos usaram o modelo para testes para um novo avião supersônico, na década seguinte. Mais uma vez, este acabou não saindo do papel.
Enquanto o Tupolev permanecia no chão, o Concorde permaneceu em operação até 2003, antes de ser aposentado por seus altos custos operacionais. Caso sirva de consolo para os engenheiros soviéticos, porém, ele não chegou nem perto de fazer o sucesso que se esperava.
“A despeito da qualidade dos projetos”, afirma Beting, “quando esses aviões estavam sendo projetados, o preço do petróleo era um, e quando entraram em serviço, era outro”.
Com o preço do combustível nas alturas e pressões de ambientalistas por conta do ruído e do gasto energético, a operação do Concorde também ficou muito restrita. Para que desse lucro para as empresas aéreas, os supersônicos tinham passagens caríssimas, e ficaram famosos por transportar magnatas e voos regados a champanhe – principalmente entre Londres e Nova York, num trecho que durava cerca de três horas.
Hoje, com o Concorde e o Tu-144 parados em museus, fica claro que estavam certos aqueles que, lá nos anos 1960, apostaram que o futuro estava nos grandes aviões de passageiros – mesmo que eles cruzem os céus um pouco mais devagar.
Informações G1

Foto: Reprodução/Diário do Poder
Entre convites para participação de audiência e requerimentos de convocação, a CPI do MST tem 135 pedidos para ouvir pessoas como ministros, líderes do MST, parlamentares, pecuaristas, policiais e até suposta testemunha de extorsão de membros dos sem-terra. Quem mais acumula pedidos é César Fernando Schiavon Aldrich, atual presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra.
Só para convocar o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, há seis requerimentos e outros cinco para o chefão João Pedro Stédile.
A fila de oitiva da CPI tem sete ministros, incluindo os titulares de Povos Indígenas, Justiça, Agricultura, Trabalho, Educação e Casa Civil.
A especulada ida à comissão de Ricardo Lewandowski, aposentado do STF, com pedido de convocação, é improvável. Nem convite.
A comissão tem 37 convites, quando a pessoa não é obrigada a comparecer, e 98 convocações, quando não há escolha, tem que ir.
Créditos: Diário do Poder.