Assessoria Especial da Presidência chamou a decisão de “pretexto para intervenção”
Celso Amorim e Lula Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, reagiu em nota, nesta quinta-feira (28), à classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos. Segundo Amorim, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana no Brasil.
— Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. O crime organizado é um mal que tem que ser combatido. A cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável — afirmou Amorim, em nota.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que o país está designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão passará a valer a partir do dia 5 de junho.
— O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas — escreveu Rubio em comunicado oficial.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é contrário à medida. O presidente brasileiro se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 7 de maio, na intenção de desarmar essa e outras medidas americanas que impactariam o Brasil.
Nesta terça-feira (26), porém, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com Trump e, segundo ele, pediu ao presidente americano a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. A medida do Departamento de Estado ocorre dois dias após o encontro.
Leia a íntegra do comunicado dos EUA sobre CV e PCC: Hoje, o Departamento de Estado dos EUA está designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com vigência a partir de 5 de junho de 2026.
O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país.
O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos. A ação tomada hoje pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano.
As medidas tomadas hoje estão em conformidade com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224. As designações de Organizações de Transporte Estrangeiro (FTO, na sigla em inglês) entram em vigor após a publicação no Diário Oficial Federal (Federal Register).
Deputados estendem o benefício fiscal para automóveis, materiais de construção e equipamentos de som com impacto anual de R$ 1 bilhão
O alívio no caixa vai beneficiar asilos, creches, orfanatos, comunidades terapêuticas, conventos e seminários administrados pelas igrejas | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que isenta as igrejas de pagarem impostos sobre a compra de produtos e mercadorias. O texto obteve 385 votos a favor e 93 contra na primeira rodada, e 368 votos favoráveis contra 96 na etapa seguinte. A matéria segue agora para a análise dos senadores.
O projeto estende o perdão fiscal para bens de consumo usados no dia a dia e na manutenção dos templos de qualquer religião. A mudança na lei vai permitir que líderes religiosos comprem tijolos, tintas, cimento, equipamentos de som e carros sem o embutimento de tributos governamentais. O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) assina a autoria da proposta.
Impacto bilionário nos cofres públicos
A renúncia fiscal vai tirar R$ 1 bilhão por ano da arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais., segundo o relator da PEC, deputado Fernando Máximo (PL-RO). A lei atual já proibia a cobrança de Imposto de Renda, Imposto Predial e Territorial Urbano, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre os prédios e os ganhos diretos das congregações.
A nova regra também zera a taxação sobre serviços e insumos destinados aos projetos sociais vinculados às ordens religiosas. O alívio no caixa vai beneficiar asilos, creches, orfanatos, comunidades terapêuticas, conventos e seminários administrados pelas igrejas. Os defensores da medida argumentam que as entidades realizam tarefas de amparo que deveriam ser feitas pelo Estado.
Partidos de esquerda tentaram barrar o texto
Os parlamentares do PT, PCdoB, PV, Psol e Rede uniram as bancadas para tentar derrubar a proposta no plenário. Os opositores criticaram o perdão total e afirmaram que a emenda cria privilégios inexplicáveis para o setor. O grupo de esquerda cobrou a inclusão de travas contrárias a fraudes e reclamou da ausência de regras severas de fiscalização e transparência sobre o destino final dos produtos adquiridos sem imposto.
Os líderes partidários desengavetaram a votação depois de mais de um ano de paralisação dos debates na comissão especial da Câmara. Os articuladores da bancada evangélica fecharam o acordo com o governo para acelerar a aprovação do texto antes do recesso.
Um funkeiro comentou sobre o suposto plano durante uma entrevista em um podcast
Deolane Bezerra e Flávio Bolsonaro Foto: Andressa Anholete/Agência Senado | Leo Franco/AgNews
A Polícia Legislativa do Senado registrou um boletim de ocorrência após ter acesso a um vídeo onde o MC Misa afirma que a advogada Deolane Bezerra estaria envolvida em um suposto plano de atentado contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso passou a ser apurado pelas autoridades da Casa.
Segundo o documento obtido pela revista Veja, as declarações foram feitas durante entrevista ao canal Frank Clips, exibida no TikTok e no YouTube. No vídeo anexado ao pedido de investigação, o funkeiro cita Deolane e outras pessoas como participantes do suposto plano.
– Inclusive, o atentado agora que o filho do Bolsonaro vai sofrer, que foi articulado com Marcelinho e com a Deolane, Deolane articulou um atentado agora pro filho do Bolsonaro. Então são situações que a gente, o mundo do funk, sabe tudo. A gente sabe o que tá acontecendo – disse MC Misa.
Durante a entrevista, o apresentador Frank, que se apresenta como “ex-PCC” nas redes sociais, afirmou que a responsabilidade da denúncia era exclusivamente do entrevistado e não representava a posição do canal.
Na sequência, MC Misa declarou que o suposto atentado estaria relacionado à possível eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Segundo o funkeiro, haveria preocupação entre pessoas ligadas à esquerda e também próximas de Deolane.
MC ainda afirmou que os envolvidos não seriam criminosos, mas pessoas ligadas à política.
– O que eu falo é que as pessoas que estão envolvidas nesse atentado não são nem criminosos. É político. Pessoas que têm ligação com a Deolane, e ela mapeia essa situação e ela faz acontecer. Porque sabem que se o Flávio Bolsonaro ganhar, vai afetar muito nos trâmites dela. Então daria pra acontecer, porém eu já tô falando agora, um atentado contra o Flávio Bolsonaro – afirmou.
Misa diz que essa informação circulava no “mundo do funk”, mas que ele não iria “caguetar” ninguém.
Deolane Bezerra está presa preventivamente desde 21 de maio, em São Paulo, acusada de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), investigado na Operação Vérnix.
Medida amplia poder de sanções financeiras, pressão sobre bancos, cooperação internacional e investigações contra facções brasileiras
Donald Trump durante uma reunião no gabinete da Casa Branca, em Washington, DC – 27/5/2026 | Foto: Evan Vucci/Reuters
O governo dos Estados Unidos passou a ter instrumentos legais mais amplos para atingir financeiramente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), depois da decisão de classificar as duas facções como organizações terroristas estrangeiras.
Os norte-americanos anunciaram a decisão nesta quinta-feira, 28, por meio do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A medida enquadra os grupos brasileiros em duas categorias do sistema antiterrorismo dos EUA: “Foreign Terrorist Organizations” (FTOs) e “Specially Designated Global Terrorists” (SDGTs).
A decisão permite aos norte-americanos ampliar sanções financeiras, restrições migratórias, investigações internacionais e ações contra pessoas, empresas e operadores suspeitos de ligação com as facções.
As medidas têm base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e na Ordem Executiva 13224, criada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.
Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated…— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) May 28, 2026
Entenda como os EUA podem agir
A classificação como FTO autoriza Washington a criminalizar apoio material às organizações. O conceito é amplo no Direito dos EUA e inclui financiamento, logística, treinamento, serviços, tecnologia, transporte e intermediação financeira. Isso significa que empresas, operadores financeiros, doleiros, fornecedores e até bancos podem entrar no radar das autoridades norte-americanas caso sejam suspeitos de facilitar operações ligadas ao PCC ou ao Comando Vermelho.
O anúncio ocorreu em meio à articulação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em Washington. Dois dias antes da decisão, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com Donald Trump na Casa Branca e afirmou ter pedido ao presidente norte-americano a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Flávio participou da agenda ao lado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do empresário Paulo Figueiredo. De acordo com o trio, integrantes do Departamento de Estado já haviam amadurecido a possibilidade de classificar as facções criminosas brasileiras como terroristas.
A Ordem Executiva 13224 amplia o alcance financeiro das sanções. Com a aplicação dessa norma, o governo norte-americano pode bloquear ativos sob jurisdição dos EUA, impedir transações em dólar e pressionar instituições financeiras internacionais a interromper relações com pessoas e empresas associadas às facções.
Mesmo operações fora dos EUA podem ser afetadas. Isso ocorre porque parte relevante do sistema financeiro internacional depende de bancos norte-americanos ou de transações em dólar, o que amplia o alcance das sanções de Washington.
Em linhas gerais, essa medida cria um ambiente de pressão econômica e jurídica que pode atingir redes de lavagem de dinheiro operadas pelas facções fora do Brasil. Além das restrições financeiras, Washington passa a ter mais margem para cooperação internacional em investigações sobre narcotráfico, movimentações bancárias e crimes transnacionais ligados às organizações brasileiras.
A designação também permite restrições migratórias mais duras. Integrantes das facções, suspeitos de colaboração ou pessoas acusadas de prestar apoio material aos grupos podem ser impedidos de entrar nos EUA ou deportados.
O comunicado do Departamento de Estado afirma que PCC e Comando Vermelho representam ameaça transnacional e mantêm redes criminosas além das fronteiras brasileiras. De acordo com o governo norte-americano, as facções participaram de ataques contra autoridades públicas, policiais e civis no Brasil.
EUA aumentam pressão sobre a América Latina
A decisão do governo norte-americano aumenta a pressão diplomática sobre países da América Latina para ampliar cooperação contra as organizações criminosas. Antes dos EUA, Argentina e Paraguai já haviam classificado PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas ou narcoterroristas.
Apesar do endurecimento, a classificação não autoriza automaticamente ações militares norte-americanas em território brasileiro. Qualquer operação desse tipo dependeria de outras bases legais, acordos diplomáticos e autorização política específica.
A designação também não transfere aos EUA competência direta sobre investigações conduzidas pela Justiça brasileira. O principal efeito imediato está na ampliação dos mecanismos financeiros, econômicos e de Inteligência disponíveis ao governo norte-americano.
Os efeitos jurídicos da decisão começam oficialmente em 5 de junho, depois da publicação da medida no Federal Register, o Diário Oficial do governo federal dos EUA.
Proposta que reduz jornada semanal de 44 para 40 horas avança ao Senado
Plenário da Câmara durante discussão da PEC da Escala 6×1 | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 27, em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e abre caminho para o fim da escala 6×1. A proposta recebeu amplo apoio no plenário e seguirá agora para análise do Senado.
No primeiro turno, o texto foi aprovado por 472 votos favoráveis e 22 contrários. Houve ainda 18 ausências e uma obstrução. Já no segundo turno, a PEC obteve 461 votos a favor e 19 contra, com 33 deputados ausentes.
Mais cedo, a proposta também passou pela comissão especial da Câmara. O parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), foi aprovado por 34 votos a 4. A discussão do texto na Casa durou menos de um mês.
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cumprimenta o relator da PEC do Fim da Escala 6×1, deputado Léo Prates (Republicanos-BA); votação ocorreu na noite desta quarta-feira, 27 | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Apenas parlamentares do PL e do Novo votaram contra. Os deputados ainda rejeitaram um destaque apresentado pelo PL que tentava alterar o período de transição para a adoção da escala 5×2.
Todos os 65 deputados do PT votaram favoravelmente à proposta nos dois turnos.
A PEC estabelece um período de transição de até 14 meses para a redução da carga horária semanal. O texto também prevê mudanças graduais na adoção da escala 5×2.
Votação da PEC do Fim da Escala 6×1 na Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Como foi a votação da PEC da Escala 6×1 no 1º turno
Por se tratar de uma emenda à Constituição, a votação ocorre em dois turnos
Plenário da Câmara durante discussão da PEC da Escala 6×1 | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a PEC do Fim da Escala 6×1. Ao todo, foram 472 deputados favoráveis e 22 contrários. A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno antes de ser encaminhada ao Senado Federal.
Na comissão especial, a proposta foi aprovada com 34 votos favoráveis e 4 contrários. Já era esperado que o presidente da Câmara, Hugo Motta(Republicanos-PB), pautasse a análise da emenda no plenário ainda nesta quarta-feira, 27.
Votação da PEC do Fim da Escala 6×1 na Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Motta anunciou no início da semana um acordo com o governo sobre o texto da PEC da Escala 6×1, e a estipulação da aprovação da proposta em plenário nesta semana, “em comemoração ao mês do trabalhador”. Para isso, o presidente precisou convocar, ao longo do último mês, sessões extras para conseguir acelerar a tramitação da matéria.
A proposta altera o artigo 7º da Constituição, estabelecendo a redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, com transição gradual de 14 meses e sem redução salarial. A matéria também estabelece uma escala 5×2, ou seja, cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Período de transição e acordos
Além disso, a PEC determina que, durante o período de transição, acordos e convenções coletivas poderão autorizar ampliação da jornada diária para redistribuir as horas ao longo da semana, desde que sejam respeitados os dois dias de descanso semanal.
Trechos da PEC da Escala 6×1 determinam:
“Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.”
“Dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos.”
“Excepcionalmente, convenção ou acordo coletivo de trabalho poderão, inclusive para os trabalhadores sujeitos a regimes diferenciados de trabalho estabelecidos em lei ou norma regulamentadora, estabelecer regime compensatório que assegure, na média, dois dias de repouso semanal remunerado dentro do mês-calendário, garantido o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho.”
Outro ponto do parecer cria uma regra específica para empregados considerados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de nível superior e salário equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS.
Para esse grupo, deixam de valer as regras de controle de jornada e duração do trabalho, salvo previsão em acordo coletivo ou decisão do empregador. Ainda assim, os dois dias de repouso semanal permanecem obrigatórios. A exceção não valerá para servidores e empregados públicos.
Nos contratos terceirizados da administração pública, a aplicação das novas regras dependerá de aditivos contratuais para recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. O governo terá até 12 meses para fazer essa adequação. Caso isso não ocorra, os trabalhadores passarão automaticamente a ser alcançados pelas novas regras ao fim desse prazo, sem redução salarial.
Deputado defende remuneração por horas trabalhadas
Nikolas Ferreira Fotos: Reprodução
Nesta terça-feira (26), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo nas redes sociais em que criticou a PEC que prevê o fim da escala 6×1. A proposta será analisada nesta quarta-feira (27) na Câmara dos Deputados, após acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Embora tenha afirmado que não é contra a redução da jornada de trabalho, Nikolas acusou a esquerda de usar o tema de forma eleitoral. Segundo ele, o debate deveria incluir fatores como inflação, carga tributária, segurança pública e geração de empregos.
– O trabalhador tem que ter tempo pra saúde, pra lazer, pra cuidar da sua família, pra ter um tempo de fé, pra poder ir pra igreja. Agora, meu ponto sempre foi discutir isso de maneira séria e não populista – disse.
O parlamentar também afirmou que o governo do PT não resolveu o problema durante os anos em que esteve no poder e questionou a viabilidade econômica da proposta.
– Depois da picanha não dá pra cair nessas coisas mais. Enxerga o que está acontecendo? – declarou.
Durante o vídeo, Nikolas criticou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma das autoras das PECs que estão em discussão, e destacou entrevistas em que ela admitiu não ter um estudo específico sobre os impactos econômicos da medida.
O deputado ainda rebateu acusações de que teria apoiado o aumento da jornada semanal para 52 horas. Segundo ele, a emenda apenas estabelecia um limite de até 12 horas extras para quem optasse por realizá-las.
Um dos pontos mais destacados por Nikolas foi o fato de a proposta não atingir servidores públicos. Para ele, isso demonstraria uma contradição dos defensores da PEC.
– Não sei se você sabe, mas eles tiraram o servidor público do fim da escala 6×1. Ou seja, sabendo que vai ter impactos econômicos, eles deixaram isso só pro setor privado. Mas pro setor público, né? Aí não. Vamos manter do jeito que tá, que senão vai quebrar o setor público, né? Bicho, é muita cara de pau – afirmou.
Como alternativa, o parlamentar defendeu um modelo baseado em 40 horas semanais com maior flexibilidade para distribuição da carga horária. Ele também disse que a oposição poderá apoiar uma escala 4×3 para expor, segundo ele, os efeitos econômicos da proposta antes das eleições.
– Se só na dor o brasileiro aprende, então que assim seja. Eu não tenho medo de dizer a verdade. Eu não tenho medo de escancarar o jogo sujo que a esquerda faz pra cima da gente – declarou.
A proposta será apresentada com destaque de preferência
Deputados Sóstenes Cavalcante Foto: reprodução/Cãmara dos Deputados (melhorada com IA)
O líder da bancada do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, anunciou que o partido apresentará uma emenda para propor a escala de trabalho 4×3. A proposta será levada à votação nesta quarta-feira (27), ampliando o debate sobre o fim da jornada 6×1.
A proposta será apresentada com destaque de preferência pelo PL, a comissão terá então que avaliar o modelo antes da proposta inicial da escala 5×2, proposta pelo atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o parlamentar, a decisão ocorreu após reunião com a bancada. O deputado afirmou que a sigla defende uma mudança imediata na lei trabalhista para permitir que o trabalhador atue quatro dias e descanse três, com aplicação logo após a aprovação da medida.
Em pronunciamento, Cavalcante fez um apelo público para que partidos de esquerda, como o PT e o PSOL, votem junto com o PL. O congressista declarou que a oposição quer testar o apoio da base governista a uma redução de jornada ainda mais drástica para o país.
— Como nós estamos contra governo, que gosta de mentir, de maquiar, de enganar e, além disso, de roubar a esperança dos brasileiros, nós tomamos a decisão de amanhã, na hora da votação, nós vamos apresentar destaque de preferência para votarmos a escala 4×3, porque nós somos a favor do trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar na sua família e não somos hipócritas e oportunistas como este governo — afirmou.
O anúncio da emenda surge logo após o deputado Marcon pedir vista do relatório final na comissão especial da Câmara. O parecer sobre a jornada de trabalho foi apresentado pelo relator Leo Prates e a votação do texto principal estava prevista para esta semana.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), planeja focar na pauta da segurança pública em seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O entendimento é de que o tema é uma das principais preocupações dos brasileiros nesta eleição e uma das maiores fragilidades do governo Lula (PT).
Segundo informações da colunista da CNN Jussara Soares, a ideia da pré-campanha de Flávio é se contrapor ao petista nessa questão, especialmente no debate sobre classificar facções brasileiras como terroristas. O parlamentar visa reforçar que está alinhado aos planos dos EUA envolvendo o endurecimento do combate a essas organizações criminosas.
Outra pauta que Flávio pretende se posicionar em contrariedade a Lula é na defesa da liberdade de expressão em meio ao debate sobre a regulação das redes sociais.
Especialistas contatados pelo senador também afirmaram que ele deve defender o aumento do comércio entre Brasil e EUA, e a parceria na exploração de terras raras e minerais críticos.
Aliados destacam, contudo, que o congressista pretende se mostrar mais disposto a ouvir do que falar. Ele segue nos EUA no aguardo da reunião, proposta pelo próprio presidente Trump.
Investigação apura transferências feitas pelo Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master
A Polícia Federal ((PF) realizou, nesta terça-feira (26), uma operação que tem como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A investigação apura transferências feitas pelo Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master, em movimentações que podem ter alcançado cerca de R$ 3 bilhões. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Globo.
Suspeitas envolvem aposentadorias e fundos estaduais
Segundo a PF, parte dos recursos investigados saiu do Rioprevidência, órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores estaduais, além da Cedae. As apurações indicam que os investimentos começaram após mudanças na política financeira do instituto, permitindo aplicações em papéis ligados ao Banco Master entre 2023 e 2024.
PF aponta possível esquema financeiro irregular
A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que analisa suspeitas de fraudes financeiras, ocultação de patrimônio e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Os investigadores também apuram a criação de fundos considerados fictícios para ampliar artificialmente o valor da instituição financeira e esconder a origem dos recursos movimentados.
Ex-dirigente do Rioprevidência já havia sido preso
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso em fevereiro deste ano, é apontado como responsável por autorizar alterações que permitiram os aportes milionários. A defesa nega irregularidades. Paralelamente, o Ministério Público do Rio entrou com ação para responsabilizar dirigentes do órgão por um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão relacionado aos investimentos feitos no Banco Master.
Cláudio Castro também é citado em outra investigação
Além da nova operação, Cláudio Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, conduzida pela PF em maio deste ano. A ação investigava suspeitas de irregularidades no setor de combustíveis envolvendo empresas do grupo Refit, controlador da Refinaria de Manguinhos. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em bens e ativos financeiros das empresas investigadas.