O deputado Mário Frias (PL-SP) negou nesta segunda-feira (25) ter enviado emendas parlamentares para financiar a produtora responsável pelas gravações da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apontado como produtor executivo do filme, Frias é alvo de uma apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. A organização não governamental (ONG) é ligada à produtora audiovisual Go Up Enterteinment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, que ainda não foi lançado e retrata a trajetória política do ex-presidente.
Em manifestação enviada ao ministro Flávio Dino, relator do caso, Frias disse que a suspeita de desvio é “falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”.
Segundo o parlamentar, suas emendas foram direcionadas para financiar projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.
“Não há, nos autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica. A alegação é puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que, segundo a denunciante, compartilham endereço, argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”, afirmou.
O caso chegou ao STF por meio de uma representação feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
O deputado também disse que um parecer da Câmara dos Deputados confirmou que não há irregularidades nas emendas.
“O advogado-chefe da Câmara dos Deputados, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, em manifestação oficial de 6 de abril de 2026, corroborou integralmente o entendimento da CONOF [Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara], afirmando que os procedimentos observaram integralmente a legislação de regência, não havendo qualquer vício formal ou material”, completou.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.
Levantamento aponta o atual mandatário na frente na primeira etapa da disputa e mostra o senador do PL colado no confronto direto
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/ Redes sociais
O instituto Nexus e o Banco BTG Pactual divulgaram um levantamento que aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. O petista registra 47% das intenções de voto no embate direto contra 43% do parlamentar. A diferença de quatro pontos percentuais deixa os dois concorrentes no limite da margem de erro da amostragem, que é de dois pontos.
Os pesquisadores ouviram 2.045 eleitores entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e recebeu o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04193/2026.
Cenários testados para o primeiro turno
O atual mandatário mantém o primeiro lugar nas duas simulações feitas para a primeira fase do pleito. Na primeira lista apresentada aos entrevistados, Lula soma 40% das respostas enquanto Flávio Bolsonaro obtém 35%. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece na terceira posição com 5%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. O ex-ministro Joaquim Barbosa (DC) pontua 2%. Augusto Cury (Avante) e Cabo Daciolo (Mobiliza) registram 1% cada um.
Na segunda opção de primeiro turno, sem as candidaturas de Cury e Daciolo, Lula oscila para 41% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro repete os mesmos 35% do cenário anterior. Caiado e Zema mantêm os índices de 5% e 4%, respectivamente. O ativista Renan Santos sobe para 4% e Joaquim Barbosa alcança 3% das menções dos eleitores.
Vantagem sobre outros nomes da oposição
A pesquisa simulou outras duas rodadas de segundo turno com a presença do atual ocupante do Palácio do Planalto. O petista amplia a distância e vence os demais concorrentes da direita e do centro. No teste contra Ronaldo Caiado, o chefe do Executivo atinge 46% contra 40% do político do PSD.
O resultado do atual presidente é maior no confronto direto contra o ex-governador de Minas Gerais. Lula alcança 49% das intenções de voto contra 38% de Romeu Zema. Os votos brancos, nulos ou a opção por nenhum candidato somam 12% contra Caiado e 11% no duelo com o representante do partido Novo.
Desempenho na modalidade de consulta espontânea
A sondagem mediu a lembrança dos nomes dos candidatos sem mostrar a cartela de opções. Lula é o mais citado no levantamento espontâneo com 36% das menções e Flávio Bolsonaro aparece com 26%. Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado empatam com 2% das respostas cada um.
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 1% das menções espontâneas dos entrevistados. O político do PL continua inelegível até o ano de 2030 devido à condenação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral por suposto abuso de poder político. O grupo de eleitores que declarou não saber em quem votar ou preferiu não responder ao questionário soma 26% nesta etapa.
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), participou neste sábado (23) da Feira Agropecuária e Agricultura Familiar de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. Durante a passagem pelo evento, ele visitou estandes, conversou com moradores, produtores e lideranças locais.
Ao circular pela feira e dialogar com as pessoas de toda a região, Neto teve recepção calorosa e destacou o sentimento de mudança. “Tivemos aqui a oportunidade de estar ao lado das pessoas, receber o carinho de toda a região. A gente percebe que há um sentimento hoje muito forte, que domina o coração dos baianos, que é o sentimento de mudança, essa esperança do futuro melhor, que está aqui no Mundo do Chapéu, que está toda a Chapada Diamantina e está na Bahia”, declarou.
ACM Neto foi recebido pela prefeita Juliana Araújo, que recentemente reforçou apoio à sua pré-candidatura ao governo estadual. Também acompanharam a agenda o deputado federal Elmar Nascimento, os deputados estaduais Pedro Tavares, Júnior Nascimento e Cafu Barreto, o pré-candidato a deputado estadual Igor Dominguez e o ex-deputado federal José Carlos Araújo.
Além disso, a agenda contou com a presença de liderança de outras cidades da região, como o ex-prefeito de Jacobina Luciano da Locar e o vereador do mesmo município Juliano Cruz, pré-candidato a deputado estadual.
No município, em entrevista à imprensa local, Neto também falou sobre a disputa eleitoral de 2026 e afirmou que o grupo de oposição chega mais forte e organizado do que na eleição anterior. Ele ainda enalteceu a presença de João Roma e Angelo Coronel, nomes que vão disputar o Senado em sua chapa, e do pré-candidato a vice-governador Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié reeleito com 92% dos votos válidos em 2024.
“Primeiro que eu acho que esse ano a gente está muito mais preparado. É claro que a gente cometeu erros na eleição passada e a gente tem humildade de reconhecer isso e procurou ajustar, corrigir e fortalecer o nosso trabalho, o nosso caminho”, disse.
Ele reforçou que em 2022 o governador Jerônimo Rodrigues (PT) se escondeu atrás de um número. “Agora ele não vai poder fazer isso, vai ter que enfrentar a realidade do governo fraco nesses últimos quatro anos, das promessas não cumpridas, e vamos à luta. O propósito maior e o que nos une a todos é o enfrentamento ao governo aqui da Bahia, e, sobretudo, a incompetência de Jerônimo Rodrigues”, afirmou.
A agenda de ACM Neto no fim de semana será encerrada neste domingo (24), às 10h, em Catu, onde ele participa de um encontro com lideranças políticas do município e da região. A visita deve reunir vereadores, apoiadores e lideranças locais, além de mobilizar caravanas e grupos organizados para acompanhar a agenda do ex-prefeito de Salvador.
Corte de Cassação anulou decisão favorável ao envio da ex-parlamentar ao Brasil
A decisão partiu da Corte de Cassação de Roma | Foto: Reprodução/Redes sociais
A Justiça da Itália negou nesta sexta-feira, 22, o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil. A decisão também determinou a soltura da ex-parlamentar, presa em Roma desde julho.
A decisão partiu da Corte de Cassação de Roma, instância mais alta do Judiciário italiano. O tribunal anulou o entendimento anterior da Corte de Apelações italiana, que havia autorizado a extradição a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). A palavra final ficou com o ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
Segundo o advogado da ex-deputada, Fábio Pagnozzi, a Corte de Cassação derrubou a decisão que autorizava o envio de Zambelli ao Brasil.
Um dos principais pontos analisados no processo envolveu a cidadania italiana de Carla Zambelli I Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Justiça italiana discutiu cidadania da ex-deputada
Um dos principais pontos analisados no processo envolveu a cidadania italiana de Carla Zambelli. Em março, a Justiça italiana afirmou que a nacionalidade da ex-deputada não impediria automaticamente a extradição.
Na decisão, o tribunal declarou que a cidadania italiana de Zambelli teria “status meramente formal”. A Corte acrescentou que ela não possui “enraizamento social, territorial nem cultural efetivo na Itália”.
Os magistrados também ressaltaram que a vida política e profissional da ex-deputada foi construída integralmente no Brasil. Segundo a decisão, o fato de Zambelli possuir dupla cidadania reforçaria o vínculo jurídico com o país de origem.
Enquanto a Corte analisava o recurso em Roma, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores avançassem no processo de extradição, mesmo com recursos ainda pendentes na Itália.
A defesa da ex-deputada criticou a decisão de Moraes e afirmou que o ministro “ignora o ritmo da própria Justiça italiana”.
Mais cedo, Pagnozzi havia declarado à CNN Brasil que via o julgamento com pessimismo. “Na Itália, tudo pode acontecer, mas duvido que ele compre essa briga com o Brasil”, afirmou.
Nesta quarta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou críticas a comentaristas televisivos, declarando que “eles não valem nada”. O comentário surgiu em meio à discussão sobre a rapidez com que as informações circulam nas redes sociais. Conforme o presidente, hoje em dia, as pessoas já têm suas opiniões formadas antes mesmo da cobertura pela mídia convencional.
Durante um evento do governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se disse “assustado” com autonomia gerada pelas redes sociais. Entre as consequências, segundo o petista, os jornalistas e comentaristas acabam “não valendo nada”.
– Me assusta muito a autonomia que nós brigamos por ela, que as pessoas têm – iniciou.
– Antigamente as pessoas esperavam o jornal à noite para saber da notícia. Hoje, a notícia chega primeiro que o jornal, o cara faz a sua própria opinião. Esse pessoal que fica na televisão comentando e dando palpites não valem nada. É esse mundo novo que nós precisamos aprender – declarou.
As declarações foram dadas durante durante o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, no Palácio do Planalto, na quarta-feira (20).
Ainda durante o discurso, Lula teveu elogios a sua mulher, a primeira-dama Janja da Silva, dizendo ser preciso transformar a causa em “compromisso” e “tarefa de honra”
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) criticou o desequilíbrio econômico vivenciado pelas cidades do interior do estado e propôs descentralização da economia estadual. A fala foi feita nesta sexta-feira (22), em Santa Rita de Cássia, no oeste, durante missa em homenagem à padroeira que dá nome à cidade.
Para Neto, a economia da Bahia “andou para trás” durante os 20 anos de governo do PT, capitaneados por Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. “A gente só vai superar as desigualdades da Bahia, a pobreza, se a gente olhar para o interior com este propósito de reforçar a economia local, de levar o emprego, a produção, o trabalho e, é claro, o empreendedorismo”, propôs.
Na cidade, ACM Neto foi recepcionado pela vice-prefeita Leila Serpa. Ele foi acompanhado do senador Angelo Coronel (Republicanos) e com o presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado, João Roma, do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), além de lideranças da região, como o ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa.
Dentre as carências apontadas com Neto como entrave para o desenvolvimento do estado, ele cita a falta de prosperidade. Neste sentido, ele sugere estímulos à participação feminina na cadeia produtiva. “Faço uma menção especial ao empreendedorismo feminino. A gente precisa chegar junto das mulheres com um olhar muito especial. A vida está mudando e as prioridades estão mudando também, e é preciso preparar os baianos para isso”, alertou.
Segundo Neto, é necessário oferecer apoio técnico, qualificação, acesso ao crédito e um ambiente de negócios favorável para os baianos.
No primeiro trimestre de 2026, a Bahia registrou a pior taxa de desemprego do Brasil, segundo dados da Pnad Contínua, do IBGE. “Nosso povo precisa, acima de tudo, de oportunidade, porque nós temos um povo que é trabalhador, que quer correr atrás, que quer prosperar. Eu acho que a palavra mais forte é prosperidade, que não é uma característica do atual governo”, concluiu.
Agenda no interior
ACM Neto cumpre uma série de agendas nos municípios, com compromissos religiosos, políticos e ligados ao agronegócio neste final de semana. Ainda na sexta-feira, ex-prefeito de Salvador participa em Vitória da Conquista de um encontro com lideranças do município e de outras cidades da região. Pela noite, ele estará em Itapetinga para participar da exposição agropecuária da cidade.
Já no sábado (23), ACM Neto participa, às 17h, da Feira Agropecuária e Agricultura Familiar de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. O evento em Morro do Chapéu começou nesta sexta (22) e segue até domingo (24), reunindo exposição de animais, negócios agropecuários, agricultura familiar, gastronomia e atrações musicais.
A sequência de agendas será encerrada no domingo (24), em Catu, onde a comitiva de ACM Neto será recepcionada pela ex-prefeita Gilcina Carvalho, pelo candidato a prefeito em 2024 Dr. André e por oito vereadores do município. A agenda, que começa às 10h, conta com um encontro com lideranças políticas do município e da região.
Deputado criticou a conduta do magistrado afastado pelo CNJ
Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG) Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu à decisão da Justiça no município de Jales, no interior de São Paulo, que condenou um casal por optar pelo formato de ensino domiciliar para as filhas.
Os pais de duas meninas, de 11 e 15 anos, foram condenados a 50 dias de prisão em regime semiaberto, pena posteriormente suspensa por dois anos mediante prestação de serviços à comunidade e matrícula das adolescentes em escola regular.
Nikolas demonstrou indignação com a sentença aplicada, mesmo tendo sido comprovada a estrutura pedagógica aplicada às adolescentes.
— Pais que estavam educando seus filhos em casa foram tratados como criminosos. (…) As meninas estudavam em casa, tinham rotina, tinham acompanhamento, liam cerca de 30 livros por ano — a média do brasileiro é de três por ano —, estudavam matemática, ciências, história, geografia, inglês, latim, piano e ainda participavam do coral. A mãe já tinha formação em contabilidade; aí, para melhorar a educação das filhas, ela foi lá e se formou em matemática e pedagogia — disse.
O parlamentar considerou a medida uma “inversão de valores” e criticou a negligência sobre a baixa qualidade do ensino regular no país.
— Olha a inversão de valores: ao invés de ser visto como zelo, um cuidado, ela acabou sendo condenada por abandono intelectual. E a decisão cita o fato de que as meninas não gostavam de funk e sertanejo. (…) No Brasil de hoje, se a criança (retirado “ela”) sai da escola, sei lá, analfabeta, tá tudo bem. E ai de você se falar alguma coisa, né, porque pode soar como preconceito linguístico. Mas, se uma família ensina bem dentro de casa, aí o sistema literalmente chama isso de crime — questionou.
O parlamentar lembrou ainda que o método de ensino em casa não pode ser considerado crime no país e que carece apenas de regulamentação.
— O próprio STF, lá no tema 822, não diz que o homeschooling é incompatível com a Constituição, pelo contrário. Declarou constitucional e que apenas faltava uma lei federal para regulamentar. E esse projeto já existe, que é o 1.338 de 2022, que regulamenta o homeschooling. Já foi aprovado na Câmara dos Deputados e adivinha? Tá parado no Senado, lá na presidência da Comissão de Educação, com a Teresa Leitão, que é senadora pelo PT, que não colocou o projeto ainda em votação — relembrou.
Na publicação, Nikolas reforçou ainda pontos como o nível de qualidade do ensino brasileiro, ranqueado nas últimas posições no cenário mundial, e salientou que não é contrário ao ensino regular em escolas, mas defende a liberdade no formato de ensino, sempre priorizando a qualidade.
O parlamentar afirmou ainda que irá tomar medidas para investigar o magistrado e intensificar a cobrança pela votação do projeto que regulamenta o ensino domiciliar.
— A gente vai até o Conselho Nacional de Justiça para apurar essa conduta deste juiz com severidade. E, segundo, para poder realizar uma audiência pública na Comissão de Educação na Câmara para fazer o Senado também pautar e votar a regulamentação da educação domiciliar no Brasil — finalizou.
A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos
Ministro Édipo Araújo | Foto: Reprodução/GovBr
Valores recebidos por Édipo Araújo enquanto ocupava cargos públicos ou recebia bolsas de estudo voltaram a ser debatidos depois que vieram à tona depósitos do auxílio emergencial em sua conta durante a pandemia de covid-19, em 2020. Apesar de manter salário de até R$ 15 mil no Ministério da Agricultura ou de receber bolsa do Ministério da Educação para doutorado internacional, o atual ministro da Pesca foi contemplado com cinco parcelas do benefício, conforme revelou o portal Metrópoles.
O auxílio, lançado em 2020, buscava amparar desempregados, trabalhadores informais, microempreendedores e pequenos empresários atingidos financeiramente pela crise sanitária. Conforme o Portal da Transparência, Édipo Araújo recebeu cinco depósitos de R$ 600 entre abril e setembro daquele ano, o que somou R$ 3 mil. Posteriormente, o valor foi devolvido.
Acúmulo de bolsas, salários e benefício emergencial
Durante parte do período em que recebeu o auxílio, Édipo Araújo cursava doutorado “sanduíche” na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e na Universidade Federal do Pará, com bolsa financiada pela Capes, do Ministério da Educação. Em outros meses, o ministro já atuava em cargo comissionado no Ministério da Agricultura e recebia remunerações que chegaram a R$ 15,6 mil mensais.
A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos do auxílio emergencial coincidiram com o recebimento de salários por causa de atrasos e depósitos retroativos. Segundo o órgão, o pedido do benefício foi feito antes de sua posse no cargo público, razão pela qual haveria sobreposição dos valores posteriormente creditados.
Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), Édipo Araújo ingressou em função técnica e, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi promovido a ministro da Pesca, sucedendo André de Paula (PSD). O ministério é comandado pelo PSD, partido presidido por Gilberto Kassab (PSD-SP). Durante o governo anterior, Édipo também trabalhou sob a chefia do então secretário da Pesca, Jorge Seif (PL-SC).
Em abril e maio de 2020, o ministro recebeu simultaneamente R$ 2,2 mil de bolsa e R$ 600 de auxílio emergencial, revelou o Metrópoles. Já em agosto e setembro do mesmo ano, houve acúmulo de salário do Ministério da Agricultura e o benefício, que somaram valores de até R$ 15,6 mil. Essas informações constam no Portal da Transparência, na Plataforma Lattes e em registros do Ministério da Pesca.
De acordo com o ministério, “cabe ressaltar que os requisitos para concessão do auxílio emergencial no ano de 2020 consistiam, entre outros, em: não possuir vínculo de emprego formal ativo, não ser titular de benefício previdenciário e possuir renda familiar mensal de até três salários mínimos, requisitos estes que eram preenchidos pelo ministro à época”.
O ministério argumentou que, mesmo com registros de bolsas da Capes em 2020, Édipo Araújo seguia apto a receber o benefício conforme a legislação vigente. A assessoria informou que, à época do auxílio, o ministro já residia no Brasil e não possuía vínculo empregatício ativo.
O pedido do auxílio emergencial foi protocolado em abril de 2020, quando o ministro estava sem ocupação formal, tendo sido exonerado em novembro de 2019, conforme portaria publicada noDiário Oficial. A nomeação para cargo público ocorreu apenas em julho de 2020, com início das atividades no fim daquele mês.
Segundo a assessoria, parte das parcelas foi creditada de forma retroativa por causa de atrasos. Além disso, o ministro não chegou a sacar o valor, pois o recurso foi automaticamente devolvido ao governo quando ele assumiu função pública e passou a não ser mais elegível.
Trajetória acadêmica e profissional
O ministério também destacou que a nomeação de Édipo Araújo seguiu critérios técnicos e passou por avaliação da Casa Civil e órgãos competentes, sem apontamentos que impedissem sua posse. O ministro é engenheiro de pesca, mestre e doutor na área, com carreira consolidada em recursos aquáticos.
O período de doutorado sanduíche de Édipo Araújo nos Estados Unidos ocorreu entre dezembro de 2017 e novembro de 2018, como parte do doutorado realizado no Brasil. A assessoria esclareceu que a experiência foi temporária e não representou transferência definitiva de residência nem vínculo profissional no exterior.
Parlamentares também autorizaram envio de recursos a municípios inadimplentes e obras em rodovias e hidrovias fora da competência da União
O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (21), um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que barrava a possibilidade de doação de bens, valores e benefícios durante o período eleitoral. Os dispositivos seguem agora para sanção presidencial.
A regra havia sido aprovada no fim de 2025 dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e permitia que o poder público mantivesse repasses de dinheiro, bens ou benefícios mesmo nos três meses anteriores às eleições, desde que o beneficiário tivesse alguma contrapartida prevista.
Exceção à Lei Eleitoral
Pela legislação eleitoral, esse tipo de transferência é proibido no período que antecede as eleições para evitar o uso da máquina pública em favor de candidatos.
O trecho aprovado pelo Congresso criava uma exceção à regra. Na prática, permitiria que governos continuassem realizando transferências de benefícios durante o período eleitoral em determinadas situações.
O governo federal vetou o dispositivo sob argumento de inconstitucionalidade e por considerar que a medida contrariava o interesse público.
Segundo o Executivo, a LDO, por ser uma norma temporária e ordinária, não poderia alterar regras previstas na Lei Eleitoral, que possui caráter permanente.
“É bom lembrar que o governo Lula supriu os rombos feitos pelo governo Bolsonaro aos municípios. A nossa intenção é manter o veto que impede o repasse de recursos em período eleitoral. Queremos fazer com que os municípios se valorizem. Não queremos estados financiando bancos falidos, como aqui em Brasília”, disse a deputada Erika Kokay (PT-DF).
Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou: “O governo quer manter o povo na pobreza, dependente de Bolsa Família. Derrubar os vetos é essencial”.
Recursos para municípios inadimplentes
Outro veto derrubado pelo Congresso tratava da transferência de recursos e assinatura de convênios com municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes.
O governo argumentava que a medida contrariava a Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige regularidade fiscal para repasses desse tipo.
Durante a votação, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) criticou a derrubada do veto relacionado ao período eleitoral.
“Entendemos que há municípios inadimplentes, mas vamos votar pela derrubada do item 25. O 23, em questão, se soma a uma aberração de permissividade para a compra de votos e ilegalidade em período eleitoral. Isso é inaceitável, uma vergonha”, afirmou.
Verbas para rodovias e hidrovias
Os parlamentares também derrubaram dois vetos ligados à infraestrutura de transporte. Os dispositivos autorizam a União a destinar recursos para construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais voltadas à integração logística e ao escoamento da produção. Outro trecho amplia a possibilidade de investimento federal na malha hidroviária brasileira.
O Executivo havia vetado os dispositivos sob argumento de que as medidas ampliariam excessivamente a atuação da União e poderiam desvirtuar programas orçamentários federais.
Com a derrubada dos vetos, o governo federal poderá repassar recursos para obras em rodovias e hidrovias fora de sua competência direta, medida defendida por parlamentares como estratégica para o transporte e o setor agropecuário.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu nesta quinta-feira (21) ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a leitura do requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as irregularidades do Banco Master.
Em discurso durante a sessão que analisa vetos presidenciais, Flávio afirmou que “mais do que nunca é necessária” a instalação do colegiado e disse querer a convocação do dono da instituição financeira, o banqueiro Daniel Vorcaro.
– Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI, falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro, e também qual é a relação que eles tinham com o Lula, qual é a relação que eles tinham com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer. Eu não tenho nada a esconder – declarou o senador.
A manifestação foi feita após o The Intercept Brasil revelar que Flávio enviou mensagens a Vorcaro em que pedia dinheiro para o financiamento do filme Dark Horse, produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pré-candidato também afirmou que parlamentares de esquerda “têm medo dessa CPMI” e comparou o escândalo do Master ao Mensalão e à Operação Lava Jato.
– Nenhum de vocês assinou. Eu assinei todas, porque não tenho nada a esconder. Porque tem uma grande diferença. Vocês entendem muito de corrupção – disse.