
Foto: divulgação
A investigação da Polícia Federal que culminou na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (14), apontou que um grupo de hackers ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro tentou acessar o celular do colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim.
Segundo as investigações, o pedido para invadir o aparelho do jornalista teria partido do próprio dono do Banco Master, preso em março sob suspeita de integrar um esquema criminoso e de ter ordenado um assalto forjado para “prejudicar violentamente” o jornalista.
A tentativa de invasão ocorreu em julho do ano passado, conforme mensagens obtidas pela PF. O grupo que atuava em favor de Vorcaro seria comandado por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, apontado pelos investigadores como operador financeiro da organização criminosa conhecida como “Turma”, considerada o braço armado do esquema. Henrique foi preso durante esta fase da operação.
Nas conversas interceptadas, Vorcaro afirma a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que precisava hackear o jornalista. Mourão responde que acionaria “os meninos”, apelido dado ao núcleo responsável pelos ataques cibernéticos do grupo.
Em outro trecho, Mourão afirma que chegou a enviar mensagem para o telefone de Lauro Jardim. A estratégia, segundo a investigação, seria marcar uma falsa reunião e encaminhar um link fraudulento para permitir o acesso aos dados do jornalista.
Confira parte do diálogo revelado pela investigação:
VORCARO: “Preciso hackear esse Lauro.”
MOURÃO: “Vou mandar fazer isto.”
MOURÃO: “Já pedi aos meninos para fazer isto, mandar no e-mail.”
MOURÃO: “Quer que tome o cel dele?”
MOURÃO: “Chamei o Lauro no zap.”
“OS MENINOS”
Um dos integrantes do grupo de hackers, Victor Lima Sedlmaier, foi preso neste sábado (16) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele estava foragido desde quinta-feira, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro do STF André Mendonça no âmbito da operação.
De acordo com a Polícia Federal, Victor integrava o grupo apelidado de “Os Meninos”, descrito pelos investigadores como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal.
Ainda segundo a apuração, os hackers recebiam cerca de R$ 75 mil por mês para executar os serviços clandestinos.
