O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, não deve convocar uma sessão extraordinária para a análise
Sessão conjunta do Congresso Nacional vai analisar os vetos presidenciais | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Apesar da ofensiva da oposição para antecipar a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, a votação no Congresso Nacional deve ficar apenas para fevereiro. Oeste apurou com fontes do Senado que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), não pretende convocar sessão extraordinária durante o recesso parlamentar para apreciar o veto presidencial.
A decisão contraria a estratégia de parlamentares da oposição, que tentam derrubar o veto ao PL da Dosimetria ainda em janeiro, sob o argumento de urgência e “relevante interesse público”.
Nos bastidores, porém, a avaliação de Alcolumbre é de que o ambiente político não está maduro para uma deliberação imediata e que antecipar a votação poderia acirrar ainda mais a tensão entre Congresso, Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF).
Veto ao PL da Dosimetria
O veto integral de Lula ao projeto — que alterava critérios de dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro — aprofundou a divisão entre governo e oposição. Aliados do Planalto defendem que o texto abriria margem para revisão de condenações já proferidas pelo STF, enquanto críticos sustentam que a proposta buscava apenas corrigir excessos e garantir individualização das penas.
No Congresso, o cálculo político fala mais alto. Líderes partidários avaliam que uma sessão extraordinária agora teria alto custo institucional, com risco de esvaziamento do plenário e derrota simbólica para qualquer um dos lados. Além disso, há o fator STF: ações judiciais contra o próprio PL da Dosimetria já foram protocoladas por bancadas da base esquerdista da Câmara.
Pelo rito constitucional, o Congresso tem prazo de até 30 dias para deliberar sobre vetos presidenciais, mas esse prazo costuma ser relativizado durante o recesso. A leitura no Senado é de que fevereiro oferece um período de amortecimento ao esfriar o embate, reorganizar bancadas e negociar saídas.
Na oposição, a frustração é evidente. Para eles, adiar a análise favorece o Planalto, que ganha tempo para recompor sua base e reforçar a narrativa de que o veto foi necessário para preservar decisões do Judiciário.
No Executivo, o adiamento é visto com alívio. Auxiliares de Lula avaliam que uma derrota imediata do veto enfraqueceria o discurso político construído em torno do 8 de janeiro e ampliaria o desgaste com o STF.
O ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro assegurou a partir dos Estados Unidos, onde se encontra detido com sua esposa, a deputada Cilia Flores, que ambos estão “bem” e que são “lutadores”. A informação foi divulgada pelo filho do chavista, o parlamentar Nicolás Maduro Guerra, que afirmou ter conversado com os advogados.
Em nota publicada neste domingo (11), a emissora estatal VTV informou que o filho de Maduro se reuniu com integrantes do governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) e “transmitiu uma mensagem de força” por parte de seu pai e de Flores, capturados no dia 3 de janeiro em Caracas por forças norte-americanas em meio a uma série de ataques.
– Os advogados nos disseram que ele está forte. Ele disse para não ficarmos tristes – declarou Maduro Guerra, citado na nota da VTV.
O deputado também denunciou que contra Maduro “foi empregada uma força desproporcional, por não conseguirem vencê-lo por outras vias”, segundo o canal estatal.
No entanto, Maduro Guerra insistiu que seu pai se mantém “moralmente íntegro e forte” e que “sua liderança não foi dobrada apesar das circunstâncias que enfrenta em território norte-americano”.
Na última segunda-feira (5), Maduro declarou-se “um homem inocente” das acusações de narcotráfico com as quais o governo de Donald Trump justifica sua captura e transferência para os EUA, e afirmou ser um “prisioneiro de guerra” perante o tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque, durante sua primeira audiência.
A acusação formal, que revisa a original de 2020, imputa a Maduro os crimes de conspiração para cometer narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, entre outras acusações. Cilia Flores, por sua vez, é acusada de suposta participação na conspiração para o tráfico de cocaína.
Ambos se declararam “não culpados” e Maduro disse ser o presidente da Venezuela. O filho de Maduro também disse que sua família é “perseguida” e expressou confiar que, “mais cedo ou mais tarde”, ambos serão libertados e retornarão ao país sul-americano.
Além disso, Maduro Guerra expressou seu “apoio incondicional” à vice-presidente, Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina da Venezuela após uma ordem do Tribunal Supremo.
*EFE Foto: Reprodução/Donald Trump via Truth Social
Defesa apresentou novo pedido de prisão domiciliar
Jair Bolsonaro Foto: PR/Alan Santos
O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou, neste domingo (11), que o médico do ex-presidente Jair Bolsonaro foi chamado à prisão após agravamento do quadro de saúde, com crises de soluço que evoluíram para azia constante e dificuldade para se alimentar e dormir.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Carlos disse que o pai também apresenta abalo psicológico e que a situação é agravada pelo fato de permanecer sozinho na cela. Ele relatou ainda que a defesa protocolou novo pedido de prisão domiciliar humanitária no fim de semana, que ainda não foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o texto, uma foto anexada à publicação mostraria Bolsonaro em crise de vômito, associada às sequelas da facada sofrida em 2018.
Carlos Bolsonaro também listou os crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão e classificou as decisões como injustas. Ele afirmou que o pai não estava no Brasil em 8 de janeiro de 2023 e negou que houvesse liderança ou organização armada por parte de Bolsonaro.
Leia na íntegra: Prezados,
O médico do meu pai foi chamado hoje, domingo, 11 de janeiro de 2026, à prisão, após sermos informados de que suas crises persistentes de soluços evoluíram para um quadro de azia constante, o que o impede de se alimentar adequadamente e de dormir. É perceptível, ainda, o grave abalo psicológico que sofre, agravado pelo fato de permanecer sozinho na solitária.
Neste fim de semana, a defesa do Presidente Jair Bolsonaro protocolou mais um pedido de prisão domiciliar humanitária junto ao STF, que, até o presente momento, lamentavelmente não foi apreciado.
– A foto anexa registra meu pai em intermináveis crises de vômito, decorrentes das sequelas da facada que sofreu, praticada por um antigo militante do PSOL, partido historicamente alinhado à facção política de Lula.
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Os crimes pelos quais Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão:
1. Destruição de patrimônio 2. Destruição de patrimônio tombado
Jair Bolsonaro estava em Orlando (EUA). Não se encontrava na Praça dos Três Poderes. Portanto, não destruiu absolutamente nada.
No Direito Penal vigora o princípio da individualização da pena. Ainda assim, nesses dois crimes, Bolsonaro foi condenado injustamente.
3. Organização criminosa armada
No dia 8 de janeiro, nenhuma arma foi apreendida. Não se tratou de movimento armado. Foi uma manifestação sem a participação ou liderança de Jair Bolsonaro, que saiu do controle, com a exaltação de alguns poucos manifestantes.
Trata-se de mais uma condenação injusta.
4. Golpe de Estado 5. Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Não se pode falar em golpe sem ato executório. Não se dá golpe em um domingo, contra prédios públicos vazios. Os participantes foram condenados sob a tese de crime de multidão, isto é, sem liderança. Posteriormente, contraditoriamente, condena-se Jair Bolsonaro como líder dos fatos de 8 de janeiro, mesmo ele estando fora do país. O que se observa é uma perseguição política escancarada, incompatível com o Estado de Direito.
Levantamento mostra que restrições lideram recusas na Lei de Acesso à Informação nos últimos 3 anos
Sob o comando de Lula, o governo usou o sigilo como justificativa em 34% das recusas à Lei de Acesso à Informação | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O sigilo passou a liderar as justificativas usadas por órgãos federais para recusar pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Durante a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, mais de um terço das solicitações negadas nos últimos três anos recebeu esse enquadramento. O levantamento é do jornal O Estado de S.Paulo.
No período sob comando do petista, 34% das recusas tiveram como fundamento algum tipo de restrição de acesso. O índice supera o registrado no governo Jair Bolsonaro, quando a taxa ficou em torno de 28% entre 2019 e 2022.
A tendência contrasta com os primeiros anos de vigência da LAI. Entre 2012 e 2018, a principal razão para negar informações era a presença de dados pessoais, como elementos ligados à intimidade, à honra ou à imagem dos cidadãos. O sigilo liderou apenas em 2016.
CGU de Lula justifica o uso do sigilo
A Controladoria-Geral da União, responsável pela supervisão e pelos recursos da LAI, sustenta que o governo mantém elevado nível de transparência. Em nota enviada ao Estadão, a CGU informou que 73,59% dos pedidos tiveram acesso concedido em 2025, com média próxima de 74% entre 2023 e 2025. O órgão afirma que o desempenho supera o histórico da administração anterior.
A CGU também destaca diferenças metodológicas. Para o órgão, a análise correta considera o total de pedidos respondidos, não apenas o universo das negativas. Sob esse critério, as recusas fundamentadas em sigilo previsto em legislação específica representaram 2,72% do total em 2025.
Segundo a pasta, o índice foi influenciado por quase mil solicitações repetidas sobre extratos do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. As informações envolvem sigilo bancário e não podem ser divulgadas.
Os dados mostram que o sigilo se consolidou como o principal obstáculo ao acesso a informações públicas no governo Lula, em um contexto que reacende discussões sobre o alcance real da transparência estatal no país.
O presidente Lula, durante a cerimônia de posse da advogada Verônica Adballa Sterman no cargo de ministra do STM — 30/9/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
Ao longo de mais de duas décadas, o Partido dos Trabalhadores (PT) acumulou um histórico contínuo de escândalos, crimes, investigações e episódios jamais plenamente esclarecidos, que atravessam governos, campanhas eleitorais e estruturas do Estado.
Do assassinato de prefeitos petistas às grandes engrenagens de corrupção reveladas pelo Mensalão e pela Lava Jato, passando por aparelhamento institucional, desvios bilionários e reincidência política, o roteiro petista se repete com impressionante regularidade.
É esse padrão de conduta, que ajuda a explicar o presente à luz do passado, que orienta a análise de Augusto Nunes em seu artigo publicado na Edição 303 da Revista Oeste. Trata-se de uma leitura essencial para quem deseja compreender como o “delinquente contumaz” voltou à cena política sem jamais ter rompido com seus velhos métodos.
Delinquente contumaz
“Desde que chegou ao poder pela primeira vez — e mesmo antes disso —, o PT construiu um nada invejável histórico de escândalos.”(Eliziário Goulart Rocha)
2001 —Toninho do PT: Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas, foi assassinado a tiros depois de sair de um shopping. O crime permanece sem solução definitiva.
Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT | Foto: Reprodução/Wikimedia
2002— Celso Daniel: Assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), em Santo André. O caso continua cercado de controvérsias e foi alvo de investigações paralelas nos anos seguintes.
Prefeito Celso Daniel (PT) | Foto: Reprodução/Redes Sociais
2003 —Banestado: no primeiro ano do governo Lula, o PT tentou impedir a criação da CPI do Banestado (Banco do Estado do Paraná), com o qual o partido, sob o comando de José Dirceu, havia tomado empréstimos.
2004 — Caso Waldomiro Diniz: embora tenha vindo à tona em 13 de fevereiro de 2004, o caso havia ocorrido em 2002. A revista Época divulgou uma gravação na qual Waldomiro Diniz, então assessor de José Dirceu na Casa Civil, pedia propina ao “empresário de jogos eletrônicos” Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira — “Um por cento é pra mim”. Diniz (ex-presidente da Loterj no governo de Anthony Garotinho) cobrava do bicheiro recursos para a campanha do PT em troca do suposto favorecimento em operações lotéricas. O fato ficou conhecido também como Caso GTech ou Escândalo dos Bingos.
Waldomiro Diniz | Foto: Agência Senado
2005 — Caso dos Correios: enquanto um escândalo ocupava as manchetes, outro já se desenrolava. A investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005, com a divulgação, pela revista Veja, de um vídeo no qual o então chefe de departamento dos Correios, Maurício Marinho, recebia uma propina de R$ 3 mil. Na gravação, Marinho citava o deputado Roberto Jefferson, do PTB. Jefferson logo passou de acusado a denunciante e esteve no centro das denúncias do Mensalão.
CasodosCorreios, a investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005 | Foto: Agência Brasil
2005 — Mensalão: o caso dos Correios foi o gatilho que levou ao desbaratamento do esquema de repasse ilegal de dinheiro a parlamentares da base aliada que ficou conhecido como Mensalão, o maior escândalo de corrupção do país até então. Roberto Jefferson expôs a compra institucionalizada de apoio político. José Dirceu perdeu o cargo de ministro e teve cassado o mandato de deputado federal, o que também ocorreu com Jefferson. Lula, como sempre, afirmou que não sabia de nada, “condenou” a prática do caixa 2 e se disse “traído por alguns companheiros”.
2006 — Escândalo dos Aloprados: Lula fazia campanha pela reeleição quando operadores e assessores ligados a campanhas petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo. O valor seria utilizado para comprar um dossiê contra José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo. Por tabela, a ação atingiria Geraldo Alckmin, que disputava a Presidência. O apelido “aloprados” foi dado por Lula para tentar reduzir o crime a mera inconsequência de alguns petistas.
Aloprados, dinheiro apreendido com petistas para compra de dossiê em SP | Foto: Reprodução
2006 — Caso Francenildo: caseiro de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, Francenildo dos Santos Costa contou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, era presença frequente no imóvel. No local, representantes da chamada “República de Ribeirão Preto” promoviam festas, encontros com lobistas e dividiam dinheiro. Dias depois do relato, o caseiro teve seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. Palocci acabou deixando o cargo.
O caseiro Francenildo Costa em julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no STF | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
2007 — Operação Navalha: investigação da Polícia Federal sobre fraudes em obras públicas e contratos com empreiteiras. A PF apontou o envolvimento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.
2008 — Caso Bancoop: embora o caso tenha sido denunciado somente em 2008, já em 2006 a ação de petistas colaborou para o colapso da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, recursos do Bancoop, bancados pelos cooperados, teriam sido desviados para uso ilegal nas campanhas do PT em 2002 e 2004. O caso envolveu vários petistas, inclusive João Vaccari Neto, que era tesoureiro nacional do partido em 2010, quando o caso ganhou maior repercussão.
João Vaccari Neto | Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
2008—Caso dos Cartões Corporativos: revelação de uma série de gastos irregulares com cartões do governo federal, envolvendo altos funcionários.
2009—Refinaria Abreu e Lima: questionamentos públicos sobre custos, contratos e gestão do projeto da Petrobras, que viriam a ser incorporados à Operação Lava Jato anos depois.
2010— Caso Erenice Guerra: Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff, que deixou o cargo para concorrer à Presidência nas eleições daquele ano. Sua permanência na pasta durou somente até setembro. Erenice caiu em função de denúncias de tráfico de influência envolvendo contratos e negócios intermediados por familiares. Os processos contra ela acabaram sendo encerrados por falta de provas.
Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
2011 — Escândalos em série de ministros: no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a corrupção provocou um verdadeiro strike no primeiro escalão. Em menos de cinco meses, caíram os ministros Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).
2012— Operação Porto Seguro: apuração de tráfico de influência em órgãos federais, envolvendo assessores próximos à Presidência.
2013 — Pedaladas fiscais: Dilma Rousseff começou a utilizar as “pedaladas fiscais”, práticas de atrasar repasses a bancos públicos para maquiar as contas do governo. A manobra levaria à sua cassação três anos depois.
2014 — Petrolão/Operação Lava Jato: iniciada em 17 de março de 2014, a Lava Jato revelou o esquema bilionário de corrupção na Petrobras, que se tornaria o maior escândalo de corrupção da história. Foi encerrada em fevereiro de 2021, depois de ter sido desmontada por ações do Supremo Tribunal Federal. Envolveu diretores da estatal, empreiteiras e políticos, incluindo Lula, que foi condenado em três instâncias e passou 580 dias na cadeia até o STF anular as condenações alegando inadequação de foro.
Manifestação contrária a Lula na Avenida Paulista no contexto da Operação Lava a Jato | Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução
2015—Vaccari: prisão de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, no âmbito da Lava Jato.
2016—Delcídio: prisão do senador Delcídio do Amaral por tentativa de obstrução da Justiça; avanço das investigações sobre marqueteiros e campanhas do PT.
Senador Delcídio do Amaral | Foto: Pedro França/Agência Senado
2016—Impeachment de Dilma: a ex-presidentedeixou o poder depois de cometer crime de responsabilidade fiscal, relacionado às pedaladas fiscais e a decretos orçamentários.
Dilma Rousseff | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
2017—Triplex: Lula é condenado em primeira instância no caso do triplex do Guarujá.
Edifício com o triplex (ao centro), no Guarujá | Foto: Shutterstock
2018—Prisão de Lula: depois da condenação em segunda instância, Lula vai para a cadeia. Posteriormente, as condenações seriam anuladas por decisões do STF.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
2019—Palocci: delação premiada de Antonio Palocci, detalhando esquemas de arrecadação e distribuição de recursos para o PT e aliados.
2020 — Beneficiados: o declínio da Lava Jato começou a beneficiar Lula e o PT. A operação enfrentou questionamentos e invalidações por parte do STF.
2021 — Retrocesso: o STF anulou as condenações de Lula na Lava Jato e o tornou novamente elegível.
Dias Toffoli anulou todas as provas da Lava Jato | Foto: Carlos Moura/SCO/STF
2022 — Não sabia: Lula reconheceu que houve corrupção nos governos petistas, mas não admitiu que soubesse de algo ou que tivesse participado de alguma forma.
2023 — Maus hábitos: ao retornar ao governo, Lula repetiu o velho e mau hábito: aparelhou o Estado com nomeações cujo critério é o alinhamento ideológico ou o interesse político — e não a competência. O modus operandi do PT recolocou na berlinda os Correios — cujo rombo pode chegar a R$ 10 bilhões em 2025 e a R$ 23 bilhões em 2026 —, a Petrobras, o BNDES e mesmo os ministérios. Há casos envolvendo ministros e aliados em fase de investigação, denúncia ou trâmite no STF.
2024 — Ministros em queda: Juscelino Filho, ministro das Comunicações, foi acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em um inquérito ligado à agência federal de desenvolvimento Codevasf. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi exonerado por Lula devido à repercussão das denúncias de assédio sexual.
Juscelino Filho na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
2025 — Fraude do INSS: descoberta em abril de 2025, a roubalheira estimada em R$ 6,3 bilhões ocorreu por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. O esquema de desvio de dinheiro utilizou convênios firmados com dezenas de organizações. Uma das principais é o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.
José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão de Lula, é o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Equipe também pediu a disponibilização de uma televisão na cela da Polícia Federal em Brasília
Bolsonaro teve prisão domiciliar revertida um dia depois de visita de Nikolas I Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Na quinta-feira 8, advogados de Jair Bolsonaro (PL) solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente possa receber assistência religiosa durante sua permanência na Sala de Estado-Maior da Polícia Federal, em Brasília. A petição também requer a autorização para o uso de uma Smart TV na prisão.
Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser, que defendem Bolsonaro, justificaram que a possibilidade de acessar informações é parte essencial da dignidade humana e compõe as garantias mínimas a pessoas sob custódia do Estado.
Condições de detenção e detalhes do pedido da defesa de Bolsonaro
Bolsonaro está detido em um espaço de aproximadamente 12 metros quadrados, equipado com cama, armário, mesa, frigobar, ar-condicionado, janela e banheiro exclusivo. Imagens divulgadas depois de sua detenção mostram que há uma televisão instalada na sala especial.
Os defensores explicaram que a nova Smart TV, a ser fornecida pela família do ex-presidente, não será usada para acessar redes sociais. O objetivo, segundo eles, é limitar o uso a canais de notícias e plataformas jornalísticas, como o YouTube, “em sua função estritamente informativa”.
Além do pedido referente à televisão, a defesa requisitou autorização para que o Bispo Robson Lemos Rodovalho e o Pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni possam prestar assistência religiosa a Bolsonaro. “O atendimento espiritual será realizado de forma individual, com supervisão institucional, sem qualquer interferência na rotina do estabelecimento, tampouco risco à segurança”, diz o pedido.
Solicitações anteriores
Na semana anterior, os advogados também haviam solicitado providências a respeito do “ruído contínuo e permanente” do sistema de ar-condicionado central da sede da Polícia Federal, que, de acordo com a defesa, incomoda Jair Bolsonaro por causa da proximidade do equipamento com sua cela.
Recuo ocorre depois de regime iniciar libertação de presos políticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 9, que suspendeu uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela. Segundo o republicano, a decisão ocorreu depois de o regime chavista iniciar a libertação de presos políticos.
O anúncio foi feito em publicação na rede Truth Social. Apesar do recuo, Trump declarou que “todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”. Ele afirmou que a libertação representa um sinal de busca pela paz e descreveu a iniciativa como um “gesto importante e inteligente” por parte de Caracas.
Além disso, Trump destacou que os EUA e a Venezuela mantêm cooperação em áreas estratégicas, especialmente no setor de petróleo e gás. Segundo ele, “grandes empresas petrolíferas” planejam investir US$ 100 bilhões na exploração do insumo venezuelano.
“Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, escreveu.
Inclusive, informou ao The New York Times que a gestão interina da Venezuela está “entregando tudo o que consideramos necessário”. Interpelado sobre a duração da intervenção norte-americana, respondeu que “só o tempo dirá”, mas indicou que o envolvimento será longo.
Venezuela mantém mais de 800 presos políticos
A libertação dos presos começou nesta quinta-feira, 8. A coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática informou que sete pessoas deixaram a prisão, entre elas três venezuelanos — Rocío San Miguel, Biagio Pilieri e Enrique Márquez — e quatro espanhóis.
Enquanto isso, entidades independentes seguem monitorando a situação dos presos políticos no país. De acordo com a ONG Foro Penal, a Venezuela mantém atualmente 806 pessoas detidas por razões políticas, incluindo 175 militares, 105 mulheres e um adolescente.
Caciques do partido acreditam que o petista venceria a disputa. Se Tarcísio entrar no páreo, o cenário será outro
08 jan 2026 – 18h11
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante a sabatina do procurador-geral da República, Paulo Gonet – 12/11/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Dirigentes do Progressistas (PP) já trabalham com um cenário que, até pouco tempo atrás, seria impensável: a possibilidade de apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso a direita confirme o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu principal candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Se a disputa se desenhar entre Lula e Flávio, o PP considera que o petista largaria como favorito — e, diante disso, a estratégia mais racional seria garantir espaço no governo, pleiteando ministérios e preservando a proximidade com o presidente. A ideia é apoiar quem tem mais chances de vencer.
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Essa leitura, contudo, não é absoluta. Ela muda radicalmente se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidir disputar a Presidência. Nesse caso, o PP tende a permanecer no campo da oposição e investir em uma aliança mais orgânica com o campo bolsonarista e o centrão.
Tarcísio só aceitaria disputar o Planalto se fosse o candidato de consenso de toda a direita, inclusive com o aval explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos filhos. De qualquer outra forma, o governador considera o movimento arriscado e politicamente desagregador.
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O posicionamento de Tarcísio diminuiu o entusiasmo que setores do PP ainda nutriam por uma candidatura presidencial do governador paulista. O próprio presidente da legenda, Ciro Nogueira, passou a tratar como praticamente descartada a hipótese de Tarcísio enfrentar Lula em 2026.
Flávio confiante
Nesse cenário, Flávio trabalha com a convicção de que será o candidato da direita. O senador aposta na manutenção de bons números nas próximas pesquisas eleitorais e na redução gradual da rejeição ao sobrenome Bolsonaro. Entre seus interlocutores, o argumento é que os escândalos do atual governo e o avanço da direita na América Latina criariam um ambiente mais favorável. Essa leitura ganhou força depois do colapso do regime de Nicolás Maduro.
A confiança de Flávio, contudo, impõe um dilema ao PP. Parte do partido avalia que o senador, apesar da base fiel, ainda carrega um teto eleitoral limitado. Daí a percepção de que, em uma disputa direta com Lula, o melhor caminho para preservar influência política seria negociar com o governo petista desde já, em vez de apostar todas as fichas em uma candidatura considerada frágil.
A indefinição nacional impacta diretamente a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A formação das chapas estaduais, por exemplo, depende de quem será o candidato à Presidência apoiado pelo PP. Se Tarcísio permanecer fora da corrida nacional e disputar a reeleição, o partido tende a manter uma relação neutra, sem proximidade.
Se, por outro lado, Tarcísio resolvesse mudar de posição e concorrer ao Planalto, o PP não apenas o apoiaria como também usaria o prestígio do governador para eleger seu possível sucessor: o secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite (PP).
A pressão pública feita pelo partido, por meio de notas e críticas ao suposto distanciamento do governador em relação a prefeitos e parlamentares da sigla, é vista por aliados como instrumento de barganha. Começaram as eleições de 2026.
Ex-primeira-dama diz que marido sentiu dor intensa, teve confusão mental e enfrentou demora no socorro
Michelle concede entrevista coletiva no hospital em que Bolsonaro passou por exames | Foto: Reprodução/CNN Brasil
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira, 7, que presenciou o ex-presidente Jair Bolsonaro sofrendo durante atendimento médico no hospital DF Star, em Brasília. Segundo ela, ele chegou a pedir para morrer por causa da dor.
“Eu vi ele pedindo para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor”, declarou a jornalistas em frente ao hospital. Bolsonaro passou por exames depois de sofrer uma queda na terça-feira 6, dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal (PF).
Michelle disse, porém, que não foi possível determinar com precisão o horário do acidente. Segundo ela, Bolsonaro apresentou confusão mental e dificuldade para se comunicar, quadro que se agravou pelo uso de medicações fortes.
A ex-primeira-dama voltou a defender a prisão domiciliar para o ex-presidente e afirmou que não há justificativa para a manutenção da prisão diante do quadro de saúde. “Ele não deveria estar em uma solitária, com 70 anos e vários problemas de saúde que precisam ser administrados”, disse.
Michelle diz que Bolsonaro não lembra da queda
A ex-primeira-dama afirmou que o ex-presidente não se lembrava se a queda ocorreu durante a madrugada ou à noite. “Ele não conseguia falar, ele não se lembrava”, disse. Segundo ela, há um degrau entre o quarto e o banheiro da cela, o que pode ter contribuído para o acidente.
De acordo com Michelle, Bolsonaro convive com dores constantes por causa das cirurgias realizadas ao longo dos últimos anos. “Ele já ligou esse modo de sobrevivência”, afirmou. Ela disse que o marido evita pedir ajuda, o que pode ter influenciado na demora para o socorro.
A ex-primeira-dama também relatou que o quarto costuma ser aberto às 8h para a primeira medicação do dia, mas que o atendimento teria ocorrido só cerca de 40 minutos depois.
Além disso, ela criticou o fato de não ter acompanhado Bolsonaro durante os exames e disse que o casal teve pouco tempo de contato no dia do incidente. “Apenas 30 minutos ontem, que foi o nosso direito”, declarou.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou que houve demora “inaceitável” no atendimento médico. “Imagina se acontece novamente e há esse atraso no atendimento de forma inacreditável, 24 horas depois. Inaceitável”, declarou.
Processo foi enviado depois de o ex-presidente se acidentar
O ministro Alexandre de Moraes, durante uma sessão plenária no STF – 13/03/2025 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo
Nesta quinta-feira, 8, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu um pedido de prisão para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em virtude de “tortura” contra o ex-presidente Bolsonaro. A PGR ainda não o analisou.
Obtido em primeira mão por Oeste, o processo assinado pelos advogados Paulo Faria e Filipe de Oliveira foi protocolado depois de Bolsonaro sofrer um acidente na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre a pena de quase 30 anos de cadeia, por causa de suposta tentativa de golpe de Estado.
Conforme Faria, após se machucar, Bolsonaro permaneceu, “por período superior a 24 horas, sem atendimento hospitalar adequado, apesar de recomendação médica e da existência de sintomas neurológicos”.
De acordo com o advogado, a decisão de Moraes que impediu o ex-presidente de deixar o cárcere imediatamente provocou “sofrimento físico e psicológico relevante”, além de ter violado “direitos fundamentais, à Lei de Execuções Penais e a normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos”.
O advogado sustentou que a conduta configura omissão estatal, “consistente no retardamento deliberado da assistência médica”, o que, na avaliação dele, é “crime permanente, atraindo a incidência das regras de flagrante delito contínuo”.
Faria falou ainda em abuso de autoridade, prevaricação e infrações penais relacionadas à proteção da pessoa idosa, destacando a idade do ex-presidente como “circunstância agravante legal”.
Medidas adotadas no âmbito de pedido sobre Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro faz aparição no quintal da casa onde cumpre prisão domiciliar, em Brasília – 9/9/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Por fim, Faria requereu à PGR a “instauração das providências investigativas cabíveis, a análise da tipicidade penal das condutas narradas”.
Entre os pedidos formulados, constam ainda a “decretação imediata da prisão em flagrante do noticiado por crime inafiançável”, a responsabilização pelos crimes narrados e “a adoção de todas as providências legais cabíveis, inclusive oitiva do noticiado e produção de provas”.