Editoriais do Estadão e de O Globo acusam o Planalto de usar manobras fiscais e subsídios com o único objetivo de comprar apoio político

Lula Novo Desenrola Brasil
Lula, durante lançamento do novo ‘Desenrola’ – 04/05/2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Dois dos principais jornais do país publicaram duras críticas à política econômica do governo federal nesta segunda-feira, 18. Os editoriais de O Estado de S. Paulo e de O Globo condenaram o pacote de bondades lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As publicações revelam que o Planalto gasta sem freios para tentar recuperar a popularidade e garantir a reeleição.

O levantamento do banco BTG Pactual mostra que as dez medidas colocadas em prática nos últimos dois anos já custam R$ 140 bilhões aos cofres públicos. Os jornais ressaltam que o preço desse movimento será o avanço da inflação e a manutenção da taxa de juros em patamares estratosféricos. Para a mídia, o governo cria uma herança maldita que vai punir justamente os eleitores mais pobres no futuro próximo.

Dribles na Lei de Responsabilidade Fiscal

Estadão destacou o perigo do uso repetido de manobras parafiscais pelo governo lulopetista. Esse mecanismo injeta dinheiro na economia por meio de fundos, bancos públicos e estatais, sem precisar do aval do Congresso Nacional nem de espaço no Orçamento Geral da União. O jornal paulista classificou a estratégia como “demagogia” e citou como exemplos o novo Desenrola e as linhas de crédito Move Brasil, gerida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Globo acusou o Palácio do Planalto de tentar burlar deliberadamente a Lei de Responsabilidade Fiscal. O veículo carioca criticou a tentativa de usar o dinheiro extra da venda do petróleo brasileiro, inflacionado pela guerra no Oriente Médio, para cobrir os rombos abertos por subsídios aos combustíveis. O texto defende a ideia de que essa receita inesperada deveria servir para abater o estoque da dívida pública, e não para financiar programas eleitoreiros.

Foco na classe média e subsídios injustos

O público-alvo dos benefícios também foi objeto de contestação nos dois textos. O governo ampliou o Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 13 mil e extinguiu a chamada “taxa das blusinhas”, sobre importações de até US$ 50. Os editoriais concordam que essas decisões miram especificamente na classe média, faixa do eleitorado em que a aprovação do presidente sofreu quedas consecutivas nas pesquisas.

O jornal carioca considerou a ajuda de R$ 0,89 por litro na gasolina uma medida injusta por beneficiar ricos e pobres sem distinção. A publicação lembrou ainda que o plano de subsidiar veículos para taxistas e motoristas de aplicativo imita os mesmos auxílios lançados por Jair Bolsonaro às vésperas do pleito anterior. Os jornais concluem que a fatura do crescimento artificial da economia vai chegar na forma de endividamento crônico e carestia de alimentos.

Informações Revista Oeste


Conselho teria ocorrido em um encontro no Palácio do Planalto

Lula e Daniel Vorcaro Fotos: PR/Ricardo Stuckert | Márcio Gustavo Vasconcelos /CC0 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconselhou o empresário Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master para o BTG Pactual. O conselho ocorreu em reunião no dia 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, conforme revelou reportagem do UOL.

A conversa contou com a participação de três ministros de Estado e de outros executivos do banco. Detalhes do encontro constam em um documento que foi apreendido pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes na instituição.

Os arquivos mostram que, em abril de 2025, Vorcaro discutiu o tema com o sócio Augusto Lima. O plano deles consistia em vender o Banco Master para o BTG pelo valor simbólico de R$ 1. Nas mensagens, o empresário pediu sigilo total sobre o negócio.

— Irmão, pelo amor de Deus, não passe isso para ninguém — pediu Vorcaro.

Augusto Lima concordou com a orientação do banqueiro.

— Lógico, irmão. Tá doido — respondeu o sócio.

Antes disso, o Master foi oferecido ao BRB, banco estatal do Distrito Federal. A transação falhou por problemas em carteiras de crédito. O negócio acabou vetado pelo Banco Central em setembro de 2025, e o órgão liquidou o Master dois meses depois, em novembro.

Em abril do mesmo ano, Vorcaro e Lima se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em Brasília, mas a venda ao BTG não avançou. Na ocasião, Vorcaro questionou o presidente se deveria vender a empresa ou continuar no mercado de crédito.

— O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente — perguntou Vorcaro a Lula.

Segundo o site Poder360, Lula se animou com o plano de Vorcaro de reduzir a grande concentração bancária. Participaram da reunião os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, além de Galípolo, que assumiria o Banco Central depois.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também esteve presente no Planalto, atuando como consultor do Banco Master. Após a reunião, Vorcaro enviou mensagens para a namorada celebrando o encontro com o presidente e os ministros, classificando a agenda como ótima.

Informações Pleno News


Pesquisa, que coloca petista com 40,2% das intenções de voto, ocorreu antes da divulgação de áudios entre o senador e Daniel Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula da Silva: novo cenário para 2026 | Foto: Montagem/Oeste
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula da Silva | Foto: Montagem/Oeste

Um levantamento da Vox Brasil divulgado nesta sexta-feira, 15, mostra que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato ao Planalto, lidera as intenções de voto em um eventual segundo turno presidencial, com 43,8%. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 40,2% nesse cenário.

A agência informou que a coleta dos dados ocorreu antes do surgimento do caso que envolve o áudio de Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Além da disputa entre o senador e Lula, a pesquisa considerou outros possíveis confrontos de segundo turno. Entre eles, o petista enfrentou Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Renan Santos (Missão-SP). O levantamento ocorreu entre os dias 9 e 12 de maio.

No cenário contra Zema, Lula aparece com 43,1% das intenções de voto, ante 34,3% do ex-governador mineiro. Já em uma eventual disputa contra Caiado, o presidente registra 42,9%, enquanto o ex-governador de Goiás soma 32,5%. Contra Renan Santos, Lula alcança 44,4%, e o integrante do Missão obtém 26,2%.

Mais cenários, rejeição dos candidatos e metodologia 

modelo de urna eletrônica - eleições suplementares - direita x esquerda
Modelo de urna eletrônica usada no sistema eleitoral brasileiro | Foto: Reprodução/TSE 

Nos cenários de primeiro turno analisados, Lula apresenta índices de intenção de voto que variam de 34,3% a 35,1%. Já Flávio Bolsonaro varia de 36,5% a 37,8%. 

A pesquisa ouviu 2,1 mil pessoas e apresenta margem de erro de 2,15 pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo tem financiamento próprio, registro no TSE sob o número BR-02423/2026 e custou R$ 50 mil.

Em relação à rejeição dos candidatos, 54,1% dos eleitores afirmaram rejeitar Lula, enquanto Flávio Bolsonaro somou 39,3% no quesito. 

O levantamento também avaliou a aprovação do governo Lula, com declaração de desaprovação por 51,5% dos entrevistados e de aprovação por 45,1%; 3,4% não souberam opinar.

Informações Revista Oeste


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu nesta sexta-feira (15) às críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) sobre as negociações envolvendo recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Antes de embarcar de Brasília para o Rio de Janeiro, Flávio afirmou que Zema “foi precipitado” ao condená-lo publicamente e disse que esperava ao menos o “benefício da dúvida”. Segundo o parlamentar, ele tentou contato com Zema após as declarações do mineiro.

– Acho que ele foi precipitado, eu acho que eu merecia, pelo menos, da parte dele, já que nós conversamos, o benefício da dúvida, pelo menos. E após as minhas declarações, após os meus esclarecimentos, todo mundo com quem eu conversei diz que ficou bastante claro que não houve nada de errado, portanto, eu acho que ele se equivocou em se antecipar e pré-condenar. Ele se equivocou, jamais faria isso com ele – disse.

Na última quarta (13), mesmo dia em que o site Intercept Brasil divulgou o conteúdo de conversas entre Flávio e Vorcaro, Zema classificou como “imperdoável” e “um tapa na cara da sociedade” o fato de o senador ter cobrado recursos do banqueiro.

Em contraste, Flávio elogiou a postura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), também pré-candidato ao Planalto, dizendo que o o político adotou uma posição mais respeitosa diante da crise.

Flávio nega qualquer irregularidade na relação com Vorcaro e sustenta que os recursos correspondem a patrocínio privado para uma obra privada, sem uso de dinheiro público ou vantagem pessoal. O senador também sustenta que os valores foram direcionados a um fundo de investimento sediado nos Estados Unidos e fiscalizado por autoridades americanas.

*Pleno.News
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


Segundo levantamento divulgado pelo Poder360 nesta quinta-feira, a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 54% dos entrevistados. Outros 40% afirmaram aprovar a atual gestão federal.

A pesquisa, realizada pelo instituto Gerp, também aponta que 47% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 32% avaliam a administração como boa ou ótima. Já 19% consideram a gestão regular.

O levantamento ouviu 2 mil pessoas entre os dias 8 e 12 de maio de 2026, em todo o território nacional. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03369/2026.

Fonte: Poder360

Pai de Daniel Vorcaro é preso
14 de Maio de 2026

Sete mandados de prisão foram expedidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que tem como alvo integrantes do grupo intitulado ‘A turma’

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais

Investigações sobre fraudes financeiras resultaram na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, durante uma operação deflagrada nesta quinta-feira, 14, em Belo Horizonte. A detenção foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Sete mandados de prisão foram expedidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que tem como alvo integrantes do grupo intitulado “A turma”.

De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Henrique Vorcaro, que exerceu a presidência da Multipar, é suspeito de envolvimento em transações que somaram R$ 1 bilhão no período de 2020 a 2025. As movimentações financeiras teriam sido realizadas para ocultar ativos e dificultar o rastreamento do patrimônio.

Detalhes das movimentações suspeitas de Henrique Vorcaro

O Coaf detalhou que a Multipar concentrou operações de mais de R$ 1 bilhão exclusivamente entre contas relacionadas ao ex-dono do Banco Master. Desde o início da apuração, a participação do pai de Daniel Vorcaro nas irregularidades já era alvo de suspeitas, com indícios que apontavam para tentativas de esconder bens.

Informações Revista Oeste


Ex-presidente quer que o filho enfrente crise provocada pelos diálogos do senador com Daniel Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista coletiva em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde falou do estado de saúde do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro – 13/3/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista coletiva em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde falou do estado de saúde do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro – 13/3/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Jair Bolsonaro na tarde desta quarta-feira, 13, cerca de 30 minutos depois da divulgação da reportagem que revelou negociações entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente.

Segundo relatos obtidos por Oeste, o encontro ocorreu por volta das 14h30. Bolsonaro já tinha conhecimento do conteúdo publicado e orientou o filho a sustentar publicamente sua versão dos fatos e a evitar qualquer sinal de recuo político diante da repercussão.

A avaliação no entorno do ex-presidente era que a resposta precisava ser imediata. Depois da conversa com Bolsonaro, Flávio passou a discutir com aliados a divulgação de uma nota oficial e de um vídeo nas redes sociais para explicar os diálogos com o ex-banqueiro. “Apenas fale a verdade”, disse o ex-presidente ao senador.

Interlocutores ligados ao núcleo bolsonarista afirmam que nada mudou depois da divulgação do caso. Por ora, não existe a possibilidade de o senador abandonar o projeto presidencial para 2026.

A conversa de Flávio com Vorcaro

A reunião ocorreu depois de o site The Intercept BR publicar mensagens e áudios atribuídos a Flávio. O material mostra que o senador negociou com Vorcaro um aporte milionário para o filme Dark Horse, projeto cinematográfico sobre Bolsonaro.

Segundo a reportagem, o valor discutido chegaria a cerca de US$ 25 milhões — ou R$ 135 milhões, na cotação atual. Em um dos trechos divulgados, Flávio afirma ao banqueiro: “Estou e estarei contigo sempre”.

Depois da repercussão, o senador confirmou a existência das conversas com Vorcaro, mas negou irregularidades. Disse que o caso envolvia patrocínio privado para uma produção audiovisual e afirmou que não houve uso de recursos públicos nem contrapartida política.

https://youtube.com/watch?v=5hvHcD5gdVU%3Ffeature%3Doembed

Nos bastidores, aliados do ex-presidente passaram a atuar para impedir que o episódio provocasse desgaste na pré-campanha. Havia receio de impactos sobre a disputa presidencial de 2026 e sobre a interlocução do bolsonarismo com setores do mercado financeiro.

Vorcaro foi preso em março deste ano sob suspeita de corrupção e pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central. As investigações apontam fraudes bilionárias que envolvem carteiras de crédito do Banco Master.

Mesmo depois da divulgação da reportagem, Bolsonaro decidiu manter apoio integral ao filho. “Vai para cima”, disse o ex-presidente ao senador.

Informações Revista Oeste


Trocas de mensagens e comprovantes de pagamento indicam transferências para a produção de Dark Horse

Flávio Bolsonaro
Flávio ainda não se manifestou sobre o assunto | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado 

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conversou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época das conversas, o Banco Master já enfrentava o avanço das investigações que culminaram na prisão de seu controlador e na liquidação da instituição financeira.

Mensagens, comprovantes bancários e cronogramas de pagamento revelados pelo site Intercept Brasil sugerem que ao menos US$ 10,5 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar a produção cinematográfica ligada à família Bolsonaro. À época, o valor correspondia a mais de R$ 60 milhões.

Os documentos mostram que o plano inicial previa um aporte total próximo de US$ 25 milhões. Parte das operações teria sido realizada por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa usada como alternativa para viabilizar remessas internacionais depois que o Master passou a enfrentar dificuldades para concluir operações ligadas ao projeto.

As conversas mostram que as negociações começaram ainda em dezembro de 2024. Em 8 de dezembro daquele ano, o empresário Thiago Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio e Vorcaro, em Brasília. Ao confirmar a reunião, Miranda afirmou que o senador queria tratar do “filme do presidente” e acrescentou: “Flavio está ciente de tudo”.

O encontro foi marcado para 11 de dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro. Naquele horário, Flávio participava de uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Imagens da transmissão oficial mostram quando o parlamentar deixa o plenário, pouco depois das 17h30, ao receber uma ligação telefônica.

Quase uma hora depois do horário marcado para o encontro, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) enviou um áudio a Vorcaro para agradecer pelo apoio ao projeto. Segundo a gravação mencionada pela reportagem, Frias afirmou que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e teria importância política para o país.

Conversas se intensificam

Nos meses seguintes, as cobranças pela liberação do dinheiro se intensificaram. Em janeiro de 2025, Miranda encaminhou ao banqueiro mensagens atribuídas Flávio, que o estaria pressionando para dar sequência ao investimento no filme. Horas depois, Vorcaro respondeu: “Vou atrás aqui”.

As mensagens sugerem que Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro do banqueiro, assumiu a coordenação operacional das remessas internacionais. Em uma conversa de 21 de janeiro, Zettel explicou que o filme teria inicialmente dez parcelas de US$ 2,5 milhões. Mais tarde, outro cronograma mencionou 14 pagamentos, em valores menores.

No fim daquele mês, Vorcaro demonstrou preocupação com os atrasos. Em uma das mensagens reproduzidas na reportagem, escreveu: “Não pode falhar mais”.

As dificuldades para transferir os recursos para os Estados Unidos começaram a aparecer em fevereiro. Zettel relatou resistência do setor de câmbio do Banco Master para concluir as operações e afirmou que havia informações cadastrais consideradas “meio estranhas”. Vorcaro então orientou que os pagamentos fossem realizados “via entre”, referência à Entre Investimentos e Participações.

A reportagem sustenta que, embora o Grupo Entre e Vorcaro negassem vínculo societário, documentos judiciais e administrativos indicariam uma conexão operacional entre ambos. O nome de Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado ao grupo, aparece nas mensagens sob o apelido de “Mineiro”.

Em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou a Vorcaro o comprovante de uma transferência internacional de US$ 2 milhões destinada ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas e apontado como estrutura financeira da produção cinematográfica.

Documentos societários citados pelo Intercept identificam o advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro, como representante legal do fundo nos Estados Unidos. O corretor Altieris Santana também aparece ligado à estrutura societária da empresa.

Vorcaro cobra pagamentos pendentes

Em março, Vorcaro voltou a cobrar os pagamentos pendentes. Um cronograma enviado pelo banqueiro mostrava que apenas a primeira parcela havia sido quitada até então. O documento previa seis pagamentos, que somariam cerca de US$ 10,5 milhões, entre janeiro e maio.

No mesmo período, Eduardo Bolsonaro apareceu diretamente nas tratativas. Segundo a reportagem, o parlamentar sugeriu alternativas para facilitar a remessa dos recursos aos Estados Unidos e pôs Altieris Santana à disposição para reuniões presenciais relacionadas às operações financeiras.

O avanço do financiamento coincidiu com o agravamento da crise do Banco Master. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens revelam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e maior proximidade com Flávio. Em agosto, Miranda encaminhou ao banqueiro uma tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, o que sugere que cerca de US$ 10,5 milhões já haviam sido transferidos, de um total previsto de aproximadamente US$ 25 milhões. Vorcaro respondeu: “Segunda fazemos duas”.

Dias depois, em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio em que cobra diretamente a continuidade dos pagamentos. O senador demonstrou preocupação com o risco de interrupção das filmagens e mencionou compromissos assumidos com profissionais estrangeiros envolvidos na produção. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus”, afirmou, em referência ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.

Na mesma gravação, Flávio disse que o projeto estava na “reta final” e que a produção não poderia “vacilar” naquele momento. Vorcaro respondeu com pedido de desculpa pelos atrasos e prometeu resolver a situação no dia seguinte.

Flávio cogitou buscar “outro caminho”

Cinco dias antes dessa conversa, o Banco de Brasília havia anunciado que o Banco Central rejeitou a operação de compra do Banco Master pelo BRB, o que agravou a crise financeira da instituição.

As mensagens seguintes mostram que os contatos continuaram frequentes. Em outubro, Flávio informou a Vorcaro que as filmagens haviam chegado “no limite” financeiro e que seria necessário buscar “outro caminho” caso o apoio não continuasse. O banqueiro respondeu: “Deixa comigo”.

No mesmo mês, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo, com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh. A reportagem afirma que não há confirmação de que o encontro tenha ocorrido.

Em 7 de novembro de 2025, o senador enviou ao banqueiro um vídeo de visualização única acompanhado da mensagem: “Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Que demais” e “Ficou perfeito”.

Nove dias depois, Flávio voltou a procurar o empresário. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu. “Só preciso que me dê uma luz!”

Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso, enquanto tentava deixar o país. O ex-banqueiro é acusado de operar um esquema de fraude que teria provocado prejuízo de cerca de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Na manhã desta quarta-feira, 13, o Intercept perguntou pessoalmente a Flávio Bolsonaro sobre o suposto financiamento de Vorcaro ao filme. O senador negou. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, afirmou.

Oeste também entrou em contato com o senador, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Informações Revista Oeste


A cerimônia de posse de Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (12), acabou servindo também como palco para um novo capítulo da crise entre Palácio do Planalto e Congresso após a derrota da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A razão para isso foi um gesto – ou a ausência dele – que teve relevância no meio político: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por não aplaudir o chefe da AGU, que estava presente na posse, quando ele foi citado nominalmente durante discurso do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.

Messias foi mencionado de forma elogiosa por Simonetti, que o chamou de “querido amigo”. Enquanto parte do público reagiu com aplausos, Alcolumbre permaneceu imóvel. O gesto foi acompanhado por outras figuras de peso presentes na solenidade, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do STF, Edson Fachin, que também não aderiram à manifestação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aplaudiu brevemente.

A cena ganhou peso por ocorrer apenas duas semanas após o Senado rejeitar a indicação de Messias para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no ano passado. A derrota foi histórica: pela primeira vez desde 1894, o Senado recusou formalmente um indicado presidencial ao STF. O placar final foi de 42 votos contra 34, em votação secreta.

Desde antes da sabatina, Alcolumbre já articulava contra o nome de Messias. O senador defendia outro nome para a vaga: seu aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado. Lula, no entanto, tinha outros planos para Pacheco, vendo nele um potencial candidato ao governo de Minas Gerais, e manteve a aposta em Messias.

A tensão ficou visível também na disposição das autoridades durante a posse. Lula e Alcolumbre ficaram sentados lado a lado, mas evitaram interações públicas, sem troca de olhares ou conversas perceptíveis. Nunes Marques ocupou a cadeira ao lado oposto do presidente.

Nos bastidores, a derrota de Messias segue reverberando. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o AGU teria atribuído sua rejeição a uma articulação envolvendo ministros do Supremo, mencionando nominalmente Alexandre de Moraes e Flávio Dino como influenciadores do resultado no Senado.

*Pleno.News
Foto: Luiz Roberto/TSE


A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) aponta um cenário de equilíbrio em um eventual segundo turno da disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o levantamento, Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 41%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O estudo mostra ainda que Lula mantém vantagem mais consolidada no Nordeste, entre mulheres, católicos, eleitores acima de 60 anos e beneficiários do Bolsa Família. Já Flávio Bolsonaro apresenta desempenho superior entre homens, evangélicos e moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste/Norte. No recorte regional do cenário entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista lidera amplamente no Nordeste, onde alcança 61% contra 28% do senador.

Em contrapartida, Flávio aparece à frente no Sul, com 49% diante de 30% de Lula, além de vantagem no Centro-Oeste/Norte, por 50% a 36%. No Sudeste, os dois aparecem tecnicamente empatados. A pesquisa também indica melhora na avaliação do governo federal. De acordo com o levantamento, 46% dos entrevistados aprovam a gestão Lula, enquanto 49% desaprovam. No levantamento anterior, realizado em abril, os índices eram de 43% de aprovação e 52% de desaprovação.

O levantamento ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, em entrevistas presenciais realizadas em 120 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

*Metro1
Foto: Montagem: Ricardo Stuckert / PR e Zeca Ribeiro/Agencia Camara