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Landais Alzheimer, no sudoeste de França, é uma vila com uma diferença: todos os habitantes têm demência.

A loja na praça principal fornece mantimentos simples, como a importantíssima baguete, mas não aceita dinheiro, então ninguém precisa se lembrar da carteira.

Ali o ex-agricultor Francis recolhe seu jornal diário — e eu sugiro que tomemos um café ao lado, no restaurante que funciona como coração social da vila.

Pergunto a Francis como foi quando o médico lhe disse que ele tinha Alzheimer.

Ele balança a cabeça, voltando àquela época, e, após uma pausa, diz: “Muito difícil.”

Seu pai também tinha Alzheimer – mas Francis continua sem medo.

“Não tenho medo de morrer, porque isso vai acontecer um dia”, diz ele.

“Enquanto isso, viverei minha vida apesar da doença. Estou aqui para viver, mesmo que não seja a mesma coisa. Se você se render, você se entrega. Então você segue em frente, na medida das suas possibilidades.”

Além da loja e do restaurante, os moradores são incentivados a assistir a apresentações de teatro e participar de outras atividades.

Philippe e Viviane dizem-me que continuam a viver uma vida tão normal quanto possível após o diagnóstico de demência.

“Fazemos passeios. Caminhamos”, diz Philippe, olhando para longe.

E quando pergunto se eles estão felizes, ele instantaneamente vira a cabeça e, com um sorriso brilhante, diz: “Sim, estamos, de verdade.”

Depois de terminar o café e vestir roupas quentes, o casal volta para o parque.

O tempo passa de forma diferente aqui, diz meu guia no vilarejo.

Não há horários definidos para consultas, compras e limpeza. Há apenas um ritmo suave para os moradores, para dar-lhes o máximo de liberdade possível.

A vila, que é parte de um projeto de pesquisa, está sendo monitorada de perto.

A professora Hélène Amieva diz que os primeiros resultados sugerem que está realmente influenciando o curso da doença.

“O que costumávamos ver quando as pessoas entram numa instituição é um declínio cognitivo acelerado – o que não é observado nesta instituição”, diz ela.

“Vemos uma espécie de evolução muito suave. Temos algumas razões para acreditar que este tipo de instituições pode influenciar a trajetória dos resultados clínicos.”

Também observaram uma “redução drástica” nos sentimentos de culpa e ansiedade das famílias, diz a pesquisadora.

Apontando para sua mãe, Mauricette, 89 anos, sentada no quarto dela, Dominique diz: “Estou tranquila, porque sei que ela tem paz de espírito e está em segurança.”

Repleta de fotos familiares, pinturas e móveis da família, o quarto tem uma grande janela voltada para o jardim.

Sem horário de visita, as pessoas entram e saem quando querem. E Dominique diz que ela e as irmãs não esperavam que o atendimento fosse tão bom.

“Quando eu deixo ela, fico tranquila. Quando chego, é como se estivesse na casa dela — estou em casa com minha mãe”, diz ela.

Cada um dos chalés térreos abriga cerca de oito moradores, com cozinha comunitária, salas de estar e de jantar.

Embora os moradores paguem uma contribuição, os custos de funcionamento (semelhantes aos de uma casa de repouso média) são principalmente cobertos pelo governo regional francês, que pagou US$ 22 milhões (mais de R$ 100 milhões) para criar o vilarejo.

Quando foi inaugurada, em 2020, foi a segunda vila do gênero – e a única a fazer parte de um projeto de pesquisa.

Acredita-se que ainda existam menos de uma dúzia de comunidades como esta no mundo.

Esse modelo tem atraído interesse mundial daqueles que procuram uma solução para o crescimento exponencial previsto da demência.

No salão de beleza da vila, Patricia, de 65 anos, que acabou de secar o cabelo, diz que Landais Alzheimer lhe devolveu a vida.

“Eu estava em casa, mas estava ficando entediada”, diz ela.

“Tinha uma senhora que cozinhava para mim. Estava cansada. Não me sentia bem. Sabia que o Alzheimer não era fácil e estava com medo.”

“Eu queria estar em algum lugar onde pudesse ajudar também. (…) Diferente de outras casas de repouso, aqui é vida real. Quando digo real, quero dizer real.”

Muitas vezes, a demência pode isolar as pessoas. Mas aqui parece haver um forte sentimento de comunidade, com pessoas genuinamente interessadas em se encontrar e participar de atividades.

E os pesquisadores dizem que este elemento social pode ser parte da chave para viver uma vida mais feliz e potencialmente mais saudável com demência.

São cerca de 120 moradores e o mesmo número de profissionais de saúde, além de voluntários.

É claro que existe o aspecto difícil de ser uma condição sem cura conhecida.

Mas à medida que a doença de cada morador progride, eles recebem o apoio de que necessitam.

E embora este possa ser o inverno da vida destes aldeões, os funcionários daqui acreditam que ele vem mais lentamente e com mais alegria ao longo do caminho.

Créditos: G1.


Foto: Danylo Pavlov/ Reuters 

Um ataque massivo e combinado da Rússiacontra várias regiões da Ucrânia deixou 12 pessoas mortas e 60 feridas nesta sexta-feira (29). Explosões foram reportadas ao longo da madrugada na capital Kiev e em outras cidades grandes, como Kharkiv e Lviv

A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia usou misseis de cruzeiro, balísticos e hipersônicos, além de drones, durante o ataque desta sexta-feira.

Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, forças russas lançaram 110 mísseis contra a Ucrânia, bem acima da média dos ataques perpetrados ao longo do ano. Entre os alvos bombardeados, disse Zelensky, estão maternidades, escolas, shoppings e residências

Entre os mortos, dez ficaram presos em escombros em Kiev, e outras duas pessoas morreram após uma área residencial ser atingida por mísseis em Odessa, no sul do país. 

“Infelizmente, houve mortes e feridos como resultado dos ataques. Certamente responderemos aos ataques terroristas. E continuaremos a lutar pela segurança de todo o nosso país”, escreveu Zelensky em uma rede social. 

À imprensa russa, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, confirmou o ataque em série, mas alegou que apenas alvos militares foram atacados. 

O governo ucraniano negou e disse ainda que a Rússia mirou também infraestruturas sociais, uma tática que tropas de Moscou usaram ao longo de 2023 para tentar desestabilizar cidades da Ucrânia. 

O Ministério da Energia da Ucrânia afirmou que quatro regiões do país estão ficaram sem luz por causa dos ataques.

Informações G1


Ditador Nicolás Maduro reivindica como parte do território venezuelano a Região de Essequibo

Maduro Guiana venezuela
Nicolás Maduro tem feito publicações em apoio à incorporação da região a oeste do rio Essequibo. Guiana expressou repúdio | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira, 28, exercícios militares conjuntos de “caráter defensivo” no Oceano Atlântico. A ação venezuelana ocorre em resposta à anunciada chegada de um navio da Marinha do Reino Unido às costas da Guiana.

Os dois países da região mantêm uma disputa territorial por uma zona rica em petróleo e minerais. Maduro reivindica como parte do território venezuelano a Região de Essequibo. Há mais de um século, a comunidade internacional considera a região como parte Guiana — que foi colônia britânica até 1966. No início de dezembro, o ditador chegou a realizar um plebiscito para forjar apoio popular em prol da anexação da área.

“Ordenei a ativação de uma ação conjunta de toda a Força Armada Nacional Militar Bolivariana sobre o Caribe oriental da Venezuela”, anunciou Maduro. Ele definiu o envio de um navio britânico à Guiana como uma “provocação”. “Ação sobre a região do Atlântico e uma ação conjunta de caráter defensivo como resposta à provocação e à ameaça do Reino Unido contra a paz e a soberania de nosso país.”

Ele disse que a presença do navio britânico é uma violação do acordo feito em meados de dezembro em San Vicente, nas Granadinas, onde foi abordada a disputa territorial.

Ditador da Venezuela, que deseja invadir a Guiana, fala em “paz”

venezuela guiana
Ditador da Venezuela quer anexar área em laranja, que corresponde a mais de 70% do território da Guiana | Foto: Reprodução/YouTube/Hoje no Mundo Militar

“Acreditamos na diplomacia, no diálogo, na paz, mas ninguém deve ameaçar a Venezuela”, afirmou Maduro. A declaração do ditador ocorreu depois de uma demonstração militar transmitida ao vivo.

O ditador venezuelano classificou a presença do navio britânico na região como “uma ameaça do decadente putrefato Império do Reino Unido“. Não se sabe até agora a reação da Guiana nem do Reino Unido à ação militar da Venezuela.

Revista Oestecom informações da Agência Estado e da agência de notícias Associated Press


Foto: YouTube Christian Breaking News!

A Igreja dos Santos Pedro e Paulo, em Capocastello di Mercogliano, na Itália, está sendo acusada de blasfêmia por exibir um presépio que substituiu José por uma segunda mulher vestida com trajes com um arco-íris.

Ao indicar que Jesus teria duas mães e fazer referência ao ativismo LGBTQ+, o padre Vitaliano Della Sala explicou que seu objetivo era representar a diversidade de famílias na sociedade atual. Para ele, o número de crianças que pertencem a famílias formadas por dois pais ou duas mães é cada vez mais comum, assim como filhos de divorciados e mães solteiras.

Mas a intenção do padre não foi aceita pela comunidade católica italiana. O senador Maurizio Gasparri condenou a exposição e acusou o presépio LGBT de “ofender todos aqueles que sempre tiveram respeito e devoção pela Sagrada Família”.

O grupo pró-vida Pro-Vita & Famiglia também se manifestou contra e iniciou uma petição pedindo ao bispo de Avellino, Arturo Aiello, que removesse a representação, considerada “blasfema e provocativa”.

Quase 25 mil pessoas assinaram a petição que apresentou várias questões que envolvem uma criança nascida de duas mães. A primeira delas é atender ao politicamente correto, depois santificar a prática de venda de gametas, que é ilegal na Itália.

PADRE POLÊMICO
Essa não é a primeira vez que o padre Della Sala causa polêmica. Conhecido como “padre desobediente”, ele chegou a ser destituído do cargo em 2002 e foi reintegrado ao sacerdócio somente em 2018.

Informações TBN


Barry Brecheisen/Getty Images

O ator sul-coreano Lee Sun-kyun, de 48 anos, conhecido internacionalmente por seu papel no filme vencedor do Oscar “Parasita”, morreu enquanto era investigado por uso de drogas ilegais, confirmou a polícia nesta quarta-feira (27).

A polícia da capital Seul disse em comunicado que recebeu uma denúncia de desaparecimento do gerente de Lee. O ator foi encontrado em seu carro na manhã desta quarta-feira.

Fotos da cena na quarta-feira mostram equipes forenses investigando um carro isolado por fita policial.

A polícia da cidade de Incheon confirmou que Lee foi interrogado três vezes desde outubro, como parte de uma investigação sobre suposto uso de drogas.

Lee foi convocado pela polícia recentemente em 23 de dezembro e detido por 19 horas antes de ser libertado no dia seguinte.

Ao longo da investigação, todos os testes de drogas de Lee deram negativo, disse a polícia de Incheon, sem especificar quantos testes ele havia feito.

Lee alegou que foi induzido a usar drogas e posteriormente chantageado pelo mesmo indivíduo, disse a polícia. Lee entrou com uma ação contra o suposto chantagista, de acordo com a polícia, que acrescentou ter recebido uma denúncia sobre seu suposto uso de drogas antes de ele entrar com a ação.

Corpo de Lee Sun-kyun sendo retirado de seu carro para ser levado por uma ambulância / Yonhap News/Reuters

Um homem e uma mulher foram presos na investigação de drogas, disse a polícia. Em 26 de dezembro, ele solicitou à polícia, por meio de seus advogados, que realizasse um exame em si mesmo e em outras duas pessoas detidas pela polícia.

A polícia também ofereceu condolências à família do ator, dizendo que tentou evitar vazamentos na mídia sobre sua investigação sobre drogas antes de sua conclusão – de acordo com a lei sul-coreana, que proíbe os envolvidos em uma investigação criminal de divulgar fatos sobre o suspeito antes que uma acusação pública seja divulgada.

O funeral de Lee será realizado “discretamente” com a presença de familiares e colegas, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap nesta quarta-feira, citando sua agência, Hodu & U Entertainment.

“O ator Lee Sun-kyun faleceu hoje”, disse a empresa, segundo a Yonhap. “Não há como conter a tristeza e os sentimentos devastados.”

“Por favor, evite espalhar informações falsas baseadas em especulações ou suposições”, acrescentou a empresa.

CNN entrou em contato com a agência para comentar e não obteve resposta imediata.

Lee foi aclamado por seu papel como Park Dong-ik, o pai da rica família Park em “Parasite”. Ele também recebeu elogios por seus papéis na série de televisão de 2007 “Behind the White Tower”, na série de 2010 “Pasta” e na série de suspense de ficção científica “Dr. Brain”, pelo qual foi indicado ao Prêmio Emmy Internacional.

CNN Brasil


O movimento é uma ameaça ao decreto assinado pelo presidente Javier Milei que prevê a dispensa de 7 mil funcionários públicos do país

Sindicalistas argentinos
Depois desses cortes, o governo pretende fazer uma auditoria para saber o tamanho real do funcionalismo público argentino | Foto: Reprodução/ATE

A Associação dos Trabalhadores do Estado da Argentina (ATE) convocou uma greve geral para esta quarta-feira, 27. O movimento é uma ameaça ao decreto assinado pelo presidente Javier Milei que prevê a dispensa de 7 mil funcionários públicos do país. 

A maioria dos servidores foi contratada no início do ano pelo antecessor de Milei na Casa Rosada, o esquerdista Alberto Fernández. Os contratos, com prazo até 31 de dezembro, não serão prorrogados. 

“Ninguém espera que aceitemos uma única demissão”, disse Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE. “É na rua que vamos travar os ajustes do governo.”

O número exato de desligamentos ainda é incerto, já que a medida pode atingir servidores da Casa Rosada e da administração direta do governo argentino. Além disso, autarquias, empresas públicas e sociedades anônimas com participação majoritária do Estado da Argentina também irão promover demissões. 

Governo de Milei deve fazer auditoria sobre número de funcionários públicos na Argentina

Javier Milei
Governo de Milei vai auditar número de funcionários e estuda redução de salários | Foto: Reprodução/Twitter/X

Depois desses cortes, o governo Milei pretende fazer uma auditoria para saber o tamanho real do funcionalismo público argentino.

De acordo com a imprensa argentina, o governo federal tem cerca de 390 mil funcionários, dos quais 190 mil são civis. Cerca de cem mil são contratados pela Lei do Quadro Nacional do Emprego Público, sendo o restante é contratado pela Lei do Trabalho.

Na Argentina, a estabilidade atinge apenas um terço daquele primeiro grupo, ou seja, cerca de 33 mil servidores públicos que foram contratados por concurso público oficial. 

Além dos cortes, Milei já anunciou a intenção de reduzir salários no funcionalismo, especialmente dos cargos de alta hierarquia. O jornal argentino Clarín menciona congelamento de remuneração e até mesmo a redução de 15% dos vencimentos de alguns cargos.

Informações Revista Oeste


Conselho de Segurança aprovou resolução sobre envio de ajuda humanitária a palestinos na 6ª feira (22.dez); EUA não votaram

Netanyahu
Primeiro-ministro de Israel ligou para presidente dos Estados Unidos no sábado (23.dez.2023)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu conversou no sábado (23.dez.2023) com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Segundo o gabinete do mandatário, Netanyahu agradeceu a posição de abstenção do país no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e disse que “continuará a guerra até que todos os seus objetivos sejam alcançados”.

Na 6ª feira (22.dez.2023), o conselho aprovouuma resolução para monitorar e intensificar a ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza.

A proposta, cuja votação havia sido adiada mais de uma vez, foi apresentada pelos Emirados Árabes Unidos e teve 13 votos favoráveis. Além dos Estados Unidos, a Rússia também se absteve.

Representantes de organismos internacionais criticaram a resolução. Segundo as entidades, o texto é “insuficiente” por não pedir um “cessar-fogo humanitário” na região.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que a resolução é um “raro sinal de acordo entre os integrantes do Conselho de Segurança”.

“Contudo, o requisito mais premente para o povo de Gaza é um cessar-fogo imediato. O custo devastador da guerra até agora não pode ser ignorado, incluindo a perda de mais de 20.000 vidas, predominantemente mulheres e crianças.”

O chefe da organização também citou o risco de uma crise alimentar e sanitária em zonas do conflito.


Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images

A Nike anunciou nesta sexta-feira (22/12) um plano de cortes de até US$ 2 bilhões (cerca de R$ 9,7 bilhões) para diminuir custos a partir do ano que vem.

A gigante americana do setor de calçados, roupas e acessórios esportivos deve iniciar em breve um processo de demissões em massa nos Estados Unidos. Com um desempenho ruim no terceiro trimestre de 2023, a Nike diminuiu suas projeções de receita para 2024.

De acordo com o diretor financeiro da Nike, Matt Friend, o objetivo da companhia é encerrar o ano fiscal, que termina em maio de 2024, com uma alta de 1% nas receitas.

Em relação às demissões, a empresa não anunciou maiores detalhes. Segundo informações da Dow Jones Newswires, os cortes devem chegar a algumas centenas de funcionários. Ainda não se sabe se as demissões se estenderão para unidades da Nike fora dos EUA.

Nesta sexta, as ações da Nike na Bolsa de Valores de Nova York recuavam 12% nas negociações de pré-mercado.

Metrópoles


Nos últimos dias, os houthis começaram a atacar um novo alvo com foguetes e drones: os navios cargueiros que passam pelo Mar Vermelho com destino ao Canal de Suez.

Homens armados em praia do Iêmen com navio cargueiro ao fundo — Foto: Khaled Abdullah/Reuters

Homens armados em praia do Iêmen com navio cargueiro ao fundo — Foto: Khaled Abdullah/Reuters 

Uma série de ataques a navios em trânsito no Mar Vermelho, em direção ao Canal de Suez, obrigou empresas de logística a mudar o trajeto de seus cargueiros, que terão que dar voltas maiores, o que pode ter consequências para a economia do mundo inteiro. 

O Canal de Suez é a principal conexão entre a Ásia e a Europa, e o caminho marítimo que inclui o Mar Vermelho e o canal é importante para cadeias de suprimento de produtos em todo o mundo. A Agência de Energia dos Estados Unidos (EIA, por sua sigla em inglês) afirma que o local é “essencial para a segurança energética global” e no abastecimento de matérias-primas e mercadoria. 

Os ataques foram feitos pelos rebeldes houthis, um grupo que apoia os palestinos do Hamas na guerra contra Israel. Entenda abaixo o que está acontecendo na região. 

O Iêmen vive uma guerra civil há anos na qual um grupo armado é apoiado pela Arábia Saudita, e o outro, pelo Irã. Esses últimos são os rebeldes houthis. 

Nos últimos dias, os houthis começaram a atacar um novo alvo com foguetes e drones: os navios cargueiros que passam pelo Mar Vermelho com destino ao Canal de Suez. 

O Mar Vermelho é um canal entre a Península Arábica e o continente africano. Em um ponto, no Estreito de Babelmândebe, a distância entre os dois continentes é de apenas 30 quilômetros de mar. Cerca de 10% dos bens comercializados no mundo atravessam essa passagem, de acordo com a agência de notícias Associated Press. 

O Iêmen está em uma das pontas do estreito. Na segunda-feira (18) os houthis confirmaram dois ataques. Eles afirmam que vão atacar navios que têm alguma conexão com a guerra de Israel com o Hamas, mas na prática os alvos deles não são ligados ao conflito (veja abaixo quais foram os últimos cargueiros atacados). 

Os EUA podem enviar militares para responder aos ataques dos rebeldes houthis. O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin afirmou que o país vai organizar uma força com representantes de diversas nações para “responder aos desafios de segurança no sul do Mar Vermelho e no Golfo de Aden, com o propósito de garantir a liberdade de navegação para todos os países”. 

Mapa mostra o caminho que os navios fazem até chegar ao Canal de Suez — Foto: Kayan Albertin/g1 

Cargueiros evitam a região

Os ataques a navios comerciais assustaram algumas das principais empresas de navegação e de petróleo do mundo. Na prática, elas estão desviando a rota comercial do Mar Vermelho. 

Cerca de 50 navios atravessam o Canal de Suez por dia. Segundo o jornal “The New York Times”, os dados mais recentes apontam que pelo menos 32 mudaram de rota. 

Essas mudanças devem causar atrasos e aumentos de preços. 

A British Petroleum (BP) afirmou que decidiu “pausar temporariamente todo o trânsito pelo Mar Vermelho”, incluindo envios de petróleo, gás natural liquefeito e outros suprimentos de energia. Trata-se de uma “pausa de precaução”, segundo a empresa. A decisão não é definitiva. 

Preços do petróleo e de gás natural subiram na Europa por causa do nervosismo do mercado em relação aos ataques dos houthis. 

Pelo Canal de Suez também passam produtos alimentícios e produtos manufaturados. Ele foi inaugurado em 1869, para ligar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, e tem capacidade para receber navios gigantes de até 240 mil toneladas. 

O canal permite que os navios economizem 9 mil quilômetros, de acordo com o World Maritime Transport Council (WSC), instituição que representa as principais empresas de transporte marítimo de carga. 

John Stawpert, gerente sênior de meio ambiente e comércio da Câmara Internacional de Navegação, afirmou que uma interrupção da passagem de navios pelo Canal de Suez “tem o potencial de causar um enorme impacto econômico”. 

Foi no canal que, em 2021, o cargueiro Ever Given ficou preso e interrompeu o trânsito de navios. 

Meganavio encalhado no Canal de Suez provoca prejuízos bilionários pelo mundo; entenda 

Quatro das cinco maiores empresas de navios cargueiros do mundo suspenderam a passagem pelo Mar Vermelho ou redirecionaram o trajeto. São elas: 

Simon Heaney, gerente senior da consultoria Drewry, diz que provavelmente todo o serviço de transporte vai ter que mudar de rota. 

Alguns navios terão que contornar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África. Segundo alguns analistas ouvidos pela Associated Press, isso pode aumentar o tempo de viagem em mais de uma semana. 

As empresas podem colocar mais navios em circulação para compensar o tempo extra ou queimar mais combustível se decidirem ir mais rápido. 

Isso tudo aumenta o custo do transporte, mas a alta de preços não deve ser semelhante à que ocorreu durante a pandemia, segundo Heaney, da Drewry. 

Um porta-voz dos houthis, o general Yahya Saree, disse que o grupo atacou os seguintes cargueiros: 

Fora isso, outros navios afirmaram que foram atacados: 

Informações G1


Na segunda-feira (18), Vaticano divulgou que passará a permitir bênçãos a casais do mesmo sexo. No entanto, documento com a nova orientação, autorizado pelo papa Francisco, também tem ressalvas e deixa decisão nas mãos de padres.

Papa Francisco autoriza padres a abençoarem casais homoafetivos

Em uma decisão histórica divulgada na segunda-feira (18), o Vaticano passou a permitir que padres conduzam bênçãos a casais do mesmo sexo. 

A nova orientação chamou a atenção do mundo porque vai de encontro à doutrina da Igreja Católica de condenar a união homossexual. E é um dos maiores avanços na aproximação a fiéis homossexuais, que há décadas exigem mudanças e modernizações na religião. 

Entenda abaixo o que significa, na prática, a decisão, que recebeu o aval do papa Francisco: 

Quem pode receber a bênção?

Qualquer casal do mesmo sexo pode participar do ritual, que pode ser realizado dentro de qualquer igreja católica. 

Os padres são obrigados a realizar a bênção?

Não. Pela medida, padres católicos romanos podem abençoar casais homossexuais apenas se quiserem. Eles terão a prerrogativa de se negar a fazer a cerimônia, sem qualquer justificativa. 

Por outro lado, o documento divulgado na segunda-feira pelo Vaticano também proíbe os padres de impedir “a entrada (em igrejas) de pessoas em qualquer situação em que possam procurar a ajuda de Deus através de uma simples bênção”. 

Para a Igreja Católica, a bênção é o ato de invocar, a partir de orações, a proteção de Deus sobre uma ou mais pessoas. Na prática, pode ser feita por qualquer pessoa. Já dentro de igrejas, os padres são os responsáveis por realizar esses ritos. 

Isso significa casamento?

Não. A bênção não equivale à celebração de um casamento por um padre, segundo o Vaticano. A nova medida também proíbe que o rito tenha qualquer semelhança com uma cerimônia de casamento. 

Padres também não poderão abençoar casais homossexuais durante liturgias regulares da Igreja. 

No entanto, o documento não especificou quais são as “semelhanças com o casamento” proibidas. O Vaticano diz que os casais homossexuais não poderão reservar uma igreja para o ritual

Mas não deixou claro, por exemplo, se convidados poderão assistir à bênção de casais do mesmo sexo, nem se um dos fiéis poderá trajar roupas semelhantes a de noivas e noivos. 

O Vaticano mudou a postura sobre união homossexual?

O próprio Vaticano diz que não. No mesmo documento, afirma que a Igreja Católica continua a considerar a união entre casais do mesmo sexo um ato “irregular” e que a doutrina não mudou, mas afirmou também que a autorização de bênçãos é um “sinal de que Deus acolhe a todos”. 

Apesar de ter dado o aval ao documento do Vaticano, o papa Francisco também não havia se pronunciado sobre a nova orientação até esta terça-feira (19). 

Mas em outubro, em um discurso, o pontífice já havia indicado que a igreja pudesse passar a permitir a bênção a casais homossexuais em um futuro próximo. 

“Não podemos ser juízes que apenas proíbem”, disse, à época, o pontífice. 

Em agosto, ele disse que mulheres trans são “filhas de Deus” e que a igreja não pode tratá-las de forma diferente. Em janeiro, Francisco criticou países que criminalizam homossexuais e disse que “a homossexualidade não é crime”

Apesar dos avanços, no entanto, coletivos de homossexuais católicos cobram o pontífice por mais mudanças há mais de uma década.

Informações G1

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