Benjamin Netanyahu diz que UNRWA está ‘totalmente infiltrada’ pelo Hamas; funcionários do órgão são acusados de envolvimento nos ataques de 7 de outubro

benjamin netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu o fim da missão da UNRWA | Reprodução/Redes sociais

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu nesta quarta-feira, 31, o fim da missão da Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês).

“É momento de a comunidade internacional e a ONU [Organização das Nações Unidas] entenderem que a missão da UNRWA tem de terminar”, afirmou Netanyahu a uma delegação de embaixadores da ONU.

É a primeira vez que o primeiro-ministro pede o fim da missão. Ele também ressaltou que a agência foi “totalmente infiltrada” pelo Hamas.

Primeiro-ministro de Israel quer o fim de agência

Netanyahu insistiu recorrer a “outras agências da ONU e outras organizações humanitárias” para substituir a UNRWA.

Depois da investigação de funcionários acusados de envolvimento nos atos terroristas do Hamas em 7 de outubro, vários países deixaram de financiar a agência.

Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu declarou que muitas alegações feitas nas acusações de genocídio apresentadas pela África do Sul no Tribunal de Haia foram apresentadas por funcionários da agência da ONU | Foto: Kobi Gideon, GPO

O primeiro-ministro ressaltou que a ONU não tem sido uma “organização estelar” em relação a Israel.

De acordo com Netanyahu, muitas alegações feitas nas acusações de genocídio apresentadas pela África do Sul contra o governo israelense na Corte Internacional de Justiça foram apresentadas por funcionários da UNRWA.

“A pior coisa que posso dizer é isto: que muitas das acusações são falsas e infundadas, que foram levantadas contra nós em Haia [nos Países Baixos]”, afirmou. “Foram apresentadas por funcionários da UNRWA.”

Informações Revista Oeste


Sherri Ann Charleston teria plagiado estudo do próprio marido

Sherri Ann Charleston teria feito plágios desde 2009 | Foto: Divulgação/Harvard

Sherri Ann Charleston, diretora de diversidade e inclusão da Universidade Harvard, foi alvo de 40 acusações de plágio relacionadas ao seu trabalho acadêmico, incluindo uma alegação de que ela não teria citado adequadamente um estudo de seu próprio marido.

Na última segunda-feira, 29, Harvard recebeu uma reclamação anônima com uma lista de ao menos 40 exemplos de suposto plágio de Sherri. Os exemplos datam de 2009, uma década antes de ela ingressar na universidade da Ivy League.

Harvard tem passado por várias polêmicas recentes. Há algumas semanas, a presidente da universidade, Claudine Gay, renunciou ao cargo depois de não combater o antissemitismo no campus e também ser acusada de plágio.

Sherri Ann Charleston teria plagiado estudo do próprio marido em 2014

Claudine Gay reitora de Harvard
A reitora da Universidade Harvard, Claudine Gay, pediu desculpa pelos comentários antissemitas durante audiência no Congresso dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/X/Twitter

Segundo o portal conservador The Washington Free Beacon, que fez uma análise própria da queixa, Sherri Ann Charleston citou ou parafraseou uma dúzia de acadêmicos sem atribuição adequada na sua dissertação na Universidade de Michigan em 2009.

Em 2014, ela teria feito plágio de um estudo de seu marido, LaVar Charleston, produzido em 2012. LaVar Charleston é vice-reitor para diversidade e inclusão da Universidade de Wisconsin-Madison, segundo o jornal The New York Post.

“Você não pode simplesmente republicar um artigo antigo como se fosse um artigo novo”, disse Lee Jussim, psicólogo social da Universidade Rutgers ao veículo. “Se você fizer isso, isso não é exatamente plágio; é mais como uma fraude.”

Representantes de Harvard ainda não confirmaram se estão investigando as alegações. A queixa também foi apresentada à Universidade de Michigan e à Universidade de Wisconsin-Madison.

Informações Revista Oeste


O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou, nesta terça-feira (30), que as tropas “estão prontas e preparadas para uma campanha no norte”, após semanas de fogo cruzado com o Hezbollah na fronteira libanesa após o início da guerra em Gaza.

– Chegará o momento em que a nossa paciência acabará e teremos que agir com contundência para impor a paz na fronteira norte – disse Gallant em seu perfil na rede social X, ex-Twitter, durante uma avaliação da linha de frente na cidade de Haifa, no norte de Israel.

Isto será feito “para mudar a situação de segurança e a segurança dos cidadãos de Israel”, acrescentou o ministro, advertindo que uma campanha militar “seria complexa para Israel, mas devastadora para o Hezbollah e o Líbano”.

Nesta terça pela manhã, aviões de guerra israelenses realizaram ataques contra um “centro de comando do Hezbollah e um posto de observação”, segundo um comunicado militar, na cidade de Khiam, no sul do Líbano.

Pouco antes, um projétil lançado do Líbano atingiu as proximidades de Arab al-Aramshe, uma comunidade localizada a algumas centenas de metros da fronteira, onde, segundo o Exército israelense, “não houve relatos de feridos”.

O risco de um confronto aberto entre Israel e Hezbollah é cada vez mais elevado após 115 dias de fogo cruzado na fronteira, que vive seu pico de tensão mais elevado desde a guerra de 2006 e onde já morreram mais de 230 pessoas, a maioria nas fileiras do Hezbollah, que confirmou 176 vítimas, algumas na Síria.

Do lado israelense, 18 pessoas morreram na fronteira norte, incluindo 12 soldados e seis civis, enquanto no Líbano morreram cerca de 20 membros de grupos insurgentes palestinos, um soldado e 23 civis (incluindo três crianças e três jornalistas).

*EFE


O empresário Elon Musk anunciou, nesta segunda-feira (29), que um paciente humano recebeu o primeiro implante de chip cerebral da Neuralink. A informação foi divulgada por meio do próprio perfil do bilionário no X, antigo Twitter. De acordo com Musk, o procedimento foi realizado no último domingo (28).

Ainda segundo o bilionário, o primeiro produto da Neuralink foi batizado de Telepathy (Telepatia, em português) e permite que humanos controlem quase qualquer dispositivo eletrônico apenas com o pensamento. Musk disse que os primeiros usuários serão aqueles que perderam o uso dos membros.

– Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido do que um digitador rápido ou um leiloeiro. Esse é o objetivo – destacou.

Os estudos com implantes cerebrais em humanos já tinham sido autorizados em maio do ano passado pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). Quatro meses depois, a empresa abriu inscrições para voluntários.

No estudo da Neuralink, um robô introduz um implante de Interface Cérebro-Computador (ICC) por meio de um procedimento cirúrgico. O dispositivo é inserido em uma região do cérebro que controla a intenção de movimento. No primeiro teste, o objetivo da empresa será avaliar segurança do implante e do próprio robô que fez o procedimento cirúrgico.

*Pleno.News


Foto: Gabriel Andrés Trujillo Escobedo/Reprodução

O Papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (29) que “está pronto para iniciar um diálogo” com o presidente e conterrâneo argentino, Javier Milei.

“Sei que ele pediu um encontro para conversar comigo. Eu aceitei e é por isso que nos veremos. E estou pronto para iniciar um diálogo, conversar e ouvir com ele”, declarou Francisco em entrevista ao jornal italiano La Stampa.

Segundo o jornal, o encontro dos dois deve ocorrer em fevereiro.

Ainda na entrevista de hoje, o líder religioso também afirmou que não ficou chateado com as críticas de Javier Milei durante a campanha presidencial do país vizinho.

“As palavras na campanha eleitoral vão e vêm”, afirmou.

Durante a campanha eleitoral que culminou na vitória de Milei, o então candidato à Presidência chamou o papa, de “imbecil que defende a justiça social” e “representante maligno”. Sobre o caso, Javier afirmou ter se desculpado com o pontífice.

Com informações Diário do Poder


Criadas por inteligência artificial, imagens pornográficas falsas de Taylor Swift viralizaram nas redes sociais e revoltaram fãs da cantora e até políticos americanos. Uma das imagens foi vista 47 milhões de vezes no X (ex-Twitter) antes de ser removida. Segundo a imprensa americana, a publicação ficou visível na plataforma por aproximadamente 17 horas, na semana passada.

Os tais “deepfakes” (imagens falsas, mas extremamente realistas) pornográficos de celebridades não são novidade. Contudo, ativistas e autoridades estão preocupados que ferramentas fáceis de usar, que utilizam inteligência artificial (IA) generativa, criem uma avalanche incontrolável de conteúdo tóxico ou prejudicial.

“O único lado positivo de isso ter acontecido com Taylor Swift é que ela provavelmente tem poder suficiente para aprovar uma legislação que acabe com isso. Vocês estão doentes”, escreveu a influenciadora Danisha Carter no X — rede social que é uma das maiores plataformas de conteúdo pornográfico do mundo.

Em comunicado, o X esclareceu que “publicar imagens de nudez não consensual (NCN) é estritamente proibido” em sua plataforma. E completou: “Temos uma política de tolerância zero para esse tipo de conteúdo”.

Já Yvette Clarke, congressista democrata de Nova York que apoiou uma lei para combater fotos pornográficas falsas, ressaltou que “com os avanços em IA, criar deepfakes está mais fácil e barato”. E Tom Keane, legislador republicano, alertou que “a tecnologia de IA está avançando mais rápido do que as barreiras necessárias”.

*Metro1
Foto: Divulgação


O presidente da LVMH tem atualmente patrimônio líquido de US$ 207,6 bilhões e o CEO da Tesla, de US$ 204,7 bilhões

Foto: Redes Sociais

O francês Bernard Arnault tornou-se o homem mais rico do mundo nesta sexta-feira (26), após as ações do grupo de artigos de luxo LVMH terem subido 13% na manhã de sexta. Com isso, o patrimônio líquido do bilionário atingiu US$ 207,8 bilhões (R$ 1,02 trilhão), devido ao acréscimo de US$ 23,6 bilhões (R$ 115,9 bilhões) com a subida das ações, de acordo com o ranking da revista Forbes.

A alteração é decorrência do momento atravessado pelas principais empresas dos dois bilionários. Na quinta-feira (25), o grupo LVMH anunciou um recorde de vendas e faturamento ao atingir 86 bilhões de euros (cerca de US$ 93,4 bilhões ou R$ 458,69 bilhões) e 15,2 bilhões de euros (US$ 16,5 bilhões ou R$ 81,03 bilhões), respectivamente. Em vendas, houve aumento de 9% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido cresceu 8%.

O LVMH controla marcas como Louis Vuitton, Christian Dior, Tiffany, Tag Heuer e Chandon. Na semana, Arnault também divulgou que dois de seus filhos (Alexandre, 31, e Frédéric, 29) entraram no conselho de administração do grupo. Os cinco filhos do bilionário também são responsáveis por dirigirem empresas do conglomerado.

Por outro lado, Musk viu as ações da Tesla despencarem mais de 12% em valor de mercado na quinta-feira, um dia depois de o bilionário divulgar que o crescimento de vendas da fabricante de carros elétricos diminuirá neste ano e que irá priorizar a fabricação de um novo modelo.

A desvalorização resultou na perda de US$ 80 bilhões (R$ 392,88 bilhões) em apenas um dia para a empresa, sendo que Musk viu o patrimônio líquido cair US$ 18 bilhões (R$ 88,39 bilhões), de acordo com a Forbes.

“As manchetes da Tesla foram essencialmente de mal a pior”, disseram os analistas da TD Cowen, observando que a receita e o lucro do quarto trimestre também ficaram abaixo das expectativas. A Tesla também perdeu o posto de líder em vendas no ramo, sendo ultrapassada pela BYD. Musk também enfrenta problemas no X, que é alvo de questionamentos sobre o seu combate à desinformação.

Com esta mudança, Arnault volta a liderar o ranking da Forbes após sete meses. Ele esteve na frente da lista em quase todo o primeiro semestre de 2023, sendo ultrapassado por Musk em 8 de junho de 2023.

Veja a lista dos dez mais ricos do mundo, segundo a Forbes:

1° – Bernard Arnault – 207,8 bilhões

2° – Elon Musk – 204,5 bilhões

3° – Jeff Bezos – 181,5 bilhões

4° – Larry Ellison – 142,4 bilhões

5° – Mark Zuckerberg – 139,4 bilhões

6° – Larry Page – 126,6 bilhões

7° – Warren Buffett – 126,4 bilhões

8° – Bill Gates – 122,8 bilhões

9° – Sergey Brin – 121,2 bilhões

10° – Steve Ballmer – 118,6 bilhões

Informações Bahia.ba


Xinhua/Wei Peiquan/divulgação

A China está consolidando sua posição na liderança do desenvolvimento ferroviário global, inaugurando recentemente a primeira linha de alta velocidade construída sobre água. Em apenas uma década, o país asiático construiu quase 40 mil km de estradas de alta velocidade, ultrapassando o restante do mundo combinado, e tem como meta atingir 70 mil km até 2035.

A nova linha ferroviária, com 277 km de extensão, conecta as cidades costeiras de Fuzhou, Zhangzhou e Xiamen, na região de Fujian, próxima ao Estreito de Taiwan. A escolha estratégica desta rota está relacionada ao papel geopolítico de Fujian, que é a parte da China continental mais próxima da ilha autônoma de Taiwan.

A velocidade máxima dos trens nesta rota é de 350 km por hora, atravessando 84 pontes e 29 túneis, com uma seção de 20 km sobre o mar utilizando robôs inteligentes e aço resistente à corrosão. O projeto enfrentou desafios devido à geografia montanhosa do terreno.

A China Railway, operadora ferroviária estatal, destaca que a obra faz parte da iniciativa ferroviária “Oito Horizontais e Oito Verticais”, lançada em 2016, que promove diversos projetos de infraestrutura ferroviária.

A diferença no nível de desenvolvimento ferroviário entre a China e o resto do mundo é atribuída, em parte, aos custos de investimento mais baixos no país asiático. Enquanto um quilômetro de ferrovia de alta velocidade custa entre 15 e 18 milhões de euros na China, na Europa o custo varia entre 22 e 34 milhões de euros. Especialistas apontam que a China pode mobilizar mão de obra e materiais de construção mais acessíveis, além de utilizar recursos locais, como aço e alumínio, impulsionando sua economia.

A Europa, por outro lado, enfrenta desafios para desenvolver uma rede ferroviária de alta velocidade unificada, uma vez que as iniciativas são nacionais e individuais, em vez de cooperativas internacionais. A China, ao investir em ferrovias de alta velocidade, busca não apenas conectar seu território, mas também facilitar a defesa em regiões autônomas e demonstrar seu poder tecnológico global.

Desde a inauguração da primeira rota de comboios de alta velocidade em 2003, a China se tornou líder no transporte ferroviário, superando outros meios de transporte em número de viagens, e cancelando até voos diretos em algumas rotas devido à preferência pelo transporte ferroviário.

Com informações do jornal O Globo.


Imagem: REUTERS

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que está conduzindo investigações para examinar alegações de possível envolvimento de alguns de seus funcionários nos ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro. Em resposta a essa notícia, os Estados Unidos anunciaram a suspensão temporária do financiamento para a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente), responsável pelos refugiados palestinos. A agência confirmou a abertura de uma investigação sobre vários funcionários suspeitos de participação nos ataques e demitiu essas pessoas.

Philippe Lazzarini, comissário-geral da agência, declarou que a decisão de rescindir imediatamente os contratos desses funcionários foi tomada para proteger a capacidade da agência de fornecer assistência humanitária. Ele não divulgou o número de funcionários envolvidos nos ataques nem a natureza de suas ações, mas afirmou que qualquer funcionário da UNRWA envolvido em atos de terrorrismo seria responsabilizado, inclusive por meio de processo criminal. Diplomatas extraoficialmente mencionaram até 12 pessoas envolvidas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou horror com a notícia e solicitou uma investigação para garantir que qualquer funcionário da UNRWA envolvido nos ataques seja demitido imediatamente e possa enfrentar um possível processo criminal. Uma revisão independente urgente e abrangente da UNRWA também será realizada.

A preocupação da ONU é que a revelação aprofunde a crise de abastecimento em Gaza, já que a agência é responsável pela assistência vital na região. Nos últimos meses, a UNRWA denunciou tentativas de Israel de bloquear a chegada de alimentos e remédios aos palestinos em Gaza.

Em resposta, os Estados Unidos suspenderam temporariamente o financiamento adicional para a UNRWA, enquanto aguardam a análise das alegações e das medidas tomadas pela ONU. A União Europeia expressou extrema preocupação, mas até o momento não cortou o financiamento, esperando transparência total da UNRWA e a adoção de medidas imediatas contra os funcionários envolvidos.

Com informações de UOL


Foto: Juan Mabromata/AFP

O presidente Javier Milei conseguiu fazer seu pacotão de reformas ultraliberais para a Argentina avançar no Congresso. Mas não sem resistências.

Seu projeto, apelidado de “lei ônibus”, recebeu um parecer favorável de comissões da Câmara dos Deputados e deve ir a plenário na próxima semana. As negociações, porém, enfrentam obstáculos principalmente em três pontos —o aumento de impostos sobre o agronegócio, a fórmula de reajuste de aposentadorias e, por fim, os poderes extraordinários que a lei dará ao Presidente caso seja aprovada. Farpas recentes com governadores também complicam o cenário.

Chamado pelo governo de “Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”, o projeto tem como principais objetivos a desregulamentação da economia e o corte de gastos públicos, abrindo caminho, por exemplo, para a privatização total ou parcial de 40 empresas estatais.

A coalizão de Milei, A Liberdade Avança, tem uma pequena minoria dos parlamentares (37 dos 257 deputados e 7 dos 72 senadores). Por isso, ele depende de forças de centro e centro-direita para que as medidas sejam aprovadas, como o grupo Juntos pela Mudança, do ex-presidente Mauricio Macri, e o partido União Cívica Radical (UCR), a “oposição dialoguista”.

Na segunda (22), após duas semanas de debates, o governo recuou em alguns pontos e apresentou uma nova versão do projeto que excluía 141 dos 664 artigos originais. As mudanças incluíram a eliminação de uma reforma eleitoral que pretendia acabar com as Paso, as eleições primárias, e a retirada da petroleira YPF da lista de privatizações.

Na madrugada de quarta (24), então, horas antes da greve geral convocada por centrais sindicais contra a lei, as comissões da Câmara deram vitória a Milei e chegaram a um “parecer de maioria”, permitindo que o texto vá a plenário antes de seguir para o Senado. No total, 55 deputados assinaram o relatório favorável ao governo, mas 34 deles com “dissidência parcial”.

O processo não correu sem sobressaltos. Algumas forças racharam, e três deputados peronistas da província de Tucumán se rebelaram e ameaçaram se separar do bloco opositor e formar sua própria bancada, o que gerou surpresa e motivou críticas dos sindicatos em meio à greve. O trio acabou votando a favor de Milei.

“Estamos aqui para exigir dos deputados que fazem campanha cantando a marcha peronista, mas quando precisam rejeitar uma lei que vai contra os trabalhadores, escondem-se e temos que buscá-los em seus escritórios”, disse Pablo Moyano, líder dos caminhoneiros, durante discurso num palco montado em frente ao Congresso.

Os recuos do governo não são, contudo, suficientes para garantir que as reformas passarão.

A expectativa de Milei era de que a votação no plenário ocorresse ainda nesta quinta (25), numa sessão estendida. Mas as discordâncias que ainda rondam a proposta fizeram com que esse prazo fosse adiado para a semana que vem. Fala-se em terça-feira (30), mas não há confirmação oficial em relação à data.

Um dos principais obstáculos tem sido a taxação a produtores rurais. Apesar de ter dito na campanha que “antes de aumentar um imposto cortaria um braço”, o presidente agora não quer abrir mão da importante receita que a tributação das exportações agropecuárias rende à Argentina, ainda mais num contexto de ajuste fiscal.

A ideia é subir os impostos da soja (de 31% para 33%), trigo, milho (de 12% para 15%), carne bovina (de 9% para 15%) e produtos industriais (de 0% para 15%). O governo chegou a recuar com relação às chamadas “economias regionais”, como cítricos, algodão, erva-mate e tabaco, mas ainda assim enfrenta resistência.

“Nosso bloco permitiu que seu governo contasse com um parecer de comissão em tempo recorde, apesar da inédita minoria do governo no Congresso. […] Mas se sua sugestão é para que façamos ajustes na aposentadoria ou aumentemos os impostos, saiba que isso não vai acontecer. Isso não vai virar lei”, reagiu o deputado Rodrigo de Loredo, líder do bloco da UCR, nesta quarta.

A tensão subiu ainda mais com falas do ministro da Economia, Luis Caputo, interpretadas por governadores como uma ameaça —ainda que ele tenha dito o contrário. “Hoje tive uma reunião […] para delinear todos os repasses provinciais que serão cortados imediatamente se algum dos artigos econômicos [da lei ônibus] for rejeitado”, escreveu ele no X.

“O Ministro da Economia, que não teve a coragem de vir ao Congresso [explicar suas medidas], tem que parar de pressionar os governadores e tentar buscar acordos com os governos provinciais em vez de ameaçá-los”, respondeu o deputado Miguel Pichetto, presidente do bloco da oposição “dialoguista”.

O governo de Milei redobrou a pressão contra os líderes regionais nesta quinta (25) ao dizer que vai sugerir ao chefe do Ministério Público a criação de uma equipe especializada em investigar casos de corrupção de funcionários públicos, federais e provinciais, apesar de um grupo com essas funções já existir hoje.

Resta saber se até a próxima semana as rusgas entre o presidente e os parlamentares resultarão na aprovação ou rejeição de uma das maiores e mais velozes reformas que um presidente recém-empossado tenta fazer na Argentina.

Folha de SP/JÚLIA BARBON