O Vaticano divulgou nesta 5ª feira (04.jan) uma comunicado assinado pelo cardeal prefeito Fernández e pelo secretário monsenhor Matteo esclarecendo que a bênção a casais homossexuais anunciada no mês passado pelo Papa Francisco não significa “absolvição” e nem que a Igreja Católica aprova a união de pessoas do mesmo sexo. Segundo o comunicado, a doutrina sobre o matrimônio não muda, os bispos podem discernir sua aplicação de acordo com o contexto.
“A Declaração contém a proposta de breves e simples bênçãos pastorais, não litúrgicas e nem ritualizadas, de casais ‘irregulares’, sublinhando que se trata de bênçãos sem forma litúrgica, que não aprovam nem justificam a situação em que se encontram essas pessoas.”
“São inadmissíveis ritos e orações que possam criar confusão entre aquilo que é constitutivo do matrimônio, como a união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher, naturalmente aberta à geração de filhos e àquilo que o contradiz. Esta convicção é fundada sobre a perene doutrina católica do matrimônio. Somente neste contexto as relações sexuais encontram o seu sentido natural, adequado e plenamente humano. A doutrina da Igreja sobre este ponto permanece firme”, diz a carta.
“Tal é também o sentido do Responsum da então Congregação para a Doutrina da Fé, onde se afirma que a Igreja não tem o poder de conceder a bênção a uniões entre pessoas do mesmo sexo”.
O Vaticano explica que para distinguir-se claramente das bênçãos litúrgicas ou ritualizadas, as “bênçãos pastorais” devem ser sobretudo muito breves, de 10 a 15 segundos, sem uso do Ritual de Bênçãos.
“Esta forma de bênção não ritualizada, com a simplicidade e a brevidade de sua forma, não pretende justificar algo que não seja moralmente aceitável. Obviamente, não é um matrimônio, nem mesmo uma ‘aprovação’, nem a ratificação de coisa alguma. É unicamente a resposta de um pastor a duas pessoas que pedem a ajuda de Deus. Por isso, neste caso, o pastor não põe condições e não quer conhecer a vida íntima dessas pessoas.”
O comunicado diz ainda que em alguns lugares, talvez será necessária uma catequese que ajude a todos a entender que este tipo de bênção não é uma ratificação da vida que levam aqueles que a imploram. Menos ainda é uma absolvição, enquanto estes gestos estão longe de ser um sacramento ou um rito.
Entenda o caso
Em 2 de outubro de 2023, o Papa Francisco sugeriu, pela primeira vez, a possibilidade de padres darem bênçãos a casais do mesmo sexo. A declaração foi dada em carta em resposta a cinco cardeais conservadores da Ásia, Europa, África, Estados Unidos e América Latina, que voltaram a questionar o pontífice a respeito de uniões homossexuais.
No texto, Francisco afirmou que cada caso deve ser analisado, alegando que os religiosos “não podem ser juízes que apenas negam, rejeitam e excluem”. O pontífice reforçou, no entanto, que o ato não deve ser confundido com cerimônias de casamento , uma vez que a Igreja Católica reconhece apenas matrimônios entre um homem e uma mulher.
“A caridade pastoral deve permear todas as nossas decisões e atitudes. Quando você pede uma bênção, você expressa um pedido de ajuda de Deus, uma oração para poder viver melhor, uma confiança num pai que pode ajudá-lo a viver melhor”, escreveu o papa.
“Ser homossexual não é crime. Sim, mas é pecado. Tudo bem, mas primeiro vamos distinguir entre um pecado e um crime. Também é pecado faltar à caridade uns com os outros”, disse o papa, à época. “Somos todos filhos de Deus, e Deus nos ama como somos e pela força que cada um de nós luta pela nossa dignidade”, completou.
No dia 18 de dezembro, o Vaticano afirmou que padres poderão abençoar casais formados por pessoas do mesmo sexo. A decisão faz parte da declaração Fiducia supplicans, publicada pelo Dicastério e aprovada pelo Papa Francisco.
O documento aprofunda o tema das bênçãos, distinguindo entre as bênçãos rituais e litúrgicas e as bênçãos espontâneas. Segundo a Santa Fé, é precisamente nessa segunda categoria que está contemplada a possibilidade de acolher também aqueles que “não vivem de acordo com as normas da doutrina moral cristã”, sem que eles estejam sujeitos a “uma análise moral exaustiva”.
Pela medida, padres católicos podem administrar bênçãos a casais do mesmo sexo, contudo, sem que a benção tenha qualquer semelhança com uma cerimônia de casamento ou que aconteça durante liturgias regulares da Igreja.
“Precisamente para evitar qualquer forma de confusão ou escândalo, quando a oração de bênção é solicitada por um casal em situação irregular, mesmo que seja expressa fora dos ritos prescritos pelos livros litúrgicos, esta bênção nunca deve ser transmitido em simultâneo com as cerimônias de uma união civil, e nem mesmo em conexão com elas. Nem pode ser realizado com roupas, gestos ou palavras próprias de um casamento. O mesmo se aplica quando a bênção é solicitada por um casal do mesmo sexo”, afirma um trecho do texto.
A Justiça do Trabalho da Argentina emitiu uma nova decisão, nesta quinta-feira (4/1), para suspender os efeitos da reforma trabalhista decretada pelo presidente Javier Milei.
Desta vez, a Câmara Nacional de Apelações do Trabalho atendeu a um pedido apresentado pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), um dos principais sindicatos do país.
A decisão judicial é assinada pelos mesmos magistrados que, no dia anterior, já haviam determinado a suspensão das alterações na legislação trabalhista, atendendo a uma solicitação de outro sindicato, a Confederação Geral do Trabalho (CGT).
A ação da CTA, apresentada no dia 26 de dezembro do ano passado, pediu à Justiça que decretasse a “nulidade absoluta” das normas previstas no decreto assinado por Milei.
Na prática, as duas decisões da Justiça do Trabalho suspendem, provisoriamente, a reforma trabalhista decretada pelo novo governo.
Entre os pontos que tiveram seus efeitos suspensos pela Justiça, estão a mudança no período de experiência para oito meses, a participação em manifestações como motivo legal para demissões e as alterações no sistema de indenizações dos profissionais que saem de uma empresa.
As decisões da Justiça do Trabalho da Argentina são provisórias e ainda podem ser derrubadas. Há uma discussão sobre qual seria a instância judicial mais adequada para tratar do caso. Até que o foro seja definido, permanece vigente a suspensão de dispositivos da reforma trabalhista.
O “decretaço” de Milei
Em dezembro, Milei anunciou um “pacotão” com mais de 300 medidas para desregulamentar a economia argentina, entre as quais se destacam a eliminação de controle de preços e a diminuição da burocracia para promover a atividade industrial, além da reforma trabalhista.
Todos esses pontos foram instituídos por meio dos chamados Decretos de Necessidade e Urgência (DNUs). O documento derrubou 366 leis, como as que regulam setores imobiliários, de abastecimento e de controle de preços. Também foram criadas regras que facilitam a privatização de estatais.
Entre as medidas anunciadas pelo presidente da Argentina, estão:
Revogação da Lei do Aluguel;
Revogação da Lei de Abastecimento;
Revogação da Lei Nacional de Compras;
Revogação do Observatório de Preços do Ministério da Economia;
Revogação da Lei de Promoção Industrial;
Revogação da Lei de Promoção Comercial;
Revogação da regulamentação que impede a privatização de empresas públicas;
Revogação do regime das empresas estatais;
Transformação de todas as empresas do Estado em sociedades anônimas, para sua subsequente privatização;
Modernização do regime de trabalho para facilitar o processo de geração de emprego;
Reforma do Código Aduaneiro para facilitar o comércio internacional;
Revogação da Lei de Terras;
Modificação da Lei de Combate ao Fogo;
Revogação das obrigações das usinas de açúcar quanto à produção;
Revogação do sistema nacional de comércio mineiro e do Banco de Informação Mineiro;
Autorização para transferência do pacote total ou parcial de ações da companhias aéreas argentinas;
Modificação do Código Civil e Comercial para reforçar o princípio da liberdade contratual entre as partes;
Modificação do Código Civil e Comercial para garantir que as obrigações contratuais em moeda estrangeira sejam pagas na moeda acordada;
Modificação do marco regulatório de medicamentos pré-pagos e obras sociais;
Eliminação de restrições de preços na indústria pré-paga;
Incorporação de empresas de medicamentos pré-pagos ao regime de obras sociais;
Estabelecimento das prescrições médicas eletrônicas;
Modificações ao regime das empresas farmacêuticas para promover concorrência e reduzir custos;
Modificação da Lei das Sociedades por Ações para que os clubes de futebol possam se tornar corporações;
Desregulamentação dos serviços de Internet via satélite;
Desregulamentação do setor de turismo;
Incorporação de ferramentas digitais para procedimentos de registro automotivo.
Bilionário norte-americano comandou esquema de tráfico sexual e morreu em 2019 na prisão.
Ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, em foto de maio de 2023. — Foto: Evan Agostini/AP
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, e o príncipe Andrew, do Reino Unido, são algumas das pessoas que estavam ligadas a Jeffrey Epstein, bilionário norte-americano que comandou um esquema de tráfico sexual.
A informação foi revelada na noite desta quarta-feira (3), após uma série de documentos sobre o processo do criminoso serem tornados públicos pela Justiça dos Estados Unidos.
Epstein socializou com titãs de Wall Street, realeza e celebridades antes de se declarar culpado de solicitar prostituição a uma menor em 2008. Ele cometeu suicídio em 2019, aos 66 anos, enquanto estava preso aguardando julgamento por acusações federais de tráfico sexual.
Dezenas de mulheres acusaram Epstein de forçá-las a prestar serviços sexuais a ele e a seus convidados em sua ilha particular no Caribe e nas casas que ele possuía em Nova York, Flórida e Novo México.
Jeffrey Epstein, preso por crimes sexuais, em fotografia tirada pela Divisão criminal de justiça de Nova York — Foto: New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/File Photo via REUTERS
Os nomes de mais de 150 pessoas mencionadas num processo movido por Virginia Giuffre, uma das mais proeminentes acusadoras de Epstein, foram mantidos sob sigilo durante anos, até que uma juíza federal decidiu no mês passado que não havia justificativa legal para mantê-los privados.
Em depoimento, Giuffre disse que fez sexo com vários políticos e líderes financeiros proeminentes, incluindo o George Mitchell, ex-senador dos EUA, e Bill Richardson, ex-governador do estado do Novo México.
Sem ser vinculados a irregularidades, foram citados nomes como Donald Trump e David Copperfield.
Em um depoimento de 2016, uma das vítimas lembrou de um episódio que Epstein falou com ela sobre Bill Clinton.
“Ele disse uma vez que Clinton gosta de jovens, referindo-se às meninas”, disse ela, de acordo com a CNN.
Quando questionada se Clinton era amigo de Epstein, ela disse que entendia que os dois tinham “negócios”.
Em 2019, um porta-voz de Clinton confirmou que o ex-presidente tinha voado no avião privado de Epstein, mas que ele não sabia sobre os “crimes terríveis” do bilionário.
No processo movido por Giuffre, ela relata que, enquanto era forçada por Epstein, viajou dentro do mesmo helicóptero que o ex-presidente norte-americano, sem acusá-lo de irregularidades.
Príncipe Andrew em foto de 11 de abril de 2021 — Foto: Steve Parsons/Pool via AP, Arquivo
Uma das vítimas disse que o príncipe britânico Andrew colocou a mão em seu seio na casa de Epstein em Manhattan em 2001, de acordo com documentos judiciais abertos na quarta-feira. O incidente já havia sido relatado anteriormente e negado pelo irmão do rei Charles III.
O incidente, que foi relatado anteriormente e Andrew negou, estava entre os detalhes revelados em uma série de documentos previamente editados, assim como uma acusação de Giuffre alegando que a ex-namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell, teria arranjado um encontro sexual entre a garota e Andrew.
O filho da rainha Elizabeth II perdeu a maioria de seus títulos reais devido à sua associação com Epstein. Ele resolveu uma ação civil com Giuffre no ano passado por uma quantia não revelada e negou qualquer irregularidade.
Justiça de NY divulga nomes de possíveis envolvidos com bilionário Jeffrey Epstein
Os documentos revelados são parte de um processo de difamação movido por Giuffre contra Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein presa por recrutar meninas menores de idade para o esquema do bilionário.
A juíza distrital dos EUA, Loretta Preska, decidiu no mês passado que não havia justificativa legal para continuar mantendo a privacidade da maioria dos nomes no processo de Giuffre.
Ela decidiu que alguns nomes permaneceriam confidenciais, incluindo os de pessoas que eram menores de idade quando Epstein abusou delas.
Foto: Saleh al-Arouri vivia no Líbano, mas comandava as ações militares do grupo na Cisjordânia
Saleh al-Arouri vivia no Líbano, mas comandava as ações militares do grupo na Cisjordânia
Nesta terça-feira (2), um escritório do Hamas nos subúrbios ao sul de Beirute, capital do Líbano, foi alvo de um drone israelense, resultando na morte de quatro pessoas. Entre as vítimas está Saleh al-Arouri, vice-presidente do departamento político da organização.
Al-Arouri, que residia no Líbano, desempenhava a função de líder militar do Hamas na Cisjordânia. A confirmação de sua morte foi anunciada no canal do Telegram das Brigadas Al-Qassam, a ala armada do grupo terrorista que ele fundou.
De acordo com a emissora de televisão Manar, que pertence ao grupo armado libanês Hezbollah, foi relatada a ocorrência de uma explosão nas proximidades da rodovia Hadi Nasrallah, próximo a uma interseção rodoviária.
Não foram fornecidos detalhes sobre a explosão, que ocorre um dia antes do discurso do líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.
Uma testemunha da Reuters disse que a explosão pode ter sido causada por um drone que atingiu o segundo andar de um prédio no movimentado bairro.
Aliado do grupo terrorista Hamas, o Hezbollah tem trocado ataques quase diariamente com Israel através da fronteira sul do Líbano desde a eclosão da guerra Israel-Hamas em Gaza, no início de outubro.
De acordo com o Hezbollah e fontes de segurança, mais de cem membros do grupo foram mortos nos ataques aéreos e bombardeios de Israel, juntamente com quase vinte civis, incluindo crianças, idosos e jornalistas.
Avião da Japan Airlines pegou fogo no aeroporto internacional de Haneda, no Japão Imagem: 2.jan.2024-Issei Kato/Reuters
Cinco tripulantes de um avião da guarda costeira do Japão morreram, após uma colisão com um avião comercial da Japan Airlines no aeroporto internacional de Haneda, em Tóquio. Os 379 passageiros da outra aeronave sobreviveram.
O que aconteceu
Airbus A350-900 da Japan Airlines colidiu com aeronave da guarda costeira japonesa, segundo informações preliminares. O Ministério dos Transportes japonês investiga o episódio.
Havia seis pessoas no avião militar: cinco morreram e uma, o piloto, escapou com ferimentos graves, de acordo com a emissora estatal NHK.
Eles aguardavam para decolar para a costa oeste do país, levando ajuda humanitária pelos civis afetados pelo terremoto de ontem, que deixou ao menos 48 mortos.
No avião comercial, todos os 367 passageiros e os 12 tripulantes do voo conseguiram desembarcar em segurança. Ao menos 17 pessoas ficaram feridas, segundo a NHK, que não detalhou o estado de saúde delas.
Todas as pistas do aeroporto de Haneda estão fechadas no momento. Imagens do aeroporto registradas às 17h50 locais (5h50 no horário de Brasília) mostram o avião da Japan Airlines rodando na pista antes de uma grande explosão, que deixou um rastro de chamas.
Pista ficou coberta de escombros. Mais de 70 caminhões de bombeiros se deslocaram para o aeroporto de Haneda, um dos dois aeroportos internacionais de Tóquio e um dos mais movimentados do mundo.
Terremoto abalou Japão ontem
Acidentes envolvendo aviões de passageiros são extremamente raros no país. O mais grave ocorreu em 1985, quando um avião da Japan Airlines caiu entre Tóquio e Osaka, matando 520 pessoas, em um dos piores desastres aéreos do mundo.
O Japão também se encontra abalado pelo violento terremoto que ontem atingiu a península de Noto, no centro do país, deixando pelo menos 48 mortos, de acordo com um novo balanço provisório das autoridades locais.
Presidente dos EUA, Donald Trump, encontra-se com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinque, Finlândia, em 2018 Imagem: EUTERS/Kevin Lamarque
Cerca de metade da população mundial, 49% segundo cálculos da AFP, terá eleições em 2024. Por volta de 30 países vão eleger um presidente, e também estão previstas eleições legislativas em cerca de 20 deles. No Brasil, vale lembrar, teremos os pleitos municipais.
As votações vão acontecer em um contexto internacional conturbado pelo conflito russo-ucraniano e a guerra entre Hamas e Israel. Além disso, vão enfrentar o risco de desinformação e manipulações potencializadas pela inteligência artificial afetarem os resultados.
Confira a seguir as eleições mais significativas de 2024:
Estados Unidos terão uma revanche?
Em 5 de novembro, dezenas de milhões de norte-americanos comparecerão às urnas para escolher os integrantes do Colégio Eleitoral, responsáveis por eleger o inquilino da Casa Branca.
Esta 60ª eleição presidencial americana terá um ar de déjà-vu, com a revanche esperada entre o presidente democrata Joe Biden, de 81 anos, e seu antecessor republicano, Donald Trump, de 77. Este possível enfrentamento entre veteranos será escrutinado com a perspectiva das polêmicas e informações falsas que marcaram a eleição presidencial de 2020.
Trump jamais reconheceu sua derrota e alguns americanos seguem convencidos de que seu voto foi “roubado”. Do outro lado, o Congresso aprovou em 14 de dezembro a abertura de um processo de destituição de Biden, motivado pelos negócios controversos de seu filho, Hunter, no exterior. Apesar disso, não há clima e condições para um impeachment ser aprovado.
Rússia: oposição amordaçada
Sem surpresas, o presidente Vladimir Putin anunciou, em 8 de dezembro, que será candidato à reeleição em março. À frente da Rússia há 23 anos, Putin modificou a constituição em 2020, o que teoricamente o autorizaria a permanecer no poder até 2036, superando Josef Stalin como o dirigente mais longevo do Kremlin.Continua após a publicidade
Nos últimos anos, a oposição e a sociedade russas foram amordaçadas tendo o conflito na Ucrânia como pano de fundo: os principais adversários políticos estão ou exilados ou presos, como Alexei Navalny, inimigo número um do Kremlin, cujo paradeiro é desconhecido por seu entorno; outros morreram ou foram reduzidos fisicamente ao silêncio.
México: duas mulheres disputam a Presidência
Em junho, uma mulher pode se tornar presidente de México pela primeira vez, um símbolo importante em um país que registra milhares de feminicídios por ano.
Duas mulheres são as favoritas para suceder o presidente Andrés Manuel López Obrador: a ex-prefeita da Cidade do México Claudia Sheinbaum, do partido no poder Morena (esquerda), que lidera amplamente as pesquisas, e a senadora Xóchitl Gálvez, por uma Frente que reúne três partidos de oposição.
Venezuela: a oposição poderá desafiar o regime chavista?
Em busca do terceiro mandato. Na Venezuela, afetada por uma grave crise política e econômica que levou mais de sete milhões de pessoas ao exílio, o socialista Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez (1999-2013), busca um terceiro mandato no segundo semestre de 2024.Continua após a publicidade
Sua reeleição em 2018, considerada fraudulenta, não foi reconhecida por muitos países, entre eles os EUA. Os Estados Unidos, que aliviaram em outubro, por seis meses, o embargo ao petróleo da Venezuela, detentor das maiores reservas do mundo, exigem a suspensão da inelegibilidade dos opositores, entre eles María Corina Machado.
Grande parte da oposição, que durante muito tempo esteve dividida, se uniu em torno da liberal María Corina Machado, apesar de ela estar inabilitada politicamente.
Tensão com Guiana. Considera-se que Maduro passou a exigir a anexação de Essequibo, na Guiana, como uma manobra para diluir seus problemas internos, já que a oposição é favorável à ampliação do território venezuelano.
Índia: quase 1 bilhão de eleitores
Cerca de 945 milhões de indianos estão convocados a comparecer às urnas em maio para as eleições gerais neste país que, em 2023, se tornou o mais populoso do mundo. O BJP, partido do primeiro-ministro Narendra Modi, no poder desde 2014, é apontado como o grande favorito nas pesquisas, já que seu nacionalismo seduz a maioria hindu.
Esta eleição acontecerá em um contexto de retrocesso nos direitos políticos e liberdades civis, segundo a ONG Freedom House.Continua após a publicidade
Oposição unida. Liderado por Rahul Gandhi, neto da ex-primeira-ministra Indira Gandhi, o Partido do Congresso —outrora dominante, mas agora enfraquecido— tentou formar uma grande coalizão com forças de oposição regionais de diversas tendências para desafiar Modi.
UE: gigantesca eleição transnacional
Mais de 400 milhões de eleitores de 27 países europeus. Este é o tamanho da convocação para eleger, no começo de junho, 720 deputados para o Parlamento Europeu, em um gigantesco pleito transnacional.
Estas eleições podem se caracterizar por um novo avanço das forças eurocéticas, como evidencia o triunfo do partido de extrema direita e islamofóbico PVV no pleito legislativo dos Países Baixos. A eleição para o Parlamento Europeu ocorre no momento em que a imigração é objeto de intensos debates em muitos dos 27 países e que o custo de vida dos europeus tem aumentado por conta da inflação.
Irã: 18 meses depois da morte de Mahsa Amini
Eleições legislativas estão marcadas para 1º de março no Irã, 18 meses depois da morte de Mahsa Amini. Esta jovem curda morreu após ser detida pela polícia pelo mau uso do véu islâmico, o que desencadeou meses de manifestações multitudinárias contra as lideranças políticas e religiosas. Um movimento duramente reprimido, com centenas de mortos e milhares de prisões.Continua após a publicidade
A eleição anterior, de 2020, foi caracterizada pela desclassificação maciça de candidatos reformistas e moderados, restringindo o pleito na prática a uma disputa entre conservadores e ultraconservadores.
Senegal: eleição sob tensão
Estão previstas dez eleições presidenciais no continente africano em 2024, cenário de oito golpes de Estado em três anos. No Senegal, cujo pleito está previsto para 25 de fevereiro, tudo indica que a votação ocorrerá em um ambiente de tensão.
O presidente Macky Sall, no poder desde 2012, designou em setembro o seu primeiro-ministro Amadou Ba como candidato de seu campo político, o que foi alvo de questionamentos internos. Do lado da oposição, a candidatura de Ousmane Sonko, terceiro colocado nas eleições de 2019, continua suspensa, já que é objeto de uma disputa na Justiça.
O modelo de arma é usado por policiais, seguranças privados e forças militares espalhados pelo mundo
Engenheiro austríaco, Gaston Glock fundou a empresa de armamento que leva o seu nome | Foto: Divulgação/Grupo Glock
Gaston Glock, o desenvolvedor austríaco da pistola que leva seu nome, morreu na última quarta-feira, 27. Ele tinha 94 anos. O anúncio foi feito pela própria empresa Glock, informou a agência de imprensa da Áustria. Até esta segunda-feira, 1, a causa da morte não havia sido divulgada.
Glock, um engenheiro recluso, fundou a empresa em 1963 em Deutsch-Wagram, perto de Viena, capital da Áustria. Desde então, a companhia se expandiu pelo mundo, incluindo uma subsidiária nos Estados Unidos, que foi fundada em 1985. A empresa também tem base no Brasil.
As pistolas Glock são utilizadas por policiais, algumas forças militares de países e clientes privados. A arma era significativamente mais leve, mais barata e mais confiável do que os modelos disponíveis quando foi criada.
A Glock afirmou em seu site que seu fundador “não apenas revolucionou o mundo das armas de pequeno porte na década de 1980, mas também conseguiu estabelecer a marca como líder global na indústria de pistolas”.
“Gaston Glock traçou a direção estratégica do Grupo Glock ao longo de sua vida e o preparou para o futuro”, afirmou, em comunicado, a divisão brasileira da companhia. “O trabalho de sua vida continuará em seu espírito.”
O surgimento da arma criada por Gaston Glock
Modelos de pistolas da companhia Glock/Foto: Divulgação/Glock
A empresa de Glock desenvolveu seus primeiros produtos militares, incluindo facas de campo, na década de 1970. Gaston Glock “reconheceu sua grande oportunidade” de projetar uma arma inovadora quando o Ministério da Defesa da Áustria, no início da década de 1980, convidou propostas para uma nova pistola de autodefesa, com peso reduzido e operação segura e simples, de acordo com a empresa.
O resultado foi a pistola Glock semiautomática com armação de polímero. Mais de 25 mil unidades da arma foram entregues às forças armadas austríacas de 1982 a 1984, afirmou a companhia.
Revista Oeste, com informações da Agência Estado e da agência internacional de notícias Associated Press
A polícia nicaraguense deteve mais quatro padres na madrugada de sábado (30), elevando o número total para 12 nos últimos três dias, de acordo com um membro do alto escalão da Igreja Católica com conhecimento do assunto e a mídia local.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que governa o país centro-americano desde 2007, iniciou uma repressão à Igreja Católica e aos oponentes políticos.
Os padres Mikel Monterrey, Gerardo Rodriguez e Raul Zamora, juntamente com o Monsenhor Miguel Mantica, filho de uma das famílias mais ricas da Nicarágua, foram levados de suas respectivas casas, disse a fonte.
“Todos eles são da Arquidiocese de Manágua”, disse a fonte, que falou à Reuters sob condição de anonimato por medo de represálias.
O governo e a polícia da Nicarágua não responderam a um pedido de comentário. O La Prensa, um dos últimos jornais do país, também noticiou as quatro prisões dos padres.
Dois dos padres presos – Monterrey e Zamora – abriram as portas de sua paróquia para estudantes de duas universidades que foram atacadas pelo governo em 2018.
No total, 12 padres e o bispo Isidro Mora foram presos nos últimos dias. Em agosto de 2022, o bispo Rolando Alvarez foi preso e condenado a 26 anos de prisão. Em julho, Alvarez foi solto.
Desde os protestos de 2018, Ortega acusou os padres de se organizarem e orquestrarem um golpe; os bispos pediram ao presidente justiça para aqueles que morreram durante os protestos e eleições antecipadas.
Landais Alzheimer, no sudoeste de França, é uma vila com uma diferença: todos os habitantes têm demência.
A loja na praça principal fornece mantimentos simples, como a importantíssima baguete, mas não aceita dinheiro, então ninguém precisa se lembrar da carteira.
Ali o ex-agricultor Francis recolhe seu jornal diário — e eu sugiro que tomemos um café ao lado, no restaurante que funciona como coração social da vila.
Pergunto a Francis como foi quando o médico lhe disse que ele tinha Alzheimer.
Ele balança a cabeça, voltando àquela época, e, após uma pausa, diz: “Muito difícil.”
Seu pai também tinha Alzheimer – mas Francis continua sem medo.
“Não tenho medo de morrer, porque isso vai acontecer um dia”, diz ele.
“Enquanto isso, viverei minha vida apesar da doença. Estou aqui para viver, mesmo que não seja a mesma coisa. Se você se render, você se entrega. Então você segue em frente, na medida das suas possibilidades.”
Além da loja e do restaurante, os moradores são incentivados a assistir a apresentações de teatro e participar de outras atividades.
Philippe e Viviane dizem-me que continuam a viver uma vida tão normal quanto possível após o diagnóstico de demência.
“Fazemos passeios. Caminhamos”, diz Philippe, olhando para longe.
E quando pergunto se eles estão felizes, ele instantaneamente vira a cabeça e, com um sorriso brilhante, diz: “Sim, estamos, de verdade.”
Depois de terminar o café e vestir roupas quentes, o casal volta para o parque.
O tempo passa de forma diferente aqui, diz meu guia no vilarejo.
Não há horários definidos para consultas, compras e limpeza. Há apenas um ritmo suave para os moradores, para dar-lhes o máximo de liberdade possível.
A vila, que é parte de um projeto de pesquisa, está sendo monitorada de perto.
A professora Hélène Amieva diz que os primeiros resultados sugerem que está realmente influenciando o curso da doença.
“O que costumávamos ver quando as pessoas entram numa instituição é um declínio cognitivo acelerado – o que não é observado nesta instituição”, diz ela.
“Vemos uma espécie de evolução muito suave. Temos algumas razões para acreditar que este tipo de instituições pode influenciar a trajetória dos resultados clínicos.”
Também observaram uma “redução drástica” nos sentimentos de culpa e ansiedade das famílias, diz a pesquisadora.
Apontando para sua mãe, Mauricette, 89 anos, sentada no quarto dela, Dominique diz: “Estou tranquila, porque sei que ela tem paz de espírito e está em segurança.”
Repleta de fotos familiares, pinturas e móveis da família, o quarto tem uma grande janela voltada para o jardim.
Sem horário de visita, as pessoas entram e saem quando querem. E Dominique diz que ela e as irmãs não esperavam que o atendimento fosse tão bom.
“Quando eu deixo ela, fico tranquila. Quando chego, é como se estivesse na casa dela — estou em casa com minha mãe”, diz ela.
Cada um dos chalés térreos abriga cerca de oito moradores, com cozinha comunitária, salas de estar e de jantar.
Embora os moradores paguem uma contribuição, os custos de funcionamento (semelhantes aos de uma casa de repouso média) são principalmente cobertos pelo governo regional francês, que pagou US$ 22 milhões (mais de R$ 100 milhões) para criar o vilarejo.
Quando foi inaugurada, em 2020, foi a segunda vila do gênero – e a única a fazer parte de um projeto de pesquisa.
Acredita-se que ainda existam menos de uma dúzia de comunidades como esta no mundo.
Esse modelo tem atraído interesse mundial daqueles que procuram uma solução para o crescimento exponencial previsto da demência.
No salão de beleza da vila, Patricia, de 65 anos, que acabou de secar o cabelo, diz que Landais Alzheimer lhe devolveu a vida.
“Eu estava em casa, mas estava ficando entediada”, diz ela.
“Tinha uma senhora que cozinhava para mim. Estava cansada. Não me sentia bem. Sabia que o Alzheimer não era fácil e estava com medo.”
“Eu queria estar em algum lugar onde pudesse ajudar também. (…) Diferente de outras casas de repouso, aqui é vida real. Quando digo real, quero dizer real.”
Muitas vezes, a demência pode isolar as pessoas. Mas aqui parece haver um forte sentimento de comunidade, com pessoas genuinamente interessadas em se encontrar e participar de atividades.
E os pesquisadores dizem que este elemento social pode ser parte da chave para viver uma vida mais feliz e potencialmente mais saudável com demência.
São cerca de 120 moradores e o mesmo número de profissionais de saúde, além de voluntários.
É claro que existe o aspecto difícil de ser uma condição sem cura conhecida.
Mas à medida que a doença de cada morador progride, eles recebem o apoio de que necessitam.
E embora este possa ser o inverno da vida destes aldeões, os funcionários daqui acreditam que ele vem mais lentamente e com mais alegria ao longo do caminho.
Um ataque massivo e combinado da Rússiacontra várias regiões da Ucrânia deixou 12 pessoas mortas e 60 feridas nesta sexta-feira (29). Explosões foram reportadas ao longo da madrugada na capital Kiev e em outras cidades grandes, como Kharkiv e Lviv.
A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia usou misseis de cruzeiro, balísticos e hipersônicos, além de drones, durante o ataque desta sexta-feira.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, forças russas lançaram 110 mísseis contra a Ucrânia, bem acima da média dos ataques perpetrados ao longo do ano. Entre os alvos bombardeados, disse Zelensky, estão maternidades, escolas, shoppings e residências.
Entre os mortos, dez ficaram presos em escombros em Kiev, e outras duas pessoas morreram após uma área residencial ser atingida por mísseis em Odessa, no sul do país.
“Infelizmente, houve mortes e feridos como resultado dos ataques. Certamente responderemos aos ataques terroristas. E continuaremos a lutar pela segurança de todo o nosso país”, escreveu Zelensky em uma rede social.
À imprensa russa, o porta-voz doMinistério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, confirmou o ataque em série, mas alegou que apenas alvos militares foram atacados.
O governo ucraniano negou e disse ainda que a Rússia mirou também infraestruturas sociais, uma tática que tropas de Moscou usaram ao longo de 2023 para tentar desestabilizar cidades da Ucrânia.
O prefeito de Kiev disse que uma estação de metrô usada como abrigo foi atingida, e cinco pessoas ficaram feridas.
Já em Kharkiv, no leste da Ucrânia, 22 ataques russos foram registrados. Os bombardeios atingiram hospitais, prédios residenciais e indústrias da região, de acordo com as autoridades locais. Uma pessoa morreu e oito ficaram feridas, na cidade.
Além disso, explosões foram ouvidas após uma ameaça de míssil ser anunciada em Lviv, na região oeste do país. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas após um prédio residencial ser atingido.
Em Dnipro, no sudeste da Ucrânia, uma maternidade foi atingida por um ataque russo, de acordo com a imprensa ucraniana. Na região, quatro pessoas morreram e várias ficaram feridas.
Em Odessa, uma área residencial foi bombardeada.
O Ministério da Energia da Ucrânia afirmou que quatro regiões do país estão ficaram sem luz por causa dos ataques.