A procuradora-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Norma Cavalcanti, instituiu uma comissão para atuar no acompanhamento das investigações do Inquérito Policial Militar da morte do policial Wesley Soares Góes, após atirar contra policiais, na região do Farol da Barra, em Salvador Segundo o Ministério Público, a comissão será composta pelos promotores de Justiça Ana Rita Cerqueira, titular da 4ª Promotoria de Justiça do Tribunal de Júri – 1ª promotora de Justiça da capital; Maurício Lima, titular da Promotoria de Justiça Militar – 3º promotor de Justiça da capital; e Luciano Santana, titular da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial, Defesa Social e Tutela Difusa da Segurança Pública – 3º promotor de Justiça da capital. A comissão foi publicada pela PGJ no Diário Oficial desta terça-feira (30). O caso aconteceu no domingo (28). O policial militar Wesley Soares Góes, de 38 anos, havia saído de Itacaré, cidade a 270 quilômetros ao sul de Salvador, do batalhão onde era alocado. Ele portava um fuzil com cinco cartuchos de munições e um revólver com 33 munições. Ao chegar em um dos principais pontos turísticos da capital baiana, começou a atirar pra cima. Ele também estava com outra arma, que era de uso pessoal.
O governador da Bahia, Rui Costa, anunciou, na noite desta terça-feira (30), que o Toque de Recolher será mantido em todo estado, a partir da próxima segunda (5), mas em horário reduzido. A medida passa a valer a partir das 20h.Desde 19 de fevereiro, a Bahia está sob as medidas do toque de recolher. Desde 22 de março, a medida teve horário ampliado para começar a partir das 18h, e agora retorna para o horário inicial entre 20h e 5h. Durante o período fica determinada a restrição de locomoção noturna das 20h às 5h. O Governo do Estado ainda não informou qual o novo prazo para a medida.
O decreto que determina o toque de recolher proíbe a qualquer indivíduo a permanência e o trânsito em vias, equipamentos, locais e praças públicas no horário estabelecido.
O governador também confirmou que irá manter as regras para os estabelecimentos comerciais que funcionam como bares e restaurantes, que poderão operar apenas de portas fechadas, com entrega em domicílio, até as 24h. Vale lembrar que Salvador e alguns municípios da RMS tem medidas ainda mais restritivas até o dia 5, diferentes de maior parte do estado.
Acorda Cidade| Após uma oficialização de uma denúncia do Ministério Público para a Câmara Municipal de Vereadores, de que 100 mil reais teriam sido desviados da Casa, durante a gestão do ex-ouvidor, Humberto Cedraz, e do ex-presidente José Carneiro Rocha, o atual Secretário de Meio Ambiente, falou sobre o caso. Ao Acorda Cidade, nesta terça-feira (30), José Carneiro lamentou a situação e disse que a denúncia realizada de forma anônima é um “ato covarde” e não “há fundamento para tal acusação”.
“Não há prova de quem alguém se corrompeu e desviou recursos públicos. Acho que qualquer denúncia tem que ser feita mostrando onde houve o desvio, mas não simplesmente chegar lá e afirmar. Estou tranquilo, durmo e acordo em paz, sou feliz, diferente de muita gente, que muitas vezes pode ter conseguido muitas coisas na vida e não consegue uma coisa chamada felicidade. Feira me conhece, as pessoas me conhecem e eu também me conheço”.
O secretário também falou que se coloca à disposição da justiça para apresentar ”os fatos que provam à sua inocência’’. “Coloco à disposição as minhas contas bancárias, meu telefone também está pronto para quebrar o sigilo telefônico. Eu só não posso continuar sendo mal visto ou mal tratado por algumas pessoas que talvez não gostem de mim. Não vão conseguir, tentem, continuem tentando, porque eu tenho Deus acima de tudo e tenho uma coisa chamada dignidade que essa, ninguém compra”.
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (30) o projeto que estabelece prioridade no atendimento integral da demanda da rede hospitalar pública ou privada durante a pandemia de covid-19. A medida é direcionada aos fornecedores de oxigênio. O texto será enviado ao Senado.
Segundo o relator, deputado Sanderson (PSL-RS), a proposta isenta as empresas fornecedoras de pagar multa contratual se deixarem de fornecer oxigênio a outros compradores ao priorizar o abastecimento da rede hospitalar.
“É notório o substancial crescimento da demanda por oxigênio na rede hospitalar pública e privada. Segundo informações prestadas à Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 pelo representante da única indústria nacional dentre as cinco maiores fabricantes de oxigênio do mercado brasileiro, apenas 20% do produto oxigênio se destinam à área da saúde”, afirmou o parlamentar.
A isenção da multa também se aplica a outras penalidades ou ações de perdas e danos, já que o projeto aprovado considera a situação uma conduta que exclui a empresa de responsabilidade civil por motivo fortuito ou de força maior. A prioridade terá vigência durante a declaração de situação de emergência de saúde pública.
“O que se objetiva com o projeto é fazer com que empresas fornecedoras de gás oxigênio não sejam penalizadas por priorizarem o salvamento de vidas em meio à pandemia da covid-19, sobretudo diante um quadro de risco de desabastecimento de oxigênio na rede hospitalar”, explicou o deputado Sanderson.
Líderes de 23 países e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiaram nesta terça-feira a ideia de criar um tratado internacional que ajudaria com emergências de saúde futuras, como a pandemia de coronavírus, endurecendo as regras de compartilhamento de informações.
A ideia de tal tratado, que também visa garantir um acesso universal e igualitário a vacinas, foi sugerida pelo presidente dos líderes da União Europeia, Charles Michel, em uma cúpula do G20 em novembro.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, endossa a proposta, mas negociações formais não foram iniciadas, disseram diplomatas.
Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (30), Tedros disse que um tratado abordaria lacunas expostas pela pandemia da Covid-19. O esboço de uma resolução para negociações poderia ser apresentado aos 196 países-membros da OMS em sua reunião ministerial anual em maio, disse ele.
A OMS é criticada pela maneira como trata da pandemia da Covid-19, e foi acusada pelo governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump de ajudar a China a acobertar a amplitude do surto, o que a agência nega.
Visto pela Reuters na segunda-feira, um estudo conjunto da OMS e da China sobre a origem da Covid-19 sustenta que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos a humanos através de outro animal e que um vazamento de laboratório é “extremamente improvável” como causa, mas deixou muitas perguntas sem resposta e pediu mais pesquisas.
Ainda nesta terça-feira, a proposta do tratado recebeu o apoio formal dos líderes de Fiji, Portugal, Romênia, Reino Unido, Ruanda, Quênia, França, Alemanha, Grécia, Coreia, Chile, Costa Rica, Albânia, África do Sul, Trinidad e Tobago, Holanda, Tunísia, Senegal, Espanha, Noruega, Sérvia, Indonésia, Ucrânia e da própria OMS.
“Haverá outras pandemias e outras grandes emergências de saúde. Nenhum governo ou agência multilateral individual consegue enfrentar esta ameaça sozinho”, escreveram os líderes em um artigo de opinião conjunto publicado em grandes jornais.
“Acreditamos que nações deveriam trabalhar juntas por um novo tratado internacional de prontidão e reação a pandemias.”
Os líderes da China e dos Estados Unidos não assinaram a carta, mas Tedros disse que as duas potências reagiram positivamente à proposta e que todos os Estados serão representados em conversas.
O tratado complementaria as Regulamentações Internacionais de Saúde da OMS, em vigor desde 2005, através da cooperação no controle das cadeias de suprimentos, no compartilhamento de amostras de vírus e na pesquisa e desenvolvimento, explicou Jaouad Mahjour, diretor-assistente da OMS.
Um dos transtornos psicológicos mais conhecidos pela população é o TDAH, sigla para Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, que aflige mais de duas milhões de pessoas por ano no Brasil. A condição pode surgir, principalmente, durante a infância, mas isso não deixa os adultos imunes aos seus sintomas e desenvolvimento.
Pessoas que sofrem de TDAH em algum momento da vida apresentam sintomas como distração, pouco controle de impulsos, irritabilidade, hiperatividade (inquietação) e esquecimento. Esses efeitos podem acabar prejudicando os estudos e trabalho, além das relações pessoais, com diversos desentendimentos. Para entender melhor do que se trata o TDAH e como é possível fazer o tratamento, o Canaltechconversou com duas especialistas no assunto, que explicaram o transtorno e por que devemos prestar atenção nos sintomas.
Imagem: Reprodução/Jerry Wang/Unsplash
O TDAH e os sintomas
Gabriela Luxo, psicóloga, mestre e doutora em distúrbios de desenvolvimento, conta que nem todos os pacientes que sofrem de déficit de atenção sofrem também de hiperatividade. Luxo diz que o transtorno é neurobiológico, muitas vezes consequência de um fator genético, mas que fatores biopsicossociais podem interferir no desenvolvimento da condição, melhorando ou piorando cada quadro. A especialista diz ainda que o TDAH, geralmente, surge na infância e pode acompanhar um paciente ao longo de sua vida, e que é possível perceber a diferença de comportamento de uma criança com TDAH de outra que não tem o transtorno a partir dos sete anos de idade.
Cris Correia, psicóloga clínica, mestre em psicologia social e especialista em terapia cognitivo-comportamental, nos contou que o TDAH na infância costuma ser confundido, no dialeto popular, com “manha”, ou ainda com adultos dizendo que essas crianças são “terríveis”, já que os sintomas incluem agitação, inquietação, fala muito rápida, com crianças interferindo na fala dos adultos. Correia conta também que crianças com TDAH, normalmente, são bastante inteligentes e criativas na escola, por exemplo, mas acabam tendo notas baixas por não conseguirem se concentrar como deveriam. Professores costumam dizer aos pais que essas crianças não conseguem ficar quietas e se distraem muito fácil.
Luxo também diz que, quando isso acontece, os pais buscam encontrar um diagnóstico médico para o que está acontecendo, descobrindo então o transtorno, mas que existe o oposto. “Também existem aquelas pessoas que acabam deixando os sintomas passarem por despercebidos e vão levando com a vida, e descobrem um quadro de TDAH apenas na adolescência ou na vida adulta”, conta a psicóloga. Então, é preciso ficar alerta em relação ao comportamento de uma criança na escola, principalmente quando o aprendizado começa a ficar mais pesado.
Imagem: Reprodução/DragonImages/Envato
Correia diz que é possível ainda que um adulto desenvolva o TDAH mesmo sem ter sofrido do transtorno na infância, e que normalmente os sintomas podem ser confundidos com ansiedade, quando se fala na hiperatividade. “São pessoas difíceis de se lidar no trabalho, pois elas têm muita alteração e você percebe que são pessoas que não conseguem ficar muito sentadas, em reunião, e têm uma necessidade muito grande de ficar circulando”, conta a psicóloga, destacando ainda sintomas de irritabilidade, quando o indivíduo se estressa muito fácil, e também na dificuldade de finalizar tarefas, como a leitura de um livro, por exemplo.
Cuidado com o autodiagnóstico de TDAH
Gabriela Luxo diz que é preciso tomar cuidado com o autodiagnóstico de TDAH em adultos, ou ainda com o diagnóstico de pais com seus filhos, que acabam classificando qualquer dificuldade de atenção como sendo o transtorno. “Tem que ter muito cuidado com isso, orientamos uma avaliação médica, pode ser com psiquiatra ou neurologista, mas também recomendamos uma avaliação neuropsicológica, quando são aplicados testes por psicólogos para avaliar os níveis de atenção e das habilidades cognitivas envolvidas. Nós fazemos um mapeamento geral das habilidades para verificar se há, então, um diagnóstico de déficit de atenção com hiperatividade”, explica.
Luxo reforça a questão do autodiagnóstico, uma vez que o termo TDAH se tornou popular, ainda que a conscientização seja necessária. A psicóloga diz que, aos primeiros sintomas, um indivíduo não pode se rotular e dizer sofrer do transtorno, mas sim buscar a ajuda adequada para que seja feito o diagnóstico e, então, o tratamento. “Os testes feitos por psicólogos são padrão Ouro aqui no Brasil, fazendo um rastreio. Vamos avaliar a inteligência verbal e não-verbal, planejamento, atenção, memória, leitura, escrita e aritmética, entre todas as nossas habilidades principais, para obter um mapeamento geral desse paciente. Com o relatório feito, encaminhamos a um médico, que finalmente fecha o diagnóstico”, completa.
Correia também indica uma avaliação do transtorno através da terapia cognitivo-comportamental (TCC), além da neuropsicológica, que também é bastante apropriada para a condição. “Uma pessoa pode passar primeiro por um psicólogo, ou um psicólogo clínico, ou até mesmo procurar um neurologista ou psiquiatra para isso”, reforça. A psicóloga ainda ressalta a importância de um diagnóstico adequado, assim como o tratamento, pois o TDAH pode desencadear uma ansiedade e depressão, por exemplo, mas que tudo depende de cada caso.
Imagem: Reprodução/Bret Kavanaugh/Unsplash
Gabriela conta que crianças já são mais agitadas de forma natural, e que, com o avanço da tecnologia, a agitação fica ainda maior. Isso não significa, necessariamente, que ela sofra de TDAH. “As crianças de hoje são muito mais agitadas mesmo, os dias que vivemos hoje, com A COVID-19, também deixam o ambiente mais agitado, com uma carga de ansiedade maior”, pontua a psicóloga. “Elas têm muita informação com a tecnologia, com todo o uso de celulares e computadores, então elas são mais ativas, e por causa disso quase todos os pais dizem que elas têm TDAH. É preciso tomar cuidado com esses termos e não banalizar o transtorno”, completa.
Tratando o TDAH
Correia diz que o momento de buscar ajuda acaba ficando mais claro quando o transtorno começa a prejudicar a vida da pessoa. “Crianças, por exemplo, podem ter dificuldades na aprendizagem. Já o adolescente, que está na fase de transição, pode se tornar uma pessoa muito confusa e agressiva. E o adulto pode acabar não se estabilizando em emprego nenhum, pode começar um projeto e nunca terminar. Ou ainda sente dificuldade de se relacionar com as pessoas. Depende muito da pessoa, da situação, do histórico familiar”, pontua.
A psicóloga Gabriela Luxo conta que, após o diagnóstico correto, é feito um plano de intervenção para o tratamento do TDAH, seja o paciente criança, adolescente ou adulto. Um dos primeiros passos também é o uso de medicamentos, que podem ser receitados por psiquiatras ou neurologistas, o que vai ajudar na agitação, ou seja, os sintomas da hiperatividade. “Existem também outras medicações que vão atuar para tratar a atenção. Muitas vezes, esses pacientes precisam ser medicados para atenuar o quadro, os sintomas e, então, iniciamos o plano de intervenção com psicólogos ou psicopedagogos”, explica a especialista.
A especialista completa: “É preciso buscar ajuda logo para que os sintomas não se enraízem muito e se torne a cada vez mais difícil sair dessa situação. É importante encontrar ajuda qualificada com profissionais que atuem na área, que saibam trabalhar com o nicho de TDAH para que, então, os pacientes sejam auxiliados para ter mais qualidade de vida”, relata Luxo, dizendo que o transtorno não incapacita uma pessoa e que ela pode fazer tudo através de ajustes e organização.
Nesta segunda-feira, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou a seleção ideal da 1ª fase da Copa do Brasil, com destaque para dois nordestinos. Bahia e Santa Cruz colocaram dois jogadores cada na seleção. Do Esquadrão, foram escolhidos Juninho Capixaba e Rossi. O lateral-esquerdo saiu do banco e marcou dois gols na goleada de 7 a 1 sobre o Campinense em Campina Grande, enquanto o atacante anotou três vezes, um deles um golaço de bicicleta. Já o Santinha, que goleou o Ypiranga por 4 a 0, teve o meia Chiquinho e o atacante Pipico.
A seleção foi formada pelos seguintes atletas: Lucão (Vasco); Gabriel Cassimiro (Boavista-RJ), Belão (Caldense), Kanu (Botafogo) e Juninho Capixaba (Bahia); Raul (Red Bull Bragantino), Belão (São Raimundo) e Chiquinho (Santa Cruz); Rossi (Bahia), Vanilson (Manaus) e Pipico (Santa Cruz).
Chamas foram controladas e não há registros de feridos
Incêndio atinge prédio da Folha de S. Paulo Foto: Reprodução
Nesta terça-feira (30), um incêndio de pequenas proporções atingiu o prédio da Folha de S.Paulo. O edifício fica na Alameda Barão de Limeira, no Centro da capital paulista.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, as chamas já foram controladas. Pessoas foram retiradas do local e ninguém ficou ferido.
Funcionários disseram que o incidente aconteceu no subsolo. Até o momento, a causa do incêndio não foi divulgada.
Mike Pompeo afirma ter evidências que comprovam que vírus da Covid teve origem em laboratório
Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA Foto: EFE/Andre Pain
Nesta terça-feira (30), o ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos Mike Pompeo utilizou as redes sociais para fazer denúncias quanto à posição da OMS e da China nos estudos sobre a origem da Covid-19.
Ele diz que o relatório dos especialistas sobre as origens da Covid-19 é “uma farsa” que dá continuidade à “campanha de desinformação” do Partido Comunista da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
– O relatório da OMS é uma continuação simulada da campanha de desinformação do PCC (Partido Comunista da China). É por isso que recomendei que deixássemos a OMS. O Dr. Tedros colaborou com Xi para ocultar a transmissão de humano para humano em uma conjuntura CRÍTICA. WIV (Instituto de Virologia de Wuhan) continua sendo a fonte mais provável do vírus – e a OMS é cúmplice – escreveu.
Mike acusou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, de ser cúmplice de Xi Jinping e afirma ter evidências que comprovam que o Coronavírus poderia ter sido desenvolvido no Instituto de Virologia em Wuhan.Em relatório divulgado nesta terça-feira (30), a OMS sustenta que a possível origem da Covid-19 seja carnes congeladas de origem animal e descarta quase que totalmente a hipótese de vazamento de um laboratório.
Certificado é requisito obrigatório para imunizante ser usado no Brasil. Sinovac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen já obtiveram o aval.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou, nesta terça-feira (30), a certificação de boas práticas de fabricação à Bharat Biotech, empresa de biotecnologia indiana que desenvolveu a Covaxin, candidata a vacina da Covid-19. A inspeção na fábrica indiana foi realizada por uma equipe de inspetores da Anvisa no começo de março.
Entre os problemas apontados estão questões sanitárias, de controle de qualidade e de segurança na fabricaçãoda vacina (veja detalhes mais abaixo).
A certificação é um dos requisitos para o registro de um medicamento ou vacina no Brasil. Farmacêuticas como a Pfizer, a Janssen, do grupo Johnson, a Sinovac, que desenvolveu a CoronaVac, e a AstraZeneca, responsável pela produção da vacina de Oxford, já receberam a certificação da Anvisa.
A negativa da Anvisa afeta o cronograma de doses previstas pelo Ministério da Saúde, que assinou um acordo para compra de 20 milhões de doses do imunizante em fevereiro.
No último cronograma, do dia 19 de março, o ministério contava com oito milhões de doses da Covaxin ainda em março, mais oito milhões de doses em abril e quatro milhões de doses em maio, mesmo sem a aprovação de uso emergencial da agência reguladora. Nesse novo cenário, a previsão de entrega de doses do Ministério da Saúde vai de 47 milhões para 39 milhões em abril.
A Covaxin também chegou a ser motivo de negociações entre clínicas privadas e a Bharat Biotech. Em janeiro, a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) enviou uma delegação à Índia para negociar a possível compra de doses da Covaxin para serem comercializadas por clínicas privadas.
Anvisa nega pedido de importação emergencial da Covaxin
Entenda como funciona a certificação
O aval é concedido após análise das condições de fabricação das empresas produtoras da vacina. As companhias devem estar de acordo com as normas de segurança e qualidade estabelecidas pela Anvisa. O pedido da certificação para a Bharat foi feito pela Precisa Medicamentos, que busca importar a Covaxin para o Brasil.
A certificação é uma avaliação realizada por inspetores qualificados para garantir que uma fábrica, em qualquer lugar do mundo, cumpra com os requisitos determinados pela legislação brasileira. São avaliadas as estruturas físicas das áreas de produção, armazenamento e laboratórios de controle de qualidade, entre outros pontos.
Quando a empresa cumpre com as boas práticas, isso significa que ela tem capacidade para produzir os medicamentos com a qualidade desejada e sempre com o mesmo padrão definido no registro em todos os lotes fabricados, segundo a Anvisa.
Profissional de saúde aplica a Covaxin em homem em Nova Délhi, na Índia, no dia 25 de março. Nesta terça (30), a Anvisa negou a certificação de boas práticas de fabricação à Bharat Biotech, desenvolvedora da vacina, por não atender a critérios sanitários e de qualidade durante a fabricação do imunizante. — Foto: Sajjad Hussain / AFP
A Anvisa citou 14 artigos jurídicos para negar a certificação de boas práticas, com base em três documentos: uma resolução da diretoria e duas instruções normativas.
Em nota, a agência disse que, durante a inspeção, foram constatados problemas que, juntos, “denotam um risco significativo à fabricação e garantia de qualidade do produto, implicando em risco sanitário aos usuários”.
Potência da vacina: a empresa não utilizou um método de controle específico para quantificar o conteúdo antigênico e potência da vacina. Por isso, a Covaxin pode apresentar variações que comprometem a sua eficácia.
“Assim, o paciente pode receber doses não uniformes e não representativas do produto testado no estudo clínico realizado, sendo impossível garantir que o produto controlado desta forma tenha as mesmas características do produto objeto do estudo clínico”, disse a Anvisa.
Dados divulgados no início de fevereiro apontaram que a vacina teve 80,6% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos da Covid-19. Isso significa que, nos testes, a vacina conseguiu reduzir em 80,6% a proporção de casos sintomáticos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas.
Inativação viral: a empresa não validou o método de análise que comprova a completa inativação do vírus e não demonstrou a cinética de inativação, disse a Anvisa. Além disso, uma das áreas de fabricação da vacina não possui todas as medidas necessárias para garantir o contato completo do agente inativante com o vírus vivo.
Infográfico mostra como funcionam vacinas inativadas contra o coronavírus — Foto: Anderson Cattai/G1
“Considerando se tratar de uma vacina inativada, a empresa precisa garantir que o vírus foi completamente inativado durante a fabricação, caso contrário vírus vivos podem estar presentes na vacina e podem ocasionar a contaminação de pacientes com o próprio vírus SARS-CoV-2. Trata-se de um ponto relacionado à segurança do produto”, afirmou a agência.
Esterilização: a empresa não adota todas as precauções necessárias para garantir a esterilidade do produto.
“Considerando que a vacina é um produto injetável, este precisa ser estéril, ou seja, ausente de qualquer microrganismo. Se o produto não estiver estéril pode causar infecção bacteriana no paciente. Outro ponto relacionado à segurança do produto”, afirmou a agência.
Pureza: empresa não possui uma estratégia de controle adequada para garantir a pureza do produto.
“A concentração de impurezas no produto pode não ser constante, e pode ser diferente do avaliado durante o estudo clínico, afetando a segurança do produto” considerou a agência.
A agência também citou artigos jurídicos que previam outras regras não cumpridas pela Bharat – como a de que, para cada entrega de matéria-prima, os recipientes fossem verificados quanto à integridade da embalagem, incluindo o selo de evidência de violação quando pertinente.
Outra regra previa que as atividades em áreas limpas devem ser reduzidas ao mínimo e o movimento de pessoas deve ser controlado e metódico, a fim de evitar a propagação excessiva de partículas e organismos devido ao excesso de atividade.
Também foram apontados como embasamento da negativa artigos que ditavam regras de transporte da vacina.Uma das normas da agência previa, por exemplo, que as rotas de transporte deveriam ser claramente definidas, inclusive considerando variações de estação do ano. Outro ponto levantado é que deveriam ser considerados atrasos durante o transporte, falhas nos dispositivos de monitoramento, recarga de nitrogênio líquido e outros fatores.
Segundo a Anvisa, a Bharat Biotech reconheceu, no dia 17 de março, as observações indicadas pela equipe inspetora, e se propôs a “adequar todas as não conformidades” até 30 de julho.
Mesmo assim, as medidas que foram adotadas até agora “não são suficientes para mitigar os riscos associados” aos problemas encontrados, conforme a agência.
“A empresa poderá finalizar todos os estudos, validações e processos a propostos em seu plano de ação para posteriormente requisitar à Anvisa uma nova certificação. Neste momento, deverão ser apresentados os estudos e alterações propostas concluídos e efetivados na rotina fabril, o que permitiria a avaliação da Anvisa e, mediante resultados satisfatórios, a concessão da certificação da empresa”, disse o órgão brasileiro em nota.