
Senadores brasileiros que chegaram aos Estados Unidos nesta semana receberam um tipo de visto que limita suas atividades a compromissos oficiais, conforme exigência do governo norte-americano. O documento, válido até o início de 2027, traz nos passaportes dos parlamentares o termo “official travel only”, deixando claro que a autorização é restrita a missões em nome do país.
A delegação, composta por oito senadores, viajou com o objetivo de negociar com autoridades locais para tentar evitar uma possível elevação de até 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, proposta pelo presidente Donald Trump. Esse tipo de visto, normalmente, é destinado a diplomatas, funcionários públicos ou representantes de governo em deslocamento oficial.
Apesar da restrição formal, na prática não existe controle rigoroso sobre o deslocamento desses representantes enquanto estão nos Estados Unidos, o que permite que realizem outras atividades durante a estadia. Diplomatas, por exemplo, utilizam esse visto em missões e, caso queiram viajar a lazer, precisam solicitar uma permissão específica para turismo.
O grupo parlamentar que desembarcou nos EUA é formado por Carlos Viana (Podemos-MG), Jaques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Nelsinho Trad (PSD-MS), Esperidião Amin (PP-SC), Teresa Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Fernando Farias (MDB-AL).
Informações Revista Oeste
São Félix recebe a Ponte para as Filarmônicas, dias 02 e 03/08, com oficinas, intercâmbio musical e apresentação pública

A Casa da Ponte realiza a primeira edição do projeto Ponte Para as Filarmônicas, nos dias 02/08 (sábado) e 03/08 (domingo), São Félix, no Recôncavo Baiano. O evento é uma iniciativa que valoriza as bandas filarmônicas como patrimônio imaterial da Bahia, e promove ações de formação, integração e troca entre músicos de diferentes gerações e linguagens musicais. Esta primeira edição conta com representantes de Santo Amaro, Cruz das Almas, Cachoeira, Muritiba, Acupe e São Félix.
Durante o encontro, os integrantes de sete filarmônicas irão participar de oficinas de flauta, clarinete, saxofone, trompete, trombone, tuba, bombardino, percussão e arranjos. As atividades serão conduzidas por músicos da Orquestra Afrosinfônica, incluindo o maestro Ubiratan Marques, e por professores convidados.
As oficinas acontecem no centro da cidade, com programação intensiva nos dois dias. Participam da ação as filarmônicas Filhos de Apolo, Euterpe Cruzalmense, 5 de Março, 19 de Março, Lyra Ceciliana, Lyra Guarani e União Sanfelixta.
O encerramento do encontro contará com uma apresentação pública gratuita, no domingo (3/08), às 17h, no Porto São Félix (Avenida Salvador Pinto), aberta a toda a comunidade. O momento celebrará os dois dias de trocas entre mestres, músicos e bandas participantes, conectando tradição e contemporaneidade no espaço público.
Segundo a organização, a ação busca ampliar a visibilidade dessas instituições centenárias no cenário cultural baiano. As filarmônicas têm um papel fundamental na formação musical comunitária. “A proposta é criar pontes entre saberes musicais, entre gerações e entre territórios. Acreditamos que as filarmônicas são fundamentos históricos e culturais da música produzida na Bahia”, afirma Ubiratan Marques, maestro e presidente da Casa da Ponte.
O projeto conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura / Programa de Apoio a Ações Continuadas.
SERVIÇO
Ponte Para as Filarmônicas
Local: São Félix (BA)
Datas: 2 e 3 de agosto de 2025
Local das oficinas: Escola Balão Mágico – Rua Marechal Deodoro da Fonseca, Centro
Apresentação final: domingo, 3/08, às 17h – Porto São Félix (Av. Salvador Pinto)
Entrada gratuita
Realização: Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques
Apoio financeiro: Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura da Bahia | Programa de Apoio a Ações Continuadas

A Bahia registrou um aumento alarmante nos casos de hepatite A nos últimos cinco anos, com uma mudança significativa no perfil de contágio. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o número de infecções saltou de 13 casos em 2021 para 65 apenas nos sete primeiros meses de 2025, um crescimento de 400%.
O avanço da doença tem se concentrado especialmente entre pessoas de 20 a 39 anos. Esse público passou a ser alvo das campanhas de vacinação desde 2024, após o Ministério da Saúde identificar surtos relacionados ao aumento das práticas sexuais desprotegidas, o que contribuiu para alterar o perfil epidemiológico da doença.
Transmitida principalmente pela via fecal-oral, a hepatite A tradicionalmente esteve associada à falta de saneamento e higiene. No entanto, nos últimos anos, a via sexual tem ganhado destaque como um dos principais modos de transmissão, sobretudo entre adultos jovens com múltiplos parceiros e baixa adesão ao uso de preservativos.
A hepatite A é uma infecção viral que pode causar sintomas como febre, mal-estar, náusea, dor abdominal e, em casos mais graves, insuficiência hepática. Embora geralmente evolua para a cura, a doença pode provocar internações e até óbitos, principalmente entre pacientes com outras comorbidades.
Diante do cenário, a Sesab alerta para a importância da vacinação, da adoção de práticas sexuais seguras e do acesso a condições adequadas de higiene e saneamento. A ampliação da testagem e a vigilância ativa também fazem parte da estratégia do estado para conter o avanço da doença.
Informações Bahia.ba

Nesta segunda-feira, 28 de julho, o Rotativo News conversou com o médico oncologista Dr. Tércio Guimarães sobre a campanha Julho Verde, voltada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço um dos tipos mais frequentes no Brasil, mas ainda pouco discutido fora dos ambientes hospitalares.
Segundo o especialista, os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, e a combinação desses dois hábitos eleva de forma alarmante a chance de desenvolver a doença. “O tabagismo por si só já aumenta em até 10 vezes o risco de câncer de cabeça e pescoço. Quando associado ao etilismo, esse risco pode saltar para 35 vezes mais”, alerta o médico.
Ele também chama atenção para o avanço dos casos relacionados à infecção pelo vírus HPV. Entre os tipos mais comuns de câncer de cabeça e pescoço estão os que afetam a cavidade oral, a faringe, a laringe e os seios da face. Porém, o câncer de pele também se destaca como recorrente na região.
Fique atento aos sinais
O Dr. Tércio enfatiza a importância de estar atento a feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, especialmente quando são indolores, além de manchas brancas ou vermelhas persistentes. Outros sinais incluem rouquidão prolongada, dor para engolir, nódulos no pescoço ou rosto e lesões na pele que também não cicatrizam. “Esses sintomas, muitas vezes negligenciados, podem indicar a presença da doença em estágio inicial”, ressalta.
Diagnóstico precoce salva vidas
Apesar dos avanços tecnológicos no tratamento, como as terapias-alvo e cirurgias de alta precisão, o oncologista reforça que o diagnóstico precoce é o principal aliado da cura.
“Quando identificado no início, o câncer de cabeça e pescoço pode ter até 80% de chance de cura. Mas, infelizmente, mais da metade dos pacientes chegam com a doença já em estágio avançado, o que reduz essa taxa para cerca de 40%”, afirma.
A campanha Julho Verde, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), busca justamente informar a população e incentivar a procura por avaliação médica diante de qualquer sinal persistente. “Agradeço à imprensa pelo espaço. Informação é a nossa maior ferramenta de combate ao câncer”, conclui o especialista.

Com César Oliveira
Tema: As violências que atingem o Brasil
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Tailândia e Camboja após fecharam um acordo de cessar-fogo nesta segunda-feira (28) após cinco dias de combates violentos na fronteira entre os dois países.
Os primeiros-ministros tailandês, Phumtham Wechayachai, e cambojano, Hun Manet, se encontraram na Malásia para uma reunião mediada pelo primeiro-ministro do país, Anwar Ibrahim, que ocupa a presidência temporária da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Após anunciarem a trégua, que começa à 0h desta terça-feira (29) no horário local, os líderes ainda trocaram elogios. O tailandês falou em “boa fé de ambas as partes” e o cambojano agradeceu o colega pelo “papel positivo no diálogo construtivo”.
Manet e o premiê malaio também agradecerem pelo papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas negociações.
“Hoje tivemos uma reunião muito boa e resultados muito bons, que devem pôr fim imediatamente aos combates que causaram muitas vidas perdidas, feridos e também provocaram o deslocamento de pessoas. Esperamos que as soluções que o primeiro-ministro Anwar acaba de anunciar estabeleçam uma condição para avançarmos em nossa discussão bilateral para retornar à normalidade do relacionamento e como base para uma futura redução de forças”, disse Hun Manet, agradecendo também a China por seus esforços em participar do processo.
O conflito deixou mais de 30 mortos – sendo mais de 20 civis – e cerca de 200 mil pessoas tiveram que ser evacuadas das áreas de fronteira.
No sábado (26), Trump contou que havia conversado com os líderes do Camboja e da Tailândia, e que ambos queriam o cessar-fogo.
“Acabei de ter uma conversa muito boa com o premiê do Camboja e o informei sobre minhas discussões com a Tailândia e seu premiê interino. Ambos os países estão buscando um cessar-fogo e paz imediatos. Elas também querem voltar à ‘mesa de negociações comerciais’ com os Estados Unidos, o que consideramos inadequado até que os combates PAREM. Eles concordaram em se reunir imediatamente e trabalhar rapidamente em um cessar-fogo e, no fim, na PAZ!”, afirmou Trump em uma publicação em sua rede Truth Social.
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Uma unidade móvel de artilharia da Tailândia dispara em direção ao lado cambojano após Tailândia e Camboja trocarem forte artilharia nesta sexta-feira (25) — Foto: REUTERS/Athit Perawongmetha
No domingo (27), o Departamento de Estado dos Estados Unidos também anunciou que o secretário Marco Rubio conversou com os ministros das Relações Exteriores dos dois países.
Além de pedir que reduzissem imediatamente as tensões, Rubio também ofereceu a ajuda dos EUA nas negociações, dizia o comunicado.
O combate entre os dois países asiáticos, que se expandiu ao longo de diversos pontos da fronteira nos últimos dias, já deixou pelo menos 33 mortos nos dois países desde quinta, e causaram a evacuação de mais de 160 mil civis no total.
A tensão entre Tailândia e Camboja vem de desavenças longevas por conta de antigos templos.
A fronteira de cerca de 800 quilômetros é disputada há décadas, mas confrontos anteriores foram limitados e breves. As tensões mais recentes começaram em maio, quando um soldado cambojano foi morto em um confronto que gerou uma crise diplomática e abalou a política interna da Tailândia.
Ao longo do conflito, houve alertas para uma possível guerra, diversos bombardeios a alvos militares, com denúncias de ataques a civis e crimes de guerra de ambos os lados. Ambos os países chamaram seus embaixadores de volta e a Tailândia fechou suas passagens fronteiriças com o Camboja.
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Soldados do Exército da Tailândia andam em veículos blindados em uma estrada na província de Chachoengsao, perto da fronteira com o Camboja, em 24 de julho de 2025. — Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP
Informações G1

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso de sedação, anestesia geral ou bloqueios anestésicos periféricos para a realização de tatuagens.
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (28/7) e vale para todo o país.
De acordo com o texto, a proibição vale para procedimentos de todos os tamanhos e em todas as regiões do corpo.
A regra excepciona a prática em procedimentos reparadores com indicação médica para reconstrução de partes do corpo.
A decisão acontece meses após o empresário e influenciador Ricardo Godoi, de 46 anos, morrer ao passar por uma anestesia geral para fazer uma tatuagem. Ele estava sendo atendido em um hospital particular de Itapema (SC), cidade a 70 km de Florianópolis.
O responsável pelo estúdio de tatuagem confirmou que Ricardo morreu durante a sedação e intubação. Segundo ele, Godoi havia feito o acompanhamento prévio, com bons resultados, com o mesmo anestesista que o sedou. A tatuagem não chegou a ser iniciada.
Informações Metrópoles

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), na noite deste domingo, 27. Em sua conta oficial na rede social X, o parlamentar afirmou que as pautas que devem ser prioritárias atualmente no Brasil são a anistia aos presos do 8 de janeiro e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele ainda defendeu o fim daquilo que chama de “perseguição e criminalização política”.
A mensagem de Ramagem faz referência direta à atuação de Moraes à frente das investigações que envolvem apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente nos inquéritos das fake news, das milícias digitais e dos atos do 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
“As pautas que devem ser hoje prioridade no Brasil só dependem do Congresso Nacional e têm que ser a anistia e o impeachment de Moraes”, disse Ramagem, em vídeo. “Ambos são instrumentos previstos em lei e são necessários ao nosso Brasil, justamente quando transformaram uma democracia em um regime autoritário, na prática. Existe uma hipertrofia inconstitucional do Judiciário perante os demais Poderes.”
Parlamentares de oposição acusam o magistrado da Suprema Corte de agir com parcialidade e de extrapolar suas competências ao autorizar prisões preventivas e bloqueios de redes sociais.

A anistia é uma bandeira de diversos setores da oposição no Congresso, os quais pedem o perdão judicial a envolvidos nos protestos nas sedes dos Três Poderes em Brasília, no início de 2023. Embora a esquerda e até alas do centro rejeitem a ideia, parte significativa da direita considera que houve excessos do Judiciário, especialmente em relação a penas muito altas de prisões e restrições processuais.
Ainda no vídeo, Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro, defendeu o ex-presidente e seu filho Eduardo e criticou a atuação do STF.
“Quem teve que colocar os olhos no Brasil foram os Estados Unidos, o país líder do mundo livre e a maior potência econômica e militar do mundo”, disse. “Com essa, o STF não contava. Um trabalho extraordinário de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.”
Ao defender a dupla da família Bolsonaro, que responde ao STF por ataque à soberania nacional numa ação que tem como relator Alexandre de Moraes, Ramagem citou o artigo 359-K do Código Penal Brasileiro.
Em seu parágrafo 4º, o regramento jurídico rege que “não constitui crime a comunicação, a entrega ou a publicação de informações ou de documentos com o fim de expor a prática de crime ou a violação de direitos humanos”.
Informações Revista Oeste

O presidente dos EUA, Donald Trump, já negociou tarifas — e aceitou reduzir os porcentuais — com China, Japão e União Europeia. O Brasil, no entanto, nem é recebido, conforme informou o próprio governo na semana passada. Luiz Inácio Lula da Silva disse que ninguém quer conversar com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, encarregado da negociação.
Europeus, chineses e japoneses, depois de receberem a carta com as novas tarifas comerciais de Trump, aguardaram as negociações. O Brasil voltou-se contra Trump. Lula fez uma série de declarações públicas consideradas afrontosas ao presidente norte-americano.
A tarifa sobre os produtos brasileiros — de 50% — foi a maior imposta pelos EUA. Aqui, além de fatores comerciais, Trump considerou a perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele chamou de “caça às bruxas”, e os avanços do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a liberdade de expressão, ao censurar empresas e cidadãos norte-americanos.
Neste domingo, tanto Trump quanto o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disseram que as tarifas começam a valer no dia 1º, sem exceções.
Neste domingo, 27, Trump confirmou um entendimento com a União Europeia, depois de reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Edimburgo, Escócia.
“A UE vai concordar em comprar dos EUA US$ 750 bilhões em energia”, afirmou Trump. Ele acrescentou que o bloco também investirá US$ 600 bilhões a mais nos EUA. Von der Leyen destacou que o acordo visa a “reequilibrar, mas permitir o comércio de ambos os lados”.
Antes da UE, os EUA já tinham fechado acordos semelhantes com outros parceiros. O Japão firmou compromisso de investir US$ 550 bilhões nos Estados Unidos, sendo que a maior parte do lucro ficará no país norte-americano. Além disso, foi acordada redução nas tarifas sobre importações japonesas, que passaram de 25% para 15%.
O Reino Unido, por sua vez, garantiu cotas para exportação de automóveis e conseguiu diminuição das tarifas sobre aço, etanol e carne para 10%, além da retirada total das taxas no setor aeroespacial.
Outro entendimento ocorreu com a China, em 12 de maio, e as tarifas foram mutuamente suspensas por 90 dias. Durante esse período, Pequim diminuiu taxas sobre produtos norte-americanos de 125% para 10%, enquanto Washington reduziu de 145% para 30%. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou: “Podemos conseguir um grande e lindo reequilíbrio com a China”.
No sudeste asiático, as Filipinas celebraram acordo para estabelecer tarifas de 19% sobre produtos exportados, índice igual ao acordado com a Indonésia e 1 ponto porcentual abaixo do Vietnã, que ficou em 20%. No caso indonésio, apenas as exportações do país foram taxadas, sem contrapartidas para os produtos norte-americanos. O Vietnã aceitou abrir seu mercado aos EUA sem imposição de tarifas.
Além da maior tarifa entre todos os países, o governo norte-americano também anunciou uma investigação sobre práticas comerciais. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA já começou a apurar denúncias de práticas desleais.

Fazem parte da investigação temas relacionados ao Pix, ao comércio na Rua 25 de Março e à atuação de redes sociais norte-americanas no país. A investigação, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, também aborda questões como o desmatamento ilegal, a demora na concessão de patentes e o acesso ao mercado de etanol.
Informações Revista Oeste

A imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, anunciada no começo deste mês pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode provocar um abalo histórico na indústria de armas do Brasil.
A Taurus, maior fabricante nacional e uma das principais fornecedoras de pistolas para os EUA, admite que poderá transferir toda sua produção para o território norte-americano. As tarifas, segundo a empresa, ameaçam diretamente 15 mil empregos.
Oeste apurou que conselheiros e diretores da Taurus estão apreensivos com a iminente taxação dos produtos brasileiros. Como as leis do país dificultam o acesso de civis a armas, a maioria da produção de pistolas da Taurus (90%) é destinada aos norte-americanos, que consomem esses produtos com maior intensidade.
No ano passado, por exemplo, mais de 200 mil pistolas da Taurus foram vendidas para os EUA. Com o tarifaço, os custos de exportação ficariam proibitivos e comprometeriam a competitividade da empresa brasileira diante de concorrentes norte-americanos, como Smith & Wesson e Ruger. Em caráter reservado, uma fonte revelou a Oeste que as empresas de armas dos EUA aprovam a decisão de Trump.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2024, cerca de 60% das exportações brasileiras de armas e munições foram para os Estados Unidos. Pouco mais de 50% dessas vendas se originaram no Rio Grande do Sul. O Estado concentra não apenas a planta da Taurus, mas também parte importante de sua cadeia de fornecedores.
O CEO global da empresa, Salésio Nuhs, alertou para o impacto das tarifas. “Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados”, disse o empresário, em entrevista ao site Berlinda. “Ela não significa simplesmente diminuir margem. Significa inviabilidade total. Não existe margem que possa cobrir uma taxação de 50%.”
Nuhs criticou a atuação do governo brasileiro na negociação com os EUA. “Essa falta de habilidade está trazendo uma insegurança jurídica muito grande para os empresários do Brasil e uma insegurança para o trabalhador, que pode perder seu emprego simplesmente porque o governo não conseguiu negociar”, observou.

A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo. De acordo com estimativas locais, R$ 520 milhões em exportações estão ligados ao mercado norte-americano, valor que representa quase 5% do PIB da cidade.
Analistas do setor armamentista afirmam que, sem os EUA, a Taurus dificilmente manteria a atual escala de produção. O mercado norte-americano é o maior do mundo para armas curtas e se constituiu ao longo de décadas como base principal da empresa brasileira. A tentativa de redirecionar a produção para outros países esbarra em barreiras comerciais e em menor potencial de consumo.

Mesmo antes do tarifaço, a Taurus enfrentava desaceleração. Depois de crescer fortemente entre 2018 e 2021, com salto de vendas de 1,2 milhão para 2,3 milhões de armas, o volume voltou ao patamar de 1,2 milhão em 2024. A queda foi provocada pela normalização da demanda pós-pandemia nos EUA e pelo endurecimento da política de armas no Brasil sob o governo Lula.
O anúncio de Trump, que relacionou as tarifas ao tratamento dado pela Justiça brasileira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acentuou a tensão no setor. Bolsonaro, antes de ser proibido de usar redes sociais, disse que não comemorava as tarifas, mas condicionou o fim delas a uma eventual anistia.

Com fábricas no Brasil, nos EUA e uma joint venture na Índia, a Taurus avalia a transferência integral de sua operação para o mercado norte-americano. No entanto, especialistas duvidam da viabilidade do plano. A empresa poderia perder sua principal vantagem: preços mais competitivos em relação aos rivais norte-americanos, garantidos pelo custo de produção mais baixo no Brasil.
Se o cenário não mudar até 1º de agosto, a Taurus terá três opções: 1) substituir a demanda norte-americana por outro país, o que parece improvável; 2) receber subsídios do governo federal e operar em prejuízo; ou 3) apostar na flexibilização das leis brasileiras e contar com aumento no consumo nacional.
Informações Revista Oeste