Em mensagem, o tenente-coronel afirma que o então presidente da República ‘desistiu de qualquer coisa, de qualquer ação mais contundente’
O advogado Celso Vilardi e o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante julgamento da denúncia do núcleo 1 da Pet 12.100 – 25/3/2025) | Foto: Gustavo Moreno/STF
Nesta segunda-feira, 9, o advogado Celso Vilardi, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, confrontou o tenente-coronel Mauro Cid com um áudio.
A cena ocorreu durante interrogatório de Cid, no Supremo Tribunal Federal (STF). O militar falou primeiro, por ser o delator de uma suposta tentativa de golpe.
Vilardi reproduziu uma gravação obtida pela Polícia Federal no celular de Cid, na qual o tenente-coronel se dirige a um general para relatar as movimentações de Bolsonaro nas semanas que se seguiram ao anúncio da vitória de Lula.
No áudio, Cid afirma que Bolsonaro “desistiu de qualquer coisa, de qualquer ação mais contundente”.
Interpelado por Vilardi, Cid disse não se lembrar da gravação. “Foi para quem essa mensagem?”, perguntou o advogado. “Bom, possivelmente foi para o general Freire Gomes, então comandante do Exército, que era o general com quem eu tinha uma interlocução mais direta. Eu mostrava os altos e baixos das conversas que se tinham”, respondeu Cid. “Tanto que tem outra mensagem que eu peço o general]para vir falar com o presidente porque o presidente estava muito mal.”
Áudio de Mauro Cid
O tenente-coronel Mauro Cid, durante depoimento na CPMI do 8 de Janeiro, no Senado – 11/7/2023 | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Eis o que diz Cid no áudio:
“Oi, general. Bom dia. Ontem, o presidente, eu senti que ele já praticamente. Acho que desistiu de qualquer coisa, de qualquer ação mais contundente. Ontem, por várias vezes, ele comentou que o governo Lula, que um possível governo Lula, como ele sempre fala, não daria certo. Lula vai meter o pé pelas mãos. Ele vai botar os seguidores todos contra ele. Tanto que ontem Bolsonaro comentou e pediu para deixar tudo andar, não quer que ninguém fique pressionando nada. Ele conversou bastante tempo com o Valdemar também. Ontem no começo da tarde, ontem, o general Pazuello esteve com ele dando sugestões, ideias de como ele podia de alguma forma tocar o artigo 142, uma coisa assim”.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional(PGFN) pediu à Justiça que mantenha bloqueados R$ 2,1 milhões requisitados pela Organização Arnon de Mello (OAM), grupo de comunicação controlado pelo ex-presidente Fernando Collor. A solicitação ocorreu no processo de recuperação judicial da empresa, que inclui rádios, TVs, portais, jornal e gráfica.
Segundo a PGFN, a quantia permanece penhorada em execução fiscal de 2014, movida contra a TV Gazeta, afiliada da Globo na região. O valor serve como garantia caso a OAM não cumpra os acordos de parcelamento de dívidas com a União. O órgão alega também que o montante busca recompor perdas causadas por um erro judicial que permitiu liberação superior a R$ 5 milhões acima do autorizado à emissora em 2023.
O órgão, que integra a Advocacia-Geral da União e administra a dívida ativa da União e do FGTS, formalizou o pedido em 29 de maio. Trata-se de uma resposta à solicitação da OAM ao juiz Erick Costa de Oliveira Filho, da 10ª Vara Cível da Capital. O grupo pretendia acessar os valores de aluguéis pagos pelo Tribunal Regional Eleitoral pelo uso do prédio entre outubro de 2023 e novembro de 2024, com a finalidade de quitar dívidas trabalhistas.
A justificativa para bloquear o dinheiro de Fernando Collor
A OAM alegou, em novembro de 2024, que os R$ 2,1 milhões seriam destinados ao pagamento de 250 credores trabalhistas que aderiram a acordos de transação homologados pela Justiça, fora do plano principal de recuperação judicial. A Justiça chegou a aprovar a liberação dos recursos em 7 de maio, depois de pareceres favoráveis do Ministério Público de Alagoas e do administrador judicial José Luiz Lindoso, sob condição de comprovação dos pagamentos.
Integrantes do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas promoveram uma manifestação contra o ex-presidente Fernando Collor, em 2022 | Foto: Divulgação/Sindicato dos Jornalistas de Alagoas
No entanto, dez dias depois, a decisão foi revertida pelo mesmo juiz depois da manifestação de credores trabalhistas que questionaram a permanência de Collor e do diretor-executivo Luís Amorim na gestão da OAM. O grupo também pediu a revisão da decisão que autorizava o acesso aos valores.
O ex-presidente, condenado a oito anos e dez meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro entre 2010 e 2014, no caso que envolve a BR Distribuidora, cumpre pena domiciliar em Maceió. As condenações motivaram novo pedido dos credores para barrar a liberação do montante.
“Collor vai no Brasil uma grande Maceió”, disse o jornalista Augusto Nunes, em participação no podcast OesteCast. “Quando Collor ia para o cabaré com os amigos, gastava dinheiro e justificava o gasto como se estivesse ido ao posto ao lado do Palácio da Prefeitura.”
Processos trabalhistas
Para a PGFN, a quantia deve continuar bloqueada para recompor a penhora, já que houve liberação indevida de valores por falha processual, e não pode ser liberada para outros fins. Em maio de 2021, decisão no processo de recuperação judicial permitiu o desbloqueio de aluguéis retidos até então, no valor de R$ 2,5 milhões, com substituição da garantia pelo imóvel da OAM.
No entanto, segundo os autos, uma falha resultou na liberação de aluguéis até setembro de 2023, totalizando R$ 8 milhões — cerca de R$ 5 milhões a mais do que o autorizado. O saldo do débito, conforme a Justiça Federal, estava em aproximadamente R$ 15 milhões até 30 de dezembro de 2024, enquanto o depósito em juízo era menor, cerca de R$ 12 milhões, segundo decisão de fevereiro do juiz Sérgio de Abreu Brito, da 5ª Vara Federal de Alagoas.
Uma falha resultou na liberação de aluguéis até setembro de 2023, totalizando R$ 8 milhões — cerca de R$ 5 milhões a mais do que o autorizado | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
A PGFN também critica a liberação inicial dos recursos sem sua notificação prévia, ao alegar descumprimento do acordo firmado em dezembro de 2022 para parcelamento das dívidas da OAM com a União. O acordo excluiu apenas os débitos ligados ao FGTS, que somam mais de R$ 30 milhões, segundo a lista de devedores da PGFN.
Os procuradores destacam que o acerto de 2022 obriga a manutenção de todas as garantias já formalizadas nas execuções fiscais até a quitação total dos valores negociados. Alegam ainda que aluguéis penhorados não são bens de capital e só podem ser liberados caso haja substituição adequada das garantias.
A penhora de bens de Collor
O imóvel do TRE, segundo a PGFN, já foi alvo de outras penhoras fiscais e não representa garantia real para eventual inadimplência da OAM. As dificuldades financeiras da organização se intensificaram desde que entrou em recuperação judicial, em 2019, para negociar um passivo de R$ 64 milhões.
Apesar de o plano de recuperação ter sido aprovado pelos credores em julho de 2022, suspeitas de crimes falimentares, como possíveis práticas de “compra de votos”, motivaram o envio do caso à polícia. Ex-funcionários recorreram à Justiça do Trabalho para cobrar direitos, o que levou à despersonalização da pessoa jurídica e bloqueio de bens de Collor e da mulher dele, Caroline Serejo.
Em julho do ano passado, Caroline teve quase R$ 500 mil retirados de sua conta para quitar dívida com uma jornalista acometida por câncer e que não recebeu verbas trabalhistas da TV Gazeta. Imóveis de alto padrão de Collor, incluindo uma cobertura em Maceió e uma chácara em Campos do Jordão (SP), também sofreram penhora judicial.
Parlamentar foi condenada a 10 anos de reclusão em regime fechado
Carla Zambelli é considerada foragida desde que deixou o país para evitar a aplicação da pena | Foto: Pablo Valadres/Câmara dos Deputados
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão definitiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada a dez anos de reclusão em regime fechado.
A parlamentar é considerada foragida desde que deixou o país para evitar a aplicação da pena. Conforme a Polícia Federal, Zambelli encontra-se na Itália. O STF já acionou a Interpol e solicitou formalmente ao Ministério da Justiça o começo do processo de extradição com base no tratado bilateral Brasil-Itália.
Zambelli foi condenada por 13 invasões aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por 16 inserções de documentos falsos, incluindo mandados de prisão falsificados, um deles em nome de um ministro do STF. As ações foram executadas em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, também condenado a oito anos e três meses de prisão.
Os argumentos contra Carla Zambelli
A Corte rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa, classificando-os como “protelatórios”. O relator, ministro Alexandre de Moraes, determinou a imediata comunicação à Câmara dos Deputados sobre a perda do mandato de Zambelli, com base no artigo 55 da Constituição Federal.
Além das penas de prisão e multa, os réus deverão indenizar o Estado em R$ 2 milhões por danos morais coletivos e prejuízos materiais.
A extradição de Zambelli será formalizada com documentação traduzida ao italiano e enviada ao governo daquele país. A decisão do STF também autorizou a expedição de guias para execução penal e informou a Interpol sobre o paradeiro da parlamentar via difusão vermelha.
Ex-presidente diz que a atuação do deputado em território americano é independente
Bolsonaro após prestar depoimento à Polícia Federal Foto: EFE/ Andre Borges
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, nesta quinta-feira (5), ter conversado com seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ou mesmo com autoridades norte-americanas, sobre sanções do governo dos Estados Unidos a autoridades brasileiras, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes da Polícia Federal e membros da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em depoimento à Polícia Federal, o político conservador afirmou que nunca tratou do assunto. Também negou ter entregado qualquer dossiê ou documento a Eduardo sobre decisões do STF. Bolsonaro ainda disse que as ações do deputado são “independentes e realizadas por conta própria” e negou auxiliar ou determinar “qualquer tipo de ação nos Estados Unidos”.
Em outro ponto da oitiva, Bolsonaro disse também que Eduardo “não reporta às pessoas com quem se encontra nos Estados Unidos”. Ao final das perguntas, o ex-presidente pediu para acrescentar que “os Estados Unidos não aplicariam sanções por lobby de terceiros”.
Bolsonaro foi ouvido no inquérito aberto por ordem do ministro Alexandre de Moraes, a pedido da PGR, para investigar Eduardo pela suposta atuação dele nos EUA contra autoridades brasileiras.
A PGR atribui ao deputado uma campanha de intimidação e perseguição contra integrantes do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal envolvidos em investigações e processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados dele.
STF ordena bloqueio de bens, contas bancárias e redes sociais da deputada
A Polícia Federal tem dez dias para ouvir a deputada, mesmo que seja por escrito | Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados formalizou nesta quinta-feira, 5, o afastamento de Carla Zambelli (PL-SP). Com a licença publicada, a deputada deixa de receber qualquer valor como parlamentar. O suplente Coronel Tadeu (PL-SP) já assumiu a vaga.
O pedido de Zambelli chegou à Casa antes mesmo da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava o bloqueio de sua remuneração. A parlamentar está fora do Brasil e, segundo o ex-apresentador Paulo Figueiredo, teria viajado à Itália depois de passar pelos Estados Unidos.
“Considere-se afastada a senhora deputada Carla Zambelli a partir de 29 de maio de 2025, data indicada ao atestado médico constante no processo”, informou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no despacho. “Convoque-se o respectivo suplente.”
O ministro Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio integral de salários, verbas de gabinete e demais repasses pagos pela Câmara. O objetivo é quitar a multa de R$ 2 milhões imposta a Zambelli por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça, em 2023.
Como a deputada já se encontra licenciada, não há valores disponíveis para confisco. Ainda assim, o STF acionou o Banco Central para bloquear todas as contas, investimentos e transações da congressista, incluindo transferências via Pix.
O pedido foi incluído na decisão que decretou a prisão preventiva da deputada, além da suspensão de seus perfis em redes sociais, confisco de passaporte e inclusão na lista da Interpol. A Corte também abriu novo inquérito para apurar tentativa de obstrução de Justiça e coação.
Sem advogado, Zambelli passa a ter DPU como representante legal
Zambelli segue sem advogado constituído no processo. Sua última defesa abandonou o caso com alegação de motivos pessoais. Diante do cenário, Moraes designou a Defensoria Pública da União (DPU) para representá-la.
A Polícia Federal tem dez dias para ouvir a deputada, mesmo que seja por escrito. A corporação também deverá preservar os conteúdos removidos das redes sociais da parlamentar na quarta-feira 4.
Zambelli vinha solicitando doações a seguidores e chegou a divulgar seus dados bancários nos perfis, alegando necessidade de arrecadação para pagar sanções judiciais. Moraes exigiu que o Banco Central informe todos os recebimentos por Pix nos últimos 30 dias.
Empresa do presidente dos EUA acusa ministro do STF de violar liberdade de expressão e aciona Justiça norte-americana
À esquerda, presidente dos EUA, Donald Trump; à direita, ministro do STF, Alexandre de Moraes | Fotos: Reprodução/X – Antonio Augusto/STF
A Trump Media protocolou uma ação na Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 6. No processo, a empresa busca responsabilizar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por medidas que, segundo a acusação, configuram censura contra cidadãos e companhias norte-americanas.
O processo foi registrado no Tribunal do Distrito Central da Flórida. A iniciativa partiu da plataforma Rumble, que integra o grupo Trump Media. O documento, com 62 páginas, foi obtido pela emissora CNN e acusa Moraes de violar a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
De acordo com a Trump Media, o ministro teria emitido “ordens secretas de censura extraterritorial” contra usuários e empresas sediadas nos Estados Unidos. A empresa afirma que tais decisões ultrapassam os limites da jurisdição do STF e contrariam os direitos de liberdade de expressão protegidos pela Constituição norte-americana.
O documento menciona o inquérito das fake news como ferramenta utilizada pelo ministro para perseguir adversários do presidente Lula (PT)
O documento menciona o inquérito das fake newscomo ferramenta utilizada pelo ministro para perseguir adversários do presidente Lula (PT). Também destaca a recente investigação aberta contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente reside nos Estados Unidos.
Os autores do processo afirmam que Moraes atuou de forma ilegal ao tentar aplicar leis brasileiras relacionadas à liberdade de expressão em solo norte-americano. Segundo a argumentação, o ministro pressionou empresas, entre elas a Rumble, a removerem conteúdos e bloquear usuários por ordem do Supremo Tribunal Federal.
“Alexandre de Moraes direcionou propositalmente sua conduta para empresas sediadas na Flórida e seus servidores, data centers, operações e relacionamentos com usuários localizados neste Distrito”, diz o documento. “As Ordens de Silêncio exigem a suspensão e proíbem a criação de contas, exigem que a Rumble forneça informações sobre os titulares das contas, impõem multas diárias e obrigam o fechamento da Rumble no Brasil — uma empresa da Flórida com servidores localizados neste Distrito — e potencialmente em outros lugares.”
Outro pedido busca proibir Moraes de envolver empresas como Apple e Google na tentativa de remover o aplicativo Rumble das lojas virtuais.
A empresa pleiteia ainda indenizações por danos comerciais, reputacionais e à liberdade de expressão. Solicita também que o tribunal reconheça a responsabilidade pessoal do ministro e avalie outras formas de reparação que julgar apropriadas.
Segundo a Trump Media, Moraes tentou obrigar a Rumble a aceitar notificações judiciais brasileiras e a nomear um representante legal no Brasil, mesmo sem operar diretamente no país
Segundo a Trump Media, Moraes tentou obrigar a Rumble a aceitar notificações judiciais brasileiras e a nomear um representante legal no Brasil, mesmo sem operar diretamente no país. A empresa acusa o ministro de agir “ultra vires“, ou seja, além de sua autoridade legal.
A petição enfatiza que nem ditames extraterritoriais nem interferência judicial internacional podem suprimir liberdades garantidas pela Constituição norte-americana.
“Permitir que ele silencie um usuário barulhento em um canal digital norte-americano colocaria em risco o compromisso fundamental do nosso país com o debate aberto e robusto”, declarou o texto.
Desde 2022, Moraes teria determinado a suspensão de cerca de 150 contas em redes sociais, envolvendo políticos eleitos, jornalistas, advogados, artistas e cidadãos comuns. De acordo com a empresa, a maioria dessas pessoas se posiciona criticamente em relação ao governo Lula e ao próprio Moraes.
Entre os nomes citados como alvo das decisões judiciais estão os jornalistas Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino, além da ex-juíza Ludmila Grilo. A empresa denuncia que todos enfrentaram bloqueios de contas, congelamento de bens ou inclusão em investigações sigilosas com motivações políticas.
Em evento que reuniu cerca de 3.000 pessoas na noite desta quinta-feira (5), o União Brasil e a Fundação Índigo, braço de formação política do partido, divulgaram uma Carta Compromisso (íntegra no final) com propostas para solucionar os problemas da segurança pública na Bahia, estado mais violento do Brasil em números absolutos. Somente no ano passado, de acordo do Atlas da Violência, 6.616 pessoas foram assassinadas em território baiano – média de 18 homicídios por dia.
Realizado no hotel Fiesta, o Fórum “SOS Bahia – Caminhos para mudar a segurança pública do nosso estado”, contou com as participações do vice-presidente nacional do UB, ACM Neto, do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do senador Sergio Moro, do prefeito de Salvador, Bruno Reis, do deputado federal Capitão Alden, do ex-capitão do BOPE e especialista em segurança, Rodrigo Pimentel, e do comentarista político Caio Copolla.
Ao chegar ao hotel, ACM Neto falou sobre a importância do Fórum. “Os números sobre violência na Bahia são vergonhosos. Pelo 10º ano consecutivo, nosso Estado é líder em homicídios, estamos em segundo lugar em taxa de morte entre jovens e temos 7 das 10 cidades mais violentas do país. Isso só acontece porque o governador Jerônimo Rodrigues não trata a segurança pública com prioridade e não tem competência para enfrentar os bandidos”.
O governador Ronaldo Caiado responsabilizou as gestões petistas na Bahia pelo aumento da criminalidade. “Há quase 20 anos o PT governa a Bahia. É inacreditável que não tenham feito nada de efetivo para a redução dos crimes. E não fizeram porque não têm atitude, não têm nenhum compromisso”, ressaltou.
“Quando assumi o governo pela primeira vez, Goiás também ostentava índices vergonhosos na segurança pública. Implantei a política de tolerância zero com a bandidagem e os resultados estão à vista de todos: reduzimos em mais de 90% os roubos a veículos e cargas, zeramos os roubos a bancos e houve uma diminuição drástica nos homicídios. Hoje temos o controle total de todo território goiano”, disse Caiado.
Em sua palestra, Rodrigo Pimentel, ex-policial que inspirou o personagem Capitão Nascimento no aclamado Tropa de Elite, afirmou que a Bahia está no caminho do caos em relação à segurança pública. “A Bahia está na contramão do Brasil. Enquanto o Brasil registrou uma redução média de 25% na taxa de homicídios, na Bahia os crimes só crescem. Há 22 anos, a Bahia era um dos Estados mais seguros do Brasil, ocupava a 23ª colocação. Como é que passa a primeiro lugar em pouco tempo?”, indagou o ex-capitão do BOPE.
“Ao mesmo tempo em que a violência avança, os profissionais que deveriam estar na linha de frente do combate ao crime enfrentam um cenário de completo abandono. Em muitas cidades, não há sequer uma delegacia funcionando. Em outras, existe apenas uma viatura – muitas vezes quebrada ou sem combustível”, diz um trecho da Carta Compromisso, documento síntese publicado ao final do evento, com ações concretas que podem reverter a situação de calamidade pública na Bahia.
Em outro trecho, a Carta do União Brasil e Fundação Índigo fala que a tragédia na segurança pública da Bahia não está limitada aos números. “Ela está presente no cotidiano de milhões de baianos que vivem sob ameaça constante. Assaltos, roubos de cargas, estupros, sequestros, violência doméstica, facções armadas controlando territórios inteiros, ataques a ônibus, bancos e presídios – o medo virou parte da rotina”, diz o texto.
Bahia mais Segura – Além de apontar problemas crônicos, o Fórum S.O.S Bahia buscou orientação de especialistas para reduzir a criminalidade no estado, garantir a vida de jovens e trabalhadores, bem como reconquistar a liberdade e o direito de ir e vir do cidadão baiano. Algumas propostas que compõem a Carta de Compromisso nasceram de ideias já implementadas com sucesso pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás.
A liderança direta do governador sobre as corporações e a busca de uma gestão guiada por resultados apareceram com frequência como parte das soluções para a violência na Bahia. Com presença constante e empenho do chefe do Executivo, é possível unir as forças policiais, alinhar estratégias, cobrar resultados e garantir que as decisões saiam do papel e cheguem na ponta.
A integração das forças de segurança – Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnica, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar e Guardas Municipais -, em articulação com Ministério Público, Judiciário e forças de segurança federais, é capaz de desestruturar as organizações criminosas. Essa integração prevê, entre outras coisas, banco de dados unificado e operações conjuntas em tempo real, com apoio de tecnologia de ponte e inteligência artificial.
Tolerância Zero – O crime organizado, por suas características de hierarquia, comando e redes de apoio dentro e fora dos presídios, exigirá a criação de unidades de elite, voltadas para o combate às facções criminosas e ao tráfico de drogas. Diante da característica sistêmica da Segurança Pública, será fundamental integrar ação policial com políticas de educação, cultura, esporte, saúde mental e oportunidades de emprego, a partir de programas específicos para jovens em territórios vulneráveis, com foco em cidadania e pertencimento.
Valorização do Policial – Todos os especialistas envolvidos na elaboração da Carta de Compromisso são unânimes em afirmar a necessidade de valorização do agente de segurança policial. Assim, entre as ações propostas, destacam-se a reestruturação de carreiras, promoção por mérito e formação continuada; novos concursos para todas as polícias; modernização de equipamentos e armamentos; aumento na remuneração dos profissionais da segurança pública.
Números são da pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira
Lula aparece empatado com Michelle e Jair Bolsonaro, e também com Tarcísio Fotos: PR/Ricardo Stuckert // VINCENT BOSSON/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO // Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
Em um momento em que vê sua popularidade continuar a derreter, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece tecnicamente empatado com diversos nomes da oposição em cenários de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026. Os números são da pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (5).
De acordo com o levantamento, Lula estaria em igualdade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com nomes como da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL); e dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
No cenário entre Lula e Jair Bolsonaro, ambos aparecem com 41% das intenções de voto. Lula havia marcado 44% em abril, mês do levantamento anterior, enquanto Bolsonaro tinha 40%. Os indecisos somam atualmente 5%, e outros 13% afirmam que votariam em branco, nulo ou que não votariam.
Contra Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, Lula tem 41% e Freitas marca 40%, o que indica um empate dentro da margem de erro. Em abril, o petista registrava 43%, e Tarcísio, 37%. Indecisos são 5%, e 14% votariam em branco, nulo ou não votariam.
Na disputa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Lula aparece com 43% e Michelle com 39%. Em abril, Lula tinha 44% e Michelle 38%. Indecisos somam 4%, e os que declaram voto em branco, nulo ou ausência total chegam a 14%.
Contra o governador do Paraná, Ratinho Júnior, o presidente marca 40% e o chefe do Executivo paranaense, 38%. Os indecisos são 5%, e os brancos, nulos ou que não votariam totalizam 17%.
Já no confronto com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, Lula também empata tecnicamente. Enquanto o petista registra 40% das intenções de voto, Leite aparece com 36%. Outros 5% estão indecisos, e 19% afirmam que votariam em branco, nulo ou não compareceriam às urnas.
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 29 de maio e 1° de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Ordem limita vistos e reforça controle migratório depois de ataque no Colorado
Durante o mandato anterior, Trump havia decretado a suspensão de entrada para cidadãos de sete países | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um novo decreto que impede a entrada de pessoas de 12 países em solo norte-americano.
A medida, que começa a valer na segunda-feira 9, reativa uma política de seu primeiro mandato, suspensa no governo de Joe Biden.
Como resultado, a lista inclui Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen.
Cidadãos desses países não poderão entrar nos EUA nem obter vistos de residência, turismo ou estudo. A decisão surge dias depois de um ataque cometido por um egípcio no Colorado, durante uma vigília em apoio a reféns em Gaza.
Em vídeo, Trump afirma que o ataque “ressaltou os perigos extremos que a entrada de estrangeiros, sem a devida verificação, representa” à segurança nacional. Segundo ele, a Suprema Corte já confirmou a legalidade da medida.
“Restauraremos a proibição de viagens, que algumas pessoas chamam de proibição de viagens de Trump, e manteremos os terroristas islâmicos radicais fora do nosso país, o que foi confirmado pela Suprema Corte”, disse o republicano.
Além da proibição direta, cidadãos de outros oito países — como Venezuela, Cuba e Turcomenistão, por exemplo — devem enfrentar restrições severas para entrada, inclusive para viagens temporárias.
No caso da Venezuela, a Casa Branca alega ausência de autoridade central confiável para emitir documentos e falta de cooperação diplomática.
Por outro lado, os EUA classificam Cuba como “patrocinadora do terrorismo”. Ambos os países também teriam histórico de recusa em aceitar deportações de seus nacionais.
Trump solicitou relatório para embasar novo decreto
A medida integra um pacote mais amplo de endurecimento das regras migratórias, que inclui propostas de deportações em massa, eliminação do direito à cidadania por nascimento e a suspensão da entrada de refugiados.
O próprio presidente pediu a elaboração do relatório que embasou o decreto atual, com foco em países considerados hostis aos EUA. Durante o mandato anterior, Trump já havia decretado a suspensão de entrada para cidadãos de sete países de maioria muçulmana.
A decisão provocou protestos internacionais. Com o tempo, o texto foi modificado até que uma versão fosse mantida pela Suprema Corte, em 2018.
Na época, a medida ficou conhecida como “proibição muçulmana” e afetou viajantes de Irã, Síria, Iêmen, Somália e Líbia, além de funcionários do governo da Coreia do Norte e da Venezuela.
O ex-presidente Joe Biden revogou a política assim que assumiu o cargo em 2021, classificando-a como discriminatória. Trump, no entanto, sempre alegou tratar-se de uma questão de segurança nacional — e agora promete restabelecer as barreiras com ainda mais rigor.
1ª Turma agendou para esta sexta-feira, 6, o julgamento da deputada
Carla Zambelli saiu do Brasil no fim de maio pela fronteira com a Argentina, onde não há obrigatoriedade de controle pela Polícia Federal | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) agendou para esta sexta-feira, 6, um recurso da deputada Carla Zambelli (PL-SP) contra a condenação a dez anos de prisão pelo ataque ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.
A sessão será realizada de forma virtual, das 11h às 23h59, conforme agendado pelo presidente da 1ª Turma, ministro Cristiano Zanin, que atendeu à solicitação do relator, Alexandre de Moraes.
A sessão extraordinária foi marcada depois que Zambelli anunciou, nesta terça-feira, 3, que estava fora do Brasil, e que pretendia denunciar os excessos do STF. Ela está nos Estados Unidos e pode partir para a Europa.
Depois disso, Moraes decretou a prisão preventiva da deputada, pediu para incluir seu nome na lista de procurados da Interpol, bloqueou as redes sociais de todos os membros da família de Zambelli e abriu um novo inquérito contra ela. Deputados da base do governo Lula querem sua cassação imediata.
O recurso de Zambelli contra a condenação pelo STF
No último dia 23, de forma unânime, o colegiado condenou Zambelli à prisão em regime fechado, cassação do mandato e multa de R$ 2 milhões por danos materiais e morais. Em resposta, a defesa protocolou embargos de declaração, nos quais alegou cerceamento de defesa devido à ausência de acesso integral às provas.
Os advogados solicitaram que o STF reconheça essa limitação, permita consulta completa aos documentos e absolva a parlamentar. O hacker Walter Delgatti Neto também foi condenado no processo a que respondeu Zambelli.
Sessão da Primeira Turma do STF | Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Os embargos de declaração não necessariamente alteram a decisão, mas servem para esclarecer possíveis contradições ou omissões presentes no acórdão.
Caso o recurso seja rejeitado por unanimidade, o processo será definitivamente encerrado, e a execução da pena poderá ser determinada pelo relator. Segundo o regimento interno do STF, se a decisão não for unânime, existe a possibilidade de apresentação de embargos infringentes, recurso que permite reanálise do mérito da condenação, desde que haja voto favorável à parte recorrente. Porém, a admissibilidade desse recurso depende de julgamento pelo colegiado.
Fazem parte da 1ª Turma, além de Moraes e Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux.