Presidente dos EUA indica possibilidade de barrar acesso de delegações na Assembleia Geral da ONU
Na avaliação de Trump, esquerda prejudica o Brasil | Foto: Reprodução/Twitter/X
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 5, que o governo brasileiro se moveu para a “esquerda radical”. O republicano destacou principalmente estar “muito chateado” com a situação.
“Eu amo o povo brasileiro. Temos um ótimo relacionamento com o povo brasileiro. Mas o governo brasileiro mudou radicalmente. Virou muito à esquerda. Foi para a esquerda. Foi para uma esquerda radical”, disse Trump, em entrevista a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.
Trump acrescentou do mesmo modo que a mudança prejudica o país. “Isso está prejudicando muito o Brasil. Eles estão se saindo muito mal. Muito, muito mal”. O norte-americano explicou que os Estados Unidos aplicaram tarifas altas contra o Brasil porque o país está fazendo “algo muito lamentável”.
Trump analisa acesso de delegações a evento da ONU
Embora não tenha citado diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta tentativa de golpe de Estado, Trump sinalizou que a imposição das taxas tem relação direta com o processo de perseguição contra o político liberal.
A declaração ocorreu depois do questionamento sobre a hipótese de os EUA restringirem vistos de delegações brasileiras com intenção de participar da Assembleia Geral da ONU. O evento vai ocorrer em novembro, em Nova York. Trump afirmou que o assunto está em discussão, sem descartar a possibilidade da medida. “Vamos ver”.
O projeto denominado “Trem Feira-Salvador”, que tem sido noticiado na imprensa nos últimos meses, foi apresentado hoje (4), por seus idealizadores, a vários vereadores, em reunião realizada na Câmara Municipal. Conforme expectativa dos seus mentores, o projeto, que envolve a construção de uma ferrovia com pátio de cargas e área de desembarque de passageiros, pode exercer impacto significativo na macrorregião do Município, especialmente para as pessoas que se deslocar interior rumo a Salvador.
No serviço, de natureza expressa, seriam 35 minutos para chegar na capital do Estado. Sócios-diretores da empresa Tic Bahia, Danilo Ferreira e Osvaldo Otan solicitaram apoio do Legislativo feirense, no sentido de sensibilizar autoridades federais a autorizarem a execução do investimento. “É muito importante entender o tamanho de Feira neste contexto. Assim como o que a gente está desenvolvendo nesta estrutura nova, baseada em novos caminhos e traçados mais curtos, aproveitando o tracejado da Bahia. Isto pode mudar a cidade para os próximos 100 anos”, disse Danilo.
Seria possível ir para Recife, Caruaru e Salgueiro, todos estes destinos a partir do Trem Feira-Salvador, observou o diretor. A ideia surgiu, ele explicou, do pressuposto de entregar um tempo menor para o usuário, oferecendo integração no transporte, a fim de que ele chegue mais rápido no destino final. O projeto da ferrovia já obteve aprovação da Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e aguarda autorização do Ministério dos Transportes.
Prevê a instalação de nove estações no perímetro de Feira para Salvador. Começa no bairro de Águas Claras (Salvador) e trabalha com a perspectiva de integrar região metropolitana. Passa por Simões Filho, Candeias, São Sebastião do Passé e Conceição do Jacuípe (sendo esta, a principal do sistema). Em Feira de Santana serão duas estações (uma na avenida Nóide Cerqueira/Parque de Exposições, e outra na área onde está situada o Hospital Lopes Rodrigues).
A intenção é que também se possa chegar a municípios como Cachoeira, Cruz das Almas e outros da região recôncavo. Devido a integração prevista no serviço interurbano e metropolitano de transporte, a proposta sinaliza que Feira terá uma Estação Rodoferroviária (estação de trem em baixo e de ônibus na parte de cima), em substituição ao atual terminal rodoviário.
Osvaldo Otan destacou que, se autorizada pelo Ministério dos Transportes, a obra da nova ferrovia, projetada para ser financiada pela iniciativa privada (quatro empresas estão analisando), vai mudar a logística de Feira, Salvador e do Nordeste. Custará em torno de R$ 8 bilhões e a passagem para os usuários está orçada em torno de R$ 45. Questionado pelos vereadores sobre tempo para entrar em funcionamento caso seja autorizada este mês pelo governo federal, ele garantiu que a empresa teria um prazo de oito anos para entregar.
“A gente está inserindo Salvador-Feira numa questão estrutural maior. E a solução já está estudada e planejada pela nossa empresa. Fizemos questão de explicar a proposta, porque de repente pode surgir a necessidade de tratar sobre ela em Brasília”, frisou Otan.
O presidente da Câmara Marcos Lima (União), presente na apresentação, garantiu que o Legislativo está aberto a ouvir e apoiar todas as inciativas que visem o desenvolvimento do Município. “Parabenizamos os senhores pela explanação e pela ideia. Com certeza, no que depender desta Casa, terá sim apoio”, garantiu. Também acompanharam a exposição, os vereadores Zé Curuca (União), Marcus Carvalhal (PL), Ismael Bastos (PL), Silvio Dias (PT), Jurandy Carvalho (PSDB), Luiz d Feira (PP), Ron do Povo (PP), Pastor Valdemir (PP) e Gean Caverna (Podemos).
Agência Brasileira de Inteligência intensifica vigilância com a justificativa de garantir ordem e segurança durante protestos
Fachada do prédio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O Centro de Inteligência criado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em Brasília vai atuar no monitoramento das manifestações que estão programadas para o feriado de 7 de setembro de 2025. Conforme o órgão, essa ação busca prevenir riscos aos direitos fundamentais, além de garantir a segurança de autoridades e de quem pretende participar dos eventos.
Anunciada nesta quinta-feira, 4, a medida ocorre em um contexto de expectativa de protestos intensos e ambiente polarizado em várias cidades do Brasil. Os profissionais da Abin trabalharão em parceria com integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e farão parte da Célula Integrada de Inteligência de Segurança Pública (Ciisp), estrutura vinculada à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Abin tem logística e segurança reforçadas na Esplanada
Alexandre de Moraes, Lula e Luís Roberto Barroso no Desfile de 7 de Setembro – Brasília – 07/09/2024 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom
O Centro de Inteligência contará com apoio das superintendências estaduais da Abin, de modo a promover ações conjuntas com o Sisbin. A Esplanada dos Ministérios vai ter acesso interditado a partir das 23 horas deste sábado, 6, podendo haver antecipação do bloqueio. No dia 7, domingo, a entrada do público poderá ocorrer a partir das 6 horas, com inspeções obrigatórias em todos os pontos de acesso.
Os eventos do 7 de Setembro devem atrair grupos de diferentes espectros políticos e pode refletir a polarização do cenário nacional. Estão previstas manifestações tanto de apoiadores da direita quanto da esquerda, incluindo atos de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em prisão domiciliar, o político vive momento conturbado, já que responde no STF por uma suposta tentativa de golpe de Estado, num julgamento que deve ter fim no dia 12 de setembro.
Segundo o jornalista Paulo Figueiredo, “os Estados Unidos acompanharão de perto as manifestações de 7 de setembro, organizadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em várias cidades do país”.
Indicado pelo ex-presidente receberá todo o apoio do partido
Valdemar e Bolsonaro Foto: Beto Barata/ PL
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou nesta quarta-feira (3) que o partido apoiará Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na disputa pela Presidência em 2026, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro faça esse pedido. A fala ocorreu após questionamento sobre uma possível filiação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à legenda.
Valdemar explicou que o PL seguirá a escolha de Jair Bolsonaro para a sucessão, mesmo que o nome indicado seja de um de seus filhos.
– Tarcísio só vem para o PL se o Bolsonaro apoiá-lo para presidente. Se for o Eduardo Bolsonaro, apoio o Eduardo. O Eduardo é o nosso candidato – disse em entrevista à GloboNews.
Na mesma entrevista, o dirigente do partido confirmou que Tarcísio de Freitas tem atuado em articulações pela anistia. O tema ganhou força nesta semana com o apoio integral do PL. Recentemente, Eduardo ameaçou deixar a legenda caso o governador de São Paulo entre para o PL, saindo com toda a família.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou, nesta terça-feira (2), que cresceu entre os líderes partidários uma tendência para que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), inclua na pauta do plenário o projeto que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O petista manifestou desespero com a crescente articulação para que o perdão concedido pelo Estado seja pautado.
As declarações ocorreram após o petista ter saído de uma reunião entre líderes na residência oficial de Motta, em Brasília (DF). Segundo Lindbergh, a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Brasília influenciou um “movimento” dos líderes na defesa da inclusão da anistia na pauta, após a conclusão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), em 12 de setembro.
– É um grave erro qualquer discussão para pautar a anistia. Existe essa discussão, cresceu um movimento com a presença aqui do governador de São Paulo, Tarcísio, de colocar em discussão essa questão da anistia para depois do julgamento – declarou.
O parlamentar de esquerda disse ainda que “o Poder Legislativo embarcar em uma pauta como essa é um grave equívoco”.
Segundo Lindbergh, “vários partidos” pediram essa pauta na reunião de líderes, como o União Brasil, o PP e o Republicanos. O petista afirmou que Tarcísio “está procurando todos os partidos” em favor da anistia e que houve “uma mudança de tom e de intensidade no desejo de pautar” a proposta.
O petista sustentou ainda que o governador de São Paulo tem a intenção de construir a sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2026.
– Tarcísio, pelo jeito, está construindo um caminho para virar o candidato de todo mundo, ao assumir dessa forma essa pauta. Agora, é claro que o Tarcísio vai pagar o preço por isso – disse Lindbergh. O líder do PT na Câmara prosseguiu em seu lamento.
– Eu acho que ele consolidou a candidatura dele para presidente – afirmou.
De acordo com o congressista, a discussão sobre a inclusão da pauta após o julgamento vai ser colocada em uma nova reunião de líderes nos próximos dias. O parlamentar afirmou ainda que não houve apresentação de um texto concreto.
A fala do deputado foi publicada em vídeo, nesta terça, em suas redes sociais; no qual Lindbergh demonstra total contrariedade ao avanço das articulações políticas pró-anistia.
O presidente do PL Bahia é ex-ministro da Cidadania, João Roma, convocou os patriotas baianos a se reunirem neste 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, a partir das 9 horas, nas imediações do Farol da Barra, em Salvador. Em sua convocação, Roma declarou:
“Nesta data que marca a independência do Brasil e simboliza a instauração da liberdade na história do país, nada mais oportuno que o povo baiano se una aos demais de outros estados brasileiros em protesto contra as arbitrariedades sofridas pelo presidente Jair Bolsonaro e outros patriotas no processo persecutório em andamento no Supremo Tribunal Federal.”
Em maio, o tribunal rejeitou por unanimidade a ação apresentada por dois partidos
Sergio Moro | Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil
Depois da publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeita a cassação do mandato de Sergio Moro (União Brasil-PR), o Partido Liberal, liderado por Jair Bolsonaro (PL), optou por não protocolar novo recurso na Corte no momento.
No julgamento realizado em maio, o TSE votou de forma unânime contra a perda do mandato de Moro, decisão solicitada tanto pelo PL quanto pelo PT. O acórdão referente a esse julgamento foi divulgado na sexta-feira 29.
Decisão do PL e próximos passos
Com a divulgação do documento, iniciou-se o prazo para apresentação de embargos pelos partidos interessados. “A decisão do PL, neste momento, é de que não recorramos”, explicou o advogado Guilherme Ruiz Neto, representante do PL na ação, ao portal Metrópoles. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, também confirmou que orientou a equipe jurídica a não recorrer.
O prazo para possíveis embargos no TSE termina nesta quarta-feira, 3. Além desse período, partidos ainda poderão entrar com recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) em até 15 dias.
Sessão está marcada para as 9h; processo por tentativa de golpe tem outros sete réus
Sessão da 1ª Turma do STF em 6/5/2025 | Foto: Fellipe Sampaio /STF
A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira, 2, o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados de tentativa de golpe. O julgamento da Ação Penal 2.668 (AP 2668) deve começar às 9h e será transmitido ao vivo pela Corte.
O processo poderá se estender até 12 de setembro e, por isso, o STF reservou sessões em 3, 9, 10 e 12 de setembro.
Bolsonaro e os sete réus são acusados de tentativa pela Procuradoria Geral da República (PGR) tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Se for condenado por todos os crimes, Bolsonaro pode pegar pena de 43 anos de prisão e ficaria ao menos 12 anos em regime fechado.
Eventuais recursos serão julgados pelo próprio STF e, quando não houver mais possibilidade de reverter eventual decisão de condenação, ocorre o trânsito em julgado, e a pena começa a ser cumprida. Bolsonaro já está em prisão cautelar, em sua residência.
Rito do julgamento de Bolsonaro no STF
O relator do processo contra Bolsonaro é Alexandre de Moraes (relator). Também fazem parte da 1ª Turma os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Bolsonaro será representado por nove advogados, entre eles Celso Villardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser, integrantes das bancas que cuidam de sua defesa.
Depois de aberta a sessão pelo presidente da 1ª Turma, Cristiano Zanin, Moraes faz a leitura do relatório, apresentando a síntese das investigações e das alegações finais da PGR e dos réus.
Bolsonaro, durante interrogatório no STF – 10/06/2025 | Foto: Ton Molina/STF
Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, vai fazer a sustentação oral, por até duas horas. Depois, começa o prazo de uma hora de sustentação oral para a defesa de cada um dos réus.
Quando essas manifestações terminarem, o relator profere seu voto. Depois disso, votam os outros ministros da turma, nesta ordem: Dino, Fux, Cármen e, por último, Zanin. Bastam três votos entre os cinco ministros para condenar ou absolver os réus.
Os réus
Além de Bolsonaro, são réus no processo:
Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.
Mauro Cid é um delator do caso, mas desdisse suas acusações em áudios vazados. Outros 30 réus são acusados de participação no suposto golpe, mas os casos foram desmembrados pela PGR, que agrupou os réus em quatro “núcleos” diferentes.
Esquema de segurança
O STF reforçou o esquema de segurança no entorno do prédio em razão do julgamento. A proteção envolve policiais judiciais do tribunal e de outros Estados, que operam em regime integral, com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Entre as ações estão controle de acesso, utilização de detectores de metal e fechamento da praça dos Três Poderes.
Para acompanhar as sessões, 500 profissionais de imprensa nacionais e estrangeiros foram credenciados. O público geral enviou mais de 3,3 mil solicitações de inscrição, mas apenas 150 lugares foram disponibilizados na sala da 2ª Turma, com acompanhamento por telão. O acesso à 1ª Turma está restrito a jornalistas e advogados.
Gestão petista cogita retaliação se novas penalidades forem aplicadas por Donald Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do evento Transformação Digital: um governo para cada pessoa, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF – 23/7/2025 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A proximidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) gera apreensão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos caso o ex-presidente seja condenado. A informação é do canal CNN Brasil.
O processo começa na terça-feira 2, a partir das 9h, envolvendo Bolsonaro e mais sete acusados por um suposto plano de golpe de Estado em 2022.
Apesar de negar relação direta, integrantes do governo reconhecem que a decisão de iniciar, na quinta-feira 28, um processo visando retaliação às tarifas de 50% impostas por Donald Trump serve para garantir respaldo jurídico a eventuais respostas políticas, se houver agravamento das punições americanas.
Estratégias do governo frente a possíveis sanções
A equipe do governo considera o processo de retaliação, fundamentado na Lei de Reciprocidade, um mecanismo seguro para enfrentar possíveis novas tarifas dos EUA. O trâmite pode durar de seis meses a um ano, por isso a antecipação foi considerada necessária.
Além disso, o Brasil dispõe de meios emergenciais para impor tarifas sobre produtos norte-americanos se o conflito comercial se intensificar. A Embaixada do Brasil em Washington notificou o USTR na sexta-feira 29, sobre o início desse procedimento formal.
Aliados de Bolsonaro avaliam que o governo Trump pode retaliar em caso de condenação, cogitando até a ampliação da Lei Magnitsky para incluir familiares do ministro Alexandre de Moraes e outros membros do STF.
No Planalto, prevalece a avaliação de que o foco de Washington segue no julgamento, e a tensão deve persistir até as eleições de 2026.
STF julga Bolsonaro e outros 7 por suposto plano de golpe
O ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, ordenado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, enquanto aguarda julgamento por uma suposta conspiração para anular as eleições de 2022, em Brasília, Brasil, em 14 de agosto de 2025 | Foto: Reuters/Adriano Machado
O STF inicia na terça-feira 2, o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados de planejar um golpe de Estado em 2022. O processo será analisado pela Primeira Turma do tribunal, sob a presidência do ministro Cristiano Zanin, que designou cinco sessões para avaliar o caso.
As sessões têm horários alternados: em dois dias, ocorrem das 9h às 12h; nos outros três, estão previstas duas rodadas, das 9h às 12h e das 14h às 19h. O julgamento começa com o relatório do ministro Alexandre de Moraes, que detalha as provas reunidas até o momento, sem tempo determinado para essa exposição.
Depois da leitura do relatório, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que foi reconduzido ao cargo na última semana, fará sua manifestação oral, seguido pelos advogados dos oito réus, cada um com até uma hora para apresentar argumentos. O procurador-geral poderá ter mais tempo, se autorizado pelo presidente da Primeira Turma, por envolver múltiplos réus.
O caso do jovem Lucas Costa Brasileiro, condenado a 14 anos de prisão pelos atos do 8 de janeiro de 2023, chamou atenção esta semana após ele ser impedido de abraçar familiares no velório da avó na tarde desta terça-feira (26). Segundo a família do rapaz, que defende sua inocência, Lucas havia ido à Esplanada na ocasião dos atos porque estava fazendo um concurso público e teria entrado no Palácio do Planalto para se proteger das bombas de gás lacrimogêneo.
– Lucas chegou na Esplanada às 17h40 porque estava fazendo um concurso público, e foi preso por volta das 18h – declarou o pai do jovem, Evandro Brasileiro, segundo informações do Gazeta do Povo.
Lucas está preso há dois anos. Ele ficou no Complexo Penitenciário da Papuda até 19 de agosto do ano passado. Posteriormente, foi liberado sob a condição do uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou a ser detido sob justificativa de “risco de fuga”.
Ele é casado e tem duas filhas, uma delas bebê.
Nesta terça, o jovem compareceu ao velório da avó materna, Joanice, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) autorizar sua ida ao local. Inicialmente, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) negou a condução do detento até o velório, afirmando haver falta de contingente, mas depois mudou de posicionamento.
Segundo Evandro, o caixão teve que ser transferido do salão para o cemitério devido ao atraso na escolta de Lucas.
– Depois que rodou essa gravação que eu fiz eles mudaram de ideia e levaram o Lucas. Tivemos que segurar o velório, que já saiu do salão e ficou no cemitério de 16h às 18h42 quando o Lucas chegou, com mais de 35 policiais armados até os dentes – relatou.
De acordo com familiares, os policiais militares portavam fuzis. A Seap-DF se negou a informar quantos agentes foram deslocados para acompanhar o rapaz.
Vídeos mostram o jovem algemado, sendo conduzido pelos agentes até o túmulo da avó. Ele permaneceu alguns minutos no local antes de ser levado de volta ao presídio, e não foi autorizado a abraçar ou falar com nenhum familiar, nem mesmo a mãe.