Oitiva ocorre presencialmente, porque Moraes barrou videoconferência
O ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução/YouTube/Canal Jair Bolsonaro
A Polícia Civil do Distrito Federal colhe o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira, 23. A oitiva integra o inquérito sobre a apreensão de uma arma registrada em nome de Bolsonaro. Policiais encontraram o armamento com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em uma blitz no Distrito Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a oitiva presencial na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária. O magistrado justifica que há restrição legal ao uso de comunicações eletrônicas, o que impede a videoconferência. A 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte, conduz o caso. O depoimento será às 15h.
Investigação apura origem e circulação da arma de Bolsonaro
Policiais militares apreenderam a arma em 15 de junho, no Pistão Norte, em Taguatinga. O armamento estava com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante do GSI.
Na ocasião, o integrante do GSI disse que trabalha para Bolsonaro e que a pistola pertencia ao ex-presidente. Além disso, ele declarou que recebeu a arma no dia 15 de junho para levá-la ao conserto e que, no dia seguinte, a devolveria para Bolsonaro.
A Polícia Civil instaurou o inquérito para apurar as circunstâncias da posse e da circulação da arma e comunicou a investigação a Moraes.
A defesa de Bolsonaro afirmou ao STF que entregou a arma ao agente depois de identificar uma falha mecânica. Segundo os advogados, a pistola estava sem condições de uso, porque a equipe de segurança retirou o percussor sem o conhecimento do ex-presidente.
O senador se inscreveu para discursar na Comissão de Comércio Internacional contra a proposta de taxar produtos brasileiros em 25%
Flávio Bolsonaro usou a rede social X para criticar a postura do governo federal diante do risco de sanções estrangeiras | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu nesta segunda-feira, 22, para depor na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. O parlamentar quer discursar contra a proposta norte-americana de criar um imposto de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil. O debate oficial ocorrerá no dia 6 de julho em Washington, motivado por uma investigação sobre supostas manobras comerciais desleais do mercado brasileiro.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou o tarifaço no início de junho sob a alegação de reprimir atos comerciais abusivos. A punição foca especialmente o sistema de pagamentos Pix, classificado pelo órgão norte-americano como concorrência desleal. A decisão da agência saiu quando Flávio encerrou uma viagem oficial aos EUA, onde se reuniu com o presidente Donald Trump.
Senador afirma que o imposto ajuda o governo federal nas urnas
Flávio Bolsonaro usou a rede social X para criticar a postura do governo federal diante do risco de sanções estrangeiras. “Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, publicou o congressista. O pré-candidato à Presidência completou: “Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”.
Vou defender os interesses do povo brasileiro!
Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo lula.
Como era de se esperar, lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas.
O documento de inscrição enviado aos norte-americanos reforça o argumento político de que o tarifaço vai produzir o resultado contrário ao planejado pelos técnicos dos Estados Unidos. O senador alega que a oposição ao Palácio do Planalto virará a principal vítima econômica se as taxas entrarem em vigor. O político defende uma saída baseada em acordos conversados para preservar a parceria comercial de 80 anos entre os dois países.
Petição enviada a Washington defende o uso do Pix
Os advogados do senador registraram formalmente na petição oposição total a qualquer represália contra o sistema bancário brasileiro de transferências instantâneas. O texto ressalta que a testemunha pretende falar em nome dos compradores e dos fabricantes das duas nações.
Esta segunda-feira, 22, marcou o encerramento do prazo fixado pelas autoridades norte-americanas para que cidadãos e representantes de entidades se inscrevam na audiência pública. Donald Trump chegou a compartilhar fotos ao lado do senador brasileiro poucas horas depois de o escritório de comércio dos Estados Unidos sugerir a barreira alfandegária.
Senador critica política econômica do governo, acusa o STF de interferir em decisões do Congresso e afirma que investidores enxergam um ambiente de insegurança jurídica no Brasil
Flávio Bolsonaro deu a declaração no evento ‘A indústria na agenda dos presidenciáveis’, da CNI | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro(PL-RJ) elevou o tom das críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao defender uma mudança de rumo político nas eleições de 2026. O senador deu a declaração durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desta segunda-feira, 22.
“O governo Lula faz mais mal ao país do que uma guerra entre Rússia e Ucrânia”, analisou Flávio, que chegou a afirmar que a única certeza que tem “é que Lula não será mais presidente da República”. “Vamos vencer a eleição.”
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ao comparar o governo Lula com o de Jair Bolsonaro, Flávio disse que a gestão conservadora conseguiu manter a responsabilidade fiscal, mesmo reduzindo impostos e sem ampliar a arrecadação durante a pandemia, à crise hídrica e a deflagração da guerra na Ucrânia.
“O governo do presidente Bolsonaro perseguia de forma incessante a redução da carga tributária”, ressaltou. Nesse sentido, o senador afirmou que a atual gestão federal tem provocado mais prejuízos ao país.
Ambiente hostil
Flávio também relatou conversas recentes com empresários e investidores nos Estados Unidos. De acordo com o pré-candidato do PL à Presidência, a principal preocupação manifestada por representantes do mercado internacional é a falta de segurança jurídica no Brasil.
“Hoje existe um ambiente hostil de negócios no Brasil”, afirmou o parlamentar. “Todos, sem exceção, falaram sobre insegurança jurídica.”
O senador argumentou que decisões judiciais têm gerado instabilidade econômica e afastado investimentos que poderiam contribuir para o crescimento do país.
Atuação do STF
Sessão plenária do STF – 10/06/2026 | Foto: Antonio Augusto/STF
Uma parte do discurso de Flávio também foi dedicada a críticas ao STF. Ele citou decisões envolvendo questões tributárias, econômicas e eleitorais para sustentar que a Corte estaria ultrapassando suas atribuições constitucionais.
“É inaceitável que continuemos sendo submetidos à canetada de um ministro do Supremo que pode desfazer uma decisão do Congresso Nacional”, declarou.
Como exemplo, o parlamentar mencionou o embate envolvendo o aumento do IOF e afirmou que decisões aprovadas pela maioria dos deputados e senadores não podem ser revertidas por decisões individuais de ministros.
“O Supremo hoje parece mais uma delegacia de polícia do que uma Corte Constitucional”, disse. “Há ministros querendo interferir no processo eleitoral e escolher quem pode ser candidato e quem não pode.”
Ao citar a eleição suplementar realizada em Roraima neste fim de semana, o senador voltou a criticar uma decisão do ministro Flávio Dino relacionada às regras de desincompatibilização dos candidatos.
Prejuízo das estatais
Correios estão em processo de reestruturação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
No encerramento do discurso, o senador voltou a criticar a gestão das empresas públicas federais e afirmou que estatais voltaram a registrar prejuízos bilionários.
“As estatais voltaram a dar prejuízos históricos”, destacou Flávio. “São recursos que vão ter que sair de algum lugar do orçamento para compensar essa má gestão. Mais uma vez vemos problemas em fundos de pensão e em estatais. Tudo isso não acontecia no governo do presidente Bolsonaro.”
O prazo da prisão domiciliar temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro termina na próxima quinta-feira (25), e caberá ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir se o benefício será prorrogado. A medida foi concedida em março por 90 dias, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão do estado de saúde do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido condenado como líder de uma organização criminosa que tentou impedir a posse do presidente eleito em 2022. Antes da prisão domiciliar, ele estava detido em uma sala de Estado-Maior no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Saúde será um dos fatores analisados
A defesa pediu autorização para uma nova bateria de exames, incluindo tomografia do tórax e do abdômen, endoscopia digestiva e pHmetria esofágica. Os advogados argumentam que os procedimentos são necessários para acompanhar o quadro de pneumonia broncoaspirativa e investigar problemas como esofagite erosiva, gastrite crônica e refluxo gastroesofágico.
Segundo relatório médico apresentado ao STF, Bolsonaro apresentou agravamento das crises de soluço durante a prisão domiciliar, exigindo doses adicionais de medicamentos. O documento também aponta que o ex-presidente mantém queixas de cansaço, fadiga e alterações no equilíbrio, embora permaneça estável do ponto de vista cardiológico.
Apreensão de arma pode influenciar decisão
Outro ponto que deverá ser considerado por Moraes é a apreensão de uma pistola Glock 9 mm atribuída a Bolsonaro. A arma foi encontrada em um veículo conduzido por um militar responsável pela segurança do ex-presidente durante uma blitz da Polícia Militar no Distrito Federal.
Após o episódio, Moraes determinou que a defesa apresentasse esclarecimentos. Os advogados afirmaram que a própria equipe de segurança retirou o percussor da arma, tornando-a inoperante, em razão dos efeitos das medicações psiquiátricas utilizadas por Bolsonaro.
Restrições seguem em vigor
Durante a prisão domiciliar, Bolsonaro é monitorado por tornozeleira eletrônica e está sujeito a restrições, como proibição de celulares, redes sociais e gravação de vídeos ou áudios. Ele pode receber familiares, médicos e advogados, mas visitas de políticos permanecem suspensas.
Especialistas avaliam que, apesar de a apreensão da arma poder ser considerada uma falta grave, a idade do ex-presidente, de 71 anos, e o quadro de saúde fragilizado podem levar à manutenção da prisão domiciliar, eventualmente com novas condições impostas pelo STF.
O presidente chamou o senador para Brasília para avaliar o tamanho do desgaste político depois da operação
À esq., o ex-presidente Lula (PT); à dir., o senador Jaques Wagner (PT-BA) | Foto: Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou uma reunião de emergência com o senador Jaques Wagner para os próximos dias. O encontro vai selar o futuro do parlamentar no posto de líder do governo no Senado. A permanência do petista no cargo ficou no ar depois que a Polícia Federal (PF)deflagrou uma operação que o colocou como alvo central de desvios ligados ao Banco Master.
Segundo a CNN, Lula ordenou o retorno imediato do correligionário a Brasília para traçar uma resposta institucional ao escândalo. O senador estava na Bahia quando os agentes federais cumpriram os mandados de busca. A conversa oficial depende agora do cumprimento de viagens do chefe do Executivo, que cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início desta semana.
Senador se recusa a entregar o cargo e conta com amizade de Lula
Jaques Wagner avisou a interlocutores que não pedirá demissão do posto. O parlamentar declarou que Lula não sugeriu o afastamento durante o primeiro telefonema feito horas depois da investida policial. O presidente preferiu silenciar em público e fez apenas um gesto de “joia” com a mão ao ser questionado por repórteres em Belo Horizonte sobre a manutenção do aliado.
Segundo a CNN, o Palácio do Planalto estava preparado para para rebater suspeitas gerais contra o PT baiano, mas não esperava uma ação direta contra o líder do Senado. A favor de Wagner pesam a amizade de longa data e a confiança de Lula, que já o nomeou para chefiar os ministérios do Trabalho, Defesa, Relações Institucionais e a Casa Civil.
Ministro autorizou oitiva da Polícia Civil do DF sobre a apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente e marcou depoimento para 23 de junho
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar em Brasília | Foto: Reprodução/X
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a apreensão de uma pistola registrada em seu nome.
A corporação havia solicitado autorização para realizar o depoimento por videoconferência, por meio da plataforma Zoom, em 24 de junho, às 15 horas. Moraes aceitou a oitiva, mas rejeitou que seja à distância.
Além de mudar o formato da audiência, Alexandre de Moraes antecipou o depoimento para 23 de junho, às 15 horas | Foto: Luiz Silveira/STF
Segundo o ministro, Bolsonaro está submetido a restrições relacionadas ao uso de comunicações eletrônicas em razão das condições impostas na prisão domiciliar. Por esse motivo, determinou que o depoimento aconteça presencialmente no endereço onde o ex-presidente cumpre a medida cautelar.
Além de mudar o formato da audiência, Moraes antecipou o depoimento para 23 de junho, às 15 horas.
Inquérito apura apreensão de arma registrada em nome de Bolsonaro
A investigação da Polícia Civil do Distrito Federalbusca esclarecer as circunstâncias da apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro.
A arma estava com um dos seguranças do ex-presidente e foi apreendida durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal.
No pedido encaminhado ao STF, a PCDF informou que instaurou o Inquérito Policial nº 672/2026 para apurar os fatos relacionados ao caso.
Na mesma decisão, Moraes também determinou que a defesa de Bolsonaro informe, em até 48 horas, se contratou profissional de saúde para acompanhá-lo durante o período noturno. O ministro ainda solicitou esclarecimentos sobre a rotina dos agentes de segurança cedidos ao ex-presidente em razão de sua condição de ex-chefe do Executivo federal.
Nesta sexta-feira (19), o presidente Lula (PT) criticou o jogador de futebol Neymar. Ele deu declarações em um evento sobre investimentos em oncologia no SUS em Belo Horizonte (MG).
O petista chamou Neymar de “jogador de home office”. A fala ocorreu durante resposta de Lula a uma criança.
Lula falava sobre igualdade de gênero e elogiou a jogadora Marta. Ele perguntou à criança se já tinha visto Marta.
– Então você, cara, você se cuide. Porque as mulheres… Você viu a Marta jogar bola? Você viu a Marta jogar? A melhor jogadora do mundo durante seis vezes seguidas? Seis vezes ganhou a bola de melhor jogadora do mundo – falou o petista.
A criança indicou que não sabia. Lula, então, perguntou quem seria bom na Seleção.
– Neymar – respondeu o menino.
O presidente respondeu que Neymar “não está nem jogando”.
– O Neymar não tá nem jogando, cara. Não tá nem jogando. Gente, eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo – falou.
Departamento de Estado critica decisão do STF que condenou o ex-deputado a mais de quatro anos de prisão por coação no curso do processo
O governo dos Estados Unidos criticou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração divulgada nesta semana, um porta-voz do Departamento de Estado classificou a decisão como “perseguição e manipulação jurídica” e afirmou que disputas políticas devem ser resolvidas nas urnas.
“Este é o mais recente exemplo de perseguição e manipulação jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política. Os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações”, declarou o representante do órgão.
Na terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto. Por unanimidade, os ministros entenderam que o ex-deputado tentou constranger magistrados e articulou sanções dos Estados Unidos contra o Brasil para interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Declaração de Trump
Um dia depois da condenação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o caso ao ser questionado pela jornalista Bianca Rothier, da TV Globo, durante a cúpula de Évian, na França. Na resposta, ele aparentou confundir Eduardo Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.”
Acusação da PGR
Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes considerou que as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstram a prática do crime de coação no curso do processo.
Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro atuou junto ao governo Trump para fomentar um ambiente de instabilidade e pressionar o Judiciário brasileiro, por meio de ameaças e da possibilidade de retaliações internacionais contra ministros do STF e o país.
A PGR sustentou ainda que o objetivo das articulações era impedir uma eventual condenação de Jair Bolsonaro no processo sobre a trama golpista. De acordo com a Procuradoria, mensagens trocadas entre pai e filho, além de entrevistas e publicações em redes sociais, evidenciaram as movimentações realizadas nos Estados Unidos.
Sem constituir defesa particular, Eduardo foi representado pelo defensor público Esdras dos Santos Carvalho, que pediu a absolvição do ex-deputado por falta de provas. A Defensoria Pública da União também alegou a existência de falhas processuais e defendeu a anulação da ação, citando, entre outros pontos, a participação de Alexandre de Moraes no julgamento.
Interlocutores falaram em “altura do vão é de 2,5m” para apartamento que custava R$ 2,5 milhões
Jaques Wagner Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Detalhes da investigação da Polícia Federal sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) revelaram que uma mensagem considerada comum pelos interlocutores pode ter sido usada para tratar da negociação de um apartamento de luxo em Salvador. A suspeita faz parte das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master.
De acordo com a PF, a conversa ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Tio Guiga. Os investigadores apontam que ambos atuavam em funções relevantes nas tratativas envolvendo o imóvel localizado no condomínio Poème Horto.
Em uma das mensagens analisadas, Daniel escreveu:
– A altura do vão é 2,45m.
A resposta foi imediata:
– Perfeito.
Para a Polícia Federal, a medida citada não se encaixava em uma discussão técnica. A suspeita é que o número fosse uma referência ao valor do imóvel, estimado em R$ 2,45 milhões.
Segundo a investigação, os envolvidos evitavam registrar informações consideradas sensíveis por escrito. A PF afirma que eles priorizavam contatos por telefone, reuniões presenciais e outros meios de comunicação mais difíceis de serem monitorados.
As apurações indicam que o apartamento passou a fazer parte das negociações após Jaques Wagner encaminhar a Augusto Ferreira Lima informações sobre o empreendimento, incluindo dados do corretor responsável e da unidade 1702.
Na sequência, Augusto Ferreira Lima teria acionado Valério Marega Júnior, conhecido como Valério Fundos, para viabilizar a compra do imóvel. Os investigadores afirmam que os irmãos Daniel e David Lopes Monteiro também participaram da operacionalização da aquisição.
De acordo com documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a compra foi formalizada pela empresa Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos oriundos de estruturas de fundos ligadas ao grupo econômico investigado.
Para a PF, a forma como a operação foi conduzida pode indicar uma tentativa de ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel. Essa é uma das principais linhas de investigação do caso.
A decisão do ministro André Mendonça destaca ainda que as movimentações envolvendo o apartamento continuaram mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, com reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e trocas de documentos relacionados à situação jurídica da propriedade.
Os investigadores atribuem a Daniel Lopes Monteiro a elaboração de documentos e o suporte jurídico da operação. Já Guilherme Sodré teria atuado como intermediário entre pessoas próximas ao senador e representantes do grupo empresarial investigado.
PF apura se senador recebeu vantagens para defender interesses do Banco Master no Congresso
O senador passou a morar no 14º andar do edifício Mansão Victory Tower em Salvador (BA) | Foto: Divulgação/PT
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner(PT-BA), se mudou, no mês passado, para um apartamento avaliado em cerca de R$ 10 milhões em Salvador. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela Revista Oeste.
O senador passou a morar no 14º andar do Edifício Mansão Victory Tower, localizado no Corredor da Vitória, na Avenida Sete de Setembro, um dos endereços mais valorizados da capital baiana.
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Além do alto valor do imóvel, Oeste apurou que o condomínio do apartamento custa R$ 5, 5 mil. O valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é estimado em R$ 19 mil.
O imóvel é de alto padrão, conta com estrutura de lazer, píer privativo e teleférico com acesso direto à praia da Baía de Todos-os-Santos. O apartamento fica um andar acima daquele em que Wagner morava desde 2011. Segundo apurou Oeste, o senador vendeu o imóvel antigo.
A mudança, no entanto, não ocorreu para o apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões no bairro do Horto Florestal que, segundo a investigação da Polícia Federal (PF), teria sido recebido pelo senador como vantagem indevida do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
Imagem de prédio em que Jaques Wagner mora | Foto: Divulgação
Investigação mira relação de Wagner com o Banco Master
Jaques Wagner é investigado na 9ª fase da Operação Compliance Zero, da PF, que também teve como alvo o empresário Augusto Lima. É a primeira vez que a investigação alcança um integrante do núcleo político mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Wagner é o líder do governo no Senado.
Segundo a PF, há indícios de que o senador recebeu vantagens para atuar em favor dos interesses do Master no Congresso Nacional.
Entre os elementos investigados estão, além do apartamento em Salvador, pagamentos realizados por meio de uma empresa ligada à mulher de seu enteado e viagens frequentes em aeronaves utilizadas por Vorcaro.
Em reportagem publicada em 10 de abril, Oeste revelou que a investigação já apontava a proximidade entre Augusto Lima e importantes lideranças políticas da Bahia, incluindo Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Os dois são ex-governadores.
De acordo com informações divulgadas por O Globo, investigadores encontraram mensagens trocadas entre Wagner e Augusto Lima, além de documentos sobre pagamentos de cerca de R$ 11 milhões feitos pelo Banco Master à empresária Bonnie Bonilha, mulher do enteado do senador, por meio de contratos de consultoria.
A PF também apura se Wagner atuou junto ao governo federal para favorecer a compra do Master pelo BRB e para apoiar a chamada “emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ampliava os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para determinados investimentos.
Augusto Lima já havia sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. Nesta nova etapa, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário em Brasília, em São Paulo e na Bahia.