O advogado de Donald Trump, Martin De Luca, criticou, nesta segunda-feira (27), o encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o presidente Lula (PT), realizado na Malásia. Ele afirmou que o governo brasileiro exagerou ao dizer que houve grande progresso na negociação entre os dois países.
Nas redes sociais, De Luca disse que Lula viajou “24 horas para 45 minutos de conversa e uma foto”. O advogado ironizou o entusiasmo do petista ao comentar o encontro. Segundo ele, o Brasil nunca fez parte da Cúpula da Asean, onde a reunião ocorreu.
– Nunca tão pouco produziu tantas declarações de “grande progresso”. Quando você está tão desesperado por validação, até mesmo voar 24 horas para uma sessão de fotos na Malásia se torna um “encontro histórico” – escreveu De Luca.
Em outra mensagem, ele afirmou que Lula “odeia Trump, mas o respeita” e sugeriu que o petista não quis se encontrar com o presidente norte-americano na Casa Branca.
Enquanto isso, Trump disse a jornalistas que a conversa foi “ótima”, mas destacou que ainda não há decisão sobre as tarifas de 50% impostas ao Brasil. Segundo ele, o acordo ainda depende das próximas reuniões entre as equipes.
Presidente dos EUA elogiou conversa com o brasileiro, mas não deu certeza sobre acordo
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos Foto: EFE/EPA/FRANCIS CHUNG/POLITICO/POOL
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, felicitou o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por seu aniversário de 80 anos nesta segunda-feira (27). Em conversa com jornalistas ao embarcar no Air Force One para deixar a Malásia, o republicano afirmou ter ficado surpreso com a idade do petista e o chamou de um “cara muito vigoroso”.
– Tivemos uma ótima reunião, quero desejar um feliz aniversário ao presidente. É aniversário dele hoje, vocês sabiam? Ele é um cara bem vigoroso, na verdade. Fiquei muito impressionado. Hoje é aniversário dele, então feliz aniversário. Contem isso a ele, por favor – declarou, antes de sua viagem ao Japão.
Trump também sinalizou acreditar que seu país e o Brasil chegarão a um acordo comercial, embora não tenha dado certeza. Os EUA impuseram 50% de tarifa sobre as importações brasileiras, sob argumentos de que o país estaria promovendo uma “caça às bruxas” à direita, prejudicando bigtechs norte-americanas e adotando práticas comerciais desleais.
– Não sei se algo vai acontecer, vamos ver. Em relação às tarifas impostas ao Brasil, acho que tudo é justo. Tenho muito respeito pelo seu presidente, tenho muito respeito pelo Brasil. Vamos trabalhar em acordos. Acho que eles estão indo muito bem até onde sei. Podemos fazer bons acordos para ambos os países. Acho que nós faremos acordos. Conversamos e acho que teremos um bom relacionamento – completou.
Os líderes estadunidense e brasileiro estavam na Malásia para participar da 47ª reunião de cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump repondeu com ripidez a uma jornalista da Globo durante encontro com com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Kuala Lumpur, na Malásia, neste domingo (26).
Em coletiva antes da reunião, Raquel Krähenbühl, correspondente da Globo e GloboNews em Washington (EUA), questionou se Trump trataria da situação de Bolsonaro com Lula.
– Não é da sua conta – disparou o republicano.
A resposta ácida veio após Trump fazer um comentário elogioso sobre Bolsonaro, diante de Lula.
– Sempre gostei dele. Me sinto muito mal pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era direto, mas ele passou por muita coisa – disse.
Logo após o elogio do americano ao ex-presidente brasileiro, Lula interrompeu a coletiva, pedindo que a imprensa deixasse a sala antes do início da reunião bilateral.
A cúpula entre Lula (PT) e o presidente americano Donald Trump, realizada neste domingo (26), na Malásia, quando foram discutidos temas como o tarifaço dos EUA contra parte dos produtos brasileiros, ganhou destaque na imprensa internacional.
Entre os veículos que registraram o encontro, o americano The New York Times avaliou em artigo que Lula e Trump pareciam estar agitados e tinham poucas respostas em torno das negociações.
A resposta evasiva do republicano a um jornalista, logo antes reunião, de que “não é de sua conta” ao ser questionado se a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria na pauta – indicado por ele anteriormente como um dos motivos ao tarifaço contra o Brasil – também foi destaque na matéria.
O jornal lembrou que o presidente brasileiro disse ter levado uma pauta detalhada, escrita em inglês para entregar a Trump e que teria reclamado que ambos estavam perdendo tempo respondendo às perguntas da imprensa antes da reunião começar.
O passado como líder sindical de Lula foi lembrado pelo também norte-americano The Washington Post, segundo o qual a sobretaxa americana contra o Brasil acabou por apoiar a popularidade do presidente, reconhecendo a resiliência do brasileiro às imposições norte-americanas para retirar o tarifaço.
Já outro veículo americano, a ABC News, registrou o encontro entre os dois presidentes, lembrando que esta que foi a primeira viagem de Trump à Ásia desde seu retorno à Casa Branca
O espanhol El País publicou que Trump e Lula finalmente se aproximam, após uma das “piores crises na relação entre EUA e Brasil em dois séculos”. O jornal lembra que Washington e Pequim também dão sinais de distensão às vésperas do encontro do republicano com o líder chinês, Xi Jinping, marcado para a próxima quinta-feira.
A emissora Al Jazeera reforçou a natureza positiva do encontro, lembrando que Trump o classificou como “muito bom”. Mencionou ainda a afirmação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, de que as negociações começariam imediatamente e que poderiam ser concluídas nas próximas semanas.
O encontro entre os dois líderes ocorreu por volta das 15h30 (horário local), no Centro de Convenções de Kuala Lumpur (KLCC), em paralelo à Cúpula de Líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O Governo Federal divulgou, nesta sexta-feira (24), uma nota para rebater críticas após o presidente Lula Silva (PT) afirmar que “traficantes são vítimas dos usuários”. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) ressaltou que o país atua com firmeza contra o crime organizado e vem registrando resultados expressivos.
De acordo com a Secom, o governo “não tolera o tráfico de drogas” e intensificou ações de inteligência para enfraquecer organizações criminosas. A nota menciona a maior operação já feita no Brasil contra o crime organizado, em agosto, que atingiu o setor financeiro de um grupo mafioso.
O texto diz que, somente em 2024, operações da Polícia Federal retiraram cerca de R$ 7 bilhões em bens de criminosos, mais que o dobro do ano anterior. A Polícia Rodoviária Federal também bateu recorde com 850 toneladas de drogas apreendidas nas rodovias do país.
Segundo o governo, o número de operações de combate ao crime organizado subiu de 1.875 em 2022 para 3.393 em 2024. O Planalto afirma que esse trabalho deve ser ampliado com a PEC da Segurança Pública e outros projetos enviados ao Congresso.
A reação oficial veio após críticas da oposição. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) acusou Lula de “tentar agradar bandido” e de recuar apenas nas redes sociais. O Planalto não comentou os ataques do parlamentar até a publicação desta matéria.
O julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a nomeação de parentes para cargos no Executivo impactará no desfecho de pelo menos 24 casos que tramitam na Justiça brasileira.
De acordo com as estatísticas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que monitora os chamados temas de repercussão geral no Supremo, são dez processos no Paraná, sete em São Paulo, quatro no Rio de Janeiro, dois no Sergipe e um no Goiás.
O caso concreto que está sendo examinado no STF, por exemplo, diz respeito a uma lei da cidade de Tupã (SP) que permite ao prefeito nomear parentes para cargos no secretariado municipal. O MPF (Ministério Público Federal) contestou a norma no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e a controvérsia jurídica acabou alçando o Supremo. A Corte já tem maioria para validar a lei. O julgamento deve ser concluído semana que vem.
Para os ministros Luiz Fux (relator), Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o chefe do Poder Executivo tem discricionariedade para nomear o primeiro escalão do governo, desde que haja qualificação técnica e idoneidade. Se essa tese for confirmada, valerá não só para prefeitos, mas também para governadores e presidentes da República, que poderão nomear familiares para secretarias municipais e ministérios, respectivamente.
Até o momento, o único a divergir foi o ministro Flávio Dino. “Legalidade e afeto não se combinam”, disse ele. “Uma reunião de governo não pode ser um almoço de domingo. Isso é bonito na família, e não no espaço público.”
Petista criticou ações de Trump contra o tráfico internacional
Presidente Lula Foto: EFE/André Borges
“Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. É a declaração controversa mais recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), proferida nesta sexta-feira (24), em entrevista a jornalistas na Indonésia.
Na ocasião, o petista criticava as ações do governo de Donald Trump contra o tráfico internacional de drogas. Para ele, o americano deveria cuidar dos usuários em vez de enviar as Forças Armadas por terra, ar ou mar.
– É muito melhor os Estados Unidos se disporem a conversar com a polícia dos outros países, com o Ministério da Justiça de cada país, para a gente fazer uma coisa conjunta. Porque se a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o que quer, onde é que vai surgir a palavra respeitabilidade da soberania dos países? É ruim. Então eu pretendo discutir esses assuntos com o presidente Trump, se ele colocar na mesa – afirmou.
Logo depois, o petista explanou a sua “tese” sobre a relação de sustentação entre traficantes e dependentes químicos.
– Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também. Você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra, de gente que compra porque tem gente que vende – disse.
Confira:
Lula acaba de anunciar que traficantes são vítimas dos usuários. No ritmo que vai, daqui a pouco o PCC vira ONG. pic.twitter.com/qFnxgPPJI3
Presidência despreza período para responder questionamento da Corte; Senado defendeu nova contagem da inelegibilidade
No ofício enviado ao STF, o Senado sustentou que as mudanças aprovadas não afetam o conteúdo da lei | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigiu explicações urgentes do Congresso e do governo federal sobre a reforma na Lei da Ficha Limpa e na Lei das Eleições. A magistrada fez a cobrança em 6 de outubro, com prazo de cinco dias para resposta.
O Senado cumpriu a determinação. Luiz Inácio Lula da Silva, não. A Presidência tinha até 14 de outubro para se manifestar, mas não enviou nenhuma resposta ao STF. As informações são do jornal O Globo.
A ministra classificou o pedido como “improrrogável”. Como relatora do caso, ela decidiu aplicar o rito abreviado, que leva o tema diretamente ao plenário da Corte, sem tramitação nas turmas.
A nova Lei Complementar nº 219/2025, sancionada no fim de setembro, alterou a forma de contagem do período de inelegibilidade. A Rede Sustentabilidade, autora da ação, afirma que o Senado modificou o mérito do texto e feriu o processo bicameral ao não reenviar a proposta à Câmara.
No ofício enviado ao STF, o Senado sustentou que as mudanças aprovadas não afetam o conteúdo da lei. Para os parlamentares, trata-se apenas de correções de “técnica legislativa” e ajustes redacionais.
O documento afirma que o prazo de oito anos de inelegibilidade foi mantido. A única mudança, segundo o Senado, está no marco inicial da contagem. Agora, segue critérios “mais racionais”, para evitar distorções entre tipos penais diferentes.
Lula veta trechos polêmicos da nova regra
O Congresso pediu a rejeição da ação e defendeu a constitucionalidade da nova regra. A Rede, no entanto, alega que a contagem antecipada reduz, na prática, o tempo de punição. O partido critica ainda a tentativa de aplicar a nova norma de forma retroativa.
Lula sancionou a lei, mas vetou os trechos mais polêmicos. Entre eles, os dispositivos que encurtavam os prazos de inelegibilidade e previam efeitos para casos passados. Com a manifestação do Senado já nos autos, o processo agora aguarda os pareceres da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República.
A cantora Jojo Todynho conseguiu uma primeira vitória na batalha judicial contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Na última terça-feira (21), o Ministério Público do Rio de Janeiro rejeitou a queixa-crime apresentada pelo PT contra Jojo.
O partido de Lula tinha alegado suposto crime de difamação por parte da cantora. A sigla tinha acionou a Justiça e argumentou que a artista difamou o PT por dizer, em um podcast, que teria recebido oferta de R$ 1,5 milhão para apoiar a campanha de Lula em 2022.
O Ministério Público estadual apontou que não há elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal. Segundo o órgão, a fala de Jojo foi “genérica” e não houve menção explícita do PT e suas lideranças.
A Justiça do Rio terá que decidir se acolhe ou não a recomendação do Ministério Público para arquivar a queixa-crime do PT contra a artista. As informações são da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.
*Pleno.News Reprodução/ Print de vídeo Instagram Jojo Todynho
Supremo forma maioria de 6 a 1 para preservar exceção à regra do nepotismo
Plenário do STF retoma questão no próximo dia 29 | Foto: Marcelo Camargo/EB
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a regra que permite a nomeação de parentes em cargos de natureza política, como secretários municipais, estaduais e ministros. Até o momento, o placar está em 6 votos a 1 pela manutenção do entendimento. Apesar da maioria, a Corte suspendeu o julgamento para retomá-lo na próxima quarta-feira, 29.
A discussão tem origem na Súmula Vinculante nº 13, aprovada em 2008, que proibiu o nepotismo na administração pública. O texto veta a nomeação de cônjuges, companheiros e parentes até o terceiro grau para cargos de confiança ou comissão. Poucos meses depois, o próprio Supremo reconheceu uma exceção: a norma não se aplica a cargos de natureza política.
STF e a lei municipal de Tupã
O caso voltou à pauta principalmente depois de um recurso questionando uma lei municipal de Tupã, no interior paulista. Aprovada em 2013, a lei impede a nomeação de parentes do prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores. A norma contraria sobretudo o entendimento anterior do STF, que considerou legítima a escolha de familiares para funções políticas.
A ministra Cármen Lúcia ainda não votou, mas indicou preocupação com o princípio da impessoalidade. Os ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia devem apresentar seus votos na próxima sessão.