O presidente Lula, durante a cerimônia de posse da advogada Verônica Adballa Sterman no cargo de ministra do STM — 30/9/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
Ao longo de mais de duas décadas, o Partido dos Trabalhadores (PT) acumulou um histórico contínuo de escândalos, crimes, investigações e episódios jamais plenamente esclarecidos, que atravessam governos, campanhas eleitorais e estruturas do Estado.
Do assassinato de prefeitos petistas às grandes engrenagens de corrupção reveladas pelo Mensalão e pela Lava Jato, passando por aparelhamento institucional, desvios bilionários e reincidência política, o roteiro petista se repete com impressionante regularidade.
É esse padrão de conduta, que ajuda a explicar o presente à luz do passado, que orienta a análise de Augusto Nunes em seu artigo publicado na Edição 303 da Revista Oeste. Trata-se de uma leitura essencial para quem deseja compreender como o “delinquente contumaz” voltou à cena política sem jamais ter rompido com seus velhos métodos.
Delinquente contumaz
“Desde que chegou ao poder pela primeira vez — e mesmo antes disso —, o PT construiu um nada invejável histórico de escândalos.”(Eliziário Goulart Rocha)
2001 —Toninho do PT: Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas, foi assassinado a tiros depois de sair de um shopping. O crime permanece sem solução definitiva.
Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT | Foto: Reprodução/Wikimedia
2002— Celso Daniel: Assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), em Santo André. O caso continua cercado de controvérsias e foi alvo de investigações paralelas nos anos seguintes.
Prefeito Celso Daniel (PT) | Foto: Reprodução/Redes Sociais
2003 —Banestado: no primeiro ano do governo Lula, o PT tentou impedir a criação da CPI do Banestado (Banco do Estado do Paraná), com o qual o partido, sob o comando de José Dirceu, havia tomado empréstimos.
2004 — Caso Waldomiro Diniz: embora tenha vindo à tona em 13 de fevereiro de 2004, o caso havia ocorrido em 2002. A revista Época divulgou uma gravação na qual Waldomiro Diniz, então assessor de José Dirceu na Casa Civil, pedia propina ao “empresário de jogos eletrônicos” Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira — “Um por cento é pra mim”. Diniz (ex-presidente da Loterj no governo de Anthony Garotinho) cobrava do bicheiro recursos para a campanha do PT em troca do suposto favorecimento em operações lotéricas. O fato ficou conhecido também como Caso GTech ou Escândalo dos Bingos.
Waldomiro Diniz | Foto: Agência Senado
2005 — Caso dos Correios: enquanto um escândalo ocupava as manchetes, outro já se desenrolava. A investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005, com a divulgação, pela revista Veja, de um vídeo no qual o então chefe de departamento dos Correios, Maurício Marinho, recebia uma propina de R$ 3 mil. Na gravação, Marinho citava o deputado Roberto Jefferson, do PTB. Jefferson logo passou de acusado a denunciante e esteve no centro das denúncias do Mensalão.
CasodosCorreios, a investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005 | Foto: Agência Brasil
2005 — Mensalão: o caso dos Correios foi o gatilho que levou ao desbaratamento do esquema de repasse ilegal de dinheiro a parlamentares da base aliada que ficou conhecido como Mensalão, o maior escândalo de corrupção do país até então. Roberto Jefferson expôs a compra institucionalizada de apoio político. José Dirceu perdeu o cargo de ministro e teve cassado o mandato de deputado federal, o que também ocorreu com Jefferson. Lula, como sempre, afirmou que não sabia de nada, “condenou” a prática do caixa 2 e se disse “traído por alguns companheiros”.
2006 — Escândalo dos Aloprados: Lula fazia campanha pela reeleição quando operadores e assessores ligados a campanhas petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo. O valor seria utilizado para comprar um dossiê contra José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo. Por tabela, a ação atingiria Geraldo Alckmin, que disputava a Presidência. O apelido “aloprados” foi dado por Lula para tentar reduzir o crime a mera inconsequência de alguns petistas.
Aloprados, dinheiro apreendido com petistas para compra de dossiê em SP | Foto: Reprodução
2006 — Caso Francenildo: caseiro de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, Francenildo dos Santos Costa contou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, era presença frequente no imóvel. No local, representantes da chamada “República de Ribeirão Preto” promoviam festas, encontros com lobistas e dividiam dinheiro. Dias depois do relato, o caseiro teve seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. Palocci acabou deixando o cargo.
O caseiro Francenildo Costa em julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no STF | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
2007 — Operação Navalha: investigação da Polícia Federal sobre fraudes em obras públicas e contratos com empreiteiras. A PF apontou o envolvimento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.
2008 — Caso Bancoop: embora o caso tenha sido denunciado somente em 2008, já em 2006 a ação de petistas colaborou para o colapso da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, recursos do Bancoop, bancados pelos cooperados, teriam sido desviados para uso ilegal nas campanhas do PT em 2002 e 2004. O caso envolveu vários petistas, inclusive João Vaccari Neto, que era tesoureiro nacional do partido em 2010, quando o caso ganhou maior repercussão.
João Vaccari Neto | Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
2008—Caso dos Cartões Corporativos: revelação de uma série de gastos irregulares com cartões do governo federal, envolvendo altos funcionários.
2009—Refinaria Abreu e Lima: questionamentos públicos sobre custos, contratos e gestão do projeto da Petrobras, que viriam a ser incorporados à Operação Lava Jato anos depois.
2010— Caso Erenice Guerra: Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff, que deixou o cargo para concorrer à Presidência nas eleições daquele ano. Sua permanência na pasta durou somente até setembro. Erenice caiu em função de denúncias de tráfico de influência envolvendo contratos e negócios intermediados por familiares. Os processos contra ela acabaram sendo encerrados por falta de provas.
Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
2011 — Escândalos em série de ministros: no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a corrupção provocou um verdadeiro strike no primeiro escalão. Em menos de cinco meses, caíram os ministros Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).
2012— Operação Porto Seguro: apuração de tráfico de influência em órgãos federais, envolvendo assessores próximos à Presidência.
2013 — Pedaladas fiscais: Dilma Rousseff começou a utilizar as “pedaladas fiscais”, práticas de atrasar repasses a bancos públicos para maquiar as contas do governo. A manobra levaria à sua cassação três anos depois.
2014 — Petrolão/Operação Lava Jato: iniciada em 17 de março de 2014, a Lava Jato revelou o esquema bilionário de corrupção na Petrobras, que se tornaria o maior escândalo de corrupção da história. Foi encerrada em fevereiro de 2021, depois de ter sido desmontada por ações do Supremo Tribunal Federal. Envolveu diretores da estatal, empreiteiras e políticos, incluindo Lula, que foi condenado em três instâncias e passou 580 dias na cadeia até o STF anular as condenações alegando inadequação de foro.
Manifestação contrária a Lula na Avenida Paulista no contexto da Operação Lava a Jato | Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução
2015—Vaccari: prisão de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, no âmbito da Lava Jato.
2016—Delcídio: prisão do senador Delcídio do Amaral por tentativa de obstrução da Justiça; avanço das investigações sobre marqueteiros e campanhas do PT.
Senador Delcídio do Amaral | Foto: Pedro França/Agência Senado
2016—Impeachment de Dilma: a ex-presidentedeixou o poder depois de cometer crime de responsabilidade fiscal, relacionado às pedaladas fiscais e a decretos orçamentários.
Dilma Rousseff | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
2017—Triplex: Lula é condenado em primeira instância no caso do triplex do Guarujá.
Edifício com o triplex (ao centro), no Guarujá | Foto: Shutterstock
2018—Prisão de Lula: depois da condenação em segunda instância, Lula vai para a cadeia. Posteriormente, as condenações seriam anuladas por decisões do STF.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
2019—Palocci: delação premiada de Antonio Palocci, detalhando esquemas de arrecadação e distribuição de recursos para o PT e aliados.
2020 — Beneficiados: o declínio da Lava Jato começou a beneficiar Lula e o PT. A operação enfrentou questionamentos e invalidações por parte do STF.
2021 — Retrocesso: o STF anulou as condenações de Lula na Lava Jato e o tornou novamente elegível.
Dias Toffoli anulou todas as provas da Lava Jato | Foto: Carlos Moura/SCO/STF
2022 — Não sabia: Lula reconheceu que houve corrupção nos governos petistas, mas não admitiu que soubesse de algo ou que tivesse participado de alguma forma.
2023 — Maus hábitos: ao retornar ao governo, Lula repetiu o velho e mau hábito: aparelhou o Estado com nomeações cujo critério é o alinhamento ideológico ou o interesse político — e não a competência. O modus operandi do PT recolocou na berlinda os Correios — cujo rombo pode chegar a R$ 10 bilhões em 2025 e a R$ 23 bilhões em 2026 —, a Petrobras, o BNDES e mesmo os ministérios. Há casos envolvendo ministros e aliados em fase de investigação, denúncia ou trâmite no STF.
2024 — Ministros em queda: Juscelino Filho, ministro das Comunicações, foi acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em um inquérito ligado à agência federal de desenvolvimento Codevasf. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi exonerado por Lula devido à repercussão das denúncias de assédio sexual.
Juscelino Filho na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
2025 — Fraude do INSS: descoberta em abril de 2025, a roubalheira estimada em R$ 6,3 bilhões ocorreu por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. O esquema de desvio de dinheiro utilizou convênios firmados com dezenas de organizações. Uma das principais é o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.
José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão de Lula, é o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Equipe também pediu a disponibilização de uma televisão na cela da Polícia Federal em Brasília
Bolsonaro teve prisão domiciliar revertida um dia depois de visita de Nikolas I Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Na quinta-feira 8, advogados de Jair Bolsonaro (PL) solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente possa receber assistência religiosa durante sua permanência na Sala de Estado-Maior da Polícia Federal, em Brasília. A petição também requer a autorização para o uso de uma Smart TV na prisão.
Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser, que defendem Bolsonaro, justificaram que a possibilidade de acessar informações é parte essencial da dignidade humana e compõe as garantias mínimas a pessoas sob custódia do Estado.
Condições de detenção e detalhes do pedido da defesa de Bolsonaro
Bolsonaro está detido em um espaço de aproximadamente 12 metros quadrados, equipado com cama, armário, mesa, frigobar, ar-condicionado, janela e banheiro exclusivo. Imagens divulgadas depois de sua detenção mostram que há uma televisão instalada na sala especial.
Os defensores explicaram que a nova Smart TV, a ser fornecida pela família do ex-presidente, não será usada para acessar redes sociais. O objetivo, segundo eles, é limitar o uso a canais de notícias e plataformas jornalísticas, como o YouTube, “em sua função estritamente informativa”.
Além do pedido referente à televisão, a defesa requisitou autorização para que o Bispo Robson Lemos Rodovalho e o Pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni possam prestar assistência religiosa a Bolsonaro. “O atendimento espiritual será realizado de forma individual, com supervisão institucional, sem qualquer interferência na rotina do estabelecimento, tampouco risco à segurança”, diz o pedido.
Solicitações anteriores
Na semana anterior, os advogados também haviam solicitado providências a respeito do “ruído contínuo e permanente” do sistema de ar-condicionado central da sede da Polícia Federal, que, de acordo com a defesa, incomoda Jair Bolsonaro por causa da proximidade do equipamento com sua cela.
Recuo ocorre depois de regime iniciar libertação de presos políticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 9, que suspendeu uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela. Segundo o republicano, a decisão ocorreu depois de o regime chavista iniciar a libertação de presos políticos.
O anúncio foi feito em publicação na rede Truth Social. Apesar do recuo, Trump declarou que “todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”. Ele afirmou que a libertação representa um sinal de busca pela paz e descreveu a iniciativa como um “gesto importante e inteligente” por parte de Caracas.
Além disso, Trump destacou que os EUA e a Venezuela mantêm cooperação em áreas estratégicas, especialmente no setor de petróleo e gás. Segundo ele, “grandes empresas petrolíferas” planejam investir US$ 100 bilhões na exploração do insumo venezuelano.
“Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, escreveu.
Inclusive, informou ao The New York Times que a gestão interina da Venezuela está “entregando tudo o que consideramos necessário”. Interpelado sobre a duração da intervenção norte-americana, respondeu que “só o tempo dirá”, mas indicou que o envolvimento será longo.
Venezuela mantém mais de 800 presos políticos
A libertação dos presos começou nesta quinta-feira, 8. A coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática informou que sete pessoas deixaram a prisão, entre elas três venezuelanos — Rocío San Miguel, Biagio Pilieri e Enrique Márquez — e quatro espanhóis.
Enquanto isso, entidades independentes seguem monitorando a situação dos presos políticos no país. De acordo com a ONG Foro Penal, a Venezuela mantém atualmente 806 pessoas detidas por razões políticas, incluindo 175 militares, 105 mulheres e um adolescente.
Caciques do partido acreditam que o petista venceria a disputa. Se Tarcísio entrar no páreo, o cenário será outro
08 jan 2026 – 18h11
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante a sabatina do procurador-geral da República, Paulo Gonet – 12/11/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Dirigentes do Progressistas (PP) já trabalham com um cenário que, até pouco tempo atrás, seria impensável: a possibilidade de apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso a direita confirme o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu principal candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Se a disputa se desenhar entre Lula e Flávio, o PP considera que o petista largaria como favorito — e, diante disso, a estratégia mais racional seria garantir espaço no governo, pleiteando ministérios e preservando a proximidade com o presidente. A ideia é apoiar quem tem mais chances de vencer.
Receba nossas atualizações
Essa leitura, contudo, não é absoluta. Ela muda radicalmente se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidir disputar a Presidência. Nesse caso, o PP tende a permanecer no campo da oposição e investir em uma aliança mais orgânica com o campo bolsonarista e o centrão.
Tarcísio só aceitaria disputar o Planalto se fosse o candidato de consenso de toda a direita, inclusive com o aval explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos filhos. De qualquer outra forma, o governador considera o movimento arriscado e politicamente desagregador.
+ Saiba mais sobre os bastidores da política em No Ponto
O posicionamento de Tarcísio diminuiu o entusiasmo que setores do PP ainda nutriam por uma candidatura presidencial do governador paulista. O próprio presidente da legenda, Ciro Nogueira, passou a tratar como praticamente descartada a hipótese de Tarcísio enfrentar Lula em 2026.
Flávio confiante
Nesse cenário, Flávio trabalha com a convicção de que será o candidato da direita. O senador aposta na manutenção de bons números nas próximas pesquisas eleitorais e na redução gradual da rejeição ao sobrenome Bolsonaro. Entre seus interlocutores, o argumento é que os escândalos do atual governo e o avanço da direita na América Latina criariam um ambiente mais favorável. Essa leitura ganhou força depois do colapso do regime de Nicolás Maduro.
A confiança de Flávio, contudo, impõe um dilema ao PP. Parte do partido avalia que o senador, apesar da base fiel, ainda carrega um teto eleitoral limitado. Daí a percepção de que, em uma disputa direta com Lula, o melhor caminho para preservar influência política seria negociar com o governo petista desde já, em vez de apostar todas as fichas em uma candidatura considerada frágil.
A indefinição nacional impacta diretamente a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A formação das chapas estaduais, por exemplo, depende de quem será o candidato à Presidência apoiado pelo PP. Se Tarcísio permanecer fora da corrida nacional e disputar a reeleição, o partido tende a manter uma relação neutra, sem proximidade.
Se, por outro lado, Tarcísio resolvesse mudar de posição e concorrer ao Planalto, o PP não apenas o apoiaria como também usaria o prestígio do governador para eleger seu possível sucessor: o secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite (PP).
A pressão pública feita pelo partido, por meio de notas e críticas ao suposto distanciamento do governador em relação a prefeitos e parlamentares da sigla, é vista por aliados como instrumento de barganha. Começaram as eleições de 2026.
Ex-primeira-dama diz que marido sentiu dor intensa, teve confusão mental e enfrentou demora no socorro
Michelle concede entrevista coletiva no hospital em que Bolsonaro passou por exames | Foto: Reprodução/CNN Brasil
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira, 7, que presenciou o ex-presidente Jair Bolsonaro sofrendo durante atendimento médico no hospital DF Star, em Brasília. Segundo ela, ele chegou a pedir para morrer por causa da dor.
“Eu vi ele pedindo para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor”, declarou a jornalistas em frente ao hospital. Bolsonaro passou por exames depois de sofrer uma queda na terça-feira 6, dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal (PF).
Michelle disse, porém, que não foi possível determinar com precisão o horário do acidente. Segundo ela, Bolsonaro apresentou confusão mental e dificuldade para se comunicar, quadro que se agravou pelo uso de medicações fortes.
A ex-primeira-dama voltou a defender a prisão domiciliar para o ex-presidente e afirmou que não há justificativa para a manutenção da prisão diante do quadro de saúde. “Ele não deveria estar em uma solitária, com 70 anos e vários problemas de saúde que precisam ser administrados”, disse.
Michelle diz que Bolsonaro não lembra da queda
A ex-primeira-dama afirmou que o ex-presidente não se lembrava se a queda ocorreu durante a madrugada ou à noite. “Ele não conseguia falar, ele não se lembrava”, disse. Segundo ela, há um degrau entre o quarto e o banheiro da cela, o que pode ter contribuído para o acidente.
De acordo com Michelle, Bolsonaro convive com dores constantes por causa das cirurgias realizadas ao longo dos últimos anos. “Ele já ligou esse modo de sobrevivência”, afirmou. Ela disse que o marido evita pedir ajuda, o que pode ter influenciado na demora para o socorro.
A ex-primeira-dama também relatou que o quarto costuma ser aberto às 8h para a primeira medicação do dia, mas que o atendimento teria ocorrido só cerca de 40 minutos depois.
Além disso, ela criticou o fato de não ter acompanhado Bolsonaro durante os exames e disse que o casal teve pouco tempo de contato no dia do incidente. “Apenas 30 minutos ontem, que foi o nosso direito”, declarou.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou que houve demora “inaceitável” no atendimento médico. “Imagina se acontece novamente e há esse atraso no atendimento de forma inacreditável, 24 horas depois. Inaceitável”, declarou.
Processo foi enviado depois de o ex-presidente se acidentar
O ministro Alexandre de Moraes, durante uma sessão plenária no STF – 13/03/2025 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo
Nesta quinta-feira, 8, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu um pedido de prisão para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em virtude de “tortura” contra o ex-presidente Bolsonaro. A PGR ainda não o analisou.
Obtido em primeira mão por Oeste, o processo assinado pelos advogados Paulo Faria e Filipe de Oliveira foi protocolado depois de Bolsonaro sofrer um acidente na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre a pena de quase 30 anos de cadeia, por causa de suposta tentativa de golpe de Estado.
Conforme Faria, após se machucar, Bolsonaro permaneceu, “por período superior a 24 horas, sem atendimento hospitalar adequado, apesar de recomendação médica e da existência de sintomas neurológicos”.
De acordo com o advogado, a decisão de Moraes que impediu o ex-presidente de deixar o cárcere imediatamente provocou “sofrimento físico e psicológico relevante”, além de ter violado “direitos fundamentais, à Lei de Execuções Penais e a normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos”.
O advogado sustentou que a conduta configura omissão estatal, “consistente no retardamento deliberado da assistência médica”, o que, na avaliação dele, é “crime permanente, atraindo a incidência das regras de flagrante delito contínuo”.
Faria falou ainda em abuso de autoridade, prevaricação e infrações penais relacionadas à proteção da pessoa idosa, destacando a idade do ex-presidente como “circunstância agravante legal”.
Medidas adotadas no âmbito de pedido sobre Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro faz aparição no quintal da casa onde cumpre prisão domiciliar, em Brasília – 9/9/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Por fim, Faria requereu à PGR a “instauração das providências investigativas cabíveis, a análise da tipicidade penal das condutas narradas”.
Entre os pedidos formulados, constam ainda a “decretação imediata da prisão em flagrante do noticiado por crime inafiançável”, a responsabilização pelos crimes narrados e “a adoção de todas as providências legais cabíveis, inclusive oitiva do noticiado e produção de provas”.
Ministro disse que medida é ilegal e determinou que o presidente do conselho seja ouvido em até dez dias
Ministro Alexandre de Moraes, do STF Foto: EFE/ Andre Borges
Na tarde desta quarta-feira (7), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu anular uma determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM) destinada ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). O conselho queria que fosse instaurada imediatamente uma sindicância para apurar uma possível negligência na assistência médica prestada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
Em seu despacho, Moraes apontou que a medida é “ilegal” e configura “desvio de finalidade”. Ele também determinou que o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, seja ouvido pela PF em até dez dias para falar sobre a conduta do conselho.
– A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos – disse o ministro.
Moraes também citou um relatório da própria PF sobre as condições de saúde de Bolsonaro.
– Não houve, portanto, qualquer omissão ou inércia da equipe médica da Polícia Federal, que atuou correta e competentemente, conforme, inclusive, corroborado pelos exames médicos realizados no custodiado na data de hoje, no Hospital DF Star, que não apontaram nenhum problema ou sequela em relação ao ocorrido na madrugada do dia anterior – disse.
E completou:
– Diante do exposto, nos termos do art. 21 do RiSTF, declaro a nulidade da determinação do Conselho Federal de Medicina quanto à “instauração imediata de sindicância para apurar denúncia relacionadas às condições de atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)”, vedando qualquer procedimento no âmbito dessa autarquia, em âmbito nacional ou estadual, com esse objeto, em virtude de sua flagrante ilegalidade e desvio de finalidade – apontou.
Mais cedo, o CFM disse ter recebido diversas denúncias que expressavam inquietação quanto aos cuidados fornecidos ao líder da direita brasileira e “declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira”.
– Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato, em que deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência – disse o CFM em nota publicada nesta quarta.
Médico do ex-presidente, Brasil Caiado, confirmou a informação durante entrevista coletiva; condição também consta em boletim
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixa o hospital DF Star, em Brasília | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Exames realizados em Jair Bolsonaro confirmaram um traumatismo craniano leve, sem identificação de lesões internas no cérebro, depois da queda sofrida pelo ex-presidente nesta terça-feira, 6, na cela em que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A informação foi atestada pelo médico Brasil Caiado, depois da realização dos procedimentos no Hospital DF Star.
Segundo o médico, a queda ocorreu depois de Bolsonaro se levantar e tentar caminhar dentro do quarto. Depois de avaliação clínica inicial, a equipe solicitou exames complementares, adotados como procedimento padrão em casos de traumatismo craniano, independentemente da gravidade. “Solicitamos os exames complementares, que é de praxe em qualquer traumatismo cranioencefálico”, disse Caiado.
Os exames realizados no hospital incluíram tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma, exame que avalia a atividade elétrica do cérebro. De acordo com o médico, os resultados mostraram apenas lesões externas. “Observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando o traumatismo craniano leve, e intracrânio não há lesão”, relatou. “Isso é bom para ele.”
Houve, inicialmente, a consideração clínica de uma crise convulsiva, hipótese que motivou a realização de exames adicionais, mas que não se confirmou.
Médicos investigam causa da queda de Bolsonaro
Segundo o médico, a principal preocupação da equipe agora é identificar a origem do quadro que levou à queda. Ele afirmou que Bolsonaro faz uso de diversos medicamentos para tratar crises persistentes de soluço, condição descrita como de difícil controle. A interação entre esses medicamentos está entre as hipóteses consideradas. “Há uma suspeita inicial que já havíamos imaginado que possa ser a interação de medicamentos”, disse.
Caiado explicou que a equipe médica avalia os riscos envolvidos nas alternativas de tratamento, e que considera tanto a possibilidade de suspender a medicação quanto a manutenção do uso. “Ou temos que suspender os medicamentos e colocar o presidente num quadro degradante de soluço, ou mantenho a medicação e aumento o risco”, afirmou.
O médico relatou que Bolsonaro estava sozinho no momento da queda e que a reconstituição do episódio foi feita a partir do relato do próprio paciente e da avaliação clínica. Segundo Caiado, o ex-presidente inicialmente não se lembrava com clareza do ocorrido, mas, com o passar do tempo, conseguiu recuperar parte da memória do episódio. “No momento em que houve a queda, ele não se lembrava do que havia acontecido”, disse. “Hoje, parece que ele lembrou que havia levantado e depois caído.”
O acompanhamento médico seguirá de forma compartilhada entre a equipe da superintendência e o médico pessoal do ex-presidente. Segundo Caiado, novas decisões sobre o tratamento dependerão da conclusão da investigação clínica. “Estamos construindo um diagnóstico, quando for conclusivo, a gente vai reportar a vocês”, encerrou.
Além das falas de Caiado em coletiva em frente ao DF Star, boletim médico foi divulgado no fim da tarde desta quarta-feira. No material, assinado por quatro médicos, mais uma vez é confirmada a informação de que o ex-presidente da República sofreu traumatismo craniano.
“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro compareceu ao Hospital DF Star para realização de exames complementares depois de traumatismo cranioencefálico sofrido no dia 06/01/26”, diz trecho do boletim. “Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente.”
Em entrevista ao O Globo, o cirurgião Claudio Birolini comentou sobre a saúde do ex-presidente
O ex-presidente Jair Bolsonaro durante internação | Foto: Reprodução/Instagram
O cirurgião Claudio Birolini, responsável pelo procedimento mais recente no ex-presidente Jair Bolsonaro, avaliou que a custódia na Superintendência da Polícia Federal (PF) não atende às necessidades médicas do político.
A análise saiu em entrevista ao jornal O Globo, horas antes de o ministro Alexandre de Moraes autorizar exames hospitalares, depois de Bolsonaro se ferir em uma queda na cela. O magistrado liberou a saída do ex-presidente quase 24 horas mais tarde, depois de a PF registrar um caso de “traumatismo craniano”.
O médico destacou que a combinação de idade, porte físico e uso contínuo de CPAP, aparelho que auxilia a respiração durante o sono, amplia a vulnerabilidade. Segundo ele, o ex-presidente dorme em cama estreita e utiliza equipamento conectado à rede elétrica, o que exige atenção constante.
Birolini detalha a rotina médica de Bolsonaro
Birolini também apontou elementos que vão além do quadro físico imediato. “Há ainda mais uma hipótese a ser considerada, o aspecto emocional envolvido nesses meses conturbados”, disse. Ele citou hábitos que podem agravar os sintomas. “Ele fala como se engolisse as palavras e se alimenta de forma rápida.”
Segundo o cirurgião, essas condições podem intensificar problemas já existentes. Birolini relatou que Bolsonaro apresenta dificuldade na locomoção e tendência a tropeçar, embora exames neurológicos não tenham identificado alterações estruturais.
Ao comentar o local da custódia, o médico foi direto. “Não dá para dizer se ele está em um lugar seguro ou inseguro”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Posso afirmar que ele não está em um lugar adequado.”
Na avaliação pessoal do cirurgião, a situação exige outra abordagem. “Na minha opinião pessoal, o ambiente mais adequado neste momento, frente a situação toda, as demandas, os riscos, é o domiciliar”, disse. Apesar da recomendação, Moraes negou em 1º de janeiro a possibilidade de regime domiciliar ao ex-presidente.
Em sua decisão, o ministro afirmou: “Há total ausência dos requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar”. Ele justificou a posição citando a “destruição da tornozeleira eletrônica” e supostos “atos concretos visando a fuga”.
Nesta quarta-feira, 7, Bolsonaro seguiu para o hospital DF Star para realizar tomografia, ressonância e eletroencefalograma. Ele não havia feito esses exames desde a queda ocorrida na madrugada desta terça-feira, 6, e os procedimentos exigem ambiente hospitalar especializado.
Ricardo Lewandowski está de saída do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo aconselhado a aproveitar o momento para criar uma nova pasta. As informações são do blog de Valdo Cruz, no portal G1.
De acordo com a publicação, Lula tem ouvido de interlocutores que deve aproveitar a saída de Lewandowski da pasta e criar um ministério dedicado apenas à Segurança Pública.
O presidente já vinha sinalizando que pretendia criar o Ministério da Segurança Pública desde que o Congresso Nacional aprovasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança. No entanto, como a expectativa é de que o texto só comece a avançar no Legislativo em março, Lula teria pouco tempo para que as ações da nova pasta pudessem ter efeito na eleição deste ano. gerar efeitos para a campanha eleitoral.
A segurança pública vem sendo uma das principais preocupações dos brasileiros e é um dos pontos fracos do governo federal. A oposição também vem explorando o assunto, o que vem ganhando apoio da população. Por isso, o entorno de Lula defende a criação do Ministério da Segurança Pública.
Outras saídas
Além da saída de Lewandowski do Ministério da Justiça, Fernando Haddad também deve deixar o comando da Fazenda e já comunicou Lula que pretende deixar a pasta até fevereiro.
Para a Fazenda, a sucessão de Haddad já está encaminhada. O atual secretário-executivo, Dario Durigan, deve assumir o comando da pasta.
Ainda em janeiro, Lula deve se reunir com os ministros que serão candidatos nas eleições deste ano e precisam deixar os cargos até o início de abril. A conversa deve ser para acertar a troca em seus ministérios.