O ex-presidente Donald J. Trump discursou no evento evangélico Faith & Freedom Coalition em Washington no sábado (23), apresentando-se como um defensor da liberdade religiosa e um mártir dos americanos de fé, ao mesmo tempo que denunciava o que descreveu como uma perseguição em massa aos cristãos.
Ele acrescentou, sob aplausos estridentes: “Precisamos que os eleitores cristãos compareçam em maior número para dizer ao corrupto Joe Biden ‘você está demitido!’”
Trump fez duro discurso no evento, dizendo: “Também tomarei medidas históricas para derrotar o veneno da ideologia de gênero de esquerda e restaurar a verdade eterna de que Deus criou dois gêneros: HOMEM e MULHER”. Assista:
Os ministros da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, e de El Salvador, Gustavo Villatoro, assinaram um acordo na terça-feira, 18, para “reforçar” a luta contra o crime organizado. O regime excepcional em El Salvador, baseado na erradicação das gangues que tornaram o país um dos lugares mais violentos do mundo, é acusado de desrespeitar a democracia, com prisões indiscriminadas, judiciário cerceado e oposição reprimida. Apesar disso, o sucesso na redução da criminalidade elevou o prestígio do “modelo Nayib Bukele”, presidente de El Salvador, em países da América Latina.
“Seguindo as diretrizes dos líderes de El Salvador e da Argentina, nosso presidente Nayib Bukele e o presidente Javier Milei, junto com a ministra Patricia Bullrich, assinamos um acordo de cooperação entre os dois países, comprometendo-nos firmemente a fortalecer a luta contra o crime organizado”, afirmou Villatoro nas redes sociais.
De acordo com o comunicado conjunto, “serão estabelecidos espaços especializados para análise, visando desenvolver estratégias e ferramentas inovadoras para combater eficazmente os grupos criminosos”. Nesse contexto, El Salvador e Argentina anunciaram a intenção de criar um “laboratório de políticas de segurança” com dados atualizados dos dois países “e de qualquer outro país que decida se juntar”.
Villatoro acrescentou que o governo salvadorenho compartilhou com a delegação argentina “as ferramentas e ações implementadas no desenvolvimento do Plano de Controle Territorial, uma estratégia de segurança bem-sucedida que alcançou resultados sem precedentes em nosso país”.
Interesse dos hermanos
O acordo foi o resultado de uma visita de quatro dias de Bullrich a El Salvador, iniciada no domingo. Naquele dia, a ministra argentina visitou uma megapríson inaugurada em 2022, com capacidade para 40 mil presos. Na terça-feira, Bukele a recebeu na sede do governo.
A megapríson é uma resposta do governo salvadorenho a um pico de criminalidade que, em 2022, resultou em 87 assassinatos em dois dias. Além disso, Bukele declarou estado de exceção — renovado 22 vezes — e autorizou a polícia a prender qualquer pessoa suspeita de ter ligação com gangues. Quase nenhum dos detidos foi julgado e, quando as audiências começarem — se começarem —, serão em massa, com até 900 réus cada.
“Estamos muito impressionados com todo o processo, obtivemos informações absolutamente completas”, disse Bullrich ao presidente salvadorenho. “Isso é alcançado com mudanças legislativas e vontade política para posicionar as forças de segurança e militares onde elas precisam estar”, continuou, referindo-se à redução da criminalidade em El Salvador.
Modelo Bukele
O sucesso no controle da criminalidade, mesmo às custas da democracia, tornou Bukele o presidente mais popular da América Latina, com quase 80% de aprovação. Por esse motivo, outros líderes agora tentam emular seu modelo, ignorando as controvérsias.
No Equador, dominado por gangues de narcotraficantes, o presidente Daniel Noboa declarou estado de exceção e anunciou a construção de duas megaprísons. Rafael López Aliaga, prefeito de Lima, mencionou um “plano Bukele” ao solicitar a presença do Exército nas ruas. Honduras planeja construir uma prisão exclusiva para gangsters. O Movimento Brasil Livre (MBL) enviou três membros para acompanhar a reeleição de Bukele e redigirá um documento com medidas inspiradas por ele.
As organizações Human Rights Watch e Anistia Internacional denunciaram mortes, torturas e detenções arbitrárias durante o regime excepcional, que é sistematicamente prorrogado. Do total de detidos, quase 8 mil já foram libertados — milhares por serem inocentes. Um relatório de 2023 apontou sinais de tortura, asfixia, choques elétricos e outras violações de direitos humanos contra presos durante o regime.
O empresário Elon Musk, dono da rede social X, fez uma postagem na plataforma neste sábado (15) na qual defendeu o fim das urnas eletrônicas. A publicação em questão foi um comentário a um post de Robert F. Kennedy Jr., candidato independente ao cargo de presidente dos Estados Unidos, que comentou uma reportagem sobre irregularidades relacionadas ao dispositivo nas eleições primárias de Porto Rico.
– Deveríamos eliminar as urnas eletrônicas. O risco de ser hackeado por humanos ou IA, embora pequeno, ainda é muito alto – escreveu Musk.
Kennedy, que segue na disputa à Presidência dos Estados Unidos, havia comentado uma reportagem da agência de notícias Associated Press que apontou que a comissão eleitoral de Porto Rico está revendo seu contrato com uma empresa de votação eletrônica dos EUA depois que centenas de discrepâncias foram descobertas após as acirradas primárias da ilha.
Segundo a agência, o imbróglio resultou de um problema de software que fez com que as máquinas fornecidas pela Dominion Voting Systems apurassem incorretamente o total de votos. Por causa disso, as contagens informadas pelas máquinas teriam sido inferiores às contagens de papel em alguns casos. Além disso, algumas máquinas reverteram certos totais ou reportaram zero votos para alguns candidatos.
Em sua publicação, o concorrente ao cargo máximo da política americana disse que “felizmente, havia um rastro de papel para que o problema fosse identificado e a contagem dos votos corrigida”.
– O que acontece em jurisdições onde não há registro documental? Os cidadãos dos EUA precisam de saber que todos os seus votos foram contados e que as suas eleições não podem ser pirateadas. Precisamos de regressar às cédulas de papel para evitar interferências electrônicas nas eleições. A minha administração exigirá votos em papel e garantiremos eleições honestas e justas – resumiu.
BOLSONARO INELEGÍVEL APÓS QUESTIONAR SISTEMA No Brasil, o principal expoente da defesa do voto impresso auditável, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em junho do ano passado, justamente após fazer uma reunião com embaixadores na qual questionou o sistema de votação adotado no Brasil, no qual há apenas o registro eletrônico do voto.
Em seu voto pela inelegibilidade de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do TSE, disse que, no encontro com os embaixadores, o ex-presidente teve “claro sentido de destruir credibilidade de sistema de votação” e influenciar o eleitor de que estaria sendo vítima de uma “conspiração do Poder Judiciário para fraudar as eleições presidenciais”.
Extrema-direita voltou a crescer na Europa Imagem: AFP/Frederick Florin, AFP/Julien de Rosa, REUTERS/Guglielmo Mangiapane, Reprodução/Chega, AFP/Thomas Coex
O resultado parcial das eleições para o Parlamento Europeu, embora indiquem uma vitória da centro-direita, mostraram um importante avanço da extrema direita no continente. A ascensão do movimento não é novidade, mas alguns de seus representantes sim — e, tal como os políticos mais tradicionais, eles também investem em pautas conservadoras, anti-imigração e anti-União Europeia, por vezes recorrendo a discursos racistas, homofóbicos e xenofóbicos.
Alemanha
Maximilian Krah, voz potente da extrema-direita alemã Imagem: Frederick Florin/AFP
Maximilian Krah (AfD), 47 anos
Polêmico, cabeça de chapa da AfD é popular no TikTok. Membro do Parlamento europeu desde 2019, o advogado faz sucesso entre o público jovem com suas mensagens simples e diretas, como “confie em você” e “seja autêntico”, que vincula a posições políticas: “Não vote verde” e “não acredite que você precisa ser gentil e suave: homens de verdade estão na extrema direita”.
Não se considera ‘conservador’ e rejeita a União Europeia. Embora se descreva apenas como “de direita”, Krah deu várias palestras no Instituto de Política Estatal (IfS) consideradas “certamente de extrema direita” pelo Escritório Federal para a Proteção da Constituição. Ele também diz rejeitar a UE, mesmo sendo membro do Parlamento Europeu, e define o bloco como “vassalo” dos Estados Unidos.
É visto como um político simpático a China e Rússia. Um de seus assessores do Parlamento Europeu foi preso no final de abril por suspeita de espionagem para Pequim. Mais recentemente, em maio, investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios de um segundo funcionário de Krah no Parlamento Europeu. A investigação apura suspeitas de que políticos da UE teriam recebido propina da Rússia.
Foi afastado do partido por declarações sobre o nazismo. Em maio, Krah disse que “nem todos os membros da SS” — uma força paramilitar nazista e uma das organizações responsáveis pelo Holocausto — “eram criminosos”. Ele foi proibido pelo próprio partido de fazer aparições na campanha, apesar de ser o cabeça de chapa. Como foi reeleito para o Parlamento Europeu, Krah poderá ocupar o cargo normalmente, mas não como representante da AfD, segundo explicou um porta-voz do partido à AFP.
França
Jordan Bardella, figura proeminente da ultradireita francesa Imagem: Julien de Rosa/AFP
Jordan Bardella (RN), 28 anos
Veio de família italiana, mas se posiciona contra a imigração. Assim como Krah, da Alemanha, Bardella também rejeita o funcionamento da UE hoje, embora negue que seja contrário à existência do bloco em si. “Eu não sou contra a Europa. Sou contra a maneira como a Europa funciona agora”, disse o francês durante debate com o primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, antes das eleições ao Parlamento Europeu.
Rompeu a imagem tradicional do partido de Marine Le Pen. O jovem de 28 anos é presidente do Rassemblement National (Reunião Nacional, em tradução livre) desde 2022. Seus críticos o veem como mais liberal do que Le Pen e o acusam de dedicar muito tempo a aperfeiçoar sua imagem pública e pouco a estudar as questões políticas importantes. Sua figura bem cuidada e sua habilidade de comunicação lhe rendem sucesso nas ruas e nas redes sociais: no TikTok, Bardella conta com mais de 1 milhão de seguidores, em sua grande maioria jovens.
Já disse se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo assim, aceitou que, para a maioria dos franceses, “o casamento para todos agora é uma realidade” e afirmou que o debate sobre o assunto está encerrado, sugerindo haver questões mais importantes a serem discutidas no país. Bardella ainda defende cortar os serviços sociais para imigrantes ilegais e legalizar a cannabis para fins medicinais.
Foi acusado de publicar comentários racistas e homofóbicos. Em janeiro, uma reportagem da emissora France 2 revelou a existência de uma conta falsa no X (ex-Twitter) supostamente administrada por Bardella. Sob o pseudônimo “RepNat du Gaito”, o perfil também exaltava Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen, conhecido por seus comentários racistas e antissemitas. A última postagem, feita em fevereiro de 2017, é uma imagem obscena zombando de Théo Luhaka, um jovem negro que sofreu graves agressões da polícia naquele ano. Bardella nega ser dono da conta.
Itália
Giorgia Meloni, líder de extrema direita na Itália Imagem: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Giorgia Meloni (FdI), 47 anos
Eleita em 2022, premiê é a 1ª mulher a ocupar o cargo. Meloni é jornalista por formação e preside o Fratelli d’Italia (FdI) desde 2014. O FdI tem suas raízes políticas no MSI (Movimento Social Italiano), que surgiu do fascismo de Benito Mussolini. A primeira-ministra italiana, porém, hoje rejeita o rótulo fascista com veemência — embora tenha dito no passado que Mussolini foi “um bom político”. “Obviamente tenho uma opinião diferente agora”, disse Meloni em entrevista à Reuters, em 2022.
É contra a eutanásia e a adoção de crianças por casais gays. Meloni, que não acredita ser de extrema direita, se define como “cristã, católica e conservadora” e tem como lema “Deus, Pátria e Família” – o mesmo slogan de origem fascista usado por Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. “‘Sim’ à família natural, ‘não’ aos lobistas LGBT! ‘Sim’ à identidade sexual, ‘não’ à ideologia de gênero!”, defendeu a premiê em discurso feito em 2022, na Espanha.
Já foi acusada de islamofobia e adotou políticas anti-imigração. Em setembro do ano passado, seu governo aumentou de três para 18 meses o período de detenção de imigrantes ilegais. “Teremos todo o tempo necessário não apenas para realizar as checagens, mas também para fazer o repatriamento daqueles sem direito à proteção internacional”, explicou Meloni à época, acrescentando que a batalha contra a imigração é “uma batalha épica para a Itália e a Europa”.
Seu partido saiu vitorioso nas eleições ao Parlamento Europeu. Meloni foi a única primeira-ministra europeia em exercício a alcançar o feito. “A Itália se apresenta no G7 e na Europa com o governo mais forte de todos”, disse ela, que acompanhou o fechamento das urnas da casa de sua irmã Arianna. “Esta é uma votação mais bonita que a de 2022”.
Portugal
Deputado português André Ventura Imagem: Reprodução/Chega
André Ventura (Chega), 41 anos
É deputado e líder do Chega, a 3ª maior força do país. Fundado em 2019 por Ventura, o partido anti-imigração e populista quadruplicou sua representação parlamentar nas eleições gerais de março deste ano. Ao longo da campanha, o deputado tentou deslegitimar o sistema eleitoral, questionando também as pesquisas de intenção de voto. “Temos que estar de olho aberto, ninguém pode nos enganar”, afirmou.
Defende a castração química de pedófilos e a pena de morte. Ventura, que se define como “liberal a nível econômico, nacionalista e conservador”, também já fez discursos discriminatórios contra ciganos e imigrantes muçulmanos.
Apoiou publicamente a reeleição de Bolsonaro no Brasil. Recentemente, em meados de maio, Ventura havia convidado o ex-presidente brasileiro, o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, e outros nomes importantes da direita para uma cúpula mundial organizada pelo Chega em Lisboa. Com a ausência de Bolsonaro, cujo passaporte segue apreendido pela Polícia Federal, o evento foi cancelado.
Espanha
Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita VOX Imagem: Thomas Coex/AFP
Santiago Abascal (Vox), 48 anos
Fundou o Vox em 2013, após anos de militância no Partido Popular. Abascal chegou a se referir ao PP como “direita covarde” e acusou seu antigo partido de ser “muito brando”. Desde 2019, o Vox é a terceira força política no Parlamento espanhol e se apresenta de “mão estendida” ao PP com o objetivo de tirar do governo o socialista Pedro Sánchez, que está no poder desde 2018.
Critica os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco. Agora, após reorganizar a extrema direita na Espanha, o líder do Vox frequentemente acusa a esquerda de querer “dividir os espanhóis”, resgatando a memória das vítimas da ditadura de Francisco Franco, e de ter “profanado” o túmulo do general, exumado em 2019 pelo governo Sánchez. Abascal costuma contar que seu pai, que foi vereador do PP, escapou de três tentativas de assassinato pelo grupo separatista ETA.
Fez elogios a Milei, que criou crise diplomática com a Espanha. Em maio, durante a convenção anual do Vox, Abascal chamou o presidente argentino de “nossa estrela brilhante”. Neste mesmo evento, do qual também participaram Le Pen e Meloni, Milei fez críticas a Pedro Sánchez e chamou sua esposa, a primeira-dama Begoña Gómez, de corrupta. Em resposta, a Espanha retirou sua embaixadora na Argentina de forma definitiva.
‘Sinal de alerta’
Nova extrema direita é ‘digital’ e investe nos mais jovens. Esses líderes rejeitam a imprensa tradicional e costumam usar as redes sociais como principal meio de comunicação, aproveitando-se de discursos enfáticos para gerar engajamento e atrair seguidores novos — e mais jovens —, segundo explica ao UOL Filipe Savelli Pereira, pesquisador do Laboratório de História das Interações Políticas e Institucionais da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).
Políticos se inspiram em nomes tradicionais, mas pregam renovação. Além disso, segundo Pereira, os representantes da nova extrema direita enxergam os líderes mais antigos, como o premiê húngaro Viktor Orbán e o presidente turco Recep Tayyip Erdo?an, como fracos. “Para eles, a ‘velha’ extrema direita demonstrou fraqueza ao se abrir para o diálogo [com outros partidos]”, diz o pesquisador.
Eleição na França pode dar sinalizações sobre o futuro da Europa. Embora as eleições europeias tenham feito o mundo ligar um sinal de alerta, são as eleições legislativas na França, marcadas para 30 de junho e 7 de julho, que devem mostrar se o avanço da extrema direita é uma tendência ou um movimento pontual. “O Bardella é uma potência midiática. Talvez nunca o partido da Le Pen tenha tido um candidato tão palatável”, analisa Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Esses candidatos [da extrema direita] aparecem muito na internet. No contexto europeu, assim como no Brasil, a esquerda também está velha, desgastada, ineficiente e, acima de tudo, com uma linguagem inadequada, muito acadêmica. A esquerda não tem lugar na rede social muito por conta de sua linguagem. Filipe Savelli Pereira, da Ufes
O que vai vir daqui para frente depende dessa eleição de agora [na França]. Se o partido de Le Pen consegue eleger um primeiro-ministro, tudo muda. É difícil saber. Mas fato é que, se Marine Le Pen chega ao poder – e imagino que eles vão tentar fazer um bom governo para usar de propaganda -, isso estimula outros países. Você anima um pouco esse grupo [da extrema direita]. Leonardo Paz, da FGV
Em um movimento surpreendente, o embaixador russo em Buenos Aires, Dmitri Feoktistov, expressou a “profunda decepção” de Vladimir Putin com o posicionamento de Javier Milei ao lado da Ucrânia. Segundo informações do site O Antagonista, Feoktistov destacou a preocupação russa com as negociações da Argentina para adquirir tanques da Alemanha e aviões da França, comparando-as ao acordo de defesa com a Ucrânia. O embaixador russo advertiu que tais ações seriam vistas como hostilidades pela Rússia.
O diplomata russo fez um apelo a Milei para que mantenha a Argentina neutra no conflito, preservando assim as relações amigáveis entre os dois países, que historicamente têm resistido às mudanças políticas.
Na última sexta-feira, o governo argentino marcou presença pela primeira vez na reunião do Grupo de Defesa da Ucrânia e foi oficialmente incluído no Grupo Ramstein, uma coalizão de 57 nações que apoiam a Ucrânia contra a invasão russa.
Luis Petri, ministro da Defesa argentino, foi calorosamente recebido pelo secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, em Bruxelas. A participação argentina no encontro foi criticada pelo embaixador russo.
No sábado seguinte, Volodymyr Zelensky e Javier Milei se encontraram na Suíça para uma cúpula da paz. Zelensky homenageou Milei por seu apoio à soberania ucraniana e expressou gratidão pela solidariedade latino-americana no caminho para a paz.
O ex-presidente Donald Trump revelou que já tem “uma boa ideia” de quem será seu companheiro de chapa para a eleição presidencial de 2024, mas a escolha provavelmente será anunciada apenas durante a Convenção Nacional Republicana, que ocorrerá entre 15 e 18 de julho em Milwaukee.
Em entrevista à Fox News na sede do Comitê Nacional Republicano, Trump foi questionado se o seu escolhido estava presente nas reuniões. “Provavelmente. Não quero me comprometer, mas acho que o anúncio será durante a convenção”, respondeu Trump. “Há algumas pessoas boas e temos algumas opções muito boas”, completou ele.
Entre os possíveis nomes mencionados está o do governador da Virgínia, Glenn Youngkin. “Eu poderia considerá-lo, sim. Ele estaria nessa lista”, afirmou Trump.
A jornalista Aishah Hasnie também perguntou a Trump sobre suas impressões a respeito do presidente Joe Biden como pai, em meio à condenação de Hunter Biden por acusações federais relacionadas a armas. Trump comentou sobre a seriedade do assunto, comparando-o a situações semelhantes em famílias que enfrentam problemas com drogas e álcool.
Hunter Biden foi condenado na semana passada por três acusações relacionadas à compra de um revólver em 2018, quando mentiu ao dizer que não usava drogas de forma ilegal. O presidente Biden afirmou que não usará seus poderes presidenciais para apelar contra a condenação de seu filho e expressou orgulho pela resiliência de Hunter em sua recuperação.
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Mais tarde na entrevista, Trump afirmou que não foi convidado a endossar a candidatura do ex-governador de Maryland, Larry Hogan, para o Senado dos EUA, mas manifestou seu apoio. “Gostaria de vê-lo vencer, acho que ele tem uma boa chance”, declarou Trump.
Essas revelações marcam um momento crucial na preparação para a eleição presidencial de 2024, com Trump mantendo o suspense sobre a escolha de seu vice, o que pode influenciar significativamente a dinâmica da campanha eleitoral republicana.
O Senado da Argentina aprovou um abrangente projeto de lei que desempenha um papel fundamental nos planos de reforma econômica do presidente Javier Milei. A votação resultou em empate, e coube à vice-presidente argentina, que preside o Senado, dar o aval ao projeto.
Em linhas gerais, a “Lei de Bases” concede poderes especiais ao governo por meio de um decreto de estado de emergência pública. Além disso, o texto propõe a privatização de algumas empresas estatais.
Para obter a aprovação, o governo precisou negociar com os senadores e realizar diversas alterações no texto, abrindo mão de alguns pontos.
Logo após a aprovação, o gabinete do presidente Javier Milei emitiu uma nota comemorando a decisão do Senado, destacando-a como um triunfo para o povo argentino.
No mesmo comunicado, o gabinete presidencial expressou a esperança de continuar contando com o Senado para “superar as políticas de fracasso e miséria, e recolocar a República Argentina no caminho da prosperidade e crescimento”.
Antes da votação, ocorreram protestos do lado de fora do Congresso contra as propostas de mudanças. A polícia deteve uma pessoa e usou gás contra os manifestantes, que reagiram atirando pedras e coquetéis molotov contra os agentes. Um carro de uma estação de rádio também foi virado e incendiado.
Segundo o jornal “Clarín”, após a aprovação, um grupo de manifestantes continuou arremessando pedras e garrafas contra as forças de segurança que estavam em frente ao Congresso.
Em uma rede social, o gabinete de Milei parabenizou as forças de segurança “pela excelente atuação em reprimir grupos terroristas com paus, pedras e até granadas, que tentaram desestabilizar o funcionamento do Congresso”.
Conteúdo do Projeto de Lei
Uma das medidas do texto é a declaração de estado de emergência pública por um ano, conferindo ao governo poderes especiais em setores como administração, economia, finanças e energia. Além disso, o projeto prevê a privatização de empresas estatais do país.
Durante as negociações, que se estenderam até os minutos finais antes da votação, o governo concordou em excluir da lista de privatizações a Aerolíneas Argentinas, o Correio Argentino e os veículos de comunicação públicos vinculados à Radio y Televisión Argentina.
De acordo com o jornal “La Nación”, um dos principais pontos do projeto é a desregulamentação do Estado. Durante as negociações com o Legislativo, o governo desistiu de extinguir 15 entidades da administração pública, incluindo órgãos ligados à indústria, agricultura, parques nacionais, geologia, pesca, hidrografia e pesquisa.
A gestão de Milei também busca alterar a legislação trabalhista. Embora tenha desistido de eliminar uma espécie de “imposto sindical” compulsório, o projeto mantém a previsão de demissão por justa causa para trabalhadores que participem de protestos com bloqueios de vias ou ocupação de estabelecimentos.
Nesta quarta-feira, o presidente Emmanuel Macron convocou todos aqueles que se opõem aos seus adversários, tanto antes quanto depois das eleições legislativas francesas, que foram antecipadas após a vitória da direita nas eleições europeias na França.
“É simples. Hoje, temos alianças contra a natureza em ambos os extremos [do espectro político], que não concordam em nada”, declarou o presidente centrista em uma coletiva de imprensa, três dias após a inesperada antecipação eleitoral.
Macron referia-se à proposta do presidente do partido conservador Os Republicanos (LR), Éric Ciotti, de se aliar à ultradireita Agrupamento Nacional (RN), uma possibilidade rejeitada pela maioria dos deputados e líderes de sua formação. Mas também ao acordo entre socialistas, comunistas, ecologistas e La France Insoumise (LFI, esquerda radical) para criar um “novo frente popular”, após o rompimento de sua aliança anterior devido aos desacordos entre a ala social-democrata e a mais radical.
“Chegou o momento, antes ou depois [das eleições], de unir os homens e mulheres de boa vontade que tenham sido capazes de dizer não aos extremos”, declarou Macron, convocando sua aliança centrista para dialogar com outros partidos.
Macron chegou ao poder em 2017 a partir do centro, atraindo os descontentes com a tradicional alternância entre socialistas e conservadores, e já se apresentou como a alternativa aos “extremos” para sua reeleição em 2022.
No foco do oficialismo estão os descontentes no Partido Socialista em formar uma frente unida com LFI, formação que Macron qualificou de “antissemita” e “antiparlamentar”, e os conservadores de LR que rejeitam pactuar com a direita.
Quanto à decisão de convocar eleições, considerada pelos observadores como uma “aposta arriscada”, Macron explicou que se trata de um “movimento de esclarecimento” político para “evitar dar as chaves do poder à direita” em 2027, em alusão à teórica data das próximas eleições presidenciais.
As eleições legislativas, em duas voltas, ocorrerão em 30 de junho e 7 de julho.
A antecipação eleitoral não afeta Macron, que continuará como presidente até 2027, mas corre o risco de, durante o final de seu segundo e último mandato, ter que compartilhar o poder com um governo de outra cor política em uma “coabitação”.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comemorou, neste domingo (9), a vitória da direita nas eleições para o Parlamento Europeu. Até a manhã desta segunda-feira (10), grupos direitistas ou de centro-direita conquistaram mais de 40% dos 720 assentos do Legislativo continental, contra apenas 30% da esquerda/centro-esquerda.
– A Europa mostra que a vontade popular prevalece sem determinadas intromissões e logo mais se repetirão em outras partes do mundo. Todo o establishment está espumando de ódio e distribuindo suas fake news para difundir nas redações, estridentes com as pessoas que tanto querem calar. A vitória do povo mostra que as agendas impostas pelo sistema não estão satisfazendo sua vontade – escreveu o ex-presidente.
SOBRE AS ELEIÇÕES As eleições para o Parlamento Europeu realizadas entre a última quinta-feira (6) e este domingo (9) demonstraram um avanço da direita e uma perda de relevância da esquerda no âmbito continental. Na França, por exemplo, a vitória direitista fez com que o presidente Emmanuel Macron dissolvesse o Parlamento do país e convocasse novas eleições legislativas.
Segundo as projeções atualizadas às 9h26 desta segunda (10) pela comissão eleitoral, o Partido Popular Europeu, de centro-direita, havia conquistado dez cadeiras a mais, chegando a 186 eurodeputados, mantendo assim a maior bancada.
Outras representações de direita e centro-direita também ampliaram seus espaços dentro do Parlamento continental da Europa, como os direitistas Grupo Europeu de Conservadores e Reformistas, que saltou de 69 para 73 parlamentares; e Identidade e Democracia, que avançou de 49 para 58 eurodeputados, impulsionado pelos 30 assentos obtidos na França.
A esquerda, por outro lado, viu suas bancadas diminuírem dentro do Parlamento Europeu. O principal grupo de centro-esquerda, a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, perdeu cinco assentos e caiu de 139 para 134 eurodeputados. Já o grupo intitulado A Esquerda perdeu uma vaga, reduzindo seu espaço de 37 para 36 congressistas.
O grande perdedor da esquerda/centro-esquerda, no entanto, foi o chamado Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, cuja bancada era de 71 eurodeputados na atual composição, número que, nas previsões mais recentes, está caindo para 53 parlamentares. Ou seja, as principais representações de esquerda caíram de 247 para 223 assentos.
A direita emergiu como a grande vencedora das eleições para o Parlamento Europeu, finalizadas neste domingo (9 de junho de 2024). De acordo com as projeções atualizadas às 21h pela comissão eleitoral, o Partido Popular Europeu manteve a maior bancada no Legislativo da União Europeia, conquistando mais 13 cadeiras, totalizando 189 deputados.
Outros grupos nacionalistas também avançaram no parlamento. O Identidade e Democracia e os Reformistas e Conservadores Europeus ganharam assentos. Com a nova composição, os deputados de direita e centro-direita serão 402 do total de 720, dominando 56%. Antes, eram 396.
O Partido Popular Europeu, de centro-direita, é o mesmo de Ursula von der Leyen, atual presidente da Comissão Europeia. Este resultado favorece sua reeleição. O bom desempenho dos grupos de direita é uma derrota para os governos francês e alemão.
Como resposta, o presidente da França, Emmanuel Macron, dissolveu o parlamento e convocou novas eleições. O primeiro-ministro da Bélgica, Alexander De Croo, anunciou sua renúncia.
A eleição consolida uma série de vitórias da direita e centro-direita na Europa, sendo um dos resultados mais expressivos desde a fundação da União Europeia. Aqui estão as vitórias recentes:
Grécia – Nova Democracia (Centro-Direita);
Bulgária – GERB (Direita);
Espanha – PP (Centro-Direita);
Hungria – FIDESZ (Direita);
Finlândia – KOK (Direita);
Croácia – HDZ (Direita);
França – RN (Direita);
Áustria – FPO (Direita);
Alemanha – CDU (Centro-Direita).
O Renovar a Europa, de Macron, caiu de 102 para 93 cadeiras no Parlamento Europeu. Já o nacionalista Identidade e Democracia cresceu de 49 para 58 eurodeputados, conforme as parciais.
A esquerda e centro-esquerda, por outro lado, perderam espaço. O segundo partido mais forte do Parlamento Europeu continuará sendo a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, que passou de 139 para 135 deputados, segundo as projeções.
Os Verdes devem reduzir suas atuais 71 cadeiras para 53, conforme as parciais. O bloco da Esquerda Unitária Europeia deve ficar com 35 assentos no parlamento, tendo antes 37.
Atualmente, os eurodeputados – como são chamados os deputados da União Europeia – de mais de 200 partidos nacionais estão alocados em 7 diferentes grupos do Parlamento Europeu, conforme seu respectivo pensamento político.
Para o mandato de 2024 a 2029, foram eleitos 50 deputados que ainda não têm um grupo definido. Isso indica que os alinhados à direita podem crescer ainda mais no Parlamento.
Para que os eurodeputados façam parte de um grupo, precisam estar politicamente alinhados, podendo haver parlamentares de nacionalidades distintas na mesma sigla defendendo as mesmas pautas. Um novo grupo também pode ser criado, desde que tenha 23 cadeiras no Parlamento de 7 nacionalidades diferentes.
ENTENDA OS GRUPOS DO PARLAMENTO EUROPEU
Partido Popular Europeu – Mantém-se como o maior grupo do Parlamento Europeu, com uma base significativa de integrantes alemães, poloneses e romenos. Nos últimos cinco anos, colaborou estreitamente com os socialistas e o grupo liberal Renovar a Europa. Angela Merkel, ex-chanceler da Alemanha, é uma das principais figuras próximas ao grupo.
Aliança Progressista de Socialistas e Democratas – O segundo maior grupo do Poder Legislativo da União Europeia. Com forte representação do Partido Socialista dos Trabalhadores do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o grupo enfatiza a luta contra o desemprego e a promoção de sociedades mais equitativas.
Renovar a Europa – Liderado pelo partido Renascença do presidente da França, Emmanuel Macron, é o terceiro maior grupo, mas perdeu força: tinha 102 parlamentares neste mandato. O resultado reflete a ascensão de deputados apoiados por Marine Le Pen.
Grupo dos Verdes – atualmente, possui 72 assentos no Poder Legislativo do bloco europeu. Nas eleições de 2019 para o Parlamento Europeu, os parlamentares da sigla foram fortalecidos pelos protestos climáticos de 2019. Agora, perderam cadeiras.
Esquerda Unitária Europeia – focado em direitos trabalhistas, justiça econômica e igualdade. Enfrenta incertezas devido a uma nova divisão na esquerda alemã, liderada pela ex-co-presidente do Die Linke, Sahra Wagenknecht.
Conservadores e Reformistas Europeus – promete uma postura firme sobre migração e uma abertura para maior cooperação dentro da UE. Ganhou cadeiras em um resultado que demonstra a força da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.
Identidade e Democracia – crescerá no Poder Legislativo da União Europeia. Enfrenta controvérsias por conta da expulsão de deputados ligados ao partido alemão de direita acusado de neonazismo, a AfD (Alternativa para a Alemanha). Apesar das críticas, mantém sua influência em um contexto de crescente insatisfação dos eleitores com o aumento do custo de energia e de vida enfrentado pelos alemães.