No primeiro debate presidencial das eleições de 2024, o ex-presidente demonstrou muita energia, enquanto Biden teve muita dificuldade de se expressar e pareceu ter problemas de linha de raciocínio, segundo analistas.

Foto: AP Photo

Performance de Biden foi ‘catastrófica’, diz Guga Chacra 

O ex-presidente Donald Trump saiu vencedor no primeiro debate presidencial de 2024 e o desempenho do presidente Joe Biden preocupa os democratas, analisam comentaristas da GloboNews. 

Trump e Biden fizeram o primeiro debate das eleições de 2024 em Atlanta nesta quinta-feira (27) — a disputa foi marcada por um tom agressivo e troca de ofensas. A performance de Biden na disputa foi “catastrófica”, enquanto Trump foi o “Trump de sempre, falando uma série de inverdades, mas demonstrando muita energia”, analisou o comentarista Guga Chacra. 

“Desesperador. O Biden não conseguia concluir uma linha de raciocínio. Ele teve muita dificuldade de se expressar e de projetar a voz, gaguejou muito. Hoje não era um problema apenas de articulação, era um problema de linha de raciocínio. Quem assistiu ao debate para entender as políticas de cada um dos candidatos não conseguiu entender o que o presidente Biden falou hoje à noite”, disse Sandra Coutinho.

A avaliação dos comentaristas foi corroborada pela imprensa americana e por uma pesquisa de opinião feita pela rede norte-americana canal “CNN”, que realizou o debate. Segundo a pesquisa, 67% dos espectadores acreditam que Trump venceu o debate, enquanto 33% acharam que Biden foi melhor. A consulta tem margem de erro de 5,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Sandra afirmou ainda que Trump foi bem nas perguntas delicadas, como sobre a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, e se iria respeitar o resultado das eleições de novembro. Esquivou-se delas, e quando pressionado deu respostas que não o comprometeram perante o eleitor. 

Segundo Marcelo Lins, talvez seja hora dos democratas pensarem em um substituto para concorrer no lugar do presidente, que não conseguiu rebater as mentiras de Trump, fazendo com que resultado fosse claro: vitória do ex-presidente e derrota de Biden. “Eu não vejo como o Biden pode se recuperar”, disse Jorge Pontual. 

Para Daniel Sousa, Trump apostou no mesmo formato já utilizado por ele em outras eleições, provocando medo na população. Por outro lado, analisa o comentarista, o desempenho de Biden provocou vergonha alheia em quem assistiu.

Sandra Coutinho acredita que a performance de Biden no debate deve aprofundar o racha nos democratas. “Apresentar aos EUA outro candidato agora significa também dizer que o partido falhou, errou em não detectar esse problema mais cedo”, disse Sandra. 

“Biden se autodestruiu diante do público americano e do mundo. (…) Biden debateu desesperadoramente mal”, afirmou Demétrio Magnoli. Magnoli disse ainda que o debate confirmou 100% o temor dos eleitores, de que ele perdeu a aptidão para exercer a presidência dos EUA. No caso de Trump, que tem apenas três anos a menos, ele ainda tem vivacidade e demonstra rapidez de raciocínio necessários.

Sandra Coutinho

Primeiro debate presidencial

O presidente dos EUA, Joe Biden, e o ex-presidente Donald Trump fizeram nesta quinta-feira (27) o primeiro debate presidencial das eleições no país, que acontecem em novembro deste ano. 

Em um cara a cara com uma série de ineditismos (o cara a cara, que durou uma hora e meia, tem também uma série de ineditismos: esta é a primeira vez que um presidente e um ex-presidente ficam cara a cara em um debate eleitoral nos EUA. Trump passou também a ser o único candidato a chegar a um enfrentamento desse tipo com uma condenação nas costas, além de outros três processos que ele ainda responde como réu. 

Donald Trump e Joe Biden no 1º debate presidencial das eleições de 2024, nos Estados Unidos — Foto: Gerald Herbert/AP

Donald Trump e Joe Biden no 1º debate presidencial das eleições de 2024, nos Estados Unidos — Foto: Gerald Herbert/AP 

Neste ano, a CNN também impôs regras pela primeira vez. (Leia mais abaixo)

As eleições para presidente nos Estados Unidosacontecem em 5 de novembro. Joe Biden tenta a reeleição, enquanto Donald Trump quer voltar à Casa Branca — ele presidiu os EUA de 2017 a 2021 e perdeu as últimas eleições para Biden. 

As pesquisas de opinião mais recentes mostram umaligeira vantagem para Trump

debate começou com um tema sensível para Biden: a inflação. Um dos moderadores questionou o presidente sobre o que ele tem a dizer a eleitores que sentem que a economia piorou na comparação com a gestão de Trump. 

O presidente respondeu com o argumento de que o mundo pós-pandemia prejudicou a economia em diversos países e atacou seu adversário, a quem acusou de causar uma situação de “caos” na economia. 

Trump rebateu e acusou Biden de apenas favorecer imigrantes ilegais. “Os únicos empregos que ele criou foram para imigrantes ilegais”, disse o ex-presidente, que repetiu também o discurso de que imigrantes que entram nos EUA de forma ilegal são “terroristas que estão vivendo em hotéis de luxo de Nova York” e acusou Biden de “simplesmente deixá-los entrar”. 

Biden, no debate, voltou a prometer reeditar a lei que garantia o direito nacional ao aborto nos EUA, a chamada Roe contra Wade, derrubada em 2022 pela Suprema Corte do país

‘Otário e perdedor’

Biden, que começou o debate em temperatura morna, subiu o tom ao chamar Trump de “otário” e “perdedor”. 

O presidente acusou o adversário de já ter chamado veteranos de guerra de “otários e perdedores” e, ao falar de seu filho Beau Biden, que lutou no Iraque e morreu de câncer no cérebro em 2015, disse a Trump: 

“Meu filho não é otário. Você é um otário e um perdedor”. 

Trump exigiu um pedido de desculpas. 

Ataques pessoais 

Os dois candidatos também investiram em uma série de ataques pessoais ao longo do debate — o que não costumava ser a estratégia de Biden em debates nas últimas eleições. 

Joe Biden chamou Donald Trump de criminoso condenado e o acusou de fazer sexo com a ex-atriz pornô Stormy Daniels — pivô do processo em que Trump foi condenado em maio — enquanto sua então esposa estava grávida. O adversário negou. 

Trump, como esperado, citou falhas de memória de Joe Biden e falou de seu filho, Hunter Biden — condenado em junho por mentir sobre uso de crack em um formulário ao comprar armas

Resultado das eleições 

Questionado sobre se aceitará resultado das eleições, Trump — que é julgado por tentar reverter o resultado do pleito de 2020 — tentou desviar da questão. Pressionado pela apresentadora do debate, respondeu então que, “sem dúvida, vou aceitar o resultado das eleições se o resultado for justo e legal”. 

Biden, ao receber o direito de fala, disse duvidar de que Trump aceitaria esse resultado, “porque você um reclamão”

‘Um palestino ruim’

Ao debater a guerra em Israel, Trump acusou Biden de não ter pulso firme na guerra entre Israel e Hamas e chamou o presidente de um “palestino ruim”. 

Trump disse ainda que vai terminar a guerra na Ucrânia antes mesmo de tomar posse, caso eleito. 

Estratégias

Como previsto, Trump investiu em ataques nos pontos fracos do atual governo de Biden, como o recorde de entrada de imigrantes nos EUA, os períodos de inflação alta e o prolongamento das guerras na Ucrânia e em Israel. 

Trump em debate nos EUA — Foto: Brian Snyder/Reuters

Trump em debate nos EUA — Foto: Brian Snyder/Reuters 

Joe Biden durante debate presidencial, nos Estados Unidos, em 27 de junho de 2024 — Foto: REUTERS/Brian Snyder

Joe Biden durante debate presidencial, nos Estados Unidos, em 27 de junho de 2024 — Foto: REUTERS/Brian Snyder

Reedição de 2020

Donald Trump (à esquerda) e Joe Biden fazem o primeiro debate presidencial das eleições de 2024 nesta quinta-feira (27) — Foto: AP Photo

Donald Trump (à esquerda) e Joe Biden fazem o primeiro debate presidencial das eleições de 2024 nesta quinta-feira (27) — Foto: AP Photo 

O debate desta noite também reeditou os históricos enfrentamentos travados por Biden e Trump em 2020, quando os dois também concorreram à presidência. Em debates daquele ano, os dois adversários protagonizaram longos bate-bocas. O ex-presidente republicano interrompeu diversas vezes o democrata, que chegou a mandar o adversário “calar a boca”. 

Biden, que venceu o pleito na ocasião, seguiu a estratégia de tentar descredibilizar o adversário e suas falas, ignorando Trump e falando diretamente para as câmeras. 

Regras 

Neste ano, a organização do debate estabeleceu uma série de regras para tentar evitar interrupções e que os candidatos falem fora de hora, além da interferência de terceiros. Entre elas, estão: 

  • Microfones desligados — pela 1ª vez, o debate entre candidatos dos EUA terá microfones silenciados enquanto o adversário tiver a palavra; 
  • Sem acessórios — os candidatos não poderão levar papéis, pastas ou qualquer outro acessório para auxiliá-los no debate; 
  • Também não haverá público nem jornalistas. Apenas os dois moderadores estarão no auditório;
  • Haverá dois intervalos comerciais, e, nesses momentos, os candidatos não poderão ter nenhum contato com assessores.

Informações G1


Soldados bolivianos protegem palácio presidencial na Praça Murillo em La Paz, na Bolívia, em 26 de junho de 2024. — Foto: AP Photo/Juan Karita

Soldados bolivianos protegem palácio presidencial na Praça Murillo em La Paz, na Bolívia, em 26 de junho de 2024. — Foto: AP Photo/Juan Karita 

Presidente da Bolívia denuncia golpe do Exército 

Bolívia sofreu nesta quarta-feira (26) uma tentativa de golpe de Estado, segundo afirmou o presidente do país, Luis Arce. 

Tanques do Exército e militares armados invadiram o palácio presidencial, e ainda estavam no local até a última atualização desta reportagem, segundo testemunhas da agência de notícias Reuters. Algumas unidades do Exército foram vistas agrupadas em praças e ruas de La Paz também nesta quarta.

Em pronunciamento, Arce destituiu o comandante do Exército, Juan José Zuñiga, a quem acusou de ter arquitetado o golpe. O novo comandante, segundo a agência de notícias Reuters, desmobilizou as tropas e ordenou que os soldados voltassem aos quartéis. 

Zuñiga, que foi à praça Murillo, em frente ao palácio presidencial, disse a TVs locais que o movimento era uma “tentativa de restaurar a democracia” na Bolívia e de libertar prisioneiros políticos. 

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Arce, que estava no palácio presidencial, discutindo com Zuñiga após a invasão ao palácio. 

Veja o que se sabe até agora sobre o episódio:

  • O presidente, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales falaram em golpe de Estado.
  • Em comunicado em suas redes sociais, Arce também pediu que a democracia seja respeitada.
  • Algumas unidades do Exército foram vistas agrupadas em praças e ruas da capital.
  • Segundo testemunhas da agência de notícia Reuters, um tanque do Exército foi visto entrando no palácio presidencial, em La Paz.
  • O presidente da Bolívia, Luis Arce, afirmou nesta quarta (26) que as Forças Armadas de seu país estão fazendo “mobilizações irregulares”.

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, querompeu com Arce no ano passado mas faz parte do mesmo movimento do atual presidente, afirmou tratar-se de um golpe de Estado. Segundo Morales, um regimento do Exército colocou francoatiradores em uma praça de La Paz. O ex-presidente o general Juan José Zuñiga de estar por trás da mobilização. 

“Convocamos uma mobilização nacional para defender a democracia diante do golpe de Estado que o general Zuñiga está gestando”, disse Morales. “Não permitiremos que as Forças Armadas violentem a democracia e amedrontem o povo”. 

Em comunicado, Zuñiga falou que “as coisas vão mudar”, embora não tenha confirmado o golpe de Estado. 

“Os três chefes das Forças Armadas vieram expressar a nossa consternação. Haverá um novo gabinete de ministros, certamente as coisas vão mudar, mas o nosso país não pode continuar assim”, disse o general Juan José Zuniga a uma estação de televisão local.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou apoio a Luis Arce e disse condenar a tentativa de golpe. 

“A posição do Brasil é clara. Sou um amante da democracia e quero que ela prevaleça em toda a América Latina. Condenamos qualquer forma de golpe de Estado na Bolívia e reafirmamos nosso compromisso com o povo e a democracia no país irmão”, declarou Lula. 

O presidente de Honduras, atualmente na presidencia da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), também falou em golpe de estado e pediu uma reunião de emergência dos Estados membros — o Brasil é um deles. 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a movimentação e pediu respeito à democracia. 

A ex-presidente da Bolívia, Jeanine Añez — de oposição a Arce — também condenou a movimentação dos militares. 

“Repúdio total à mobilização de militares na praça Murillo (em frente ao palácio presidencial) pretendendo destruir a ordem constitucional”, disse. “Nós boliviamos defendemos a democracia”. 

Em um comunicado em suas redes sociais, Arce também pediu que a democracia seja respeitada. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que está torcendo para que a democracia prevaleça no país, e que “golpe nunca deu certo”. O Itamaraty disse que o govero brasileiro “está atento ao que está ocorrendo na Bolívia”. 

Nos últimos cinco anos, a Bolívia viveu diversos momentos de turbulência política. 

Em 2019, o terceiro mandato de Evo Morales foi interrompido por um golpe de estado que se seguiu a um movimento de protesto e greves reunindo setores populares, de classe média e empresariais. Evo havia acabado de ser eleito no primeiro turno das eleições presidenciais, em outubro, para um quarto mandato –que não tinha cobertura institucional. Ele renunciou à presidência e deixou a Bolívia. 

Após Morales deixar o cargo, Jeanine Áñez Chávez se autoproclamou presidente interina da Bolívia. Ela os apoiadores do golpe foram presos em 2021, junto com o excomandante do Exército boliviano Jorge Pastor Mendieta Ferrufino, que liderou o golpe em 2019, segundo a Agência Boliviana de Informação. 

Em 2008 também houve tentativa de golpe, mas que fracassou. O governo da Bolívia denunciou o início de um “golpe civil” realizado pela oposição conservadora do Departamento de Santa Cruz, mas descartou a possibilidade de decretar um estado de sítio para diminuir a tensão política. 

Arce e Evo Morales, que eram aliados, agora são adversários por causa das eleições presidenciais de 2025. Morales será o candidato do MAS. 

A legenda governista que Morales lidera afastou Arce por ele se recusar a participar do congresso do (MAS), realizado entre terça e quinta-feira em Cochabamba.

Informações G1


Miguel Gutierrez/Agência Lusa

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, está diante de um momento crucial que determinará o destino de seu governo e o futuro do país. Em 28 de julho, ele enfrentará seu mais difícil desafio eleitoral desde que assumiu o cargo em 2013.

As pesquisas indicam que seu principal oponente, o ex-diplomata discreto Edmundo González, está à frente. González conta com o apoio de María Corina Machado, líder da oposição, que promete restabelecer a democracia e reunir famílias separadas pela migração.

Maduro, habilidoso operador político, historicamente inclinou as urnas a seu favor para superar sua impopularidade. No entanto, há riscos. Ele pode perder e negociar uma saída pacífica, mas poucos venezuelanos esperam que isso aconteça.

Analistas políticos e ex-funcionários do governo de Maduro acreditam que ele considera várias opções para manter o poder. Ele poderia desqualificar González ou os partidos que ele representa. Ou, usando sua experiência em manipulação eleitoral, permitir a votação, mas suprimir a participação e confundir os eleitores para vencer.

Outra possibilidade é cancelar ou adiar a votação, inventando uma crise, como uma disputa latente na fronteira com a vizinha Guiana. Maduro também poderia corrigir a contagem de votos, como ocorreu em 2017 durante a votação para reescrever a constituição.

Os EUA observam de perto a eleição, buscando promover a democracia e proteger interesses no negócio do petróleo. O governo Biden enfrenta desafios econômicos na Venezuela, enquanto centenas de milhares de venezuelanos migram para o norte.

Maduro, aos 61 anos, chegou ao poder após a morte de Hugo Chávez, fundador do projeto socialista do país. Independentemente do resultado, o cenário é crítico, e seus oponentes certamente acusarão fraude se ele declarar vitória.

Representantes do Ministério das Comunicações e do Conselho Eleitoral não responderam aos pedidos de comentários.

Nicolás Maduro, ex-vice-presidente e sucessor escolhido a dedo por Chávez em 2013, enfrenta um momento decisivo em sua liderança. Muitos venezuelanos previram seu fracasso, mas ele sobreviveu a crises econômicas, protestos, tentativas de golpe e sanções dos EUA.

Apesar de números desfavoráveis nas pesquisas, Maduro se fortaleceu, mantendo laços comerciais com Irã, Rússia e China. No entanto, a eleição, realizada a cada seis anos, é seu maior desafio.

O governo manipula a votação a seu favor, dificultando o registro de milhões de venezuelanos no exterior. Especialistas estimam que de 3,5 a 5,5 milhões de votantes vivem fora do país, mas apenas 69.000 conseguiram se registrar.

Internamente, esforços para minar a votação incluem mudanças nos nomes de escolas usadas como locais de votação. Além disso, a figura popular da oposição, María Corina Machado, foi impedida de concorrer, mas ainda apoia o candidato opositor Edmundo González.

O monitoramento eleitoral independente será mínimo, com o Centro Carter como única organização observadora. A eleição já é considerada uma das mais falhas do país em 25 anos.

Enquanto Maduro aumentou salários e melhorou a economia, sua campanha inclui dançar com eleitores e zombar dos céticos. O resultado será observado de perto pelos EUA e pela comunidade internacional.

O argumento persistente é que as sanções dos EUA estão no cerne dos problemas econômicos da Venezuela. Apesar das dificuldades econômicas, o movimento socialista do país ainda mantém profundas raízes.

Durante seus anos de maior sucesso, o movimento socialista tirou milhões de pessoas da pobreza e possui um poderoso aparato de comunicação. Muitos ainda votarão na causa socialista, mesmo reconhecendo falhas em Maduro. Como disse Giovanny Erazo, 42 anos, em um recente evento de divulgação do voto: “Não se trata apenas de um homem, mas de um projeto”.

Outros podem votar em Maduro acreditando que isso trará ajuda para suas famílias. Há muito tempo, os leais são recompensados com caixas de alimentos.

Apesar das preocupações de sabotagem por parte de Maduro, não está claro se isso resultaria na agitação necessária para tirá-lo do poder.

Desde 2013, pelo menos 270 pessoas foram mortas em protestos, segundo a organização de direitos humanos Provea, deixando muitos temerosos de sair às ruas. A frustração com Maduro levou muitos a votarem com os pés, fugindo do país.

Se Maduro não conseguir permanecer no cargo até 28 de julho, alguns analistas acreditam que ele poderia trabalhar com González para negociar uma saída favorável. No entanto, o presidente é procurado nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas e está sob investigação do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Ele busca um país onde possa estar protegido de processos judiciais.

Manuel Christopher Figuera, ex-diretor do Serviço Nacional de Inteligência da Venezuela, considera esse cenário improvável. Ele afirma: “Maduro sabe que, se entregar o poder, o restante desse grupo de criminosos não escapará impune”.

Luisa Ortega, ex-procuradora-geral do país durante os governos de Chávez e Maduro, alerta contra o “triunfalismo fatal” entre os opositores. Ela ressalta que uma “avalanche de votos contra Maduro” nas urnas não necessariamente resultará em vitória para eles.

Com informações da Folha de SP e The New York Times


Foto: Reprodução.

A pouco mais de um mês para a eleição presidencial na Venezuela, marcada para 28 de julho, o jornal venezuelano El Nacional publicou nesta quinta-feira (20) um resumo de pesquisas que mostram, na maioria, o principal candidato oposicionista, Edmundo González, à frente do atual presidente Nicolás Maduro. As informações são da Gazeta do Povo.

No levantamento com a maior diferença entre os dois candidatos, realizado pelo instituto Megaanálise, González tem 61%, enquanto Maduro tem apenas 10%, uma diferença de 51 pontos percentuais. Maduro tenta se eleger presidente pela terceira vez, embora as eleições na Venezuela sejam frequentemente criticadas pela falta de transparência, indícios de fraude e veto a candidatos da oposição.

Entretanto, conforme descrito pelo El Nacional como uma “guerra de pesquisas”, alguns levantamentos também colocam Maduro à frente. Confira os números reunidos pelo jornal, organizados por instituto:

  • Megaanálise: 61% para Edmundo González – 10% para Nicolás Maduro
  • Hercón: 61% para Edmundo González – 23% para Nicolás Maduro
  • MBResearch: 57% para Edmundo González – 19% para Nicolás Maduro
  • Delphos: 55% para Edmundo González – 30% para Nicolás Maduro
  • ORC: 51% para Edmundo González – 13% para Nicolás Maduro
  • Datincorp: 50% para Edmundo González – 18% para Nicolás Maduro
  • Datanálisis: 50% para Edmundo González – 20% para Nicolás Maduro
  • Consultores21: 36% para Edmundo González – 25% para Nicolás Maduro
  • Insight: 52% para Nicolás Maduro – 16% para Edmundo González
  • IdeaData: 52% para Nicolás Maduro – 22% para Edmundo González

Em entrevista ao El Nacional, Saúl Cabrera, presidente do instituto Consultores21, afirmou que “na Venezuela tem sido muito difícil desde 2010 acertar nas pesquisas porque o sistema [eleitoral] não é perfeitamente justo e equilibrado”. Ele destacou que 80% da população venezuelana quer uma mudança, 50% se identifica politicamente com a oposição e apenas 30% com o chavismo.

Informações TBN


Foto: Reprodução.

O ex-presidente Donald J. Trump discursou no evento evangélico Faith & Freedom Coalition em Washington no sábado (23), apresentando-se como um defensor da liberdade religiosa e um mártir dos americanos de fé, ao mesmo tempo que denunciava o que descreveu como uma perseguição em massa aos cristãos.

Ele acrescentou, sob aplausos estridentes: “Precisamos que os eleitores cristãos compareçam em maior número para dizer ao corrupto Joe Biden ‘você está demitido!’”

Trump fez duro discurso no evento, dizendo: “Também tomarei medidas históricas para derrotar o veneno da ideologia de gênero de esquerda e restaurar a verdade eterna de que Deus criou dois gêneros: HOMEM e MULHER”. Assista:

https://twitter.com/EmmaRincon/status/1804595897504043118?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1804595897504043118%7Ctwgr%5Ef81fa1b553ab5adbccf6b3af664ec98731e9b4a9%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fterrabrasilnoticias.com%2F2024%2F06%2Ftrump-faz-duro-discurso-tomarei-medidas-historicas-para-derrotar-o-veneno-da-ideologia-de-genero-de-esquerda-veja-video%2F
Informações TBN

Presidência de El Salvador/AFP

Os ministros da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, e de El Salvador, Gustavo Villatoro, assinaram um acordo na terça-feira, 18, para “reforçar” a luta contra o crime organizado. O regime excepcional em El Salvador, baseado na erradicação das gangues que tornaram o país um dos lugares mais violentos do mundo, é acusado de desrespeitar a democracia, com prisões indiscriminadas, judiciário cerceado e oposição reprimida. Apesar disso, o sucesso na redução da criminalidade elevou o prestígio do “modelo Nayib Bukele”, presidente de El Salvador, em países da América Latina.

“Seguindo as diretrizes dos líderes de El Salvador e da Argentina, nosso presidente Nayib Bukele e o presidente Javier Milei, junto com a ministra Patricia Bullrich, assinamos um acordo de cooperação entre os dois países, comprometendo-nos firmemente a fortalecer a luta contra o crime organizado”, afirmou Villatoro nas redes sociais.

De acordo com o comunicado conjunto, “serão estabelecidos espaços especializados para análise, visando desenvolver estratégias e ferramentas inovadoras para combater eficazmente os grupos criminosos”. Nesse contexto, El Salvador e Argentina anunciaram a intenção de criar um “laboratório de políticas de segurança” com dados atualizados dos dois países “e de qualquer outro país que decida se juntar”.

Villatoro acrescentou que o governo salvadorenho compartilhou com a delegação argentina “as ferramentas e ações implementadas no desenvolvimento do Plano de Controle Territorial, uma estratégia de segurança bem-sucedida que alcançou resultados sem precedentes em nosso país”.

Interesse dos hermanos

O acordo foi o resultado de uma visita de quatro dias de Bullrich a El Salvador, iniciada no domingo. Naquele dia, a ministra argentina visitou uma megapríson inaugurada em 2022, com capacidade para 40 mil presos. Na terça-feira, Bukele a recebeu na sede do governo.

A megapríson é uma resposta do governo salvadorenho a um pico de criminalidade que, em 2022, resultou em 87 assassinatos em dois dias. Além disso, Bukele declarou estado de exceção — renovado 22 vezes — e autorizou a polícia a prender qualquer pessoa suspeita de ter ligação com gangues. Quase nenhum dos detidos foi julgado e, quando as audiências começarem — se começarem —, serão em massa, com até 900 réus cada.

“Estamos muito impressionados com todo o processo, obtivemos informações absolutamente completas”, disse Bullrich ao presidente salvadorenho. “Isso é alcançado com mudanças legislativas e vontade política para posicionar as forças de segurança e militares onde elas precisam estar”, continuou, referindo-se à redução da criminalidade em El Salvador.

Modelo Bukele

O sucesso no controle da criminalidade, mesmo às custas da democracia, tornou Bukele o presidente mais popular da América Latina, com quase 80% de aprovação. Por esse motivo, outros líderes agora tentam emular seu modelo, ignorando as controvérsias.

No Equador, dominado por gangues de narcotraficantes, o presidente Daniel Noboa declarou estado de exceção e anunciou a construção de duas megaprísons. Rafael López Aliaga, prefeito de Lima, mencionou um “plano Bukele” ao solicitar a presença do Exército nas ruas. Honduras planeja construir uma prisão exclusiva para gangsters. O Movimento Brasil Livre (MBL) enviou três membros para acompanhar a reeleição de Bukele e redigirá um documento com medidas inspiradas por ele.

As organizações Human Rights Watch e Anistia Internacional denunciaram mortes, torturas e detenções arbitrárias durante o regime excepcional, que é sistematicamente prorrogado. Do total de detidos, quase 8 mil já foram libertados — milhares por serem inocentes. Um relatório de 2023 apontou sinais de tortura, asfixia, choques elétricos e outras violações de direitos humanos contra presos durante o regime.

Informações TBN


O empresário Elon Musk, dono da rede social X, fez uma postagem na plataforma neste sábado (15) na qual defendeu o fim das urnas eletrônicas. A publicação em questão foi um comentário a um post de Robert F. Kennedy Jr., candidato independente ao cargo de presidente dos Estados Unidos, que comentou uma reportagem sobre irregularidades relacionadas ao dispositivo nas eleições primárias de Porto Rico.

– Deveríamos eliminar as urnas eletrônicas. O risco de ser hackeado por humanos ou IA, embora pequeno, ainda é muito alto – escreveu Musk.

Kennedy, que segue na disputa à Presidência dos Estados Unidos, havia comentado uma reportagem da agência de notícias Associated Press que apontou que a comissão eleitoral de Porto Rico está revendo seu contrato com uma empresa de votação eletrônica dos EUA depois que centenas de discrepâncias foram descobertas após as acirradas primárias da ilha.

Segundo a agência, o imbróglio resultou de um problema de software que fez com que as máquinas fornecidas pela Dominion Voting Systems apurassem incorretamente o total de votos. Por causa disso, as contagens informadas pelas máquinas teriam sido inferiores às contagens de papel em alguns casos. Além disso, algumas máquinas reverteram certos totais ou reportaram zero votos para alguns candidatos.

Em sua publicação, o concorrente ao cargo máximo da política americana disse que “felizmente, havia um rastro de papel para que o problema fosse identificado e a contagem dos votos corrigida”.

– O que acontece em jurisdições onde não há registro documental? Os cidadãos dos EUA precisam de saber que todos os seus votos foram contados e que as suas eleições não podem ser pirateadas. Precisamos de regressar às cédulas de papel para evitar interferências electrônicas nas eleições. A minha administração exigirá votos em papel e garantiremos eleições honestas e justas – resumiu.

BOLSONARO INELEGÍVEL APÓS QUESTIONAR SISTEMA
No Brasil, o principal expoente da defesa do voto impresso auditável, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em junho do ano passado, justamente após fazer uma reunião com embaixadores na qual questionou o sistema de votação adotado no Brasil, no qual há apenas o registro eletrônico do voto.

Em seu voto pela inelegibilidade de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do TSE, disse que, no encontro com os embaixadores, o ex-presidente teve “claro sentido de destruir credibilidade de sistema de votação” e influenciar o eleitor de que estaria sendo vítima de uma “conspiração do Poder Judiciário para fraudar as eleições presidenciais”.

*Pleno.News
Foto: EFE/Ulises Ruiz Basurto


Extrema-direita voltou a crescer na Europa
Extrema-direita voltou a crescer na Europa Imagem: AFP/Frederick Florin, AFP/Julien de Rosa, REUTERS/Guglielmo Mangiapane, Reprodução/Chega, AFP/Thomas Coex

O resultado parcial das eleições para o Parlamento Europeu, embora indiquem uma vitória da centro-direita, mostraram um importante avanço da extrema direita no continente. A ascensão do movimento não é novidade, mas alguns de seus representantes sim — e, tal como os políticos mais tradicionais, eles também investem em pautas conservadoras, anti-imigração e anti-União Europeia, por vezes recorrendo a discursos racistas, homofóbicos e xenofóbicos.

Alemanha

Maximilian Krah, voz potente da extrema-direita alemã
Maximilian Krah, voz potente da extrema-direita alemã Imagem: Frederick Florin/AFP

Maximilian Krah (AfD), 47 anos

Polêmico, cabeça de chapa da AfD é popular no TikTok. Membro do Parlamento europeu desde 2019, o advogado faz sucesso entre o público jovem com suas mensagens simples e diretas, como “confie em você” e “seja autêntico”, que vincula a posições políticas: “Não vote verde” e “não acredite que você precisa ser gentil e suave: homens de verdade estão na extrema direita”.

Não se considera ‘conservador’ e rejeita a União Europeia. Embora se descreva apenas como “de direita”, Krah deu várias palestras no Instituto de Política Estatal (IfS) consideradas “certamente de extrema direita” pelo Escritório Federal para a Proteção da Constituição. Ele também diz rejeitar a UE, mesmo sendo membro do Parlamento Europeu, e define o bloco como “vassalo” dos Estados Unidos.

É visto como um político simpático a China e Rússia. Um de seus assessores do Parlamento Europeu foi preso no final de abril por suspeita de espionagem para Pequim. Mais recentemente, em maio, investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios de um segundo funcionário de Krah no Parlamento Europeu. A investigação apura suspeitas de que políticos da UE teriam recebido propina da Rússia.

Foi afastado do partido por declarações sobre o nazismo. Em maio, Krah disse que “nem todos os membros da SS” — uma força paramilitar nazista e uma das organizações responsáveis pelo Holocausto — “eram criminosos”. Ele foi proibido pelo próprio partido de fazer aparições na campanha, apesar de ser o cabeça de chapa. Como foi reeleito para o Parlamento Europeu, Krah poderá ocupar o cargo normalmente, mas não como representante da AfD, segundo explicou um porta-voz do partido à AFP.

França

Jordan Bardella, figura proeminente da ultradireita francesa
Jordan Bardella, figura proeminente da ultradireita francesa Imagem: Julien de Rosa/AFP

Jordan Bardella (RN), 28 anos

Veio de família italiana, mas se posiciona contra a imigração. Assim como Krah, da Alemanha, Bardella também rejeita o funcionamento da UE hoje, embora negue que seja contrário à existência do bloco em si. “Eu não sou contra a Europa. Sou contra a maneira como a Europa funciona agora”, disse o francês durante debate com o primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, antes das eleições ao Parlamento Europeu.

Rompeu a imagem tradicional do partido de Marine Le Pen. O jovem de 28 anos é presidente do Rassemblement National (Reunião Nacional, em tradução livre) desde 2022. Seus críticos o veem como mais liberal do que Le Pen e o acusam de dedicar muito tempo a aperfeiçoar sua imagem pública e pouco a estudar as questões políticas importantes. Sua figura bem cuidada e sua habilidade de comunicação lhe rendem sucesso nas ruas e nas redes sociais: no TikTok, Bardella conta com mais de 1 milhão de seguidores, em sua grande maioria jovens.

Já disse se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo assim, aceitou que, para a maioria dos franceses, “o casamento para todos agora é uma realidade” e afirmou que o debate sobre o assunto está encerrado, sugerindo haver questões mais importantes a serem discutidas no país. Bardella ainda defende cortar os serviços sociais para imigrantes ilegais e legalizar a cannabis para fins medicinais.

Foi acusado de publicar comentários racistas e homofóbicos. Em janeiro, uma reportagem da emissora France 2 revelou a existência de uma conta falsa no X (ex-Twitter) supostamente administrada por Bardella. Sob o pseudônimo “RepNat du Gaito”, o perfil também exaltava Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen, conhecido por seus comentários racistas e antissemitas. A última postagem, feita em fevereiro de 2017, é uma imagem obscena zombando de Théo Luhaka, um jovem negro que sofreu graves agressões da polícia naquele ano. Bardella nega ser dono da conta.

Itália

Giorgia Meloni, líder de extrema direita na Itália
Giorgia Meloni, líder de extrema direita na Itália Imagem: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Giorgia Meloni (FdI), 47 anos

Eleita em 2022, premiê é a 1ª mulher a ocupar o cargo. Meloni é jornalista por formação e preside o Fratelli d’Italia (FdI) desde 2014. O FdI tem suas raízes políticas no MSI (Movimento Social Italiano), que surgiu do fascismo de Benito Mussolini. A primeira-ministra italiana, porém, hoje rejeita o rótulo fascista com veemência — embora tenha dito no passado que Mussolini foi “um bom político”. “Obviamente tenho uma opinião diferente agora”, disse Meloni em entrevista à Reuters, em 2022.

É contra a eutanásia e a adoção de crianças por casais gays. Meloni, que não acredita ser de extrema direita, se define como “cristã, católica e conservadora” e tem como lema “Deus, Pátria e Família” – o mesmo slogan de origem fascista usado por Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. “‘Sim’ à família natural, ‘não’ aos lobistas LGBT! ‘Sim’ à identidade sexual, ‘não’ à ideologia de gênero!”, defendeu a premiê em discurso feito em 2022, na Espanha.

Já foi acusada de islamofobia e adotou políticas anti-imigração. Em setembro do ano passado, seu governo aumentou de três para 18 meses o período de detenção de imigrantes ilegais. “Teremos todo o tempo necessário não apenas para realizar as checagens, mas também para fazer o repatriamento daqueles sem direito à proteção internacional”, explicou Meloni à época, acrescentando que a batalha contra a imigração é “uma batalha épica para a Itália e a Europa”.

Seu partido saiu vitorioso nas eleições ao Parlamento Europeu. Meloni foi a única primeira-ministra europeia em exercício a alcançar o feito. “A Itália se apresenta no G7 e na Europa com o governo mais forte de todos”, disse ela, que acompanhou o fechamento das urnas da casa de sua irmã Arianna. “Esta é uma votação mais bonita que a de 2022”.

Portugal

Deputado português André Ventura
Deputado português André Ventura Imagem: Reprodução/Chega

André Ventura (Chega), 41 anos

É deputado e líder do Chega, a 3ª maior força do país. Fundado em 2019 por Ventura, o partido anti-imigração e populista quadruplicou sua representação parlamentar nas eleições gerais de março deste ano. Ao longo da campanha, o deputado tentou deslegitimar o sistema eleitoral, questionando também as pesquisas de intenção de voto. “Temos que estar de olho aberto, ninguém pode nos enganar”, afirmou.

Defende a castração química de pedófilos e a pena de morte. Ventura, que se define como “liberal a nível econômico, nacionalista e conservador”, também já fez discursos discriminatórios contra ciganos e imigrantes muçulmanos.

Apoiou publicamente a reeleição de Bolsonaro no Brasil. Recentemente, em meados de maio, Ventura havia convidado o ex-presidente brasileiro, o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, e outros nomes importantes da direita para uma cúpula mundial organizada pelo Chega em Lisboa. Com a ausência de Bolsonaro, cujo passaporte segue apreendido pela Polícia Federal, o evento foi cancelado.

Espanha

Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita VOX
Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita VOX Imagem: Thomas Coex/AFP

Santiago Abascal (Vox), 48 anos

Fundou o Vox em 2013, após anos de militância no Partido Popular. Abascal chegou a se referir ao PP como “direita covarde” e acusou seu antigo partido de ser “muito brando”. Desde 2019, o Vox é a terceira força política no Parlamento espanhol e se apresenta de “mão estendida” ao PP com o objetivo de tirar do governo o socialista Pedro Sánchez, que está no poder desde 2018.

Critica os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco. Agora, após reorganizar a extrema direita na Espanha, o líder do Vox frequentemente acusa a esquerda de querer “dividir os espanhóis”, resgatando a memória das vítimas da ditadura de Francisco Franco, e de ter “profanado” o túmulo do general, exumado em 2019 pelo governo Sánchez. Abascal costuma contar que seu pai, que foi vereador do PP, escapou de três tentativas de assassinato pelo grupo separatista ETA.

Fez elogios a Milei, que criou crise diplomática com a Espanha. Em maio, durante a convenção anual do Vox, Abascal chamou o presidente argentino de “nossa estrela brilhante”. Neste mesmo evento, do qual também participaram Le Pen e Meloni, Milei fez críticas a Pedro Sánchez e chamou sua esposa, a primeira-dama Begoña Gómez, de corrupta. Em resposta, a Espanha retirou sua embaixadora na Argentina de forma definitiva.

‘Sinal de alerta’

Nova extrema direita é ‘digital’ e investe nos mais jovens. Esses líderes rejeitam a imprensa tradicional e costumam usar as redes sociais como principal meio de comunicação, aproveitando-se de discursos enfáticos para gerar engajamento e atrair seguidores novos — e mais jovens —, segundo explica ao UOL Filipe Savelli Pereira, pesquisador do Laboratório de História das Interações Políticas e Institucionais da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).

Políticos se inspiram em nomes tradicionais, mas pregam renovação. Além disso, segundo Pereira, os representantes da nova extrema direita enxergam os líderes mais antigos, como o premiê húngaro Viktor Orbán e o presidente turco Recep Tayyip Erdo?an, como fracos. “Para eles, a ‘velha’ extrema direita demonstrou fraqueza ao se abrir para o diálogo [com outros partidos]”, diz o pesquisador.

Eleição na França pode dar sinalizações sobre o futuro da Europa. Embora as eleições europeias tenham feito o mundo ligar um sinal de alerta, são as eleições legislativas na França, marcadas para 30 de junho e 7 de julho, que devem mostrar se o avanço da extrema direita é uma tendência ou um movimento pontual. “O Bardella é uma potência midiática. Talvez nunca o partido da Le Pen tenha tido um candidato tão palatável”, analisa Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Esses candidatos [da extrema direita] aparecem muito na internet. No contexto europeu, assim como no Brasil, a esquerda também está velha, desgastada, ineficiente e, acima de tudo, com uma linguagem inadequada, muito acadêmica. A esquerda não tem lugar na rede social muito por conta de sua linguagem.
Filipe Savelli Pereira, da Ufes

O que vai vir daqui para frente depende dessa eleição de agora [na França]. Se o partido de Le Pen consegue eleger um primeiro-ministro, tudo muda. É difícil saber. Mas fato é que, se Marine Le Pen chega ao poder – e imagino que eles vão tentar fazer um bom governo para usar de propaganda -, isso estimula outros países. Você anima um pouco esse grupo [da extrema direita].
Leonardo Paz, da FGV

Informações UOL


Reprodução/X

Em um movimento surpreendente, o embaixador russo em Buenos Aires, Dmitri Feoktistov, expressou a “profunda decepção” de Vladimir Putin com o posicionamento de Javier Milei ao lado da Ucrânia. Segundo informações do site O Antagonista, Feoktistov destacou a preocupação russa com as negociações da Argentina para adquirir tanques da Alemanha e aviões da França, comparando-as ao acordo de defesa com a Ucrânia. O embaixador russo advertiu que tais ações seriam vistas como hostilidades pela Rússia.

O diplomata russo fez um apelo a Milei para que mantenha a Argentina neutra no conflito, preservando assim as relações amigáveis entre os dois países, que historicamente têm resistido às mudanças políticas.

Na última sexta-feira, o governo argentino marcou presença pela primeira vez na reunião do Grupo de Defesa da Ucrânia e foi oficialmente incluído no Grupo Ramstein, uma coalizão de 57 nações que apoiam a Ucrânia contra a invasão russa.

Luis Petri, ministro da Defesa argentino, foi calorosamente recebido pelo secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, em Bruxelas. A participação argentina no encontro foi criticada pelo embaixador russo.

No sábado seguinte, Volodymyr Zelensky e Javier Milei se encontraram na Suíça para uma cúpula da paz. Zelensky homenageou Milei por seu apoio à soberania ucraniana e expressou gratidão pela solidariedade latino-americana no caminho para a paz.

Informações TBN


Doral (Usa), 07/04/2024.- Former US President Donald Trump attends the final of the LIV Golf Team Championship celebrated at the Trump National Doral in Doral, Florida, USA, 07 April 2024. EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

O ex-presidente Donald Trump revelou que já tem “uma boa ideia” de quem será seu companheiro de chapa para a eleição presidencial de 2024, mas a escolha provavelmente será anunciada apenas durante a Convenção Nacional Republicana, que ocorrerá entre 15 e 18 de julho em Milwaukee.

Em entrevista à Fox News na sede do Comitê Nacional Republicano, Trump foi questionado se o seu escolhido estava presente nas reuniões. “Provavelmente. Não quero me comprometer, mas acho que o anúncio será durante a convenção”, respondeu Trump. “Há algumas pessoas boas e temos algumas opções muito boas”, completou ele.

Entre os possíveis nomes mencionados está o do governador da Virgínia, Glenn Youngkin. “Eu poderia considerá-lo, sim. Ele estaria nessa lista”, afirmou Trump.

A jornalista Aishah Hasnie também perguntou a Trump sobre suas impressões a respeito do presidente Joe Biden como pai, em meio à condenação de Hunter Biden por acusações federais relacionadas a armas. Trump comentou sobre a seriedade do assunto, comparando-o a situações semelhantes em famílias que enfrentam problemas com drogas e álcool.

Hunter Biden foi condenado na semana passada por três acusações relacionadas à compra de um revólver em 2018, quando mentiu ao dizer que não usava drogas de forma ilegal. O presidente Biden afirmou que não usará seus poderes presidenciais para apelar contra a condenação de seu filho e expressou orgulho pela resiliência de Hunter em sua recuperação.

Trump insinua escolha de vice

Foto: Reprodução

Mais tarde na entrevista, Trump afirmou que não foi convidado a endossar a candidatura do ex-governador de Maryland, Larry Hogan, para o Senado dos EUA, mas manifestou seu apoio. “Gostaria de vê-lo vencer, acho que ele tem uma boa chance”, declarou Trump.

Essas revelações marcam um momento crucial na preparação para a eleição presidencial de 2024, com Trump mantendo o suspense sobre a escolha de seu vice, o que pode influenciar significativamente a dinâmica da campanha eleitoral republicana.

Informações TBN