A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) negou pedidos para manter um minuto de silêncio antes do início da partida entre Israel e Polônia em homenagem às vítimas do atentado feito pelo Hamas em 7 de outubro. Em resposta, os jogadores sub-21 de ambas as seleções ficaram parados no primeiro minuto da partida em respeito às vítimas.
De acordo com o Times of Israel, o fato ocorreu na cidade polonesa Lódz, neste sábado (18). A UEFA não se manifestou sobre o assunto até o momento e também não apresentou uma explicação por recusar as homenagens, como fez nas categorias profissionais.
Após sete horas de atraso, 13 israelenses, sendo oito crianças e cinco mulheres, e sete estrangeiros, cujas nacionalidades não foram divulgadas, foram libertadas pelo Hamas neste sábado, como parte do cessar-fogo entre Israel e grupo terrorista palestino. A libertação do segundo grupo de reféns ocorreu após mediação do Catar, depois que o Hamas acusou Israel de “não cumprir os termos do acordo de trégua”, em vigor desde sexta-feira.
O Hamas também divulgou a lista de 39 prisioneiros que serão libertados em troca: serão seis mulheres e 33 menores de idade.
O entrave se deu após as Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, acusarem Israel de não permitir “a entrada de caminhões de ajuda humanitária no norte da Faixa de Gaza”, indicou o grupo em um comunicado no Telegram, questionando também os critérios de seleção para a libertação dos presos palestinos. Segundo o Hamas, dos 340 caminhões de ajuda que entraram em Gaza desde sexta-feira, apenas 65 teriam chegado ao norte do enclave palestino, menos da metade do acordado.
Israel, por sua vez, chegou a ameaçar “retomar as operações de guerra” se o Hamas não cumprisse o acordo e soltasse os reféns até a meia-noite deste sábado (19h no horário de Brasília), disse o jornal israelense Ynet. Ainda segundo a publicação, Israel alegou que a demora na entrada de ajuda no enclave palestino teria ocorrido devido ao tamanho reduzido do cruzamento de Kerem Shalom, na fronteira entre Israel, Gaza e o Egito.
Após horas de espera, o Catar e o Egito — que estão envolvidos diretamente no acordo entre Israel e o Hamas, juntamente com os Estados Unidos — mediaram as negociações e os reféns puderam, enfim, ser entregues ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
— Após um atraso na implementação da libertação de prisioneiros de ambos os lados, os obstáculos foram superados por meio de comunicações entre o Catar e o Egito com ambas as partes, e esta noite 39 civis palestinos serão libertados em troca da libertação de 13 detentos israelenses de Gaza, além de 7 estrangeiros fora do contexto do acordo — afirmou o porta-voz do Catar, Majed al-Ansari, horas antes da libertação.
Originalmente, o grupo teria 14 israelenses, em troca de 42 prisioneiros, mas a imprensa local já havia alertado mais cedo que os números poderiam ser reduzidos após entraves nas negociações com o Hamas. Ainda não há informações oficiais sobre o motivo das mudanças.
Mais cedo, pouco antes do comunicado do Hamas, fontes das Forças Armadas de Israel teriam afirmado a veículos de imprensa, como o jornal israelense Hareetz, a CNN americana e a agência AFP, que os reféns já haviam sido enviados para a Cruz Vermelha (CICV), iniciando o processo de transferência. Porém, poucos minutos depois, autoridades israelenses confirmaram à AFP que isso não havia ocorrido.
Por outro lado, uma fonte próxima ao Hamas afirmou à agência que o atraso se deu depois que o segundo grupo de reféns foi entregue ao CICV, mas que teria sido “parado em Khan Younis”, no Sul da Faixa de Gaza, “e não conseguiu partir para Rafah”, a passagem fronteiriça com o Egito.
Na sexta-feira, o Hamas entregou um primeiro grupo de 13 reféns israelenses — além de 10 tailandeses e um filipino que não faziam parte do acordo inicial — ao CICV para serem levados a Israel através do Egito. Por seu lado, Israel libertou 39 prisioneiros palestinos, um grupo composto por mulheres e menores de 18 anos.
A trégua de quatro dias, conquistada na quarta-feira, prevê a libertação de um total de 50 reféns israelenses, dos mais de 200 cativos em Gaza, e de 150 palestinos presos em Israel. Esta pausa nos combates inclui também a entrada humanitária e de combustível em Gaza.
Os militares da China afirmaram neste sábado, 25, que o navio destróier norte-americano USS Hopper, uma embarcação de guerra, adentrou em águas territoriais chinesas sem autorização do governo.
Conforme uma publicação na conta oficial do WeChat do Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação do Povo Chinês, as forças militares estão mobilizando recursos navais e aéreos para monitorar e alertar o navio.
Tensões entre o Mar da China
Essa informação surge depois de o gigante asiático acusar as Filipinas de recrutarem “forças estrangeiras” para patrulhar o Mar da China Meridional. Tratar-se de uma referência às operações conjuntas que filipinos e norte-americanos realizaram na terça-feira.
Em comunicado, os militares chineses ainda afirmaram que o incidente “comprova que os Estados Unidos representam um verdadeiro ‘criador de riscos de segurança’ no Mar da China Meridional”.
No início do mês, Estados Unidos e China mantiveram diálogos sobre questões marítimas.
O principal avanço da reunião foi a retomada do contato entre os setores militares de ambos os países, proporcionando a reabertura para que os líderes possam voltar a dialogar diretamente.
O fechamento unilateral por parte da China desses canais, em meio ao aumento das interceptações de navios e aviões americanos em zonas internacionais próximas de Pequim, representava uma das principais preocupações de Washington.
Relação foi enviada ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu; não foi divulgado o nome e quantas pessoas serão libertadas
O governo de Israel recebeu os nomes da segunda lista de reféns que serão libertados pelo Hamas no sábado 25 | Foto: Reprodução/X/Twitter
O governo de Israel recebeu nesta sexta-feira, 24, os nomes da segunda lista de reféns que serão libertados pelo Hamas. Segundo o jornal Times of Israel, a relação já foi enviada ao gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A informação foi divulgada pelo perfil em hebraico do gabinete do primeiro-ministro no X (antigo Twitter).
לשכת ראש הממשלה:
במוסד ובצה"ל קיבלו את רשימת החטופים שאמורים להשתחרר מחר בהמשך למתווה.
Os nomes e o número de pessoas que serão resgatadas ainda não foram divulgados publicamente.
A lista está sob verificação das Forças de Defesa de Israel e do serviço de Inteligência israelense, o Mossad.
A estimativa é que os novos reféns sejam libertados no sábado 25 antes das 11 horas (horário de Brasília), de acordo com o jornal israelense Haaretz. Em seguida, o grupo seguirá para os arredores de Tel-Aviv.
As Forças de Defesa de Israel e o serviço de inteligência israelense, o Mossad, verificam a segunda lista de reféns que serão soltos pelo Hamas | Foto: Reprodução/X/Twitter
Reféns em Israel
Mais cedo, o grupo terrorista soltou 24 pessoas, sendo 13 mulheres e crianças israelenses, 10 tailandeses e 1 filipino.
Os reféns libertados nesta sexta-feira, 24 foram levados para hospitais em Israel para realizarem exames médicos e se encontrarem com familiares.
Como contrapartida, Israel liberou 39 prisioneiros palestinos, entre mulheres e adolescentes, como parte do acordo de cessar-fogo de quatro dias.
O jornal Times of Israel também publicou que, depois de receber a lista, o governo israelense comunicou as famílias dos reféns.
A emissora Canal 12 de Israel afirmou que a nova leva conta com 13 nomes, assim como ocorreu nesta sexta-feira, 24. Porém, algumas crianças foram incluídas pelos terroristas de última hora, o que deve aumentar o número de libertados no sábado 25.
O gabinete do primeiro-ministro cobrou a imprensa local para evitar a divulgação do nome das pessoas que serão libertadas até que estejam em segurança no território israelense.
Horas antes da pausa no conflito, as FDI também destruíram uma rede de túneis no Hospital Al-Shifa
O comandante do Hamas foi morto junto com outro terrorista do grupo durante um ataque aéreo noturno, em Khan Younis, na Faixa de Gaza | Foto: Reprodução/Rede Social/Força Aérea de Israel
As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram, nesta quinta-feira, 23, que mataram o comandante das forças navais do Hamas, Amar Abu Jalalah. A eliminação do terrorista aconteceu horas antes do início da pausa temporária na guerra, em meio ao acordo de libertação dos reféns.
O exército israelense informou que o comandante do Hamas foi morto junto com outro membro das forças navais do grupo terrorista, durante um ataque aéreo noturno, em Khan Younis, na Faixa de Gaza.
De acordo com as Forças de Israel, Jalalah era “um operativo sênior nas forças navais do Hamas e estava envolvido na direção de vários ataques terroristas por mar que foram frustrados (por Israel).”
Operação terrestre em Jabalya
Na mesma noite, as tropas da Brigada Nahal, em ação terrestre, descobriram um túnel do Hamas dentro de uma mesquita e lançadores de foguetes próximos a residências. A ação aconteceu durante operações no campo de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza. Segundo as FDI, os soldados israelenses entraram em confronto com os membros do Hamas nos arredores da cidade palestina.
Túneis do Hamas destruídos antes do cessar-fogo
The IDF says it demolished the tunnel discovered under Shifa Hospital and completed its deployment on the ceasefire lines in the last hour. It also release footage showing tunnels being destroyed and recent strikes against Hamas. pic.twitter.com/a5zCTWXAsp
Também nesta sexta-feira, 24, as FDI divulgaram a destruição de uma rede de túneis do Hamas na área do hospital Al-Shifa, horas antes da pausa temporária no combate para a libertação dos primeiros reféns.
“Durante o último dia e a noite, as tropas das FDI no solo, no ar e no mar continuaram a atacar alvos terroristas, a operar diferentes áreas para localizar estruturas suspeitas”, disseram.
Os preparativos operacionais para a condução do cessar-fogo com o Hamas começaram às 7h no horário local (2h em Brasília). A trégua nos confrontos será de 4 dias. O primeiro grupo de reféns envolvidos nas negociações desse acordo de libertação serão entregues às 16h no horário local (12h em Brasília).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira, 23, que solicitou mais informações ao governo da China sobre um crescimento nos casos de doenças respiratórias e de agrupamentos de casos pneumonia entre crianças do país.
“Desde meados de outubro, o norte da China relatou um aumento de doenças semelhantes à gripe em comparação com o mesmo período dos três anos anteriores”, disse a organização.
A Comissão Nacional de Saúde da China relatou no dia 13 de novembro um aumento na incidência de doenças respiratórias no país.
Já na terça-feira 21, veículos da mídia local e o Programa de Monitoramento de Doenças Emergentes da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas “relataram aglomerados de pneumonia não diagnosticada em crianças no norte da China”.
Segundo a OMS, ainda “não está claro” se os dois eventos estão relacionados e solicitou informações epidemiológicas e clínicas adicionais e resultados laboratoriais das crianças que apresentaram doenças respiratórias.
O governo chinês atribui o crescimento de casos de doenças respiratórias ao fim das restrições impostas para conter a covid-19 no país | Foto: Reprodução/YouTube
OMS solicitou dados sobre doenças respiratórias
A organização solicitou ao governo chinês mais informações sobre as tendências recentes na circulação de agentes patogênicos conhecidos, incluindo gripe, Sars-CoV-2 (vírus causador da covid-19), vírus sincicial respiratório eMycoplasma pneumoniae(infecção bacteriana comum que normalmente afeta crianças).
“A OMS também está em contato com médicos e cientistas através das nossas parcerias e redes técnicas existentes na China”, declarou em comunicado.
China atribui casos a fim de restrições anti-covid
Em declaração feita em 13 de novembro, as autoridades chinesas atribuíram o aumento dos casos de doenças respiratórias ao fim das restrições impostas para conter a covid-19 e à circulação de agentes patogênicos conhecidos.
A China manteve a política conhecida como “covid zero”, que foi marcada porlockdownse quarentenas rigorosas, testes em massa e rastreamento de contatos rigoroso.
As medidas anti-covid também limitam a propagação de germes mais comuns, o que, segundo especialistas, cria uma “lacuna de imunidade” que pode tornar as pessoas mais vulneráveis a infecções quando deixam de tomar tais precauções.
O debate se imperador romano Heliogábalo era trans dividiu os acadêmicos
Um museu deve renomear sua exposição sobre um imperador romano depois de concluir que ele era, na verdade, uma mulher trans.
O Museu North Hertfordshire agora se referirá ao imperador Heliogábalo com os pronomes femininos ela e dela.
Isso ocorre depois que textos clássicos afirmam que o imperador disse uma vez “não me chame de senhor, pois sou uma senhora”.
Um porta-voz do museu disse que seria “educado e respeitoso ser sensível à identificação de pronomes para pessoas do passado”.
O museu possui uma moeda de Heliogábalo, que é frequentemente exibida entre outros itens LGBTQIA+ de seu acervo.
O porta-voz disse que a instituição de caridade LGBTQIA+ Stonewall foi consultada para garantir que “as exibições, a publicidade e as palestras sejam tão atualizadas e inclusivas conforme for possível”.
Marco Aurélio Antonino, mais conhecido como Heliogábalo, governou o Império Romano por apenas quatro anos, de 218 DC até seu assassinato, aos 18 anos, em 222 DC.
Ele se tornou uma figura cada vez mais controversa durante seu curto reinado, desenvolvendo uma reputação de promiscuidade sexual.
Cassius Dio, senador e contemporâneo de Heliogábalo, escreve em suas crônicas históricas que o imperador foi casado cinco vezes – quatro vezes com mulheres, e uma vez com Hiercoles, um ex-escravizado e cocheiro.
Nesse último casamento, Dio escreve que o imperador “foi concedido em casamento e foi denominado esposa, amante e rainha”.
O museu North Hertfordshire tem uma moeda de Heliogábalo em sua coleção LGBTQ+
O debate sobre a identidade de gênero de Heliogábalo é antigo e muitas vezes divide os acadêmicos.
Shushma Malik, professor de clássicos da Universidade de Cambridge, disse à BBC que “as palavras que Dio usa não são uma citação direta de Heliogábalo e, no momento em que este artigo foi escrito, o imperador estaria no início da adolescência”.
“Há muitos exemplos na literatura romana de épocas em que linguagem e palavras efeminadas eram usadas como forma de criticar ou enfraquecer uma figura política.”
“Referências a Heliogábalo usando maquiagem, perucas e removendo pelos do corpo podem ter sido escritas para minar o impopular imperador.”
Malik acrescentou que embora os romanos estivessem conscientes da fluidez de gênero, e existam exemplos de pronomes alterados na literatura, “era geralmente usado em referência a mitos e religião, em vez de descrever pessoas vivas”.
No entanto, o vereador Keith Hoskins, membro executivo de Empresas e Artes do North Herts Council, disse que textos como o de Dio fornecem evidências “de que Heliogábalo definitivamente preferia o pronome ‘ela’ e, como tal, isso é algo que refletimos ao discuti-la nos tempos contemporâneos, como acreditamos ser uma prática padrão em outros lugares.”
“Sabemos que Heliogábalo se identificou como mulher e foi explícito sobre quais pronomes usar, o que mostra que os pronomes não são uma coisa nova”, acrescentou.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, nesta terça-feira (21/11), estar “fazendo progressos” em relação ao retorno dos reféns que estão com o grupo terrorista Hamas. As declarações do político israelense vêm no dia em que líderes do Hamas falaram da proximidade de um acordo de trégua entre os lados.
“Não vou exagerar com palavras, mas espero que haja boas notícias em breve. Restauraremos a segurança tanto no norte como no sul. Agradeço a todos os soldados do fundo do meu coração”, discursou Netanyahu a militares das Forças de Defesa de Israel (FDI).
Por outro lado, altos funcionários israelenses afirmaram para a mídia local de que há uma forte possibilidade de esse acordo fechado no Catar comece a funcionar nas próximas horas. E alguns reféns sejam libertados imediatamente.
Liberações de reféns a que Netanyahu se refere
O acordo proposto envolve a libertação de aproximadamente 50 crianças e mães israelenses, em troca de um cessar-fogo de quatro ou cinco dias. Segundo informações que chegam do Catar, seriam liberados três prisioneiros palestinos para cada refém israelense.
Além disso, a expectativa é que o fornecimento de combustível e outros tipos de assistência sejam liberados na Faixa de Gaza.
O Brasil, por meio de sua diplomacia, busca cooperar para uma solução pacífica na disputa entreVenezuelae Guiana pela área da Guiana Essequiba. Num movimento que pode comprometer a estabilidade do continente, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, convocou umreferendo sobre a anexação da região, que representa metade do território guianense.
Fontes dentro do governo brasileiro ouvidas pelo portalMetrópolesafirmaram que o país “defende uma solução pacífica a essa controvérsia” e que busca “relembrar o compromisso de consolidação de uma Zona de Paz e Cooperação entre os Estados americanos”.
Apesar da tensão crescente, o Itamaraty ainda trata do assunto de maneira reservada com os envolvidos e com outros atores regionais, tentando evitar que o debate público esquente ainda mais.
O clima está ruim entre os dois países envolvidos. Nas redes sociais, o líder venezuelano, que vive a pressão internacional para participar de eleições livres, tem feito publicações em defesa da incorporação de parte do país vizinho.
“Acreditamos profundamente no diálogo e no acordo baseados no respeito do direito inalienável e histórico que temos como Povo. A Guiana Essequiba nos pertence por herança e séculos de luta e sacrifício. Vamos construir a verdadeira paz e prosperidade para os nossos meninos e meninas”, escreveu Maduro sobre a região, que é rica em recursos como petróleo.
Dilema internacional
A situação na América do Sul é acompanhada pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), que se reuniu na última semana no Palácio da Paz — sede do tribunal em Haia, Holanda — para ouvir as representações das duas nações. O agente guianense na audiência, Carl B. Greenidge, repudiou a realização da votação nacional convocada pelo governo venezuelano.
“O referendo que a Venezuela marcou para 3 de dezembro de 2023 foi concebido de modo a obter um apoio popular esmagador, rejeitar a jurisdição e antecipar um julgamento futuro. Ao fazê-lo, querem minar a autoridade e a eficácia do principal órgão judicial”, disse o representante da Guiana.
Em resposta, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, acusou a Guiana de “colonialismo judicial” por ter recorrido contra a anexação no tribunal internacional. “Viemos derrotar a pretensão do colonialismo judicial da Guiana, que instrumentaliza esta Corte para frear o que não pode ser interrompido. No dia 3 de dezembro, os venezuelanos votarão”, prometeu a venezuelana.
O processo com os dois países tramita na CIJ desde 2018, mas ganhou importância e celeridade devido à convocação da votação na Venezuela.
Resultado antecipado
Em entrevista aoMetrópoles, o professor Alcides Cunha Costa Vaz, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), avalia que o referendo convocado por Maduro tem alta chance de ser aprovado.
“A probabilidade de passar é muito elevada. A Venezuela caminha para eleições gerais em 2024. E essa é uma demanda histórica do país. Se você ver os mapas venezuelanos, a região aparece listrada e é chamada de ‘zona de reclamação’. Algo assim pode unir a população. E as cinco perguntas do referendo são no sentido de endossar a incorporação”, comentou.
Além disso, o acadêmico pontua que a Venezuela não reconhece o Tribunal Internacional de Justiça como instância competente ao julgamento do processo, o que dificulta as tentativas de negociação. “Mesmo que uma decisão prospere na Corte, ela jamais será reconhecida [pela Venezuela]”, afirmou.
Guerra da Ucrânia… na América do Sul?
Diante da escalada de tensões, uma das preocupações levantadas é que um cenário semelhante ao do conflito Rússia e Ucrânia aconteça novamente, só que na América do Sul. Vaz comenta que essa também não é uma alternativa distante.
Do lado guianense, há forte apoio dosEstados Unidos, que visa proteger interesses comerciais. “Em 2022, a Guiana ofereceu pontos de exploração de petróleo nas águas rasas do território. Uma das primeiras candidatas foi a petrolífera Exxonmobil. O governo americano respalda esse interesse, com sinalização clara da embaixada em Georgetown (capital da país sul-americano) de cooperação militar”, explicou Costa Vaz.
Em declaração recente, a nova embaixadora dos EUA no país, Nicole Theriot, reiterou a perspectiva de presença militar estadunidense. “[…] trabalharemos para apoiar nossa parceria bilateral, melhorar os objetivos de segurança mútua, enfrentar ameaças transversais e promover a segurança regional”, declarou a diplomata norte-americana.
Do lado venezuelano, a Rússia, principal fornecedor de armamento do país, também observa a região. “Durante a administração Trump, nos EUA, quando foi ventilada a possibilidade de uma intervenção estadunidense, o governo russo pousou dois bombardeiros em Caracas (capital da Venezuela) e deixou clara sua oposição. Aqui temos algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, o que é de interesse russo”, relembrou Vaz.
Num cenário de superpotências de lados opostos em um conflito militar, até mesmo o Conselho de Segurança das Nações Unidas ficaria de mãos atadas. Isso acontece, porque junto com China, França e Reino Unido; EUA e Rússia fazem parte dos assentos permanentes, que têm poder de veto. Isso lhes permite barrar resoluções, independente do apoio da comunidade internacional. Assim, há margem para que bloqueiem medidas, mesmo que essas estejam no sentido de cessar o enfrentamento.
E o Brasil?
Apesar de a discussão não envolver diretamente oBrasil, analistas políticos afirmam que a disputa pode fazer com que o Itamaraty tenha que assumir posicionamento mais contundente. Do contrário, a escalada das tensões poderia afetar regiões próximas, como avalia André César, cientista político da Hold Assessoria.
“São vizinhos, que sempre tiveram uma relação pacífica conosco. Então, um eventual embate entre os dois se tornaria um problema que poderia respingar nas populações próximas e na nossa própria política. É um assunto que, literalmente, bate à porta. Lembre-se do caso de venezuelanos entrando aqui via Roraima. Tudo que é assunto fronteiriço é delicado. Não tem como escapar dessa”, avalia.
Entretanto, essa visão não é unânime. Outros especialistas entendem que o Brasil não tende a ser diretamente afetado. “A controvérsia já se estende há anos e o nunca tomamos uma posição muito clara, além, claro, da tendência histórica da diplomacia de dar ênfase à resolução pacífica dos conflitos”, diz Nicholas Borges, analista de política internacional da BMJ Consultores Associados.
Paz estratégica
“Há interesse brasileiro em jogo também. A recuperação venezuelana beneficiaria o comércio bilateral e, além disso, daria margem a investimentos bilaterais no setor petrolífero”, pontua o professor Alcides Cunha Costa Vaz.
O plano brasileiro é relembrar o compromisso de se estabelecer uma Zona de Paz e Cooperação — tratado iniciado pelo Brasil que tem como objetivo promover cooperação regional e a manutenção da paz na região do Atlântico Sul.
No entanto, há temor de que isso não seja o suficiente. “A diplomacia brasileira precisaria ir além dessa narrativa, reforçando que a eventual anexação poderia prejudicar as negociações que a Venezuela vem tratado com os Estados Unidos sobre os embargos econômicos”, comentou Borges.
O ministro da Economia e derrotado nas eleições presidenciais Sergio Massa informou na tarde desta segunda-feira (20) que seguirá no cargo. A declaração foi feita após reunião do ministro com toda a equipe econômica.
Na nota, o ministro Sergio Massa informa que segue à frente do Ministério. A frase tenta aplacar os rumores — ouvidos desde a noite de domingo (19) — de que ele poderia pedir licença do cargo nos últimos dias do governo atual.
Massa colocou à disposição do presidente Alberto Fernández uma equipe de transição para o novo governo de Javier Milei.
Segundo o Ministério da Economia, foram escolhidos Gabriel Rubinstein (secretário de Política Econômica), Leonardo Madcur (chefe dos assessores do Ministério) e Raul Rigo (secretário de Fazenda). Pelo Banco Central, a transição será feita pelo próprio presidente, Miguel Pesce.