O Reino Unido iniciou nesta terça-feira (8), a campanha de vacinação da população contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pala alemã BioNTech. O país é o primeiro a iniciar a vacinação em massa com o imunizante desenvolvido pelas duas empresas.
A primeira pessoa a se vacinar foi a idosa Margaret Keenan, de 90 anos, que afirmou se sentir “privilegiada” pelo fato. Margaret também chamou a imunização de “presente de aniversário antecipado” e disse que agora vai poder passar mais tempo com a família.
– Sinto-me muito privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19. É o melhor presente de aniversário antecipado que eu poderia desejar porque significa que posso finalmente esperar passar um tempo com minha família e amigos no Ano Novo, depois de estar sozinha na maior parte do ano – disse.
Maiores de 80 anos, funcionários de saúde na linha de frente e funcionários e moradores de casas de repouso terão prioridade na primeira fase da vacinação. A imunização dos britânicos com mais de 50 anos, além dos adultos com alguma doença pré-existente, deve acontecer em 2021.
A vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a empresa BioNTech, é uma das quatro que estão sendo testadas no Brasil. O país ainda não fez acordo para adquirir a vacina, mas, em meados de novembro, o governo recebeu executivos da Pfizer para, segundo o Ministério da Saúde, “conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento”.
Em votação esvaziada e somente 31% do eleitorado comparecendo às urnas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, venceu as eleições parlamentares do país, realizadas no domingo (6).
Segundo os resultados iniciais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no início da madrugada desta segunda (7), a coligação de partidos governistas Grande Polo Patriótico obteve 67,7% dos votos e terá a maioria dos assentos na Assembleia Nacional.
A posse dos novos deputados será em 5 de janeiro “O povo, enfrentando todas as dificuldades, saiu para eleger a sua Assembleia Nacional”, afirmou Maduro em pronunciamento após a divulgação dos resultados.
Na comparação com as últimas eleições parlamentares, em 2015, a queda foi brusca. Segundo a Folha de S.Paulo, na época, 71% da população participou da votação.
A vacinação contra a covid-19 começará a ser realizada no Reino Unido na próxima terça-feira (8). É o que anunciou o ministro da Saúde inglês, neste domingo (6). Na semana passada, o governo britânico já havia comunicado a aprovação do imunizante desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer em parceria com o laboratório de biotecnologia alemão BioNTech.
O ministro destacou que o início da imunização da população, chamado de “Dia V”, representará um “momento histórico”. Neste primeiro momento, a campanha de vacinação priorizará idosos maiores de 80 anos, profissionais de saúde que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus, residentes e funcionários de asilos. O Reino Unido, infelizmente, detém a marca do país mais afetado da Europa pelo novo vírus, com 1,7 milhão de casos e mais de 60 mil mortes.
Além disso, segundo os jornais britânicos Sunday Times e Mail on Sunday, a rainha Elizabeth II, 94, e o príncipe Philip, 99, deverão ser um dos primeiros a serem vacinados por causa das idades avançadas. Com o gesto, além de se imunizarem contra a covid-19, os monarcas também teriam a intenção de estimular o maior número possível de súditos a se vacinar, preocupação manifestada pelo governo de Boris Johnson.
O Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS) informou que “hubs” serão instalados em mais de 50 hospitais espalhados por toda a Inglaterra. O governo destaca que a previsão é de que tal plano seja replicado e milhares de centros de vacinação sejam implementados.
O Reino Unido aprovou a vacina contra a Covid-19 das farmacêuticas Pfizer e Biontech e prevê iniciar a vacinação na semana que vem. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (2) pelo ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, que classificou a notícia como “fantástica”.
“No início da próxima semana, começaremos um programa de vacinação de pessoas contra Covid-19 aqui neste país”, disse ele à rede Sky News.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que a aprovação da vacina contra o coronavírus da parceria Pfizer e BioNTech vai resgatar vidas e a economia do país.
“É a proteção das vacinas que vai finalmente nos trazer de volta às nossas vidas e fazer a economia andar novamente”, escreveu em uma rede social.
O Reino Unido anunciou que um primeiro lote com 10 milhões de doses será disponibilizado pelo NHS, serviço público de saúde britânico, ainda em 2020. Profissionais da saúde estarão entre os primeiros a serem vacinados – as campanhas acontecerão em hospitais, por conta do armazenamento do imunizante.
Na terça-feira (1º), o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, disse que o governo brasileiro deseja um imunizante que possa ficar armazenado em temperaturas de 2ºC a 8ºC, pois essa é a temperatura da rede de frio usada no sistema de vacinação brasileiro.
Em entrevista à GloboNews, o infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri comemorou a aprovação e disse que é um marco na história do desenvolvimento de vacinas – mas também reconheceu o armazenamento e transporte da vacina como um desafio.
“Uma das limitações é o transporte, por conta do congelamento, mas o fabricante tem estudado alternativas, com gelo seco, em que ela pode ficar fora de freezers por até 15 dias”, disse Kfouri.
O especialista disse que o preço também pode ser m impeditivo para a aplicação em massa no país, uma vez que a vacina da Pfizer é, segundo estimou, até 5 vezes mais cara que a vacina de Oxford, que será produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A Rússia começou a imunizar a população contra covid-19 nesta segunda-feira (30), antes da conclusão da fase 3 de testes da Sputnik V. O primeiro lote da vacina foi liberado para o Hospital Central de Domodedovo, em Moscou, de acordo com a Reuters.
Na última terça-feira (24), o governo russo confirmou que o imunizante apresentou 92% de eficácia após a aplicação da segunda dose. No entanto, os resultados do ensaio clínico ainda não foram publicados em revistas científicas nem revisados por outros médicos, deixando a pesquisa em aberto.
Mesmo sem a revisão do imunizante desenvolvido pelo centro de pesquisas Gamaleya, o presidente Vladmir Putin determinou o início da vacinação de mais de 400 mil soldados do exército da Rússia. Agora, o produto começa a ser disponibilizado aos civis, no momento em que o número de casos volta a crescer no país.
Segundo a agência de notícias, os interessados em se proteger contra o novo coronavírus, nesta primeira etapa, precisam se registrar em um sistema do governo, além de apresentar documentos no momento da aplicação e o resultado de um teste de covid-19, confirmando não ter sido infectado pelo Sars-CoV-2.
A piscina mais profunda do mundo foi inaugurada no último sábado na cidade polonesa de Mszczonow, perto da capital Varsóvia. A piscina, chamada ‘Deepspot’, tem 45,4 metros de profundidade e 8 mil metros cúbicos de água, que corresponde a mais de vinte vezes o volume de uma piscina padrão de 25 metros de comprimento.
O local apresenta reproduções de cavernas subaquáticas e ruínas maias, além de um pequeno naufrágio que pode ser explorado. Ao contrário das piscinas comuns, o complexo ‘Deepspot’ poderá receber nadadores e mergulhadores durante a pandemia COVID-19, visto que é considerado um centro de treinamento para mergulhadores.
“Não há peixes bonitos ou recifes de coral aqui, então não é um substituto para o mar, mas é realmente um bom lugar para aprender e treinar a fim de mergulhar com segurança”, disse Przemyslaw Kacprzak mergulhador de 39 anos e instrutor que esteve entre os presentes na inauguração da piscina.
Mergulhador nada na Deepspot – Foto: Wojtek Radwanski/AFP
A piscina também vai ser usada por bombeiros e pelo exército. A construção durou dois anos e custou 40 milhões de zlotys (€ 8,9 milhões euros). Foram utilizados cerca de 5 mil metros cúbicos de concreto e a piscina tem um túnel subaquático para os espectadores.
Cerca de 1.100 toneladas de aço estão sendo usadas para reforçar sua estrutura, que inclui um “buraco azul”, um túnel construído para o nível mais profundo. Os não-nadadores também podem aproveitar a atração, que além do túnel subaquático, terá salas de conferências, aulas de treinamento e hotéis com vista para a piscina.
Apesar de seu imenso tamanho, a ‘Deepspot’ está prestes a perder sua coroa em breve, já que uma nova piscina de 50 metros de profundidade, chamada ‘ Abyss ‘, está programada para abrir na região de Merseyside, no norte da Inglaterra no ano que vem.
John Vickers, diretor-gerente da Blue Abyss, diz que seu projeto é “mais do que apenas uma piscina enorme” e que funcionará como um “centro comercial de treinamento e um centro de desempenho humano, ajudando as pessoas a atingirem o pico de sua capacidade e capacidades físicas”, comentou para a CNN.
De um lado da piscina, haverá uma grande área em forma de mesa a 12 metros que poderá abrigar, por exemplo, uma seção simulada da Estação Espacial Internacional para treinamento comercial de astronautas.
O início do velório do jogador Diego Maradona, que morreu no início da tarde de quarta-feira (25) em sua casa na cidade de Tigre, na Argentina, foi marcado por um tumulto na frente da Casa Rosada, sede do governo federal do país, que fica na capital Buenos Aires.
Segundo a imprensa argentina, houve empurra-empurra no momento da abertura das portas do local, com confusão entre os fãs do ex-jogador e alguns policiais, que chegaram a se esconder na casa do governo. Mesmo em meio à pandemia, várias aglomerações foram registradas, mas a situação se normalizou minutos depois.
Aos que foram e vão até a Casa Rosada, está sendo permitido passar rapidamente perto do caixão para se despedir do maior ídolo do futebol argentino até as 16h de hoje. A previsão é de que mais de um milhão de pessoas se dirija ao local até sábado, como havia sido anunciado pelo governo do país, mas o velório foi reduzido a pedido da família.
A realização da cerimônia na sede do governo é considerada uma grande honraria na Argentina. A última personalidade a ser velada no local foi o ex-presidente Néstor Kirchner, em 2010. Os colegas de equipe de Maradona na seleção campeã do Mundo em 1986 terão um momento a sós com o ex-atleta durante uma parte da cerimônia.
A MORTE DE MARADONA Considerado o maior jogador da história do futebol argentino, Diego Armando Maradona morreu na quarta-feira (25) aos 60 anos. Segundo o jornal argentino Clarín, Maradona sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa em Tigre, cidade que fica próxima de Buenos Aires. A autópsia preliminar feita no ex-jogador indicou morte por insuficiência cardíaca aguda.
O ex-jogador sofreu uma delicada cirurgia no cérebro no começo do mês de novembro e recebeu alta oito dias depois. O campeão mundial da Copa de 1986 passou por uma cirurgia para drenar uma pequena hemorragia no cérebro. O médico Leopoldo Luque afirmou na ocasião que a cirurgia era considerada simples, mas que havia preocupação pela condição de saúde do ex-jogador.
Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960 em Lanús, na província de Buenos Aires, e era atualmente técnico do Gimnasia y Esgrima. Apontado como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, ao lado de Pelé, o craque argentino começou a sua carreira no Argentinos Juniors, clube onde foi revelado e atuou entre 1976 e 1981.
Logo depois, jogou um ano no Boca Juniors e se transferiu para o Barcelona, onde atuou entre 1982 e 1984. De lá, foi para o Napoli, na Itália, onde ganhou uma Copa da Uefa, dois Campeonatos Italianos, uma Copa e uma Supercopa da Itália.
Na seleção argentina, Diego conquistou a Copa do Mundo de 1986, campeonato em que ele marcou o famoso gol de mão nas quartas de final contra a Inglaterra que ficou conhecido como “La Mano de Dios”, A Mão de Deus em português. Ao todo, Maradona marcou 34 gols em 91 jogos pela equipe nacional.
Um homem lutou contra um jacaré para salvar seu cachorro, na Flórida. Ao perceber que seu animal de estimação corria perigo, ele entrou no lago e abriu a boca do réptil para soltar o cão.
Apesar do susto, o cachorro não teve ferimentos graves e passa bem. A família do animal disse que não quer que nada de ruim aconteça com o jacaré, já que entende que ele estava apenas fazendo o que o precisa para sobreviver na natureza.
Um homem lutou contra um jacaré para salvar seu cachorro, na Flórida. Ao perceber que seu animal de estimação corria perigo, ele entrou no lago e abriu a boca do réptil para soltar o cão.
Apesar do susto, o cachorro não teve ferimentos graves e passa bem. A família do animal disse que não quer que nada de ruim aconteça com o jacaré, já que entende que ele estava apenas fazendo o que o precisa para sobreviver na natureza.
Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica [foto]. “Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.
Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.
Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.
Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.
“Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.
“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”
Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.
“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.
Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.
capa economia
ECONOMIA Crise na Venezuela: ‘Nunca pensei que passaria fome na velhice’ – o drama de viver com aposentadoria de R$ 7 O colapso econômico no país fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis. Víctor Salmerón – Especial para BBC News Mundo em Caracas 22 NOV 2020 15h50atualizado às 16h02 separator38COMENTÁRIOSseparator
Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país Idosos estão entre os que mais sofrem com a crise no país Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil Em 1980, a velhice era algo muito distante para Norma Mujica.
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“Eu tinha 27 anos, e dançava salsa com meu marido nas discotecas. Gostávamos muito do Oscar de León e da Célia Cruz (cantores latinos). Às vezes, comíamos comida chinesa em um restaurante, e nos fins de semana íamos à praia”, lembra ela com nostalgia.
Aos 67, seus dias passam de uma forma muito diferente do que ele imaginava. Sua aposentadoria, que começou no valor equivalente a R$ 925 ao mês, agora representa apenas R$ 7 devido à contínua desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana.
Sua casa, no topo de uma subida íngreme e mal pavimentada, tem um telhado de zinco, paredes de concreto lascadas pela umidade e decoradas com cartazes de Jesus, piso de ladrilhos e móveis com madeira lascada. Uma máquina de lavar velha, um fogão a gás e cortinas gastas preenchem o espaço.
Norma caminha lentamente, vestida com uma túnica um tanto surrada, arrastando um sapato que imita a marca Crocs, que usa com meias de lã. Ela se senta em uma pequena cadeira de plástico e conta que vive na Freguesia 23 de Janeiro, uma área popular de Caracas, desde que nasceu.
Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios Norma guarda o dinheiro da aposentadoria para comprar remédios Foto: Oswer Diaz Mireles / BBC News Brasil “Meu pai tocava tímpano (um instrumento de percussão) em uma orquestra, aqui sempre havia muita salsa e merengue”, conta.
“Comprei esta casinha com meu marido e, aos poucos, fomos fazendo melhoras. Quando fiz 40 anos, Deus me ouviu, e eu tive meu único filho, demorei muito para engravidar. Ao meu filho, nunca faltou nada.”
Seu marido, Rafael Alcalá, trabalhava como auxiliar no departamento de sistemas de um banco, e ela trabalhou em um órgão público, o Instituto de Previdência e Assistência Social do Ministério da Educação. O instituto presta assistência médica a professores que trabalham para o Estado.
“Eu me formei como técnica de prontuário e fiz de tudo, fui secretária, mensageira. Entrava às 10h e saía às 21h”, conta Norma, que começou a trabalhar aos 19 anos.
Em 2000, ela estava no emprego quando sofreu um acidente vascular cerebral, uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, o que causa a falta de circulação na região. Quando a pessoa não morre, ela pode ficar com sequelas sérias.
“Minha pressão subiu muito, caí no chão e fiquei gravemente doente”, lembra Norma.
Com o tempo, ela recuperou a fala e voltou a andar com a ajuda de uma bengala, mas não pôde voltar a trabalhar. O Estado concedeu-lhe uma aposentadoria por invalidez, que antecipou sua aposentadoria por velhice.
Naquela época, o que Norma recebia era equivalente a R$ 925 por mês, o que lhe permitia cobrir todas as suas necessidades básicas.
“Comprava comida, pagava o telefone, os remédios, e meu marido também trabalhava”, conta.
O ex-presidente Hugo Chávez havia promovido uma reforma da Constituição em 1999 que incluía a obrigação do Estado de pagar um salário mínimo que cobria as necessidades básicas das pessoas, e as aposentadorias seguiam essa mesma regra.
Em 2015, o marido de Norma morreu e a sua aposentadoria passou a ser sua única renda.
Colapso
Formalmente, o sistema previdenciário na Venezuela é uma modalidade em que os trabalhadores ativos contribuem com uma porcentagem de seu salário para pagar as pensões da população em idade de aposentadoria — da mesma forma que no Brasil.
Mas a contribuição hoje é muito pequena, porque muitos trabalhadores, principalmente os mais qualificados, deixaram o país. Além disso, os salários são baixos, o bolívar está desvalorizado e boa parte dos empregos está no setor informal da economia, que não contribui para o sistema.
Portanto, o custo das aposentadorias de 4,5 milhões de venezuelanos recai sobre o Estado. E as contas não batem.
A principal fonte de renda é o petróleo, de onde vem nove em cada dez dólares que entram no país. E a extração caiu drasticamente desde 2017. Essa é uma das causas do Estado estar empobrecido, sem recursos, ao que se soma à maior inflação do mundo
Nesse ambiente, há três anos, o Banco Central da Venezuela vem cortando continuamente a oferta de dólar, ao qual os venezuelanos recorrem para tentar poupar. Isso fez o preço da moeda norte-americana subir muito.
O colapso fez com que a qualidade de vida da grande maioria dos idosos diminuísse violentamente, deixando-os altamente vulneráveis.
Vivendo com quase nada
Depois da supervalorização do dólar, os bolívares que Norma recebe como aposentadora equivalem a R$ 7 por mês.
Ela também recebe um adicional para aposentadoria e títulos que o governo distribui para tentar amenizar a deterioração. Mas ao somar toda a sua renda, o que ela recebe não chega a R$ 27 por mês, o que dá para comprar um quilo de carne.
Entre suas prioridades, entretanto, não está a carne, mas os remédios que toma diariamente para regular a pressão arterial.
Ela consegue o remédio no sistema governamental de distribuição de medicamentos, mas nem sempre os remédios são entregues no prazo. Portanto, ela guarda dinheiro para essa eventualidade.
“Não consigo comprar uma caixa cheia, mas pelo menos compro meia caixa, que dá 20 comprimidos”.
Ela explica que os médicos alertaram para a importância de ela regular a pressão arterial para minimizar o risco de outro derrame.
“Graças a Deus, estou sem remédio há apenas alguns dias. Às vezes, meu filho faz um esforço e compra para mim. Quando não tomo, não consigo dormir, fico assustada”, conta Norma.
Para chegar à farmácia, ela caminha com sua bengala cerca de um quilômetro e meio até a estação de metrô mais próxima. Ao sair de casa, se depara com uma descida íngreme, na qual é fácil perder o equilíbrio.
Em seguida, ela atravessa calçadas com buracos e declives, ocupadas por vendedores ambulantes e sacos de lixo. Ao retornar, a descida se torna uma subida que a obriga a parar para descansar várias vezes.
No metrô, gratuito para idosos, ela percorre três estações. “Tenho que andar. Se ficar em casa, vou ficar na cama e não quero isso. Às vezes, meu pé dói, porque há um tempo caí e torci o tornozelo, está inchado, mas eu ando”, diz Norma.
Pouca comida
A alimentação de Norma depende exclusivamente das cestas básicas que o Estado distribui para as pessoas de baixa renda.
“A cesta chega a cada mês e meio. A última veio com dois quilos de arroz, dois pacotes de farinha para fazer arepas (um tipo de panqueca), dois quilos de macarrão, alguns pacotes de grão de bico e café. Desta vez, não veio açúcar”, explica Norma.
“Hoje vou comer um pãozinho de farinha no café da manhã, um café e um ovo que me deram. Ao meio-dia, grão-de-bico com um pouco de arroz e à noite de novo grão-de-bico. Faz muito tempo que não como carne, frango, leite. Nunca pensei que passaria fome na minha velhice e não estou sozinha, muitos no bairro são iguais”, acrescenta.
Seu filho não pode ajudá-la agora, diz. “Ele tem 25 anos, é casado e tem dois filhos. Até recentemente trabalhava em um restaurante, onde pagavam um salário mínimo, mas com a pandemia ele teve que sair. Para comer, está vendendo bolos com a esposa.”
Luzes fracas e água amarela
Norma tem uma velha máquina de lavar que ainda funciona, uma geladeira e uma televisão que serve de distração — relíquias da época em que ela podia comprar eletrodomésticos.
Seu medo é que as variações na voltagem da eletricidade e os cortes de energia, que se tornaram recorrentes no país, danifiquem os aparelhos. “Foi assim que meu micro-ondas quebrou, não liga. Agora está impossível comprar outro”, diz preocupada.
E não foi só o serviço de energia elétrica se deteriorou no bairro.
“Quase sempre fico sem água dois dias por semana. Felizmente, quando meu marido era vivo, comprou uma caixa d’água de plástico que tenho no banheiro. Mas a água está ficando muito suja, amarela, por isso tenho que ferver.”
Norma esquiva-se da questão política, evita falar sobre se apoiou ou não o ex-presidente Hugo Chávez em algum momento ou se votará nas eleições parlamentares marcadas para dezembro deste ano.
Ela está resignada, sem expectativas de uma mudança que amenize seu dia a dia. “Não espero mais nada de bom, tudo é sempre pior.”
Os líderes das 20 maiores economias do planeta prometeram nesse domingo (22) não poupar esforços para fornecer medicamentos, testes e vacinas contra a covid-19 de maneira acessível e justa para “todas as pessoas”, refletindo as preocupações de que a pandemia possa aprofundar as divisões globais entre ricos e pobres.,
A pandemia do novo coronavírus e as perspectivas de uma recuperação econômica desigual e incerta estiveram no centro do encontro, que teve duração de dois dias sob a presidência da Arábia Saudita, que passará o comando do G20 à Itália no próximo mês.
“A pandemia de covid-19 e seu impacto sem precedentes em termos de vidas perdidas, meios de subsistência e economias afetadas foram um choque sem paralelo que revelou vulnerabilidades em nossa preparação e resposta, ressaltando nossos desafios comuns”, disse o comunicado final do encontro.
As nações do G20 trabalharão para “proteger vidas, fornecer apoio com foco especial nos mais vulneráveis e colocar nossas economias de volta no caminho para restaurar o crescimento, proteger e criar empregos para todos”.
Sobre vacinas, testes e tratamentos, os líderes disseram: “Não pouparemos esforços para garantir o acesso equitativo e acessível a todas as pessoas”.
A economia mundial sofreu forte contração este ano, pois as medidas para conter a disseminação do vírus restringiram o transporte, o comércio e a demanda em todo o planeta.
Os líderes do G20 disseram que a atividade econômica global aumentou parcialmente graças à reabertura gradual de algumas economias, mas a recuperação é desigual, altamente incerta e sujeita a riscos de queda.
Eles reafirmaram o compromisso de usar “todas as ferramentas políticas disponíveis, pelo tempo que for necessário” para proteger a vida, o emprego e a renda das pessoas.
Congelamento de dívida O G20 endossou um plano para estender o congelamento dos pagamentos de dívida dos países mais pobres até meados de 2021 e, além disso, uma abordagem comum para lidar com os problemas de dívida, de acordo com o comunicado.
Os países também disseram que incentivam fortemente os credores privados a participar da iniciativa em termos comparáveis, quando solicitados pelos países elegíveis.
A iniciativa de alívio de dívida do G20 ajudou 46 países a postergar US$ 5,7 bilhões em pagamentos de dívida em 2020. Mas 73 países eram elegíveis para a medida, e a promessa era de um alívio potencial de cerca de US$ 12 bilhões.