No combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), médicos e pesquisadores se empenham na busca de medicamentos e tratamentos contra a infecção viral. Se as vacinas contra a COVID-19 avançaram muito desde o ínio da pandemia — e hoje temos milhões de imunizados —, não é possível dizer o mesmo dos remédios, já que cientistas ainda buscam comprovar sua eficácia. Agora, um hospital de Israel acredita ter encontrado um novo tratamento para casos moderados e graves.
Desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Tel Aviv, a fórmula contra a COVID-19 completou com sucesso a Fase 1 do estudo clínico com humanos, segundo os pesquisadores. Conhecida oficialmente como EXO-CD24, “a preparação é inalada uma vez por dia, durante alguns minutos, por um período de cinco dias”, explica o professor e um dos responsáveis pela pesquisa, Nadir Arber.
Remédio israelense age contra uma das complicações da COVID-19, a tempestade de citocinas (Imagem: Reprodução/ Daniel Roberts/ Pixabay)
Até o momento, o medicamento experimental foi testado em 30 pacientes que estavam em tratamento no hospital com quadros moderados e graves da COVID-19. Como resultado, os pesquisadores afirmam que a fórmula auxiliou na recuperação de todos os pacientes, sendo que 29 deles se recuperaram em um intervalo de três a cinco dias.
Como funciona o remédio israelense?
Segundo os responsáveis pelo estudo, o medicamento combate a tempestade de citocinas, o que é considerada uma reação imunológica do próprio organismo. Essa situação ocorre quando o organismo gera uma quantidade exagerada de defesas contra o vírus, ou seja, é como se o sistema imunológico, ao invés de melhorar o quadro do paciente com COVID-19, causasse um agravamento do quadro clínico.
De forma detalhada, as citocinas são proteínas que regulam a resposta imunológica do organismo contra invasores. Isso significa que uma tempestade delas acontece quando há uma resposta do organismo excessiva — como em um temporal, onde não é mais possível controlar os estragos causados pela chuva e pela ventania. Além disso, essa situação progride de forma rápida e gera alta mortalidade nos pacientes que a apresentam.
No contexto da COVID-19, esse quadro é apontado como uma das causas da falência múltipla de órgãos que ocorre em determinados casos mais graves do coronavírus. Nessas pessoas, o aumento da quantidade de citocinas atrai muitas células inflamatórias para dentro do tecido pulmonar, o que causa danos severos e algumas vezes irrecuperáveis aos pulmões.
Controle da tempestade de citocinas
Para controlar essa reação exagerada do corpo, o remédio israelense leva uma proteína — chamada de CD24 — aos pulmões, através de exossomos (uma estrutura que transporta materiais entre as células). Inclusive, Arber já os estudava há décadas, segundo o jornal The Times of Israel. “Esta proteína está localizada na superfície das células e tem um papel bem conhecido e importante na regulação do sistema imunológico”, afirma a pesquisadora Shiran Shapira, da equipe responsável pela descoberta.
Dessa forma, quando a proteína chega aos pulmões, ela auxilia na contenção da tempestade de citocinas e acalma o sistema imunológico. “A fórmula é direcionada, diretamente, para o coração da tempestade — os pulmões — então, ao contrário de outras que restringem, seletivamente, uma determinada citocina ou operam amplamente, mas causam muitos efeitos colaterais graves, a EXO-CD24 é administrada localmente”, comenta o pesquisador Arber.
Sobre a descoberta, o diretor do Hospital, Ichilov Roni Gamzu, defendeu que a pesquisa “é avançada, sofisticada e poderá salvar pacientes com coronavírus. Os resultados do ensaio de Fase 1 são excelentes e nos dão confiança no método que [Arber] vem pesquisando em seu laboratório há muitos anos”.
Agora, o medicamento passará pelas outras fases de testes, como qualquer outro remédio, o que envolverá estudos mais abrangentes com humanos, durante as Fases 2 e 3. Todo esse processo garantirá segurança e eficácia para os possíveis usuários.
A África do Sul irá iniciar sua campanha de imunização contra a Covid-19 com a vacina da Johnson & Johnson, após dados mostrarem que o imunizante da AstraZeneca ofereceu proteção mínima em casos leves e moderados na variante dominante local do vírus. REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativaFoto: Reuters
O país que registrou o maior número de infecções de coronavírus na África e mais de 46 mil mortes, planejava o início da vacinação em profissionais de saúde com a vacina da AstraZeneca, mas suspendeu o plano no domingo.
Um relatório do governo publicado na segunda-feira informa que a vacina da J&J será oferecida a partir de meados de fevereiro. Uma importante autoridade de saúde disse que a J&J concordou em acelerar as entregas para que as primeiras doses já estejam disponíveis perto do final da semana.
“Nosso plano de vacinação não mudou, exceto que começaremos com a Johnson & Johnson em vez da vacina da AstraZeneca”, diz o documento.
A Johnson & Johnson informou que está em discussões avançadas com a África do Sul sobre “potenciais colaborações adicionais” para combater a Covid-19. “Esperamos poder compartilhar mais detalhes nos próximos dias”, diz o relatório.
Dados preliminares de um estudo mostram que a vacina da AstraZeneca não reduz de maneira significativa o risco de doença leve até moderada causada pela variedade mais contagiosa batizada de 501Y.V2 e identificada primeiramente no final do ano passado, e foram uma decepção não só para a África do Sul como para todo o continente africano.
Reuters – Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
A pobreza na Argentina já atinge quase 50% da população
Crise econômica na Argentina se agrava Foto: Reprodução
A Argentina está acostumada a crises econômicas recorrentes, mas a pandemia de Covid-19 agravou a recessão que o país sofre desde meados de 2018. O desemprego e a pobreza aumentaram expressivamente. A economia está em queda livre, com mais de 42 mil pequenas e médias empresas fechadas desde março.
A jornalista Maria Laura Assis, que recentemente compartilhou imagens de um “centro de isolamento” forçado na cidade de Formosa, voltou a expor a grave situação do país vizinho. Nesta sexta-feira (5), Maria publicou no Twitter um vídeo que mostra cidadãos argentinos em filas para receberem sobras de uma padaria.
Todas as noites antes do fechamento do estabelecimento, os funcionários saem para distribuir o que sobrou de alimento.
– Antes eram 20 pessoas, agora temos 300, muitos são clientes daqui. Dizem que ficaram sem trabalho e vêm pedir para levar a família – conta uma das funcionárias ao jornal argentino El Siglo.
Na publicação, internautas relacionam o agravamento da crise às medidas de restrição e isolamento adotadas no país.
– Estar na Argentina significa ter muitas crises, com quedas e altas no consumo, quedas e altas na lucratividade, e é preciso ir lidando com tudo isso. Temos alma de empreendedores, mas isto agora é diferente, tudo fechou. Receita zero – disse o comerciante Federico Cillarroca.
O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina caiu 19,1% no segundo trimestre do ano, o maior colapso desde 1981.
De acordo com Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), a pobreza na Argentina atingiu 44,2% da população no fim de 2020.
Aimee Elizabeth é dona de uma fortuna de 5,3 milhões de dólares
Milionária come ração de gato para economizar fortuna Foto: Reprodução/ TLC
Uma mulher de 50 anos diz que é a milionária mais pão-dura do mundo. Dona de uma fortuna de 5,3 milhões de dólares (cerca de R$ 28,6 milhões), Aimee Elizabeth se recusa a comprar produtos novos para sua casa e economiza até com comida, visto que chega ao ponto de se alimentar de ração de gato.
– Eu deixo o aquecedor de água desligado, ele precisa de 22 minutos para aquecer, então eu ligo ao acordar e coloco o timer para tomar banho em exatos 22 minutos, porque Deus me livre de desperdiçar um minuto com esse aquecedor – falou.
A americana apareceu no reality show Extreme Cheapskates, do canal TLC, sobre pessoas pão-duras.
Ao se recusar a comprar itens novos, por exemplo, Aimee disse que consegue economizar 200 mil dólares (R$ 1.070) por ano. Ela evitar comprar roupas novas e até esponjas de lavar louça.
– Uso a mesma esponja até ela cair aos pedaços e tenho apenas uma faca de cozinha.
Quando precisa viajar, ela prefere dirigir para não comprar passagem de avião.
– Vejo que as pessoas ficam irritadas quando eu chego a esses extremos. Mas não ligo. É economia de dinheiro. Se você não entende isso, não sei como explicar – afirmou.
O Reino Unido sofreu no último ano a maior queda populacional desde a Segunda Guerra Mundial
Certa vez, um prefeito disse que se uma casa é importante porque é uma casa privada, uma cidade deve merecer a mesma consideração, porque é a nossa “casa pública”.
A médica espanhola Sonia G., de 35 anos, decidiu que Londres não será mais sua morada em ambos os aspectos.
Após cinco anos na capital inglesa, ela voltou a morar em Madri, na Espanha, cidade administrada no passado pelo prefeito que fez a reflexão acima, Enrique Tierno Galván.
E ela não é a única a tomar essa decisão: o Reino Unido sofreu no ano passado a maior queda populacional desde a Segunda Guerra Mundial. Um declínio impulsionado por um êxodo em massa de migrantes, com epicentro em Londres.
Cerca de 1,3 milhão de estrangeiros deixaram o país entre o terceiro trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020, segundo dados do Centro de Excelência de Estatísticas Econômicas (ESCOE, na sigla em inglês).
Talvez também te interesse
Uma fuga que se manifesta com força na capital inglesa: 700 mil estrangeiros deixaram a cidade, segundo estimativas feitas pelos economistas Jonathan Portes e Michael O’Connor, que cruzaram dados oficiais sobre emprego e população.
“É um êxodo sem precedentes”, afirmam os especialistas.
A pandemia, o catalisador
O caso da médica espanhola ilustra bem os dados e as conclusões desse estudo.
“No meu caso, a pandemia foi a gota d’água”, diz Sonia à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
“Não é pelo volume de trabalho devido ao coronavírus, que é o mesmo no meu país, mas pelo desgaste de não poder visitar minha família, principalmente minha avó, que tenho medo de não ver mais. Estou há quase um ano sem poder vê-los, e as dificuldades para entrar e sair do Reino Unido são cada vez maiores. Me sinto isolada, e a pandemia ainda vai durar muitos meses.”
‘O Reino Unido se saiu relativamente mal em termos econômicos e sanitários durante a primeira onda da pandemia’, dizem especialistas Foto: Getty Images
A pandemia como catalisador é exatamente a principal hipótese que Portes e O’Connor usam para explicar a fuga de cidadãos nascidos fora do Reino Unido.
“O Reino Unido se saiu relativamente mal em termos econômicos e sanitários durante a primeira onda da pandemia”, analisam.
“Para muitos imigrantes, especialmente europeus e aqueles que chegaram recentemente ou têm família em seu país, a escolha implicaria em ficar aqui (no Reino Unido durante a pandemia) sem emprego, com menos dinheiro ou até mesmo nada, e pagando por moradia com um aluguel relativamente caro.”
Neste contexto, “a escolha não foi difícil para eles”, avaliam: “Ir para casa com a família, com menos despesas e menos probabilidade de contrair o coronavírus”.
Alberto Domínguez se identifica com o diagnóstico feito pelos especialistas.
O tatuador e modelo espanhol estava em Londres havia quase seis anos — e há duas semanas fez as malas e voltou para sua terra natal.
“Amo Londres: suas opções de lazer, seu multiculturalismo, sua eficiência, as oportunidades que tinha antes …”, diz ele à BBC News Mundo.
“Mas é extremamente difícil viver nesta cidade neste momento devido à pandemia, com um custo de vida tão alto e nenhuma renda.”
“É uma pena que você ainda não consiga fazer tatuagem online”, brinca ele com ar de resignação.
Foto: Gerty Images
O preço da moradia em Londres é um dos motivos pelos quais os trabalhadores europeus decidem ir embora, devido à falta de renda provocada pela pandemia de covid-19
Imigrantes, os mais afetados
Dinheiro, moradia e trabalho. Esses três pilares para a imigração, citados pela pesquisa do ESCOE, começaram a cambalear com a pandemia.
Antes da chegada do novo coronavírus, a taxa de desemprego do Reino Unido estava em seu nível mais baixo desde 1975 (3,8%), mas agora se encontra no ponto mais alto dos últimos quatro anos.
Mais de 1,7 milhão de pessoas não estão empregadas, e a taxa de desemprego pode variar entre 7% e 10% até meados do ano, segundo projeções do Banco da Inglaterra.
E as estatísticas não captam a verdadeira dimensão do problema, de acordo com os pesquisadores do ESCOE, que perceberam que grande parte das sanções econômicas impostas pela crise de saúde está recaindo sobre os migrantes.
“Parece que grande parte do ônus da perda de postos de trabalho durante a pandemia recaiu sobre os trabalhadores estrangeiros e se manifestou em uma migração de retorno, ainda mais que nos próprios números do desemprego”, considera Portes.
E tem muito a ver com o tipo de cargo que esses cidadãos ocupam.
“Os imigrantes têm uma probabilidade desproporcional de acabarem empregados no setor de hospitalidade e em outros serviços relacionados que requerem contato pessoal, tornando mais plausível que sejam demitidos ou percam grande parte de sua renda” devido à pandemia.
Getty Images
Os imigrantes muitas vezes ocupam postos de trabalho voltados para o público, o que os torna mais vulneráveis à pandemia
“Esse é claramente o meu caso”, explica Angela, esteticista italiana que voltou no fim do ano passado para Carpinone, uma pequena cidade italiana entre Roma e Nápoles.
“As condições do meu contrato mudaram com a pandemia, passei a ter menos horas e menos renda. E a ajuda do governo não compensou a diferença. Não valia mais a pena ficar mais tempo em Londres”, explica à BBC News Mundo.
A rede de resistência desses trabalhadores é logicamente menor, ainda mais em uma cidade como Londres. Muitos apontam o preço da moradia como um dos motivos para não conseguirem aguentar mais tempo nessa situação.
“O preço do aluguel de uma casa é excessivamente alto em Londres, é surreal. E as condições dos apartamentos são lamentáveis”, desabafa Domínguez.
Para Sonia, o dinheiro ganho é rapidamente gasto em Londres. “Grande parte do seu salário vai para pagar aluguel, nem se fala se você tentar comprar uma casa. E se você tentar se mudar do centro em busca de algo mais barato, o transporte come a diferença”, lamenta.
Essa mesma queixa poderia ser feita em relação a muitas capitais europeias, mas que no caso de Londres é especialmente significativa.
A capital britânica é a cidade com o aluguel mais caro da Europa e o quarto mais caro do mundo, segundo dados da consultoria ECA International.
O custo médio de uma moradia de três quartos é equivalente a US$ 6.959 (quase R$ 38 mil) por mês, de acordo com dados de 2020. E um apartamento de um quarto pode movimentar entre US$ 1.700 e US$ 2.000.
Em suma, a queda da população economicamente ativa impulsionada por milhares de experiências semelhantes às narradas por migrantes neste artigo é o que “ajuda a explicar por que, apesar da força com que o PIB está sendo atingido, o desemprego ainda não disparou aos níveis que muitas organizações preveem”, analisa Portes.
E não para por aí: o relatório também aponta para a situação das universidades, já que muitas passaram a ministrar cursos à distância, fazendo com que estudantes estrangeiros também decidissem sair.
Getty Images
‘Temos visto alguns problemas em setores que tradicionalmente contam com muitos trabalhadores da União Europeia’
Preocupação em alguns setores econômicos
Antes da pandemia, “Londres ainda era atraente para os trabalhadores do Reino Unido e do exterior, apesar dos transtornos econômicos previstos pelo brexit (saída britânica da União Europeia)”, avalia Alec Smith, responsável pelo estudo habitacional da consultoria ECA.
Mas a evolução do êxodo acendeu alguns alertas nos setores econômicos mais dependentes da imigração europeia no Reino Unido.
“Temos visto alguns problemas em setores que tradicionalmente contam com muitos trabalhadores da União Europeia. Temos membros que estão sofrendo para preencher vagas na produção de alimentos e transporte, sobretudo de veículos pesados”, afirmou Neil Carberry, diretor da Confederação de Contratação e Emprego ao jornal britânico The Telegraph.
A UK Hospitality, que representa o setor de hospitalidade, também notou essa tendência. Segundo seus dados, um quinto dos trabalhadores do setor vêm do exterior, percentual que sobe para 30% nos hotéis e que, em Londres, responde por três quartos da força de trabalho que atua na limpeza e cozinha. Muitos foram embora, destacaram em comunicado.
A maior preocupação está em setores como a agricultura, onde “99% da mão de obra agrícola sazonal vem da União Europeia”, de acordo com um relatório da Câmara dos Comuns.
“Por que nossos jovens e nossa força de trabalho evitam o trabalho duro, enquanto romenos, lituanos e búlgaros, etc., parecem encarar?”, perguntou o deputado conservador Derek Thomas em uma sessão parlamentar recente que abordava a situação desse setor.
É que o medo da escassez de mão de obra se agravou nos últimos dias.
“Sabemos que muitos dos nossos trabalhadores voltaram para casa, mas não sabemos quantos vão retornar”, disse Kate Nicholls, representante da associação de hoteleiros.
O retorno (ou ausência dele) é justamente o medo dos empresários britânicos, que em meio à pandemia e ao brexit, não têm mais a confiança de serem tão atraentes para os trabalhadores que vêm de fora de suas fronteiras.
Uma pesquisa recente da Make UK, organização que reúne a indústria manufatureira, revelou que um terço dos fabricantes britânicos acredita que a capacidade do país de atrair talentos internacionais diminuiu.
Getty Images
Há dúvida se os trabalhadores estrangeiros que partiram vão voltar quando a pandemia terminar
Eles vão voltar?
O fato é que, à medida que a pandemia avança, o brexit também se tornou realidade. E com ele, as novas regras de imigração.
Os cidadãos da União Europeia que deixaram o Reino Unido no ano passado precisarão de visto de trabalho para voltar e trabalhar no país. Aqueles com status reconhecido poderão retornar para ocupar vagas, mas os novos imigrantes, não.
“Eu poderia voltar. Mas embora tenha medo da precariedade do trabalho no meu país, espero não precisar fazer isso”, diz Sonia, a médica espanhola.
“Os debates sobre imigração nos últimos tempos tampouco me ajudaram a me sentir mais ligada ao país”, acrescenta.
“Não sei, talvez (volte) no futuro”, afirma o tatuador Alberto Domínguez, que reconhece que o Brexit traz algumas incertezas.
“Vamos esperar o coronavírus passar.”
Angela também não está convencida: “Prefiro ficar no meu país agora, mas veremos quando a pandemia acabar”.
É muito cedo para saber se esse êxodo de migrantes é uma via de mão dupla, mas, já antes da pandemia, uma pesquisa da BBC mostrava que a procura de emprego no Reino Unido por europeus em portais de trabalho havia caído 12% no país e cerca de 15% em Londres em 2019.
E aquele ano entrou para o calendário como o de maior queda de migrantes europeus trabalhando no Reino Unido desde 1997, de acordo com dados do Escritório de Estatísticas Nacionais do país.
Uma incerteza de que a pandemia ampliou. Pelo menos, por enquanto.
Operação cumpria mandado relacionado a um caso de pornografia infantil
Agentes do FBI morreram durante operação na Flórida Foto: EFE/EPA/Cristobal Herrera-Ulashkevich
Dois agentes do FBI morreram na manhã de terça-feira (2), após serem baleados enquanto cumpriam um mandado relacionado a um caso de pornografia infantil, em um bairro residencial de Sunrise, no sul da Flórida, nos Estados Unidos.
– O FBI está analisando a troca de tiros que ocorreu nesta manhã em Sunrise, Flórida. Uma equipe de policiais estava lá para executar um mandado de busca e apreensão ordenado por um tribunal federal, em um caso de crimes violentos contra crianças – diz uma nota publicada pela agência.
O tiroteio aconteceu por volta das 6h em um complexo chamado Reflections, onde uma pessoa se trancou dentro de uma casa. Depois de proteger-se no local por horas, acredita-se que o suspeito também tenha se matado.
O mandado federal estava relacionado a um caso de pornografia infantil investigado pelo FBI e processado por promotores federais em Fort Lauderdale, de acordo com o jornal Miami Herald.
J.F.K. Jr queria que a princesa posasse para sua revista na época
J.F.K. Jr e Princesa Diana (Foto: Getty Images)
Vogue Brasil- Ele era da realeza americana e ela era realmente da monarquia – e de alguma forma, em 1995, eles se conheceram na cidade de Nova York sem serem detectados. A revista People relata que J.F.K. Jr. queria que Diana, então separada do príncipe Charles, posasse para a capa de sua revista política George. Ela concordou em ouvi-lo – mas, para isso, eles tinham que conversar primeiro e pessoalmente.
Num mundo onde os paparazzi não desgrudam das famosas personalidades, marcar uma conversa pode parecer uma tarefa fácil, mas não quando isso tem que acontecer em Nova York.
Eles concordaram em se encontrar em um dia de verão em uma suíte no elegante Carlyle Hotel do Upper East Side. Mas mesmo com o “quando” e o “porquê tenham” sido decididos, a grande questão permaneceu: como?
A assistente executiva de J.F.K. Jr., RoseMarie Terenzio, lembra que até mesmo seu chefe achava que nunca poderia funcionar. “Lembro-me dele dizendo: ‘Não há como alguém não vazar. Haverá paparazzi em todos os lugares'”, disse.
Como uma montagem de filme de espionagem, o círculo íntimo de Kennedy começou a traçar um plano sobre como esconder o filho do ex-presidente dos EUA e uma princesa. “Alguém sugeriu que ele fosse disfarçado e eu disse: ‘Isso é ridículo'”, lembrou Terenzio.
O plano final era simples: eles decidiram que J.F.K., Jr. e Diana deveriam entrar pela porta da frente. A lógica deles era esta: se a imprensa descobrisse sobre o encontro, o que era inevitável, eles presumiriam que as duas celebridades usariam a entrada lateral menos visível – algo muito comum para fugir dos cliques indesejados. E eles acertaram. Entraram pela porta da frente quando todos os jornalistas e fotógrafos se apertavam na porta lateral. Os dois se encontraram por uma hora e meia, mas ela acabou não posando para a revista.
No entanto, sua equipe ainda lembra de alguns boatos sobre o encontro fatídico. “Eu me lembro dele dizendo: ‘ Ela é muito alta! ’ Ele também disse que ela era muito tímida e ficou surpreso com o quão recatada ela era ”, afirmou Terenzio a People. “Acho que os dois conheceram Madre Teresa, então falaram sobre isso. E ele disse como ela era adorável. ” Matt Berman, o ex-diretor criativo de George, acrescentou dizendo que lembra-se dele dizendo que Diana “tinha um ótimo par de pernas”.
Idosos aguardam vacinação contra a covid-19 em um centro de imunização em um centro de convenções em Berlim, 18 de janeiro de 2021 (Crédito: POOL/AFP)
O governo alemão quer deixar de priorizar os maiores de 65 anos na vacinação contra a covid-19 com o imunizante da AstraZeneca, pois os especialistas do país duvidam de sua eficácia nesta faixa etária, anunciou neste sábado (30) o ministro da Saúde.
“Teremos que revisar a ordem de vacinação” por causa das “limitações de idade da vacina da AstraZeneca”, afirmou o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante conversa com trabalhadores sanitários.
Na sexta-feira, a autoridade alemã encarregada de vacinas reiterou sua recomendação, já expressa na véspera, de que não se autorize a vacina da AstraZeneca para pessoas maiores de 65 anos.
Os especialistas consideram que “não há dados suficientes para se pronunciar sobre a eficácia” deste imunizante em pessoas idosas.
No entanto, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou na sexta-feira o uso desta vacina em maiores de 18 anos e sem limite de idade na União Europeia (UE).
Jens Spahn afirmou que quer “aplicar” a decisão dos especialistas alemães.
A vacina do laboratório britânico poderia ser usado prioritariamente em pessoas mais jovens ou no “pessoal sanitário”, acrescentou.
A Alemanha emitirá a autorização oficial no começo da semana que vem, no máximo.
A vacina, desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, é a terceira aprovada pela EMA, depois das da Pfizer/BioNTech, em 21 de dezembro, e da Moderna, em 6 de janeiro.
Apesar dos atrasos registrados nas entregas da vacina da AstraZeneca, Jens Spahn afirmou neste sábado que esperava receber “cinco milhões de doses adicionais antes de 22 de fevereiro”, contando todo o conjunto das vacinas.
Segundo o Instituto de Vigilância Sanitária Robert Koch, até a sexta-feira passada, 2,2% da população alemã (1.855.457 pessoas) haviam recebido pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19.
Legenda da foto, Primeiro caso de uma ‘pneumonia por causa desconhecida’ foi registrado em Wuhan no início de dezembro de 2019
BBC NEWS – Pouco mais de um ano atrás, no dia 23 de janeiro de 2020, o governo chinês decretou lockdown na cidade de Wuhan.
Há semanas as autoridades de saúde chinesas vinham repetindo que o surto causado por uma doença desconhecida estava sob controle — apenas algumas dezenas de casos ligados a um mercado em que eram vendidos animais vivos. Naquele momento, entretanto, o vírus já havia ido além da fronteira da cidade e se espalhado pelo país.
Esta é a história de cinco dias críticos no início do que se tornaria uma pandemia.
Em 30 de dezembro de 2019, muitas pessoas já haviam sido recebidas em hospitais na cidade de Wuhan com sintomas parecidos: febre alta e pneumonia. O primeiro caso de que se tem notícia foi de um homem que tinha por volta de 70 anos, que adoeceu no dia 1º de dezembro.
Naquele momento, muitos dos pacientes estavam direta ou indiretamente ligados ao mercado de peixes Huanan — o que levou os médicos a suspeitarem que poderiam estar observando um outro tipo de pneumonia.
Amostras colhidas do pulmão de pessoas infectadas foram então enviadas a laboratórios de sequenciamento genético para que a causa da doença fosse identificada. Resultados preliminares indicaram, por sua vez, que se tratava de um vírus ainda desconhecido, semelhante ao da Sars. Autoridades de saúde locais e o Centro para Controle de Doenças do país já haviam sido notificados, mas nada havia sido tornado público.
Hoje acredita-se que já houvesse entre 2,3 mil e 4 mil pessoas infectadas, conforme um modelo matemático desenvolvido pelo MOBS Lab, da Northeastern University, em Boston, nos EUA.
Também é provável que o surto estivesse dobrando seu alcance a cada poucos dias. Epidemiologistas dizem que, no estágio inicial de uma epidemia, cada dia e até mesmo cada hora são críticos.
Legenda da foto, Mercado de peixes de Huanan foi fechado no dia 1º de janeiro
30 de dezembro de 2019: um alerta
Por volta de 16h do dia 30 de dezembro, a chefe da emergência do Hospital Central de Wuhan recebeu os resultados dos testes processados em Pequim pelo laboratório de sequenciamento genético Capital Bio Medicals.
Ela suava frio ao ler o relatório, conforme relatou posteriormente a uma publicação estatal chinesa.
No topo, duas palavras alarmantes: “Sars Coronavírus”. Ela as circulou em vermelho e enviou a colegas pelo aplicativo de compartilhamento de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp).
Em uma hora e meia, a imagem granulada havia chegado ao médico do departamento de oftalmologia do hospital Li Wenliang. Ele a dividiu, por sua vez, com um grupo de colegas da universidade com um aviso: “Não circulem esta mensagem fora deste grupo. Digam a seus familiares e entes queridos que tomem precauções”.
Pequim tentou acobertar a epidemia de Sars quando ela inicialmente se espalhou no sul da China entre 2002 e 2003, insistindo que a situação estava sob controle. A resposta, na época, foi bastante criticada pela comunidade internacional e chegou a motivar protestos dentro do país. Entre 2002 e 2004, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) infectou mais de 8 mil pessoas e matou quase 800 pelo mundo.
Legenda da foto, Robert Maguire, da OMS, e médico chinês visitam paciente com Sars em Guangzhou em abril de 2003: houve críticas em relação à transparência das autoridades chinesas durante a epidemia
Nas horas seguintes, imagens da mensagem de Li acabaram se espalhando pela web e milhões de pessoas já falavam sobre Sars na China.
O laboratório de sequenciamento havia, entretanto, cometido um erro — não se tratava da Sars, mas de um novo coronavírus, bastante semelhante. Notícias sobre um possível surto começaram a circular.
O Comitê de Saúde de Wuhan já estava ciente de que havia algo acontecendo nos hospitais da cidade. Naquele dia, funcionários da Comissão Nacional de Saúde chegaram de Pequim e novas amostras foram enviadas a pelo menos cinco laboratórios públicos em Wuhan e Pequim para que fossem sequenciados concomitantemente.
Legenda da foto, Conjuntos residenciais em Wuhan: no momento do lockdown, calcula-se que milhares já estavam infectados
Enquanto mensagens sobre um possível retorno da Sars viralizavam no país, o Comitê de Saúde de Wuhan emitiu ordens aos hospitais instruindo-os a reportar todos os casos diretamente ao órgão e a não darem nenhum tipo de declaração sem autorização prévia.
Em 12 minutos, as ordens até então sigilosas foram vazadas online.
O tempo entre a explosão de comentários nas redes sociais chinesas e a disseminação da notícia no resto do mundo talvez tivesse sido maior, não fosse pela experiente epidemiologista Marjorie Pollack.
Editora da ProMed-mail, newsletter que costuma emitir alertas globais sobre surtos de doenças, ela recebeu um e-mail de um contato em Taiwan perguntando se tinha ouvido algo sobre os rumores que circulavam na internet na China.
Legenda da foto, Epidemiologista Marjorie Pollack disparou mensagem para uma lista de 80 mil pessoas pedindo informações sobre a doença
Em fevereiro de 2003, a ProMed havia sido o primeiro veículo a dar a notícia ao mundo sobre o primeiro surto de Sars. Agora, Pollack sentia que estava vivendo uma espécie de déjà-vu.
“Minha reação foi: ‘Temos um grande problema'”, contou à BBC.
Três horas depois, ela havia acabado de escrever um post pedindo a quem pudesse que ajudasse com mais informações sobre o surto. A mensagem foi enviada a aproximadamente 80 mil assinantes faltando um minuto para meia-noite.
31 de Dezembro: cientistas oferecem ajuda
À medida que a notícia começou a se espalhar, o professor George F. Gao, diretor-geral do Centro para Controle de Doenças da China, passou a receber ofertas de ajuda vindas dos quatro cantos do mundo.
O país reativou a infraestrutura de combate a doenças infecciosas montada depois da epidemia de Sars — em 2019, Gao havia prometido que o amplo sistema de vigilância chinês seria capaz de antever um episódio como aquele.
Dois dos cientistas que entraram em contato com o professor, entretanto, dizem que o CDC não parecia preocupado.
“Mandei uma mensagem longa a George Gao, me oferecendo para enviar uma equipe para apoiá-lo em tudo o que precisasse”, disse à BBC Peter Daszak, presidente do grupo de pesquisa EcoHealth Alliance, baseado em Nova York.
A resposta, contudo, foi breve — apenas para desejar Feliz Ano Novo.
Legenda da foto, O diretor do Centro de Controle de Doenças na China, George F Gao, foi contactado por cientistas de diferentes países
O epidemiologista Ian Lipkin, professor da Universidade de Columbia, em Nova York, também tentou entrar em contato com Gao — que retornou a ligação quando Lipkin estava jantando, já próximo da meia-noite. O relato sobre a conversa dá contorno ao discurso das autoridades chinesas naquele momento crítico.
“Ele disse que tinha identificado o vírus. Era um novo coronavírus. E não era altamente transmissível. Isso não fazia muito sentido para mim porque já tinha ouvido que muitas, muitas pessoas haviam sido infectadas.”
“Não acho que ele estava sendo dúbio, acho que ele estava apenas errado”, afirma o epidemiologista.
Legenda da foto,
Para o americano, o colega chinês deveria ter compartilhado naquele momento os sequenciamentos genéticos que já tinha obtido. “Na minha visão, seria preciso divulgar. É algo muito importante para hesitação.”
Gao, que recusou os pedidos de entrevista para esta reportagem, declarou à imprensa chinesa que os sequenciamentos foram divulgados assim que possível, e que ele nunca afirmara publicamente que não havia transmissão de humano para humano.
Naquele dia, o Comitê de Saúde de Wuhan publicou um comunicado em que informava sobre 27 casos de pneumonia viral identificados na região, sem evidência clara, entretanto, de que houvesse transmissão entre seres humanos.
Legenda da foto, A emissora CGTN noticia 27 casos de ‘pneumonia viral’: seriam dias até que as autoridades chinesas confirmassem a transmissão entre humanos
Seriam necessários mais 12 dias até que a China compartilhasse o sequenciamento genético do patógeno com a comunidade internacional.
O governo chinês recusou vários pedidos de entrevista da BBC para comentar o assunto. Em posicionamentos enviados por escrito, afirmou que a China “sempre havia agido de forma aberta, transparente, com responsabilidade e celeridade” no combate à covid-19.
1º de janeiro de 2020: frustração internacional
A lei internacional estipula que surtos de doenças infecciosas que possam gerar preocupação global devem ser reportados à Organização Mundial de Saúde (OMS) em até 24 horas.
No dia 1º de janeiro, entretanto, a OMS ainda não havia sido notificada sobre o que ocorria na China.
No dia anterior, membros da organização haviam visto a publicação da ProMed, além de algumas informações na internet, e resolveram entrar em contato com a Comissão Nacional de Saúde do país.
“Era para ter sido reportado”, diz Lawrence Gostin, professor do O’Neill Institute for National and Global Health Law da Universidade de Georgetown, nos EUA, e colaborador da OMS.
“A falha em reportar (o surto) foi claramente uma violação do Regulamento Sanitário Internacional (International Health Regulations).”
A epidemiologista Maria Van Kerkhove, que se tornaria uma das principais líderes técnicas da OMS no combate à pandemia, participou da primeira de muitas reuniões à distância no meio da noite em 1º de janeiro.
“Nós tínhamos uma suspeita inicial de que pudesse ser um novo coronavírus. Para nós, não era uma questão de se havia ou não transmissão de humano para humano, mas qual era a extensão naquele momento e onde estava acontecendo.”
Legenda da foto, Maria Van Kerkhove, da OMS: membros do alto escalão da organização estavam frustrados com a falta de informações naquele momento
Dois dias depois, as autoridades chinesas responderam à OMS. O retorno, entretanto, foi vago — de que haviam sido registrados 44 casos de uma pneumonia viral de causa desconhecida.
A China afirma ter se comunicado regularmente com a OMS a partir do dia 3 de janeiro. Mas registros de reuniões internas da organização obtidas pela agência de notícias Associated Press (AP) e compartilhadas com a BBC mostram uma realidade diferente e revelam a frustração de funcionários de alto escalão da OMS na semana seguinte.
“Dizer que ‘não há evidência de transmissão de humano para humano’ não é suficiente. Precisamos ver os dados”, diz, segundo os registros, Mike Ryan, diretor de emergências da OMS.
A organização era legalmente obrigada a reproduzir as informações fornecidas pela China. Ainda que houvesse suspeita de transmissão entre humanos, a OMS só conseguiria confirmá-la três semanas depois.
“Essas preocupações nunca foram expressas publicamente. Eles apenas reproduziram as informações dadas pela China”, diz o repórter da AP Dake Kang.
“No fim do dia, a impressão com que o mundo ficou foi aquela que as autoridades chinesas queriam, de que tudo estava sob controle. E é claro que não estava.”
2 de janeiro: médicos silenciados
O número de infectados dobrava a cada poucos dias, e cada vez mais pessoas procuravam os hospitais de Wuhan.
Neste momento, em vez de abrir espaço para que os médicos compartilhassem suas preocupações, a imprensa estatal deu início a uma campanha para silenciar os profissionais de saúde.
No dia 2 de janeiro, a emissora estatal Televisão Central da China (CCTV) veiculou uma reportagem sobre os médicos que haviam falado sobre o surto quatro dias antes, retratando-os como “usuários da internet” que haviam “espalhado rumores”.
Em seguida, os profissionais foram chamados pela Secretaria de Segurança Pública de Wuhan para prestar depoimento e foram “tratados de acordo com a lei”, segundo as autoridades.
Um dos médicos era Li Wenliang, o oftalmologista cujo relato havia viralizado, que chegou a assinar uma confissão. Em fevereiro, ele morreu de covid-19.
Legenda da foto, Oftalmologista Li Wenliang tentou alertar sobre a gravidade da doença
O governo chinês afirma que isso não chega a ser indicativo de que estava tentando suprimir as notícias sobre o surto, e que pedia apenas a médicos como Li que não espalhassem informações ainda não confirmadas.
Mas o impacto da postura das autoridades chinesas foi significativo. Enquanto ficava cada vez mais aparente para os médicos que havia, de fato, transmissão entre humanos da doença, eles eram impedidos de se manifestar publicamente.
Um profissional da saúde que trabalhava na mesma unidade que Li, o Hospital Central de Wuhan, disse à reportagem que, nos dias seguintes, “havia muitas pessoas com febre”.
“Estava fora de controle. Entramos em pânico, mas o hospital nos disse que não tínhamos autorização para falar com ninguém.”
Legenda da foto, Médico no hospital Jin Yintan, em Wuhan, em 17 de janeiro: número de casos aumentava exponencialmente
Segundo o governo chinês, “é preciso seguir um rigoroso processo científico para determinar se um vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa”.
As autoridades seguiriam afirmando que não havia transmissão entre seres humanos por outros 18 dias.
3 de janeiro: o memorando sigiloso
Laboratórios em todo país estavam em uma corrida contra o tempo para fazer o sequenciamento completo do genoma do vírus. Entre eles, estava um renomado virologista de Xangai, Zhang Yongzhen, que começou o sequenciamento no dia 3 de janeiro.
Depois de trabalhar por dois dias consecutivos, ele obteve um genoma completo. Os resultados revelavam um vírus semelhante ao da Sars e, portanto, provavelmente transmissível.
Legenda da foto, O virologista Zhang Yongzhen colocaria fim ao impasse sobre o sequenciamento do genoma do vírus
No dia 5 de janeiro, o escritório de Zhang escreveu à Comissão Nacional de Saúde recomendando a tomada de medidas de precaução em espaços públicos.
“Naquele mesmo dia, ele estava trabalhando para ter os dados prontos assim que possível, para que o resto do mundo pudesse saber do que se tratava e avançássemos no diagnóstico”, afirma Edward Holmes, virologista e biólogo evolutivo da Universidade de Sidney, na Austrália, que trabalha com Zhang.
Mas Zhang não conseguia tornar seus achados públicos. No dia 3 de janeiro, a Comissão Nacional de Saúde havia enviado um memorando sigiloso aos laboratórios proibindo que cientistas sem autorização analisassem o vírus e divulgassem informações.
“Isso acabou silenciando cientistas e laboratórios, que não puderam investigar o vírus — sob o risco de que suas análises vazassem para o mundo externo e alarmassem as pessoas”, diz o jornalista da AP Dake Kang.
Nenhum laboratório veio a público anunciar o sequenciamento do genoma do vírus. As autoridades continuaram afirmando que se tratava de uma pneumonia viral sem evidência clara de transmissão entre humanos.
Apenas seis dias depois, divulgariam que o patógeno era um novo coronavírus e, mesmo naquele momento, não compartilhariam nenhum sequenciamento genético — o que impediu que outros países analisassem os dados e pudessem começar a mapear a disseminação do vírus em seus territórios.
Legenda da foto,
Três dias depois, em 11 de janeiro, Zhang toma uma decisão que o coloca em risco, mas acaba pondo um fim no impasse. Enquanto embarcava em um voo entre Pequim e Xangai, ele autoriza o colega australiano Edward Holmes a divulgar o sequenciamento que havia feito.
No dia seguinte, o laboratório de Zhang foi fechado para “retificação” — mas, a partir daquele momento, outros cientistas também decidiriam tornar públicos seus achados.
A comunidade científica internacional entrou em ação, e um kit para teste de diagnóstico estaria pronto no dia 13 de janeiro.
Apesar das evidências coletadas por médicos e cientistas, a China não confirmaria que havia de fato transmissão entre humanos da doença até o dia 20 de janeiro.
No começo, todo surto epidêmico é caótico, diz o especialista em saúde Lawrence Gostin.
“Seria difícil de qualquer forma controlar o vírus, desde o dia 1. Mas, no momento em que fomos informados de que ele era transmissível entre humanos, a vaca já tinha ido para o brejo, o vírus já tinha se espalhado.”
“Essa foi uma oportunidade que tivemos (de tentar controlar a disseminação) e que perdemos”, acrescenta.
Para o virologista que pesquisa morcegos Wang Linfa, da Escola de Medicina Duke-Nus, em Cingapura, “antes do dia 20, a China poderia ter feito muito mais”.
“Depois disso, o resto do mundo deveria estar de fato em estado de alerta e ter combatido melhor o vírus.”
Fragmentos datam da época dos reis Davi e Salomão; vestes púrpuras eram associadas à nobreza e aos sacerdotes Foto: Dafna Gazit/Israel Antiquities Authority
No Vale de Timna, Sul de Israel, foram encontrados tecidos roxos citados na Bíblia. De acordo com informações da Agência France Presse, os fragmentos são um reflexo da riqueza dos habitantes da região durante os reinados de Davi e Salomão.
Em um comunicado emitido com as universidades de Tel Aviv e Bar Ilan, a Autoridade de Antiguidades de Israel (AIA) informou que os fragmentos tingidos de roxo foram encontrados em escavações arqueológicas.
– É a primeira vez que tecidos tingidos de roxo e da Idade do Ferro são descobertos em Israel e no Levante mediterrâneo – informou o comunicado.
Ainda segundo o comunicado, a datação por radiocarbono permitiu apontar que os fragmentos são de cerca de mil anos antes de nossa era (ou seja: cerca de 1.000 a.C.), sendo, portanto, do período do reinado de Davi e Salomão.
– Na Antiguidade, as vestimentas roxas eram associadas à nobreza, aos sacerdotes e, é claro, à realeza. […] Esta é a primeira vez que temos evidências diretas de tecidos tingidos e preservados por 3 mil anos – disse Naama Sukenik, curadora da AIA.