Uso do remédio exige prescrição médica, segundo o órgão
Metbala é uma bala feita com tadalafila | Foto: Metbala/Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, a distribuição, a fabricação, a manipulação, a propaganda e o uso de todos os lotes do medicamento Metbala, à base de tadalafila, da empresa FB Manipulação Ltda.
Em nota, a agência reguladora informou que a medida foi adotada porque o produto em questão, uma bala do tipo gummy, não tem nenhum tipo de regularização na Anvisa. “Além disso, a empresa identificada não tem autorização para fabricar medicamentos”, completou o comunicado.
A proibição, segundo a agência, também se aplica a qualquer pessoa, física ou jurídica, ou veículos de comunicação que comercializem ou divulguem o produto. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 14.
“De acordo com a legislação, medicamentos só podem ser comercializados por farmácias e drogarias e precisam estar registrados na agência”, destacou a Anvisa. “O registro é a comprovação de que o produto possui eficácia, segurança e qualidade.”
No comunicado, a agência reforçou que a tadalafila, indicada para tratar disfunção erétil, é um medicamento sujeito à prescrição médica e que seu uso depende de avaliação clínica sobre condições específicas do paciente.
“A automedicação coloca sua vida em risco”, alerta a Anvisa. “Esses produtos não são inofensivos. Quem faz a propaganda de produtos irregulares também comete infração sanitária e está sujeito a penalidades, incluindo multas.”
O que é a tadalafila, vendida como bala
A tadalafila é um medicamento utilizado para tratar a disfunção erétil. O comprimido deve ser usado por homens adultos e vendido somente com receita médica. A tadalafila só funciona quando há estímulo sexual, ou seja, ela não causa ereção sozinha.
Seu funcionamento se baseia no aumento do fluxo sanguíneo durante a excitação, o que permite uma ereção mais eficaz e duradoura. O efeito do comprimido pode começar a partir de 30 minutos depois da ingestão e durar até 36 horas. O medicamento não deve ser usado mais de uma vez por dia.
A tadalafila não deve ser usada por pessoas alérgicas à substância ou por quem toma medicamentos à base de nitrato (como certos remédios para o coração), pois a combinação pode causar queda perigosa da pressão arterial. Também é contraindicada para homens que não sofrem de disfunção erétil. Mulheres, especialmente grávidas, não devem usar o medicamento.
A tadalafila é um medicamento utilizado para tratar a disfunção erétil | Foto: Wirestock/Freepik
Alguns cuidados são necessários antes do uso. Pacientes com problemas cardíacos, de pressão, fígado, rins ou visão devem informar o médico. Também é importante relatar o uso de outros medicamentos, como antibióticos ou remédios para o estômago, pois podem interferir nos efeitos da tadalafila.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem dor de cabeça, dores nas costas, tontura e vermelhidão no rosto. Há também reações mais raras, como alterações na visão e audição, dor abdominal, ereção prolongada e reações alérgicas na pele. Em caso de sintomas mais graves, é fundamental buscar atendimento médico imediato.
Por fim, o comprimido deve ser ingerido inteiro, por via oral, sempre sob orientação médica. Não deve ser partido nem mastigado. Deve ser armazenado em temperatura ambiente e fora do alcance de crianças. Em caso de ingestão em excesso, o ideal é procurar socorro médico rapidamente.
A denúncia feita em setembro daquele ano levou à abertura de uma investigação pela Polícia Federal, concluída em 2024 sem indiciamentos
Pelo menos 11 associações participaram da fraude no INSS | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Em 2020, um servidor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) denunciou à polícia do Distrito Federal desvios ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele, que preferiu anonimato por temer represálias, relatou ter recebido ameaças de morte depois de identificar as irregularidades. A informação é da TV Globo.
O funcionário, que atuava na análise dos descontos, percebeu anomalias e decidiu notificar as autoridades. A denúncia feita em setembro de 2020 levou à abertura de uma investigação pela Polícia Federal, concluída em 2024 sem indiciamentos.
“Na época que a Diretoria de Benefícios estava cortando ali os ACTs [Acordos de Cooperação Técnica], eu estava fazendo uma auditoria em cima deles, alguns servidores receberam ameaças”, afirmou o servidor. “Isso foi falado lá dentro.”
Investigações paralelas e irregularidades no INSS
Operação Sem Desconto, deflagrada em abril | Foto: Divulgação/PF
Simultaneamente, a Polícia Civil do Distrito Federal iniciou sua investigação, no mesmo ano, depois de receber denúncias de aposentados ao Ministério Público. Em fevereiro de 2021, o órgão convocou o servidor para depor, e ele reiterou suas alegações sobre os descontos irregulares feitos pela Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Ele destacou um aumento significativo nos descontos associados à Conafer ao longo de 2020. Em janeiro daquele ano, a Conafer tinha cerca de 80 mil filiados com descontos nos benefícios previdenciários. Esse número subiu para mais de 250 mil em outubro de 2020, mês em que o acordo da Conafer com o INSS estava suspenso em razão de irregularidades.
Firmado inicialmente em 2017, o acordo permitia à Conafer realizar descontos diretamente nos benefícios dos filiados. Em setembro de 2020, depois da detecção dos problemas, houve a suspensão da permissão.
Em outubro, a responsabilidade por analisar os documentos passou da Diretoria de Benefícios para a Diretoria de Atendimento do INSS, o que possibilitou a reabilitação da Conafer. Na ocasião, a Conafer homenageou Jobson de Paiva Sales, então diretor de atendimento do INSS, responsável por reverter a suspensão.
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) de 2024 revelou que a Conafer apresentou o maior crescimento no volume de descontos entre 2019 e 2024. Os números saltaram de R$ 400 mil por ano, em 2019, para R$ 57 milhões, em 2020, e chegaram a R$ 202 milhões, em 2023.
Depoimentos e novas descobertas
Em março de 2021, Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, prestou depoimento na investigação da Polícia Civil, mas recusou-se a informar seus rendimentos, em razão de confidencialidade.
Durante sua fala, afirmou que “a Conafer ou seus integrantes não foram responsáveis pela inserção de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, mas, sim, se tal fato ocorreu, a responsabilidade seria da Dataprev”, empresa pública federal que processa os pagamentos do INSS.
Entretanto, a Polícia Civil encontrou indícios de que, entre 2019 e 2020, Carlos Roberto e sua mulher, Bruna Braz, negociaram cinco imóveis de alto valor, incluindo uma fazenda avaliada em R$ 3 milhões. Em 2021, a Justiça do Distrito Federal decidiu que a competência para conduzir a investigação seria da Polícia Federal.
A operação para desarticular o esquema só ocorreu em abril de 2025. A Operação Sem Desconto resultou na queda do então ministro da Previdência do governo Lula, Carlos Lupi, e do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Reconhecido como um dos principais líderes espíritas do país e embaixador da paz, Divaldo dedicou mais 70 anos à divulgação da doutrina espírita no Brasil
Foto: Reprodução/ assessoria
O médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco morreu na terça-feira (13), às 21h45, em Salvador, aos 98 anos. A informação foi divulgada pela Mansão do Caminho, instituição fundada por ele e por Nilson de Souza Pereira em 1952. A causa da morte não foi oficialmente informada, mas ele enfrentava um câncer na bexiga desde novembro do ano passado.
Reconhecido como um dos principais líderes espíritas do país e embaixador da paz, Divaldo era natural de Feira de Santana (BA) e dedicou mais de sete décadas à divulgação da doutrina espírita no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, realizou mais de 20 mil conferências em 71 países e publicou mais de 260 livros psicografados, com mais de 10 milhões de exemplares vendidos. Suas obras foram traduzidas para 17 idiomas.
Além do trabalho como escritor e conferencista, Divaldo desenvolveu um reconhecido trabalho social. A Mansão do Caminho, localizada no bairro Pau da Lima, atende diariamente mais de 5 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social. O complexo abriga 44 edificações, incluindo escolas, creches e unidades de atendimento médico.
Divaldo também ficou conhecido por ter adotado mais de 650 filhos ao longo da vida. Foi homenageado por mais de 800 instituições nacionais e internacionais por sua atuação humanitária. Ele era chamado carinhosamente de “Tio Divaldo” por muitos dos que foram acolhidos por seu trabalho.
O velório será realizado nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no ginásio da Mansão do Caminho, em Salvador. O sepultamento está marcado para quinta-feira (15), às 10h, no Cemitério Bosque da Paz.
Com a morte de Divaldo Franco, o espiritismo brasileiro perde uma de suas vozes mais influentes e respeitadas.
Alta foi de 48,6% na comparação anual. Conselho de Administração aprovou pagamento de dividendos de R$ 11,72 bilhões
Foto: Agência Petrobras
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (12) um lucro líquido de R$ 35 bilhões (US$ 6 bilhões) no primeiro trimestre do ano. O número significa um aumento de 48,6% em relação ao mesmo período de 2024 que foi de R$ 23,7 bilhões. A presidente da estatal, Magda Chambriard falou apontou a alta na produção nos últimos três meses do ano passado.
“Assim, alcançamos um caixa de US$ 8,5 bilhões com as nossas operações, que nos permite investir para continuar gerando valor e remunerar os nossos acionistas”, disse no comunicado da divulgação do balanço financeiro. “Iniciamos o ano de 2025 com resultados operacionais e financeiros robustos, que refletem a capacidade técnica da Petrobras em superar desafios e gerar valor para a sociedade brasileira”, completou.
Os investimentos atingiram R$ 23,7 bilhões (US$ 4,1 bilhões), concentrados em projetos do pré-sal nos campos de Búzios e Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos, na costa do Rio de Janeiro. A companhia também registrou uma forte geração de caixa, alcançando um EBTIDA, um dos indicadores financeiros utilizados para avaliar uma empresa, ajustado de R$ 61 bilhões (US$ 10,5 bilhões) e um Fluxo de Caixa Operacional (FCO) de R$ 49,3 bilhões (US$ 8,5 bilhões). O FCO representa o que a empresa gerou de caixa a partir de suas operações.
O Conselho de Administração da Petrobrás aprovou o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio intercalares de R$ 11,72 bilhões. O valor corresponde a R$ 0,90916619 por ação ordinária e preferencial em circulação, como antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2025.
Os aposentados e pensionistas notificados deverão indicar, já na quarta-feira (14), se autorizaram ou não os descontos
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A partir desta terça-feira (13), aposentados e pensionistas que tiveram descontos em seus benefícios previdenciários por meio de associações receberão uma notificação do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A mensagem será enviada exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS.
Segundo o órgão, cerca de 9 milhões de beneficiários serão informados sobre os valores descontados e os nomes das entidades responsáveis. Os aposentados e pensionistas notificados deverão indicar, já na quarta-feira (14), se autorizaram ou não os descontos.
Caso declarem que não autorizaram, poderão solicitar o ressarcimento dos valores também a partir de quarta. O INSS informou que os reembolsos se referem a cobranças realizadas entre março de 2020 e março de 2025.
A devolução será responsabilidade das associações, que terão até 15 dias úteis para efetuar o pagamento após serem acionadas. Em caso de descumprimento, poderão ser cobradas judicialmente. O beneficiário não precisará apresentar nenhum documento para ser reembolsado.
O INSS reforça que a notificação será feita apenas pelo aplicativo Meu INSS. Não haverá envio de SMS, ligações telefônicas ou uso de intermediários. Em caso de dúvida, o segurado pode entrar em contato com a central 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Ministro já teve convocação aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional
Ministro Ricardo Lewandowski Foto: Jamile Ferraris/MJSP
A decisão do governo Lula (PT) de não atender a um pedido dos Estados Unidos para enquadrar as facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas segue gerando reações, especialmente no Congresso Nacional.
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden), presidida pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), pretende cobrar explicações do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Barros anunciou que a comissão está preparando um pacote de ações para tratar da atuação internacional dessas facções.
Para o parlamentar, a recusa do governo Lula de classificar as facções como terroristas é desarrazoada e ignora alertas já emitidos pela própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que apontam o risco de deterioração das relações diplomáticas com países vizinhos devido à presença transnacional dos grupos criminosos.
Na última quarta-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional aprovou as convocações para ouvir Lewandowski e também o ministro Mauro Vieira (Itamaraty). No caso de Lewandowski, porém, o pedido está mais relacionado ao asilo diplomático concedido à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia.
Vieira, por sua vez, será questionado sobre a “omissão do Estado brasileiro diante da grave situação humanitária enfrentada por oposicionistas do regime de Nicolás Maduro” que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas. O grupo foi retirado do local e enviado aos EUA em uma operação que contou com a participação do governo americano.
Alta cúpula do Judiciário dribla regras da transparência e mantém em segredo quem viajou e o por quê
A FAB identifica apenas as viagens do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF | Foto: Reprodução/Flickr/Supremo Tribunal Federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem ocultado informações sobre viagens de ministros em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) desde 2023. O tribunal também desrespeitou prazos legais ao responder com atraso a dois pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação. O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações neste domingo, 11.
Apesar das solicitações feitas em fevereiro e março deste ano, o STF não esclareceu quais magistrados utilizaram os voos, tampouco revelou a lista de passageiros. A resposta só veio depois de um questionamento da imprensa à assessoria da Corte.
A FAB identifica apenas as viagens do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF. Ainda assim, os registros disponíveis no site são parciais e não incluem a identificação de quem acompanhou o magistrado.
Portanto, as demais viagens foram classificadas como “à disposição do Ministério da Defesa”, um subterfúgio previsto em decreto de 2020. Esse enquadramento permite que autoridades viajem sob o pretexto de “segurança”, sem a devida prestação de contas.
De acordo com o Ministério da Defesa, ministros da Corte realizaram ao menos 154 voos com essa classificação entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025 — mais de 70% transportaram apenas um magistrado.
Falta de padrão e transparência agrava cenário político
A ausência de uniformidade na divulgação dos dados compromete a imagem institucional do tribunal. O advogado Bruno Morassutti, da ONG Fiquem Sabendo, afirma que os ministros adotam entendimentos próprios sobre o que divulgar ou manter em sigilo.
“O STF perde muito em não dar transparência adequada a essas informações”, disse Bruno. “Prejudica a imagem da instituição desnecessariamente num momento politicamente sensível.”
Embora a legislação determine que toda informação classificada como sigilosa deve vir acompanhada do nível “reservado, secreto ou ultrassecreto” e prazo de validade, o STF ignorou essa exigência.
O site da Corte, que deveria listar os dados sob sigilo, afirma que não há registros ocultos — uma contradição flagrante.
STF só respondeu depois de ser cobrado pela imprensa
A Lei de Acesso estabelece um prazo de cinco dias úteis para respostas a recursos. A assessoria de comunicação do STF só respondeu ao pedido da Folha de S.Paulo depois que o jornal a pressionou diretamente, mais de um mês depois do prazo legal.
Nas respostas padronizadas, a Corte citou um acórdão do Tribunal de Contas da União que autoriza sigilo em viagens que coloquem “em risco a segurança de autoridades”. Entretanto, omitiu o grau do sigilo adotado e evitou mencionar as viagens dos demais ministros.
Segundo o ministro da Fazenda, o governo petista, por enquanto, não planeja usar recursos públicos
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a Cerimônia de posse de Sidônio Palmeira, no cargo de Ministro da Secretaria de Comunicação Social, realizada nesta terça-feira — 14/1/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) para assegurar que 12 associações investigadas por fraude ressarçam aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que tiveram descontos indevidos.
“Parece que há quantidade de dinheiro disponível dessas associações para começar o ressarcimento de quem foi prejudicado, segundo a informação que eu obtive ontem, 8”, disse Haddad em São Paulo, durante evento na sede da B3.
O governo pretende usar inicialmente os recursos bloqueados dessas entidades antes de recorrer ao Orçamento público. Se os bens das associações não forem suficientes, fundos públicos poderão ser utilizados.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, destacou que os detalhes sobre a fonte dos recursos serão definidos em breve e que os beneficiários precisarão comprovar que os descontos ocorreram sem autorização.
Devoluções do INSS
Fachada do INSS em Brasília – 2.11.2023 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, mencionou à CNN Brasil que recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de emendas podem custear a reposição.
O INSS devolverá cerca de R$ 292,7 milhões entre 26 de maio e 6 de junho, montante referente a valores bloqueados depois da revelação das fraudes. Os depósitos serão feitos nas contas onde os aposentados ou pensionistas recebem seus benefícios mensais.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, assegurou que o governo fará todo o possível para garantir o ressarcimento dos beneficiários afetados. Há discussões no governo sobre quais áreas do orçamento serão utilizadas para financiar essas devoluções.
Relatório da CGU estima que as associações envolvidas nas fraudes acumularam cerca de R$ 6,3 bilhões, incluindo repasses autorizados.
Outros temas abordados por Haddad
No evento, Haddad também abordou a inflação, que subiu 0,43% em abril, principalmente devido aos preços de alimentos e medicamentos.
Ele alega que, apesar das dificuldades econômicas globais, o Brasil está preparado para enfrentar os desafios e pretende manter a inflação dentro da meta, enquanto continua a fomentar emprego e renda no país.
Haddad também mencionou discussões sobre a reforma do imposto de renda. O ministro espera que o diálogo com o Legislativo seja ampliado para que decisões informadas possam ser tomadas em relação à reforma tributária.
O ressarcimento ocorrerá entre os dias 26 de maio e 6 de junho, com os valores sendo depositados diretamente na conta onde os segurados recebem seus benefícios
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou nesta sexta-feira (9) a devolução de R$ 292 milhões para aposentados e pensionistas prejudicados por descontos irregulares em seus benefícios, praticados por entidades associativas envolvidas no esquema de fraudes deflagrado pela Polícia Federal (PF). O ressarcimento ocorrerá entre os dias 26 de maio e 6 de junho, com os valores sendo depositados diretamente na conta onde os segurados recebem seus benefícios mensais.
Segundo matéria do InfoMoney, a devolução é referente ao mês de abril, e ocorrerá mesmo após o bloqueio da modalidade por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU). Os valores foram retidos porque a folha de pagamento já havia sido processada antes da ordem de suspensão, detalha o INSS.
O presidente do Instituto, Gilberto Waller Júnior, reforçou que o órgão não entrará em contato com os segurados por WhatsApp, SMS ou outros meios. As notificações oficiais serão realizados apenas pelo aplicativo Meu INSS e pelo telefone 135.
Os Correios tornaram público nesta sexta-feira, 9, no Diário Oficial da União, o balanço financeiro referente ao exercício de 2024. O resultado foi um prejuízo de R$ 2,6 bilhões. A cifra representa um aumento expressivo em relação a 2023, quando a estatal teve perdas de R$ 597 milhões. Ao revisar os números do ano anterior, o rombo foi ajustado para R$ 633 milhões. A reclassificação teve como objetivo adequar os dados às normas contábeis.
O prejuízo bilionário coloca 2024 como o pior desempenho dos Correios desde 2016. Naquele ano, a empresa fechou com perdas de R$ 1,5 bilhão, valor que sobe para R$ 2,3 bilhões com a correção inflacionária. Entre os pontos críticos identificados está o desempenho das agências. Das 10,6 mil unidades de atendimento, apenas 15% apresentaram superávit. A grande maioria operou com mais despesas do que receitas.
Mesmo com o cenário negativo, a estatal destacou a manutenção do acesso universal aos serviços postais. A cobertura inclui todos os 5,5 mil municípios do país. A empresa afirma que pratica tarifas consideradas acessíveis, apesar do alto custo de manter unidades deficitárias em operação.
Fabiano Santos, presidente dos Correios, e Lula | Foto: Reprodução/Twitter/X/@correiosBR
Apesar do rombo, os Correios anunciaram aportes relevantes ao longo do ano
Em contrapartida, os Correios anunciaram aportes relevantes ao longo do ano. Somente em 2024, os investimentos alcançaram R$ 830 milhões. Com isso, o total investido nos dois últimos anos chegou a R$ 1,6 bilhão. Parte significativa desse montante foi destinada à renovação da frota e à manutenção da infraestrutura.
O plano estratégico da empresa prevê modernização e transição para práticas mais sustentáveis. No ano passado, os Correios adquiriram 50 furgões elétricos, 2,3 mil bicicletas elétricas, 3,9 mil bicicletas com baú e mais 1,5 mil veículos convencionais para renovação da frota. Esses equipamentos integram o projeto ambiental de cinco anos da companhia.
Em nota, a empresa afirmou que a sustentabilidade seguirá como diretriz principal nas decisões corporativas.
“A sustentabilidade continuará a ser tema central em nosso dia a dia. Esperamos evoluir ainda mais em nossos propósitos de caráter social e ambiental”, declarou a estatal.
O enfraquecimento da receita também contribuiu para o resultado negativo. A arrecadação com serviços caiu para R$ 18,9 bilhões, valor inferior ao registrado em 2023, que foi de R$ 19,2 bilhões. Essa é a menor receita desde 2020, quando a empresa somou R$ 17,2 bilhões.
Custos operacionais aumentaram consideravelmente
Além disso, os custos operacionais aumentaram consideravelmente. Em 2024, chegaram a R$ 15,9 bilhões, contra R$ 15,2 bilhões no ano anterior. O crescimento foi impulsionado por despesas com pessoal. Esses gastos passaram de R$ 9,6 bilhões para R$ 10,3 bilhões. A estatal atribuiu a alta ao Acordo Coletivo de Trabalho, que adicionou R$ 550 milhões aos custos, e ao reajuste no vale-refeição, que somou R$ 41 milhões.
Outro fator de impacto foi o aumento nas despesas administrativas. Em 2024, o total chegou a R$ 4,7 bilhões. O número representa um acréscimo de R$ 655 milhões em relação a 2023 e atingiu o maior valor histórico da empresa nesse tipo de gasto.
O resultado financeiro também agravou a situação. A estatal registrou déficit de R$ 379 milhões nessa área. No ano anterior, o mesmo indicador apresentou superávit de R$ 44 milhões. Em 2024, as despesas financeiras somaram R$ 846 milhões, enquanto as receitas com aplicações atingiram R$ 466 milhões.