O ex-diretor do Centro de Ressocialização de Araçatuba, no interior de São Paulo, José Antônio Rodrigues Filho foi condenado por transferir presos de outros presídios para a unidade que ele administrava em troca de sexo com uma advogada.
Rodrigues Filho teve decretada a perda de função pública que estiver exercendo e de direitos políticos por seis anos. Além das duas punições, ele também foi condenado a pagar multa no valor de 12 vezes o salário que recebia e ficou proibido de fazer contratos com o poder público, receber benefícios, incentivos fiscais ou creditícios por quatro anos.
Advogada também recebeu as mesmas condenações que o ex-diretor. A diferença é que Paula Regina de Caldas Andrade Baracioli foi condenada a pagar seis vezes o valor do salário mínimo vigente, que é de R$ 1.320, e não perde função pública, já que não exerce nenhuma.
Caso começou a tramitar em 2018, quando Rodrigues Filho foi preso na operação Fura-Fila, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A operação foi feita a partir de denúncia do Ministério Público.
As condenações foram determinadas pelo juiz José Daniel Dinis Gonçalves, da Vara da Fazenda de Araçatuba. Cabe recurso.
O UOL entrou em contato com a defesa do ex-diretor. Em caso de manifestação, esse texto será atualizado. Nos autos do processo, o advogado Fernando Rodrigo Bonfietti disse que seu cliente não cometeu atos ilícitos “que serviriam de meio para alcançar sua satisfação sexual”.
A reportagem também tenta localizar a defesa de Paula Regina. O espaço segue aberto. Ao jornal O Estado de São Paulo, o advogado Renato Vieira da Silva disse que não há provas contra ela nas acusações feitas pelo Gaeco. “Tais suposições tratam apenas de devaneios e absurdos inconsistentes, não baseados em provas, mas sim, em meras alegações falaciosas”, afirmou o defensor dela.
O documento de referência para a Conferência Nacional de Educação 2024 (Conae), publicado pela Presidência da República e pelo Ministério da Educação (MEC), tem como objetivo abordar várias questões educacionais. Entre elas, destaca-se a intenção de reduzir a influência do agronegócio nas salas de aula. Além disso, propõe o fim das escolas cívico-militares no país.
O documento também abordou a questão do ensino domiciliar, propondo restrições a essa prática, alegando preocupações com seu caráter “ultraconservador”. Ao mesmo tempo, o texto enfatiza a importância da “liberdade de cátedra” e do “livre pensamento nas instituições educacionais”, defendendo a capacidade dos professores de expressar suas próprias ideologias políticas em sala de aula. Portanto, a Conae busca abordar essas questões com o objetivo de moldar o cenário educacional de acordo com suas perspectivas e diretrizes.
A Conae 2024 vai contribuir na construção do novo PNE 2024-2034. A apresentação do documento destaca que “a próxima década na educação deve ser pavimentada no exercício, em todas as instituições, espaços e processos, do respeito, da tolerância, da promoção e da valorização das diversidades (étnico-racial, religiosa, cultural, geracional, territorial, físico-individual, de deficiência, de altas habilidades ou superdotação, de gênero, de orientação sexual, de nacionalidade, de opção política, entre outras)”.
Agronegócio deve ser combatido urgentemente, diz Governo
“Na mesma linha, se faz urgente a contraposição efetiva do Estado, nas suas diversas esferas federativas, às políticas e propostas ultraconservadoras, garantindo a desmilitarização das escolas, o freio ao avanço de processos e tentativas de descriminalização da educação domiciliar (homeschooling); às intervenções do movimento Escola Sem Partido e dos diversos grupos que desejam promover o agronegócio por meio da educação“, informa o documento publicado.
O agro nas salas de aula é essencial
A agropecuária brasileira é reconhecida como uma das mais tecnológicas, produtivas e sustentáveis do mundo. Emprega 19 milhões de pessoas, representa mais de 25% do PIB e contribui decisivamente para o superávit da balança comercial. Mesmo assim, com frequência o setor é apresentado de maneira caricatural aos estudantes brasileiros, ao ser retratado de maneira enviesada em livros escolares.
O dinamismo socioeconômico e ambiental do agronegócio é por vezes distorcido nos materiais didáticos distribuídos a alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Isto faz com que este importante pilar do desenvolvimento do País seja recorrentemente associado à devastação ambiental, exploração de mão de obra e conflitos sociais, entre outros problemas. Esta é a conclusão de um estudo recente, elaborado pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), que analisou o conteúdo referente ao agro em 94 livros didáticos utilizados em escolas públicas e privadas do País.
A gronegócio nas salas de aula. Foto: Centro Universitário Campo Real
E preocupante o conteúdo equivocado e deseducativo de grande parte do material pedagógico citado na pesquisa, encomendada pela Associação De Olho No Material Escolar. As menções negativas ao agro superam as positivas em 60%. De 345 citações ao setor, 303 são de cunho opinativo, a maioria pautada por questões político-ideológicas, sem base científica.
Diante deste quadro, cabe uma pergunta: qual o dever de uma boa educação? Se o objetivo for ensinar às crianças e jovens o Brasil real, nele agiganta-se o agronegócio como atividade contemporânea do desenvolvimento, que exige cada vez mais conhecimento técnico e científico na lavoura, na indústria ou e nos serviços.
Faz-se ainda mais necessária uma educação do agronegócio nas salas de aula sem viés ideológico, sobretudo para jovens que, futuramente, vão compor a força de trabalho do agro, seja no campo ou na cidade. É fundamental, na formação escolar, o acesso ao conhecimento da realidade da produção agrícola brasileira. Ao longo de quase 40 anos de carreira no agro, tenho a percepção de um entusiasmo crescente da juventude por este segmento.
Pautas importantes incluídas no documento
Segurança pública
O documento expressa preocupação com o período após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, que é referido como um “impeachment” quatro vezes no documento. Durante esse período, o Brasil testemunhou um aumento nas políticas que são descritas como conservadoras em relação à segurança pública. Isso inclui a construção de novas prisões e uma abordagem mais rigorosa da polícia, que, de acordo com o texto, foi investigada em uma análise significativa das questões relacionadas aos direitos humanos e um declínio drástico nas taxas de homicídios no Brasil.
Pauta gay
Outro tema abordado no documento é a implementação da educação em tempo integral nas escolas. O texto argumenta que o Estado deve educar as crianças não apenas em questões tradicionais, como matemática e português, mas também em questões relacionadas aos direitos humanos. Isso é visto como uma maneira de promover a valorização da diversidade sexual, incluindo a homossexualidade, e a ideologia de gênero nas salas de aula.
Doutrinação ideológica
Além disso, o documento apresenta uma aparente contradição ao defensor da liberdade dos professores para expressar suas próprias ideologias políticas em sala de aula, ao mesmo tempo em que propõe proibir escolas privadas confessionais de ensinar sua religião de forma doutrinária. Em outras palavras, o documento sugere que um professor pode compartilhar suas políticas abordadas, como o socialismo, com os alunos, mas escolas católicas, por exemplo, seriam impedidas de ensinar o cristianismo com uma abordagem doutrinária.
Conae 2024
A Conferência Nacional de Educação, convocada pelo Decreto-Lei nº 11.697/23, será realizada de 28 a 30 de janeiro de 2024, em Brasília (DF), com o tema “Plano Nacional de Educação 2024-2034: Política de Estado para garantia da educação como direito humano com justiça social e desenvolvimento socioambiental sustentável”.
O MEC é responsável por promover a Conae, que será precedida de conferências estaduais, distritais e municipais. A articulação e coordenação das conferências são de responsabilidade do Fórum Nacional de Educação (FNE). A Conae 2024 pretende contribuir para a elaboração do novo PNE 2024-2034, de modo que debaterá a avaliação, os problemas e as necessidades educacionais do Plano vigente.
O segurado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que estiver afastado do trabalho por incapacidade temporária, na modalidade conhecida como auxílio-doença, poderá retomar suas atividades profissionais antes da data que consta no atestado médico, sem a necessidade depassar por perícia médica, desde que já esteja apto para o retorno.
A nova norma está na portaria conjunta nº 38, de 30 de outubro de 2023, publicada nesta quarta-feira (1º) no D.O.U. (Diário Oficial da União). O texto diz: “No período com fixação de Data de Cessação Administrativa, caso o segurado sinta-se apto, poderá retornar ao trabalho sem necessidade de nova perícia médica, formalizando o pedido de cessação do benefício na Agência da Previdência Social [APS] de manutenção do seu benefício ou na Central 135”.
Além disso, a portaria permite ao segurado pedir a prorrogação automática do benefício por 30 dias. Atualmente, a prorrogação já é possível, mas limitada a duas vezes; depois disso, o trabalhador tem de passar por perícia médica, e o profissional que faz a avaliação pode dar o tempo necessário, ou até maior, para a recuperação completa do beneficiado.
Entretanto, em alguns casos, isso ocasionava o pagamento de benefício por incapacidade temporária a trabalhadores que já estavam aptos a retornar ao trabalho mas não podiam voltar por causa da validade do benefício.
Atualmente, 150 mil pessoas estão com perícia médica do auxílio-doença prorrogada com data muito distante para a reavaliação. Com a medida publicada nesta quarta, será possível antecipar esses atendimentos, pois o próprio segurado poderá pedir a prorrogação. Assim, essas vagas poderão ser destinadas a quem aguarda o BPC (Benefício de Prestação Continuada) da pessoa com deficiência há mais de dois anos.
“Esses agendamentos fazem com que o segurado, independentemente do resultado da perícia, fique recebendo o benefício sem pedir mensalmente a prorrogação. É importante ressaltar que essa medida, que é provisória, pretende fazer com que os segurados que estejam nessa situação sejam estimulados a retornar ao trabalho sem que tenham que aguardar a perícia”, explica o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
“Ao diminuir o tempo para a realização de perícia médica, prorrogando os benefícios por 30 dias de forma automática, o tempo para afastamentos por Atestmed e por auxílio-doença também diminuem”, avalia.
O requerimento poderá ser feito em todas as agências da Previdência Social, até naquelas que não têm oferta de perícia médica mas têm vaga disponível.
A norma também será aplicada aos requerimentos de prorrogação que aguardam a perícia, mantendo-se, nesses casos, a Data de Cessação Administrativa prevista, e disponibilizando-se as vagas para outros exames médico-periciais e para solicitações de prorrogação de benefício de origem judicial, recursal e de restabelecimento de benefício.
A prorrogação automática será aplicada:
• a benefícios de qualquer duração, mesmoquando o prazo for inferior a 30 dias e independentemente do tempo de espera da perícia médica;
• em todas as APS (Agências da Previdência Social); antes, a prorrogação só acontecia nas unidades com oferta de vaga perícia;
• quantas vezes o beneficiário solicitar; atualmente, a partir da terceira solicitação, o segurado tem que passar por avaliação pericial obrigatória.
Renata Costa Ribeiro foi presa nesta segunda-feira (30) na clínica em que trabalhava, em Goiânia Imagem: Instagram/18.jul.2022 e 3.ago.2022-@clinicarrgoiania
Uma falsa médica foi presa por suspeita de fraudar documentos e fazer procedimentos estéticos sem formação necessária em clientes de Goiânia.
O que aconteceu?
Uma médica procurou a Polícia Civil ontem para informar que o número do cadastro no Conselho Regional de Medicina dela era utilizado por uma farsante.
Os policiais civis foram até a clínica da mulher que estaria usando o número de CRM, identificada como Renata Costa Ribeiro. Foi achado um carimbo com o nome da médica que fez a denúncia contra ela no local. A polícia também encontrou um jaleco médico, bloco de receituário, atestados médicos do SUS,fichas falsificadas e produtos como bioestimuladores, preenchedores e anabolizantes de origem não identificada.
Aos policiais, Renata se apresentou como biomédica. Ela não mostrou, porém, qualquer comprovação da graduação alegada.
A presença dos remédios fez com que a polícia desse voz de prisão à falsa médica. Ela também é investigada por falsificação de documentos públicos e exercício ilegal da medicina.
Renata tem mais de 6 mil seguidores nas redes sociais. Na internet, ela se autointitula “referência em remodelação corporal“, chegando a publicar vídeos dando cursos sobre o assunto.
Até o momento, a polícia não encontrou nenhum relato de pacientes com problemas causados pelos procedimentos.
A imagem da mulher foi divulgada pelo órgão para que clientes que tenham sido lesados por ela possam procurar as autoridades.
A defesa de Renata informou ao UOL que não teve acesso total aos materiais apreendidos na ação policial e que só se manifestaria após isso.
O Exército e a Polícia Militar realizam, na manhã desta terça-feira (31), uma operação em Guarulhos, na Grande São Paulo, para encontrar as últimas quatro metralhadoras que sumiram do Arsenal de Guerra de Barueri.
O sumiço de 21 armas, parte delas capaz de derrubar aviões, foi notado durante inspeção no dia 10 de outubro. Entre os dias 19 e 21, a polícia localizou 17 delas, restando, ainda, encontrar quatro.
Conforme apurado pela Record TV, a polícia e o Exército cumprem mandados de busca e apreensão em casas da região, suspeitas de estarem escondendo as quatro metralhadoras .50, conhecidas pelo alto poder destrutivo.
Até o momento, não há suspeitos identificados ou presos. Os agentes rondam pela região da Vila Galvão, em Guarulhos, após terem recebido informações de que possivelmente o armamento esteja escondido nas imediações.
Entre agosto e setembro de 2023, saíram da fila do INSS 41.871 processos, o que reduziu o estoque de pedidos para 1,63 milhão. Mas outra lista de espera quase invisível segue crescendo: a de recursos, quando o trabalhador tem o benefício negado e recorre administrativamente da decisão. Segundo dados do órgão, estão nessa fila mais 1,65 milhão de trabalhadores. Em maio, ela estava em 1 milhão.
Somadas as duas filas — pedidos iniciais para reconhecimento de direito a benefícios e os recursos — são 3,28 milhões de pessoas à espera de uma resposta da Previdência Social. Esses processos se referem a solicitações de aposentadoria, Benefício de Prestação Continuada (BPC, voltado para idosos e pessoas com deficiência pobres), salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão, auxílio-doença e auxílio-acidente.
Se forem computados todos os processos abertos no INSS, como certidão de tempo de serviço, atualização de cadastro, ajuste de guia, demandas judiciais, seguro defeso (pescadores artesanais), dentre outros, a fila sobe para quase 7 milhões.
O advogado especialista em direito previdenciário, José Henrique Martins, explica como funciona essa fila e o porquê os números continuam aumentando. “Toda solicitação gera um processo. Então, essa fila para análise de um benefício é o momento inicial, onde o segurado faz o pedido, caso a resposta do INSS seja negativa, ele pode recorrer na via administrativa, sem precisar ir pra justiça. Esse é um caminho, mas existe a possibilidade de ir diretamente pela esfera judicial, o que em sua maioria, consegue obter um resultado mais rápido”, explica o especialista.
*Para mais informações:* 75 9 8178-3702 *Júlio Gomes*
O Brasil criou 211.764 vagas formais de trabalho em setembro. Esse foi o pior resultado para o mês da série histórica, que começou em janeiro de 2020. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego e foram divulgados nesta segunda-feira (30).
De acordo com o governo, o saldo veio da abertura de 1.917.054 de contratações com carteira assinada e de 1.705.293 de demissões.
Na comparação mensal de 2020, o desempenho havia sido de 299.507 postos no regime de CLT criados.Em setembro de 2021, 330.049 vagas. No mesmo mês do ano passado, foram 278.023.
Ministra é conselheira honorária de organização do terceiro setor que gastou 80%, de R$ 35 milhões, com consultorias e viagens
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante o lançamento do Projeto Sertão Vivo, Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais no Nordeste – 24/10/2023 | Foto: Fátima Meira/Estadão Conteúdo
Uma articulação de governistas na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara transformou a convocação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em um requerimento de informação, para explicar o elo com a ONG Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.
O acordo foi firmado por dois vice-líderes do governo Lula na Casa, deputados Rubens Pereira Júnior (PT-MA) e Josenildo Abrantes (PDT-AP), para “desobstruir a pauta” da comissão, apurou Oeste.
A deputada federal Marina Silva toma posse como ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, ao lado do presidente Lula – 01/01/2023 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Na semana passada, os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) conseguiram aprovar a vinda obrigatória de Marina. O trio embasou o pedido em reportagem de Oeste.
Agora, contudo, a convocação está anulada. Dessa forma, o Meio Ambiente terá 30 dias para enviar, por escrito, esclarecimentos feitos pelos parlamentares, nos pedidos.
Elo de Marina Silva com ONG da Amazônia
O relator da CPI das ONGs, Marcio Bittar (esq), e o presidente da CPI, Plínio Valério (dir), durante sessão do colegiado no Senado – 24/10/2023 | Foto: Wallace Martins/Estadão Conteúdo
No centro da pauta, há a ligação da ministra com a ONG, na qual ocupa o cargo de conselheira honorária. De acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o terceiro setor na Amazônia, a organização embolsou R$ 35 milhões do Fundo Amazônia, no ano passado, e gastou 80% com viagens, consultorias e folha de pagamento.
Além de ministra e conselheira da ONG, Marina é titular do Comitê Orientador do Fundo Amazônia, representando o governo federal no órgão responsável por estabelecer as diretrizes e critérios para aplicação dos recursos do Fundo.
Mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram como integrantes de grupo no aplicativo Discord influenciaram adolescente no ataque a escola em SP
São Paulo — Prints de mensagens obtidos com exclusividade pelo Metrópoles mostram que o autor do ataque a tiros que matou uma aluna na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, na última segunda-feira (23/10), foi incentivado e instruído a cometer o atentado por integrantes de um grupo do qual fazia parte no Discord, plataforma de conversas em texto, voz e vídeo popular entre os jovens.
Nas mensagens, trocadas horas antes do ataque, o adolescente de 16 anos fala sobre os preparativos para o que chama de “missão” e discute qual seria a melhor maneira de posicionar o celular para filmar e transmitir o atentado pelo servidor. Após o crime, os integrantes do grupo lamentam o saldo de vítimas. “Uma morte cara, q cara merda [sic]”, reclama um dos administradores do grupo.
As conversas estão em posse da Polícia Civil de São Paulo e do Laboratório de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça, que investigam como integrantes do grupo no Discord estimularam o adolescente a realizar o ataque que deixou outras duas alunas feridas à bala. O atirador usou um revólver calibre 38 do pai. Ele foi apreendido em seguida e disse à polícia que agiu sozinho. A motivação seria uma reação ao bullying que ele sofria na escola por ser homossexual.
As mensagens mostram, contudo, que o autor do ataque compartilhou fotos da escola onde estudava em Sapopemba no grupo do Discord antes do atentado para pegar dicas de como executar o crime. Há imagens da sala de aula onde ele entrou armado por volta das 7h30 da segunda-feira e das escadas onde ele matou a estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, com um tiro na nuca, à queima-roupa.
Depois que o ataque ganhou o noticiário, integrantes do grupo demonstraram preocupação em serem descobertos pela polícia. “Eu vou formatar meu celular, desativar minha conta do Discord, sair desse serve e dos outros 10 [sic]”, escreveu um deles, às 9h16. “Eu vou até desativar minha localização”, digitou outro integrante, logo em seguida.
“Mas alguém daqui empurrou o cara p fazer? Pq aí sim vai dar merda [sic]”, questionou um terceiro membro do grupo no Discord. “Tava geral kkkkkk”, respondeu outro participante.
O Metrópoles decidiu não divulgar o nome do grupo no Discord do qual o adolescente fazia parte, nem os apelidos usados pelos integrantes, porque, como como mostram as próprias mensagens, o objetivo deles é, justamente, obter fama e prestígio no submundo da internet por meio dos atos de violência que praticam ou estimulam dentro e fora da plataforma.
Em maio deste ano, o Metrópoles mostrou que, por meio do mesmo Discord, jovens promovem sessões de tortura virtual com meninas, obrigando-as a se masturbarem ou se automutilarem diante da câmera, em transmissões ao vivo nos grupos fechados, a enviarem fotos nuas e até a mutilarem animais de estimação ou incendiarem mobílias. Tudo sob forte ameaça.
Horas antes do ataque
O material obtido pelo Metrópoles mostra o adolescente que matou a estudante de 17 anos dentro da escola na zona leste paulistana discutindo seu plano no grupo do Discord durante a madrugada da última segunda-feira (23/10), menos de cinco horas antes do ataque. Um dos integrantes do servidor pergunta onde seria o atentado e se ele iria fazer uma transmissão ao vivo da ação criminosa pela plataforma.
Segundo ele, havia tempo que não aconteciam “coisas interessantes” na “panela”, termo usado por integrantes (“paneleiros”) para se referir aos grupos de Discord. O adolescente promete, então, fazer um atentado “bem melhor” do que o executado em março, na Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia. Na ocasião, um garoto de 13 anos matou a facadas a professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, e deixou outras duas feridas.
2h50 – Integrante –“[Vai ser] em qual bairro?” 2h50 – Adolescente –“Sapopemba” 2h50 – Integrante –“Brabo. […] Vai fazer em call?” 2h50 – Adolescente –“Sim” 2h51 – Integrante –“Que servidor?” 2h51 – Adolescente –“Naquele lá que agente tá conversando eu já combinei de fazer lá Já ta marcado” 2h51 – Integrante –“Caralho…Vai ser foda então. Estava a um tempo sem coisas interessantes em panela”
2h52 – Adolescente –“Vai ser um bem melhor que o daquele mlk lá” 2h52 – Integrante –“Qual?” 2h52 – Adolescente –“Da faca, sabe?” 2h52 – Integrante –“Ah, sim Aquela criança mongoloide”
O administrador do grupo dá instruções sobre como o adolescente deveria posicionar seu celular para fazer a transmissão ao vivo do ataque na escola.
2h55 – Integrante –“Testa em colocar o celular na sua máscara” 2h55 – Adolescente –“Hmm vou ver dps no espelho aqui de casa. […] Mas sla acho q n vai dar bom isso não. Mas vou testar” 2h56 – Integrante –“Ou pega uma fita. E dps de conectar na call” 2h56 –Adolescente –“N quero q a call atrapalhe a minha missão. Mas vou dar um jeito de fazer” 2h57 – Integrante –“Vai ser massa se conseguir” 3h01 – Adolescente –“Eu vou” 3h01 – Integrante –“Vou ficar acordado então”
Por volta das 7h30 da segunda-feira (23/10), o adolescente sai da sala de aula, no segundo andar da escola, e vai até o banheiro, onde coloca uma máscara de caveira. Segundo as mensagens no grupo, neste momento, ele liga a câmera, mostra o rosto mascarado e o revólver, mas depois encerra a filmagem. Foi logo em seguida que ele matou Giovanna com um tiro pelas costas. Segundo a polícia, ela não era próxima do autor do ataque.
“Fiz ele fazer esse massacre”
Às 9h06 da segunda, cerca de 1h30 após o atentado, um dos administradores envia no grupo do Discord o link de uma reportagem sobre o atentado e afirma que os integrantes não tinham envolvimento. Segundo ele, o adolescente que atirou contra colegas não era membro regular do grupo e entrou com o objetivo de cometer o ataque.
“Só quero esclarecer que não temos envolvimento com o acontecido hoje de manhã! A pessoa que fez entrou no server já com o objetivo de cometer o crime! Ninguém incentivou, ele fez porque quis e tava planejando fazia tempo! Mesmo antes da [nome do grupo] existir”, diz o líder do grupo.
Em outro trecho da conversa, um integrante diz que o adolescente havia entrado no servidor no dia anterior ao atentado, perguntando se eles praticavam “lulz”. O termo faz referência a sessões de mutilação ou automutilação transmitidas ao vivo por meio do Discord. Em alguns casos, as vítimas são animais ou pessoas com deficiência.
Nessa hora, um outro integrante do grupo admite, então, que ajudou o estudante da Escola Estadual Sapopemba a cometer o atentado. “Fiz ele fazer este massacre”.
Print do Discord
“Nem 5?”
Membros do grupo do Discord demonstram decepção com o adolescente pelo saldo do atentado à Escola Estadual Sapopemba. Eles citam o massacre de Columbine, que deixou 15 mortos em uma escola no Colorado (EUA), em abril de 1999, e dizem que o menor de idade deveria ter feito pelo menos cinco vítimas.
9h35 – Administrador –“Uma morte cara, q cara merda” 9h35 – Integrante –“Tem q respeitar q ele fez com uma gaúchinha” 9h35 – Integrante –“Difícil superar Columbine” 9h35 – Administrador –“Sim, mas porra, uma morte?? Nem 5? É só atirar”
Os membros do grupo também se decepcionaram com o fato de o adolescente não ter registrado o atentado na transmissão ao vivo que iniciou dentro do banheiro da escola.
9h39 – Integrante –“Ele ligou a câmera, entrou no banheiro da escola, colocou a mascara, mostrou a arma e desligou” 9h39 – Administrador –“Ninguém gravou eu acho. Queria q ele tivesse mostrado matando alg, achei paia” 9h59 – Administrador –“lulz merda”
Medo da repercussão
Após o atentado, membros do servidor discutem de que maneira podem se livrar das evidências de envolvimento no crime. Alguns dizem que usam VPN (rede privada virtual) para acessar o grupo por meio de um IP (protocolo de rede) de outro estado para dificultar o rastreamento.
O administrador do grupo tenta tranquilizar os colegas, dizendo que o adolescente foi banido.
9h16 – Integrante 1 –“Eu vou formatar meu celular desativar minha conta do discord sair desse server e dos outros 10” 9h16 – Integrante 2 –“Eu vou ate desativar minha localização” 9h18 – Integrante 2 –“Se entrar policia meu IP vai ta la na bahia, coitado dos baianos” 9h18 – Administrador –“Eu bani o cara já FIQUEM TRANQUILOS. so da merda se ele falar do sv [servidor]” 9h25 – Administrador –“Problema q ele tava filmando AQUI”
Escola não sabia
Segundo pais e alunos do colégio, o adolescente disse, na semana anterior ao atentado, que iria “matar todo mundo na escola”. Estudantes afirmaram que ele era alvo de bullying e de agressões dentro da escola. Um vídeo mostrando o jovem sendo agredido em sala de aula, em junho, também foi compartilhado no grupo do Discord. Em abril, a mãe do jovem havia registrado boletim de ocorrência na delegacia por lesão corporal e ameaça contra o filho.
Em entrevista coletiva concedida no dia do ataque, o secretário estadual da Educação, Renato Feder, disse que a pasta não tinha conhecimento sobre as ameaças que teriam sido feitas pelo autor do atentado que matou uma adolescente de 17 anos e feriu outras duas na escola da zona leste. Segundo ele, o garoto de 16 anos “não apresentava sinais no sentido de ser um potencial agressor”.
Tanto a Polícia Civil paulista quanto o Laboratório de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiçainvestigam o envolvimento de outras pessoas no ataque à Escola Estadual Sapopemba. A polícia já constatou que ele executou o atentado sozinho, mas as mensagens apreendidas no celular dele mostram que os integrantes do grupo no Discord, no mínimo, influíram na ação.
Flávio Dino quer o fim de progressão de pena para condenados
Foto: Tom Costa/MJSP
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, pediu ao Congresso que analise ainda este ano propostas para o fim da progressão de pena, regime que permite a redução do tempo de prisão por critérios como bom comportamento. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira (26).
Dino justificou a medida ao citar os presos por participação em facções criminosas no Rio de Janeiro. “Vai ser um caminho que por si só resolverá tudo? Não, mas ajuda”, afirmou.
“Propus isso formalmente, em agosto, ao presidente Arthur Lira [da Câmara dos Deputados] e ao presidente Rodrigo Pacheco [do Senado], que haja reserva de uma janela, de algumas semanas, para que ainda neste ano seja possível analisar alguns projetos de autoria parlamentar, que podem ajudar a corrigir certos aspectos”, disse o ministro.
O ministro também anunciou reforços no combate ao crime no Rio de Janeiro, com o envio de 300 agentes da Força Nacional e ampliação dos efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Dino negou a necessidade de intervenção federal no estado e elogiou o trabalho do governador Cláudio Castro (PL), que também sugeriu o fim da progressão de pena.